31.10.06

"GO TO THE ROOT"


"If you go to the root with all you've got, there is no way you won't injure family, friends, and innocent bystanders."

Norman Mailer

"GO TO THE ROOT"


"If you go to the root with all you've got, there is no way you won't injure family, friends, and innocent bystanders."

Norman Mailer

A DOAÇÃO


O primeiro-ministro foi até Moçambique - como bem sintetizou o Miguel Sousa Tavares na TVI- doar Cahora Bassa aos autoctónes. Foram para aí quarenta anos e mais de dois mil milhões de euros enterrados. O "contrato" com Moçambique equivale a eu emprestar mil euros e um carro a um amigalhaço e, depois, de volta, receber uns cêntimos e a cadeirinha do bébé que ia no carro. Parece que há para aí uns duzentos e tal milhões de euros que Moçambique nos deverá dar em "tranches" e, em 2008, está tudo "saldado". Também fica a ex-colónia liberta - e os cofres do Estado português também - dos pagamentos aos administradores lusos que lá andaram a encher a pança. O sr. Gebuza não fez a coisa por menos e lembrou a um vago e "poético" Sócrates que, naquele momento, se enterrava o último vestígio da "ocupação estrangeira". Em delicadeza, foi o melhor que se pôde arranjar. Nunca soubemos lidar com esta coisa chamada Ultramar. Nem o dr. Salazar, nem a democracia. Numa altura em que o país se esfarela na ilusão "tecnológica", na obsessão "deficitária" e no consumismo desenfreado que alimenta o sistema bancário e a inconsciência "tuga", Sócrates foi a Moçambique "aliviar-se" do velho fardo do homem branco. E até pagamos - e de que maneira - para isso.

A DOAÇÃO


O primeiro-ministro foi até Moçambique - como bem sintetizou o Miguel Sousa Tavares na TVI- doar Cahora Bassa aos autoctónes. Foram para aí quarenta anos e mais de dois mil milhões de euros enterrados. O "contrato" com Moçambique equivale a eu emprestar mil euros e um carro a um amigalhaço e, depois, de volta, receber uns cêntimos e a cadeirinha do bébé que ia no carro. Parece que há para aí uns duzentos e tal milhões de euros que Moçambique nos deverá dar em "tranches" e, em 2008, está tudo "saldado". Também fica a ex-colónia liberta - e os cofres do Estado português também - dos pagamentos aos administradores lusos que lá andaram a encher a pança. O sr. Gebuza não fez a coisa por menos e lembrou a um vago e "poético" Sócrates que, naquele momento, se enterrava o último vestígio da "ocupação estrangeira". Em delicadeza, foi o melhor que se pôde arranjar. Nunca soubemos lidar com esta coisa chamada Ultramar. Nem o dr. Salazar, nem a democracia. Numa altura em que o país se esfarela na ilusão "tecnológica", na obsessão "deficitária" e no consumismo desenfreado que alimenta o sistema bancário e a inconsciência "tuga", Sócrates foi a Moçambique "aliviar-se" do velho fardo do homem branco. E até pagamos - e de que maneira - para isso.

POLÍTICAS DO ESPÍRITO


Um povo que não respeita a sua história ou, pior do que isso, que "adapta" a história ao bel-prazer do momento, é um povo sem memória e, a prazo, condenado. Uso o termo "povo" porque, em democracia, é suposto o governo dele emanar. A ministra da Cultura, uma amável professora catedrátrica de Letras do Porto, como não podia deixar de ser, quer deixar a sua "marca de Zorro" no sector que lhe entregaram. A colecção Berardo não só não chega, como nem sequer foi ela que tratou do assunto. E, assim como asssim, é do comendador. O resto são pagamentos e simpáticas cedências provisórias ao Estado. Deu-lhe, por isso, para o tal "museu da língua e dos descobrimentos" no único espaço que restou da Exposição do Mundo Português, dos idos de 40, o "museu de arte popular", a Belém. A coisa ministerial tem, aliás, uma designação horrenda: "Mar da Língua - Centro Interpretativo das Descobertas". Certamente não passará de mais um "pólo" masturbatório para sentar os amigos e os primos dos amigos. O pavilhão que sobreviveu à Exposição, e cuja concepção pertenceu ao arquitecto Jorge Segurado, acolhe o conceito estético-político de uma época da história portuguesa do século XX que muito democrata "esclarecido" não consegue engolir. Teria sido porventura bom que ele não tivesse existido, mas o facto é que existiu. A resposta de Pires de Lima para a eliminação daquele espaço e do respectivo acervo é concludente: "A vida dos museus não é eterna. Eles nascem, vivem e morrem. Não devemos estar presos a uma atitude conservadora." E, depois, não resistiu à sua própria ideia de "política do espírito", se é que tem alguma: "É preciso fazer opções quando se faz política cultural. Um museu da Língua e dos Descobrimentos é mais aberto e mais rentável". De acordo com a professora, o novo museu "é de uma importância fundamental para a autoconsciência da língua". Esta da "autoconsciência da língua" esmaga qualquer pedragulho dos anos 40, não é verdade? Será que a ministra tem "consciência" do que anda a dizer? Depois, o novo museu "será meramente virtual, sem acervo físico, apostando nas novas tecnologias e na interactividade". Isto é, o "plano tecnológico" também serve para rasurar a história. Alguém ainda tentou explicar à ministra que o museu de arte popular - vide Público - "é, em si mesmo, um documento histórico incontornável para o estudo da história do Estado Novo." Pois é. Todavia, a "política do espírito" agora é outra ou nenhuma. A diferença é que ninguém falará destes quando morrerem.

Adenda: Agradeço a António Machado a precisão sobre o que sobrou da Exposição.

POLÍTICAS DO ESPÍRITO


Um povo que não respeita a sua história ou, pior do que isso, que "adapta" a história ao bel-prazer do momento, é um povo sem memória e, a prazo, condenado. Uso o termo "povo" porque, em democracia, é suposto o governo dele emanar. A ministra da Cultura, uma amável professora catedrátrica de Letras do Porto, como não podia deixar de ser, quer deixar a sua "marca de Zorro" no sector que lhe entregaram. A colecção Berardo não só não chega, como nem sequer foi ela que tratou do assunto. E, assim como asssim, é do comendador. O resto são pagamentos e simpáticas cedências provisórias ao Estado. Deu-lhe, por isso, para o tal "museu da língua e dos descobrimentos" no único espaço que restou da Exposição do Mundo Português, dos idos de 40, o "museu de arte popular", a Belém. A coisa ministerial tem, aliás, uma designação horrenda: "Mar da Língua - Centro Interpretativo das Descobertas". Certamente não passará de mais um "pólo" masturbatório para sentar os amigos e os primos dos amigos. O pavilhão que sobreviveu à Exposição, e cuja concepção pertenceu ao arquitecto Jorge Segurado, acolhe o conceito estético-político de uma época da história portuguesa do século XX que muito democrata "esclarecido" não consegue engolir. Teria sido porventura bom que ele não tivesse existido, mas o facto é que existiu. A resposta de Pires de Lima para a eliminação daquele espaço e do respectivo acervo é concludente: "A vida dos museus não é eterna. Eles nascem, vivem e morrem. Não devemos estar presos a uma atitude conservadora." E, depois, não resistiu à sua própria ideia de "política do espírito", se é que tem alguma: "É preciso fazer opções quando se faz política cultural. Um museu da Língua e dos Descobrimentos é mais aberto e mais rentável". De acordo com a professora, o novo museu "é de uma importância fundamental para a autoconsciência da língua". Esta da "autoconsciência da língua" esmaga qualquer pedragulho dos anos 40, não é verdade? Será que a ministra tem "consciência" do que anda a dizer? Depois, o novo museu "será meramente virtual, sem acervo físico, apostando nas novas tecnologias e na interactividade". Isto é, o "plano tecnológico" também serve para rasurar a história. Alguém ainda tentou explicar à ministra que o museu de arte popular - vide Público - "é, em si mesmo, um documento histórico incontornável para o estudo da história do Estado Novo." Pois é. Todavia, a "política do espírito" agora é outra ou nenhuma. A diferença é que ninguém falará destes quando morrerem.

Adenda: Agradeço a António Machado a precisão sobre o que sobrou da Exposição.

OS NOSSOS


"Creio que [Deus] tem um grande sentido de humor. Às vezes dá-nos um abanão e diz-nos "não te leves tão a sério". Na verdade, o humor é uma componente da alegria da criação. Em muitas questões da nossa vida, nota-se que Deus também nos quer impelir a ser mais leves, a perceber a alegria, a descer do nosso pedestal e a não esquecer o gosto pelo divertido."

Joseph Ratzinger, Deus e o Mundo - a fé cristã explicada por Bento XVI, uma entrevista com Peter Seewald, Tenacitas, Outubro de 2006

OS NOSSOS


"Creio que [Deus] tem um grande sentido de humor. Às vezes dá-nos um abanão e diz-nos "não te leves tão a sério". Na verdade, o humor é uma componente da alegria da criação. Em muitas questões da nossa vida, nota-se que Deus também nos quer impelir a ser mais leves, a perceber a alegria, a descer do nosso pedestal e a não esquecer o gosto pelo divertido."

