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21.1.12

UM PORTUGAL DOS PEQUENINOS


Dois jornais ditos de referência, o Público e o Expresso, mobilizaram respectivamente seis e quatro jornalistas (no primeiro caso, um deles é a própria directora) para a redacção da notícia relativa à remoção do dr. Mega Ferreira do CCB e à sua substituição por Vasco Graça Moura, um dos mais persistentes e consistentes críticos do detestável "acordo ortográfico". Esta extravagância jornalística só se explica pelo complacente temor reverencial que a Mega figura inspira junto do "meio" comunicacional e cultural português. Tratado praticamente como um venerando soba a quem só se acede por via taumatúrgica, Mega deixa por aí um cortejo de viúvas e viúvos crónicos destas coisas. Um certo Portugal dos pequeninos também é feito disto.

20.1.12

ADIEU

Mega Ferreira foi substituído na presidência do CCB. Mais vale tarde que nunca. Mega ainda há bem pouco tempo anelava pelo regresso de Sócrates à pátria: não tinha dúvidas de que "o país precisa de pessoas como o anterior primeiro-ministro". Em compensação, a impunidade de anos e anos de mandarinato "cultural" permitiram-lhe "não lhe ocorrer" o nome do actual primeiro-ministro. M. Ferreira representa a pior soberba do chamado "meio" cultural português - a mania que a "cultura" tem "donos". Que coisa mais provinciana, dr. Mega. Adieu.

29.11.11

O BAÚ DA CULTURA

O único elogio que devo ter feito ao consulado de Gabriela Canavilhas como ministra da Cultura foi este. Por outro lado, não me cansei de tentar explicar o embuste que constituiu a OPART (uma coisa que juntou o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado) em boa hora extinta pelo actual Governo. Sucede que o baú da OPART, ao contrário do que eu supunha, ainda não estava bem fechado. Depois de uma excelente escolha na pessoa de João Mota para a direcção artística do D. Maria, o referido baú vai aparentemente fornecer um administrador ao teatro nacional. Esta auditoria do Tribunal de Contas não serviu para nada?

16.11.11

A PORTA DE SAÍDA

Quando Diogo Infante acedeu à direcção do D. Maria, escrevi aqui que a criatura «deixou o Maria Matos supostamente porque a CML não lhe dava dinheiro. A CML na altura desmentiu e deu a entender que o actor tinha uma "agenda". Tinha, de facto. Era o Teatro Nacional D. Maria. Infante é agora, de direito, o director artístico da vetusta instituição. E concedeu uma entrevista ao Expresso em que, justamente, volta a queixar-se da mesmíssima falta de dinheiro. Dão-lhe um milhão e meio (mais quinhentos mil euros que davam a António Lagarto antes do episódio Fragateiro e não consta que a casa tivesse ido abaixo ou sequer se ouviram suspiros melancólicos como este) mas sobre programação (por que ele é responsável), nada. O Estado, aliás, não lhe paga mais de sete mil euros brutos para vir a público proferir banalidades ou sublimes tiradas sobre o "futuro" do Teatro como quando afirma que pretende "mudar os estofos dos sofás e que o Sr. 1º Ministro vai oferecer uma carpete nova para o Salão Nobre."» Ignoro se Infante chegou a mudar os estofos dos sofás ou se Sócrates - era esse o primeiro-ministro a quem ele aludia - lhe ofereceu uma carpete nova para o Salão Nobre. Sei, no entanto, que Infante voltou ao queixume e que, desta vez, obteve a indicaçao que estava há muito a pedir. A da porta de saída.

