31.12.09

BOA QUESTÃO

«It is a very inconvenient habit of kittens (Alice had once made the remark) that, whatever you say to them, they always purr. `If them would only purr for "yes" and mew for "no," or any rule of that sort,' she had said, `so that one could keep up a conversation! But how can you talk with a person if they always say the same thing?'»

Lewis Carroll, Through the looking glass

BOA QUESTÃO

«It is a very inconvenient habit of kittens (Alice had once made the remark) that, whatever you say to them, they always purr. `If them would only purr for "yes" and mew for "no," or any rule of that sort,' she had said, `so that one could keep up a conversation! But how can you talk with a person if they always say the same thing?'»

Lewis Carroll, Through the looking glass

ANUALIDADES



Bem sei que os preclaros leitores padecem horrores com a minha ausência. Não tenho muita pena, mas registo o facto. Estou longe da civilização, que e é como quem diz no Portugal Rural. Viva a regionalização, sim e tal. Vim só aqui para desejar a todos umas belas entradas, como é da praxe. Considerações sobre o ano finado, não faço, que aborrece e já não interessa. Em dois mil e dez, façam o favor de ser felizes.

ANUALIDADES



Bem sei que os preclaros leitores padecem horrores com a minha ausência. Não tenho muita pena, mas registo o facto. Estou longe da civilização, que e é como quem diz no Portugal Rural. Viva a regionalização, sim e tal. Vim só aqui para desejar a todos umas belas entradas, como é da praxe. Considerações sobre o ano finado, não faço, que aborrece e já não interessa. Em dois mil e dez, façam o favor de ser felizes.

INÚTEIS, EM SUMA


No Expresso, Miguel Sousa Tavares - que recuperou alguma tramontana depois do forte ataque de "socretinice" de que padeceu até às eleições legislativas de Setembro - fala em década inútil. Não necessariamente aqui onde a inutilidade, salvo escassas intermitências históricas conhecidas, faz lastro desde praticamente o "nascimento da nação". O século XIX terminou no fim da primeira década do século XX com a 1ª guerra mundial. O século XX terminou mais cedo, no mês de Setembro de 2001 sem que, no entanto, o "novo" tivesse começado. As guerras do século XX tinham nomes, lugares e lideranças conhecidos, para o melhor e para o pior. O terrorismo do século XXI e os poderes "democráticos" tipicamente não têm nada disto. Entrámos numa era sem nomes, sem lugares e sem lideranças. Nem amigos nem inimigos têm propriamente rosto. O ser humano comportou-se ao longo destes dez anos como uma anémona. Até nas guerras anteriores havia uma certa ideia de honra, de nobreza e de lealdade. Nada disso existe mais, privadamente ou em público. Tudo é igual e tudo e todos aspiram a ser iguais a todos. Inúteis, em suma.

INÚTEIS, EM SUMA


No Expresso, Miguel Sousa Tavares - que recuperou alguma tramontana depois do forte ataque de "socretinice" de que padeceu até às eleições legislativas de Setembro - fala em década inútil. Não necessariamente aqui onde a inutilidade, salvo escassas intermitências históricas conhecidas, faz lastro desde praticamente o "nascimento da nação". O século XIX terminou no fim da primeira década do século XX com a 1ª guerra mundial. O século XX terminou mais cedo, no mês de Setembro de 2001 sem que, no entanto, o "novo" tivesse começado. As guerras do século XX tinham nomes, lugares e lideranças conhecidos, para o melhor e para o pior. O terrorismo do século XXI e os poderes "democráticos" tipicamente não têm nada disto. Entrámos numa era sem nomes, sem lugares e sem lideranças. Nem amigos nem inimigos têm propriamente rosto. O ser humano comportou-se ao longo destes dez anos como uma anémona. Até nas guerras anteriores havia uma certa ideia de honra, de nobreza e de lealdade. Nada disso existe mais, privadamente ou em público. Tudo é igual e tudo e todos aspiram a ser iguais a todos. Inúteis, em suma.

BALANÇO DO ANO


Uma boa merda.

BALANÇO DO ANO


Uma boa merda.

30.12.09

PURO LIXO

Como é que Isabel Alçada se dispõe a fazer a figura que está a fazer nas televisões à conta dos boçais dos jornalistas que a interpelam ao mesmo tempo, sem a menor consideração pela ministra, uma mulher, no mínimo, paciente e delicada. E não há ninguém que encha as ventas destes papagaios de bofetadas. Puro lixo "desinformativo" ambulante.

Adenda: Por falar em lixo, o sr. Nogueira da "fenprof", outra insuportabilidade ambulante, apresentou trinta (30) pontos para "negociação". Ninguém de boa fé vai "negociar" - depois de não ter andado a fazer outra coisa durante uma legislatura inteira, supeito, apenas pelo gozo político-sindical de o fazer - com tamanho caderno de encargos. Não estaria na hora de os senhores professores começarem a rever o sr. Nogueira antes que o país comece a "rever" a bondade da "luta" dos professores?

Adenda2: Um valentão qualquer, designado por Mário Rodrigues (o comentador nº 7) no blogue de Paulo Guinote, incita aparentemente os "colegas" a virem malhar no "gajozeco" que sou eu. "Está mesmo a merecê-las", escreve o valentão. Pois fique sabendo que castas, aqui, só em vinhos.

PURO LIXO

Como é que Isabel Alçada se dispõe a fazer a figura que está a fazer nas televisões à conta dos boçais dos jornalistas que a interpelam ao mesmo tempo, sem a menor consideração pela ministra, uma mulher, no mínimo, paciente e delicada. E não há ninguém que encha as ventas destes papagaios de bofetadas. Puro lixo "desinformativo" ambulante.

Adenda: Por falar em lixo, o sr. Nogueira da "fenprof", outra insuportabilidade ambulante, apresentou trinta (30) pontos para "negociação". Ninguém de boa fé vai "negociar" - depois de não ter andado a fazer outra coisa durante uma legislatura inteira, supeito, apenas pelo gozo político-sindical de o fazer - com tamanho caderno de encargos. Não estaria na hora de os senhores professores começarem a rever o sr. Nogueira antes que o país comece a "rever" a bondade da "luta" dos professores?

Adenda2: Um valentão qualquer, designado por Mário Rodrigues (o comentador nº 7) no blogue de Paulo Guinote, incita aparentemente os "colegas" a virem malhar no "gajozeco" que sou eu. "Está mesmo a merecê-las", escreve o valentão. Pois fique sabendo que castas, aqui, só em vinhos.

VOCABULÁRIO HORIZONTAL

Noronha do Nascimento "redescreve" Jorge Coelho dos idos de noventa. Quem se mete com aqueles que não podem ser mencionados nem escutados, leva.

VOCABULÁRIO HORIZONTAL

Noronha do Nascimento "redescreve" Jorge Coelho dos idos de noventa. Quem se mete com aqueles que não podem ser mencionados nem escutados, leva.

AQUILO

O que mais me espanta nas "polémicas" que andam na blogosfera em torno da tralha acolitada no Diário de Notícias não são as "polémicas". É as pessoas ainda lerem aquilo.

AQUILO

O que mais me espanta nas "polémicas" que andam na blogosfera em torno da tralha acolitada no Diário de Notícias não são as "polémicas". É as pessoas ainda lerem aquilo.

LÍNGUA


Nem aqui nem em nada do que terei de escrever daqui para diante sobre o que quer que seja alguma vez "aplicarei" o acordo ortográfico que impõe a "lulização" do português. Não aceito a degeneração da minha língua por causa de não sei quantos milhões que alegadamente a falam ou escrevem como analfabetos funcionais. Quando me apetecer ler algum autor brasileiro (dos "palops" não tenciono ler nenhum), leio e ponto final. Para além disso - e literalmente - burro velho não aprende línguas. Os prosélitos e os literatos do regime tratam da questão como tratam, aliás, de tudo. Como os pequeninos "kim-il-zinhos" de trazer por casa que são. É que um "intelectual" que fala em "uniformização da língua" não é um intelectual. É uma besta.

