30.6.10

«A MINHA REDACÇÃO QUANDO CONCORRI PARA MAGISTRADO»


«Se corrermos a Europa, não encontramos justiça melhor que a portuguesa.»

Pinto Monteiro, PGR (via Manuel Pinheiro, O Cachimbo de Magritte)

«A MINHA REDACÇÃO QUANDO CONCORRI PARA MAGISTRADO»


«Se corrermos a Europa, não encontramos justiça melhor que a portuguesa.»

Pinto Monteiro, PGR (via Manuel Pinheiro, O Cachimbo de Magritte)

ADEUS, SÓCRATES


O dado político mais interessante do dia, para além da pacóvia exibição patrioteira, foi o "descolar" de Ricardo Salgado de Sócrates. O BES terá sido porventura dos mais entusiastas do regime socrático, na teoria e na prática. Agora acena-lhe um adeus premonitório depois da "parvoíce anacrónica" de um governo "obsoleto", nas palavras do Finantial Times.

ADEUS, SÓCRATES


O dado político mais interessante do dia, para além da pacóvia exibição patrioteira, foi o "descolar" de Ricardo Salgado de Sócrates. O BES terá sido porventura dos mais entusiastas do regime socrático, na teoria e na prática. Agora acena-lhe um adeus premonitório depois da "parvoíce anacrónica" de um governo "obsoleto", nas palavras do Finantial Times.

O "SENTIDO DE ESTADO"

Que o governo de Sócrates tivesse puxado da abstrusa golden share para impedir a "libertação" da PT de interferências político-partidárias de circunstância que tanto jeito fazem, é uma coisa. Que o PC e o Bloco, reputados apreciadores da sustentação de tudo pelos impostos em nome de ideologias de jazigo, apoiem a intervenção estatal, é outra. Mas que o dr. Portas, sem o fato às riscas que enverga sempre que é invadido pelo "sentido de Estado", venha defender a intervenção do governo na vidinha da PT, só pode explicar-se por um motivo assaz pequeno e prosaico. É que o PSD já está a "invadir" o dr. Portas e o dr. Portas precisa fazer prova de vida. Ficar, porém, num retrato politiqueiro ao lado de Sócrates e Louçã é daqueles "sentidos de Estado" que a direita dificilmente agradecerá. Sobretudo atendendo a quem continuará a pagar (literalmente) a factura da baval e "estratégica" PT que, depois de uma espectável decisão do Tribunal europeu a proibir golden shares, ainda acabará vendida a patacos. O que o eng. Belmiro se deve estar a rir desta palhaçada toda.

O "SENTIDO DE ESTADO"

Que o governo de Sócrates tivesse puxado da abstrusa golden share para impedir a "libertação" da PT de interferências político-partidárias de circunstância que tanto jeito fazem, é uma coisa. Que o PC e o Bloco, reputados apreciadores da sustentação de tudo pelos impostos em nome de ideologias de jazigo, apoiem a intervenção estatal, é outra. Mas que o dr. Portas, sem o fato às riscas que enverga sempre que é invadido pelo "sentido de Estado", venha defender a intervenção do governo na vidinha da PT, só pode explicar-se por um motivo assaz pequeno e prosaico. É que o PSD já está a "invadir" o dr. Portas e o dr. Portas precisa fazer prova de vida. Ficar, porém, num retrato politiqueiro ao lado de Sócrates e Louçã é daqueles "sentidos de Estado" que a direita dificilmente agradecerá. Sobretudo atendendo a quem continuará a pagar (literalmente) a factura da baval e "estratégica" PT que, depois de uma espectável decisão do Tribunal europeu a proibir golden shares, ainda acabará vendida a patacos. O que o eng. Belmiro se deve estar a rir desta palhaçada toda.

A CHEGADA DA GOLDEN SHARE À AG DA PT




A CHEGADA DA GOLDEN SHARE À AG DA PT




TELEFONICA-ME

Está hoje em curso um enorme exercício de hipocrisia financeiro-regimental - isto para não levar a coisa para os lados do Intendente - em torno da horrível PT. Os accionistas portugueses, tesos que nem um carapau, precisam de dinheiro e estão-se nas tintas, mesmo que a retórica os desminta, para o "interesse estratégico nacional" que, nos tempos coevos, tem a importância real de uma vuvuzela. Se os espanhóis lhes derem um bom dinheiro pela Vivo, provavelmente Sócrates e Passos Coelho ficarão sozinhos a ruminar o dito "interesse", enrolados no quentinho da golden share, porque precisam do pai natal para sobreviver. A PT é uma monstruosidade atentatória dos mais elementares princípios da concorrência e uma sucursal dos partidos políticos do poder. Todo esta tagarelice digna de vendedores de carpetes na feira da Luz o evidencia. Desmantelar a PT e respectivos apêndices, ou vendê-los nem que seja ao Burundi, incluindo Bava e Granadeiro no pacote a título de desconto, tornou-se quase num desígnio nacional. Quem é que pode ter um pingo de orgulho numa coisa e em gente daquelas?

TELEFONICA-ME

Está hoje em curso um enorme exercício de hipocrisia financeiro-regimental - isto para não levar a coisa para os lados do Intendente - em torno da horrível PT. Os accionistas portugueses, tesos que nem um carapau, precisam de dinheiro e estão-se nas tintas, mesmo que a retórica os desminta, para o "interesse estratégico nacional" que, nos tempos coevos, tem a importância real de uma vuvuzela. Se os espanhóis lhes derem um bom dinheiro pela Vivo, provavelmente Sócrates e Passos Coelho ficarão sozinhos a ruminar o dito "interesse", enrolados no quentinho da golden share, porque precisam do pai natal para sobreviver. A PT é uma monstruosidade atentatória dos mais elementares princípios da concorrência e uma sucursal dos partidos políticos do poder. Todo esta tagarelice digna de vendedores de carpetes na feira da Luz o evidencia. Desmantelar a PT e respectivos apêndices, ou vendê-los nem que seja ao Burundi, incluindo Bava e Granadeiro no pacote a título de desconto, tornou-se quase num desígnio nacional. Quem é que pode ter um pingo de orgulho numa coisa e em gente daquelas?

RONALDO, O PÓS-HUMANO


Ronaldo, aquela glória internacional do futebol espanhol, emitiu um comunicado na linha das "redacções" do ensino básico com que temos sido brindados ultimamente, quer por altas figuras e ex-figuras do Estado, quer por escribas menores que o regime aproveita para melhor significar a sua patetice iliterada. Reza mais ou menos assim. "Eu sou um ser humano. Eu sou um ser humano que está triste. Eu estou triste e quero estar sozinho". A última frase terá seguramente feito tremer de comoção milhares de bolas de silicone por esse mundo fora, desejosas de acolher no respectivo "seio" tamanha solidão e não menor tristeza. Ronaldo, se bem percebi, passeou a sua extraordinária pessoa pela África do Sul. Desde que chegou de helicóptero à Covilhã que se preparava para umas férias que incluiam, eventualmente, uns chutos na bola entre Joanesburgo e a Cidade do Cabo. Nada que o maçasse excessivamente. Agora que a coisa borregou, Ronaldo fez um breve intervalo na sua "pós-humanidade". A vida custa a todos.

