31.1.09

MAU GOSTO "INFORMATIVO"

De acordo com Vital Moreira. O que é que uma coisa passada em 1998 tem a ver com o que quer que seja que ande no ar? Também uma "televisão de referência" passou o dia agarrada à "história". Por uma vez, o seu director de informação andou bem quando a colega lhe perguntou se aquilo interessava alguma coisa. Para além do mau gosto, não interessa nada.

MAU GOSTO "INFORMATIVO"

De acordo com Vital Moreira. O que é que uma coisa passada em 1998 tem a ver com o que quer que seja que ande no ar? Também uma "televisão de referência" passou o dia agarrada à "história". Por uma vez, o seu director de informação andou bem quando a colega lhe perguntou se aquilo interessava alguma coisa. Para além do mau gosto, não interessa nada.

O PAÍS DO ZEZITO OU O "ASSUNTO DE ESTADO PODEMOS ASSIM DIZER"


«Parabéns a uma parte do jornalismo português no caso Freeport (ou “Fripór”, como se diz em “inglês técnico”). Essa parte do jornalismo provou que a liberdade de informar e ser informado é, nos putativos sistemas democráticos do século XXI, um bem crucial dos cidadãos. Por isso a têm atacado tanto. Ela nos separa dum novo tipo de ditadura. A parte dos media vendida ao poder começou por fornecer a música de violinos à propaganda e ao lodaçal que nos afunda. Mas nota-se que alguns ratos que serviam o governo já começaram a abandonar o barco. O sistema — a investigação, o PGR, a cândida Cândida, a justiça, o parlamento, os políticos, os partidos, até a constituição — funciona para alimentar o sistema. A normalidade do sistema que nos andam a vender em comunicados, comunicações e entrevistas é a mais absurda anormalidade para nós, os outros todos. O sistema político-administrativo-judicial-financeiro parece só servir para aguentar o poder e a mentira. À crise económico-financeira gerida pela pior política financeira da UE junta-se agora a pior crise moral das últimas décadas. O sistema mantém-se à tona enquanto o país vai ao fundo. Quantos mais dias, semanas, meses perdurará a presente crise moral?»

Eduardo Cintra Torres, Público

O PAÍS DO ZEZITO OU O "ASSUNTO DE ESTADO PODEMOS ASSIM DIZER"


«Parabéns a uma parte do jornalismo português no caso Freeport (ou “Fripór”, como se diz em “inglês técnico”). Essa parte do jornalismo provou que a liberdade de informar e ser informado é, nos putativos sistemas democráticos do século XXI, um bem crucial dos cidadãos. Por isso a têm atacado tanto. Ela nos separa dum novo tipo de ditadura. A parte dos media vendida ao poder começou por fornecer a música de violinos à propaganda e ao lodaçal que nos afunda. Mas nota-se que alguns ratos que serviam o governo já começaram a abandonar o barco. O sistema — a investigação, o PGR, a cândida Cândida, a justiça, o parlamento, os políticos, os partidos, até a constituição — funciona para alimentar o sistema. A normalidade do sistema que nos andam a vender em comunicados, comunicações e entrevistas é a mais absurda anormalidade para nós, os outros todos. O sistema político-administrativo-judicial-financeiro parece só servir para aguentar o poder e a mentira. À crise económico-financeira gerida pela pior política financeira da UE junta-se agora a pior crise moral das últimas décadas. O sistema mantém-se à tona enquanto o país vai ao fundo. Quantos mais dias, semanas, meses perdurará a presente crise moral?»

Eduardo Cintra Torres, Público

COMO SE REBAIXA UM ESTADO


«A seriedade é antes de mais a conformidade dos sentimentos com as ideias e a conformidade dos actos com os princípios. Na vida pública como na vida privada, a falta de sinceridade desalenta e fatiga: nenhum regime político que emprega a mentira como método de governação (ou se limita a verdades convencionais) pode ter crédito na alma popular.»