LÍNGUA


Nem aqui nem em nada do que terei de escrever daqui para diante sobre o que quer que seja alguma vez "aplicarei" o acordo ortográfico que impõe a "lulização" do português. Não aceito a degeneração da minha língua por causa de não sei quantos milhões que alegadamente a falam ou escrevem como analfabetos funcionais. Quando me apetecer ler algum autor brasileiro (dos "palops" não tenciono ler nenhum), leio e ponto final. Para além disso - e literalmente - burro velho não aprende línguas. Os prosélitos e os literatos do regime tratam da questão como tratam, aliás, de tudo. Como os pequeninos "kim-il-zinhos" de trazer por casa que são. É que um "intelectual" que fala em "uniformização da língua" não é um intelectual. É uma besta.

29.12.09

TUGAMILHÕES

Os jornais e as televisões informam que os portugueses gastaram não sei quantos milhões em prendinhas através dos movimentos "multibanco". Parafraseando Vasco Pulido Valente noutro contexto, pergunto-me como é que uma raça tão estúpida pôde alguma vez ter descoberto alguma coisa quanto mais o mundo.

TUGAMILHÕES

Os jornais e as televisões informam que os portugueses gastaram não sei quantos milhões em prendinhas através dos movimentos "multibanco". Parafraseando Vasco Pulido Valente noutro contexto, pergunto-me como é que uma raça tão estúpida pôde alguma vez ter descoberto alguma coisa quanto mais o mundo.

CÉSARES E O ESPELHO DA NATUREZA


Depois de ler esta notícia, fiquei com a sensação de quem está precisar de tratamento são os excelentíssimos médicos. É evidente que a "intervenção" de coisas como "asssociações panteras rosas", "ilgas" ou "opus gays" são perfeitamente dispensáveis embora se perceba que não possam resistir ao panfleto. Passo a vida a recomendar a leitura da apresentação que Gore Vidal fez da edição de Robert Graves dos Twelve Ceasars de Suetónio. Chegou a vez de a recomendar a estes patetas, uns e outros afinal adeptos de uma legislação "moral" de sentido oposto. «Though some of the Caesars quite obviously preferred women to me (Augustus had a particular penchant for Nabokovian nymphets), their sexual crisscrossing is extraordinary in its lack of pattern. And one suspects that despite the stern moral legislation of our own time human beings are no different. If nothing else, Dr. Kinsey revealed in his dogged, arithmetical way that we are all a good less predictable and bland than anyone had suspected.»


Adenda de 30.12: O que estava a fazer mais falta, neste já de si sublime contexto, era a opinião do sexólogo do regime, o rebento Maria Clara, provavelmente uma das mais chatas criaturas em programas de rádio.

CÉSARES E O ESPELHO DA NATUREZA


Depois de ler esta notícia, fiquei com a sensação de quem está precisar de tratamento são os excelentíssimos médicos. É evidente que a "intervenção" de coisas como "asssociações panteras rosas", "ilgas" ou "opus gays" são perfeitamente dispensáveis embora se perceba que não possam resistir ao panfleto. Passo a vida a recomendar a leitura da apresentação que Gore Vidal fez da edição de Robert Graves dos Twelve Ceasars de Suetónio. Chegou a vez de a recomendar a estes patetas, uns e outros afinal adeptos de uma legislação "moral" de sentido oposto. «Though some of the Caesars quite obviously preferred women to me (Augustus had a particular penchant for Nabokovian nymphets), their sexual crisscrossing is extraordinary in its lack of pattern. And one suspects that despite the stern moral legislation of our own time human beings are no different. If nothing else, Dr. Kinsey revealed in his dogged, arithmetical way that we are all a good less predictable and bland than anyone had suspected.»


Adenda de 30.12: O que estava a fazer mais falta, neste já de si sublime contexto, era a opinião do sexólogo do regime, o rebento Maria Clara, provavelmente uma das mais chatas criaturas em programas de rádio.

28.12.09

OFENSIVAS

Mário Crespo: «A Igreja lançou mais uma ofensiva contra o casamento entre homossexuais...». O jornal até estava a correr bem, para quê esta bojarda? O Mário também pertence ao vasto clube de crédulos que esperam ver um dia o Papa a lançar preservativos coloridos das janelas do Vaticano? Ou a Igreja a renegar dois mil anos de história? A haver "ofensivas", diga lá, Mário, de onde é que elas brotam? De onde?

OFENSIVAS

Mário Crespo: «A Igreja lançou mais uma ofensiva contra o casamento entre homossexuais...». O jornal até estava a correr bem, para quê esta bojarda? O Mário também pertence ao vasto clube de crédulos que esperam ver um dia o Papa a lançar preservativos coloridos das janelas do Vaticano? Ou a Igreja a renegar dois mil anos de história? A haver "ofensivas", diga lá, Mário, de onde é que elas brotam? De onde?

POR QUE É QUE OS GOLFINHOS SÃO "HUMANOS"


«Berlusconi levou uma bolacha de um opositor com uma estatueta de ferro, num comício em Milão, dando-lhe direito a ida para o hospital. No mesmo dia abriu-se um clube de fãs na Internet em tributo ao agressor. Poucos dias depois, no Vaticano e em plena Missa do Galo, uma mulher salta a vedação de segurança e empurra o Papa fazendo-o cair. No mesmo dia abriu-se um clube de fãs na Internet em trituto à senhora que, segundo se diz, sofre de perturbações mentais. Não são escritores, nem cientistas, nem artistas, nem músicos. São gente da qual não se conhece qualquer talento ou traço biográfico excepto o terem praticado com relativo "êxito" o que de mais animal existe, garantidamente, em qualquer ser humano. Por isso mesmo, este tipo de êxitos fazem as delícias de seres humanos "quaisquer". Isto porque "qualquer" é a palavra de ordem e é como agora mais se deseja formatar toda a gente, incluindo quem é "alguém". Apoteoses e clubes de fãs deste tipo são um belo espaço que a mediocridade demolidora encontrou para se fazer importante. Todos querem muita democracia e res-pública, aqui as têm.»

José Maia, Frituras

POR QUE É QUE OS GOLFINHOS SÃO "HUMANOS"


«Berlusconi levou uma bolacha de um opositor com uma estatueta de ferro, num comício em Milão, dando-lhe direito a ida para o hospital. No mesmo dia abriu-se um clube de fãs na Internet em tributo ao agressor. Poucos dias depois, no Vaticano e em plena Missa do Galo, uma mulher salta a vedação de segurança e empurra o Papa fazendo-o cair. No mesmo dia abriu-se um clube de fãs na Internet em trituto à senhora que, segundo se diz, sofre de perturbações mentais. Não são escritores, nem cientistas, nem artistas, nem músicos. São gente da qual não se conhece qualquer talento ou traço biográfico excepto o terem praticado com relativo "êxito" o que de mais animal existe, garantidamente, em qualquer ser humano. Por isso mesmo, este tipo de êxitos fazem as delícias de seres humanos "quaisquer". Isto porque "qualquer" é a palavra de ordem e é como agora mais se deseja formatar toda a gente, incluindo quem é "alguém". Apoteoses e clubes de fãs deste tipo são um belo espaço que a mediocridade demolidora encontrou para se fazer importante. Todos querem muita democracia e res-pública, aqui as têm.»

José Maia, Frituras

O PROBLEMA...

«... é que MFL tem dito o que é preciso, tem insistido no que é necessário e tem-se mantido fiel ao que explicou aos cidadãos durante a última campanha. É o que o país espera de uma pessoa dedicada, sem ambições pessoais e responsável, que podia há muito ter ido para casa, mas não foi. E isto irrita, não é?»

Filipe Nunes Vicente. Mar Salgado

O PROBLEMA...

«... é que MFL tem dito o que é preciso, tem insistido no que é necessário e tem-se mantido fiel ao que explicou aos cidadãos durante a última campanha. É o que o país espera de uma pessoa dedicada, sem ambições pessoais e responsável, que podia há muito ter ido para casa, mas não foi. E isto irrita, não é?»

Filipe Nunes Vicente. Mar Salgado

O "LADO"

O Presidente promulgou um diploma que adia a entrada em vigor do chamado "código contributivo". Deixa a todos - governo e oposição - a possibilidade de o aperfeiçoar. Trata-se de matéria não folclórica que diz respeito ao trabalho e às empresas, em suma, à economia que praticamente não existe. Veio logo uma vestal do grupo parlamentar do PS dizer que Cavaco se colocou "ao lado da oposição". Curiosamente, quando o mesmo Cavaco promulgou a vasta maioria dos diplomas saídos do anterior absolutismo governamental e parlamentar, a dita vestal não saiu ao caminho a saudá-lo. Não ocorre à criatura que o PR não está "ao lado" de ninguém. Nenhuma solidariedade institucional ou estratégica o obriga a estar "ao lado" do governo ou da assembleia. O PR tem legitimidade democrática própria para proceder às suas avaliações. É para isso que é eleito por sufrágio directo, universal e secreto. Não é para ser deputado da oposição ou secretário de estado do governo.