30.9.11

O ESTADO, O CCB E O SR. COMENDADOR

Há mais de cinco anos, escrevi aqui o seguinte:

Homens da cepa do sr. comendador Berardo não são propriamente filantropos. Após anos a "ameaçar" levar a sua colecção privada daqui para fora, Berardo negociou com o actual governo a melhor forma - para ele, naturalmente - de isso não acontecer. Para tal, a ministra Pires de Lima teve de passar por sumários vexames públicos produzidos pelo sr. comendador - recordo, entre outros, o mimo de "saloia" - e sujeitar-se à intervenção directa do primeiro-ministro, presumivelmente através de Alexandre Melo, seu assessor para a cultura, para que o famoso "acordo" fosse assinado há dias. O Estado abjurou perante o sr. comendador e obrigou-se a "entrar" com cerca de 500 mil euros/ano para poder exibir as 863 peças que fazem parte da colecção, sem nenhuma certeza de que daqui a dez anos o sr. comendador não lhe apeteça, com a colecção já devidamente valorizada, desaparecer com ela para onde lhe aprouver. Mega Ferreira, o presidente do CCB, hipotecou, com o habitual gosto e alegria de bem servir que o caracteriza, parte significativa da estrutura do Centro para a instalação do "museu/fundação de arte moderna e contemporânea- colecção Berardo" de que este será presidente, com o óbvio direito a nomear e a despedir o respectivo director. Os argumentos utilizados pelo Estado para justificar este "acordo" seriam risíveis se não fossem trágicos. É evidente que não estão em causa, nem a qualidade da colecção Berardo, nem o seu "interesse" cultural. O que parece ser discutível são os termos do "acordo" para o "parceiro" Estado, ou seja, para os contribuintes que supostamente devem usufruir do acervo. Apesar dos beijinhos e abraços, não tenho a certeza de que o "interesse nacional" se tenha sobreposto aos interesses privados e legítimos do sr. comendador. Pelo contrário, penso até que Berardo conseguiu "meter" o governo no seu já vasto espólio, como um vulgar troféu de caça. O sr. comendador só dá um chouriço a quem lhe der um porco.

Parece que o Estado, finalmente, decidiu dar-se ao respeito e recolher o porco. Entretanto. entre 2007 e 2010. a coisa custou-lhe alegadamente cerca de 26 milhões de euros e só 2 ao comendador. Mas será apenas Berardo quem deve ser "encostado à parede"?

21.9.11

O CADÁVER EM FÉRIAS


Francisco José Viegas apresentou o "plano" para a secretaria de Estado que dirige, a da Cultura. O antigo ministério há muitos anos que pouco mais era do que um cadáver em férias. Um cadáver que albergava uma ruidosa burocracia que praticamente todos os ministros, depois de Carrilho, não souberam ou não quiseram atalhar. O tempo, esse grande escultor, dará ou não razão a este "plano". Ao que estava - nenhum - de certeza não deu.

14.8.11

A RODA PARA O FUNDO


Não pertenço ao clube de fãs de Jorge Silva Melo. Nunca fiz vigílias interiores ou exteriores por causa dele (dele, do Cintra ou de outros quaisquer que foram sempre mais "teatro nacional" do que o D. Maria tutelado oficialmente pelo Estado). Todavia há momentos da sua entrevista ao Público de domingo com os quais só posso concordar. "Os centros culturais em velocidade de cruzeiro - Culturgest, Maria Matos, Centro Cultural de Belém... - andam a produzir todos o mesmo espectáculo teatral em que não acredito de todo: a especificidade teatral, a autoria da cena sobre a autoria literária"? Andam. Existe "um certo amadorismo, em copy paste, em espectáculos com pouco mais interesse do que o bolo de aniversário e o cantar dos parabéns" que "atingem, acima de tudo, 50 amigos dos aniversariantes" e que, "à volta disso", tudo o resto "parece franchising"? Existe. "A "festivalização" da Cultura é uma coisa evidente, depois da Cultura nacional" e isso corresponde à criação de um público e à emergência daquela "figura a meu ver tremenda que é o programador, intermediários vindos não sei de que cama que aparecem para dizer às pessoas o que ver"? É. "Desaparece o teatro que me interessa - que é a literatura", "tal como a literatura tem vindo a desaparecer" porque, "numa sociedade dominada pela superficialidade da imagem, nas artes perfomativas, o que está a ser feito é a criação de imagens, acompanhadas de vagos lugares-comuns da filosofia contemporânea" onde "três frases de Agamben, meia de Zizek, duas de Didi-Huberman, mais três notícias de jornal e uma imagem forte e fica o espectáculo feito"? Desaparece. Como escreveu Vasco Pulido Valente noutro contexto, há quase vinte anos, as possibilidades reduzem-se à medida que se roda para o fundo do funil. É mais ou ou menos para aí que tudo - todos - roda.