Salazar, Como se levanta um Estado, 1937

COMO SE REBAIXA UM ESTADO


«A seriedade é antes de mais a conformidade dos sentimentos com as ideias e a conformidade dos actos com os princípios. Na vida pública como na vida privada, a falta de sinceridade desalenta e fatiga: nenhum regime político que emprega a mentira como método de governação (ou se limita a verdades convencionais) pode ter crédito na alma popular.»

Salazar, Como se levanta um Estado, 1937

A FALTA DE ESPERANÇA

"A sociedade portuguesa anda inquieta e desorientada. A tempestade aproxima-se e não se encontra abrigo seguro. Não surgem ideias, personalidades, exemplos, programas que sirvam de ponto de apoio onde se finque os pés para começar de novo. Reside nisto a falta de esperança."

José Medeiros Ferreira

A FALTA DE ESPERANÇA

"A sociedade portuguesa anda inquieta e desorientada. A tempestade aproxima-se e não se encontra abrigo seguro. Não surgem ideias, personalidades, exemplos, programas que sirvam de ponto de apoio onde se finque os pés para começar de novo. Reside nisto a falta de esperança."

José Medeiros Ferreira

GRANDEZA



Bach: Goldberg Variations. Glenn Gould. 1964

GRANDEZA



Bach: Goldberg Variations. Glenn Gould. 1964

FATALIDADE

O "segredo de justiça" está, uma vez mais, na sarjeta. Desta vez com ampla colaboração daquilo a que apelidam de seus "operadores". E não, não estou a pensar em nenhum escrivão de direito ou num jornalista atrevido. É mais um sinal da nossa fatalidade latino-americana ou centro-africana. Como preferirem.

Adenda:

«Todos os que civilizadamente pagam os seus impostos e procuram comportar-se na vida em sociedade de forma honesta exigem (...) que a justiça separe o que é essencial do acessório: neste caso, a busca da verdade material com recurso a todos os meios legais deve prevalecer sobre oportunos nacionalismos balofos. Sobre as lógicas de velhas quintas do Ministério Público, dominadas por ‘barões’ e ‘marquesas’, como há tempos ilustrou o actual PGR. Um Estado em que os cidadãos perdem a confiança nos políticos e o respeito pela Justiça torna-se um pântano a caminho da anarquia ou de outra ordem musculada. É bom que o Presidente da República retire ou reafirme a confiança em Pinto Monteiro.»

Octávio Ribeiro

FATALIDADE

O "segredo de justiça" está, uma vez mais, na sarjeta. Desta vez com ampla colaboração daquilo a que apelidam de seus "operadores". E não, não estou a pensar em nenhum escrivão de direito ou num jornalista atrevido. É mais um sinal da nossa fatalidade latino-americana ou centro-africana. Como preferirem.

Adenda:

«Todos os que civilizadamente pagam os seus impostos e procuram comportar-se na vida em sociedade de forma honesta exigem (...) que a justiça separe o que é essencial do acessório: neste caso, a busca da verdade material com recurso a todos os meios legais deve prevalecer sobre oportunos nacionalismos balofos. Sobre as lógicas de velhas quintas do Ministério Público, dominadas por ‘barões’ e ‘marquesas’, como há tempos ilustrou o actual PGR. Um Estado em que os cidadãos perdem a confiança nos políticos e o respeito pela Justiça torna-se um pântano a caminho da anarquia ou de outra ordem musculada. É bom que o Presidente da República retire ou reafirme a confiança em Pinto Monteiro.»

