30.9.09

"INSTABILIDADE" OU O NÃO SABER

Repare-se que, apesar de ter ganho as eleições, o PS parece interessado em criar um novo mito (depois do famoso da "campanha negra"), o da instabilidade a pretexto do Chefe do Estado. Nestas coisas convém sempre prestar atenção aos mais primitivos e não a sofisticados como Silva Pereira, S. S. ou, mesmo, a Medeiros Ferreira que, de repente (ele nunca faz nada de repente), "ressuscitou" para as televisões. Por exemplo, Vítor Ramalho, o bonzo do partido junto do INATEL, usou directamente o termo instabilidade aplicando-o a Cavaco. O PR - de acordo com esta brutal pitonisa tão acarinhada por Mário Crespo - é um foco de instabilidade. Ora na autoritária cabeça do admirável líder dificilmente cabe a ideia de maioria relativa. Também não é por acaso que, à esquerda do PS (o "caso" Garcia Pereira é sempre especial), toda a gente dá gás à "onda" anti-Cavaco. Esta hubris vem bem lá de trás, ou seja, desde a humilhação de Soares e do inútil milhão de votos de Alegre. O PS precisa, como de pão para a boca, deste PR diminuído. E não ignora como a "esquerda" nunca estimou Cavaco. Não sabemos qual é o "caderno de encargos" que o Presidente irá apresentar a Sócrates, o secretário-geral do PS e não o 1º ministro. A irritação deste Sócrates pós-eleitoral e minoritário é que ele também não sabe. "Instabilidade", no jargão do admirável líder e da sua não menos admirável e autoritária cabeça, quer dizer exactamente isso. Não saber.

"INSTABILIDADE" OU O NÃO SABER

Repare-se que, apesar de ter ganho as eleições, o PS parece interessado em criar um novo mito (depois do famoso da "campanha negra"), o da instabilidade a pretexto do Chefe do Estado. Nestas coisas convém sempre prestar atenção aos mais primitivos e não a sofisticados como Silva Pereira, S. S. ou, mesmo, a Medeiros Ferreira que, de repente (ele nunca faz nada de repente), "ressuscitou" para as televisões. Por exemplo, Vítor Ramalho, o bonzo do partido junto do INATEL, usou directamente o termo instabilidade aplicando-o a Cavaco. O PR - de acordo com esta brutal pitonisa tão acarinhada por Mário Crespo - é um foco de instabilidade. Ora na autoritária cabeça do admirável líder dificilmente cabe a ideia de maioria relativa. Também não é por acaso que, à esquerda do PS (o "caso" Garcia Pereira é sempre especial), toda a gente dá gás à "onda" anti-Cavaco. Esta hubris vem bem lá de trás, ou seja, desde a humilhação de Soares e do inútil milhão de votos de Alegre. O PS precisa, como de pão para a boca, deste PR diminuído. E não ignora como a "esquerda" nunca estimou Cavaco. Não sabemos qual é o "caderno de encargos" que o Presidente irá apresentar a Sócrates, o secretário-geral do PS e não o 1º ministro. A irritação deste Sócrates pós-eleitoral e minoritário é que ele também não sabe. "Instabilidade", no jargão do admirável líder e da sua não menos admirável e autoritária cabeça, quer dizer exactamente isso. Não saber.

UM NOVO REGIME, UMA NOVA CONSTITUIÇÃO, UMA REPÚBLICA NOVA


O Presidente da República, eleito por sufrágio directo e universal, não tem de ser consensual. A figura do "presidente de todos os portugueses", introduzida por Eanes na recandidatura de 1980, é meramente retórica. Veja-se o caso francês da Constituição de 58, em vigor há mais de cinquenta anos, que deu presidentes tão distintos como De Gaulle, Pompidou, Mitterrand, Chirac ou Sarkozy. O regime português deve evoluir para a presidencialização, com outra Constituição e uma República Nova, como defendo. Em Outubro (dia 22), no renovado Centro Académico de Democracia Cristã, em Coimbra (e a convite do seu presidente, o Prof. João Caetano), procurarei explicar porquê.

UM NOVO REGIME, UMA NOVA CONSTITUIÇÃO, UMA REPÚBLICA NOVA


O Presidente da República, eleito por sufrágio directo e universal, não tem de ser consensual. A figura do "presidente de todos os portugueses", introduzida por Eanes na recandidatura de 1980, é meramente retórica. Veja-se o caso francês da Constituição de 58, em vigor há mais de cinquenta anos, que deu presidentes tão distintos como De Gaulle, Pompidou, Mitterrand, Chirac ou Sarkozy. O regime português deve evoluir para a presidencialização, com outra Constituição e uma República Nova, como defendo. Em Outubro (dia 22), no renovado Centro Académico de Democracia Cristã, em Coimbra (e a convite do seu presidente, o Prof. João Caetano), procurarei explicar porquê.

O IPO

O politiqueiro Costa - alcaide de Lisboa e presidente da coligação dele com a bicicleteira Roseta e o ex-fazia falta Zé Fernandes - queria retirar o IPO (um equipamento hospitalar infelizmente tão indispensável para tantos portugueses) da sua centralidade, a Palhavã, e remetê-lo para Chelas em local onde costumam ocorrer "eventos" musicais. Embalado pela demagogia em curso, Costa inverteu os termos da questão (o facto de ele querer abater o IPO lá onde ele se encontra e de Lopes pretender a Feira Popular no tal local de "eventos") e atirou-se a Santana Lopes com argumentário carroceiro e politicamente desonesto. Costa, aliás, pertenceu ao governo (o em funções) que, na fase Correia de Campos, até pretendia remover o IPO para Oeiras. Mais valia estar calado.

O IPO

O politiqueiro Costa - alcaide de Lisboa e presidente da coligação dele com a bicicleteira Roseta e o ex-fazia falta Zé Fernandes - queria retirar o IPO (um equipamento hospitalar infelizmente tão indispensável para tantos portugueses) da sua centralidade, a Palhavã, e remetê-lo para Chelas em local onde costumam ocorrer "eventos" musicais. Embalado pela demagogia em curso, Costa inverteu os termos da questão (o facto de ele querer abater o IPO lá onde ele se encontra e de Lopes pretender a Feira Popular no tal local de "eventos") e atirou-se a Santana Lopes com argumentário carroceiro e politicamente desonesto. Costa, aliás, pertenceu ao governo (o em funções) que, na fase Correia de Campos, até pretendia remover o IPO para Oeiras. Mais valia estar calado.

MISÉRIA INSTINTUAL



José Pacheco Pereira revela alguma beatitude quando, neste post, se refere a uma folha e a alguns dos que a preenchem como jornalistas, sem "aspas". Ou quando menciona blogues que não passam de janelas para as ratazanas que lá debitam poderem respirar entre duas flatulências. Ora a circunstância de as ratazanas continuarem a salivar revela duas coisas. A primeira, que Cavaco conta. E muito. A segunda, que a "central" está tanto ou mais activa do que na semana transacta.

Adenda: Ana Gomes, essa mulher politicamente pequenina e altamente improvável, veio a terreiro insultar o Presidente da República como se estivesse a falar com o marido. Por que é que não exportam esta ridícula personagem vicentina de novo para Timor ou para o raio que a parta?

MISÉRIA INSTINTUAL



José Pacheco Pereira revela alguma beatitude quando, neste post, se refere a uma folha e a alguns dos que a preenchem como jornalistas, sem "aspas". Ou quando menciona blogues que não passam de janelas para as ratazanas que lá debitam poderem respirar entre duas flatulências. Ora a circunstância de as ratazanas continuarem a salivar revela duas coisas. A primeira, que Cavaco conta. E muito. A segunda, que a "central" está tanto ou mais activa do que na semana transacta.

Adenda: Ana Gomes, essa mulher politicamente pequenina e altamente improvável, veio a terreiro insultar o Presidente da República como se estivesse a falar com o marido. Por que é que não exportam esta ridícula personagem vicentina de novo para Timor ou para o raio que a parta?