Joseph Ratzinger, Deus e o Mundo - a fé cristã explicada por Bento XVI, uma entrevista com Peter Seewald, Tenacitas, Outubro de 2006

O EXEMPLO DA D.EDITE

Fiquei a saber que a Sra. D. Edite Estrela entende que uma mulher com o vírus HIV não deve dar à luz. Mais. Que uma criança filha dessa mulher não deve vir ao mundo porque poderá ter SIDA. Ou seja, essa mulher pode e deve recorrer ao aborto para interromper a sua gravidez, se quiser. Moral da história da D. Edite: os seres humanos portadores do HIV são menos pessoas que as outras. Estou esclarecido.

O EXEMPLO DA D.EDITE

Fiquei a saber que a Sra. D. Edite Estrela entende que uma mulher com o vírus HIV não deve dar à luz. Mais. Que uma criança filha dessa mulher não deve vir ao mundo porque poderá ter SIDA. Ou seja, essa mulher pode e deve recorrer ao aborto para interromper a sua gravidez, se quiser. Moral da história da D. Edite: os seres humanos portadores do HIV são menos pessoas que as outras. Estou esclarecido.

30.10.06

PLATEIAS

Estive aqui. Eu e parte do regime. Dois ministros - um de Estado - e um secretário de Estado. Um prémio Nobel, a maçonaria, o dr. Perestrelo, a Pilar, o dr. Balsemão, a Joana (simpatiquíssima), o sr. Carvalho da Silva, a Teresa de Sousa, a Flor Pedroso, o prof. Freitas. Interminável e insuportável, o prof. Freitas apresentou o livro a seguir à Joana "anti-imperialista". Federico Mayor Zaragoza foi espanhol, ou seja, franco, alegre, descontraído, em suma, um anti-Freitas sebentário que mais parecia estar a querer sentar o homem numa cadeira de uma imaginária academia feita à medida da sua confusa cabeça. Adiante. Mário Soares é suficientemente grande para pairar sempre acima das pequeninas cabeças de alguns "camaradas" que se imaginam agora donos disto. Alguns eram meus amigos e eu, pelo menos, ainda sou amigo deles. Se confundem as coisas, é porque não aprenderam nada com os autores do livro. Até Freitas, no seu desalinho mental e político, lá chegou. Não custa nada. Não sou eu que sou socialista e "tolerante". Como eles dizem, eles é que são. Saúde e fraternidade, dr. Soares.

PLATEIAS

Estive aqui. Eu e parte do regime. Dois ministros - um de Estado - e um secretário de Estado. Um prémio Nobel, a maçonaria, o dr. Perestrelo, a Pilar, o dr. Balsemão, a Joana (simpatiquíssima), o sr. Carvalho da Silva, a Teresa de Sousa, a Flor Pedroso, o prof. Freitas. Interminável e insuportável, o prof. Freitas apresentou o livro a seguir à Joana "anti-imperialista". Federico Mayor Zaragoza foi espanhol, ou seja, franco, alegre, descontraído, em suma, um anti-Freitas sebentário que mais parecia estar a querer sentar o homem numa cadeira de uma imaginária academia feita à medida da sua confusa cabeça. Adiante. Mário Soares é suficientemente grande para pairar sempre acima das pequeninas cabeças de alguns "camaradas" que se imaginam agora donos disto. Alguns eram meus amigos e eu, pelo menos, ainda sou amigo deles. Se confundem as coisas, é porque não aprenderam nada com os autores do livro. Até Freitas, no seu desalinho mental e político, lá chegou. Não custa nada. Não sou eu que sou socialista e "tolerante". Como eles dizem, eles é que são. Saúde e fraternidade, dr. Soares.

LER NA RETRETE


Caro JCD: percebo-o. Tanto percebo que me parece que a coisa merece transcrição integral, com sublinhados meus.
PNL

por Eduardo Prado Coelho (O fio do horizonte, in Público)

A Casa Fernando Pessoa organizou um debate sobre o Plano Nacional de Leitura, com a habitual moderação de Carlos Vaz Marques. Não tendo o dom da ubiquidade, não tive a oportunidade de estar presente. Lamento, porque o tema interessa-me e o convite incluía um "dossier" com declarações várias sobre a questão. Acontece que a leitura destes textos tem aspectos impressionantes. Alguns são considerações equilibradas e razoáveis. Mas outros revelam a mais espantosa ignorância e vocação para a tolice desenfreada. Grande parte destas vem de blogues, que pela desenvoltura da escrita, uma espécie de tu cá, tu lá, parece que favorece o disparate.Tanta demagogia! Uma personagem anónima, em algo que se intitula "Rabbit"s Blog", diz esta coisa publicitária: "O Modelo e Continente têm umas promoções de autores que ganharam o Nobel a 3,50 euros. A vantagem deste programa é que, ao contrário dos programas estatais, não só não custa um cêntimo ao contribuinte como é capaz de pôr mais gente a ler". Deve tratar-se de um funcionário do Continente que se pretendeu pôr em bicos dos pés. E que, com esta oscilação entre um anarquismo de esquerda e um fascismo de direita, vai-se buscar sempre o grande argumento: o bolso dos contribuintes. Mas isto é secundário. Porque a grande estupidez está nesta incapacidade de diferençar entre a promoção de uns livros a preços mais ou menos ocasionais e o que deve ser a consistência e complexidade de um verdadeiro Plano Nacional da Leitura. Este é um dos tópicos, o que passa pela ideia de que se não pode gastar dinheiro público com projectos deste tipo. Ora eu devo confessar: sempre que ouço a expressão "o dinheiro dos contribuintes" puxo a pistola. E não costumo falhar os alvos.A segunda ideia, mais elaborada e requintada em demagogia, é a de que as pessoas lêem imenso, mas não lêem aquilo que os intelectuais queriam. Daí a fúria deles, desanimados por não serem promovidos. Isto tem ainda a ver com uma outra idiotice que se propagou: o Plano Nacional da Leitura teria por função dizer às pessoas o que devem ler. Neste plano, Vasco Pulido Valente, que até pode ser uma pessoa inteligente, acumula todas as coisas absurdas, insensatas e totalmente desconhecedoras da realidade que se podem dizer sobre estas matérias.Como se lê: num estilo mais ou menos aparvalhado, um tal senhor Luís Aguiar Conraria, no blogue "A destreza das dúvidas", diz que "nunca se leu tanto como se lê hoje; basta ver o sucesso em Portugal de Dan Brown ou de Miguel Sousa Tavares. As comissões de bom gosto acham que devíamos ler Sophia de Mello Breyner e não Margarida Rebelo Pinto. (...) Provavelmente mandavam-nos ler poesia do século XIV no original". Eis o que se chama alguém que sabe verdadeiramente o que é literatura. Quanto ao meu amigo José Saramago, afirmou que a leitura será sempre questão de minorias. É verdade, embora o número que constitui essas minorias varie conforme os países. Mas David Mourão-Ferreira dizia escrever para "uma imensa minoria", e é portanto no "imensa" que está a questão."
Apenas dois ou três comentários. EPC, como bom intelectual orgânico - seja lá qual for o regime - tem o "dever cívico" de defender aquilo que o regime apresenta como bom para a educação geral das massas e para a sua subtil introdução nos estudos literários. Em 1975, como em 2006. Não pode, por isso, deixar de se colocar do lado do obscuro Plano Nacional de Literatura, coisa que, pelos vistos, está perfeitamente esclarecida na sua extraordinária cabeça. Em segundo lugar, EPC, apesar de ser uma "figura de esquerda", permite-se - o que é que ele não se permite - exibir a sua superioridade intelectual sobre os assalariados do eng.º Belmiro de Azevedo, num comentário de excelente recorte literário sobre um bloguista. E fazer um trocadilho reaccionário acerca do "dinheiro dos contribuintes", como se o "PNL" se pagasse por si. Depois, é claro que na cabeça de EPC, Vasco Pulido Valente não pode jamais pronunciar-se - nem ele, nem mais ninguém que não pertença à nomenclatura "intelectual" do regime - sobre uma "realidade"(?) que é apenas "real" nas cabeças fulgurantes e amiguistas dos membros da referida nomenclatura. O resto é lixo e supermercados. Finalmente - e aqui EPC tem razão - a frase do Conraria não passa de um dichote idiota sem qualquer relevância. Se bem que me pareça que cada um é livre de ler ou de não ler o que lhe aprouver, não é certamente o "PNL" (e, muito menos, o EPC) que vai induzir o prazer de ler - o mau, o bom e o péssimo - nos putativos leitores. Entre nós, será sempre uma "imensa minoria" a fazê-lo. Nem que seja na retrete.