O "LADO"

O Presidente promulgou um diploma que adia a entrada em vigor do chamado "código contributivo". Deixa a todos - governo e oposição - a possibilidade de o aperfeiçoar. Trata-se de matéria não folclórica que diz respeito ao trabalho e às empresas, em suma, à economia que praticamente não existe. Veio logo uma vestal do grupo parlamentar do PS dizer que Cavaco se colocou "ao lado da oposição". Curiosamente, quando o mesmo Cavaco promulgou a vasta maioria dos diplomas saídos do anterior absolutismo governamental e parlamentar, a dita vestal não saiu ao caminho a saudá-lo. Não ocorre à criatura que o PR não está "ao lado" de ninguém. Nenhuma solidariedade institucional ou estratégica o obriga a estar "ao lado" do governo ou da assembleia. O PR tem legitimidade democrática própria para proceder às suas avaliações. É para isso que é eleito por sufrágio directo, universal e secreto. Não é para ser deputado da oposição ou secretário de estado do governo.

27.12.09

AS COISAS SÃO O QUE SÃO


«São multidões de solitários. Fogem de qualquer luta, afrouxam-se em submissões, aceitam não ser donos deles mesmos. Nem sequer sabem que estão sós porque a solidão desliza sobre eles sem deixar vestígios como a água na pena dos cisnes. Todos nós somos convidados para entrar num castelo, diariamente, vá lá saber-se por quem. Pode o castelo estar cheio de esplendores e de multidão ruidosa que não deixará de acabar em sepulcro, mais depressa do que seria de esperar, se não desconfiarmos dessa exaltação de fraquezas e se, quando ficarmos sem fôlego, não soubermos que esse é o momento de nos reencontrarmos, reconquistando a dignidade e a personalidade. O castelo é um inferno onde cada instante é um milagre. Agarrar esses instantes, que formam o tempo, escapar da ladainha dos que mergulharam no ruído, viver como um desafio, ter a honra de não se submeter a quem não merece submissão e de depender do amor de quem merece essa dependência, é o que deveria ser - se pensássemos. Mas só quando se está cansado de nunca estar só é possível vencer a violência da solidão e pensar no que vale a pena. As coisas são o que são.»

Victor Cunha Rego

AS COISAS SÃO O QUE SÃO


«São multidões de solitários. Fogem de qualquer luta, afrouxam-se em submissões, aceitam não ser donos deles mesmos. Nem sequer sabem que estão sós porque a solidão desliza sobre eles sem deixar vestígios como a água na pena dos cisnes. Todos nós somos convidados para entrar num castelo, diariamente, vá lá saber-se por quem. Pode o castelo estar cheio de esplendores e de multidão ruidosa que não deixará de acabar em sepulcro, mais depressa do que seria de esperar, se não desconfiarmos dessa exaltação de fraquezas e se, quando ficarmos sem fôlego, não soubermos que esse é o momento de nos reencontrarmos, reconquistando a dignidade e a personalidade. O castelo é um inferno onde cada instante é um milagre. Agarrar esses instantes, que formam o tempo, escapar da ladainha dos que mergulharam no ruído, viver como um desafio, ter a honra de não se submeter a quem não merece submissão e de depender do amor de quem merece essa dependência, é o que deveria ser - se pensássemos. Mas só quando se está cansado de nunca estar só é possível vencer a violência da solidão e pensar no que vale a pena. As coisas são o que são.»

Victor Cunha Rego

POSIÇÕES

Não sei a qual dos engraçadinhos se refere Pedro Santana Lopes mas a observação serve a todos. «Uma das mudanças que é necessária em Portugal é a de pôr as pessoas na posição que merecem.» E, estimando-lhe sinceras melhoras, razão ao homem do "Nacional." Um cretino é sempre um cretino tal como um conjunto de cretinos é só e apenas isso, um conjunto de cretinos. Mesmo (ou sobretudo) com chorudos tempos de antena em televisão.

POSIÇÕES

Não sei a qual dos engraçadinhos se refere Pedro Santana Lopes mas a observação serve a todos. «Uma das mudanças que é necessária em Portugal é a de pôr as pessoas na posição que merecem.» E, estimando-lhe sinceras melhoras, razão ao homem do "Nacional." Um cretino é sempre um cretino tal como um conjunto de cretinos é só e apenas isso, um conjunto de cretinos. Mesmo (ou sobretudo) com chorudos tempos de antena em televisão.

LIDO

Num comentário: «o que o País precisa é de mais Cavaco e menos socialismo.» E numa entrevista a Rui Machete: «Um Presidente que se preocupa com os problemas do país não está a interferir no programa do governo, está a cumprir as suas funções.»

LIDO

Num comentário: «o que o País precisa é de mais Cavaco e menos socialismo.» E numa entrevista a Rui Machete: «Um Presidente que se preocupa com os problemas do país não está a interferir no programa do governo, está a cumprir as suas funções.»

LITERATURA, MARTELADAS E ESTADOS DE SER


O Paulo Querido fez um comentário oportuno a este post. Sobretudo porque, ao contrário do que é costume em comentários, o Paulo defende a noção de "conversa" como participação numa conversa mais vasta que são as possibilidades de conhecimento. Vê-se que o Paulo leu o Thomas Kuhn. Todavia, mantenho que deve distinguir-se entretenimento de literatura o que não quer dizer que não possa haver muito do primeiro na segunda. O que sustento é que uma literatura que não passe de entretenimento não é literatura. Porquê? Recorro a uma das mais (para mim) emblemáticas "definições" de literatura que conheço, a de Vladimir Nabokov no posfácio a Lolita. «Quanto a mim, uma obra de ficção só existe se me consegue proporcionar aquilo a que chamo sem rodeios o gozo estético, isto é, uma sensação de estar, de certo modo e algures, ligado a outros estados de ser em que a arte (curiosidade, ternura, generosidade, êxtase) é a norma. Não há muitos livros desses. Tudo o mais é um acervo de lugares-comuns ou aquilo a que alguns chamam "literatura de ideias", a qual não passa muitas vezes de um acervo de lugares-comuns em enormes blocos de gesso, cuidadosamente transmitidos de século para século, até que aparece alguém com um martelo e dá uma boa martelada a Balzac, a Gorki ou a Mann.» Gozo estético e ligação por cima de coisas como presente, passado e futuro a "outros estados de ser" é que permitem falar, por exemplo, em literatura e em sabedoria, um termo recorrente no crítico Harold Bloom para os "autores fortes". Nada disto acontece com aquilo a que apelido de subliteratura que, se lida em demasia, causa obstipações irritantes e danos permanentes. Por mais que eu "leia" (não leio) Rodrigues dos Santos, Sparks, Nora Roberts, Rebelo Pinto ou uma senhora com um nome italiano que é muito "lançada" por cá, etc., etc., não só não me entretenho - para isso busco "policiais" - como nenhum daqueles objectos me permite encontrar com outros estados de ser que usam a mesma linguagem que eu uso mas que, ao contrário do que eu digo ou escrevo, provocam um gozo estético a que, à falta de melhor, chamamos literatura. Os "temas" destes objectos citados constituem uma pífia "literatura de ideias" e um amontoado de lugares-comuns que não resistem nesse confronto com outros estados de ser porque não pressupõem quaisquer estados de ser especiais para serem lidos. Limitam-se a borboletear com as palavras e com aqueles que as compram em blocos de gesso. Nem para a colecção de lepidópteros de Nabokov serviriam. Uma boa martelada nesses blocos de gesso e não se perde, de facto, nada.