UMA ESTREIA

Auspiciosa num momento em que muita blogosfera não passa da longa manus das agências de "comunicação social e cultural*" - as propriamente ditas - e dos seus chevaliers servants espalhados metodicamente pelos jornais, pelas rádios e pelas televisões.

*quem terá sido o palonço que se lembrou do qualificativo "cultural" para benzer os ditos cursos?

UMA ESTREIA

Auspiciosa num momento em que muita blogosfera não passa da longa manus das agências de "comunicação social e cultural*" - as propriamente ditas - e dos seus chevaliers servants espalhados metodicamente pelos jornais, pelas rádios e pelas televisões.

*quem terá sido o palonço que se lembrou do qualificativo "cultural" para benzer os ditos cursos?

ESTÁ TUDO AQUI





Verdi, Don Carlo. Ferruccio Furlanetto, Piero Cappuccilli. Festival de Salzburgo. Karajan, 1986

ESTÁ TUDO AQUI





Verdi, Don Carlo. Ferruccio Furlanetto, Piero Cappuccilli. Festival de Salzburgo. Karajan, 1986

A LIDERANÇA "MODERNA" DE QUE O PSD PRECISA


Aqui retratada sempre a pisar os velhos pregos da "intentona"de 1981.

A LIDERANÇA "MODERNA" DE QUE O PSD PRECISA


Aqui retratada sempre a pisar os velhos pregos da "intentona"de 1981.

O VOTO LITORAL


E no meio do tumulto me(r)diático, as eleições autárquicas acabaram mal começaram. Em termos de "massagem", estamos exactamente como estávamos há uma semana, exactamente com os mesmos "testas-de-ferro" da mesma gente, em versão corrigida e aumentada, dedicados devotadamente à manipulação, à irrelevância e à propaganda (a ténia Marcelino, num momento de elevação digna da cloaca onde vive, refere-se ao PR como alguém a "fazer as suas necessidades políticas" - e não há quem lhe assente uma bengalada no focinho!). A abstenção crescerá a 11 de Outubro e quem for eleito sê-lo-á num mar de indiferença e do "cálculo de sombras" em vigor. É pena mas é mesmo assim.

O VOTO LITORAL


E no meio do tumulto me(r)diático, as eleições autárquicas acabaram mal começaram. Em termos de "massagem", estamos exactamente como estávamos há uma semana, exactamente com os mesmos "testas-de-ferro" da mesma gente, em versão corrigida e aumentada, dedicados devotadamente à manipulação, à irrelevância e à propaganda (a ténia Marcelino, num momento de elevação digna da cloaca onde vive, refere-se ao PR como alguém a "fazer as suas necessidades políticas" - e não há quem lhe assente uma bengalada no focinho!). A abstenção crescerá a 11 de Outubro e quem for eleito sê-lo-á num mar de indiferença e do "cálculo de sombras" em vigor. É pena mas é mesmo assim.

LEITURAS


Um senhor do "diário da manhã", Céu e Silva, está na Sic-Notícias a "ler" os jornais. Imaginam, naturalmente, a leitura que ele está a fazer. Este mail de um leitor devidamente identificado faz outra leitura disto tudo. Porventura a correcta.

«Isto é tudo muito complicado. Acho que o PR não pode dizer tudo o que sabe sobre vigilância, só fala no fundo do que tinha vindo a público. Depois, ele está sob uma barreira de fogo das Constanças das televisões, porque ele é um elo fraco (paradoxalmente, sendo PR), pois não tem uma central de comunicação, não tem organizações políticas por trás, não tem assessores -- como o governo -- para pressionar e ralhar por dá cá aquela palha aos jornalistas que mijam fora do penico. Deste modo, admiro o PR por, em vez de encolher os ombros e deixar a caravana absolutista passar, fazer-lhe frente, mesmo que isso lhe custe, eventualmente, a reeleição.»

LEITURAS


Um senhor do "diário da manhã", Céu e Silva, está na Sic-Notícias a "ler" os jornais. Imaginam, naturalmente, a leitura que ele está a fazer. Este mail de um leitor devidamente identificado faz outra leitura disto tudo. Porventura a correcta.

«Isto é tudo muito complicado. Acho que o PR não pode dizer tudo o que sabe sobre vigilância, só fala no fundo do que tinha vindo a público. Depois, ele está sob uma barreira de fogo das Constanças das televisões, porque ele é um elo fraco (paradoxalmente, sendo PR), pois não tem uma central de comunicação, não tem organizações políticas por trás, não tem assessores -- como o governo -- para pressionar e ralhar por dá cá aquela palha aos jornalistas que mijam fora do penico. Deste modo, admiro o PR por, em vez de encolher os ombros e deixar a caravana absolutista passar, fazer-lhe frente, mesmo que isso lhe custe, eventualmente, a reeleição.»

WHAT ARE YOU?*


«O que as frases de Sócrates nunca são: objectos ideológicos. Quando existiu a assunção da «possibilidade do erro» não saímos de uma espécie de imaginário (pobre) completamente psicologista, montado para causar impacto. Ou seja: aprova-se alguém só porque consegue desempenhar um papel do princípio ao fim. «Tudo isto é isto», para toda essa maioria relativa

Samuel Filipe, Esse bandido

«But I'm not a serpent, I tell you!" said Alice. "I'm a - I'm a - ' "Well! What are you?" said the Pigeon. "I can see you're trying to invent something!"(Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland)

WHAT ARE YOU?*


«O que as frases de Sócrates nunca são: objectos ideológicos. Quando existiu a assunção da «possibilidade do erro» não saímos de uma espécie de imaginário (pobre) completamente psicologista, montado para causar impacto. Ou seja: aprova-se alguém só porque consegue desempenhar um papel do princípio ao fim. «Tudo isto é isto», para toda essa maioria relativa

Samuel Filipe, Esse bandido

«But I'm not a serpent, I tell you!" said Alice. "I'm a - I'm a - ' "Well! What are you?" said the Pigeon. "I can see you're trying to invent something!"(Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland)

29.9.09

PEQUENO EXERCÍCIO DE SEMIÓTICA


Aquele que consiste em ler as postagens dos blogueiros jornalistas e dos jornalistas blogueiros. São inconfundíveis. Nada de estragar o negócio aos chefes. A deontologia segue dentro de momentos.

PEQUENO EXERCÍCIO DE SEMIÓTICA


Aquele que consiste em ler as postagens dos blogueiros jornalistas e dos jornalistas blogueiros. São inconfundíveis. Nada de estragar o negócio aos chefes. A deontologia segue dentro de momentos.

O PAÍS LÁ FORA

Papagaios e araras: o país não deixou de empobrecer apesar da vossa tagarelice. Parabéns ao António Ribeiro Ferreira por ter sido a excepção que lembrou que há um país para além das "punhetas a grilos" e da insolência.

O PAÍS LÁ FORA

Papagaios e araras: o país não deixou de empobrecer apesar da vossa tagarelice. Parabéns ao António Ribeiro Ferreira por ter sido a excepção que lembrou que há um país para além das "punhetas a grilos" e da insolência.

ANDAR PARA TRÁS


O PS não falou mais cedo porque, desde as vinte e onze, tem mobilizada a sua habitual brigada de louros dispersa por todas as televisões. Todas. Quanto ao mimético e esfíngico Silva Pereira, limitou-se a garantir que Sócrates seja indigitado primeiro-ministro. Nem que as conversas de quinta-feira passem a ser gravadas como nos idos do governo Balsemão com Eanes, em 1981-82. Confirma-se, pois, que após os resultados de domingo andámos para trás.

ANDAR PARA TRÁS


O PS não falou mais cedo porque, desde as vinte e onze, tem mobilizada a sua habitual brigada de louros dispersa por todas as televisões. Todas. Quanto ao mimético e esfíngico Silva Pereira, limitou-se a garantir que Sócrates seja indigitado primeiro-ministro. Nem que as conversas de quinta-feira passem a ser gravadas como nos idos do governo Balsemão com Eanes, em 1981-82. Confirma-se, pois, que após os resultados de domingo andámos para trás.