RONALDO, O PÓS-HUMANO


Ronaldo, aquela glória internacional do futebol espanhol, emitiu um comunicado na linha das "redacções" do ensino básico com que temos sido brindados ultimamente, quer por altas figuras e ex-figuras do Estado, quer por escribas menores que o regime aproveita para melhor significar a sua patetice iliterada. Reza mais ou menos assim. "Eu sou um ser humano. Eu sou um ser humano que está triste. Eu estou triste e quero estar sozinho". A última frase terá seguramente feito tremer de comoção milhares de bolas de silicone por esse mundo fora, desejosas de acolher no respectivo "seio" tamanha solidão e não menor tristeza. Ronaldo, se bem percebi, passeou a sua extraordinária pessoa pela África do Sul. Desde que chegou de helicóptero à Covilhã que se preparava para umas férias que incluiam, eventualmente, uns chutos na bola entre Joanesburgo e a Cidade do Cabo. Nada que o maçasse excessivamente. Agora que a coisa borregou, Ronaldo fez um breve intervalo na sua "pós-humanidade". A vida custa a todos.

29.6.10

A PÁTRIA CHICA

Enquanto decorria o jogo que, felizmente, devolveu o país à realidade, li uns pequenos artigos de Jorge de Sena acerca de Espanha. Definiu-a bem - «tão cheia de pompa e circunstância para quem vai de Portugal é, para quem regressa da Europa, uma espécie de múmia coberta de jóias e ataduras podres, onde as moscas passeiam ao sol da eternidade.» Fora a primeira parte (o escrito é de 1957), de facto a Espanha de Zapatero mumificou-se em torno de uma pretensa modernidade que nem já a economia salva do tranquilo passeio das moscas e da desagregação regionalista. De resto, como escreveu Sena e acabou de provar-se, «foi perfeitamente justo que tudo acabasse em Alcácer Quibir e em Filipe de Espanha.» É que, «para a maioria dos espanhóis, Portugal ou não existe, ou é uma "pátria chica" que, mais ou menos como disse um famoso autor espanhol, "escolheu a sua própria mediocridade a participar da glória da Espanha".» Nem de propósito, apareceu logo o sr. Lacão a falar numa carta que o sr. Macedo lhe mandou e mais não sei quê. Querem melhor pátria chica do que esta?

Adenda: A "pátria chica" também mora no Monte da Caparica e em coisas como «quando o principal partido a zelar pelos princípios liberais de reserva de privacidade é o Partido Comunista Português; e quando toda a opinião pública se preocupa, essencialmente, com guerras regionais e defesas abstrusas de supostos regimes de excepção; quando tudo isto acontece, torna-se tristemente óbvia a debilidade mental da raça.»

A PÁTRIA CHICA

Enquanto decorria o jogo que, felizmente, devolveu o país à realidade, li uns pequenos artigos de Jorge de Sena acerca de Espanha. Definiu-a bem - «tão cheia de pompa e circunstância para quem vai de Portugal é, para quem regressa da Europa, uma espécie de múmia coberta de jóias e ataduras podres, onde as moscas passeiam ao sol da eternidade.» Fora a primeira parte (o escrito é de 1957), de facto a Espanha de Zapatero mumificou-se em torno de uma pretensa modernidade que nem já a economia salva do tranquilo passeio das moscas e da desagregação regionalista. De resto, como escreveu Sena e acabou de provar-se, «foi perfeitamente justo que tudo acabasse em Alcácer Quibir e em Filipe de Espanha.» É que, «para a maioria dos espanhóis, Portugal ou não existe, ou é uma "pátria chica" que, mais ou menos como disse um famoso autor espanhol, "escolheu a sua própria mediocridade a participar da glória da Espanha".» Nem de propósito, apareceu logo o sr. Lacão a falar numa carta que o sr. Macedo lhe mandou e mais não sei quê. Querem melhor pátria chica do que esta?

Adenda: A "pátria chica" também mora no Monte da Caparica e em coisas como «quando o principal partido a zelar pelos princípios liberais de reserva de privacidade é o Partido Comunista Português; e quando toda a opinião pública se preocupa, essencialmente, com guerras regionais e defesas abstrusas de supostos regimes de excepção; quando tudo isto acontece, torna-se tristemente óbvia a debilidade mental da raça.»

MENOS QUE ZERO


Mariano Gago, um ministro que em ambas as legislaturas de distinguiu pela irrelevância, vem agora defender que os portugueses devem estudar mais. Gago ficará conhecido, enquanto ministro do ensino superior, apenas como alguém a quem mandaram encerrar estabelecimentos comerciais de má nota a que apelidavam de universidades. De resto, entrou mudo e sairá calado do consulado socrático, com balanço menos que zero. Esta tirada era, por isso, dispensável. Tem tanta autoridade para mandar estudar os outros como eu.

MENOS QUE ZERO


Mariano Gago, um ministro que em ambas as legislaturas de distinguiu pela irrelevância, vem agora defender que os portugueses devem estudar mais. Gago ficará conhecido, enquanto ministro do ensino superior, apenas como alguém a quem mandaram encerrar estabelecimentos comerciais de má nota a que apelidavam de universidades. De resto, entrou mudo e sairá calado do consulado socrático, com balanço menos que zero. Esta tirada era, por isso, dispensável. Tem tanta autoridade para mandar estudar os outros como eu.

MARIA VAI COM AS OUTRAS

Oficialmente hoje não há acontecimentos. Não há fait-divers. Seria o dia indicado para "introduzir" as portagens nas scut, para promulgar diplomas, para aprovar leis que acentuam a passividade pátria, para levar caixas multibanco para casa, para forjar diplomas nos liceus e nas universidades, para, em suma, exercitar a arte de ser português. Hoje é dia de "maria vai com as outras" que, verdadeiramente, é todos os dias. Por falar nas scut, faz dó observar aqueles obedientes cidadãos - que devem tocar vuvuzela através do buraco errado - que correram aos Correios para adquirir o kit scuteiro mesmo desconhecendo se aquilo ia entrar em vigor. É com estas "maria vai com as outras" que Sócrates conta. Espremam-se por favor.

Adenda: Por exemplo, isto já é assim uma redacção "a atirar" para o 5º ou 6.º ano da escolaridade obrigatória e com direito a medalha de bronze no meio de outras acerca da vaca, do cão e do papel higiénico. «Anteontem, depois do Brasil- -Portugal, ao ver milhares de portugueses dos mais diferentes cantos do mundo, brancos, pretos, castanhos, muçulmanos, cristãos, hindus, a falar português ou outra língua qualquer, senti que faço parte de qualquer coisa especial. Dum mundo multiétnico, com muitas religiões, muitas cores e, sobretudo, com muita história: o nosso mundo, o mundo português. Obrigado futebol.» Coitadinho e bem haja.

