
Percorro a jornalada - só no Público são 18 páginas- e vá de orçamento para trás e para diante. Um marciano julgaria que Fernando Medina é o novo Aladino, e não um antigo autarca da capital derrotado há apenas um ano. Articulistas de “direita”, Deus me perdoe, tremelicam de encómios ao “acordo” que Costa conseguiu arrancar dos pastelões da concertação social, agora exibidos pela propaganda socialista como os novos heróis do altar da pátria. A coisa não é para mil anos, mas é às postinhas de pescada para quatro. “Eu show Medina”, e uma mão lava a outra e os jornais e as tvs lavam tudo mais brilhante. O sr. D. Fradique é que os (nos) topava. Depois de várias peripécias para chegar a Lisboa por via férrea, vindo do Porto, e já à beira do Hotel Bragança a bordo de uma caleche cujo cocheiro lhe pediu "não menos de três mil réis" pelo transporte, Fradique Mendes é reconhecido pelo homem, "à luz do vestíbulo" que lhe batia na face. "Então, são três mil réis?", pergunta. Responde o homem: - Aquilo era por dizer...Eu não tinha conhecido o sr. D. Fradique...Lá para o sr. D. Fradique é o que quiser. Humilhação incomparável! Senti logo não sei que torpe enternecimento que me amolecia o coração. Era a bonacheirice, a relassa fraqueza que nos enlaça a todos nós Portugueses, nos enche de culpada indulgência uns para os outros, e irremediavelmente estraga entre nós toda a disciplina e toda a ordem. Sim, minha cara madrinha... Aquele bandido conhecia o sr. D. Fradique. Tinha um sorriso brejeiro e serviçal. Ambos éramos portugueses.”


























Isto é o último parágrafo da crónica de Miguel Monjardino no Expresso. Claramente pró-ucraniano, Monjardino, contudo, não deixa de constatar o chamado óbvio ululante. Putin não quer saber do comunismo e da União Soviética para nada. O pan-eslavismo de Vladimir Vladimirovich é de outra natureza e, como dizia o outro, estava escrito nas estrelas (nas actas, nas gravações audiovisuais, etc.) que o que se está a passar, com maior ou menor infelicidade, ia passar-se. Putin não perdoa a década perdida, e embebida em álcool que ele não consome, de 90 e que, nomeadamente, a NATO aproveitou para se expandir até às fronteiras da Federação. A coisa vai continuar a ser a doer. 




