INTIMAÇÕES DE MORTALIDADE


Mário Soares nunca revelou, enquanto PR, estados de alma sobre o PS. Soares sabia que em política não existem estados de alma e, quando se esquecia disso, logo alguém, lá em Belém, lho recordava. Isso não o impediu, com método e zelo, de "conspirar" para remover Constâncio, para diminuir Sampaio e para só "puxar" por Guterres quando percebeu que ele ia ganhar. Mesmo assim não o poupou ao famoso congresso da FIL. Sampaio, após alguma hesitação, foi aconselhado a demitir Santana quando lhe garantiram que o partido "estava pronto". O resto é conhecido sobretudo o que certas pessoas, avidamente, fizeram contra o Cavaco de São Bento nos idos de Soares. Cavaco, o PR, convenceu-se que o seu profissionalismo e seriedade bastavam e que não era preciso a porca da política para nada em Belém. Com uma Casa Civil deficitária nesta área (e com ela superavitária cá fora, no governo, na corte do 1º ministro ou nos papagaios dos media e demais vendilhões do templo como acabou por reconhecer), Cavaco decidiu revelar estados de alma. Ora de um Chefe de Estado não se espera intimações de mortalidade para partilhar, à lareira, com o "povo". Espera-se dele decisões políticas. As mais elevadas.

INTIMAÇÕES DE MORTALIDADE


Mário Soares nunca revelou, enquanto PR, estados de alma sobre o PS. Soares sabia que em política não existem estados de alma e, quando se esquecia disso, logo alguém, lá em Belém, lho recordava. Isso não o impediu, com método e zelo, de "conspirar" para remover Constâncio, para diminuir Sampaio e para só "puxar" por Guterres quando percebeu que ele ia ganhar. Mesmo assim não o poupou ao famoso congresso da FIL. Sampaio, após alguma hesitação, foi aconselhado a demitir Santana quando lhe garantiram que o partido "estava pronto". O resto é conhecido sobretudo o que certas pessoas, avidamente, fizeram contra o Cavaco de São Bento nos idos de Soares. Cavaco, o PR, convenceu-se que o seu profissionalismo e seriedade bastavam e que não era preciso a porca da política para nada em Belém. Com uma Casa Civil deficitária nesta área (e com ela superavitária cá fora, no governo, na corte do 1º ministro ou nos papagaios dos media e demais vendilhões do templo como acabou por reconhecer), Cavaco decidiu revelar estados de alma. Ora de um Chefe de Estado não se espera intimações de mortalidade para partilhar, à lareira, com o "povo". Espera-se dele decisões políticas. As mais elevadas.

PARABÉNS, PÁ

Acabámos de assistir à segunda vitória de Sócrates em menos de 48 horas. Parabéns, pá.

PARABÉNS, PÁ

Acabámos de assistir à segunda vitória de Sócrates em menos de 48 horas. Parabéns, pá.

A COMUNICAÇÃO


"Then the words don't fit you", said the King, looking round the court with a smile. There was a dead silence."It's a pun!", the King added in an offended tone, and everybody laughed, "Let the jury consider their verdict", the King said, for about the twentieth time that day."No, no!" said the Queen. "Sentence first - verdict afterwards.""Stuff and nonsense!" said Alice loudly. "The idea of having the sentence first!""Hold your tongue!" said the Queen, turning purple."I won't!" said Alice."Off with her head!" the Queen shouted at the top of her voice. Nobody moved. "Who cares for you?" said Alice, (she had grown to her full size by this time.) "You're nothing but a pack of cards!" (Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland)

Nota: Como foi garantido na campanha eleitoral por parte de quem ganhou, as crianças andam todas a aprender inglês. E não liguem aos "críticos" tagarelas já na massagem. Sigam o autor. O Carroll, claro.

Nota 2: A TVI pergunta, no rodapé, "se o PS deve governar sosinho". Assim mesmo. Com "s". Ainda bem que já podem frequentar as "novas oportunidades".

A COMUNICAÇÃO


"Then the words don't fit you", said the King, looking round the court with a smile. There was a dead silence."It's a pun!", the King added in an offended tone, and everybody laughed, "Let the jury consider their verdict", the King said, for about the twentieth time that day."No, no!" said the Queen. "Sentence first - verdict afterwards.""Stuff and nonsense!" said Alice loudly. "The idea of having the sentence first!""Hold your tongue!" said the Queen, turning purple."I won't!" said Alice."Off with her head!" the Queen shouted at the top of her voice. Nobody moved. "Who cares for you?" said Alice, (she had grown to her full size by this time.) "You're nothing but a pack of cards!" (Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland)

Nota: Como foi garantido na campanha eleitoral por parte de quem ganhou, as crianças andam todas a aprender inglês. E não liguem aos "críticos" tagarelas já na massagem. Sigam o autor. O Carroll, claro.

Nota 2: A TVI pergunta, no rodapé, "se o PS deve governar sosinho". Assim mesmo. Com "s". Ainda bem que já podem frequentar as "novas oportunidades".

CONTRATAÇÕES

Carlos: quando é que o contratam para o circo Cardinalli para intervalar com a televisão? Sempre é gente séria e trabalhadora. Isto inclui os animais.

CONTRATAÇÕES

Carlos: quando é que o contratam para o circo Cardinalli para intervalar com a televisão? Sempre é gente séria e trabalhadora. Isto inclui os animais.

NEGOCIAÇÕES


Com escreve um leitor, com a anunciada devassa da investigação criminal a determinados escritórios da advocacia de negócios e do regime (é a mesma coisa), começaram as "negociações" formais para a formação de um novo governo.

NEGOCIAÇÕES


Com escreve um leitor, com a anunciada devassa da investigação criminal a determinados escritórios da advocacia de negócios e do regime (é a mesma coisa), começaram as "negociações" formais para a formação de um novo governo.

O QUE ELES TÊM NA TOLA


Já acabou a campanha mas certos comentadores (e alguns blogues) persistem em seguir o senhor da foto, sempre envoltos na superstição política mais reles. As televisões não se cansam de o confirmar de manhã à noite. Outros - comentadores e blogues - começam a "virar o bico ao prego" como bons videirinhos. Aliás, um desses blogues, por mero pudor, devia aligeirar a respectiva toponímia. Transformou-se numa ofensa brega e primitiva à literatura. Mesmo à infantil.

O QUE ELES TÊM NA TOLA


Já acabou a campanha mas certos comentadores (e alguns blogues) persistem em seguir o senhor da foto, sempre envoltos na superstição política mais reles. As televisões não se cansam de o confirmar de manhã à noite. Outros - comentadores e blogues - começam a "virar o bico ao prego" como bons videirinhos. Aliás, um desses blogues, por mero pudor, devia aligeirar a respectiva toponímia. Transformou-se numa ofensa brega e primitiva à literatura. Mesmo à infantil.

O LIBERALISMO DA VIGÉSIMA QUINTA HORA

A meritocracia, a "gestão por objectivos", a facada nas costas, o desprezo pela condição humana, enfim, o pensamento triunfante que calcula e que governa um pouco por toda a parta, já conduziu ao suicídio de vinte e quatro funcionários da France Telecom. Condoído, o gerente da coisa prometeu mais "humanidade" e maior atenção às relações laborais e às transferências de postos de trabalho. Por cá, os "intelectuais" do liberalismo da vigésima quinta hora devem achar maravilhosa a prática desta privatizada empresa. O bezerro de ouro - o lucro - justifica tudo e o seu contrário porque vivemos num tempo desprovido de ética e onde o homem se limita a ser uma peça descartável. E há sempre alguém (o alguém é uma metáfora) disponível para ocupar o lugar do morto seguinte em nome dos "objectivos". O homem não foi feito para a derrota, como escreveu o Hemingway? Não teria tanta certeza. Afinal, a France Telecom (isto é só um nome) prova pode que ser derrotado e destruído.