LITERATURA, MARTELADAS E ESTADOS DE SER


O Paulo Querido fez um comentário oportuno a este post. Sobretudo porque, ao contrário do que é costume em comentários, o Paulo defende a noção de "conversa" como participação numa conversa mais vasta que são as possibilidades de conhecimento. Vê-se que o Paulo leu o Thomas Kuhn. Todavia, mantenho que deve distinguir-se entretenimento de literatura o que não quer dizer que não possa haver muito do primeiro na segunda. O que sustento é que uma literatura que não passe de entretenimento não é literatura. Porquê? Recorro a uma das mais (para mim) emblemáticas "definições" de literatura que conheço, a de Vladimir Nabokov no posfácio a Lolita. «Quanto a mim, uma obra de ficção só existe se me consegue proporcionar aquilo a que chamo sem rodeios o gozo estético, isto é, uma sensação de estar, de certo modo e algures, ligado a outros estados de ser em que a arte (curiosidade, ternura, generosidade, êxtase) é a norma. Não há muitos livros desses. Tudo o mais é um acervo de lugares-comuns ou aquilo a que alguns chamam "literatura de ideias", a qual não passa muitas vezes de um acervo de lugares-comuns em enormes blocos de gesso, cuidadosamente transmitidos de século para século, até que aparece alguém com um martelo e dá uma boa martelada a Balzac, a Gorki ou a Mann.» Gozo estético e ligação por cima de coisas como presente, passado e futuro a "outros estados de ser" é que permitem falar, por exemplo, em literatura e em sabedoria, um termo recorrente no crítico Harold Bloom para os "autores fortes". Nada disto acontece com aquilo a que apelido de subliteratura que, se lida em demasia, causa obstipações irritantes e danos permanentes. Por mais que eu "leia" (não leio) Rodrigues dos Santos, Sparks, Nora Roberts, Rebelo Pinto ou uma senhora com um nome italiano que é muito "lançada" por cá, etc., etc., não só não me entretenho - para isso busco "policiais" - como nenhum daqueles objectos me permite encontrar com outros estados de ser que usam a mesma linguagem que eu uso mas que, ao contrário do que eu digo ou escrevo, provocam um gozo estético a que, à falta de melhor, chamamos literatura. Os "temas" destes objectos citados constituem uma pífia "literatura de ideias" e um amontoado de lugares-comuns que não resistem nesse confronto com outros estados de ser porque não pressupõem quaisquer estados de ser especiais para serem lidos. Limitam-se a borboletear com as palavras e com aqueles que as compram em blocos de gesso. Nem para a colecção de lepidópteros de Nabokov serviriam. Uma boa martelada nesses blocos de gesso e não se perde, de facto, nada.

26.12.09

SCRUTON

Também «para mim, há uma parte do Natal que é silêncio e leitura.» Roger Scruton, um "conservador", merece que a editora do autor do post (e de Scruton em português) o traduza. «And by thinking with wine you can learn not merely to drink in thoughts, but to think in draughts.»

SCRUTON

Também «para mim, há uma parte do Natal que é silêncio e leitura.» Roger Scruton, um "conservador", merece que a editora do autor do post (e de Scruton em português) o traduza. «And by thinking with wine you can learn not merely to drink in thoughts, but to think in draughts.»

GRANDES VOZES



Franz Lehar, Die Lustige Witwe. Beverly Sills, 1977.

Adenda: Breve "homenagem" às "viúvas alegres" da blogosfera (so)cretina que tantos "consolos" obtiveram em 2009 - «Temo que a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo provoque uma sensação de orfandade aos meus leitores da esquerda moderna. Agora que o Rubem e o Martim podem juntar os trapinhos, haverá nesse roupeiro cheio de Versaces, Cavallis e Gallianos alguma coisa por que ainda valha a pena lutar? Será a blogosfera de Sócrates forçada a deter-se em temas áridos, como o desemprego, a corrupção ou o défice?» (Vida Breve)

GRANDES VOZES



Franz Lehar, Die Lustige Witwe. Beverly Sills, 1977.

Adenda: Breve "homenagem" às "viúvas alegres" da blogosfera (so)cretina que tantos "consolos" obtiveram em 2009 - «Temo que a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo provoque uma sensação de orfandade aos meus leitores da esquerda moderna. Agora que o Rubem e o Martim podem juntar os trapinhos, haverá nesse roupeiro cheio de Versaces, Cavallis e Gallianos alguma coisa por que ainda valha a pena lutar? Será a blogosfera de Sócrates forçada a deter-se em temas áridos, como o desemprego, a corrupção ou o défice?» (Vida Breve)

COMO SE LEVANTA UM ESTADO


«Que fazer, como sucede hoje a Cavaco, quando não há maioria absoluta na Assembleia e o primeiro-ministro persiste numa direcção que ele considera desastrosa? Para dissolver, Cavaco precisava de duas certezas. Primeira, que os portugueses não lhe devolvessem um Parlamento igual a este. Segunda, que os portugueses não o desautorizassem, reforçando Sócrates. Ora, no presente estado do PSD, nada lhe garante nem uma coisa, nem outra. E, como percebe a evidência (que, de resto, toda a gente percebe), Cavaco não vai dissolver. Ao contrário do que por aí anda a declarar, o que lhe convém hoje é "alimentar a polémica com Sócrates". Diariamente, continuamente, sem ambiguidade ou fraqueza. Na ausência de uma oposição, tem ele de substituir a oposição. Portugal inteiro espera isso dele. E, depois, quando Sócrates cair, como cairá, na execração geral e ele, Cavaco, reeleito, reentrar em Belém, se tratará de pôr a casa em ordem.»

Vasco Pulido Valente, Público

COMO SE LEVANTA UM ESTADO


«Que fazer, como sucede hoje a Cavaco, quando não há maioria absoluta na Assembleia e o primeiro-ministro persiste numa direcção que ele considera desastrosa? Para dissolver, Cavaco precisava de duas certezas. Primeira, que os portugueses não lhe devolvessem um Parlamento igual a este. Segunda, que os portugueses não o desautorizassem, reforçando Sócrates. Ora, no presente estado do PSD, nada lhe garante nem uma coisa, nem outra. E, como percebe a evidência (que, de resto, toda a gente percebe), Cavaco não vai dissolver. Ao contrário do que por aí anda a declarar, o que lhe convém hoje é "alimentar a polémica com Sócrates". Diariamente, continuamente, sem ambiguidade ou fraqueza. Na ausência de uma oposição, tem ele de substituir a oposição. Portugal inteiro espera isso dele. E, depois, quando Sócrates cair, como cairá, na execração geral e ele, Cavaco, reeleito, reentrar em Belém, se tratará de pôr a casa em ordem.»

Vasco Pulido Valente, Público

ENTRETENIMENTO E LITERATURA


José Rodrigues dos Santos, apresentador da oficiosa RTP e "escritor" português contemporâneo, ganhou um "prémio literário" no Porto. O referido "escritor" vendeu para cima de não sei quantos milhares - julgo que já se pode falar em milhões - de exemplares da sua "obra". Estes quilos de livros fazem literatura? Não fazem. Ou então há que rever o conceito. Todavia, atribuir "prémios literários" a coisas que são irreconhecíveis como literatura é um atrevimento recorrente entre nós. Porque "obras" como os calhamaços de Rodrigues dos Santos são mero entretenimento. Tudo o que a literatura tipicamente não é.

ENTRETENIMENTO E LITERATURA


José Rodrigues dos Santos, apresentador da oficiosa RTP e "escritor" português contemporâneo, ganhou um "prémio literário" no Porto. O referido "escritor" vendeu para cima de não sei quantos milhares - julgo que já se pode falar em milhões - de exemplares da sua "obra". Estes quilos de livros fazem literatura? Não fazem. Ou então há que rever o conceito. Todavia, atribuir "prémios literários" a coisas que são irreconhecíveis como literatura é um atrevimento recorrente entre nós. Porque "obras" como os calhamaços de Rodrigues dos Santos são mero entretenimento. Tudo o que a literatura tipicamente não é.

25.12.09

NEM


No dia de Natal.

NEM


No dia de Natal.

CARREIRAS

Por falar em falácias, convém atentar nesta, nesta "honra nacional" cujos princípios se reduzem a ele próprio. Faz uma dupla inimitável com o de cá. Porreiro, pá.

CARREIRAS

Por falar em falácias, convém atentar nesta, nesta "honra nacional" cujos princípios se reduzem a ele próprio. Faz uma dupla inimitável com o de cá. Porreiro, pá.

