31.5.11

COMO ELE "DEFENDEU PORTUGAL"

COMO ELE "DEFENDEU PORTUGAL"

VOZES PARA OUVIR NA NOVA LEGISLATURA

Três delas - eu sei, eu sei - passam regularmente às terças-feiras à noite, entre as 22 e meia-noite, na tvi24. Manuel Maria Carrilho, Pedro Santana Lopes e Medeiros Ferreira. Têm dias, eu sei. Mas à medida que o deserto cresce (Nietzsche) é preciso separar que é o que criticar, etimologicamente, quer dizer. E a estes três (eu sei) separo-os quando eles separam.

VOZES PARA OUVIR NA NOVA LEGISLATURA

Três delas - eu sei, eu sei - passam regularmente às terças-feiras à noite, entre as 22 e meia-noite, na tvi24. Manuel Maria Carrilho, Pedro Santana Lopes e Medeiros Ferreira. Têm dias, eu sei. Mas à medida que o deserto cresce (Nietzsche) é preciso separar que é o que criticar, etimologicamente, quer dizer. E a estes três (eu sei) separo-os quando eles separam.

UM PROGRAMA


Positivo.

UM PROGRAMA


Positivo.

CANTAI



Mais de dois meses depois, toda a gente, a começar pelo inefável Marcelo, "descobriu" isto. Mais vale tarde do que nunca. Cantai, pois, "escravos portugueses" em memória da vossa pátria sì bella e perduta.

CANTAI



Mais de dois meses depois, toda a gente, a começar pelo inefável Marcelo, "descobriu" isto. Mais vale tarde do que nunca. Cantai, pois, "escravos portugueses" em memória da vossa pátria sì bella e perduta.

DESLIZE


Apareceram os ex-presidentes, de novo, a pedir que a campanha se concentrasse no programa acordado com a "troika". Muito bem. Mas qual dos programas? Aquele que tem prazos que morrem já em daqui a umas semanas e que Sócrates fez de conta que não existia? Ou o que os partidos da oposição conheciam e ao qual deram o seu acordo? O alucinado ainda em funções - o tal da "experiência" nacional e internacional que babou o dr. Soares -, depois de, em nome de Portugal, ter assinado o memorando com o FMI, a CE e o BCE, veio agora, nas ruas da campanha, dizer que Passos sempre quis cá o FMI. O homem que nos levou direitinhos aos braços do FMI nem sequer poupa aqueles com quem tem compromissos assinados e atira-os para a arena da sua irresponsabilidade demagógica e eleitoralista. E, pela enésima vez, sem pingo de vergonha, Vê-se que está de partida e que pouco lhe importa que o país lhe sobreviva. Sobreviverá. V.Exa, como diria o zarolho Sartre, deixe de fazer peso. Deslize.

DESLIZE


Apareceram os ex-presidentes, de novo, a pedir que a campanha se concentrasse no programa acordado com a "troika". Muito bem. Mas qual dos programas? Aquele que tem prazos que morrem já em daqui a umas semanas e que Sócrates fez de conta que não existia? Ou o que os partidos da oposição conheciam e ao qual deram o seu acordo? O alucinado ainda em funções - o tal da "experiência" nacional e internacional que babou o dr. Soares -, depois de, em nome de Portugal, ter assinado o memorando com o FMI, a CE e o BCE, veio agora, nas ruas da campanha, dizer que Passos sempre quis cá o FMI. O homem que nos levou direitinhos aos braços do FMI nem sequer poupa aqueles com quem tem compromissos assinados e atira-os para a arena da sua irresponsabilidade demagógica e eleitoralista. E, pela enésima vez, sem pingo de vergonha, Vê-se que está de partida e que pouco lhe importa que o país lhe sobreviva. Sobreviverá. V.Exa, como diria o zarolho Sartre, deixe de fazer peso. Deslize.

CHEGA DE BONZOS

Espera-se, na segunda-feira de manhã, o pedido de demissão do eterno Mega Ferreira da presidência do Centro Cultural de Belém. Nem é tanto por ele ser disto ou daquilo porque ele - e os como ele - não é propriamente de lado algum. É que, depois deste gesto cabotino (não me recordo, aliás, de lhe ter topado outros desde a CNARPE de 1980: o funesto PRD, Zenha e a Expo confirmam a regra), Mega, por uma questão de honestidade intelectual (saberá ele o que isto é?) não pode ficar nem mais um minuto em Belém. Chega de bonzos.

Adenda: Contributo para uma introdução ao estudo do dr. Mega Ferreira.

Adenda2: A "superioridade moral" da pseudo-esquerda moderna - têm a mania que são "donos" da cultura no que se tornaram um ersatz do PC do "antigamente" - está patente neste momento de rara beleza prosódica e figurativa que inclui o tradicional cortejo do comentário burgesso anónimo. Deslizem.

CHEGA DE BONZOS

Espera-se, na segunda-feira de manhã, o pedido de demissão do eterno Mega Ferreira da presidência do Centro Cultural de Belém. Nem é tanto por ele ser disto ou daquilo porque ele - e os como ele - não é propriamente de lado algum. É que, depois deste gesto cabotino (não me recordo, aliás, de lhe ter topado outros desde a CNARPE de 1980: o funesto PRD, Zenha e a Expo confirmam a regra), Mega, por uma questão de honestidade intelectual (saberá ele o que isto é?) não pode ficar nem mais um minuto em Belém. Chega de bonzos.

Adenda: Contributo para uma introdução ao estudo do dr. Mega Ferreira.

Adenda2: A "superioridade moral" da pseudo-esquerda moderna - têm a mania que são "donos" da cultura no que se tornaram um ersatz do PC do "antigamente" - está patente neste momento de rara beleza prosódica e figurativa que inclui o tradicional cortejo do comentário burgesso anónimo. Deslizem.

30.5.11

AMOR DE PERDIÇÃO

No PS existe uma outra "brigada", a "brigada Zé, estamos contigo", que inclui notabilidades como os drs. António Costa, Francisco Assis e o pequenito Vitorino que surgiu em Setúbal com os habituais gracejos. Vitorino, aliás, só é para levar a sério enquanto advogado de negócios já que, como político e quando foi chamado, negou-se para aí umas três ou quatro vezes. Um exemplo "cívico", sem dúvida. Mas, dizia eu, no último congresso albanês de Sócrates esta "brigada" ajudou o querido líder de diversas maneiras. Uns escreveram-lhe a "moção", outros incentivaram-no até às lágrimas e houve quem desse o mote, precisamente Vitorino, virando-se para Maomé: "Zé, estamos contigo!" Estarão. Justamente convém que nos recordemos que estavam, de facto, daqui a oito dias. E, sobretudo, que o PS não tomado pela superstição socrática os ajude a nunca esquecerem tamanho amor de perdição.

AMOR DE PERDIÇÃO

No PS existe uma outra "brigada", a "brigada Zé, estamos contigo", que inclui notabilidades como os drs. António Costa, Francisco Assis e o pequenito Vitorino que surgiu em Setúbal com os habituais gracejos. Vitorino, aliás, só é para levar a sério enquanto advogado de negócios já que, como político e quando foi chamado, negou-se para aí umas três ou quatro vezes. Um exemplo "cívico", sem dúvida. Mas, dizia eu, no último congresso albanês de Sócrates esta "brigada" ajudou o querido líder de diversas maneiras. Uns escreveram-lhe a "moção", outros incentivaram-no até às lágrimas e houve quem desse o mote, precisamente Vitorino, virando-se para Maomé: "Zé, estamos contigo!" Estarão. Justamente convém que nos recordemos que estavam, de facto, daqui a oito dias. E, sobretudo, que o PS não tomado pela superstição socrática os ajude a nunca esquecerem tamanho amor de perdição.