LER NA RETRETE


Caro JCD: percebo-o. Tanto percebo que me parece que a coisa merece transcrição integral, com sublinhados meus.
PNL

por Eduardo Prado Coelho (O fio do horizonte, in Público)

A Casa Fernando Pessoa organizou um debate sobre o Plano Nacional de Leitura, com a habitual moderação de Carlos Vaz Marques. Não tendo o dom da ubiquidade, não tive a oportunidade de estar presente. Lamento, porque o tema interessa-me e o convite incluía um "dossier" com declarações várias sobre a questão. Acontece que a leitura destes textos tem aspectos impressionantes. Alguns são considerações equilibradas e razoáveis. Mas outros revelam a mais espantosa ignorância e vocação para a tolice desenfreada. Grande parte destas vem de blogues, que pela desenvoltura da escrita, uma espécie de tu cá, tu lá, parece que favorece o disparate.Tanta demagogia! Uma personagem anónima, em algo que se intitula "Rabbit"s Blog", diz esta coisa publicitária: "O Modelo e Continente têm umas promoções de autores que ganharam o Nobel a 3,50 euros. A vantagem deste programa é que, ao contrário dos programas estatais, não só não custa um cêntimo ao contribuinte como é capaz de pôr mais gente a ler". Deve tratar-se de um funcionário do Continente que se pretendeu pôr em bicos dos pés. E que, com esta oscilação entre um anarquismo de esquerda e um fascismo de direita, vai-se buscar sempre o grande argumento: o bolso dos contribuintes. Mas isto é secundário. Porque a grande estupidez está nesta incapacidade de diferençar entre a promoção de uns livros a preços mais ou menos ocasionais e o que deve ser a consistência e complexidade de um verdadeiro Plano Nacional da Leitura. Este é um dos tópicos, o que passa pela ideia de que se não pode gastar dinheiro público com projectos deste tipo. Ora eu devo confessar: sempre que ouço a expressão "o dinheiro dos contribuintes" puxo a pistola. E não costumo falhar os alvos.A segunda ideia, mais elaborada e requintada em demagogia, é a de que as pessoas lêem imenso, mas não lêem aquilo que os intelectuais queriam. Daí a fúria deles, desanimados por não serem promovidos. Isto tem ainda a ver com uma outra idiotice que se propagou: o Plano Nacional da Leitura teria por função dizer às pessoas o que devem ler. Neste plano, Vasco Pulido Valente, que até pode ser uma pessoa inteligente, acumula todas as coisas absurdas, insensatas e totalmente desconhecedoras da realidade que se podem dizer sobre estas matérias.Como se lê: num estilo mais ou menos aparvalhado, um tal senhor Luís Aguiar Conraria, no blogue "A destreza das dúvidas", diz que "nunca se leu tanto como se lê hoje; basta ver o sucesso em Portugal de Dan Brown ou de Miguel Sousa Tavares. As comissões de bom gosto acham que devíamos ler Sophia de Mello Breyner e não Margarida Rebelo Pinto. (...) Provavelmente mandavam-nos ler poesia do século XIV no original". Eis o que se chama alguém que sabe verdadeiramente o que é literatura. Quanto ao meu amigo José Saramago, afirmou que a leitura será sempre questão de minorias. É verdade, embora o número que constitui essas minorias varie conforme os países. Mas David Mourão-Ferreira dizia escrever para "uma imensa minoria", e é portanto no "imensa" que está a questão."
Apenas dois ou três comentários. EPC, como bom intelectual orgânico - seja lá qual for o regime - tem o "dever cívico" de defender aquilo que o regime apresenta como bom para a educação geral das massas e para a sua subtil introdução nos estudos literários. Em 1975, como em 2006. Não pode, por isso, deixar de se colocar do lado do obscuro Plano Nacional de Literatura, coisa que, pelos vistos, está perfeitamente esclarecida na sua extraordinária cabeça. Em segundo lugar, EPC, apesar de ser uma "figura de esquerda", permite-se - o que é que ele não se permite - exibir a sua superioridade intelectual sobre os assalariados do eng.º Belmiro de Azevedo, num comentário de excelente recorte literário sobre um bloguista. E fazer um trocadilho reaccionário acerca do "dinheiro dos contribuintes", como se o "PNL" se pagasse por si. Depois, é claro que na cabeça de EPC, Vasco Pulido Valente não pode jamais pronunciar-se - nem ele, nem mais ninguém que não pertença à nomenclatura "intelectual" do regime - sobre uma "realidade"(?) que é apenas "real" nas cabeças fulgurantes e amiguistas dos membros da referida nomenclatura. O resto é lixo e supermercados. Finalmente - e aqui EPC tem razão - a frase do Conraria não passa de um dichote idiota sem qualquer relevância. Se bem que me pareça que cada um é livre de ler ou de não ler o que lhe aprouver, não é certamente o "PNL" (e, muito menos, o EPC) que vai induzir o prazer de ler - o mau, o bom e o péssimo - nos putativos leitores. Entre nós, será sempre uma "imensa minoria" a fazê-lo. Nem que seja na retrete.

29.10.06

OH JOÃO...


... não conhecia esta sua faceta "democrática". Olhe, ao minuto 12, o telejornal da RTP já tinha posto o "querido líder" a regozijar-se pela sua esmagadora vitória (na moçãozinha, a coisa ainda conseguiu ser mais aconchegada: 99%) o qual atribuiu isso à alegria do partido com a sua governação e, naturalmente, com a sua única e excelsa pessoa. Depois, intervalou com uma peça sobre "pirataria informática" e, agora, aos 20, lá passaram Louçã, Jerónimo de Sousa e Lula. Ainda bem que existem cidadãos exemplares como o João que estão sempre na primeira linha da denúncia dos "filhos da puta". Bem haja.

OH JOÃO...


... não conhecia esta sua faceta "democrática". Olhe, ao minuto 12, o telejornal da RTP já tinha posto o "querido líder" a regozijar-se pela sua esmagadora vitória (na moçãozinha, a coisa ainda conseguiu ser mais aconchegada: 99%) o qual atribuiu isso à alegria do partido com a sua governação e, naturalmente, com a sua única e excelsa pessoa. Depois, intervalou com uma peça sobre "pirataria informática" e, agora, aos 20, lá passaram Louçã, Jerónimo de Sousa e Lula. Ainda bem que existem cidadãos exemplares como o João que estão sempre na primeira linha da denúncia dos "filhos da puta". Bem haja.

TRAGICOMÉDIAS


São a farsas como esta e esta que a minha querida amiga Maria Alexandra Mesquita (vide comentários a este post), chama "políticas públicas da cultura"? Se é, mais vale estar quietinha e, repito, acabe-se de vez com a tragicomédia que é o Ministério da Cultura. A lei orgânica "ficciona" novas entidades, nomeadamente as entidades públicas empresariais em que se vão tornar os teatros nacionais. No Porto, Ricardo Pais parece andar contentinho, já que não tem dado entrevistas e, em compensação, Pires de Lima tem-lhe dado muita coisa. Em Lisboa, o moribundo D. Maria II - que, em apenas dois anos, passou de SA para EPE - está enguiçado naquele revivalismo pseudo-moderno do ex-director do Trindade. E a Companhia Nacional de Bailado e o único teatro de ópera português, vão "fundir-se" (ou melhor, refundir-se) em torno de uma coisa chamada "OPART, organismo de produção artística, EPE", "conservando as respectivas identidades". Muito me vou eu rir por causa desta do "conservando as respectivas identidades". É claro que, apesar dos "títulos", a fonte pagadora - descontando o mecenato que, no caso da CNB, é o seu "bezerrro de ouro" - é a mesma, o OE e os impostos. Quanto às quatro delegações regionais do ministério - que deviam ter sido extintas com esta lei orgânica - passam a chamar-se mais prosaicamente "direcções regionais". Continuarão bovinamente a não servir para nada. Está, pois, aberta, como nos outros ministérios, aliás, a corrida.

TRAGICOMÉDIAS


São a farsas como esta e esta que a minha querida amiga Maria Alexandra Mesquita (vide comentários a este post), chama "políticas públicas da cultura"? Se é, mais vale estar quietinha e, repito, acabe-se de vez com a tragicomédia que é o Ministério da Cultura. A lei orgânica "ficciona" novas entidades, nomeadamente as entidades públicas empresariais em que se vão tornar os teatros nacionais. No Porto, Ricardo Pais parece andar contentinho, já que não tem dado entrevistas e, em compensação, Pires de Lima tem-lhe dado muita coisa. Em Lisboa, o moribundo D. Maria II - que, em apenas dois anos, passou de SA para EPE - está enguiçado naquele revivalismo pseudo-moderno do ex-director do Trindade. E a Companhia Nacional de Bailado e o único teatro de ópera português, vão "fundir-se" (ou melhor, refundir-se) em torno de uma coisa chamada "OPART, organismo de produção artística, EPE", "conservando as respectivas identidades". Muito me vou eu rir por causa desta do "conservando as respectivas identidades". É claro que, apesar dos "títulos", a fonte pagadora - descontando o mecenato que, no caso da CNB, é o seu "bezerrro de ouro" - é a mesma, o OE e os impostos. Quanto às quatro delegações regionais do ministério - que deviam ter sido extintas com esta lei orgânica - passam a chamar-se mais prosaicamente "direcções regionais". Continuarão bovinamente a não servir para nada. Está, pois, aberta, como nos outros ministérios, aliás, a corrida.

QUERIDO LÍDER


A grande surpresa do dia é, sem sombra de dúvida, a eleição, por 97% dos votos dos militantes "mesmo militantes" do PS, do seu secretário-geral, o honorável camarada José Sócrates. Nem no tempo em que o partido era vivo se alcançou tamanha proeza. A última vez que um líder foi reconduzido neste registo albano-coreano aconteceu em 2001, com o camarada António Guterres. Depois seguiu-se uma entronização patética no Pavilhão Atlântico que culminou, em Dezembro do mesmo ano, com a fuga envergonhada do líder depois de uma estrondosa derrota na urna que conta, o país. Não sou socialista, mas teria vergonha de ver o partido de Soares, Zenha, Soromenho ou Medeiros Ferreira transformado neste imenso e branco deserto "ideológico", dirigido por um bando de jovens turcos tecnologicamente "musculados". Ironia a deste PS que nos ensinou a "amar" a democracia e que, agora, está nas mãos de uma pequeníssima nomenclatura de aprendizes de democratas. E maus, ainda por cima. Paz à sua alma socialista.