A FALÁCIA

O Le Monde - até o Le Monde - decidiu homenagear a falácia. Escolheu o "apedeuta" Lula da Silva o seu "homem do ano". Lula caiu nas boas graças mundiais em virtude de uma série de "reconversões" retóricas. Preside a um país "emergente" que interessa justamente a as essas boas graças. Nada mais. De resto, Lula apenas continua a ser mais sofisticadamente o mesmo arrivista popularucho que sempre foi. Os "mensalões" que varrem periodicamente o seu partido não impressionam os novos iluministas europeus. Só lhes interessa, a estes e a Lula, a cor do dinheiro. Deixam os princípios para os tolos das esquerdas que persistem em ter "heróis" com esta falácia ambulante.

A FALÁCIA

O Le Monde - até o Le Monde - decidiu homenagear a falácia. Escolheu o "apedeuta" Lula da Silva o seu "homem do ano". Lula caiu nas boas graças mundiais em virtude de uma série de "reconversões" retóricas. Preside a um país "emergente" que interessa justamente a as essas boas graças. Nada mais. De resto, Lula apenas continua a ser mais sofisticadamente o mesmo arrivista popularucho que sempre foi. Os "mensalões" que varrem periodicamente o seu partido não impressionam os novos iluministas europeus. Só lhes interessa, a estes e a Lula, a cor do dinheiro. Deixam os princípios para os tolos das esquerdas que persistem em ter "heróis" com esta falácia ambulante.

ENTRE PRADA E BATA

No país das maravilhas e dos carros eléctricos, há regiões que estão há 48 horas sem luz. É como vestir Prada e calçar Bata. Quando se raspa, Bata devora sempre Prada.

ENTRE PRADA E BATA

No país das maravilhas e dos carros eléctricos, há regiões que estão há 48 horas sem luz. É como vestir Prada e calçar Bata. Quando se raspa, Bata devora sempre Prada.

ACENDER FOGUEIRAS NA NOITE DO MUNDO


«A luz do primeiro Natal foi como um fogo aceso na noite. À volta tudo estava escuro, enquanto na gruta resplandecia a luz verdadeira «que ilumina todo o homem» (Jo 1, 9). E no entanto tudo acontece na simplicidade e ocultamente, segundo o estilo com que Deus actua em toda a história da salvação. Deus gosta de acender luzes circunscritas, para iluminarem depois ao longe e ao largo. A Verdade e também o Amor, que são o seu conteúdo, acendem-se onde a luz é acolhida, difundindo-se depois em círculos concêntricos, quase por contacto, nos corações e mentes de quantos, abrindo-se livremente ao seu esplendor, se tornam por sua vez fontes de luz. É a história da Igreja que inicia o seu caminho na pobre gruta de Belém e, através dos séculos, se torna Povo e fonte de luz para a humanidade. Também hoje, por meio daqueles que vão ao encontro do Menino, Deus ainda acende fogueiras na noite do mundo para convidar os homens a reconhecerem em Jesus o «sinal» da sua presença salvífica e libertadora e estender o «nós» dos crentes em Cristo à humanidade inteira.»

Papa Bento XVI, Mensagem Urbi et Orbi, 25 de Dezembro de 2009


ACENDER FOGUEIRAS NA NOITE DO MUNDO


«A luz do primeiro Natal foi como um fogo aceso na noite. À volta tudo estava escuro, enquanto na gruta resplandecia a luz verdadeira «que ilumina todo o homem» (Jo 1, 9). E no entanto tudo acontece na simplicidade e ocultamente, segundo o estilo com que Deus actua em toda a história da salvação. Deus gosta de acender luzes circunscritas, para iluminarem depois ao longe e ao largo. A Verdade e também o Amor, que são o seu conteúdo, acendem-se onde a luz é acolhida, difundindo-se depois em círculos concêntricos, quase por contacto, nos corações e mentes de quantos, abrindo-se livremente ao seu esplendor, se tornam por sua vez fontes de luz. É a história da Igreja que inicia o seu caminho na pobre gruta de Belém e, através dos séculos, se torna Povo e fonte de luz para a humanidade. Também hoje, por meio daqueles que vão ao encontro do Menino, Deus ainda acende fogueiras na noite do mundo para convidar os homens a reconhecerem em Jesus o «sinal» da sua presença salvífica e libertadora e estender o «nós» dos crentes em Cristo à humanidade inteira.»

Papa Bento XVI, Mensagem Urbi et Orbi, 25 de Dezembro de 2009


24.12.09

OS CÃES E A CARAVANA

Parece que esta noite, na SICN, o alcaide de Lisboa vai fazer de híbrido de Ricardo Rodrigues e de Sousa Pinto, os dois "reis magos" de Sócrates no parlamento. Ao sugerir que Cavaco deve "recuperar" o seu poder moderador, Costa está a participar da manhosa narrativa anti-PR que consiste no programa do PS (e do governo) para os tempos mais próximos. Apenas Paulo Rangel, aos microfones de uma rádio, denunciou esta evidência em termos clarificadores. Todavia, julgo que Cavaco - para seu bem e honra já que não deve confundir-se com estas aberrações políticas - deve fazer como recomenda o provérbio árabe. Os cães ladram e a caravana passa.

OS CÃES E A CARAVANA

Parece que esta noite, na SICN, o alcaide de Lisboa vai fazer de híbrido de Ricardo Rodrigues e de Sousa Pinto, os dois "reis magos" de Sócrates no parlamento. Ao sugerir que Cavaco deve "recuperar" o seu poder moderador, Costa está a participar da manhosa narrativa anti-PR que consiste no programa do PS (e do governo) para os tempos mais próximos. Apenas Paulo Rangel, aos microfones de uma rádio, denunciou esta evidência em termos clarificadores. Todavia, julgo que Cavaco - para seu bem e honra já que não deve confundir-se com estas aberrações políticas - deve fazer como recomenda o provérbio árabe. Os cães ladram e a caravana passa.

RASGAR A FINITUDE


Chegamos ao Natal e ao fim do ano com o país a saque. A saque dos "duros" do PS - como o Expresso designa os prebostes de Sócrates que se "distinguem", tão valorosos quanto capachos persas, pela virulência contra o Chefe de Estado e na defesa do extremoso líder -, a saque da nomenclatura angolana cuja testa de ferro é a "empresária" filha de dos Santos com a benção, segundo o mesmo jornal, do banco público, a CGD, a saque do acordo ortográfico que vai aplicar-se já ao Diário da República (aqui nunca se aplicará), a saque das televisões que macaqueiam o espectador, a saque da indigência "cultural" cúmplice do regime e das suas prebendas, a saque, em suma, de tudo o que confina o que já devia ser uma sociedade liberal sem aspas há muito tempo mas que persiste estupidamente autoritária e refém de donos precários que só a diminuem. Para o autor deste blogue, o Natal é acolher o Filho do Homem nos nossos corações e deitar para o caixote do lixo pessoal e colectivo a "ideia" de um pai natal cheio de prendas e de ilusões montado no bezerro de ouro. Jesus é, a partir do seu Advento, Aquele que nunca nos abandona. Neste sentido, é impossível "passar" o natal sozinho ou pretender que o natal se reduza a uma mesa farta de gente, de couves e de bacalhau. Como escreve Ratzinger na ilustração deste post, Deus fez-se a si mesmo finito para rasgar a nossa finitude e a Fé encontrará de novo o homem. É só isto que interessa. Um Santo Natal.

Postal: Povo

RASGAR A FINITUDE


Chegamos ao Natal e ao fim do ano com o país a saque. A saque dos "duros" do PS - como o Expresso designa os prebostes de Sócrates que se "distinguem", tão valorosos quanto capachos persas, pela virulência contra o Chefe de Estado e na defesa do extremoso líder -, a saque da nomenclatura angolana cuja testa de ferro é a "empresária" filha de dos Santos com a benção, segundo o mesmo jornal, do banco público, a CGD, a saque do acordo ortográfico que vai aplicar-se já ao Diário da República (aqui nunca se aplicará), a saque das televisões que macaqueiam o espectador, a saque da indigência "cultural" cúmplice do regime e das suas prebendas, a saque, em suma, de tudo o que confina o que já devia ser uma sociedade liberal sem aspas há muito tempo mas que persiste estupidamente autoritária e refém de donos precários que só a diminuem. Para o autor deste blogue, o Natal é acolher o Filho do Homem nos nossos corações e deitar para o caixote do lixo pessoal e colectivo a "ideia" de um pai natal cheio de prendas e de ilusões montado no bezerro de ouro. Jesus é, a partir do seu Advento, Aquele que nunca nos abandona. Neste sentido, é impossível "passar" o natal sozinho ou pretender que o natal se reduza a uma mesa farta de gente, de couves e de bacalhau. Como escreve Ratzinger na ilustração deste post, Deus fez-se a si mesmo finito para rasgar a nossa finitude e a Fé encontrará de novo o homem. É só isto que interessa. Um Santo Natal.