A "BRIGADA SOCRÁTICA" DO REUMÁTICO CULTURAL


Tenho respeito pelas pessoas ditas da "cultura" - para princípio de conversa, importava apurar o que se entende por cultura e por pessoas dela - mas não sinto nenhum temor reverencial. Pelo contrário, os políticos, em geral, adoram adornar-se com "personalidades da cultura". Foi o caso de Sócrates que agarra tudo, desde imigrantes a futebolistas, passando pelas ditas "personalidades". A lista das "personalidades" e o momento da sua exposição rançosa recordam evento parecido, ocorrido com militares, pouco antes do 25 de Abril. Comungam, aliás, da mesma filiação servil desses generais porque, em Portugal, as "personalidades da cultura" apreciam o respeitinho (como se viu no Estado Novo: ou se era da "situação" ou do PC e afins, caso contrário não se era mais nada para efeitos públicos), o poder instalado, o comadrio estéril que esse poder fomenta, a pusilanimidade, o rótulo, no caso, de "intelectual", em suma, uma ideia de companheirismo de estrada mesmo que a estrada não leve a lado algum. Depois, muitas dessas "personalidades" não passam ora de mediocridades brilhantes (ou de simples mediocridades), ora de oportunistas crónicos que vivem de um reconhecimento "entre pares" adaptado a cada circunstância. Ao menos os generais de Marcello eram coerentes. Estes velhos e velhas do novo Restelo do Sócrates não são nada. Representam-se a si próprios e aos seus interesses, como se verá quando Sócrates se for.

Adenda: Fico surpreendido por não ver Lídia

A "BRIGADA SOCRÁTICA" DO REUMÁTICO CULTURAL


Tenho respeito pelas pessoas ditas da "cultura" - para princípio de conversa, importava apurar o que se entende por cultura e por pessoas dela - mas não sinto nenhum temor reverencial. Pelo contrário, os políticos, em geral, adoram adornar-se com "personalidades da cultura". Foi o caso de Sócrates que agarra tudo, desde imigrantes a futebolistas, passando pelas ditas "personalidades". A lista das "personalidades" e o momento da sua exposição rançosa recordam evento parecido, ocorrido com militares, pouco antes do 25 de Abril. Comungam, aliás, da mesma filiação servil desses generais porque, em Portugal, as "personalidades da cultura" apreciam o respeitinho (como se viu no Estado Novo: ou se era da "situação" ou do PC e afins, caso contrário não se era mais nada para efeitos públicos), o poder instalado, o comadrio estéril que esse poder fomenta, a pusilanimidade, o rótulo, no caso, de "intelectual", em suma, uma ideia de companheirismo de estrada mesmo que a estrada não leve a lado algum. Depois, muitas dessas "personalidades" não passam ora de mediocridades brilhantes (ou de simples mediocridades), ora de oportunistas crónicos que vivem de um reconhecimento "entre pares" adaptado a cada circunstância. Ao menos os generais de Marcello eram coerentes. Estes velhos e velhas do novo Restelo do Sócrates não são nada. Representam-se a si próprios e aos seus interesses, como se verá quando Sócrates se for.

Adenda: Fico surpreendido por não ver Lídia

O CHAPÉU


Sócrates usa os imigrantes, os futebolistas e o mais que estiver por perto. Portas, o mais recém elogiado pelo primeiro, tenta "fintar" a esquerda pela direita (ou a direita pela esquerda, tanto faz) com o seu caritativismo criativo e o seu acrisolado desvelo pelos animais de pasto. Para ele, não há esquerdas nem direitas e o seu CDS é um pau disponível para toda a obra desde que alguém o aproveite. Depois de Sócrates, é o maior demagogo desta campanha alegre e enganadora uma vez que, do programa a aplicar imediatamente, ninguém fala. Ou fala, como o PC e o Bloco, de maneira irresponsável mas previsível. Lamento que Portas se tenha deixado deslumbrar tanto pelas sondagens como pela caça primitiva ao voto. Não só não concorre para o lugar de Sócrates como, às vezes, parece "concorrer" para que nenhum outro o substitua. Talvez, depois das eleições, consiga aliviar-se deste arzinho de boneco brincalhão de banda desenhada e possa estar à altura daquilo a que for eventualmente chamado. Era bom, então, que o país o pudesse levar a sério. Esta semana, porém, ainda é apenas um chapéu para um voto inútil.

Adenda: Portas mandou uns quantos moços de recados dizer mal de Marcelo. Marcelo, à semelhança dos "quadratura", é um "número" televisivo gasto. Mas fica mal a Portas vir agora sugerir que ele se cale, enquanto comentador, tanto mais quando estava num governo que o silenciou, "em coligação", não tendo sido então averbada a oposição de Portas. Marcelo é apenas mais um tagarela que, todavia e ao contrário da maior parte dos outros e das outras, alguns "feitos" com Portas, está constantemente a dizer "por quem é". Dessa dissimulação ninguém o pode acusar.

O CHAPÉU


Sócrates usa os imigrantes, os futebolistas e o mais que estiver por perto. Portas, o mais recém elogiado pelo primeiro, tenta "fintar" a esquerda pela direita (ou a direita pela esquerda, tanto faz) com o seu caritativismo criativo e o seu acrisolado desvelo pelos animais de pasto. Para ele, não há esquerdas nem direitas e o seu CDS é um pau disponível para toda a obra desde que alguém o aproveite. Depois de Sócrates, é o maior demagogo desta campanha alegre e enganadora uma vez que, do programa a aplicar imediatamente, ninguém fala. Ou fala, como o PC e o Bloco, de maneira irresponsável mas previsível. Lamento que Portas se tenha deixado deslumbrar tanto pelas sondagens como pela caça primitiva ao voto. Não só não concorre para o lugar de Sócrates como, às vezes, parece "concorrer" para que nenhum outro o substitua. Talvez, depois das eleições, consiga aliviar-se deste arzinho de boneco brincalhão de banda desenhada e possa estar à altura daquilo a que for eventualmente chamado. Era bom, então, que o país o pudesse levar a sério. Esta semana, porém, ainda é apenas um chapéu para um voto inútil.

Adenda: Portas mandou uns quantos moços de recados dizer mal de Marcelo. Marcelo, à semelhança dos "quadratura", é um "número" televisivo gasto. Mas fica mal a Portas vir agora sugerir que ele se cale, enquanto comentador, tanto mais quando estava num governo que o silenciou, "em coligação", não tendo sido então averbada a oposição de Portas. Marcelo é apenas mais um tagarela que, todavia e ao contrário da maior parte dos outros e das outras, alguns "feitos" com Portas, está constantemente a dizer "por quem é". Dessa dissimulação ninguém o pode acusar.

29.5.11

PARA NADA

De acordo com Mário Soares, num comício no Porto, Sócrates «ganhou uma experiência excepcional, tem amigos na Europa e conhece toda a gente». Mas isso serviu para evitar 700 mil desempregados, um pedido de auxílio externo de cerca de 78 mil milhões de euros e uma iminente bancarrota? Afinal, dr. Soares, para que é que serviu Sócrates com a sua "experiência excepcional"?

PARA NADA

De acordo com Mário Soares, num comício no Porto, Sócrates «ganhou uma experiência excepcional, tem amigos na Europa e conhece toda a gente». Mas isso serviu para evitar 700 mil desempregados, um pedido de auxílio externo de cerca de 78 mil milhões de euros e uma iminente bancarrota? Afinal, dr. Soares, para que é que serviu Sócrates com a sua "experiência excepcional"?