O LIBERALISMO DA VIGÉSIMA QUINTA HORA

A meritocracia, a "gestão por objectivos", a facada nas costas, o desprezo pela condição humana, enfim, o pensamento triunfante que calcula e que governa um pouco por toda a parta, já conduziu ao suicídio de vinte e quatro funcionários da France Telecom. Condoído, o gerente da coisa prometeu mais "humanidade" e maior atenção às relações laborais e às transferências de postos de trabalho. Por cá, os "intelectuais" do liberalismo da vigésima quinta hora devem achar maravilhosa a prática desta privatizada empresa. O bezerro de ouro - o lucro - justifica tudo e o seu contrário porque vivemos num tempo desprovido de ética e onde o homem se limita a ser uma peça descartável. E há sempre alguém (o alguém é uma metáfora) disponível para ocupar o lugar do morto seguinte em nome dos "objectivos". O homem não foi feito para a derrota, como escreveu o Hemingway? Não teria tanta certeza. Afinal, a France Telecom (isto é só um nome) prova pode que ser derrotado e destruído.

28.9.09

A VERDADEIRA COLIGAÇÃO


«Os três canais foram iguais [na noite eleitoral] numa coisa: fizeram cartel, programando todos os intervalos publicitários em simultâneo. Sócrates nunca referiu a perda de votos, de deputados e da maioria absoluta no discurso; e a essa realidade virtual correspondeu o tom geral das TVs. Com a TVI domesticada (Sócrates deu a sua primeira entrevista ao canal no último dia de campanha), com a RTP na mão e a SIC alinhada com a estratégia da central de propaganda do PS-governo, o partido de Sócrates dispõe dum poderoso aliado para formar coligação: a TV generalista (...). Quanto aos comentadores, quase nada adiantaram. À parte na RTP1 Vitorino, que deu a análise oficial do PS, e Marcelo, que deu a análise de um PSD semi-independente, não houve comentário inovador. É porventura outro sinal do que nos espera na política e na comunicação: nenhum entusiasmo, nenhuma certeza, muita negociação e conversa em plano descendente, mas com a coligação PS-central de propaganda alimentando a irrealidade enquanto o poder se exerce

Eduardo Cintra Torres, Público

A VERDADEIRA COLIGAÇÃO


«Os três canais foram iguais [na noite eleitoral] numa coisa: fizeram cartel, programando todos os intervalos publicitários em simultâneo. Sócrates nunca referiu a perda de votos, de deputados e da maioria absoluta no discurso; e a essa realidade virtual correspondeu o tom geral das TVs. Com a TVI domesticada (Sócrates deu a sua primeira entrevista ao canal no último dia de campanha), com a RTP na mão e a SIC alinhada com a estratégia da central de propaganda do PS-governo, o partido de Sócrates dispõe dum poderoso aliado para formar coligação: a TV generalista (...). Quanto aos comentadores, quase nada adiantaram. À parte na RTP1 Vitorino, que deu a análise oficial do PS, e Marcelo, que deu a análise de um PSD semi-independente, não houve comentário inovador. É porventura outro sinal do que nos espera na política e na comunicação: nenhum entusiasmo, nenhuma certeza, muita negociação e conversa em plano descendente, mas com a coligação PS-central de propaganda alimentando a irrealidade enquanto o poder se exerce

Eduardo Cintra Torres, Público

O ENFORCADO E AS SUAS CORDAS


António Costa - o péssimo alcaide de Lisboa, o mesmo que esventrou o Terreiro do Paço e tornou o trânsito da cidade num caos - é o "novo" Costa que "promete" para a Semana Santa a conclusão da "obra". Ele "quer" - repare-se na rápida recuperação do estilo "feroz" pelo "escol" do PS - a "obra" terminada nessa altura. Dr. Costa: em casa de enforcado não se fala em cordas.

O ENFORCADO E AS SUAS CORDAS


António Costa - o péssimo alcaide de Lisboa, o mesmo que esventrou o Terreiro do Paço e tornou o trânsito da cidade num caos - é o "novo" Costa que "promete" para a Semana Santa a conclusão da "obra". Ele "quer" - repare-se na rápida recuperação do estilo "feroz" pelo "escol" do PS - a "obra" terminada nessa altura. Dr. Costa: em casa de enforcado não se fala em cordas.

MIMESIS


Reparem em Pedro Silva Pereira - é o ministro da presidência. Em como ele é mimético de Sócrates. Na forma como as mãos "cortam" o vazio, na colocação da voz, na defesa da via "mexicana" do PS reproduzida neste pequeno canto dezenas de anos depois do "sonho" de Soares, na obsessão com os "ataques pessoais" ao original dele e com a famigerada "maledicência". Uma extraordinária dupla imagem.

MIMESIS


Reparem em Pedro Silva Pereira - é o ministro da presidência. Em como ele é mimético de Sócrates. Na forma como as mãos "cortam" o vazio, na colocação da voz, na defesa da via "mexicana" do PS reproduzida neste pequeno canto dezenas de anos depois do "sonho" de Soares, na obsessão com os "ataques pessoais" ao original dele e com a famigerada "maledicência". Uma extraordinária dupla imagem.

PARA MEMÓRIA FUTURA


O CDS/PP recusa fazer maioria absoluta com o PS, lê-se nos rodapés. «Enquanto falava, Alice levantou-se da mesa e sacudiu-a [à Rainha Preta] para a frente e para trás com quantas forças tinha. A Rainha Preta não opôs qualquer resistência. Mas a sua cara fez-se muito pequena e os olhos ficaram grandes e verdes e à medida que Alice a continuava a sacudir ela ficava cada vez mais pequena e mais gorda e mais macia e mais redondinha e... - e afinal era mesmo uma gatinha.»

PARA MEMÓRIA FUTURA


O CDS/PP recusa fazer maioria absoluta com o PS, lê-se nos rodapés. «Enquanto falava, Alice levantou-se da mesa e sacudiu-a [à Rainha Preta] para a frente e para trás com quantas forças tinha. A Rainha Preta não opôs qualquer resistência. Mas a sua cara fez-se muito pequena e os olhos ficaram grandes e verdes e à medida que Alice a continuava a sacudir ela ficava cada vez mais pequena e mais gorda e mais macia e mais redondinha e... - e afinal era mesmo uma gatinha.»

OS NOSSOS E OS DELES OU OS TEMPOS DE CORRUPÇÃO MORAL


Cheguei a casa e, na televisão, vi Constança Cunha e Sá e Miguel Sousa Tavares. Estavam, por assim dizer, a fazer o "guião" daquilo que Cavaco vai dizer amanhã "à imprensa". E, naturalmente, a ajudar às pompas fúnebres de Ferreira Leite defendendo que Marques Mendes é que era bom. Mesmo assim, o escritor ainda conseguiu dizer uma coisa de jeito sobre o PSD. Só se vê coelhos a saltar da cartola, com um PSD em cada televisão, em cada esquina, a sugerir que "a seguir é ele". O mais óbvio, por causa dos interesses em jogo, é o Coelho de nome que não perdeu tempo em fazer avançar os seus peões de brega (e a sua extraordinária figura) cuja loquacidade política nunca desilude. Pois bem. É preciso fazer frente a este "socratismo" disfarçado, oportunista e negocista, que pulula dentro do PSD. E ao "socratismo" propriamente dito. Por isso decidi regressar ao partido com ficha assinada pelo José Pacheco Pereira. É a minha maneira de homenagear a decência da dra. Manuela Ferreira Leite numa altura em se aproximam tempos sombrios para o país. E lembrei-me de um texto do JPP sobre Boécio. «A resposta que a Filosofia dá a Boécio não é em si complexa e a essência que o "consolo" lhe traz é simples: Deus, a Providência e a Sorte não têm os mesmos caminhos terrenos e por isso podem parecer contraditórios na recompensa que dão aos humanos. Por isso, os maus podem parecer ter uma recompensa do seu mal. Mas vai mais longe e diz a Boécio que ele é verdadeiramente livre nos seus actos porque eles são independentes mesmo do prévio conhecimento que Deus tenha deles. Sendo senhor do seu destino, o que lhe estava a acontecer não tinha de necessariamente acontecer se não fosse a sua liberdade de escolher, e era para isso que os seus actos tinham valor para Deus e estavam para além da sua recompensa ou punição terrestre (...). Não sei se na dor da tortura o "consolo" da filosofia serviu de alguma coisa a Boécio. Provavelmente não. Mas o que levou esse homem antigo a, na sua cela, escrever para nós, permanece intacto na sua força e valor para estes tempos de corrupção moral. Por isso, ele é dos nossos.»