MARIA VAI COM AS OUTRAS

Oficialmente hoje não há acontecimentos. Não há fait-divers. Seria o dia indicado para "introduzir" as portagens nas scut, para promulgar diplomas, para aprovar leis que acentuam a passividade pátria, para levar caixas multibanco para casa, para forjar diplomas nos liceus e nas universidades, para, em suma, exercitar a arte de ser português. Hoje é dia de "maria vai com as outras" que, verdadeiramente, é todos os dias. Por falar nas scut, faz dó observar aqueles obedientes cidadãos - que devem tocar vuvuzela através do buraco errado - que correram aos Correios para adquirir o kit scuteiro mesmo desconhecendo se aquilo ia entrar em vigor. É com estas "maria vai com as outras" que Sócrates conta. Espremam-se por favor.

Adenda: Por exemplo, isto já é assim uma redacção "a atirar" para o 5º ou 6.º ano da escolaridade obrigatória e com direito a medalha de bronze no meio de outras acerca da vaca, do cão e do papel higiénico. «Anteontem, depois do Brasil- -Portugal, ao ver milhares de portugueses dos mais diferentes cantos do mundo, brancos, pretos, castanhos, muçulmanos, cristãos, hindus, a falar português ou outra língua qualquer, senti que faço parte de qualquer coisa especial. Dum mundo multiétnico, com muitas religiões, muitas cores e, sobretudo, com muita história: o nosso mundo, o mundo português. Obrigado futebol.» Coitadinho e bem haja.

GRANDES VOZES



Montserrat Caballé - "De España Vengo", da zarzuela "El Niño Judío", de Pablo Luna. 1975

GRANDES VOZES



Montserrat Caballé - "De España Vengo", da zarzuela "El Niño Judío", de Pablo Luna. 1975

PANERO

Un étranger

Produce cierta melancolía,
una tristeza decadente -literaria sin duda-
como algunas canciones de entreguerras
o páginas perdidas de Drieu La Rochelle,
ver a un hombre solo, apartado y distante,
en la barra de un bar con decorado internacional.
En esa imprecisa edad, tan imprecisa como la luz del ambiente,
en que ya no es joven ni viejo todavía
pero lleva en sus ojos marcada su derrota
cuando con estudiado gesto enciende un cigarrillo.
Las muchas canas y las muchas camas,
un indudable estómago que la camisa inglesa apenas disimula,
el temblor, no demasiado visible, de su mano en un vaso,
son parte del naufragio, resaca de la vida.
Un hombre que espera ¿quién sabe qué?
y aspirando el humo, mira con declarada indiferencia
las botellas enfrente, los rostros que un espejo refleja,
todo con la especial irrealidad de una fotografía.
y es aún, algo más triste, un hondo suspiro reprimido,
ver al fondo del vaso -caleidoscopio mágico-
que ese hombre eres tú irremediablemente.
No queda entonces sino una sonrisa: escéptica y lejana,
-aprendida muy pronto y útil años después-
de un largo trago acabar la bebida,
pagar la cuenta mientras pides un taxi
y decirte adiós con palabras banales.

"Antes que llegue la noche", 1985

PANERO

Un étranger

Produce cierta melancolía,
una tristeza decadente -literaria sin duda-
como algunas canciones de entreguerras
o páginas perdidas de Drieu La Rochelle,
ver a un hombre solo, apartado y distante,
en la barra de un bar con decorado internacional.
En esa imprecisa edad, tan imprecisa como la luz del ambiente,
en que ya no es joven ni viejo todavía
pero lleva en sus ojos marcada su derrota
cuando con estudiado gesto enciende un cigarrillo.
Las muchas canas y las muchas camas,
un indudable estómago que la camisa inglesa apenas disimula,
el temblor, no demasiado visible, de su mano en un vaso,
son parte del naufragio, resaca de la vida.
Un hombre que espera ¿quién sabe qué?
y aspirando el humo, mira con declarada indiferencia
las botellas enfrente, los rostros que un espejo refleja,
todo con la especial irrealidad de una fotografía.
y es aún, algo más triste, un hondo suspiro reprimido,
ver al fondo del vaso -caleidoscopio mágico-
que ese hombre eres tú irremediablemente.
No queda entonces sino una sonrisa: escéptica y lejana,
-aprendida muy pronto y útil años después-
de un largo trago acabar la bebida,
pagar la cuenta mientras pides un taxi
y decirte adiós con palabras banales.

"Antes que llegue la noche", 1985

28.6.10

OS INFREQUENTÁVEIS DO COSTUME

Lacão, personagem de categoria política média-baixa, tomou o lugar cativo de Santos Silva no programa da D. Fátima. Todavia, a D. Fátima tem o mérito de afeiçoar o seu programa ao curso dos tempos. Como os tempos são de, primeiro de proximidade entre o governo e o PSD e, a seguir, do PSD, a D. Fátima "retira" o CDS do palco e consente o PC e o Bloco. Não sendo propriamente adepto do dr. Portas, estou à vontade. Suspeito que, apesar das aparências, quem sai beneficiado é o CDS. Há gente que não se frequenta.

OS INFREQUENTÁVEIS DO COSTUME

Lacão, personagem de categoria política média-baixa, tomou o lugar cativo de Santos Silva no programa da D. Fátima. Todavia, a D. Fátima tem o mérito de afeiçoar o seu programa ao curso dos tempos. Como os tempos são de, primeiro de proximidade entre o governo e o PSD e, a seguir, do PSD, a D. Fátima "retira" o CDS do palco e consente o PC e o Bloco. Não sendo propriamente adepto do dr. Portas, estou à vontade. Suspeito que, apesar das aparências, quem sai beneficiado é o CDS. Há gente que não se frequenta.

«O SISTEMA MOTA AMARAL»

«Portugal é o país dos que não querem ver. O regime dos que sabem mas fingem que nâo ouviram. O sistema Mota Amaral. À esquerda como em certa direita.»

Paulo Pinto Mascarenhas, ABC do PPM

«O SISTEMA MOTA AMARAL»

«Portugal é o país dos que não querem ver. O regime dos que sabem mas fingem que nâo ouviram. O sistema Mota Amaral. À esquerda como em certa direita.»