A OSTRA


Ontem, o suplemento A(c)tual do Expresso trazia uma carta da escritora Lídia Jorge. Parece que a "romancista" concedeu uma entrevista à revista Ler. E que, nessa entrevista, insinuou que tinha sido boicotada pelo dito suplemento do Expresso uma vez que a grande crítica literária Mellid-Franco (?), com dois ll e um hífen, lhe aviou 5 estrelas - o máximo - e no jornal saíram apenas 3. Tratou-se aparentemente de um erro de paginação, o suficiente para Lídia fazer queixinhas na sua editora e, ao que me dizem, insinuando quem teria sido o perpetrador contra tamanho génio escrevente luso. Recordo-me de, entretanto, o A(c)tual ter, em errata posterior, reposto as duas estrelinhas que faltavam no firmamento lídio. É neste contexto que aparece, então, a cartinha a que aludi e que resume o "génio" da autora. Diz ela, "a dado passo" daquela entrevista, que «em vez de porem cinco puseram três» e que «houve alguém que alterou aquilo.» Depois esclarece que «esta afirmação foi produzida num contexto de ironia e na tentativa de exemplificar o carácter por vezes aleatório da avaliação quantitativa dos livros, referindo-me em concreto aos erros comuns originados pela formatação informática, como terá sido o caso, sem que as minhas palavras procurassem ter outro qualquer significado ou envolvessem associações pejorativas.» Fala seguidamente em "incómodo" e em "especulações", talvez ciente das queixinhas que tinha andado a fazer, e acaba a «pedir desculpa aos profissionais envolvidos bem como ao editor» do suplemento. O êxito de livraria e de difusão nunca foram sinal de nada em literatura. Pelo contrário, aquilo a que temos assistido é a uma profusão de péssimos escritores e de romancistas medíocres que não conseguem livrar-se de uma concepção provinciana dela ao mesmo tempo que beneficiam de uma mediatização equivalente a marcas de cerveja. A circunstância de Lídia Jorge fascinar a mediania tribal e comádrica em vigor no pequenino mundo das letras portuguesas não passa, por isso mesmo, de um gesto de propaganda como qualquer outro em outras áreas. A sua carta (o "assunto") é como a ostra do poema de Ponge no sentido em que revela, na perfeição, o modo de ser daquilo que passa por literatura portuguesa contemporânea em versão "romance": tout un monde opiniâtrement clos. Um mundo no qual importam mais as entrevistas certas e as "estrelas"- em casos de patologia literata avançada e compulsiva, como Eduardo Pitta, a gastronomia e a vitivinicultura fazem parte da "pensão completa" - do que a qualidade intrínseca da obra. É o que há.

A OSTRA


Ontem, o suplemento A(c)tual do Expresso trazia uma carta da escritora Lídia Jorge. Parece que a "romancista" concedeu uma entrevista à revista Ler. E que, nessa entrevista, insinuou que tinha sido boicotada pelo dito suplemento do Expresso uma vez que a grande crítica literária Mellid-Franco (?), com dois ll e um hífen, lhe aviou 5 estrelas - o máximo - e no jornal saíram apenas 3. Tratou-se aparentemente de um erro de paginação, o suficiente para Lídia fazer queixinhas na sua editora e, ao que me dizem, insinuando quem teria sido o perpetrador contra tamanho génio escrevente luso. Recordo-me de, entretanto, o A(c)tual ter, em errata posterior, reposto as duas estrelinhas que faltavam no firmamento lídio. É neste contexto que aparece, então, a cartinha a que aludi e que resume o "génio" da autora. Diz ela, "a dado passo" daquela entrevista, que «em vez de porem cinco puseram três» e que «houve alguém que alterou aquilo.» Depois esclarece que «esta afirmação foi produzida num contexto de ironia e na tentativa de exemplificar o carácter por vezes aleatório da avaliação quantitativa dos livros, referindo-me em concreto aos erros comuns originados pela formatação informática, como terá sido o caso, sem que as minhas palavras procurassem ter outro qualquer significado ou envolvessem associações pejorativas.» Fala seguidamente em "incómodo" e em "especulações", talvez ciente das queixinhas que tinha andado a fazer, e acaba a «pedir desculpa aos profissionais envolvidos bem como ao editor» do suplemento. O êxito de livraria e de difusão nunca foram sinal de nada em literatura. Pelo contrário, aquilo a que temos assistido é a uma profusão de péssimos escritores e de romancistas medíocres que não conseguem livrar-se de uma concepção provinciana dela ao mesmo tempo que beneficiam de uma mediatização equivalente a marcas de cerveja. A circunstância de Lídia Jorge fascinar a mediania tribal e comádrica em vigor no pequenino mundo das letras portuguesas não passa, por isso mesmo, de um gesto de propaganda como qualquer outro em outras áreas. A sua carta (o "assunto") é como a ostra do poema de Ponge no sentido em que revela, na perfeição, o modo de ser daquilo que passa por literatura portuguesa contemporânea em versão "romance": tout un monde opiniâtrement clos. Um mundo no qual importam mais as entrevistas certas e as "estrelas"- em casos de patologia literata avançada e compulsiva, como Eduardo Pitta, a gastronomia e a vitivinicultura fazem parte da "pensão completa" - do que a qualidade intrínseca da obra. É o que há.

NÃO APRENDEM


Não possuo uma opinião positiva nem optimista sobre a justiça portuguesa. Assim estou à vontade para elogiar o juiz Carlos Alexandre no caso da brutalidade gratuita entre adolescentes adultos exibida no facebook. As prisões preventivas aplicadas a dois dos alarves, um rapaz e uma rapariga (a outra anda a "monte"), foram, em certo sentido, exemplares. É tempo de acabar com a mitologia, tão do agrado de certo folclore esquerdino, de que a rapaziada não é má, antes está "em risco" ou é "problemática". Enquanto um deles não apertar o esgarganete a estas e estes "pedagogos" da treta, não aprendem.

NÃO APRENDEM


Não possuo uma opinião positiva nem optimista sobre a justiça portuguesa. Assim estou à vontade para elogiar o juiz Carlos Alexandre no caso da brutalidade gratuita entre adolescentes adultos exibida no facebook. As prisões preventivas aplicadas a dois dos alarves, um rapaz e uma rapariga (a outra anda a "monte"), foram, em certo sentido, exemplares. É tempo de acabar com a mitologia, tão do agrado de certo folclore esquerdino, de que a rapaziada não é má, antes está "em risco" ou é "problemática". Enquanto um deles não apertar o esgarganete a estas e estes "pedagogos" da treta, não aprendem.

UM HERÓI DA PANTOMIMICE

«O programa da troika é uma ajuda para que o PSD aplique o seu próprio programa. Acusou José Sócrates. Ninguém se riu. Que pena. Com uma candura tocante, o líder do PS admitiu o que já se suspeitava: que, com ele, o programa da troika não é para cumprir. O que, aliás, se compreende: se fosse para cumprir, o PS teria apresentado um programa eleitoral compatível com a Europa e o FMI – e, de preferência, depois de conhecidas as medidas impostas. Sem falar do recente caso dos ‘dois documentos’ (ou, melhor dizendo, três) que não batem uns com os outros: a 3 de Maio, PS, PSD e CDS assinaram uma versão da coisa; a 17 de Maio, o PS assinou outra – sem dar contas ao vigário. Meros pormenores? Essa não é a questão. A questão é um dever de lealdade e transparência que Sócrates não tem para com o país, que ele trata como coutada sua. Claro que, nesta voragem autoritária, alguns ainda lembram que, sem cumprir o acordado, não há pataco para ninguém. Nada que perturbe um recordista como Sócrates: o homem que nos levou à bancarrota uma vez promete levar-nos uma segunda. É de herói.» (João Pereira Coutinho, no CM). É, de facto, de herói. Tal como é de herói andar por aí a exibir imigrantes, futebolistas e uma tentativa falhada de mostra de arquitectos prestigiados ao pequeno-almoço como troféus eleitorais. A pantomimice, desta vez, vai sair-lhe cara.