Octávio Ribeiro

A PRETO E BRANCO


"O primeiro-ministro tem razão: isto é uma "Campanha Negra". Negríssima! Iniciemos a "Campanha Branca"! Informado pelo tio do caso de um senhor a quem pediam 4 milhões de qualquer coisa para que fosse aprovado o Freeport, o ministro José Sócrates o que fez? Acedeu ao pedido do tio e teve reunião ou reuniões com os tais senhores. Resultou das reuniões que o projecto foi aprovado e em tempo recorde. Tudo bem! Para isso é que servem os ministros. Para desbloquear procedimentos a favor do país, desde que dentro da lei. Mas então, e a denuncia dos tais 4 milhões? Fez o ministro alguma diligência? Foram a PJ ou o MP informados da tentativa de extorsão de dinheiro ao promotor? Houve processos disciplinares ou nada se fez porque é um caso vulgaríssimo? Ou…? Ou…? O ministro escondeu, calou-se ou apurou responsabilidades? A resposta a estas perguntas define a “CAMPANHA NEGRA” e torna-a “BRANCA”. Era bom que a imprensa e a televisão falassem neste ponto concreto. O resto são nuances!"

(do leitor Valério Guerra)

A PRETO E BRANCO


"O primeiro-ministro tem razão: isto é uma "Campanha Negra". Negríssima! Iniciemos a "Campanha Branca"! Informado pelo tio do caso de um senhor a quem pediam 4 milhões de qualquer coisa para que fosse aprovado o Freeport, o ministro José Sócrates o que fez? Acedeu ao pedido do tio e teve reunião ou reuniões com os tais senhores. Resultou das reuniões que o projecto foi aprovado e em tempo recorde. Tudo bem! Para isso é que servem os ministros. Para desbloquear procedimentos a favor do país, desde que dentro da lei. Mas então, e a denuncia dos tais 4 milhões? Fez o ministro alguma diligência? Foram a PJ ou o MP informados da tentativa de extorsão de dinheiro ao promotor? Houve processos disciplinares ou nada se fez porque é um caso vulgaríssimo? Ou…? Ou…? O ministro escondeu, calou-se ou apurou responsabilidades? A resposta a estas perguntas define a “CAMPANHA NEGRA” e torna-a “BRANCA”. Era bom que a imprensa e a televisão falassem neste ponto concreto. O resto são nuances!"

(do leitor Valério Guerra)

30.1.09

O ÓBVIO E OS OBTUSOS

«Um país em recessão não pode ser governado desta maneira.»

Pedro Correia, Delito de Opinião

O ÓBVIO E OS OBTUSOS

«Um país em recessão não pode ser governado desta maneira.»

Pedro Correia, Delito de Opinião

A PRESSA


«Remanesce uma outra questão essencial: qual foi a razão de tanta pressa por parte do Freeport em apresentar esta segunda versão ainda a tempo da legislatura do Partido Socialista? E também qual a razão da Administração Pública o querer, a toda a força, aprová-lo num Governo de gestão? É que se o Governo socialista estava quase de saída, a Comissão de Coordenação Regional de Lisboa e Vale do Tejo - a entidade coordenadora da avaliação do EIA do Freeport - continuou a existir. E, aliás, ainda existe...»

Pedro Almeida Vieira, Estrago da Nação

A PRESSA


«Remanesce uma outra questão essencial: qual foi a razão de tanta pressa por parte do Freeport em apresentar esta segunda versão ainda a tempo da legislatura do Partido Socialista? E também qual a razão da Administração Pública o querer, a toda a força, aprová-lo num Governo de gestão? É que se o Governo socialista estava quase de saída, a Comissão de Coordenação Regional de Lisboa e Vale do Tejo - a entidade coordenadora da avaliação do EIA do Freeport - continuou a existir. E, aliás, ainda existe...»