QUERIDO LÍDER


A grande surpresa do dia é, sem sombra de dúvida, a eleição, por 97% dos votos dos militantes "mesmo militantes" do PS, do seu secretário-geral, o honorável camarada José Sócrates. Nem no tempo em que o partido era vivo se alcançou tamanha proeza. A última vez que um líder foi reconduzido neste registo albano-coreano aconteceu em 2001, com o camarada António Guterres. Depois seguiu-se uma entronização patética no Pavilhão Atlântico que culminou, em Dezembro do mesmo ano, com a fuga envergonhada do líder depois de uma estrondosa derrota na urna que conta, o país. Não sou socialista, mas teria vergonha de ver o partido de Soares, Zenha, Soromenho ou Medeiros Ferreira transformado neste imenso e branco deserto "ideológico", dirigido por um bando de jovens turcos tecnologicamente "musculados". Ironia a deste PS que nos ensinou a "amar" a democracia e que, agora, está nas mãos de uma pequeníssima nomenclatura de aprendizes de democratas. E maus, ainda por cima. Paz à sua alma socialista.

28.10.06

PORQUÊ -2

Simpaticamente, o João Morgado Fernandes "tentou" esclarecer-me acerca desta coisa: "O Estado vai atribuir 169 milhões de euros de indemnizações compensatórias à RTP e à agência Lusa no próximo ano, revelou hoje à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva." E deu esta extraordinária "explicação: "A RTP e a Lusa são, de facto, empresas estatais. É o Estado, a malta toda, que as paga. Se isso deveria, ou não, ser assim é uma outra história.". Olhe, João, com este argumento e com este orçamento de Estado, por exemplo, para a "cultura", não faltarão directores de teatros e de outras "entidades públicas empresariais" a berrar pelo pão. Da "cultura" e de outros lados. Reparou na brutalidade de massa de que estamos a falar? Bom. Quanto ao canal da RTP onde eu vejo os telejornais, acho que não me enganei. Todavia, não deixa de ter alguma razão. A "filosofia" da coisa ressuma, de facto, a Ramiro Valadão (um bom homem) e a Dutra Faria, só que em "democrático". E a RTP-Madeira, quando lá vou, não vejo. Finalmente, não sou idólatra nem nunca fui dado a "grandes explicadores" ou a "queridos líderes". Como V. é mais "democrata" e "incontrolável" do que eu, imagino que respeite as escolhas livres dos madeirenses. Ou será que a Madeira, para além de ilha, também é puta ou filha de tal?

Adenda: "Ontem a RTP deu outro exemplo de como se actua pela imagem: enquanto o Ministro das Finanças fazia o seu discurso punitivo contra as finanças da Madeira, Jardim aparecia em imagens de fundo a passear-se num elefante (...) É verdade que Jardim muitas vezes pede-as, mas não pode ser a televisão pública a dá-las." Está a ver, João, "como amor com amor se paga" literal e chorudamente?

PORQUÊ -2

Simpaticamente, o João Morgado Fernandes "tentou" esclarecer-me acerca desta coisa: "O Estado vai atribuir 169 milhões de euros de indemnizações compensatórias à RTP e à agência Lusa no próximo ano, revelou hoje à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva." E deu esta extraordinária "explicação: "A RTP e a Lusa são, de facto, empresas estatais. É o Estado, a malta toda, que as paga. Se isso deveria, ou não, ser assim é uma outra história.". Olhe, João, com este argumento e com este orçamento de Estado, por exemplo, para a "cultura", não faltarão directores de teatros e de outras "entidades públicas empresariais" a berrar pelo pão. Da "cultura" e de outros lados. Reparou na brutalidade de massa de que estamos a falar? Bom. Quanto ao canal da RTP onde eu vejo os telejornais, acho que não me enganei. Todavia, não deixa de ter alguma razão. A "filosofia" da coisa ressuma, de facto, a Ramiro Valadão (um bom homem) e a Dutra Faria, só que em "democrático". E a RTP-Madeira, quando lá vou, não vejo. Finalmente, não sou idólatra nem nunca fui dado a "grandes explicadores" ou a "queridos líderes". Como V. é mais "democrata" e "incontrolável" do que eu, imagino que respeite as escolhas livres dos madeirenses. Ou será que a Madeira, para além de ilha, também é puta ou filha de tal?

Adenda: "Ontem a RTP deu outro exemplo de como se actua pela imagem: enquanto o Ministro das Finanças fazia o seu discurso punitivo contra as finanças da Madeira, Jardim aparecia em imagens de fundo a passear-se num elefante (...) É verdade que Jardim muitas vezes pede-as, mas não pode ser a televisão pública a dá-las." Está a ver, João, "como amor com amor se paga" literal e chorudamente?

ISOLAMENTO E FRUSTRAÇÃO

O inspector geral da administração interna, em entrevista ao Diário de Notícias, disse sentir-se "isolado e frustrado" porque o dr. António Costa não lhe passa cartão. Nem na recente ida a uma comissão parlamentar, o dr. Costa teve o cuidado de consultar o seu órgão externo de controlo da actividade policial e, a ele, preferiu a opinião do comandante-geral da GNR. Os números de "vítimas" que o senhor ministro apresentou, eram, por isso, totalmente desconhecidos do juiz Clemente Lima. Soube deles pela televisão. Como expliquei outro dia num "comentário" a um post, a IGAI - uma criação legislativa de Dias Loureiro para o putativo vice-procurador geral da República de Pinto Monteiro, Gomes Dias, o ainda auditor jurídico do MAI - só "brilhou" com as tutelas de Alberto Costa, Jorge Coelho, Fernando Gomes, Severiano Teixeira e Figueiredo Lopes. E com Rodrigues Maximiano como inspector-geral, que obteve destes sempre um apoio incondicional. Quando Maximiano se aposentou, o dr. Costa deixou a IGAI num limbo até pôr lá o juiz Clemente Lima. Pelos vistos, até este se queixa da falta de apoio político do ministro. Assim sendo, e conhecendo-se o "bom" e musculado feitio do dr. Costa ("deste" dr. Costa, e não do que eu conheci na primeira campanha presidencial de Mário Soares), a Clemente Lima - por si mesmo, ou por interposto ministro - não deverá restar muito mais tempo de "isolamento" e de "frustração".

ISOLAMENTO E FRUSTRAÇÃO

O inspector geral da administração interna, em entrevista ao Diário de Notícias, disse sentir-se "isolado e frustrado" porque o dr. António Costa não lhe passa cartão. Nem na recente ida a uma comissão parlamentar, o dr. Costa teve o cuidado de consultar o seu órgão externo de controlo da actividade policial e, a ele, preferiu a opinião do comandante-geral da GNR. Os números de "vítimas" que o senhor ministro apresentou, eram, por isso, totalmente desconhecidos do juiz Clemente Lima. Soube deles pela televisão. Como expliquei outro dia num "comentário" a um post, a IGAI - uma criação legislativa de Dias Loureiro para o putativo vice-procurador geral da República de Pinto Monteiro, Gomes Dias, o ainda auditor jurídico do MAI - só "brilhou" com as tutelas de Alberto Costa, Jorge Coelho, Fernando Gomes, Severiano Teixeira e Figueiredo Lopes. E com Rodrigues Maximiano como inspector-geral, que obteve destes sempre um apoio incondicional. Quando Maximiano se aposentou, o dr. Costa deixou a IGAI num limbo até pôr lá o juiz Clemente Lima. Pelos vistos, até este se queixa da falta de apoio político do ministro. Assim sendo, e conhecendo-se o "bom" e musculado feitio do dr. Costa ("deste" dr. Costa, e não do que eu conheci na primeira campanha presidencial de Mário Soares), a Clemente Lima - por si mesmo, ou por interposto ministro - não deverá restar muito mais tempo de "isolamento" e de "frustração".

"O" ANTÓNIO


Numa noite destas, enquanto trabalhava no livrinho "Portugal dos Pequeninos", à minha frente, na tv, passava uma enternecedora entrevista de Judite de Sousa ao sofredor, melancólico e grande escritor dr. António Lobo Antunes. Desde logo, o tratamento era de grande intimidade. Para Judite, o dr. Lobo Antunes era "o" António. "O" António, aqui há uns anos atrás, tinha um razoável pó às entrevistas. Deixei-o por alturas de "Auto dos Danados" e só voltei, muito tempo depois, por causa das crónicas. Ainda tentei ler "Que farei quando tudo arde?". Tenho por aí espalhados mais livros "do" António, porém, confesso, não tenho pachorra para os ler. Fico sempre com a sensação de que, à semelhança do que acontece com as edições americanas dos seus textos, "o" António não perderia nada se retirasse entre cem a trezentas páginas dos seus "romances". É que um homem perde-se, entre o tédio e o não avanço da "trama", naqueles tropismos pseudo-originais, "a la Faulkner", "do" António. O pacto leonino que tem com a sua editora, a D. Quixote, não o salva, mesmo assim, de um honroso quarto ou quinto lugar em vendas nacionais face a uma inesperada e inexplicável Inês Pedrosa, a uma Lídia Jorge ou ao bardo Manuel Alegre. Outro dia, "o" António decretou que o "romance" de Rui Cardoso Martins, também da D. Quixote (de onde é que havia de ser?), era o melhor "primeiro livro" que ele tinha lido. Não foi só ele. A sra. D. Clara Ferreira Alves, por acaso assalariada das "Produções Fictícias", do dito Rui, naquele maravilhoso programa "Eixo do Mal", também teceu encómios, apesar de o livro ser em português. Em suma, "o" António, aquele que em tempos idos venerou o PC, mas que "à" Judite de Sousa disse que tinha "tido medo" num comício em que estava de tudo de punho erguido aos berros - um momento de "humanização" do sr.dr. - está aí para as curvas e para produzir mais bacamartes "literários". Alguém há-de ler, nem que sejam só as primeiras cinquenta páginas. É que por aí, normalmente, ficamos esclarecidos.