Paulo Pinto Mascarenhas, ABC do PPM

O PACOTE


Cavaco promulgou o "pacote" PEC2. Porquê? Porque, caso pedisse a fiscalização preventiva do "pacote" ao Tribunal Constitucional (como devia ter feito), as medidas que lá vêm não entrariam imediatamente em vigor e, porventura, Sócrates viria a correr à televisão lavar as mãos. Aliás, Passos Coelho já lavou uma delas da decisão do Presidente uma vez que é co-autor do "pacote". A desculpa para isto tudo é a respeitabilidade externa do país. Sucede que, ao solicitar a fiscalização sucessiva, Cavaco mostrou ter dúvidas em relação à retroactividade do aumento dos impostos mas não quer desculpas por parte do governo e dos seus amestrados. Resta ao cidadão, se assim o entender, colocar a questão directamente nos tribunais já que constitui direito fundamental não pagar impostos retroactivos. Mas isso ocorreria noutro lado e não aqui onde, como salienta um estudo do ISCTE, se prefere empobrecer feliz.

O PACOTE


Cavaco promulgou o "pacote" PEC2. Porquê? Porque, caso pedisse a fiscalização preventiva do "pacote" ao Tribunal Constitucional (como devia ter feito), as medidas que lá vêm não entrariam imediatamente em vigor e, porventura, Sócrates viria a correr à televisão lavar as mãos. Aliás, Passos Coelho já lavou uma delas da decisão do Presidente uma vez que é co-autor do "pacote". A desculpa para isto tudo é a respeitabilidade externa do país. Sucede que, ao solicitar a fiscalização sucessiva, Cavaco mostrou ter dúvidas em relação à retroactividade do aumento dos impostos mas não quer desculpas por parte do governo e dos seus amestrados. Resta ao cidadão, se assim o entender, colocar a questão directamente nos tribunais já que constitui direito fundamental não pagar impostos retroactivos. Mas isso ocorreria noutro lado e não aqui onde, como salienta um estudo do ISCTE, se prefere empobrecer feliz.

SCUTEIROS DO REGIME


Depois desta "breve intervenção" - que é o que estava a fazer mais falta para a resolução do candente problema das scut - o país certamente poderá começar a entreter-se com outra coisa. Com, por exemplo, episódios de House no canal Fox.

SCUTEIROS DO REGIME


Depois desta "breve intervenção" - que é o que estava a fazer mais falta para a resolução do candente problema das scut - o país certamente poderá começar a entreter-se com outra coisa. Com, por exemplo, episódios de House no canal Fox.

O CURSO INCESSANTE


O mais relevante desta sondagem, se bem percebi de manhã, na rádio, não é o PSD ultrapassar, em intenções de voto, o PS ou o PC aparecer em terceiro. Essa será a ordem natural das coisas, com o CDS sempre subestimado nas ditas sondagens. Interessante mesmo é a taxa de rejeição do governo - mais de setenta por cento (mau e muito mau). E a noção - 51% - de que dificilmente outros fariam melhor. Isto é uma raça complicada de governar, já dizia, nos anos sessenta do século passado, Jorge Dias. Depois há outro "estudo", do inefável ISCTE, em que a raça aparece preocupada com o pouco que ganha e com o pouco que pode fazer com isso para além de comprar arroz e batatas. Mesmo assim, dizem, a raça é moderadamente feliz. No inferno em que tudo se tornou, semi-felizes é sinal de imoderada idiotia colectiva. Nada de surpreendente num povo irresponsável pastoreado por ilusionistas profissionais. Já não saímos disto, deste curso incessante do pior.

O CURSO INCESSANTE


O mais relevante desta sondagem, se bem percebi de manhã, na rádio, não é o PSD ultrapassar, em intenções de voto, o PS ou o PC aparecer em terceiro. Essa será a ordem natural das coisas, com o CDS sempre subestimado nas ditas sondagens. Interessante mesmo é a taxa de rejeição do governo - mais de setenta por cento (mau e muito mau). E a noção - 51% - de que dificilmente outros fariam melhor. Isto é uma raça complicada de governar, já dizia, nos anos sessenta do século passado, Jorge Dias. Depois há outro "estudo", do inefável ISCTE, em que a raça aparece preocupada com o pouco que ganha e com o pouco que pode fazer com isso para além de comprar arroz e batatas. Mesmo assim, dizem, a raça é moderadamente feliz. No inferno em que tudo se tornou, semi-felizes é sinal de imoderada idiotia colectiva. Nada de surpreendente num povo irresponsável pastoreado por ilusionistas profissionais. Já não saímos disto, deste curso incessante do pior.

27.6.10

«A MINHA REDACÇÃO DA 4ª CLASSE»


«Eu elogiei o discurso que ele fez porque foi muito bonito e tinha muito conteúdo. Eu gostei do discurso.»

Mário Soares sobre Fernando Nobre, Arcos de Valdevez

«A MINHA REDACÇÃO DA 4ª CLASSE»


«Eu elogiei o discurso que ele fez porque foi muito bonito e tinha muito conteúdo. Eu gostei do discurso.»

Mário Soares sobre Fernando Nobre, Arcos de Valdevez

TRÊS A UM



Saudações a esse pequeno génio da bola, Maradona, do tempo em que os futebolistas usavam mais os seus talentos no campo do que entre duas bolas de silicone. E a Buenos Aires, uma das cidades mais belas do mundo.

TRÊS A UM



Saudações a esse pequeno génio da bola, Maradona, do tempo em que os futebolistas usavam mais os seus talentos no campo do que entre duas bolas de silicone. E a Buenos Aires, uma das cidades mais belas do mundo.

QUATRO A UM



Parece que a Alemanha derrotou valentemente a Inglaterra na África do Sul, remetendo a respectiva selecção de volta à ilha. Heidegger escreveu que a língua é a casa do ser e, talvez não por acaso, da língua alemã saiu a literatura filosófica mais decisiva para o século XX e, pelos vistos, para os primeiros anos do XXI - a do dito Heidegger e a de Nietzsche - sem a qual, aliás, outra qualquer jamais teria sido escrita ou redescrita. Também Wagner, na música, com o conceito dos leit-motiven, operou uma pequena revolução com o seu Ring que até hoje não foi superada. A Alemanha é um país de excessos. Ora a vida vale justamente por causa deles embora dure por causa da mediania. Dich teure Halle, grüss' ich wieder. (Wagner, Tannhäuser. Jessye Norman. 1991, Nova Iorque)

QUATRO A UM



Parece que a Alemanha derrotou valentemente a Inglaterra na África do Sul, remetendo a respectiva selecção de volta à ilha. Heidegger escreveu que a língua é a casa do ser e, talvez não por acaso, da língua alemã saiu a literatura filosófica mais decisiva para o século XX e, pelos vistos, para os primeiros anos do XXI - a do dito Heidegger e a de Nietzsche - sem a qual, aliás, outra qualquer jamais teria sido escrita ou redescrita. Também Wagner, na música, com o conceito dos leit-motiven, operou uma pequena revolução com o seu Ring que até hoje não foi superada. A Alemanha é um país de excessos. Ora a vida vale justamente por causa deles embora dure por causa da mediania. Dich teure Halle, grüss' ich wieder. (Wagner, Tannhäuser. Jessye Norman. 1991, Nova Iorque)