Postal: Povo

23.12.09

KIMISMOS DE NATAL


Ao observar, na tv, a hipocrisia institucional natalícia no Palácio de Belém, lembrei-me das palavras do 1º ministro no parlamento em "momento democrata". «Ninguém está acima de críticas em democracia», disse ele sem se rir. É que ele, aparentemente, está. Tudo o que lhe diga respeito e que não seja bajulação à la Pitta (cito esta porque parece mais sofisticada do que a da ténia Delgado), é "campanha negra", "maledicências", "ataques pessoais" e de "carácter". Nunca é crítica.

KIMISMOS DE NATAL


Ao observar, na tv, a hipocrisia institucional natalícia no Palácio de Belém, lembrei-me das palavras do 1º ministro no parlamento em "momento democrata". «Ninguém está acima de críticas em democracia», disse ele sem se rir. É que ele, aparentemente, está. Tudo o que lhe diga respeito e que não seja bajulação à la Pitta (cito esta porque parece mais sofisticada do que a da ténia Delgado), é "campanha negra", "maledicências", "ataques pessoais" e de "carácter". Nunca é crítica.

A BEM DA ERUDIÇÃO DAS GENTES



Antonio Vivaldi - Gloria (excertos). The English Baroque Soloists and Monteverdi Choir. John Eliot Gardiner

A BEM DA ERUDIÇÃO DAS GENTES



Antonio Vivaldi - Gloria (excertos). The English Baroque Soloists and Monteverdi Choir. John Eliot Gardiner

ENFIM

Os senhores conselheiros Noronha e Monteiro são tão ciosos do seu "segredo" que, não tarda, aparece tudo escarrapachado nos jornais. Enfim.

ENFIM

Os senhores conselheiros Noronha e Monteiro são tão ciosos do seu "segredo" que, não tarda, aparece tudo escarrapachado nos jornais. Enfim.

A NATUREZA DAS COISAS

A natureza reagiu imediatamente aos "acordos" de Copenhaga. Um pouco por todo o mundo, gela-se, afoga-se ou arde-se consoante a latitude. Não vale a pena remar contra ela, a natureza das coisas. Por cá, não basta a desgraça como, a seguir a ela, surgem as aventesmas oficiais a proferir trivialidades burocráticas como se estivessem a despacho. Pobretanas de espírito.

A NATUREZA DAS COISAS

A natureza reagiu imediatamente aos "acordos" de Copenhaga. Um pouco por todo o mundo, gela-se, afoga-se ou arde-se consoante a latitude. Não vale a pena remar contra ela, a natureza das coisas. Por cá, não basta a desgraça como, a seguir a ela, surgem as aventesmas oficiais a proferir trivialidades burocráticas como se estivessem a despacho. Pobretanas de espírito.

EXISTIR SOZINHO OU A HIPOCRISIA DO "NATAL"


«Oa laços entre nós e outra pessoa existem apenas na nossa mente. A memória, à medida que se vai tornando mais ténue, solta-os e, não obstante a ilusão pela qual queremos ser ludibriados e com a qual, por amor, amizade, delicadeza, deferência e dever ludibriamos os outros, nós existimos sozinhos. O homem é a criatura que não consegue escapar de si própria, que conhece as outras pessoas apenas em si mesmo e que mente quando afirma o contrário.»


Marcel Proust

EXISTIR SOZINHO OU A HIPOCRISIA DO "NATAL"


«Oa laços entre nós e outra pessoa existem apenas na nossa mente. A memória, à medida que se vai tornando mais ténue, solta-os e, não obstante a ilusão pela qual queremos ser ludibriados e com a qual, por amor, amizade, delicadeza, deferência e dever ludibriamos os outros, nós existimos sozinhos. O homem é a criatura que não consegue escapar de si própria, que conhece as outras pessoas apenas em si mesmo e que mente quando afirma o contrário.»


Marcel Proust

OS AJUDANTES


A dra. Ferreira Leite foi, nestas curtas semanas de nova legislatura, a única líder da oposição a confrontar Sócrates com o essencial e não com rendilhados populistas de efeito fácil. Viu-se no derradeiro debate quinzenal do ano. Enquanto a senhora faz o que tem de fazer, o seu partido parece-se cada vez mais com um aglomerado acéfalo de ajudantes de Sócrates, entretidos com jogos florais internos a que o país é, tipicamente, alheio. Dá ideia que é calvário para durar para aí uns três ou quatro meses, com velhos e novos "barões" em bicos dos pés para ver quem grita mais alto por que é que não se deve confiar neles.

Foto: Ephemera

Adenda: Os que recusam a ideia de um congresso nos termos propostos por Pedro Santana Lopes são, no fundo, os que não se importam de servir o partido numa bandeja a essa metonímia "socrática" que é Passos Coelho.

OS AJUDANTES


A dra. Ferreira Leite foi, nestas curtas semanas de nova legislatura, a única líder da oposição a confrontar Sócrates com o essencial e não com rendilhados populistas de efeito fácil. Viu-se no derradeiro debate quinzenal do ano. Enquanto a senhora faz o que tem de fazer, o seu partido parece-se cada vez mais com um aglomerado acéfalo de ajudantes de Sócrates, entretidos com jogos florais internos a que o país é, tipicamente, alheio. Dá ideia que é calvário para durar para aí uns três ou quatro meses, com velhos e novos "barões" em bicos dos pés para ver quem grita mais alto por que é que não se deve confiar neles.

Foto: Ephemera

Adenda: Os que recusam a ideia de um congresso nos termos propostos por Pedro Santana Lopes são, no fundo, os que não se importam de servir o partido numa bandeja a essa metonímia "socrática" que é Passos Coelho.

O PACIFICADOR?


«As críticas a Cavaco Silva por José Sócrates e companhia não deixam muito espaço a Manuel Alegre para o efeito.» É, de facto, a lógica das coisas. Todavia, os primeiros-ministros que "provocaram" PR's não acabaram bem. Não foram os PR's que saíram prejudicados. Balsemão, Soares, Cavaco ou Santana Lopes removeram-se ou foram removidos. Eanes, Soares e Sampaio pouco ou nada tremeram. Na cabeça de Sócrates porventura paira a ideia, sufragada pela pequena história do regime, de que a melhor maneira de remover um obstáculo é ocupar o seu lugar. O resto que se lixe. Ainda ninguém teve a amabilidade de explicar isto a Alegre entre dois jantares de amigos?

O PACIFICADOR?


«As críticas a Cavaco Silva por José Sócrates e companhia não deixam muito espaço a Manuel Alegre para o efeito.» É, de facto, a lógica das coisas. Todavia, os primeiros-ministros que "provocaram" PR's não acabaram bem. Não foram os PR's que saíram prejudicados. Balsemão, Soares, Cavaco ou Santana Lopes removeram-se ou foram removidos. Eanes, Soares e Sampaio pouco ou nada tremeram. Na cabeça de Sócrates porventura paira a ideia, sufragada pela pequena história do regime, de que a melhor maneira de remover um obstáculo é ocupar o seu lugar. O resto que se lixe. Ainda ninguém teve a amabilidade de explicar isto a Alegre entre dois jantares de amigos?