20.6.11

O CADÁVER EM FÉRIAS


O único comentário que farei acerca da cultura no governo é o seguinte. Desde Julho de 2000, salvo em pequenas intermitências, o ministério da cultura não passou de uma mistificação pomposa. Os sucessivos titulares ficam para a história da Ajuda como os mais exímios exterminadores políticos do ministério. O novo governo não acabou com nada que não estivesse previamente morto.

31.5.11

CHEGA DE BONZOS

Espera-se, na segunda-feira de manhã, o pedido de demissão do eterno Mega Ferreira da presidência do Centro Cultural de Belém. Nem é tanto por ele ser disto ou daquilo porque ele - e os como ele - não é propriamente de lado algum. É que, depois deste gesto cabotino (não me recordo, aliás, de lhe ter topado outros desde a CNARPE de 1980: o funesto PRD, Zenha e a Expo confirmam a regra), Mega, por uma questão de honestidade intelectual (saberá ele o que isto é?) não pode ficar nem mais um minuto em Belém. Chega de bonzos.

Adenda: Contributo para uma introdução ao estudo do dr. Mega Ferreira.

Adenda2: A "superioridade moral" da pseudo-esquerda moderna - têm a mania que são "donos" da cultura no que se tornaram um ersatz do PC do "antigamente" - está patente neste momento de rara beleza prosódica e figurativa que inclui o tradicional cortejo do comentário burgesso anónimo. Deslizem.

19.5.11

SÓCRATES EXTINGUIU O MINISTÉRIO DA CULTURA


«O anúncio da extinção do Ministério da Cultura, por parte do líder do PSD, provocou muitas reacções, mas pouca surpresa. O que se compreende, porque este anúncio vem apenas formalizar uma certidão de óbito. E se digo isto, é porque o Ministério da Cultura, tal como foi concebido nos Estados Gerais do Partido Socialista em 1994/95, e posteriormente constituído, está na verdade morto há já bastante tempo: sem integração numa estratégia para o desenvolvimento do País, sem os meios mais elementares para assegurar o mínimo de dignidade a instituições nacionais como a Biblioteca Nacional ou a Cinemateca, os Teatros Nacionais ou a Torre do Tombo, sem políticas sectoriais em áreas tão vitais como o património, o livro ou a criação. Isso deve-se à condução, por parte de José Sócrates, da mais medíocre e incapaz política cultural que o País conheceu desde o 25 de Abril de 1974. De resto, não terá sido certamente por acaso que, ao longo de seis anos de governo, esta foi a única área da governação dotada de um ministério que não foi objecto de uma única intervenção - arriscaria mesmo dizer, de uma única palavra!... - parlamentar do primeiro-ministro.»

M.M. Carrilho, DN

18.5.11

A CULTURA NÃO PRECISA DE SOMBRAS DE MINISTROS

Soube por um leitor que foi aberta no facebook uma página intitulada "A cultura não precisa de Francisco

3.4.11

CADA UM TEM O QUE MERECE




Nós já tínhamos o túmulo do Rossio, o D. Maria. Com a remoção de Paolo Pinamonti do São Carlos, criámos (criaram as extraordinárias Isabel Pires de Lima e Gabriela Canavilhas e o inócuo Pinto Ribeiro no seu funesto interlúdio entre as duas) outro no Largo de São Carlos. Agora que tanto se fala de auditorias, devia pensar-se numa espécie de auditora moral e intelectual ao consulado "cultural" de Sócrates e da "esquerda moderna". A ópera inexiste enquanto tal e o São Carlos passou a vulgar sala de espectáculos onde se perpetram espectáculos vulgares. Parece que o derradeiro, concebido por João Botelho, ainda é do menos mau (mérito de João Botelho) dos últimos tempos. Mas aqui ao lado, a coisa é a sério. Esta notícia não causa admiração. A Espanha deu ao mundo lírico do melhor que se pôde ver e ouvir no século XX. E continua, felizmente, a dar. Cada um tem o que merece.

