De volta ao domínio Blogger, de onde algumas aventuras inesperadas brotaram (livros, governos, cumplicidades, inimizades, etc.), tenho a perfeita noção que o tempo dos blogues porventura passou. E passou, apesar de muita gente que hoje em dia por aí aparece nisto ou naquilo do chamado “espaço público” deva muito a esse tempo. Passaram-lhe, muito adequadamente, por cima. Eu também, por causa de redes sociais mais adequadas à minha congénita preguiça. Por isso, e para além disso, alguns camaradas destas aventuras seguiram entretanto para coisas mais “elevadas” - escritores de papel passado, comentadores na mesms situação, deputados, membros de governo, diplomatas, etc. - e eu termino a minha augusta carreira de trabalhador em funções públicas (atípico, como escreveu o Medeiros Ferreira num prefácio) praticamente como a comecei. Nunca fui dado a “carreiras”, salvo as de autocarro, e não sou especialmente conhecido por ter um magnífico feitio. Depois, como se vê, sou um conservador e adepto de uma democracia conservadora. A liberal, nas suas formulações liberais, socialistas ou social-democratas, está nas últimas, pelo que decidi erradicar o termo “democracia liberal” dos meus envios e reenvios. Tem muito a ver com o “trem” do verso de Adélia Prado com que adornei o blogue. Coisas da passagem inexorável do tempo pela nossa, minha, casa.