O PACIFICADOR

Enquanto Manuel Alegre vai percorrendo a amada pátria em jantarinhos de apoiantes – um milhão, parece – José Sócrates continua no mais incompreensível desvario. Poderia eu passar umas horas à procura de uma forma de descrever o que se passa mas, manifestamente, penso que o esforço seria em vão. Aquilo que José Sócrates anda a fazer, numa democracia que se respeitasse, já teria sido motivo para moção de censura no Parlamento ou demissão do Presidente da República. Nem de um lado nem de outro vem o menor sinal de vontade e um atrevido Sócrates continua a andar nos intervalos da chuva. Esticando a corda tanto quanto pode, vai abusando da falta de coragem e, atrevo-me, lucidez que transborda dos titulares dos principais órgãos de soberania.
A questão é muito simples. Nesta guerra criada por José Sócrates há duas possibilidades: ou ganha o Presidente da República, que já tem um rol imenso de motivos para demitir o Primeiro-Ministro, e o país pode respirar um pouco de estabilidade com a nomeação de um outro Primeiro-Ministro socialista com apoio da bancada parlamentar; ou ganha José Sócrates e um Cavaco Silva enfraquecido chega às eleições presidenciais dando, isto se se recandidatar, um fácil lugar a um Alegre bem apoiado por todas as «esquerdas». Alegre apresentar-se-á como um pacificador, por oposição ao litigioso Cavaco. E sabemos que em política o que parece vale bem mais do que aquilo que é.

O PACIFICADOR

Enquanto Manuel Alegre vai percorrendo a amada pátria em jantarinhos de apoiantes – um milhão, parece – José Sócrates continua no mais incompreensível desvario. Poderia eu passar umas horas à procura de uma forma de descrever o que se passa mas, manifestamente, penso que o esforço seria em vão. Aquilo que José Sócrates anda a fazer, numa democracia que se respeitasse, já teria sido motivo para moção de censura no Parlamento ou demissão do Presidente da República. Nem de um lado nem de outro vem o menor sinal de vontade e um atrevido Sócrates continua a andar nos intervalos da chuva. Esticando a corda tanto quanto pode, vai abusando da falta de coragem e, atrevo-me, lucidez que transborda dos titulares dos principais órgãos de soberania.
A questão é muito simples. Nesta guerra criada por José Sócrates há duas possibilidades: ou ganha o Presidente da República, que já tem um rol imenso de motivos para demitir o Primeiro-Ministro, e o país pode respirar um pouco de estabilidade com a nomeação de um outro Primeiro-Ministro socialista com apoio da bancada parlamentar; ou ganha José Sócrates e um Cavaco Silva enfraquecido chega às eleições presidenciais dando, isto se se recandidatar, um fácil lugar a um Alegre bem apoiado por todas as «esquerdas». Alegre apresentar-se-á como um pacificador, por oposição ao litigioso Cavaco. E sabemos que em política o que parece vale bem mais do que aquilo que é.

E SE TU

E SE TU

O NINHO



Uma amiga diz-me de forma constante que a blogosfera a desilude cada vez mais. Curiosamente essa foi a amiga que me trouxe para a blogosfera, foi quem me empurrou. Maldita, eu sei, mas depois logo acerto contas com ela.
A verdade é que eu não posso dizer que a blogosfera me desilude, ou que está pior em relação a não sei quando. Cheguei tarde e a más horas e, tirando uma ou outra excepção, não me esforcei propriamente por vasculhar arquivos de blogues falecidos. Simplesmente posso olhar para o que tenho agora. E o que vejo agora nesta blogosfera que vou conhecendo é um mero ninho de cobras em que todos parecem querer comer-se uns aos outros, como se com isso ganhassem algo – pessoal ou materialmente. Como se isto valesse alguma coisa. Não ganham e não vale.
Uma banal disputa ideológica é motivo para a ofensa gratuita (e não, não estou a falar do que aconteceu um dia destes, apenas estou a escrever algo sobre o que vou pensando há algum tempo). E a vacina vai-se tornando tão forte e a lucidez tão fraca que, por oposição, um mero gracejo, um piscar de olho que não se vê, uma boca que tem mais de simpatia que de ataque é considerada, também, ofensa e respondida à letra.
E depois são as conversas de bastidores. O «olha que giro, aquele que faz não sei o quê aos blogues». São os objectivos que se pretendem, ingenuamente, obscuros e que são, por não passar tal obscuridade de mera pretensão, ridículos. E são, também, aqueles que julgam que por o seu blogue ter meia dúzia de gatos-pingados que o lêem são alguma coisa mais que mera poeira adiada e risota presente.
Eu não quero dar para esse filme. Entrei nisto porque me queria divertir e mantenho-me nisto porque vai havendo gente que, no meio de tanto traste pseudo-engraçadista, faz com que valha a pena. Desde que aqui ando nunca ofendi ninguém, ou, pelo menos, nunca tive tais intenções. Não sei porquê, fenómeno recente, alguns sentiram necessidade de passar por cima desse pormenor e, sei lá, atirar a primeira pedrada, a ver no que dava. Repito: não quero dar para esse filme.

O NINHO



Uma amiga diz-me de forma constante que a blogosfera a desilude cada vez mais. Curiosamente essa foi a amiga que me trouxe para a blogosfera, foi quem me empurrou. Maldita, eu sei, mas depois logo acerto contas com ela.
A verdade é que eu não posso dizer que a blogosfera me desilude, ou que está pior em relação a não sei quando. Cheguei tarde e a más horas e, tirando uma ou outra excepção, não me esforcei propriamente por vasculhar arquivos de blogues falecidos. Simplesmente posso olhar para o que tenho agora. E o que vejo agora nesta blogosfera que vou conhecendo é um mero ninho de cobras em que todos parecem querer comer-se uns aos outros, como se com isso ganhassem algo – pessoal ou materialmente. Como se isto valesse alguma coisa. Não ganham e não vale.
Uma banal disputa ideológica é motivo para a ofensa gratuita (e não, não estou a falar do que aconteceu um dia destes, apenas estou a escrever algo sobre o que vou pensando há algum tempo). E a vacina vai-se tornando tão forte e a lucidez tão fraca que, por oposição, um mero gracejo, um piscar de olho que não se vê, uma boca que tem mais de simpatia que de ataque é considerada, também, ofensa e respondida à letra.
E depois são as conversas de bastidores. O «olha que giro, aquele que faz não sei o quê aos blogues». São os objectivos que se pretendem, ingenuamente, obscuros e que são, por não passar tal obscuridade de mera pretensão, ridículos. E são, também, aqueles que julgam que por o seu blogue ter meia dúzia de gatos-pingados que o lêem são alguma coisa mais que mera poeira adiada e risota presente.
Eu não quero dar para esse filme. Entrei nisto porque me queria divertir e mantenho-me nisto porque vai havendo gente que, no meio de tanto traste pseudo-engraçadista, faz com que valha a pena. Desde que aqui ando nunca ofendi ninguém, ou, pelo menos, nunca tive tais intenções. Não sei porquê, fenómeno recente, alguns sentiram necessidade de passar por cima desse pormenor e, sei lá, atirar a primeira pedrada, a ver no que dava. Repito: não quero dar para esse filme.

TGVISMO

Aforismo para futuros seminários em faculdades de economia: o endividamento externo combate-se com mais endividamento externo para pagar investimentos públicos de longa duração até ao ponto em que o país já não tiver mais crédito internacional porque, pura e simplesmente, não é credível.

TGVISMO

Aforismo para futuros seminários em faculdades de economia: o endividamento externo combate-se com mais endividamento externo para pagar investimentos públicos de longa duração até ao ponto em que o país já não tiver mais crédito internacional porque, pura e simplesmente, não é credível.

22.12.09

PODER TOTAL


Num regime presidencialista semelhante ao francês, como defendo para cá, Sócrates nunca teria chegado a primeiro-ministro. Duvido, aliás, que qualquer presidente - mesmo socialista - aceitasse apresentar ao "povo", no dia da sua posse, alguém com aquelas características políticas e pessoais. Tinha, além disso, uma vantagem para o dito cujo. Jamais teria de congeminar uma maneira mais ou menos airosa (não conspirativa nem doentia) de deixar de ser primeiro-ministro sem ser em regime absolutista. E de arrastar o país para essa sua obsessão primitiva com o poder total.

PODER TOTAL


Num regime presidencialista semelhante ao francês, como defendo para cá, Sócrates nunca teria chegado a primeiro-ministro. Duvido, aliás, que qualquer presidente - mesmo socialista - aceitasse apresentar ao "povo", no dia da sua posse, alguém com aquelas características políticas e pessoais. Tinha, além disso, uma vantagem para o dito cujo. Jamais teria de congeminar uma maneira mais ou menos airosa (não conspirativa nem doentia) de deixar de ser primeiro-ministro sem ser em regime absolutista. E de arrastar o país para essa sua obsessão primitiva com o poder total.