O NOVO FENÓMENO DO ENTRONCAMENTO


«Após cinco anos em sentido inverso, o povo decidiu que o eng. Sócrates é o responsável por todas as calamidades que se abatem sobre a nação. O dr. Passos Coelho, que há meses vem legitimando as calamidades, é um herói popular. Explicações? Não mas peçam. Talvez as desculpas do dr. Passos Coelho tenham tocado o coração das massas oprimidas. Talvez as massas andem tão cansadas do eng. Sócrates que o trocariam pelo Pato Donald ou por uma torradeira eléctrica. Talvez as massas sejam definitivamente malucas. Certo é que as massas querem o dr. Passos Coelho a primeiro-ministro, e só não vêem o desejo cumprido porque, pelos vistos, a nova forma de fazer política também implica evitar o poder a qualquer custo. A nova forma de fazer política ainda será política ou já entra na pura fraude?»
Alberto Gonçalves, DN

O NOVO FENÓMENO DO ENTRONCAMENTO


«Após cinco anos em sentido inverso, o povo decidiu que o eng. Sócrates é o responsável por todas as calamidades que se abatem sobre a nação. O dr. Passos Coelho, que há meses vem legitimando as calamidades, é um herói popular. Explicações? Não mas peçam. Talvez as desculpas do dr. Passos Coelho tenham tocado o coração das massas oprimidas. Talvez as massas andem tão cansadas do eng. Sócrates que o trocariam pelo Pato Donald ou por uma torradeira eléctrica. Talvez as massas sejam definitivamente malucas. Certo é que as massas querem o dr. Passos Coelho a primeiro-ministro, e só não vêem o desejo cumprido porque, pelos vistos, a nova forma de fazer política também implica evitar o poder a qualquer custo. A nova forma de fazer política ainda será política ou já entra na pura fraude?»
Alberto Gonçalves, DN

SUL PERIFÉRICO


Também li e, de notável, registei ser o único texto do respeitável hebdomadário que não ajoelha perante a lulização da língua portuguesa que atingiu, como doença fatal, alguma imprensa doméstica já de si obcecada pela "redacção única". De resto, é como Carlos Vidal resume. «Análise rigorosa, compreensão e solidariedade expandida no notável texto “A caça ao homem”, publicado no ”Expresso”, 26/6/2010, texto que consubstancia uma tese de uma sofisticação só comparável à obra “literária” (por assim dizer) “Equador”; tese, vamos lá: J Sócrates é vítima de uma “caça ao homem”; J Sócrates está fora de todas as confusões em que o querem envolver só por ódio gratuito e sabe-se lá que mais; a culpa de tudo o que se passa é única e exclusivamente dos colaboradores, “serventuários” e amigos de J Sócrates; [Sousa Tavares] está pois em posição de assegurar que J Sócrates nada tem a ver com nada (cale-se sr. magistrado de Aveiro), e são os seus amigos que, por amizade, ou zelo-amizade excessiva, desenharam ou soltaram os maiores cometimentos comprometedores, uma gente “infrequentável” (contudo, por sinal frequentada por J Sócrates, ah mas isso [Sousa Tavares] esqueceu-se de referir)»

SUL PERIFÉRICO


Também li e, de notável, registei ser o único texto do respeitável hebdomadário que não ajoelha perante a lulização da língua portuguesa que atingiu, como doença fatal, alguma imprensa doméstica já de si obcecada pela "redacção única". De resto, é como Carlos Vidal resume. «Análise rigorosa, compreensão e solidariedade expandida no notável texto “A caça ao homem”, publicado no ”Expresso”, 26/6/2010, texto que consubstancia uma tese de uma sofisticação só comparável à obra “literária” (por assim dizer) “Equador”; tese, vamos lá: J Sócrates é vítima de uma “caça ao homem”; J Sócrates está fora de todas as confusões em que o querem envolver só por ódio gratuito e sabe-se lá que mais; a culpa de tudo o que se passa é única e exclusivamente dos colaboradores, “serventuários” e amigos de J Sócrates; [Sousa Tavares] está pois em posição de assegurar que J Sócrates nada tem a ver com nada (cale-se sr. magistrado de Aveiro), e são os seus amigos que, por amizade, ou zelo-amizade excessiva, desenharam ou soltaram os maiores cometimentos comprometedores, uma gente “infrequentável” (contudo, por sinal frequentada por J Sócrates, ah mas isso [Sousa Tavares] esqueceu-se de referir)»

O REGIME NUM PRÉMIO

«Anuncia-se que lhe será atribuído o Grande Colar de Santiago, reservado, por regra, a chefes de Estado. Para fazer esta excepção, é necessário um decreto especial. O acto de investidura é marcado para o Palácio da Ajuda. Estão todas as figuras do Estado e as televisões fazem directos. Vou no meu carro oficial acompanhado de batedores, buscá-lo ao Hotel Altis, onde está hospedado. Sento-me à frente. No banco de trás, Saramago e Pilar gracejam. (...) Pilar é sempre ela - eis a sua força.»

José Manuel dos Santos, Expresso


«O prémio Nobel não garante a importância literária de ninguém. Basta ver a longa lista de mediocridades que o receberam. Pior ainda, o prémio Nobel é atribuído muitas vezes por razões de nacionalidade ou pura política, sem relação alguma com a obra, que num determinado ano a Academia Sueca resolveu escolher. Que Saramago fosse o único escritor de língua portuguesa a receber essa mais do que duvidosa distinção não o acrescenta em nada, nem acrescenta em nada a língua portuguesa. Só a patriotice indígena (de resto, interessada) a pode levar a sério e protestar agora indignadamente porque o Presidente da República se recusou a ir ao enterro do homem. Por mais que se diga, e até que se berre, Saramago não era uma glória nacional indiscutida e universalmente venerada.»

Vasco Pulido Valente, Público

O REGIME NUM PRÉMIO

«Anuncia-se que lhe será atribuído o Grande Colar de Santiago, reservado, por regra, a chefes de Estado. Para fazer esta excepção, é necessário um decreto especial. O acto de investidura é marcado para o Palácio da Ajuda. Estão todas as figuras do Estado e as televisões fazem directos. Vou no meu carro oficial acompanhado de batedores, buscá-lo ao Hotel Altis, onde está hospedado. Sento-me à frente. No banco de trás, Saramago e Pilar gracejam. (...) Pilar é sempre ela - eis a sua força.»