"O" ANTÓNIO


Numa noite destas, enquanto trabalhava no livrinho "Portugal dos Pequeninos", à minha frente, na tv, passava uma enternecedora entrevista de Judite de Sousa ao sofredor, melancólico e grande escritor dr. António Lobo Antunes. Desde logo, o tratamento era de grande intimidade. Para Judite, o dr. Lobo Antunes era "o" António. "O" António, aqui há uns anos atrás, tinha um razoável pó às entrevistas. Deixei-o por alturas de "Auto dos Danados" e só voltei, muito tempo depois, por causa das crónicas. Ainda tentei ler "Que farei quando tudo arde?". Tenho por aí espalhados mais livros "do" António, porém, confesso, não tenho pachorra para os ler. Fico sempre com a sensação de que, à semelhança do que acontece com as edições americanas dos seus textos, "o" António não perderia nada se retirasse entre cem a trezentas páginas dos seus "romances". É que um homem perde-se, entre o tédio e o não avanço da "trama", naqueles tropismos pseudo-originais, "a la Faulkner", "do" António. O pacto leonino que tem com a sua editora, a D. Quixote, não o salva, mesmo assim, de um honroso quarto ou quinto lugar em vendas nacionais face a uma inesperada e inexplicável Inês Pedrosa, a uma Lídia Jorge ou ao bardo Manuel Alegre. Outro dia, "o" António decretou que o "romance" de Rui Cardoso Martins, também da D. Quixote (de onde é que havia de ser?), era o melhor "primeiro livro" que ele tinha lido. Não foi só ele. A sra. D. Clara Ferreira Alves, por acaso assalariada das "Produções Fictícias", do dito Rui, naquele maravilhoso programa "Eixo do Mal", também teceu encómios, apesar de o livro ser em português. Em suma, "o" António, aquele que em tempos idos venerou o PC, mas que "à" Judite de Sousa disse que tinha "tido medo" num comício em que estava de tudo de punho erguido aos berros - um momento de "humanização" do sr.dr. - está aí para as curvas e para produzir mais bacamartes "literários". Alguém há-de ler, nem que sejam só as primeiras cinquenta páginas. É que por aí, normalmente, ficamos esclarecidos.

EM PONTA DOS PÉS

Estive a passar os olhos pelas "novas" leis orgânicas dos ministérios. Fusões, extinções e criações, há para todos os gostos e feitios. A parte "gira" é assistir, nos próximos dias e semanas, aos corropios, telefonemas e outras forma de dizer "estou aqui" (ou, "deixei de estar aqui") dos senhores e das senhoras da altas, médias e baixas nomenclaturas que agora caem mas que logo a seguir se podem levantar outra vez. Afinal, o congresso albanês do senhor engenheiro sempre vai servir para alguma coisa.

EM PONTA DOS PÉS

Estive a passar os olhos pelas "novas" leis orgânicas dos ministérios. Fusões, extinções e criações, há para todos os gostos e feitios. A parte "gira" é assistir, nos próximos dias e semanas, aos corropios, telefonemas e outras forma de dizer "estou aqui" (ou, "deixei de estar aqui") dos senhores e das senhoras da altas, médias e baixas nomenclaturas que agora caem mas que logo a seguir se podem levantar outra vez. Afinal, o congresso albanês do senhor engenheiro sempre vai servir para alguma coisa.

27.10.06

PORQUÊ

"Incontrolável" João : explique-me lá, se souber, por que é que, no rodapé do telejornal apresentado pelo "escritor" Rodrigues dos Santos, passou uma frase intrigante que dizia o seguinte - "O Estado vai atribuir 169 milhões de euros de indemnizações compensatórias à RTP e à agência Lusa no próximo ano, revelou hoje à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva.". O que é que o Estado terá feito ou deixado de fazer a estas mui nobres instituições, designadamente à Lusa que, por assim dizer, afinal "não conta para nada"? A RTP e a Lusa valem, juntas, mais do que a Madeira? Se calhar valem. Vá lá saber-se porquê.

PORQUÊ

"Incontrolável" João : explique-me lá, se souber, por que é que, no rodapé do telejornal apresentado pelo "escritor" Rodrigues dos Santos, passou uma frase intrigante que dizia o seguinte - "O Estado vai atribuir 169 milhões de euros de indemnizações compensatórias à RTP e à agência Lusa no próximo ano, revelou hoje à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva.". O que é que o Estado terá feito ou deixado de fazer a estas mui nobres instituições, designadamente à Lusa que, por assim dizer, afinal "não conta para nada"? A RTP e a Lusa valem, juntas, mais do que a Madeira? Se calhar valem. Vá lá saber-se porquê.

MOVIDA LINGUÍSTICA


O senhor engenheiro foi a Aveiro e tinha meia dúzia de manifestantes para o apupar. Está na moda e não adianta nada. Adiantava mais registar o que ele disse a propósito de mais uma encenação em torno do "plano tecnológico", lado-a-lado com o mago Mariano Gago. Sem graça - tinha-a esgotado à entrada quando, todo torcido, disse que recebia com "humor" todas as manifestações - fez um trocadilho com aquela coisa do "it's the economy, stupid" que transformou em "it's knowledge, stupid". E, para que não ficassem dúvidas, traduziu: "é o conhecimento, estúpido". Bonito efeito "tecnológico", sem dúvida. Mas não ficou por aqui. De seguida, saiu-lhe uma "espanholada": "movida" que, por sinal, não tinha nada a ver com o que se estava a passar em Aveiro. Sócrates não é exactamente um modelo de boa disposição e estas leviandades linguísticas não lhe "ficam" bem. Do mal, o menos. Mais vale manter aquele ar charmoso-irritado do que tentar-se na "movida" da linguagem. É muito traiçoeira.

MOVIDA LINGUÍSTICA


O senhor engenheiro foi a Aveiro e tinha meia dúzia de manifestantes para o apupar. Está na moda e não adianta nada. Adiantava mais registar o que ele disse a propósito de mais uma encenação em torno do "plano tecnológico", lado-a-lado com o mago Mariano Gago. Sem graça - tinha-a esgotado à entrada quando, todo torcido, disse que recebia com "humor" todas as manifestações - fez um trocadilho com aquela coisa do "it's the economy, stupid" que transformou em "it's knowledge, stupid". E, para que não ficassem dúvidas, traduziu: "é o conhecimento, estúpido". Bonito efeito "tecnológico", sem dúvida. Mas não ficou por aqui. De seguida, saiu-lhe uma "espanholada": "movida" que, por sinal, não tinha nada a ver com o que se estava a passar em Aveiro. Sócrates não é exactamente um modelo de boa disposição e estas leviandades linguísticas não lhe "ficam" bem. Do mal, o menos. Mais vale manter aquele ar charmoso-irritado do que tentar-se na "movida" da linguagem. É muito traiçoeira.

O DESPACHO

Depois de sucessivos dias malditos, a "central política" do governo decidiu dar ordem a Teixeira dos Santos para "punir" a Madeira. O ministro fê-lo por despacho e pelas televisões, como lhe competia. "Bater" em Jardim é daquelas coisas que costumam cair bem junto da populaça e da opinião que se publica. Por 119 milhões de euros, lava-se a honra perdida nos últimos dias? Não lava. É, insisto, uma questão meramente partidária e de odiozinho de estimação. Esfolar o "pato bravo" em público para que o público salive de gozo e se esqueça da sua própria miséria, é sempre lucrativo. A curto prazo, mas lucrativo.

GRANDE


Mário Soares reapareceu na SIC, numa entrevista com Mário Crespo que mantém sempre aquele ar de quem está a mascar pastilha elástica. Independentemente disso, Soares estava em grande forma e falou do seu novo livro, a apresentar na segunda-feira. Sobretudo falou do mundo e do que se pode esperar dele nos próximos anos. Não é preciso ser de esquerda para acompanhar com prazer a forma como Soares discorre e expõe o seu pensamento nesta matéria. Quem é grande, é sempre grande apesar das adversidades. Ou fundamentalmente por causa delas.

O DESPACHO

Depois de sucessivos dias malditos, a "central política" do governo decidiu dar ordem a Teixeira dos Santos para "punir" a Madeira. O ministro fê-lo por despacho e pelas televisões, como lhe competia. "Bater" em Jardim é daquelas coisas que costumam cair bem junto da populaça e da opinião que se publica. Por 119 milhões de euros, lava-se a honra perdida nos últimos dias? Não lava. É, insisto, uma questão meramente partidária e de odiozinho de estimação. Esfolar o "pato bravo" em público para que o público salive de gozo e se esqueça da sua própria miséria, é sempre lucrativo. A curto prazo, mas lucrativo.

GRANDE


Mário Soares reapareceu na SIC, numa entrevista com Mário Crespo que mantém sempre aquele ar de quem está a mascar pastilha elástica. Independentemente disso, Soares estava em grande forma e falou do seu novo livro, a apresentar na segunda-feira. Sobretudo falou do mundo e do que se pode esperar dele nos próximos anos. Não é preciso ser de esquerda para acompanhar com prazer a forma como Soares discorre e expõe o seu pensamento nesta matéria. Quem é grande, é sempre grande apesar das adversidades. Ou fundamentalmente por causa delas.