UM HERÓI DA PANTOMIMICE

«O programa da troika é uma ajuda para que o PSD aplique o seu próprio programa. Acusou José Sócrates. Ninguém se riu. Que pena. Com uma candura tocante, o líder do PS admitiu o que já se suspeitava: que, com ele, o programa da troika não é para cumprir. O que, aliás, se compreende: se fosse para cumprir, o PS teria apresentado um programa eleitoral compatível com a Europa e o FMI – e, de preferência, depois de conhecidas as medidas impostas. Sem falar do recente caso dos ‘dois documentos’ (ou, melhor dizendo, três) que não batem uns com os outros: a 3 de Maio, PS, PSD e CDS assinaram uma versão da coisa; a 17 de Maio, o PS assinou outra – sem dar contas ao vigário. Meros pormenores? Essa não é a questão. A questão é um dever de lealdade e transparência que Sócrates não tem para com o país, que ele trata como coutada sua. Claro que, nesta voragem autoritária, alguns ainda lembram que, sem cumprir o acordado, não há pataco para ninguém. Nada que perturbe um recordista como Sócrates: o homem que nos levou à bancarrota uma vez promete levar-nos uma segunda. É de herói.» (João Pereira Coutinho, no CM). É, de facto, de herói. Tal como é de herói andar por aí a exibir imigrantes, futebolistas e uma tentativa falhada de mostra de arquitectos prestigiados ao pequeno-almoço como troféus eleitorais. A pantomimice, desta vez, vai sair-lhe cara.

A UMA SEMANA

Como disse Manuela Ferreira Leite em Barcelos, daqui a uma semana trata-se fundamentalmente de varrer Sócrates e a sua alucinada trupe de qualquer responsabilidade pela condução dos destinos do país. Basta avaliar com um mínimo de realismo o estado a que tal condução nos trouxe para se entender, seja em que linguagem for, que o 5 de Junho é, sobretudo, um ponto de chegada que nos foi fatal. Fazer desse dia um ponto de partida é apenas escolher o outro e único candidato sério à remoção de Sócrates, independentemente de quaisquer estados de alma.

A UMA SEMANA

Como disse Manuela Ferreira Leite em Barcelos, daqui a uma semana trata-se fundamentalmente de varrer Sócrates e a sua alucinada trupe de qualquer responsabilidade pela condução dos destinos do país. Basta avaliar com um mínimo de realismo o estado a que tal condução nos trouxe para se entender, seja em que linguagem for, que o 5 de Junho é, sobretudo, um ponto de chegada que nos foi fatal. Fazer desse dia um ponto de partida é apenas escolher o outro e único candidato sério à remoção de Sócrates, independentemente de quaisquer estados de alma.

RETRATO DE UMA CAMARILHA


«Eles acham que são os donos do país. Portugal é deles. O Estado pertence-lhes. Vale tudo. Estão acima da lei e das deontologias. Não conhecem ética em política, nem educação. Não sabem o que é o Estado de direito. São filhos directos de Maquiavel porque agem sempre como se os fins justificassem os meios. Sentem-se príncipes que desconhecem o Estado de direito porque são os donos absolutos do país. Usam a propaganda como ninguém. Alimentam-se dela. Sabem de cor como inventar cenários, como criar factos que desviem do essencial, como dar a parecer o que não é.Mentem por palavras, actos e omissões.... Omitem números se não lhes interessam, guardam-nos e escondem-nos para apresentar boas execuções orçamentais. Mudam critérios para contar desempregados, como quem apaga pessoas. As pessoas são números. Afirmam meias- verdades para não serem apanhados na totalidade da mentira e não parecerem mentir tanto quando são apanhados em flagrante.»

Zita Seabra, JN

RETRATO DE UMA CAMARILHA


«Eles acham que são os donos do país. Portugal é deles. O Estado pertence-lhes. Vale tudo. Estão acima da lei e das deontologias. Não conhecem ética em política, nem educação. Não sabem o que é o Estado de direito. São filhos directos de Maquiavel porque agem sempre como se os fins justificassem os meios. Sentem-se príncipes que desconhecem o Estado de direito porque são os donos absolutos do país. Usam a propaganda como ninguém. Alimentam-se dela. Sabem de cor como inventar cenários, como criar factos que desviem do essencial, como dar a parecer o que não é.Mentem por palavras, actos e omissões.... Omitem números se não lhes interessam, guardam-nos e escondem-nos para apresentar boas execuções orçamentais. Mudam critérios para contar desempregados, como quem apaga pessoas. As pessoas são números. Afirmam meias- verdades para não serem apanhados na totalidade da mentira e não parecerem mentir tanto quando são apanhados em flagrante.»

Zita Seabra, JN

28.5.11

UMA ESCOLA

Uma coisa maravilhosa que a nossa justiça tem, para compensar os atrasos e as ineficiências estruturais, é andar quase sempre a horas com os relógios políticos. Veja-se o caso dos submarinos. O MP pediu mais prazo - dois anos! - para a "investigação" e para a manutenção do segredo de justiça. E o juiz Alexandre disse que com certeza, façam favor. Ou seja, se Portas voltar ao governo já sabe que terá o seu "momento Freeport" lá mais para diante independentemente da existência, ou não, de um "caso Freeport" ou de um "caso submarinos". O ponto é que isto fez e faz escola. Uma escola que não há meio de ser "recuperada".

UMA ESCOLA

Uma coisa maravilhosa que a nossa justiça tem, para compensar os atrasos e as ineficiências estruturais, é andar quase sempre a horas com os relógios políticos. Veja-se o caso dos submarinos. O MP pediu mais prazo - dois anos! - para a "investigação" e para a manutenção do segredo de justiça. E o juiz Alexandre disse que com certeza, façam favor. Ou seja, se Portas voltar ao governo já sabe que terá o seu "momento Freeport" lá mais para diante independentemente da existência, ou não, de um "caso Freeport" ou de um "caso submarinos". O ponto é que isto fez e faz escola. Uma escola que não há meio de ser "recuperada".

EXACTAMENTE

Strauss-Kahn e Schwarzenegger, a Time, os EUA, a doxa.Por outros motivos, e para quem pode ler em papel ou sem ser em papel, José Cutileiro no Expresso em bom português.

EXACTAMENTE

Strauss-Kahn e Schwarzenegger, a Time, os EUA, a doxa.Por outros motivos, e para quem pode ler em papel ou sem ser em papel, José Cutileiro no Expresso em bom português.

FICA PARA A PRÓXIMA

Quantos ministros dever ter um governo? E quantos secretários de Estado? É, sim, senhor, uma discussão muito interessante mas, como alguém recordava outro dia, ninguém vai ter tempo para sequer se sentar. Assim sendo, onde o iam arranjar para fazer e desfazer leis orgânicas, alterar materiais de consumo (os timbres nas papeletas, por exemplo, ou os logotipos que dão muito dinheiro que não há a ganhar a tanta gente), inventar ou "desinventar" secretários-gerais e directores-gerais? A não ser para cumprir o estritamente acordado com a CE, o FMI e o BCE, não é verosímil, apesar de popularucho, pensar em "estruturas" ideais quando a casa está arder. Fica para a prõxima.

FICA PARA A PRÓXIMA

Quantos ministros dever ter um governo? E quantos secretários de Estado? É, sim, senhor, uma discussão muito interessante mas, como alguém recordava outro dia, ninguém vai ter tempo para sequer se sentar. Assim sendo, onde o iam arranjar para fazer e desfazer leis orgânicas, alterar materiais de consumo (os timbres nas papeletas, por exemplo, ou os logotipos que dão muito dinheiro que não há a ganhar a tanta gente), inventar ou "desinventar" secretários-gerais e directores-gerais? A não ser para cumprir o estritamente acordado com a CE, o FMI e o BCE, não é verosímil, apesar de popularucho, pensar em "estruturas" ideais quando a casa está arder. Fica para a prõxima.

UMA CAMPANHA ALEGRE OU DA TENTATIVA FIGO, 2ª PARTE


«Dá a impressão que José Sócrates disse mais vezes "Fábio Coentrão" em três frases num comício nas Caxinas do que "PS" em todo o debate com Passos Coelho. Atrás dele, Assis e Lello quase se babavam, tal era a alegria dos votos que sentiam estar a facturar junto de jovens apaixonadas, como facturaram os de Figo. É caso para dizer que quem não tem paquistaneses caça com futebolistas. Aproveitemos, porque esta palhaçada só dura mais seis dias.» (de um leitor)

Adenda: A "delegação Pacheco Pereira" de Coimbra, talvez tocada pelo efeito "praça da canção" - Sócrates e Alegre têm de pagar dívidas políticas um ao outro, nada mais -, ainda concedeu uma garrinha genuína apesar dos panos, das bancadas, do circo.