Foto: Ephemera

OS NOSSOS E OS DELES OU OS TEMPOS DE CORRUPÇÃO MORAL


Cheguei a casa e, na televisão, vi Constança Cunha e Sá e Miguel Sousa Tavares. Estavam, por assim dizer, a fazer o "guião" daquilo que Cavaco vai dizer amanhã "à imprensa". E, naturalmente, a ajudar às pompas fúnebres de Ferreira Leite defendendo que Marques Mendes é que era bom. Mesmo assim, o escritor ainda conseguiu dizer uma coisa de jeito sobre o PSD. Só se vê coelhos a saltar da cartola, com um PSD em cada televisão, em cada esquina, a sugerir que "a seguir é ele". O mais óbvio, por causa dos interesses em jogo, é o Coelho de nome que não perdeu tempo em fazer avançar os seus peões de brega (e a sua extraordinária figura) cuja loquacidade política nunca desilude. Pois bem. É preciso fazer frente a este "socratismo" disfarçado, oportunista e negocista, que pulula dentro do PSD. E ao "socratismo" propriamente dito. Por isso decidi regressar ao partido com ficha assinada pelo José Pacheco Pereira. É a minha maneira de homenagear a decência da dra. Manuela Ferreira Leite numa altura em se aproximam tempos sombrios para o país. E lembrei-me de um texto do JPP sobre Boécio. «A resposta que a Filosofia dá a Boécio não é em si complexa e a essência que o "consolo" lhe traz é simples: Deus, a Providência e a Sorte não têm os mesmos caminhos terrenos e por isso podem parecer contraditórios na recompensa que dão aos humanos. Por isso, os maus podem parecer ter uma recompensa do seu mal. Mas vai mais longe e diz a Boécio que ele é verdadeiramente livre nos seus actos porque eles são independentes mesmo do prévio conhecimento que Deus tenha deles. Sendo senhor do seu destino, o que lhe estava a acontecer não tinha de necessariamente acontecer se não fosse a sua liberdade de escolher, e era para isso que os seus actos tinham valor para Deus e estavam para além da sua recompensa ou punição terrestre (...). Não sei se na dor da tortura o "consolo" da filosofia serviu de alguma coisa a Boécio. Provavelmente não. Mas o que levou esse homem antigo a, na sua cela, escrever para nós, permanece intacto na sua força e valor para estes tempos de corrupção moral. Por isso, ele é dos nossos.»

Foto: Ephemera

POMPAS FÚNEBRES

É pena que o circunspecto Pedro Picoito - que andou semanas a trocar galhardetes com os simples (não os do Guerra Junqueiro, naturalmente) - só tenha dado pelo "problemazinho" das listas agora que o PSD se prepara para as habituais pompas fúnebres com os tradicionais gatos pingados. Parece que, daqui para diante, quem não zurzir metodicamente a dra. Ferreira Leite não é bom pai de família, não passa nas três televisões oficiosas e é desconsiderado na blogosfera. A menção até lhe valeu uma citação "literata" o que, como esse vate aprecia dizer, constitui todo um programa.

POMPAS FÚNEBRES

É pena que o circunspecto Pedro Picoito - que andou semanas a trocar galhardetes com os simples (não os do Guerra Junqueiro, naturalmente) - só tenha dado pelo "problemazinho" das listas agora que o PSD se prepara para as habituais pompas fúnebres com os tradicionais gatos pingados. Parece que, daqui para diante, quem não zurzir metodicamente a dra. Ferreira Leite não é bom pai de família, não passa nas três televisões oficiosas e é desconsiderado na blogosfera. A menção até lhe valeu uma citação "literata" o que, como esse vate aprecia dizer, constitui todo um programa.

CUNHAL REVISITADO


Para que não haja dúvidas, sobretudo por parte de certos lateiros que aparecem por aqui acobardados no anonimato e porque, à altura, este blogue não tinha o "público" que tem hoje, republico na íntegra este post escrito no dia do funeral de Álvaro Cunhal. Em certo sentido, o que se diz no fim dele acerca dos "homens de plasticina" e do "respeitinho" nunca foi (permanece) tão actual. E o que interessa à brigada lateira vem no ponto 4. para ser mais preciso.


1. Finalmente o país parou para ver passar o dr. Álvaro Cunhal. Há 31 anos, aquando da sua chegada triunfal ao aeroporto de Lisboa, o personagem que desceu do avião era, ainda, um mistério. As primeiras imagens e as primeiras palavras recortavam a figura definitiva que os “anos brasa” da revolução iriam consagrar. O porte aristocrático, o olhar hegeliano da “noite do mundo”, o discurso cortante, a mordacidade evasiva, a concentração obsessiva, o messianismo do “colectivo”, tudo isso apareceu imediatamente a preto e branco na única televisão da época. Os exilados que regressavam no mesmo avião em que viajava Cunhal afastaram-se prudente e respeitosamente dele. Deixaram-no sozinho com as suas notas. Era o único que sabia perfeitamente ao que vinha.

2. As imagens de “Daniel” e de “Duarte” - da resistência clandestina à ditadura - mostram o homem bonito e sedutor que Cunhal nunca deixou de ser até ao fim. Explicava que a “força” vinha da convicção. E que a convicção obrigava ao combate e à resistência. Em certo sentido, Cunhal faz parte de um mundo que pouco ou nada diz à maior parte dos homens videirinhos dos dias de hoje. Justamente eles jamais conseguirão perceber que, para Cunhal, era uma impossiblidade intelectual o cometimento da mínima cedência aos “princípios” e ao “ideal”. Nem sequer o porquê da inadmissiblidade da discussão da “justeza” comunista. Por isso Cunhal é insusceptível de alguma vez poder ser acusado de “travestismo” político. Ele era aquilo que ele era e nunca poderia ter sido outra coisa. Não significava isto qualquer limitação da inteligência, em sede da qual recolhe a unanimidade de “superior”. Pelo contrário, no seu “sentido único”, Cunhal foi de uma verticalidade rara. E, por aí, igualmente um homem raro.

3. Valeu a pena o país curvar-se perante a sua memória? Valeu. Álvaro Cunhal é incompreensível para a geração do “25 de Abril”. Tê-lo lembrado por ocasião do seu desaparecimento, foi um serviço bem prestado à memória contra o esquecimento. Serve de muito pouco, no entanto, ao oásis acéfalo que é, na generalidade, a actual sociedade portuguesa. Como é que se explica ao país da “quinta das celebridades” e da bola que um homem pode aguentar, em nome de um ideal e da emancipação económica e cultural do seu povo, oito anos de isolamento prisional? Eu creio que Cunhal percebeu muito cedo que andava literalmente a pregar no deserto. O mérito dele – e a nossa vergonha – é ter continuado a pregar, sem a mínima tergiversação. Não cuido agora de saber se tinha razão. Sabemos que não tinha. A sua visão do “pacote” da democracia era radicalmente diferente daquele que nós, par delicatesse, aceitamos. Ceder nunca fez parte do seu vocabulário, porque sempre representaria “outra coisa”. Ora se havia “coisa” que Cunhal detestava, na coerência da sua “fé”, era o “outro” da “coisa”. Num livro do ano passado, Conversas com Álvaro Cunhal, Maria João Avillez perguntava, em 2000, se podia falar em “derrota” e “amarga”. Cunhal disse simplesmente isto: “amarga é uma palavra muito pequenina para o que foi”. Esta espécie de luminosidade amarga acompanhou os anos últimos, sem que, por um segundo, a antiga “convicção” tivesse alguma vez sido abalada.