EXTINÇÕES


A ministra da Cultura, num acesso de lucidez, anunciou o propósito de acabar com as "capitais nacionais da cultura". As duas últimas, Coimbra e Faro, constituíram razoáveis desastres, financeiros e "culturais" propriamente ditos. Porém, Isabel Pires de Lima podia prosseguir com o acabar de algumas inutilidades manifestas que persistem no ministério e, por fim, acabar mesmo com ele. Por exemplo, extinguir as "delegações regionais" do MC - essas inúteis sinecuras político-partidárias - seria um bom começo.

EXTINÇÕES


A ministra da Cultura, num acesso de lucidez, anunciou o propósito de acabar com as "capitais nacionais da cultura". As duas últimas, Coimbra e Faro, constituíram razoáveis desastres, financeiros e "culturais" propriamente ditos. Porém, Isabel Pires de Lima podia prosseguir com o acabar de algumas inutilidades manifestas que persistem no ministério e, por fim, acabar mesmo com ele. Por exemplo, extinguir as "delegações regionais" do MC - essas inúteis sinecuras político-partidárias - seria um bom começo.

O MÉTODO E OS PROTAGONISTAS - 2

O Pedro Magalhães deve ser lido ao longo do dia. Por dois singulares motivos. Porque houve mais uma sondagem sobre o aborto - experimentem ir a Fornos de Algodres perguntar o que pensam da "interrupção voluntária da gravidez" em vez de "aborto" - e porque o Pedro, provavelmente, meditará sobre a "popularidade" dos líderes. Sócrates, valha isto o que valer, já cai. As "esquerdas" e o PR sobem, e Mendes não aproveita, para já, a pequena implosão em curso na maioria e no governo. O autoritarismo democrático de Sócrates é algo que, mais tarde ou mais cedo, como o gelo, se lhe quebrará à frente do nariz. O congresso albanês que aí vem, não o vai ajudar em nada. Sócrates é bom quando vai ao ringue. Ir para cima dele sozinho, com as bancadas cheias de homens e de mulheres-banana a babarem-se, atentos, venerandos e obrigados, só o diminui. Daqui para diante, cada cavadela, sua minhoca. Não há votos de borla.

O MÉTODO E OS PROTAGONISTAS - 2

O Pedro Magalhães deve ser lido ao longo do dia. Por dois singulares motivos. Porque houve mais uma sondagem sobre o aborto - experimentem ir a Fornos de Algodres perguntar o que pensam da "interrupção voluntária da gravidez" em vez de "aborto" - e porque o Pedro, provavelmente, meditará sobre a "popularidade" dos líderes. Sócrates, valha isto o que valer, já cai. As "esquerdas" e o PR sobem, e Mendes não aproveita, para já, a pequena implosão em curso na maioria e no governo. O autoritarismo democrático de Sócrates é algo que, mais tarde ou mais cedo, como o gelo, se lhe quebrará à frente do nariz. O congresso albanês que aí vem, não o vai ajudar em nada. Sócrates é bom quando vai ao ringue. Ir para cima dele sozinho, com as bancadas cheias de homens e de mulheres-banana a babarem-se, atentos, venerandos e obrigados, só o diminui. Daqui para diante, cada cavadela, sua minhoca. Não há votos de borla.

26.10.06

MAIS UM

Mil e quatrocentos milhões de euros foi o lucro do BCP, do BES, do BPI e do Totta nos primeiros nove meses do ano. Vai daí, o ministro das Finanças despertou do seu torpor optimista e prometeu mais "tributação" dos bancos. A banca aprecia jogar "à cabra cega" com os governos e a administração fiscal e, geralmente, costuma ganhar. De vez em quando, lá vem um governante que imagina colocar em sentido o sector. O dr. Teixeira dos Santos é só mais um.

MAIS UM

Mil e quatrocentos milhões de euros foi o lucro do BCP, do BES, do BPI e do Totta nos primeiros nove meses do ano. Vai daí, o ministro das Finanças despertou do seu torpor optimista e prometeu mais "tributação" dos bancos. A banca aprecia jogar "à cabra cega" com os governos e a administração fiscal e, geralmente, costuma ganhar. De vez em quando, lá vem um governante que imagina colocar em sentido o sector. O dr. Teixeira dos Santos é só mais um.

DIZ O ROTO AO NU



Com língua e cara de pau, Manuel Maria Carrilho apareceu numa sessão pública da Câmara Municipal de Lisboa para zurzir em Carmona Rodrigues. A semana passada, o seu "número dois" disse com todas as letras que Carrilho, de vereador, só conservava a toponímia. "Betão, inacção e embuste" foram os mimos usados por Carrilho contra o presidente e Maria José Nogueira Pinto. A diferença entre Carrilho e o último socialista que tomou conta de Lisboa, é que João Soares, à sua peculiar maneira, "amava" a cidade. Carrilho só gosta de si próprio e finge intermitentemente que se preocupa com Lisboa. Por isso perdeu. Carmona não conta. Falou o roto ao nu.

DIZ O ROTO AO NU



Com língua e cara de pau, Manuel Maria Carrilho apareceu numa sessão pública da Câmara Municipal de Lisboa para zurzir em Carmona Rodrigues. A semana passada, o seu "número dois" disse com todas as letras que Carrilho, de vereador, só conservava a toponímia. "Betão, inacção e embuste" foram os mimos usados por Carrilho contra o presidente e Maria José Nogueira Pinto. A diferença entre Carrilho e o último socialista que tomou conta de Lisboa, é que João Soares, à sua peculiar maneira, "amava" a cidade. Carrilho só gosta de si próprio e finge intermitentemente que se preocupa com Lisboa. Por isso perdeu. Carmona não conta. Falou o roto ao nu.

O REPRESENTANTE


Para a semana, o dr. Pinto Monteiro, o sr. PGR, terá que indicar novo nome ao conselho superior do Ministério Público para vice-procurador-geral, normalmente a criatura que trata da intendência. Com o devido respeito, a coisa é muito simples. Ou o sr. PGR torna a colocar em cima da mesa o nome do dr. Mário Gomes Dias, ou o sr. PGR jamais se libertará da canga corporativa que lhe querem vestir. O dr. Pinto Monteiro, como PGR, é o representante dos "ausentes, dos incertos e dos incapazes" e do Estado enquanto acusador público. Não representa o sindicato do MP.

O REPRESENTANTE


Para a semana, o dr. Pinto Monteiro, o sr. PGR, terá que indicar novo nome ao conselho superior do Ministério Público para vice-procurador-geral, normalmente a criatura que trata da intendência. Com o devido respeito, a coisa é muito simples. Ou o sr. PGR torna a colocar em cima da mesa o nome do dr. Mário Gomes Dias, ou o sr. PGR jamais se libertará da canga corporativa que lhe querem vestir. O dr. Pinto Monteiro, como PGR, é o representante dos "ausentes, dos incertos e dos incapazes" e do Estado enquanto acusador público. Não representa o sindicato do MP.

LENDO OUTROS

O Eduardo Pitta: "Dizer sim, ou dizer não, à «despenalização da interrupção voluntária da gravidez» não é o mesmo que dizer sim, ou dizer não, ao aborto. Um aborto é um aborto. Não é uma moratória judicial. Se o Tribunal Constitucional validar os exactos termos da pergunta, o que vai estar em causa no referendo é uma questão de polícia."

LENDO OUTROS

O Eduardo Pitta: "Dizer sim, ou dizer não, à «despenalização da interrupção voluntária da gravidez» não é o mesmo que dizer sim, ou dizer não, ao aborto. Um aborto é um aborto. Não é uma moratória judicial. Se o Tribunal Constitucional validar os exactos termos da pergunta, o que vai estar em causa no referendo é uma questão de polícia."

"GRANDES PORTUGUESES"?


Parece que houve sessão daquele magnífico programa da D. Elisa, "Grandes Portugueses". Da RTP, só praticamente vejo os telejornais para tentar perceber até onde é que a falta de vergonha pode ir. Todavia, um amigo avisado teve a desdita de assistir a qualquer coisa. E mandou-me um mail que não resisto a reproduzir:

"Aquela "ideologia" da juventude [Joana Amaral Dias] - a marechala - de cambulhada com a senectude "intelectual" dos "toujours-les-mêmes", foi mesmo patética. Aquele Lourenço [Eduardo] - sempre chato e enredado - já faz pena. Cada vez se parece mais com um oficiante da monita de Loyola. E o Torgal [Reis] (de Coimbra, como não podia deixar de ser) que mordeu ferozmente o Saraiva [José Hermano] - que ainda foi o único que teve alguma graça -, mostrou bem que esteve à altura daquele acamado mental da história de trazer por casa aos domingos. E mais uns quantos "clowns" de serviço."

Não perdi nada, pelos vistos. E "aquele-cujo-nome-não-pode-ser-pronunciado", por este andar, e pelo andar do senhor engenheiro, não tarda nada ainda acaba medalhado.

"GRANDES PORTUGUESES"?


Parece que houve sessão daquele magnífico programa da D. Elisa, "Grandes Portugueses". Da RTP, só praticamente vejo os telejornais para tentar perceber até onde é que a falta de vergonha pode ir. Todavia, um amigo avisado teve a desdita de assistir a qualquer coisa. E mandou-me um mail que não resisto a reproduzir:

"Aquela "ideologia" da juventude [Joana Amaral Dias] - a marechala - de cambulhada com a senectude "intelectual" dos "toujours-les-mêmes", foi mesmo patética. Aquele Lourenço [Eduardo] - sempre chato e enredado - já faz pena. Cada vez se parece mais com um oficiante da monita de Loyola. E o Torgal [Reis] (de Coimbra, como não podia deixar de ser) que mordeu ferozmente o Saraiva [José Hermano] - que ainda foi o único que teve alguma graça -, mostrou bem que esteve à altura daquele acamado mental da história de trazer por casa aos domingos. E mais uns quantos "clowns" de serviço."