Adenda2: Também há, aparentemente, uma "delegação Pacheco Pereira" no Porto (segundo Antero de Quental, o Porto nunca foi bem uma cidade, é mais um sindicato - e de viúvas, como lhe acrescentou depois o Villaret), chefiada pelo dr. Assis, cabeça de lista do PS na terra de Pacheco e do egrégio Júlio Machado Vaz. Segundo o cabeça, o dr. Pacheco está a ser vítima de "claustrofobia democrática" no PSD. Depois do edil Costa, este cabeça a tomar dores por Pacheco. Ainda o "socratismo dos últimos dias" o beatifica.

UMA CAMPANHA ALEGRE OU DA TENTATIVA FIGO, 2ª PARTE


«Dá a impressão que José Sócrates disse mais vezes "Fábio Coentrão" em três frases num comício nas Caxinas do que "PS" em todo o debate com Passos Coelho. Atrás dele, Assis e Lello quase se babavam, tal era a alegria dos votos que sentiam estar a facturar junto de jovens apaixonadas, como facturaram os de Figo. É caso para dizer que quem não tem paquistaneses caça com futebolistas. Aproveitemos, porque esta palhaçada só dura mais seis dias.» (de um leitor)

Adenda: A "delegação Pacheco Pereira" de Coimbra, talvez tocada pelo efeito "praça da canção" - Sócrates e Alegre têm de pagar dívidas políticas um ao outro, nada mais -, ainda concedeu uma garrinha genuína apesar dos panos, das bancadas, do circo.

Adenda2: Também há, aparentemente, uma "delegação Pacheco Pereira" no Porto (segundo Antero de Quental, o Porto nunca foi bem uma cidade, é mais um sindicato - e de viúvas, como lhe acrescentou depois o Villaret), chefiada pelo dr. Assis, cabeça de lista do PS na terra de Pacheco e do egrégio Júlio Machado Vaz. Segundo o cabeça, o dr. Pacheco está a ser vítima de "claustrofobia democrática" no PSD. Depois do edil Costa, este cabeça a tomar dores por Pacheco. Ainda o "socratismo dos últimos dias" o beatifica.

27.5.11

EM TEMPOS DE CALIBAN



Céline, nascido a 27.5.1894, em entrevista. Persistentemente contemporâneo que é coisa distinta de moderno.

EM TEMPOS DE CALIBAN



Céline, nascido a 27.5.1894, em entrevista. Persistentemente contemporâneo que é coisa distinta de moderno.

A DÚVIDA METÓDICA

Qual foi, afinal, o memorando que o governo assinou e que o PSD e o CDS tomaram por único? Dito de outra forma, por que é que será que nada que tenha o dedinho de Sócrates corre bem?

A DÚVIDA METÓDICA

Qual foi, afinal, o memorando que o governo assinou e que o PSD e o CDS tomaram por único? Dito de outra forma, por que é que será que nada que tenha o dedinho de Sócrates corre bem?

O MOMENTO E OS MOMENTOS

Com a complacência geral - órgãos de comunicação social à cabeça - «o debate sobre o presente e o futuro de Portugal continua dentro de momentos.» Mas há quem garanta que "este é o momento".

O MOMENTO E OS MOMENTOS

Com a complacência geral - órgãos de comunicação social à cabeça - «o debate sobre o presente e o futuro de Portugal continua dentro de momentos.» Mas há quem garanta que "este é o momento".

SEPARADAS POR PORTAS

«Convém que, nesta recta final da campanha, o PSD, natural vencedor das próximas eleições, corrija o tiro e defina melhor a sua ordem de adversários.» Certíssimo, Constança Cunha e Sá. Porque lá onde se escreve PSD se poderia pôr CDS. Porque não há ninguém do Caldas a concorrer directamente à remoção de Sócrates. A única coisa a que concorrem é ao "momento mais votos para o que der e vier". Tal como conviria - porque não adianta nada usar outro tempo verbal com jornalistas "companheiros de estrada" seja de quem for - a certos jornalistas não se comportarem como simples apoiantes declarados de um partido ou de uma pessoa (abram blogues pessoais, por exemplo, ou entreguem a carteira até 5 de Junho). Manuela Moura Guedes, por agora livre de compromissos de trabalho jornalístico, e que já foi deputada pelo dito CDS, coloca a questão no devido lugar. «Seria bom que Paulo Portas dissesse a frase: "Não vou governar com o PS." Só para registo.» Quem diria. Constança e Manuela, entre outros, separadas por Portas.

SEPARADAS POR PORTAS

«Convém que, nesta recta final da campanha, o PSD, natural vencedor das próximas eleições, corrija o tiro e defina melhor a sua ordem de adversários.» Certíssimo, Constança Cunha e Sá. Porque lá onde se escreve PSD se poderia pôr CDS. Porque não há ninguém do Caldas a concorrer directamente à remoção de Sócrates. A única coisa a que concorrem é ao "momento mais votos para o que der e vier". Tal como conviria - porque não adianta nada usar outro tempo verbal com jornalistas "companheiros de estrada" seja de quem for - a certos jornalistas não se comportarem como simples apoiantes declarados de um partido ou de uma pessoa (abram blogues pessoais, por exemplo, ou entreguem a carteira até 5 de Junho). Manuela Moura Guedes, por agora livre de compromissos de trabalho jornalístico, e que já foi deputada pelo dito CDS, coloca a questão no devido lugar. «Seria bom que Paulo Portas dissesse a frase: "Não vou governar com o PS." Só para registo.» Quem diria. Constança e Manuela, entre outros, separadas por Portas.

GENTE COMO DEVE SER


Boa ideia de Medeiros Ferreira. «Anne Sinclair tem defendido um francês, que se preparava para se candidatar à presidência da RF, em pleno Estado de New York, com unhas e dentes e muito património. São as autoridades judiciais que impõem uma caução inimaginável para o comum dos detidos, são os vizinhos da grande Maçã que se mostram hostis perante DSK em detenção domiciliária, é o silêncio das autoridades gaulesas perante as condições de detenção de alguém que Sarkosy escolheu para director do FMI em nome da França e da Europa. O General De Gaulle já teria manifestado algum mal-estar. Uma personalidade destas não deixa mal, nem o seu marido, nem o seu país.»

GENTE COMO DEVE SER


Boa ideia de Medeiros Ferreira. «Anne Sinclair tem defendido um francês, que se preparava para se candidatar à presidência da RF, em pleno Estado de New York, com unhas e dentes e muito património. São as autoridades judiciais que impõem uma caução inimaginável para o comum dos detidos, são os vizinhos da grande Maçã que se mostram hostis perante DSK em detenção domiciliária, é o silêncio das autoridades gaulesas perante as condições de detenção de alguém que Sarkosy escolheu para director do FMI em nome da França e da Europa. O General De Gaulle já teria manifestado algum mal-estar. Uma personalidade destas não deixa mal, nem o seu marido, nem o seu país.»

