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21.1.12

UM PORTUGAL DOS PEQUENINOS


Dois jornais ditos de referência, o Público e o Expresso, mobilizaram respectivamente seis e quatro jornalistas (no primeiro caso, um deles é a própria directora) para a redacção da notícia relativa à remoção do dr. Mega Ferreira do CCB e à sua substituição por Vasco Graça Moura, um dos mais persistentes e consistentes críticos do detestável "acordo ortográfico". Esta extravagância jornalística só se explica pelo complacente temor reverencial que a Mega figura inspira junto do "meio" comunicacional e cultural português. Tratado praticamente como um venerando soba a quem só se acede por via taumatúrgica, Mega deixa por aí um cortejo de viúvas e viúvos crónicos destas coisas. Um certo Portugal dos pequeninos também é feito disto.

12.1.12

OS MALES DA EXISTÊNCIA

Aqui há uns anos fui a Queluz com um amigo - que entretanto deixou de o ser por decisão sua unilateral - assistir à feitura do primeiro número de uma nova revista. A coisa prolongou-se pela madrugada fora. Chovia à brava e foi muito divertido. Leio entretanto na Lusa que essa revista acabou. Lamento sempre o fecho de órgãos de comunicação social. Mas julgo que tal "mundo" devia reflectir sobre o que lhe está a acontecer. E se não souber reflectir, meta explicador.

8.1.12

A SOCIEDADE ANÓNIMA DE IRRESPONSABILIDADE ILIMITADA


«O anonimato só é aceitável quando visa proteger alguém da repressão sob qualquer forma. Só se justifica, em termos análogos a outros segredos – como o segredo de voto –, quando é condição do exercício, sem constrangimentos, da liberdade de opinião. Não deve servir para praticar ameaças, injúrias, difamações ou outras condutas criminosas. De facto, não se pode proibir a burka na rua e admitir aos anónimos que intervenham ilimitadamente no espaço público da internet. Aliás, os anónimos que reclamam essa liberdade e o acesso irrestrito a todos os segredos mantêm, contraditoriamente, o segredo sobre si próprios, negando às restantes pessoas o acesso às razões mais profundas do seu agir.»

Fernanda Palma, CM

DOS PEDREIROS LIVRES AOS ALARVES-LIVRES

«Só agora é que descobriram que há Maçonaria? É tão interessante Portugal! De repente, põem - se a discutir uma matéria velha como se fosse nova. É sempre assim. Só descobriram as PPPs há pouco tempo. Não conheciam, não faziam ideia. Da Maçonaria, também não. Nem sonhavam... Ao Sábado à noite, no meio do zapping, às vezes deparamo-nos com uns alarves (dois) a rirem do que não sabem, a falarem a sério do que desconhecem e a ofenderem quem os ignora. Hoje falavam do tema do dia com o mesmo ar alarve de sempre. Triste Portugal.»

Pedro Santana Lopes

31.12.11

À ATENÇÃO DE UM RESIDENTE NA SIMPÁTICA VILA DA MARMELEIRA

«Criou-se, com o actual governo, a ideia de que ele teria um "défice de comunicação", explicando mal as políticas, etc. Não acho nada. Estamos é habituados a centrais de propaganda e governos que só pensam em enganar o povo. O actual governo é, nesta matéria, fiel à sua matriz liberal: apresenta as políticas e faz pouca propaganda delas, deixando a sociedade conflituar à sua vontade com ou contra as medidas. Ainda bem que há conflitos, ainda bem que há notícias deles, ainda bem que o governo tem deixado a sociedade dialogar sobre eles. A isto se chama democracia e liberdade. Esperemos que assim continue.»

Eduardo Cintra Torres, CM

19.11.11

NÃO SÃO ROSAS, SENHOR


Esta semana foi fértil em prosas inflamadas, em entrevistas disparatadas e em opiniões mais e menos respeitáveis sobre serviço público de comunicação social, com particular realce para a televisão. Provavelmente consegue-se a partir disso tudo, e pelo respigar de uma frase ou outra retirada de diferentes autores, uma "redacção" equilibrada acerca do tema. Nem uns têm toda a razão do seu lado, nem os outros têm toda a desrazão do seu. A coisa serviu para que o "sistema" (sim, em torno disto existe uma ecologia muito específica quase sempre reservada aos mesmos) reagisse e para que velhos porta-vozes de velhas "teorias" saltassem dos jazigos de família para apanhar um pouco de ar fresco. Ou para que novos porta-vozes de novas "teorias" se exibissem à conta de dois ou três equívocos. Ora as coisas são como são. Como diz o autor do livro ali à direita, convém frequentar a escola da realidade. E quem decide vai a votos e anda nessa escola que, ainda por cima, está longe de ser gratuita. Não são rosas, senhor, mas é a democracia. Com todas as suas imperfeições e jubilações.