Não perdi nada, pelos vistos. E "aquele-cujo-nome-não-pode-ser-pronunciado", por este andar, e pelo andar do senhor engenheiro, não tarda nada ainda acaba medalhado.

25.10.06

QUANDO TUDO CAI - 2


Enquanto o telejornal oficioso da RTP prossegue na sua contumaz função propagandística, os outros canais mostram um país devastado por uma intempérie imprevista. Não há "plano tecnológico" que valha na desgraça. Lembrei-me de um post que aqui pus há três anos. As imagens de hoje são cruéis e mostram a realidade como ela é. Como ela continua a ser.

QUANDO TUDO CAI

Um estudo qualquer veio demonstrar que há umas boas dezenas de pontes prontas para cair a qualquer momento. Julgo que o distrito mais penalizado por esta eventualidade é Viana do Castelo. A célebre vaga do betão não pôde, pelos vistos, acudir a tudo. Mesmo as preciosas auto-estradas, os itinerários principais, as vias de circulação internas e externas ou as circulares, estão quase sempre em permanentes alargamentos ou encolhimentos. Até uma obscura rua de uma qualquer nossa cidade, não escapa ao esventramento. A paisagem assemelha-se muitas vezes a um estaleiro. Infelizmente nada disto chega para prevenir o pior. Fica-se com a sensação de que nada se planeia e que tudo é fruto do improviso e da adivinhação. Entretanto, as estruturas envelhecidas e em apodrecimento irreversível, vão cedendo. Como bons parolos, vivemos à superfície armados em "modernos". Só quando tudo cai é que se vê, que, por baixo, não há nada.

QUANDO TUDO CAI - 2


Enquanto o telejornal oficioso da RTP prossegue na sua contumaz função propagandística, os outros canais mostram um país devastado por uma intempérie imprevista. Não há "plano tecnológico" que valha na desgraça. Lembrei-me de um post que aqui pus há três anos. As imagens de hoje são cruéis e mostram a realidade como ela é. Como ela continua a ser.

QUANDO TUDO CAI

Um estudo qualquer veio demonstrar que há umas boas dezenas de pontes prontas para cair a qualquer momento. Julgo que o distrito mais penalizado por esta eventualidade é Viana do Castelo. A célebre vaga do betão não pôde, pelos vistos, acudir a tudo. Mesmo as preciosas auto-estradas, os itinerários principais, as vias de circulação internas e externas ou as circulares, estão quase sempre em permanentes alargamentos ou encolhimentos. Até uma obscura rua de uma qualquer nossa cidade, não escapa ao esventramento. A paisagem assemelha-se muitas vezes a um estaleiro. Infelizmente nada disto chega para prevenir o pior. Fica-se com a sensação de que nada se planeia e que tudo é fruto do improviso e da adivinhação. Entretanto, as estruturas envelhecidas e em apodrecimento irreversível, vão cedendo. Como bons parolos, vivemos à superfície armados em "modernos". Só quando tudo cai é que se vê, que, por baixo, não há nada.

SOBRE MANHOSOS


Almada Negreiros, via Minha Rica Casinha

SOBRE MANHOSOS


Almada Negreiros, via Minha Rica Casinha

O OUTRO MAPA COR-DE-ROSA

Ora aqui está outra pergunta interessante - tal como as relacionadas com a banca - para colocar ao regime. Se o José Medeiros Ferreira me permite um "adiantamento", talvez não fosse má ideia rever os nomes das criaturas (e respectivas proveniências) que o Estado português tem "enviado" para Moçambique para "gerir" o assunto Cahora Bassa. Era meio caminho andado para perceber o tal "peso" da coisa no "mapa na dívida pública". Bem haja por confrontar o regime com mais um dos seus fantasmas.

O OUTRO MAPA COR-DE-ROSA

Ora aqui está outra pergunta interessante - tal como as relacionadas com a banca - para colocar ao regime. Se o José Medeiros Ferreira me permite um "adiantamento", talvez não fosse má ideia rever os nomes das criaturas (e respectivas proveniências) que o Estado português tem "enviado" para Moçambique para "gerir" o assunto Cahora Bassa. Era meio caminho andado para perceber o tal "peso" da coisa no "mapa na dívida pública". Bem haja por confrontar o regime com mais um dos seus fantasmas.

EVIDENTEMENTE...

... que a intenção é benemérita. Todavia, por que é que ninguém se lembrou de perguntar ao senhor ministro a razão da revogação do nº 10 do art. º 36º do Código do IRC, perdoe-se-me o "tecnicismo" irritante? É que o número 10 em vigor resolvia, designadamente, as "situações repetidas de abuso por redução da matéria colectável" com a "desculpa" da eliminação da dupla tributação. Mantivesse o artiguinho na sua actual redacção e já não precisava de se "preocupar" tanto com "novas medidas", sr. ministro. Todavia, a banca impõe respeito a praticamente todos os sectores políticos. Por isso há tão poucas perguntas e tão poucas respostas: presume-se que a banca está sempre de "boa-fé". E o respeitinho é muito bonito.

EVIDENTEMENTE...

... que a intenção é benemérita. Todavia, por que é que ninguém se lembrou de perguntar ao senhor ministro a razão da revogação do nº 10 do art. º 36º do Código do IRC, perdoe-se-me o "tecnicismo" irritante? É que o número 10 em vigor resolvia, designadamente, as "situações repetidas de abuso por redução da matéria colectável" com a "desculpa" da eliminação da dupla tributação. Mantivesse o artiguinho na sua actual redacção e já não precisava de se "preocupar" tanto com "novas medidas", sr. ministro. Todavia, a banca impõe respeito a praticamente todos os sectores políticos. Por isso há tão poucas perguntas e tão poucas respostas: presume-se que a banca está sempre de "boa-fé". E o respeitinho é muito bonito.

24.10.06

PENA

O prof. Vital Moreira "virou" uma espécie de "Luís Delgado com doutoramento" do governo. Até o prof. Cavaco Silva - porventura esquecido dos mimos com que foi brindado nas eleições presidenciais - o nomeou para presidir às seguramente patéticas comemorações dos 100 anos da implantação da República. O Causa Nossa oscila, pois, entre os ódios e os amores de perdição de Ana Gomes e o "Diário do Governo" explicado às criancinhas pelo prof. Vital. Uma pena.

PENA

O prof. Vital Moreira "virou" uma espécie de "Luís Delgado com doutoramento" do governo. Até o prof. Cavaco Silva - porventura esquecido dos mimos com que foi brindado nas eleições presidenciais - o nomeou para presidir às seguramente patéticas comemorações dos 100 anos da implantação da República. O Causa Nossa oscila, pois, entre os ódios e os amores de perdição de Ana Gomes e o "Diário do Governo" explicado às criancinhas pelo prof. Vital. Uma pena.

O DR. CANAS

Por causa das continhas mal feitas nos partidos, aquando das legislativas de 2005, o PS fez-se comentar pela excelsa pessoa do dr. Vitalino Canas. O PS não tem sorte com os seus porta-vozes. Primeiro, foi o dr. Pedroso. Depois, o actual ministro do Trabalho. A seguir, talvez o dr. Coelho, não me lembro, mas, apesar de tudo, o melhorzinho. E agora, o dr. Canas. Não tem jeito nenhum e parece que já pediu para sair. Façam-lhe urgentemente a vontade.

O DR. CANAS

Por causa das continhas mal feitas nos partidos, aquando das legislativas de 2005, o PS fez-se comentar pela excelsa pessoa do dr. Vitalino Canas. O PS não tem sorte com os seus porta-vozes. Primeiro, foi o dr. Pedroso. Depois, o actual ministro do Trabalho. A seguir, talvez o dr. Coelho, não me lembro, mas, apesar de tudo, o melhorzinho. E agora, o dr. Canas. Não tem jeito nenhum e parece que já pediu para sair. Façam-lhe urgentemente a vontade.

CONVERSA ACABADA

Depois de dezenas e dezenas de inúteis reuniões, é que os sindicatos da função pública - dos da CGTP à UGT - chegaram à brilhante conclusão que andavam a participar em reuniões "fingidas". O dr. Figueiredo já devia ter ficado a falar sozinho há muito tempo.

CONVERSA ACABADA

Depois de dezenas e dezenas de inúteis reuniões, é que os sindicatos da função pública - dos da CGTP à UGT - chegaram à brilhante conclusão que andavam a participar em reuniões "fingidas". O dr. Figueiredo já devia ter ficado a falar sozinho há muito tempo.