José Manuel dos Santos, Expresso


«O prémio Nobel não garante a importância literária de ninguém. Basta ver a longa lista de mediocridades que o receberam. Pior ainda, o prémio Nobel é atribuído muitas vezes por razões de nacionalidade ou pura política, sem relação alguma com a obra, que num determinado ano a Academia Sueca resolveu escolher. Que Saramago fosse o único escritor de língua portuguesa a receber essa mais do que duvidosa distinção não o acrescenta em nada, nem acrescenta em nada a língua portuguesa. Só a patriotice indígena (de resto, interessada) a pode levar a sério e protestar agora indignadamente porque o Presidente da República se recusou a ir ao enterro do homem. Por mais que se diga, e até que se berre, Saramago não era uma glória nacional indiscutida e universalmente venerada.»

Vasco Pulido Valente, Público

A ABORRECIDA REALIDADE


Quem não se lembra do simpático e bem parecido dr. Miguel Oliveira e Silva, campeão mediático, ao lado da esquerda caviar abastada, na campanha do referendo acerca do aborto? Quem esquece as suas aplaudidas e inflamadas intervenções televisivas a favor da lei em vigor? Entretanto, o dr. Oliveira e Silva "evoluiu" para presidente do Conselho de Ética e deu pela realidade. De certeza que a maioria das mulheres a que alude na entrevista não pertence às classes média e média alta que estavam tão bem representadas nesses movimentos pelo "sim" e que, alarvemente, destratavam em público os seus oponentes quando estes falavam justamente de realidade.

«O número de abortos está a subir. De 12 mil passou para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009.

Aumentaram os abortos ou a visibilidade sobre eles?
Está a subir o registo legal do número de abortos até às dez semanas.

Era expectável...

É expectável durante dois a três anos que isso aconteça porque são muitas mulheres que vêm do aborto clandestino e que o deixam de fazer às escondidas. Mas vamos ver até quando vão continuar a subir. Se os números continuarem a subir, a subir, é o total falhanço do planeamento familiar.»

É não é, dr. Oliveira e Silva? Temos pena mas não temos culpa. Pensasse nisso antes.

A ABORRECIDA REALIDADE


Quem não se lembra do simpático e bem parecido dr. Miguel Oliveira e Silva, campeão mediático, ao lado da esquerda caviar abastada, na campanha do referendo acerca do aborto? Quem esquece as suas aplaudidas e inflamadas intervenções televisivas a favor da lei em vigor? Entretanto, o dr. Oliveira e Silva "evoluiu" para presidente do Conselho de Ética e deu pela realidade. De certeza que a maioria das mulheres a que alude na entrevista não pertence às classes média e média alta que estavam tão bem representadas nesses movimentos pelo "sim" e que, alarvemente, destratavam em público os seus oponentes quando estes falavam justamente de realidade.

«O número de abortos está a subir. De 12 mil passou para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009.

Aumentaram os abortos ou a visibilidade sobre eles?
Está a subir o registo legal do número de abortos até às dez semanas.

Era expectável...

É expectável durante dois a três anos que isso aconteça porque são muitas mulheres que vêm do aborto clandestino e que o deixam de fazer às escondidas. Mas vamos ver até quando vão continuar a subir. Se os números continuarem a subir, a subir, é o total falhanço do planeamento familiar.»

É não é, dr. Oliveira e Silva? Temos pena mas não temos culpa. Pensasse nisso antes.

26.6.10

SUGESTÃO "ÚTIL E CONSTRUTIVA"


«Talvez se Cavaco desse um passeio em cima de um elefante animasse a malta

André Levy, 5 dias

SUGESTÃO "ÚTIL E CONSTRUTIVA"


«Talvez se Cavaco desse um passeio em cima de um elefante animasse a malta

André Levy, 5 dias

O "GLEIMUR" DE SÓCRATES



No clip do filme "Feios, Porcos e Maus, a "matriarca" está a aprender inglês pela telescola. Repete as palavras que a deixam ouvir e, no fim, depois de alguém dizer "nada", a senhora esclarece que "nada" em inglês é "nating". Tal como "glamour", na boca de Sócrates, se pronuncia "gleimur". Foi nos Arcos. Entre Camões e Mário Soares.

O "GLEIMUR" DE SÓCRATES



No clip do filme "Feios, Porcos e Maus, a "matriarca" está a aprender inglês pela telescola. Repete as palavras que a deixam ouvir e, no fim, depois de alguém dizer "nada", a senhora esclarece que "nada" em inglês é "nating". Tal como "glamour", na boca de Sócrates, se pronuncia "gleimur". Foi nos Arcos. Entre Camões e Mário Soares.

UMA COISA SIMPLES


Há para aí uns cretinos, simples e funcionais, que apreciariam que Cavaco entrasse em "licença sem vencimento" até à tomada de posse do PR em Março do ano que vem. Nunca - e já lá vão três presidentes eleitos - foi feita uma marcação tão toscamente evidente a um Presidente em exercício. Sá Carneiro, em 1980, não queria a reeleição de Eanes (quase no fim do ano juntou-se-lhe Mário Soares) mas teve a elevação de, pura e simplesmente, deixar de comparecer, como primeiro-ministro, em actos oficiais com o Chefe de Estado. Delegava. Apesar de ter sido presidente de um partido e chefe de governo, Cavaco é olhado pelos dependentes partidários e pelos serviçais do regime como um estranho e um intruso, um pouco à semelhança do que aconteceu a Eanes. Alguém se lembrou de chatear Soares ou Sampaio, duas vetustas glórias socialistas, no derradeiro ano do primeiro mandato por terem exercido plenamente as respectivas funções? Todavia, enganem-se aqueles que imaginam vergar Cavaco com os seus delírios ou as suas necedades. Independentemente da maior ou menor felicidade nas formulações, o PR disfruta de uma popularidade que decorre, acima de tudo, de uma coisa simples. Não possui dilemas com a verdade.

Adenda: O telejornal da RTP (noite) esteve mais de quinze minutos em campanha descarada contra o Chefe de Estado a pretexto da "homenagem" minhota a Mário Soares. Não haverá, como na PT, nenhum estrangeiro, sobretudo da Nigéria ou da Coreia do Norte, interessado em levar a RTP e o seu "conceito" de "serviço público" daqui para fora?

UMA COISA SIMPLES


Há para aí uns cretinos, simples e funcionais, que apreciariam que Cavaco entrasse em "licença sem vencimento" até à tomada de posse do PR em Março do ano que vem. Nunca - e já lá vão três presidentes eleitos - foi feita uma marcação tão toscamente evidente a um Presidente em exercício. Sá Carneiro, em 1980, não queria a reeleição de Eanes (quase no fim do ano juntou-se-lhe Mário Soares) mas teve a elevação de, pura e simplesmente, deixar de comparecer, como primeiro-ministro, em actos oficiais com o Chefe de Estado. Delegava. Apesar de ter sido presidente de um partido e chefe de governo, Cavaco é olhado pelos dependentes partidários e pelos serviçais do regime como um estranho e um intruso, um pouco à semelhança do que aconteceu a Eanes. Alguém se lembrou de chatear Soares ou Sampaio, duas vetustas glórias socialistas, no derradeiro ano do primeiro mandato por terem exercido plenamente as respectivas funções? Todavia, enganem-se aqueles que imaginam vergar Cavaco com os seus delírios ou as suas necedades. Independentemente da maior ou menor felicidade nas formulações, o PR disfruta de uma popularidade que decorre, acima de tudo, de uma coisa simples. Não possui dilemas com a verdade.