18.11.11

A QUALIDADE DA DEMOCRACIA


Numa semana em que tanto se falou de "serviço público" de televisão, tivemos ontem (e, presumo, que continue hoje) fartos exemplos do que ele, na vertente "informação", não deve ser. Por razões insondáveis da acção e da investigação criminais portuguesas, as televisões acompanharam, praticamente ao ritmo da "secret house", o trabalho da PJ, de um juiz de instrução criminal, de um procurador da República e de um delegado da Ordem dos Advogados que andaram a recolher indícios nas casas de um arguido, uma em Lisboa e a outra no Algarve. Não falharam nas horas, nos sítios, nos circuitos. Isto quer dizer que sabiam. E se sabiam, foi porque alguém os informou com pormenor. Fez-me lembrar os noticiários a que assisti diariamente, durante um mês, em dois países contíguos da América Latina, a Guatemala e o Salvador, há para aí uns dez anos. Mas esses países tinham saído de guerras civis, estavam desprovidos de uma sociedade civil minimamente estruturada e tinham instituições frágeis e corruptas. No meio disto tudo, não sei quem esteve pior no referido "momento secret house". Se a "vociferante matilha do espectáculo", se a "justiça". Esta promiscuidade doentia e tropical revela a qualidade de uma democracia. Ou a falta dela.

29.10.11

A ANA, SEMPRE A ANA E CADA VEZ MAIS SÓ A ANA

«Cavafy, o grego, não conheceu Kadhafi, o líbio. Este, chefe de Estado entre 1969 e 2011, foi assassinado a 20 de Outubro último. A sua morte foi registada em directo; a não ser que — à semelhança de No Palácio do Fim de Martin Amis — Senad el Sadýk el Ureybi — o rebelde líbio que disse perante as câmaras não lhe agradar “a ideia de ele ser capturado vivo” e daí ter-lhe dado dois tiros, “um na cabeça, outro no peito” — se tenha enganado no alvo e atingido tão-só um sósia. Não vi o vídeo e para o caso tanto faz. Não vi, como não vi o da criança chinesa atropelada, do enforcamento de Saddam ou da decapitação de Daniel Pearl. Em jovem assisti, por militância cultural, a 120 Dias de Sodoma de Pier Paolo Pasoloni. Enouhg is enough. Leio agora que foram divulgadas mais imagens dos últimos momentos do alucinado, que apenas acrescentam crueldade à crueldade. Entretanto, o Ocidente festejou a queda do ditador — um “líder carismático”, nas palavras de José Sócrates (convidado de honra do 41º aniversário da revolução líbia), que ainda em finais de 2007 acampava no Forte de São Julião da Barra, era recebido com pompa pelo governo português e até dava “aulas” sobre os “Problemas da Sociedade Contemporânea” na reitoria da Universidade Clássica de Lisboa. Não se pense, porém, que a hipocrisia foi exclusivo da “diplomacia económica” de Sócrates/Amado. Aznar,González, Prodi, Berlusconi, Sarkozy, Putin, Barroso, Lula, Chávez, Fidel, Condoleezza Rice, Obama… nenhum faltou ao beija-mão. A alguns narizes, o smell do petróleo cheira melhor que o nº 5 da Chanel. A indiferença com que reagiram à ignomínia do assassínio do homem diz bem do novo paradigma que assinala o caminho do declínio: em vez das públicas virtudes, Estado de Direito e tal, acção directa, no caso, versão kiss, kiss, bang, bang. É o regresso ao Far West, mas sem bons — só feios e maus. Citando Cavafy, o poeta que não conheceu Kadhafi: “E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros? Essa gente, mesmo assim, era uma solução”.»

A BOA TENDÊNCIA DE QUERER DIZER A VERDADE


Segundo julgo saber, o jornal Público vai dispensar a colaboração de Eduardo Cintra Torres, Helena Matos e Luís Campos e Cunha nas suas colunas de opinião. Não deixa de ser irónico. Qualquer deles distinguiu-se por evitar cair na tentação, dolosa ou ingénua, da "redacção única" que predomina, independentemente dos poderes do momento, nas matérias que trataram. Sobretudo nos derradeiros anos. Estou certo que outros media os saberão aproveitar nem que seja para desenjoar da mesmice predominante, alguma dela com acesso a praticamente todos os meios de comunicação social disponíveis e, a outra, apenas analfabeta, cretina ou irrelevante. Este blogue deve uns quantos dos seus posts ao Eduardo Cintra Torres ao reproduzir, com admiração e amizade, textos seus, ou parte deles, a partir do Público. Assim acontece desta vez que, seguramente, não será a última.