Clip: Teresa Berganza, Placido Domingo, Montserrat Caballe, Alfredo Kraus, Pilar Lorengar, Jose Carreras, Jaime Aragall and Juan Pons

14.2.11

CADÁVERES ESQUISITOS


Gabriela Canavilhas deve imaginar-se a primeira ministra da cultura de Portugal. Vai daí, cavalga as suas próprias trapalhadas em torno da indefinição estutária dos teatros nacionais e "projecta" uma "rede" de teatros municipais, projectada ainda ela estava longe de sonhar com o cargo. Também "promove" um "fundo de apoio à internacionalização" da cultura portuguesa, com a preclara fundação edp, como se nunca antes tivesse havido apoios para isso. Os organismos sob a tutela política de Canavilhas, de uma maneira geral, são uma espécie de cadáveres em férias de qualquer função "cultural" ou de uma qualquer e vaga ligação da "cultura" com a sociedade. Os teatros nacionais vagueiam na maior das indiferenças e no maior dos equívocos em matéria de produção artística. Não há ópera e o São Carlos vegeta no esplendor da sua insignificância periférica depois de se ter aproximado do melhor que se faz Europa fora. Os museus definham, paupérrimos e envergonhados. Canavilhas é apenas mais um mandarim do marketing rasca num governo cheio deles.

24.1.11

OPPENHEIM

Como escreve a Lourdes Féria, «tinha uma cabeça, no sentido literal, magnífica».

12.12.10

«ACABAR COM O MINISTÉRIO DA CULTURA»

No actual e previsível estado da arte - com a coisa entregue a arrivistas e a deslumbrados -, estas sugestões de Pacheco Pereira fazem todo o sentido no meio do vazio, tão exemplarmente representado na cabeça de Gabriela Canavilhas apenas a derradeira numa "linha" de ilustres nulidades que, desde 2000, têm invariavelmente vindo a tutelar uma mistificação. «A parte que é realmente de responsabilidade pública, a mais importante, a única que merece uma estrutura governamental própria, é o património, que pode ganhar mais recursos mesmo nesta fase em que não há dinheiro para nada. Sim, de facto, eu não penso que se deva subsidiar a criação, até porque muitas vezes, não é criação nenhuma mas um papaguear das modas do dia, defendidas por uma muito vocal elite, que naturalmente defende os seus interesses. A dispersão de actividades, por áreas onde se pode medir a sua utilidade e qualidade, permitiria uma utilização muito mais sadia e transparente dos escassos dinheiros existentes e afastar o estado de critérios de gosto. Assim o dinheiro seria certamente mais bem gasto do que aquele que alguém gastou a colocar uma piscina-banheira azul a tapar o Tejo numa das mais bonitas Praças do país.»

20.11.10

QUEM É QUE NOS PREVINE DELA?


Como leio pouco os jornais, não sei onde é que a ainda ministra da cultura, D. Canavilhas, falou. Mas pelos rodapés das televisões vejo passar os seus dislates. Diz ela que é preciso uma "estratégia preventiva" para o sector do património quando, a ser necessária alguma coisa, o que é preciso é prevenirmo-nos contra a insane Canavilhas. Que consente enfiar (ou seja, anular) os teatros nacionais todos na aberrante OPART, apesar de, finalmente, ter percebido que, no caso do São Carlos, 90% do orçamento é para funcionamento e só 10% resta para a produção (este blogue começou há sete anos justamente por afirmar isso vezes sem conta). O balanço destes anos Sócrates, na cultura, consiste numa assustadora espiral de mediocridade que Canavilhas, na sua inconsequência, encerra de forma lapidar. Repito. Mais valia ter fechado a Ajuda.