4. Parece que é piroso revelar-se fascínio perante Álvaro Cunhal. Eu sempre o tive. Entre os meus quinze e dezasseis anos fiz parte da União dos Estudantes Comunistas (UEC). A minha breve e inócua militância traduziu-se por umas passagens por “cooperativas” alentejanas, pela assistência a reuniões meio clandestinas, nas casas de uns e de outros, dirigidas por um “controleiro” senior, em fazer “piquetes” na sede da UEC (nunca cheguei a perceber com que propósito) e a conviver esporadicamente com os “génios” femininos da então juventude comunista, a “Geninha” Varela Gomes e a Zita Seabra. Assisti, com fervor religioso, a alguns comícios em que o momento alto era a palavra vibrante de Cunhal. Li o “Rumo à Vitória” e sublinhei “A Revolução Portuguesa, Passado e Futuro”. Cantei, no coro do liceu, as “heróicas” do Lopes Graça. E, em momentos mais delirantes, andei nas ruas da Costa de Caparica a distribuir panfletos e a recolher “donativos”. Depressa me apercebi da frivolidade infantil desta desastrosa militância e “aburguesei-me”. Logo em 76, achei piada ao candidato presidencial dos óculos escuros, Eanes, apesar de o “nosso candidato ser Octávio Pato”. Leituras e companhias, o curso de direito e a emergência do “movimento reformador” de António Barreto e Medeiros Ferreira, em 1979, fizeram o resto. Anos passados sobre esta aventura, voltei ao convívio com Cunhal através do seu “Partido com Paredes de Vidro”. Mais recentemente, li a monumental “biografia política” de Pacheco Pereira, ainda a meio do caminho com apenas dois volumes publicados*.

5. Isto tudo serve para dizer que eu respeito a “história” e a memória de Álvaro Cunhal. Tive familiares que estiveram detidos em Peniche ao mesmo tempo que o “camarada Duarte”. Tive e tenho familiares que sempre foram comunistas. Eu parti muito cedo e definitivamente numa outra direcção. Faltava-me tudo o que eles têm: acreditar no "homem", primeiro, e, pior do que isso, na sua "salvação", a noção de disciplina férrea, a “convicção”, a "felicidade pela coerência" e, sobretudo, a “história”. A Álvaro Cunhal, e à resistência moral e física de tantos outros comunistas e não comunistas, devemos hoje até o direito a sermos parvos. A força imbatível da liberdade “absorveu” e neutralizou a tempo a “deriva totalitária”. Penso que já devíamos conviver todos bem com isso e sem grandes problemas "existenciais".

6. Deu-me um certo gozo ver o país do “respeitinho” democrático e da “era” dos “homens-plasticina” inclinado perante o féretro de Cunhal rodeado de bandeiras vermelhas. Lá no assento mais ou menos etéreo onde subiu, Cunhal, com a sua eterna subtileza irónica, deve ter sorrido e, olhando cá para baixo, murmurado uma vez mais “até amanhã, camaradas”.


*entretanto saiu o terceiro volume, em Novembro de 2005.

CUNHAL REVISITADO


Para que não haja dúvidas, sobretudo por parte de certos lateiros que aparecem por aqui acobardados no anonimato e porque, à altura, este blogue não tinha o "público" que tem hoje, republico na íntegra este post escrito no dia do funeral de Álvaro Cunhal. Em certo sentido, o que se diz no fim dele acerca dos "homens de plasticina" e do "respeitinho" nunca foi (permanece) tão actual. E o que interessa à brigada lateira vem no ponto 4. para ser mais preciso.


1. Finalmente o país parou para ver passar o dr. Álvaro Cunhal. Há 31 anos, aquando da sua chegada triunfal ao aeroporto de Lisboa, o personagem que desceu do avião era, ainda, um mistério. As primeiras imagens e as primeiras palavras recortavam a figura definitiva que os “anos brasa” da revolução iriam consagrar. O porte aristocrático, o olhar hegeliano da “noite do mundo”, o discurso cortante, a mordacidade evasiva, a concentração obsessiva, o messianismo do “colectivo”, tudo isso apareceu imediatamente a preto e branco na única televisão da época. Os exilados que regressavam no mesmo avião em que viajava Cunhal afastaram-se prudente e respeitosamente dele. Deixaram-no sozinho com as suas notas. Era o único que sabia perfeitamente ao que vinha.

2. As imagens de “Daniel” e de “Duarte” - da resistência clandestina à ditadura - mostram o homem bonito e sedutor que Cunhal nunca deixou de ser até ao fim. Explicava que a “força” vinha da convicção. E que a convicção obrigava ao combate e à resistência. Em certo sentido, Cunhal faz parte de um mundo que pouco ou nada diz à maior parte dos homens videirinhos dos dias de hoje. Justamente eles jamais conseguirão perceber que, para Cunhal, era uma impossiblidade intelectual o cometimento da mínima cedência aos “princípios” e ao “ideal”. Nem sequer o porquê da inadmissiblidade da discussão da “justeza” comunista. Por isso Cunhal é insusceptível de alguma vez poder ser acusado de “travestismo” político. Ele era aquilo que ele era e nunca poderia ter sido outra coisa. Não significava isto qualquer limitação da inteligência, em sede da qual recolhe a unanimidade de “superior”. Pelo contrário, no seu “sentido único”, Cunhal foi de uma verticalidade rara. E, por aí, igualmente um homem raro.

3. Valeu a pena o país curvar-se perante a sua memória? Valeu. Álvaro Cunhal é incompreensível para a geração do “25 de Abril”. Tê-lo lembrado por ocasião do seu desaparecimento, foi um serviço bem prestado à memória contra o esquecimento. Serve de muito pouco, no entanto, ao oásis acéfalo que é, na generalidade, a actual sociedade portuguesa. Como é que se explica ao país da “quinta das celebridades” e da bola que um homem pode aguentar, em nome de um ideal e da emancipação económica e cultural do seu povo, oito anos de isolamento prisional? Eu creio que Cunhal percebeu muito cedo que andava literalmente a pregar no deserto. O mérito dele – e a nossa vergonha – é ter continuado a pregar, sem a mínima tergiversação. Não cuido agora de saber se tinha razão. Sabemos que não tinha. A sua visão do “pacote” da democracia era radicalmente diferente daquele que nós, par delicatesse, aceitamos. Ceder nunca fez parte do seu vocabulário, porque sempre representaria “outra coisa”. Ora se havia “coisa” que Cunhal detestava, na coerência da sua “fé”, era o “outro” da “coisa”. Num livro do ano passado, Conversas com Álvaro Cunhal, Maria João Avillez perguntava, em 2000, se podia falar em “derrota” e “amarga”. Cunhal disse simplesmente isto: “amarga é uma palavra muito pequenina para o que foi”. Esta espécie de luminosidade amarga acompanhou os anos últimos, sem que, por um segundo, a antiga “convicção” tivesse alguma vez sido abalada.

4. Parece que é piroso revelar-se fascínio perante Álvaro Cunhal. Eu sempre o tive. Entre os meus quinze e dezasseis anos fiz parte da União dos Estudantes Comunistas (UEC). A minha breve e inócua militância traduziu-se por umas passagens por “cooperativas” alentejanas, pela assistência a reuniões meio clandestinas, nas casas de uns e de outros, dirigidas por um “controleiro” senior, em fazer “piquetes” na sede da UEC (nunca cheguei a perceber com que propósito) e a conviver esporadicamente com os “génios” femininos da então juventude comunista, a “Geninha” Varela Gomes e a Zita Seabra. Assisti, com fervor religioso, a alguns comícios em que o momento alto era a palavra vibrante de Cunhal. Li o “Rumo à Vitória” e sublinhei “A Revolução Portuguesa, Passado e Futuro”. Cantei, no coro do liceu, as “heróicas” do Lopes Graça. E, em momentos mais delirantes, andei nas ruas da Costa de Caparica a distribuir panfletos e a recolher “donativos”. Depressa me apercebi da frivolidade infantil desta desastrosa militância e “aburguesei-me”. Logo em 76, achei piada ao candidato presidencial dos óculos escuros, Eanes, apesar de o “nosso candidato ser Octávio Pato”. Leituras e companhias, o curso de direito e a emergência do “movimento reformador” de António Barreto e Medeiros Ferreira, em 1979, fizeram o resto. Anos passados sobre esta aventura, voltei ao convívio com Cunhal através do seu “Partido com Paredes de Vidro”. Mais recentemente, li a monumental “biografia política” de Pacheco Pereira, ainda a meio do caminho com apenas dois volumes publicados*.