«Escrevi sempre com frontalidade, que é característica dos independentes. Não usei a crítica para recados ou subentendidos. Fui a direito. Ser frontal e independente, porém, tem um preço enorme em Portugal. É-se alvo de despedimentos, ataques e de insultos; muitas pessoas não entendem, ou não têm a educação para entender, que a frontalidade é, por natureza, bem educada; a frontalidade não dá "tachos", ao contrário do que tantas vezes li a meu respeito, antes rouba oportunidades e traz dissabores, incluindo processos judiciais e a interrupção de colaborações mediáticas, como me sucedeu há anos. Sempre considerei que o poder político não apreciava o meu trabalho nesta coluna, dado que os independentes, ao contrário dos lambe-botas, dos intolerantes e dos medrosos, são imprevisíveis e têm tendência a querer dizer a verdade, mesmo que sofram as consequências disso.»


Adenda: Ouço na antena1, rádio pública, duas criaturas (uma em Lisboa e a outra no Porto onde existe quase uma outra RTP) congratularem-se e rirem-se alarvemente com o fim da crónica semanal de Cintra Torres no Público. Mais. Um deles estava superiormente satisfeito por ter podido ir a tribunal testemunhar contra Cintra Torres. E o outro sugeria que o papel onde vinha impressa a crónica de CT nem para outros propósitos serviria. Não revelo nenhum segredo (vem nos relatórios e contas que são públicos) que a componente "rádio" da RTP custa presentemente à volta de 40 milhões de euros aos contribuintes. Para, entre outras coisas, exercícios de autocomplacência como estes?

16.10.11

DE ACORDO

Com Estrela Serrano (às vezes acontece e parcialmente). «A presença dos actores políticos, estejam no governo ou na oposição, é assegurada através da cobertura jornalística das suas actividades públicas e em debates e entrevistas, sem necessidade de lhes serem atribuídos espaços próprios remunerados. Ter políticos “avençados” como comentadores não é muito saudável nem para a democracia nem para o jornalismo.» Apenas acrescento - e aí não acompanho E.S. - que no caso das televisões que não são subsidiadas pelos contribuintes, cada um contratualiza com quem e o que lhe aprouver.

Adenda: Por falar em televisões subsidiadas pelos contribuintes, a RTP, na parte "informação", neste fim de semana de folclore e cerveja à porta do parlamento, trouxe à memória a RTP do velho Lumiar de 1975, sobretudo naqueles dias trágico-cómicos de Novembro que terminaram com a substituição de um patético capitão Duran Clemente (que nos anunciava a "revolução" em directo) por um filme de Danny Kaye.

29.9.11

MAIS VALE

Após a entrevista do PR de ontem, as televisões fizeram avançar um autêntico batalhão de comentadores (quando é que renovam o stock?). O narrador de Ravelstein, de Bellow, a páginas tantas afirma que gosta de dizer,«quando me perguntam se li o Finnegan, que o estou a guardar para a casa de repouso. Mais vale entrar na eternidade com Anna Livia Plurabelle do que com os Simpsons a asneirar no ecrã de TV.» Mais vale.

Adenda: Há, evidentemente, boas excepções. Quem tem métier, tem métier.

20.9.11

«SOMOS RAPARIGAS DO CAMPO»


«Cada día convivimos más con el ruido de fondo de crisis económicas, invasiones de países árabes, sorpresas de grandes gigantes farmacéuticos, reclamos de la industria del automóvil, tortugas Ninja, crímenes horrendos, pavorosos terremotos devastadores, bolsas europeas que caen y caen y vuelven a caer, episodios de estupidez humana transmitidos día tras día como si fueran una serie televisiva sin guionista. En semejante ambiente nuestra agitada vida de víctimas de lo mediático nos recuerda a un fragmento irónico de El caballero inexistente de Italo Calvino: “Debéis disculpar: somos muchachas del campo (...) fuera de funciones religiosas, triduos, novenas, trabajos en el campo, trillas, vendimias, fustigaciones de siervos, incestos, incendios, ahorcamientos, invasiones de ejércitos, saqueos, violaciones, pestilencias, no hemos visto nada.”