UMBIGUISMO


«Quando se chega ao delírio de opinião de Martim Silva, editor de política do Expresso, para quem “Sócrates não vive neste mundo mas ganhou este debate” [Passos/Sócrates da semana passada na rtp1], fica-se com uma noção melhor de que há comentário político nos media desfasado da realidade concreta, enviesando opiniões para lá do razoável: há comentadores que “não vivem neste mundo”, vivem no palco mediático, ou no mesmo mundo de fantasia de Sócrates, avaliam a vida política apenas por critérios mediáticos e ignoram as maçadas da restante realidade.» Isto é Eduardo Cintra Torres no Público. Interessa-me o fim, a apreciação do papel dos "comentadores". O ex libris, depois de Marcelo, do comentadorismo "de luxo" nas televisões - a quadratura do círculo da sicn - deu ontem um eloquente espectáculo do que refere Cintra Torres. O programa girou - com ligeiros interregnos em que os circunstantes se lembraram que o que está em questão nas eleições é a responsabilidade de Sócrates pelo estado da arte e não frívolos exercícios de barata filosofia de linguagem ou infelicidades menores desta - em torno do farto umbigo de Pacheco Pereira. Não bastava o homem ter vindo a correr do Porto onde tinha estado ao lado da luminária Machado Vaz (esse insuportável "especialista" na vida íntima de cada um), como todos se afadigarem, durante os 50 minutos que durou o programa, em "lavar a honra" política e mediática do colega supostamente posta em causa por Passos Coelho com uma afirmação lateral qualquer a que o país prestou a atenção merecida: nenhuma. Porquê? Porque Passos terá dito duas coisas. A primeira, que Pacheco, especialmente no programa em causa, sofre da síndrome do "abraço a António Costa no Chiado nas autárquicas de 2009", síndrome essa da qual não se consegue adequadamente livrar. A segunda, que terá todo o gosto (até porque Pacheco é militante encartado do PSD e ainda seu deputado) em que o referido Pacheco apareça na campanha ao lado do dito PSD, independentemente daquilo, como lembrou o amigo edil Costa. Há pessoas com umbigos desmesurados para um país demasiado pequeno. Ganhamos porventura mais com alguma normalidade que, nestas eleições, e apesar de algumas inoportunidades, Passos representa. O resto é encher chouriços ao adversário e bater coisinhas entre grilos vaidosos.

Nota sobre a foto: Repetida neste blogue vezes sem conta sempre que se fala em "comentadores". O livrinho de Céline, nascido a 27 de Maio de 1894, inclui o que ele escreveu em resposta a um Sartre que o quis condenado à morte. «J'irai vous applaudir lorsque vous serez enfin devenu un vrai monstre, que vous aurez payé, aux sorcières, ce qu'il faut, leur prix, pour qu'elles vous transmutent, éclosent, en vrai phénomène. En ténia qui joue de la flûte.» Céline, um diamante negro como o inferno. Bon anniversaire.

Adenda (da Ana Margarida Craveiro): «No dia em que há violência num comício do PS, vários jornais preferem dar destaque ao ego de Pacheco Pereira. São opções.» De que é que estavas à espera da matilha circense do espectáculo?

UMBIGUISMO


«Quando se chega ao delírio de opinião de Martim Silva, editor de política do Expresso, para quem “Sócrates não vive neste mundo mas ganhou este debate” [Passos/Sócrates da semana passada na rtp1], fica-se com uma noção melhor de que há comentário político nos media desfasado da realidade concreta, enviesando opiniões para lá do razoável: há comentadores que “não vivem neste mundo”, vivem no palco mediático, ou no mesmo mundo de fantasia de Sócrates, avaliam a vida política apenas por critérios mediáticos e ignoram as maçadas da restante realidade.» Isto é Eduardo Cintra Torres no Público. Interessa-me o fim, a apreciação do papel dos "comentadores". O ex libris, depois de Marcelo, do comentadorismo "de luxo" nas televisões - a quadratura do círculo da sicn - deu ontem um eloquente espectáculo do que refere Cintra Torres. O programa girou - com ligeiros interregnos em que os circunstantes se lembraram que o que está em questão nas eleições é a responsabilidade de Sócrates pelo estado da arte e não frívolos exercícios de barata filosofia de linguagem ou infelicidades menores desta - em torno do farto umbigo de Pacheco Pereira. Não bastava o homem ter vindo a correr do Porto onde tinha estado ao lado da luminária Machado Vaz (esse insuportável "especialista" na vida íntima de cada um), como todos se afadigarem, durante os 50 minutos que durou o programa, em "lavar a honra" política e mediática do colega supostamente posta em causa por Passos Coelho com uma afirmação lateral qualquer a que o país prestou a atenção merecida: nenhuma. Porquê? Porque Passos terá dito duas coisas. A primeira, que Pacheco, especialmente no programa em causa, sofre da síndrome do "abraço a António Costa no Chiado nas autárquicas de 2009", síndrome essa da qual não se consegue adequadamente livrar. A segunda, que terá todo o gosto (até porque Pacheco é militante encartado do PSD e ainda seu deputado) em que o referido Pacheco apareça na campanha ao lado do dito PSD, independentemente daquilo, como lembrou o amigo edil Costa. Há pessoas com umbigos desmesurados para um país demasiado pequeno. Ganhamos porventura mais com alguma normalidade que, nestas eleições, e apesar de algumas inoportunidades, Passos representa. O resto é encher chouriços ao adversário e bater coisinhas entre grilos vaidosos.

Nota sobre a foto: Repetida neste blogue vezes sem conta sempre que se fala em "comentadores". O livrinho de Céline, nascido a 27 de Maio de 1894, inclui o que ele escreveu em resposta a um Sartre que o quis condenado à morte. «J'irai vous applaudir lorsque vous serez enfin devenu un vrai monstre, que vous aurez payé, aux sorcières, ce qu'il faut, leur prix, pour qu'elles vous transmutent, éclosent, en vrai phénomène. En ténia qui joue de la flûte.» Céline, um diamante negro como o inferno. Bon anniversaire.

Adenda (da Ana Margarida Craveiro): «No dia em que há violência num comício do PS, vários jornais preferem dar destaque ao ego de Pacheco Pereira. São opções.» De que é que estavas à espera da matilha circense do espectáculo?

26.5.11

PORTUGAL PRECISA DEFENDER-SE DELE


«Alguém foi o responsável por todos os portugueses e muitas empresas neste período mais recente estarem 30 a 40 por cento mais pobres» e «tem que haver culpados nomeadamente aqueles que foram responsáveis pela gestão do país». É verdade. Aliás, não podem ser sonegadas ao escrutínio público coisas como «contratos de cinco novas estradas no valor de 10 mil milhões de euros» com «avultadas compensações financeiras aos consórcios privados» ou os meandros da introdução de portagens nas SCUT traduzida, afinal, em «um mau negócio para o Estado, que assumiu outros 10 mil milhões de euros de pagamentos adicionais aos concessionários privados, recebendo em troca receitas de portagem que não chegarão nunca para cobrir nem metade dessa despesa.» Alguém que anda aí pelas ruas a "chocar-se" por tudo e por nada e a falar em "maledicência", não terá nada a ver com isto? É assim que esse alguém pretende "defender Portugal? Convém, por consequência, Portugal defender-se rapidamente dele.

PORTUGAL PRECISA DEFENDER-SE DELE


«Alguém foi o responsável por todos os portugueses e muitas empresas neste período mais recente estarem 30 a 40 por cento mais pobres» e «tem que haver culpados nomeadamente aqueles que foram responsáveis pela gestão do país». É verdade. Aliás, não podem ser sonegadas ao escrutínio público coisas como «contratos de cinco novas estradas no valor de 10 mil milhões de euros» com «avultadas compensações financeiras aos consórcios privados» ou os meandros da introdução de portagens nas SCUT traduzida, afinal, em «um mau negócio para o Estado, que assumiu outros 10 mil milhões de euros de pagamentos adicionais aos concessionários privados, recebendo em troca receitas de portagem que não chegarão nunca para cobrir nem metade dessa despesa.» Alguém que anda aí pelas ruas a "chocar-se" por tudo e por nada e a falar em "maledicência", não terá nada a ver com isto? É assim que esse alguém pretende "defender Portugal? Convém, por consequência, Portugal defender-se rapidamente dele.