DEFESA DA HONRA

O DN, em resposta à Sábado – do grupo Cofina –, publica um artigo onde dá conta que, afinal, é o Correio da Manhã – do grupo Cofina – que, tendo as mesmas audiências que o Jornal de Notícias, é o principal fornecedor de publicidade do Estado, sendo «responsável» por 50% dos gastos, um valor francamente desproporcional se atendermos ao facto de ter um número de leitores muito semelhante ao Jornal de Notícias – do grupo do Diário de Notícias.
Isto, obviamente, levanta questões. Não sabemos – e julgo que gostaríamos de saber – por que critérios se regem as decisões dos publicitários do Estado. No entanto, isto não branqueia o resto. O Diário de Notícias e o Público são jornais com audiências, também, muito semelhantes e as «oscilações» no financiamento directo a cada um foram francamente estranhas.
Resumidamente, o DN fez o que lhe competia: foi mais além que uma Sábado condicionada por si própria e pelo grupo a que pertence. Falta o resto. Falta que alguém nos explique o motivo pelo qual o Correio da Manhã é alvo de tanta e tão anormal preferência em relação ao Jornal de Notícias (em relação ao qual, convém dizer, consegue ter algum avanço nas audiências) e, também, o motivo pelo qual o Público sofreu o que sofreu em 2007 e porque é que é preterido em relação ao DN, que, e aqui também convém que se diga, está atrás nas audiências.

DEFESA DA HONRA

O DN, em resposta à Sábado – do grupo Cofina –, publica um artigo onde dá conta que, afinal, é o Correio da Manhã – do grupo Cofina – que, tendo as mesmas audiências que o Jornal de Notícias, é o principal fornecedor de publicidade do Estado, sendo «responsável» por 50% dos gastos, um valor francamente desproporcional se atendermos ao facto de ter um número de leitores muito semelhante ao Jornal de Notícias – do grupo do Diário de Notícias.
Isto, obviamente, levanta questões. Não sabemos – e julgo que gostaríamos de saber – por que critérios se regem as decisões dos publicitários do Estado. No entanto, isto não branqueia o resto. O Diário de Notícias e o Público são jornais com audiências, também, muito semelhantes e as «oscilações» no financiamento directo a cada um foram francamente estranhas.
Resumidamente, o DN fez o que lhe competia: foi mais além que uma Sábado condicionada por si própria e pelo grupo a que pertence. Falta o resto. Falta que alguém nos explique o motivo pelo qual o Correio da Manhã é alvo de tanta e tão anormal preferência em relação ao Jornal de Notícias (em relação ao qual, convém dizer, consegue ter algum avanço nas audiências) e, também, o motivo pelo qual o Público sofreu o que sofreu em 2007 e porque é que é preterido em relação ao DN, que, e aqui também convém que se diga, está atrás nas audiências.

POR QUE SERÁ?

«Pq instiga Sócrates a escalada de discurso do PS em relação ao PR? Que movimento do PR antecipa? Veremos. Por enqto a lógica escapa-me.» (Paulo Pedroso no Twitter).

POR QUE SERÁ?

«Pq instiga Sócrates a escalada de discurso do PS em relação ao PR? Que movimento do PR antecipa? Veremos. Por enqto a lógica escapa-me.» (Paulo Pedroso no Twitter).

VOZES DO DONO


O admirável líder, no jantar natalício dos seus deputados, fez questão de destacar dois deles, o pequerrucho Sousa Pinto ("cultíssimo", segundo fontes geralmente bem informadas) e o embotado Ricardo Rodrigues, ambos vice-presidentes de um céptico Assis. Não foi por acaso. É da boquinha deles que tem partido tudo o que o admirável líder gostaria de dizer de Cavaco mas que, por enquanto, não diz. No caso deles até se pode afirmar que possuem todas as qualidades dos cães incluindo a lealdade.

VOZES DO DONO


O admirável líder, no jantar natalício dos seus deputados, fez questão de destacar dois deles, o pequerrucho Sousa Pinto ("cultíssimo", segundo fontes geralmente bem informadas) e o embotado Ricardo Rodrigues, ambos vice-presidentes de um céptico Assis. Não foi por acaso. É da boquinha deles que tem partido tudo o que o admirável líder gostaria de dizer de Cavaco mas que, por enquanto, não diz. No caso deles até se pode afirmar que possuem todas as qualidades dos cães incluindo a lealdade.

21.12.09

BASICAMENTE TUDO SE RESUME A ISTO

«If we cannot find a way to interpret the utterances and other behaviour of a creature as revealing a set of beliefs largely consistent and true by our standards, we have no reason to count that creature as rational, as having beliefs, or as saying anything.»

Donald Davidson, Radical Interpretation (1973)

BASICAMENTE TUDO SE RESUME A ISTO

«If we cannot find a way to interpret the utterances and other behaviour of a creature as revealing a set of beliefs largely consistent and true by our standards, we have no reason to count that creature as rational, as having beliefs, or as saying anything.»

Donald Davidson, Radical Interpretation (1973)

UM CHEFE

Contra o que tem sido costume, não concordei com quase nada do que Santana Lopes disse na SICN. Era desnecessário o frete a Sócrates na pseudo-disputa com Cavaco que Lopes devia saber de onde parte e por que é que parte. Era desnecessário o "apoio" ao TGV com argumentário pedestre. Era desnecessário um "programa" a quem ninguém liga como nunca ninguém liga mesmo em campanhas eleitorais. No fundo, a Santana bastava ter dito o seguinte. Deve haver um congresso, como o da Figueira da Foz em 1985, onde chegue alguém ao púlpito, peça silêncio e que não o interrompam com palmas antes de ele dizer o que tem a dizer. Um chefe, em suma.

UM CHEFE

Contra o que tem sido costume, não concordei com quase nada do que Santana Lopes disse na SICN. Era desnecessário o frete a Sócrates na pseudo-disputa com Cavaco que Lopes devia saber de onde parte e por que é que parte. Era desnecessário o "apoio" ao TGV com argumentário pedestre. Era desnecessário um "programa" a quem ninguém liga como nunca ninguém liga mesmo em campanhas eleitorais. No fundo, a Santana bastava ter dito o seguinte. Deve haver um congresso, como o da Figueira da Foz em 1985, onde chegue alguém ao púlpito, peça silêncio e que não o interrompam com palmas antes de ele dizer o que tem a dizer. Um chefe, em suma.

JOCOSO E SARCÁSTICO


Mais uma pequena e simbólica vitória da liberdade de expressão sobre o pretenso delito de opinião, de vez em quando inventado pela língua de pau em vigor para sobreviver no seu inner circle. «Palavras jocosas e sarcásticas não têm potencialidade para difamar.»

JOCOSO E SARCÁSTICO


Mais uma pequena e simbólica vitória da liberdade de expressão sobre o pretenso delito de opinião, de vez em quando inventado pela língua de pau em vigor para sobreviver no seu inner circle. «Palavras jocosas e sarcásticas não têm potencialidade para difamar.»

REVERSIBILIDADES


O país está a passar por um grave momento de "identidade sexual". Ao fim de não sei quantos séculos após o "aqui nasceu Portugal" surgem, graças a tropismos de agenda, dúvidas. A Ordem dos Médicos prepara-se para decretar que a homossexualidade é uma doença não letal porque, parece que é assim, se trata de um "comportamento reversível". No parlamento, o chefe do partido menos minoritário "obriga" os mesmíssimos deputados que vão votar a alteração às regras do contrato de casamento a votar disciplinadamente contra a adopção por casais cujo "comportamento" é "reversível", isto é, que podem a qualquer momento recuperar a "lucidez" e , presumivelmente, adoptar. Tudo isto, porém, é contraditório e, no limite, tosco. Primeiro: numa perspectiva à la Popper, por que é que não se poderá ponderar a "reversibilidade" do "comportamento heterossexual"? Desde quando é que existe uma "norma" dita científica nesta matéria que não seja uma unended quest? João Villaret, tão acarinhado pelo Estado Novo quanto pelo PC a quem dava dinheiro, traçava a coisa a grosso - "de lá para cá já vi passar muitos, agora de cá para lá ainda não vi passar nenhum". Segundo: por que é que só dois deputados oficialmente "fracturantes" têm autorização para votar a alteração às regras da adopção (que teria, sem hesitações, o meu voto favorável) e os outros desgraçados são tratados como atrasados mentais que consentem nesta "reversão" funcional sem pestanejar?