Enrique Vila-Matas

8.9.11

UM ACERVO DE LUGARES-COMUNS EM ENORMES BLOCOS DE GESSOO

O governo só leva para aí uns oitenta dias de vida (depois de mais de uma década estarola) e já há quem queira dar "marteladas". O desígnio começou a semana passada com a expressão "martelo pilão" usada por Pacheco Pereira na patusca Quadratura do Círculo. Continua hoje na crónica de Manuel Maria Carrilho no DN e, no PSD, não faltaram antigos dirigentes que não foram apreciados pelo sufrágio popular (alguns nem sequer tiveram tempo de o conhecer ou têm medo dele) a usar, noutros termos, a refererida "martelada". Ora eu, de marteladas retóricas, só gosto daquelas a que alude Nabokov no posfácio de Lolita. Podem, a contrario, aplicar-se a estas eminências (e Deus sabe como estimo profundamente algumas delas) que, por vezes, parecem obras de ficção tidas por indemnes. «Quanto a mim, uma obra de ficção só existe se me consegue proporcionar aquilo a que chamo sem rodeios o gozo estético, isto é, uma sensação de estar, de certo modo e algures, ligado a outros estados de ser em que a arte (curiosidade, ternura, generosidade, êxtase) é a norma. Não há muitos livros desses. Tudo o mais é um acervo de lugares-comuns ou aquilo a que alguns chamam "literatura de ideias", a qual não passa muitas vezes de um acervo de lugares-comuns em enormes blocos de gesso, cuidadosamente transmitidos de século para século, até que aparece alguém com um martelo e dá uma boa martelada a Balzac, a Gorki ou a Mann.»

15.8.11

A QUESTÃO MAIS NOBRE


A este artigo de Ana Sá Lopes - e como os dias de descanso de Agosto me costumam maçar interminavelmente, aproveito-os para ler e reler várias coisas ao mesmo tempo - acudiu-me, de repente, um escrito de Vasco Pulido Valente de 1997, no livro Esta ditosa Pátria. Desde logo é um escrito que recomenda Tucídides, um autor que devia figurar numa qualquer prateleira de todas as redacções. Porquê? Porque com Tucídides (entre outros como Heródoto ou Píndaro) aprende-se que «o mundo não começa todas as manhãs com o noticário das oito, nem fecha todas as noites com um novo escândalo e uma nova intriga.» De facto, «o mundo já cá estava quando nós nascemos e presumivelmente vai continuar quando nós morrermos, e é essa noção de permanência e mudança (em grosso, a «cultura») que ajuda a separar o essencial do acessório e a não confundir uma incessante macacada de truques e de fintas com a questão mais nobre de governar o próximo.»

5.8.11

COCKTAILS

Pacheco Pereira e Helena Matos são duas pessoas que estimo intelectualmente. São, respectivamente, "historiador" e "ensaísta" de acordo com o jornal onde debitam embora também os vejamos bastas vezes como reputados tudólogos nacionais nas televisões. No primeiro caso, aliás, julgo que foi mesmo possível cobrir todo o espectro comunicacional português. Mas "historiador" e "ensaísta" são atributos, digamos, constantes de uma e da outra personalidade. Pacheco "historiou" o dr. Cunhal, os conflitos sociais nos campos do sul de Portugal, as lutas operárias e a extrema-esquerda enquanto Matos "ensaiou" o Doutor Salazar. Talvez seja nesta derradeira linha que se pode ler o artigo aqui citado. Mesmo assim, e louvando-me no autor do post, «para cocktail, são demasiados ingredientes.» E, Helena, tenha sempre presente uma frase do seu "ensaiado" preferido. Decididos até onde ir, não devemos ir mais além.

30.7.11

O "MEIO" E A REALIDADE


Uma grande verdade. Mas aparentemente o "povo" não se deixa comover pelos amores-ódio do "meio".

28.7.11

O DIREITO À IMBECILIDADE

Há muito tempo - anos mesmo - que anunciei num post que este blogue praticava a aprovação, ou não, prévia dos comentários. E, para casos desesperados, tenho mesmo chegado a recomendar a abertura de blogues para se aliviarem em vez de virem lavar as vísceras para os blogues dos outros. De acordo com o Blogger, são apenas três (3) passos. Ou seja, nada mudou relativamente à "política" editorial do blogue onde o autor escreve o que lhe apetece, quando lhe apetece e como lhe apetece. Recentemente a patrulha anónima tem estado particularmente activa. Não faz mal. Como Karl Kraus, sei que existem imbecis superficiais e imbecis profundos. A patrulha pode, porém, ficar descansada. Não discrimino ninguém.