FAZER DE CONTA QUE O PAÍS NÃO É O QUE É

A hora de almoço também serve para conviver. Em poucas linhas, é o que pretendo fazer por causa dos delíquios em torno da "mariquice". Em primeiro lugar, agradecer ao Pedro Magalhães ter "comentado" a sondagem da Católica e de ter remetido para "outro" comentário. Os esclarecimentos que ali apresenta são cristalinos e não precisam de mais conversa. Depois, aqui, um blogue onde escrevem amigos, pergunta-se parvamente se eu e o Eduardo Pitta somos favoráveis "à subjugação da mulher" ou "à proibição de casamentos interraciais". Oh meus amores, está-se mesmo a ver que somos, não somos? Aliás, e falo só por mim, parece-me que já devo ter escrito umas cem vezes o que penso do casório seja lá entre quem for. Finalmente, a Fernanda. Para além do Roth e do desprezo por certa hipocrisia judiciária e outras coisas que mais se irão descobrir, também temos em comum a opinião sobre o casório. Só que depois, ao zurzir na "bruxa da Areosa", como dizia o Mário Viegas, (Agustina que me releve a lembrança), a Fernanda diz isto: "o problema, obviamente, é que para agustina um par de pessoas do mesmo sexo e um par de pessoas de sexo diferente não são a mesma coisa. não são da mesma natureza." Oh Fernanda, por mais voltas que eu dê à minha tresloucada mona, não consigo enxergar a "identidade" e, muito menos, a "igualdade" na coisa. Quem vive com pessoas do mesmo sexo, fá-lo exactamente por causa da respectiva natureza. Já pensou que não existe relação "mais viril" do que a que se consuma entre dois homens, tal como não há relação "mais feminina" do que a que se desenvolve entre duas mulheres? E que nenhuma das duas hipóteses é da mesma "natureza"? Por consequência, resta uma terceira hipótese que, por mais que doa, é a mais vulgar: quando estão em causa pessoas de sexo diferente. Qualquer destas três hipóteses, de diversa "natureza", merece tutela jurídica? Sem dúvida. Passar para as duas primeiras um instituto que foi concebido para a última, nem que seja a título folclórico? Não. Sabe porquê, Fernanda? Porque o legal e constitucional "princípio da igualdade" manda tratar o igual de forma igual e o diferente de forma diferente. E, não duvide, os "três pares" que lhe apresentei são todos diferentes na respectiva "natureza". Termino com palavras do Pedro Magalhães em resposta a Miguel Vale de Almeida por causa da sondagem: "A verdade é outra. Releio agora os resultados de um inquérito realizado em 1998 em parceria pelo ICS e pelo ISCTE, a instituição onde MVA trabalha, no âmbito do International Social Survey Programme. Questionados sobre as relações sexuais entre adultos do mesmo sexo (e, note-se, nem sequer se está a falar em "direitos"), 73% dizem que a sua mera existência "é sempre errada". MVA pode não gostar de viver num país onde as pessoas respondem desta maneira a estas perguntas. Agora, se o quiser mudar, fazer de conta que o país não é o que é, ou que tudo não passa de uma mera construção da Universidade Católica, não me parece bom ponto de partida." Já estou como o Gore Vidal: se o país seguisse os meus conselhos, era seguramente mais feliz. Como não segue, não vale a pena "fazer de conta que o país não é o que ele é".

FAZER DE CONTA QUE O PAÍS NÃO É O QUE É

A hora de almoço também serve para conviver. Em poucas linhas, é o que pretendo fazer por causa dos delíquios em torno da "mariquice". Em primeiro lugar, agradecer ao Pedro Magalhães ter "comentado" a sondagem da Católica e de ter remetido para "outro" comentário. Os esclarecimentos que ali apresenta são cristalinos e não precisam de mais conversa. Depois, aqui, um blogue onde escrevem amigos, pergunta-se parvamente se eu e o Eduardo Pitta somos favoráveis "à subjugação da mulher" ou "à proibição de casamentos interraciais". Oh meus amores, está-se mesmo a ver que somos, não somos? Aliás, e falo só por mim, parece-me que já devo ter escrito umas cem vezes o que penso do casório seja lá entre quem for. Finalmente, a Fernanda. Para além do Roth e do desprezo por certa hipocrisia judiciária e outras coisas que mais se irão descobrir, também temos em comum a opinião sobre o casório. Só que depois, ao zurzir na "bruxa da Areosa", como dizia o Mário Viegas, (Agustina que me releve a lembrança), a Fernanda diz isto: "o problema, obviamente, é que para agustina um par de pessoas do mesmo sexo e um par de pessoas de sexo diferente não são a mesma coisa. não são da mesma natureza." Oh Fernanda, por mais voltas que eu dê à minha tresloucada mona, não consigo enxergar a "identidade" e, muito menos, a "igualdade" na coisa. Quem vive com pessoas do mesmo sexo, fá-lo exactamente por causa da respectiva natureza. Já pensou que não existe relação "mais viril" do que a que se consuma entre dois homens, tal como não há relação "mais feminina" do que a que se desenvolve entre duas mulheres? E que nenhuma das duas hipóteses é da mesma "natureza"? Por consequência, resta uma terceira hipótese que, por mais que doa, é a mais vulgar: quando estão em causa pessoas de sexo diferente. Qualquer destas três hipóteses, de diversa "natureza", merece tutela jurídica? Sem dúvida. Passar para as duas primeiras um instituto que foi concebido para a última, nem que seja a título folclórico? Não. Sabe porquê, Fernanda? Porque o legal e constitucional "princípio da igualdade" manda tratar o igual de forma igual e o diferente de forma diferente. E, não duvide, os "três pares" que lhe apresentei são todos diferentes na respectiva "natureza". Termino com palavras do Pedro Magalhães em resposta a Miguel Vale de Almeida por causa da sondagem: "A verdade é outra. Releio agora os resultados de um inquérito realizado em 1998 em parceria pelo ICS e pelo ISCTE, a instituição onde MVA trabalha, no âmbito do International Social Survey Programme. Questionados sobre as relações sexuais entre adultos do mesmo sexo (e, note-se, nem sequer se está a falar em "direitos"), 73% dizem que a sua mera existência "é sempre errada". MVA pode não gostar de viver num país onde as pessoas respondem desta maneira a estas perguntas. Agora, se o quiser mudar, fazer de conta que o país não é o que é, ou que tudo não passa de uma mera construção da Universidade Católica, não me parece bom ponto de partida." Já estou como o Gore Vidal: se o país seguisse os meus conselhos, era seguramente mais feliz. Como não segue, não vale a pena "fazer de conta que o país não é o que ele é".

BUDAPESTE 1956-2006

Quando for grande, quero escrever no Corta-Fitas. Assim e assim.

BUDAPESTE 1956-2006

Quando for grande, quero escrever no Corta-Fitas. Assim e assim.

APARIÇÃO


Regressado dos mortos, Pedro Santana Lopes esteve ontem na televisão a fazer o que ele sabe fazer melhor: oposição. Com alguma da "autoridade" que lhe advém da circunstância de ter sido primeiro-ministro, "desmontando", por exemplo, o sub-profeta dr. Correia de Campos. Bem vindo.

APARIÇÃO


Regressado dos mortos, Pedro Santana Lopes esteve ontem na televisão a fazer o que ele sabe fazer melhor: oposição. Com alguma da "autoridade" que lhe advém da circunstância de ter sido primeiro-ministro, "desmontando", por exemplo, o sub-profeta dr. Correia de Campos. Bem vindo.

GRANDES FRASES


"El secreto de la felicidad, o, por lo menos, de la tranquilidad, es saber separar el sexo del amor. Y, si es posible, eliminar el amor romántico de tu vida, que es el que hace sufrir. Así se vive más tranquilo y se goza más, te aseguro."

Mario Vargas Llosa, Travesuras de la niña mala

GRANDES FRASES


"El secreto de la felicidad, o, por lo menos, de la tranquilidad, es saber separar el sexo del amor. Y, si es posible, eliminar el amor romántico de tu vida, que es el que hace sufrir. Así se vive más tranquilo y se goza más, te aseguro."

Mario Vargas Llosa, Travesuras de la niña mala

23.10.06

JUSTIÇA FISCAL SOCIALISTA


Já tinha lido o parecer e o despacho de concordância do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que permite isto. Desde há anos que o Estado não consegue - vá-se lá saber porquê - manter uma "relação" normal, em termos fiscais, com o sector bancário e vice-versa. São demasiadas as "excepções" e os "despachos casuísticos" para este sector que, como é do conhecimento público, é dos poucos que dá lucro no sector de serviços. O governo de Santana Lopes alterou o número 10 do artigo 46º do Código do IRC (eliminação da dupla tributação económica dos lucros distribuídos) no OE para 2005, uma vez que, por "fas e nefas" interpretativos feitos a propósito de casos concretos pouco claros, as SGPS's, nomeadamente através da banca, usavam e abusavam desta faculdade legal (cujo objectivo era apenas o de resolver a questão da dupla tributação económica dos lucros) para evitar abusivamente toda e qualquer tributação. Por exemplo, no caso das entidades instaladas na Zona Franca da Madeira, este dispositivo do art.º 46º do CIRC não se aplicava, mas antes e exclusivamente o art.º 33º do Estatuto dos Benefícios Fiscais. O mesmo se diga para rendimentos obtidos nas ilhas Cayman ou noutros "paraísos fiscais". Na proposta de OE para 2007, o governo socialista decidiu seguir a "doutrina" do referido despacho, com maior precisão cirúrgica e "abertura": pura e simplesmente revoga o referido número 10, ou seja, repõe a isenção de tributação para a banca, quando, inicialmente, apenas previa alterá-lo (v. pág.52 online). Acontece que se trata do mesmo OE que impôe "rigor", "contenção" e alteração das regras de tributação para os menos "poderosos" - inclusivamente para os deficientes ou para os pensionistas de três dígitos - passe o populismo da expressão. Já sabíamos que o poder político trata bem a banca e que a banca trata bem o poder político democrático. A Associação Portuguesa de Bancos reivindicava, desde há algum tempo, a revogação do nº 10 do art. 46º do CIRC. Foi preciso um governo socialista, o tal da "exigência para todos", para o fazer. Parabéns, dr. João Salgueiro.