FECHAR A PORTA

O post anterior "resume" o essencial da campanha em curso. Este artigo de M. M. Carrilho sugere a campanha e o debate que não existem graças ao esganiçar tagarela em curso, devidamente excitado pela comunicação social e pela comentadoria estilo pizza ao domicílio 24 horas por dia. Podia, aliás, começar-se por aqui. «Quanto às responsabilidades, a diferença entre os números envolvidos no PEC IV (6,5 mil milhões de euros) e no Plano de Ajuda Externa (78 mil milhões de euros) diz tudo, desde que se olhe para ela com seriedade e isenção. E o mesmo acontece com os números da dívida pública, do crescimento ou do desemprego, todos a baterem recordes, não das últimas décadas, mas do último século.» Ou por aqui. «Seria também uma boa ocasião para se debater essa fantástica originalidade lusitana que é a de - ao contrário do que se passa, e é aconselhado, em todos os países da UE - se ter introduzido nas escolas portuguesas, aos 6 anos de idade, o maior bloqueador de aprendizagem que se podia introduzir - falo do Magalhães, claro, e das responsabilidades políticas que, sobre as suas terríveis consequências, vai ser preciso assumir no futuro. Ou, ainda, para se abordar essa insólita "privatização empresarial" da escola que tem sido levada a cabo com a operação "Parque Escolar", espoliando professores e alunos dos seus espaços, a pretexto de modernização das instalações, operação que tem sido muito mais conduzida pelos interesses do betão do que por objectivos da educação.» Mas não. Tal considera-se "maledicência" ou "casos" perturbadores das caravanas encantadas e esquecidas do que espera o país. Entretanto, Teixeira dos Santos, em Nova Iorque, lavou as mãos de Sócrates e do estado em que ele nos deixa. Louvou-se no memorando com a troika e deu a entender que ninguém lhe anda a prestar a devida atenção. Quem vier a seguir a ele que feche a porta.

FECHAR A PORTA

O post anterior "resume" o essencial da campanha em curso. Este artigo de M. M. Carrilho sugere a campanha e o debate que não existem graças ao esganiçar tagarela em curso, devidamente excitado pela comunicação social e pela comentadoria estilo pizza ao domicílio 24 horas por dia. Podia, aliás, começar-se por aqui. «Quanto às responsabilidades, a diferença entre os números envolvidos no PEC IV (6,5 mil milhões de euros) e no Plano de Ajuda Externa (78 mil milhões de euros) diz tudo, desde que se olhe para ela com seriedade e isenção. E o mesmo acontece com os números da dívida pública, do crescimento ou do desemprego, todos a baterem recordes, não das últimas décadas, mas do último século.» Ou por aqui. «Seria também uma boa ocasião para se debater essa fantástica originalidade lusitana que é a de - ao contrário do que se passa, e é aconselhado, em todos os países da UE - se ter introduzido nas escolas portuguesas, aos 6 anos de idade, o maior bloqueador de aprendizagem que se podia introduzir - falo do Magalhães, claro, e das responsabilidades políticas que, sobre as suas terríveis consequências, vai ser preciso assumir no futuro. Ou, ainda, para se abordar essa insólita "privatização empresarial" da escola que tem sido levada a cabo com a operação "Parque Escolar", espoliando professores e alunos dos seus espaços, a pretexto de modernização das instalações, operação que tem sido muito mais conduzida pelos interesses do betão do que por objectivos da educação.» Mas não. Tal considera-se "maledicência" ou "casos" perturbadores das caravanas encantadas e esquecidas do que espera o país. Entretanto, Teixeira dos Santos, em Nova Iorque, lavou as mãos de Sócrates e do estado em que ele nos deixa. Louvou-se no memorando com a troika e deu a entender que ninguém lhe anda a prestar a devida atenção. Quem vier a seguir a ele que feche a porta.

O LIVRO DAS RECORDAÇÕES



O país nas lonas e jornalistas e comentadores sempre com isto na boca. Décimas.

O LIVRO DAS RECORDAÇÕES



O país nas lonas e jornalistas e comentadores sempre com isto na boca. Décimas.

25.5.11

UMA "BEBEDEIRA DE MOMENTOS"

Segundo o dr. Portas, "este é o momento". Mas não está claro qual é, na realidade, "o momento". para o dr. Portas. Segundo o insuspeito e isento dr. Mário Soares, o CDS seria um bom "momento", depois de 5 de Junho, para "salvar" o eng.º Sócrates. Não consta que o dr. Portas o tivesse desmentido ou, sequer, comentado (fica para o António Ribeiro Ferreira, no Correio da Manhã). Segundo Lobo Xavier, o "momento" teria apenas de esperar pela evacuação do referido engenheiro. E, ainda de acordo com o próprio dr. Portas, o CDS também vive o "momento Porto" que é aquele em que uma coligação com o PSD "funciona muito bem". É a chamada "bebedeira de momentos".

UMA "BEBEDEIRA DE MOMENTOS"

Segundo o dr. Portas, "este é o momento". Mas não está claro qual é, na realidade, "o momento". para o dr. Portas. Segundo o insuspeito e isento dr. Mário Soares, o CDS seria um bom "momento", depois de 5 de Junho, para "salvar" o eng.º Sócrates. Não consta que o dr. Portas o tivesse desmentido ou, sequer, comentado (fica para o António Ribeiro Ferreira, no Correio da Manhã). Segundo Lobo Xavier, o "momento" teria apenas de esperar pela evacuação do referido engenheiro. E, ainda de acordo com o próprio dr. Portas, o CDS também vive o "momento Porto" que é aquele em que uma coligação com o PSD "funciona muito bem". É a chamada "bebedeira de momentos".

A POSSIBILIDADE DE UMA IDEIA DE CIVILIZAÇÃO


O que falta em autoridade nas escolas, nas ruas (salvo na obsessão persecutória contra os condutores de automóveis na cidade), nas famílias - em suma, a falta de uma coisa que um jurista famoso apelidou de sentimento jurídico colectivo - sobra em propaganda destemperada, em criancismo brutal, em engraçadismo idiota. A violência evidenciada alarvemente na internet é um sintoma demasiado burgesso disso. Quando a correcção política e social sai do papel e pára em pessoas (não exactamente em pessoas, antes em pedragulhos com olhos) desfaz-se o mito do "bom rapaz" e do "bom selvagem" alimentado desde sempre pela pior filosofia política, a do optimismo antropológico, que consegue, até, descortinar crianças num boi, numa vaca ou num penedo. É indispensável baixar a idade da imputabilidade penal. Se os monstros e monstras têm idade suficiente para "brincar aos médicos", para vadiar em vez de ir à escola, para incomodar os outros com a sua grosseria de bando, então não são eles quem está "em risco", essa desculpa "democrática" inventada por brigadas "multidisciplinares" e "comissões" criadas a torto e a direito para nada. Quem está em risco é a sociedade. E a possibilidade de uma ideia cada vez mais reduzida de civilização.

A POSSIBILIDADE DE UMA IDEIA DE CIVILIZAÇÃO


O que falta em autoridade nas escolas, nas ruas (salvo na obsessão persecutória contra os condutores de automóveis na cidade), nas famílias - em suma, a falta de uma coisa que um jurista famoso apelidou de sentimento jurídico colectivo - sobra em propaganda destemperada, em criancismo brutal, em engraçadismo idiota. A violência evidenciada alarvemente na internet é um sintoma demasiado burgesso disso. Quando a correcção política e social sai do papel e pára em pessoas (não exactamente em pessoas, antes em pedragulhos com olhos) desfaz-se o mito do "bom rapaz" e do "bom selvagem" alimentado desde sempre pela pior filosofia política, a do optimismo antropológico, que consegue, até, descortinar crianças num boi, numa vaca ou num penedo. É indispensável baixar a idade da imputabilidade penal. Se os monstros e monstras têm idade suficiente para "brincar aos médicos", para vadiar em vez de ir à escola, para incomodar os outros com a sua grosseria de bando, então não são eles quem está "em risco", essa desculpa "democrática" inventada por brigadas "multidisciplinares" e "comissões" criadas a torto e a direito para nada. Quem está em risco é a sociedade. E a possibilidade de uma ideia cada vez mais reduzida de civilização.

LER OS OUTROS

Os dois últimos posts de Álvaro Santos Pereira. Isto é que são "casos", aquilo que o querido líder confunde com as porteirices que ele tanto aprecia.

LER OS OUTROS

Os dois últimos posts de Álvaro Santos Pereira. Isto é que são "casos", aquilo que o querido líder confunde com as porteirices que ele tanto aprecia.