Adenda: O telejornal da RTP (noite) esteve mais de quinze minutos em campanha descarada contra o Chefe de Estado a pretexto da "homenagem" minhota a Mário Soares. Não haverá, como na PT, nenhum estrangeiro, sobretudo da Nigéria ou da Coreia do Norte, interessado em levar a RTP e o seu "conceito" de "serviço público" daqui para fora?

«A MINHA REDACÇÃO DA 2ª CLASSE»


«Mário Soares é um patriota, gosta de Camões. Eu gosto dos políticos que gostam de Camões. Eu gosto muito do doutor Mário Soares.»

José Sócrates, Arcos de Valdevez

«A MINHA REDACÇÃO DA 2ª CLASSE»


«Mário Soares é um patriota, gosta de Camões. Eu gosto dos políticos que gostam de Camões. Eu gosto muito do doutor Mário Soares.»

José Sócrates, Arcos de Valdevez

O REGIME NUM ARTIGO DE UMA LEI

«O Governo propõe [na lei da televisão] que as administrações possam "interferir na produção dos conteúdos de natureza informativa, bem como na forma da sua apresentação", se houver a hipótese (!) de incumprimentos legais pelos jornalistas. Esta norma alteraria profundamente a relação entre as administrações e as direcções de informação e programas, agravando os processos de autocensura e de interferência nas linhas editoriais por pressão externa. As redacções, conselhos de redacção e associações de jornalistas e defensores da liberdade de imprensa devem atentar neste Artigo 35.º da proposta do Governo. E os deputados devem votar contra esta nova tentativa governamental de apertar o garrote às liberdades.»

Eduardo Cintra Torres, Público

O REGIME NUM ARTIGO DE UMA LEI

«O Governo propõe [na lei da televisão] que as administrações possam "interferir na produção dos conteúdos de natureza informativa, bem como na forma da sua apresentação", se houver a hipótese (!) de incumprimentos legais pelos jornalistas. Esta norma alteraria profundamente a relação entre as administrações e as direcções de informação e programas, agravando os processos de autocensura e de interferência nas linhas editoriais por pressão externa. As redacções, conselhos de redacção e associações de jornalistas e defensores da liberdade de imprensa devem atentar neste Artigo 35.º da proposta do Governo. E os deputados devem votar contra esta nova tentativa governamental de apertar o garrote às liberdades.»

Eduardo Cintra Torres, Público

O REGIME NUMA PERGUNTA

«Para que serve Sócrates?»

Vasco Pulido Valente, Público

O REGIME NUMA PERGUNTA

«Para que serve Sócrates?»

Vasco Pulido Valente, Público

POR QUE É QUE ISTO É INSUSTENTÁVEL



«O presidente da Caixa (Geral de Depósitos) diz que a situação dos bancos portugueses é pior do que a vivida nos dias que se seguiram à falência do banco americano Lehman Brothers» (...) e «os mercados interbancários e os mercados financeiros em geral continuam praticamente fechados para a banca dos países do sul da Europa.» (da 1ª página do Expresso). As trupes inconsequentes (Sócrates, Soares e meia dúzia de analfabetos funcionais do PS) e as ignorantes (Alegre) preferem as trombetas do "optimismo" e da "confiança" como quem abre o canal panda às criancinhas para elas comerem a sopa que execram. Começa a ser insustentável sustentar estas marionetas da propaganda.

POR QUE É QUE ISTO É INSUSTENTÁVEL



«O presidente da Caixa (Geral de Depósitos) diz que a situação dos bancos portugueses é pior do que a vivida nos dias que se seguiram à falência do banco americano Lehman Brothers» (...) e «os mercados interbancários e os mercados financeiros em geral continuam praticamente fechados para a banca dos países do sul da Europa.» (da 1ª página do Expresso). As trupes inconsequentes (Sócrates, Soares e meia dúzia de analfabetos funcionais do PS) e as ignorantes (Alegre) preferem as trombetas do "optimismo" e da "confiança" como quem abre o canal panda às criancinhas para elas comerem a sopa que execram. Começa a ser insustentável sustentar estas marionetas da propaganda.

25.6.10

PEQUENINOS DE NASCENÇA

O Paulo Pinto Mascarenhas percebeu o que é aquilo a que chamo a "direita amiguinha" deslumbrada, entre outras coisas, pelo "fenómeno Galamba" - um rapaz em estágio político-mediático para chegar a híbrido de Vitalino Canas com Sousa Pinto e Marques Lopes quando for grande. E sentiu, pelos vistos, como se manifestam as "solidariedades" mais inesperadas e improváveis entre membros dessa "direita amiguinha" e destacadas figuras, conhecidas ou "anónimas", do "socratismo" (e não necessariamente do PS apesar do cartão ter a mesma proveniência.) Aliás, sei bem o que custa pessoalmente não ser complacente com essas lixeiras morais pela frequente "coincidência" com que muita gente deixou de me conhecer. O telefone toca menos vezes? Paciência. É tempo ganho a conviver com esses amigos persistentes que são os livros ou a música. E, Paulo, não há nada mais agradável do que poder respirar em zonas livres de pulhice e de comadrio. Razão tinha o admirado, por tanto "liberal" português a bibe e a fraldas, Churchill. Os nossos inimigos estão "deste" lado até porque, para se ser e ter adversários, é preciso ser-se intelectualmente adulto, logo, sério. Quem é pequenino de nascença, não chega lá.

PEQUENINOS DE NASCENÇA

O Paulo Pinto Mascarenhas percebeu o que é aquilo a que chamo a "direita amiguinha" deslumbrada, entre outras coisas, pelo "fenómeno Galamba" - um rapaz em estágio político-mediático para chegar a híbrido de Vitalino Canas com Sousa Pinto e Marques Lopes quando for grande. E sentiu, pelos vistos, como se manifestam as "solidariedades" mais inesperadas e improváveis entre membros dessa "direita amiguinha" e destacadas figuras, conhecidas ou "anónimas", do "socratismo" (e não necessariamente do PS apesar do cartão ter a mesma proveniência.) Aliás, sei bem o que custa pessoalmente não ser complacente com essas lixeiras morais pela frequente "coincidência" com que muita gente deixou de me conhecer. O telefone toca menos vezes? Paciência. É tempo ganho a conviver com esses amigos persistentes que são os livros ou a música. E, Paulo, não há nada mais agradável do que poder respirar em zonas livres de pulhice e de comadrio. Razão tinha o admirado, por tanto "liberal" português a bibe e a fraldas, Churchill. Os nossos inimigos estão "deste" lado até porque, para se ser e ter adversários, é preciso ser-se intelectualmente adulto, logo, sério. Quem é pequenino de nascença, não chega lá.