5. Isto tudo serve para dizer que eu respeito a “história” e a memória de Álvaro Cunhal. Tive familiares que estiveram detidos em Peniche ao mesmo tempo que o “camarada Duarte”. Tive e tenho familiares que sempre foram comunistas. Eu parti muito cedo e definitivamente numa outra direcção. Faltava-me tudo o que eles têm: acreditar no "homem", primeiro, e, pior do que isso, na sua "salvação", a noção de disciplina férrea, a “convicção”, a "felicidade pela coerência" e, sobretudo, a “história”. A Álvaro Cunhal, e à resistência moral e física de tantos outros comunistas e não comunistas, devemos hoje até o direito a sermos parvos. A força imbatível da liberdade “absorveu” e neutralizou a tempo a “deriva totalitária”. Penso que já devíamos conviver todos bem com isso e sem grandes problemas "existenciais".

6. Deu-me um certo gozo ver o país do “respeitinho” democrático e da “era” dos “homens-plasticina” inclinado perante o féretro de Cunhal rodeado de bandeiras vermelhas. Lá no assento mais ou menos etéreo onde subiu, Cunhal, com a sua eterna subtileza irónica, deve ter sorrido e, olhando cá para baixo, murmurado uma vez mais “até amanhã, camaradas”.


*entretanto saiu o terceiro volume, em Novembro de 2005.

MATEMÁTICAS


De sms's a outros meios "de comunicação social e cultural", chegam-me as contas mais extraordinárias. "Matematicamente" todos subiram menos o admirável líder. Sucede que é precisamente o admirável líder quem persiste, admiravelmente não numericamente absoluto, no seu posto Com menos pontos, sim senhor. Com menos deputados, também. Com menos Cavaco, igualmente. Todavia, ganhou ou não ganhou como pretendia, isto é, com mais um voto que os outros? E imaginam, os das "matemáticas", que o homem não sabe já perfeitamente o que é que vai fazer com os votos a mais? E com quem é que os vai juntar? Isto, literariamente, vai ser um misto de Céline (pelo lado do fogo e das ténias) com Carroll (pelo lado dos espelhos e das identidades) e Kuhn (pelo lado, digamos assim, "paradigmático"). Leiam os três que logo percebem.

MATEMÁTICAS


De sms's a outros meios "de comunicação social e cultural", chegam-me as contas mais extraordinárias. "Matematicamente" todos subiram menos o admirável líder. Sucede que é precisamente o admirável líder quem persiste, admiravelmente não numericamente absoluto, no seu posto Com menos pontos, sim senhor. Com menos deputados, também. Com menos Cavaco, igualmente. Todavia, ganhou ou não ganhou como pretendia, isto é, com mais um voto que os outros? E imaginam, os das "matemáticas", que o homem não sabe já perfeitamente o que é que vai fazer com os votos a mais? E com quem é que os vai juntar? Isto, literariamente, vai ser um misto de Céline (pelo lado do fogo e das ténias) com Carroll (pelo lado dos espelhos e das identidades) e Kuhn (pelo lado, digamos assim, "paradigmático"). Leiam os três que logo percebem.

LAMINAGEM


(...)
Um país; tornou-se um assassino.
Viverei os poucos verões até morrer
com este mundo de agressão em cerco.
Eu queria outro país, outro lugar
e tenho este infortúnio de leis amarrotadas
que não cumprem nem o violento nem o clandestino.
Um país de acasos,
um parque de campismo selvagem, um cimento apodrecido,
a música de sem abrigos nas estações de metro
enquanto não chegam comboios avariados
às plataformas de arte depredada,
um esboroamento sanguinário.
Até a linguagem me ergueu
me sabe a sarro e a arrabalde.

Não fossem as obrigações que nos garrotam
nos fazem monstros com a lassidão de herbívoros
talvez pudesse ter o interior abandonado
e chegasse a faca do sol e me cortasse
noutra penúria mais serena.

Ainda que me digam que não olhe,
eu vejo. Ainda que me digam faz ginástica
e a depressão desaparece, nada me resolve.
Os ruídos sobem de qualquer lugar,
sintetizadores, martelos, desabamentos
uma percussão alheia a qualquer justiça.
Nenhuma janela que não fale
da construção administrativa dos piores instintos.
Todo o lixo do humano feito sebo
em qualquer lugar. Ainda que me digam
que vivemos em democracia eu digo
que não sei. Nem direitos nem deveres.
Um sem remédio ancestral.

(...)

A alguns vemo-los em qualquer pousio
depois de fecharem as lojas
e nem se sabe o que vemos.
Aos balcões de cafés de azulejo,
com telemóveis pendurados nos cintos
e os cartões de crédito em dente na carteira.
Riem-se e batem nas costas
uns dos outros, entreolham e vigiam
se alguém diverso se aproxima
para largarem uma troça arcaica, e comem
com essa fome dos que não sofreram ainda
inquietações laborais ou crêem que virá
depressa o primeiro emprego.
Ao olhá-los melhor, aos seus afectos
de pessoal especializado em escuras economias
adicionais, vejo-os depois no verão.
Ao deus dará em todos os lugares,
em tendas velhas, em rulotes,
sabe-se lá onde vão cagar. E as mulheres
com os sinais exteriores da aspereza.
E as asas do inverno marítimo
auguram aluimento.

Eu queria que na cabeça parasse
o furor de tudo o que tomba,
a derrota do dia a dia,
mas será sempre o cabide do tempo
quem estende as garras
para nos alhear.
E os e-mail atravessam zonas sem remendo,
choças de tijolo com roupas a secar.

Assim armado o país.
As gentes em catástrofe deslocam-se,
deixam por testemunho o abandono e a inépcia.
Uma a uma, uma paisagem é trucidada.
Inchou a autarquias o país.
Atravessam-no a miséria e algum dinheiro
insolentes.
Um assassino
espreita outro assassino.

Os que destroem agora
podem exigir os torcionários que virão,
pois quem destrói pressente um chefe
e vai servi-lo.
E muitos hão-de sempre ser as vítimas
da liberdade que consente a violência
da violência que não consente a liberdade.
Um assassino o país. Com as suas leis
inúteis, a sua ordem por cumprir.

Só nos resta esperar então morrer?


Joaquim Manuel Magalhães

LAMINAGEM


(...)
Um país; tornou-se um assassino.
Viverei os poucos verões até morrer
com este mundo de agressão em cerco.
Eu queria outro país, outro lugar
e tenho este infortúnio de leis amarrotadas
que não cumprem nem o violento nem o clandestino.
Um país de acasos,
um parque de campismo selvagem, um cimento apodrecido,
a música de sem abrigos nas estações de metro
enquanto não chegam comboios avariados
às plataformas de arte depredada,
um esboroamento sanguinário.
Até a linguagem me ergueu
me sabe a sarro e a arrabalde.

Não fossem as obrigações que nos garrotam
nos fazem monstros com a lassidão de herbívoros
talvez pudesse ter o interior abandonado
e chegasse a faca do sol e me cortasse
noutra penúria mais serena.

Ainda que me digam que não olhe,
eu vejo. Ainda que me digam faz ginástica
e a depressão desaparece, nada me resolve.
Os ruídos sobem de qualquer lugar,
sintetizadores, martelos, desabamentos
uma percussão alheia a qualquer justiça.
Nenhuma janela que não fale
da construção administrativa dos piores instintos.
Todo o lixo do humano feito sebo
em qualquer lugar. Ainda que me digam
que vivemos em democracia eu digo
que não sei. Nem direitos nem deveres.
Um sem remédio ancestral.

(...)

A alguns vemo-los em qualquer pousio
depois de fecharem as lojas
e nem se sabe o que vemos.
Aos balcões de cafés de azulejo,
com telemóveis pendurados nos cintos
e os cartões de crédito em dente na carteira.
Riem-se e batem nas costas
uns dos outros, entreolham e vigiam
se alguém diverso se aproxima
para largarem uma troça arcaica, e comem
com essa fome dos que não sofreram ainda
inquietações laborais ou crêem que virá
depressa o primeiro emprego.
Ao olhá-los melhor, aos seus afectos
de pessoal especializado em escuras economias
adicionais, vejo-os depois no verão.
Ao deus dará em todos os lugares,
em tendas velhas, em rulotes,
sabe-se lá onde vão cagar. E as mulheres
com os sinais exteriores da aspereza.
E as asas do inverno marítimo
auguram aluimento.