AS "MANIFESTAÇÕES ESPONTÂNEAS" DE SÓCRATES


Depois dos imigrantes, os peixes. «O PS está a oferecer aos militantes e apoiantes de Penafiel uma visita ao oceanário Sea Life do Porto, no domingo, como contrapartida da presença no comício com José Sócrates, no mesmo dia à tarde. Mais de 200 pessoas já reservaram lugar num dos vários autocarros que fazem a viagem até ao Porto, que também é oferecida pelo PS. A chegada ao Porto e a visita ao oceanário está marcada para as 10h30, seguida de piquenique no Parque da Cidade. No convite, os socialistas avisam que não pagam o almoço e que por isso cada um tem de levar a sua merenda. Às 16h00, têm de embarcar rumo à praça D. João I, no centro do Porto, local do comício com Sócrates. Quem não for ao comício arrisca-se a perder a boleia de regresso a Penafiel», lê-se num

AS "MANIFESTAÇÕES ESPONTÂNEAS" DE SÓCRATES


Depois dos imigrantes, os peixes. «O PS está a oferecer aos militantes e apoiantes de Penafiel uma visita ao oceanário Sea Life do Porto, no domingo, como contrapartida da presença no comício com José Sócrates, no mesmo dia à tarde. Mais de 200 pessoas já reservaram lugar num dos vários autocarros que fazem a viagem até ao Porto, que também é oferecida pelo PS. A chegada ao Porto e a visita ao oceanário está marcada para as 10h30, seguida de piquenique no Parque da Cidade. No convite, os socialistas avisam que não pagam o almoço e que por isso cada um tem de levar a sua merenda. Às 16h00, têm de embarcar rumo à praça D. João I, no centro do Porto, local do comício com Sócrates. Quem não for ao comício arrisca-se a perder a boleia de regresso a Penafiel», lê-se num

A SEGUIR

Talvez o anunciado desastre grego ajude alguns prosélitos a perceber melhor por que é que Strauss-Kahn não podia estar muito mais tempo à testa do FMI, independentemente das eleições presidenciais francesas e do affaire em curso. Porque a seguir é aqui.

A SEGUIR

Talvez o anunciado desastre grego ajude alguns prosélitos a perceber melhor por que é que Strauss-Kahn não podia estar muito mais tempo à testa do FMI, independentemente das eleições presidenciais francesas e do affaire em curso. Porque a seguir é aqui.

24.5.11

«ESTE DESCASO DE ASSASSINOS»

Chega-se a um momento na vida
(e por coincidência a um momento do mundo
que seja por linguagem o nosso)
em que o poeta se interroga antes de escrever:
porquê, e para quê, e para quem?
De nós mesmos falar não é possível:
seria necessário que houvesse humano respeito,
delicadeza humana, e não este descaso
de assassinos que se pisam sem desculpas.
Falar do que vai por este beco do universo
onde as comadres se acotovelam para levantar a saia
no escuro dos portais? Seria preciso
que a tristeza e a amargura e a visão do abismo
fossem partilhadas mais a fundo que a retórica
de serem tão infelizes no conforto
do piolhoso que vê mais dois piolhos na cabeça do outro.
Pensar em melhores mundos? Haverá,
mas não aqui. Aqui é o fim da festa,
o fechar das luzes do último dia
da Exposição dos Centenários, o arriar das bandeiras,
o apodrecer dos barcos pela praia.
Aqui só há lugar para metáforas,
óbvios símbolos, jogos de prendas poéticas,
para a droga de um sexo reduzido a palavras.
Cantem a beleza que se esvai, da juventude
que se perde, dos prados e das árvores,
com doce melancolia. O leitor tremula,
sente-se irmão, enfia
sorrateiramente a mão no bolso das calças,
apalpa-se e fecha os olhos, que está salva a pátria.

Jorge de Sena (30.8.73), 40 anos de servidão

«ESTE DESCASO DE ASSASSINOS»

Chega-se a um momento na vida
(e por coincidência a um momento do mundo
que seja por linguagem o nosso)
em que o poeta se interroga antes de escrever:
porquê, e para quê, e para quem?
De nós mesmos falar não é possível:
seria necessário que houvesse humano respeito,
delicadeza humana, e não este descaso
de assassinos que se pisam sem desculpas.
Falar do que vai por este beco do universo
onde as comadres se acotovelam para levantar a saia
no escuro dos portais? Seria preciso
que a tristeza e a amargura e a visão do abismo
fossem partilhadas mais a fundo que a retórica
de serem tão infelizes no conforto
do piolhoso que vê mais dois piolhos na cabeça do outro.
Pensar em melhores mundos? Haverá,
mas não aqui. Aqui é o fim da festa,
o fechar das luzes do último dia
da Exposição dos Centenários, o arriar das bandeiras,
o apodrecer dos barcos pela praia.
Aqui só há lugar para metáforas,
óbvios símbolos, jogos de prendas poéticas,
para a droga de um sexo reduzido a palavras.
Cantem a beleza que se esvai, da juventude
que se perde, dos prados e das árvores,
com doce melancolia. O leitor tremula,
sente-se irmão, enfia
sorrateiramente a mão no bolso das calças,
apalpa-se e fecha os olhos, que está salva a pátria.

Jorge de Sena (30.8.73), 40 anos de servidão

OS MISTÉRIOS DO "EMPATE TÉCNICO"

O "empate técnico" geralmente vociferado pelas sondagens - com a excepção de uma de segunda-feira- interessa a quem? Talvez o Pedro Magalhães vá explicando isto (e as "descolagens", uma terminologia aeroportuária pouco adequada aos tempos difíceis que aí estão) melhor do que os galhofeiros do comentário político, sempre prontos a avançar com as suas doutas opiniões sem o disclaimer à frente. Mas, de uma forma geral, sabemos com quem eles estão. Carrilho, na tvi24, disse-o claramente (mas Carrilho é atípico como socialista que frequenta televisões porque é o único liberto da "síndrome Sócrates"). E, sobretudo, contra quem a tosca "isenção" deles está.

OS MISTÉRIOS DO "EMPATE TÉCNICO"

O "empate técnico" geralmente vociferado pelas sondagens - com a excepção de uma de segunda-feira- interessa a quem? Talvez o Pedro Magalhães vá explicando isto (e as "descolagens", uma terminologia aeroportuária pouco adequada aos tempos difíceis que aí estão) melhor do que os galhofeiros do comentário político, sempre prontos a avançar com as suas doutas opiniões sem o disclaimer à frente. Mas, de uma forma geral, sabemos com quem eles estão. Carrilho, na tvi24, disse-o claramente (mas Carrilho é atípico como socialista que frequenta televisões porque é o único liberto da "síndrome Sócrates"). E, sobretudo, contra quem a tosca "isenção" deles está.

COM AS PESSOAS NORMAIS

«Eu não ouço os comentadores», diz Passos à dra. Judite de Sousa que lhe perguntou se tenciona continuar a viver em Massamá, se ganhar, como se fosse obrigatório ir a correr comprar uma casinha num qualquer condomínio de luxo entre o Príncipe Real, o Marquês e Cascais. Não percebem que, quanto mais "normal" Passos se revelar, mais ganha. Ora não ouvir comentadores só contribui para a "normalidade" e para a sanidade mental do homem. As pessoas estão fartas de preconceitos bimbos dos parvenus, de pessoas de plástico e de tagarelas.

Adenda (do Fado Alexandrino com o convite aceite): «Massamá é uma velha urbe, agora composta pela 6ª fase e Massamá Norte. Tem tudo desde farmácias a loja de frescos e congelados e todos os hiper mercados da moda. Tem um campo de futebol onde a selecção nacional vinha treinar. Tem jardins e escolas e deve ter, sei lá, uns cinquenta mil habitantes. E tem-me a mim. Se o senhor João Gonçalves desejar conhecê-la tenho muito gosto de o convidar a almoçar comigo desde a tasquinha até ao médio luxo onde há Cartuxa de vários anos. Para que é que o Passos Coelho havia de querer ir viver para o meio da chinfrineira?»