AS ÁRVORES E A FLORESTA

O senhor conselheiro Pinto Monteiro ficará na história da PGR como o homem que mais inquéritos internos abriu aos inquéritos que justificam, entre outras coisas, a existência de uma PGR. O senhor conselheiro parece preocupar-se sempre mais com as árvores do que com a floresta. Ainda lhe cai uma em cima.

AS ÁRVORES E A FLORESTA

O senhor conselheiro Pinto Monteiro ficará na história da PGR como o homem que mais inquéritos internos abriu aos inquéritos que justificam, entre outras coisas, a existência de uma PGR. O senhor conselheiro parece preocupar-se sempre mais com as árvores do que com a floresta. Ainda lhe cai uma em cima.

TENTAR NÃO IR AO FUNDO


Com honestidade e verdade. Sempre é um princípio no meio da falta deles.

TENTAR NÃO IR AO FUNDO


Com honestidade e verdade. Sempre é um princípio no meio da falta deles.

PARA O FUNDO


«Muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelo país.»O que lhe vale é que há sempre uma alma cristãmente caridosa para lhe lamber as feridas fora do "circuito profissional lambe-botista Canas e Cia."

PARA O FUNDO


«Muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelo país.»O que lhe vale é que há sempre uma alma cristãmente caridosa para lhe lamber as feridas fora do "circuito profissional lambe-botista Canas e Cia."

A VELADORA DO ESQUELETO CULTURAL


A mulher desta entrevista é a mesma desta? Apesar do desdém que revela pelos "administrativos" (sic) lá pelo meio, Canavilhas, afinal, é mais uma "visionária", inconsequente e burocratizada, que o ministério da Ajuda acolheu sob a tutela de Sócrates. «Esta é a altura em que temos que parar para pensar. Perceber, por exemplo, de que forma podemos preparar o terreno, para, quando a crise for ultrapassada, termos um esqueleto cultural com capacidade de ser mais perene e fundamentado.», debitou a pobrezinha. Canavilhas está apenas, como o seu querido líder, à espera que o tempo passe. E depressa. Foi o que ela quis dizer.

A VELADORA DO ESQUELETO CULTURAL


A mulher desta entrevista é a mesma desta? Apesar do desdém que revela pelos "administrativos" (sic) lá pelo meio, Canavilhas, afinal, é mais uma "visionária", inconsequente e burocratizada, que o ministério da Ajuda acolheu sob a tutela de Sócrates. «Esta é a altura em que temos que parar para pensar. Perceber, por exemplo, de que forma podemos preparar o terreno, para, quando a crise for ultrapassada, termos um esqueleto cultural com capacidade de ser mais perene e fundamentado.», debitou a pobrezinha. Canavilhas está apenas, como o seu querido líder, à espera que o tempo passe. E depressa. Foi o que ela quis dizer.

O PODER DAS PALAVRAS


«When words lose their integrity so do the ideas they express. If we privilege personal expression over formal convention, then we are privatizing language no less than we have privatized so much else. “When I use a word,” Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone, “it means just what I choose it to mean—neither more nor less.” “The question is,” said Alice, “whether you can make words mean so many different things.” Alice was right: the outcome is anarchy. In “Politics and the English Language,” Orwell castigated contemporaries for using language to mystify rather than inform. His critique was directed at bad faith: people wrote poorly because they were trying to say something unclear or else deliberately prevaricating. Our problem, it seems to me, is different. Shoddy prose today bespeaks intellectual insecurity: we speak and write badly because we don’t feel confident in what we think and are reluctant to assert it unambiguously (“It’s only my opinion…”). Rather than suffering from the onset of “newspeak,” we risk the rise of “nospeak.” (...) Though I am now more sympathetic to those constrained to silence I remain contemptuous of garbled language. No longer free to exercise it myself, I appreciate more than ever how vital communication is to the republic: not just the means by which we live together but part of what living together means. The wealth of words in which I was raised were a public space in their own right—and properly preserved public spaces are what we so lack today. If words fall into disrepair, what will substitute? They are all we have.»
Tony Judt

O PODER DAS PALAVRAS


«When words lose their integrity so do the ideas they express. If we privilege personal expression over formal convention, then we are privatizing language no less than we have privatized so much else. “When I use a word,” Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone, “it means just what I choose it to mean—neither more nor less.” “The question is,” said Alice, “whether you can make words mean so many different things.” Alice was right: the outcome is anarchy. In “Politics and the English Language,” Orwell castigated contemporaries for using language to mystify rather than inform. His critique was directed at bad faith: people wrote poorly because they were trying to say something unclear or else deliberately prevaricating. Our problem, it seems to me, is different. Shoddy prose today bespeaks intellectual insecurity: we speak and write badly because we don’t feel confident in what we think and are reluctant to assert it unambiguously (“It’s only my opinion…”). Rather than suffering from the onset of “newspeak,” we risk the rise of “nospeak.” (...) Though I am now more sympathetic to those constrained to silence I remain contemptuous of garbled language. No longer free to exercise it myself, I appreciate more than ever how vital communication is to the republic: not just the means by which we live together but part of what living together means. The wealth of words in which I was raised were a public space in their own right—and properly preserved public spaces are what we so lack today. If words fall into disrepair, what will substitute? They are all we have.»
Tony Judt

24.6.10

DOS CHIPS AO SHIPWRECK


De facto. Mais do que os ridículos chips fascistóides, o que aí vem é um imenso shipwreck sobre o qual ninguém fala dada a maciça vuvuzelização em curso, irresponsavelmente alimentada pelas "elites" paroquianas. Só os Pravdas rosa-choque da blogosfera é que prosseguem na sua colorida agitprop como se os amanhãs socráticos ainda cantassem. Que pobreza material e de espírito.

DOS CHIPS AO SHIPWRECK


De facto. Mais do que os ridículos chips fascistóides, o que aí vem é um imenso shipwreck sobre o qual ninguém fala dada a maciça vuvuzelização em curso, irresponsavelmente alimentada pelas "elites" paroquianas. Só os Pravdas rosa-choque da blogosfera é que prosseguem na sua colorida agitprop como se os amanhãs socráticos ainda cantassem. Que pobreza material e de espírito.

O MIÚDO QUER ANDAR ÀS CAVALITAS


Manuel Alegre - que aparece todos os dias sem que haja alguém que lhe explique que não é suportável aguentar-se tamanha basófia irrelevante até Janeiro - parece um miúdo a tentar chamar a atenção ao mais velho (que não lhe liga nenhuma) para ver se o mais velho o leva às cavalitas. É melhor entreter-se sozinho, embalado pela doce voz de Maria de Belém, entre tiros a pássaros e caçadas menores.