Eu queria que na cabeça parasse
o furor de tudo o que tomba,
a derrota do dia a dia,
mas será sempre o cabide do tempo
quem estende as garras
para nos alhear.
E os e-mail atravessam zonas sem remendo,
choças de tijolo com roupas a secar.

Assim armado o país.
As gentes em catástrofe deslocam-se,
deixam por testemunho o abandono e a inépcia.
Uma a uma, uma paisagem é trucidada.
Inchou a autarquias o país.
Atravessam-no a miséria e algum dinheiro
insolentes.
Um assassino
espreita outro assassino.

Os que destroem agora
podem exigir os torcionários que virão,
pois quem destrói pressente um chefe
e vai servi-lo.
E muitos hão-de sempre ser as vítimas
da liberdade que consente a violência
da violência que não consente a liberdade.
Um assassino o país. Com as suas leis
inúteis, a sua ordem por cumprir.

Só nos resta esperar então morrer?


Joaquim Manuel Magalhães

27.9.09

O VENCEDOR PÓSTUMO

O VENCEDOR PÓSTUMO

O VENCEDOR



O presciente Carlos já explicou.

O VENCEDOR



O presciente Carlos já explicou.

PARABÉNS, PÁ

Sócrates começou logo a tratar abaixo de cão os jornalistas que o bajularam e que o serviram (e que assim vão alegremente, como se tem visto ao longo da noite, continuar depois do recente "desanuviamento" da tvi). É assim que se tratam capachos. Foi o seu melhor momento. Parabéns, pá.

PARABÉNS, PÁ

Sócrates começou logo a tratar abaixo de cão os jornalistas que o bajularam e que o serviram (e que assim vão alegremente, como se tem visto ao longo da noite, continuar depois do recente "desanuviamento" da tvi). É assim que se tratam capachos. Foi o seu melhor momento. Parabéns, pá.

RAZÃO...

Tinha o Salazar. "Passe-mo na televisão, passe-mo na televisão..." quando lhe sugeriam nomes. Há certos nomes que, por decoro, deviam sair da televisão.

RAZÃO...

Tinha o Salazar. "Passe-mo na televisão, passe-mo na televisão..." quando lhe sugeriam nomes. Há certos nomes que, por decoro, deviam sair da televisão.

REPAREM...

Em que é que vai falar em penúltimo e último lugar. Para as suas queridas televisões, naturalmente. O profeta limitou-se a justificar o seu fracasso. Boa noite e boa sorte.

REPAREM...

Em que é que vai falar em penúltimo e último lugar. Para as suas queridas televisões, naturalmente. O profeta limitou-se a justificar o seu fracasso. Boa noite e boa sorte.

P DE PODER

Nunca pensei estar de acordo com Ricardo Costa. Mas a coisa é mesmo assim. O PSD vê o PS perpetuar-se no poder (com P grande o que inclui a reeleição ou não de Cavaco, o "shakespeariano"). E a perder votos para a pandeireta (com um deputado na Madeira), mesmo ganhando - é o mínimo - as autárquicas.

P DE PODER

Nunca pensei estar de acordo com Ricardo Costa. Mas a coisa é mesmo assim. O PSD vê o PS perpetuar-se no poder (com P grande o que inclui a reeleição ou não de Cavaco, o "shakespeariano"). E a perder votos para a pandeireta (com um deputado na Madeira), mesmo ganhando - é o mínimo - as autárquicas.

TADINHOS

A quem é que Sócrates já telefonou? Ao profeta ou ao pandeireta? Que ingénuos que são certos militantes "destacados" do PS. Tadinhos.

TADINHOS

A quem é que Sócrates já telefonou? Ao profeta ou ao pandeireta? Que ingénuos que são certos militantes "destacados" do PS. Tadinhos.

DERROTA



Neste blogue não há lugar a sofismas. Por isso, uma derrota é uma derrota tal como uma vitória é uma vitória. Pessoal e politicamente, este resultado é uma derrota (e o respeito pelos milhares de leitores diários* não pode dispensar esta clareza). Pessoalmente, porque este blogue é um blogue individual (melhor dizendo, individualista), independente de partidos e dependente da minha exclusiva vontade. Politicamente, pelas razões óbvias. Assistiu-se à derrota de uma certa ideia de decência e de carácter algo que, nos próximos dias, se verá com maior precisão o que quer dizer. A vitória de Sócrates, Portas, Louçã e daqueles que, dentro do PSD, tudo fizeram para o sucesso destes três, sobretudo do primeiro, representa, muito adequadamente, o corolário disso mesmo. Tal como a derrota de Ferreira Leite e de Jerónimo. Dito isto, ganhou o país de eventos que Medeiros Ferreira anunciou há uns anos. Os três vencedores protagonizam o que de melhor se pode produzir em Portugal em sede de eventos. Não é por acaso que as televisões gostam tanto deles. O que significa que o "soberano" prefere circo ao pão. Paciência. Não é por isso que o país deixará de empobrecer. O "soberano", ao responder sim à simples pergunta sobre se se sentia mais confortável na sua vida do que em 2005, decidiu-se pelo espectáculo, pela palavra fácil e pela pandeireta. Só espero que lhe faça bom proveito. Outra vitória desta eleição é a da mais recente versão "shakespeariana" de Cavaco Silva. Todavia, para Shakespeare é preciso talento. Cavaco, que domina bem a língua, vai precisar de ler muitas peças deste autor inglês. Não digo é quais. E amanhã é outro dia.

*excluída a canalha anónima habitual

DERROTA



Neste blogue não há lugar a sofismas. Por isso, uma derrota é uma derrota tal como uma vitória é uma vitória. Pessoal e politicamente, este resultado é uma derrota (e o respeito pelos milhares de leitores diários* não pode dispensar esta clareza). Pessoalmente, porque este blogue é um blogue individual (melhor dizendo, individualista), independente de partidos e dependente da minha exclusiva vontade. Politicamente, pelas razões óbvias. Assistiu-se à derrota de uma certa ideia de decência e de carácter algo que, nos próximos dias, se verá com maior precisão o que quer dizer. A vitória de Sócrates, Portas, Louçã e daqueles que, dentro do PSD, tudo fizeram para o sucesso destes três, sobretudo do primeiro, representa, muito adequadamente, o corolário disso mesmo. Tal como a derrota de Ferreira Leite e de Jerónimo. Dito isto, ganhou o país de eventos que Medeiros Ferreira anunciou há uns anos. Os três vencedores protagonizam o que de melhor se pode produzir em Portugal em sede de eventos. Não é por acaso que as televisões gostam tanto deles. O que significa que o "soberano" prefere circo ao pão. Paciência. Não é por isso que o país deixará de empobrecer. O "soberano", ao responder sim à simples pergunta sobre se se sentia mais confortável na sua vida do que em 2005, decidiu-se pelo espectáculo, pela palavra fácil e pela pandeireta. Só espero que lhe faça bom proveito. Outra vitória desta eleição é a da mais recente versão "shakespeariana" de Cavaco Silva. Todavia, para Shakespeare é preciso talento. Cavaco, que domina bem a língua, vai precisar de ler muitas peças deste autor inglês. Não digo é quais. E amanhã é outro dia.

*excluída a canalha anónima habitual

DAQUI A POUCO...

Está pronto, como nas televisões, o post sobre o resultado destas eleições. Isto se o Blogger deixar que se edite alguma coisa pois tem estado com a telha. Às oito e dez (está programado).

DAQUI A POUCO...

Está pronto, como nas televisões, o post sobre o resultado destas eleições. Isto se o Blogger deixar que se edite alguma coisa pois tem estado com a telha. Às oito e dez (está programado).

DECLARAÇÃO DE VOTO ANTES DE UM MERGULHO


(...) um pouco mais
para nos levantarmos um pouco mais alto.


Yorgos Seferis