Pedro Almeida Vieira, Estrago da Nação

UM RETRATO

«Em Coimbra, matriculou-se no recém-criado Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), por onde viria a obter, mais uma vez com nota medíocre, o grau de bacharel. Como diria: "Aos vinte e um anos, eu tinha tirado o sétimo ano, tinha estado quatro anos em Engenharia, também não queria ser muito engenheiro, mas era melhor ser engenheiro do que não ser", após o que acrescentava: "Eu esperei que a vida me surpreendesse, esperei pelo meu Sol". Antes, teve de assinar projectos de construção feitos por outros, com o objectivo de transformar barracões horrendos em mansões ainda mais horrendas. Ao que me dizem, trata-se de um costume nacional, o que nada explica nem desculpa, uma vez que nunca se devem assinar coisas que não são da nossa autoria. Começavam as trafulhices. Vieram outras. Embora o seu "curriculum" fosse confuso e mais confusa ainda a Universidade que lhe dera o diploma, resolveu promover-se a engenheiro. Na política, fez parte da geração, criada em redoma dentro dos aparelhos partidários. A sua única experiência profissional era a de técnico da Câmara da Covilhã, para onde, na década de 1980, havia sido levado pelo pai. Depois, foi deputado, secretário de Estado e Ministro do Ambiente e, a 15 de Julho de 2004, candidatou-se, com êxito, à liderança do Partido Socialista. A 12 de Março do ano seguinte, era convidado a formar governo. Por fim, o Sol alumiava-o.»

Maria Filomena Mónica, Jornal de Negócios

UM RETRATO

«Em Coimbra, matriculou-se no recém-criado Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), por onde viria a obter, mais uma vez com nota medíocre, o grau de bacharel. Como diria: "Aos vinte e um anos, eu tinha tirado o sétimo ano, tinha estado quatro anos em Engenharia, também não queria ser muito engenheiro, mas era melhor ser engenheiro do que não ser", após o que acrescentava: "Eu esperei que a vida me surpreendesse, esperei pelo meu Sol". Antes, teve de assinar projectos de construção feitos por outros, com o objectivo de transformar barracões horrendos em mansões ainda mais horrendas. Ao que me dizem, trata-se de um costume nacional, o que nada explica nem desculpa, uma vez que nunca se devem assinar coisas que não são da nossa autoria. Começavam as trafulhices. Vieram outras. Embora o seu "curriculum" fosse confuso e mais confusa ainda a Universidade que lhe dera o diploma, resolveu promover-se a engenheiro. Na política, fez parte da geração, criada em redoma dentro dos aparelhos partidários. A sua única experiência profissional era a de técnico da Câmara da Covilhã, para onde, na década de 1980, havia sido levado pelo pai. Depois, foi deputado, secretário de Estado e Ministro do Ambiente e, a 15 de Julho de 2004, candidatou-se, com êxito, à liderança do Partido Socialista. A 12 de Março do ano seguinte, era convidado a formar governo. Por fim, o Sol alumiava-o.»

Maria Filomena Mónica, Jornal de Negócios

NÃO ALIMENTAR ILUSÕES


Os verdadeiros "casos", aqueles que moem a vida das pessoas, são, por exemplo, a suspensão da produção em fábricas do norte do país, as insolvências e as falências que aumentaram quase setenta por cento em 2008 ou a queda de quase doze por cento da produção industrial em Dezembro. Quanto a despedimentos, nem vale a pena insistir. Como afirmou hoje o Chefe de Estado, «homens e mulheres que sofrem em silêncio, ainda mal refeitos do choque que representa perderem um emprego ou o esboroar de um estilo de vida que se julgava conquistado. Estes são já identificados na Comunicação Social como os “novos pobres”. Hoje somos confrontados diariamente com dramas pessoais e familiares que dificilmente poderíamos imaginar. São dramas que as estatísticas nem sempre revelam, mas que nos vão alertando para a dimensão social que a actual crise económica e financeira tem vindo a assumir. As cartas que diariamente chegam à Presidência da República, os testemunhos que as organizações cívicas nos vão transmitindo ou os relatos da comunicação social, dão-nos uma outra expressão da realidade que os números nem sempre conseguem traduzir. A realidade dos “novos pobres”, cuja incidência é maior nos centros urbanos, já não se alimenta de ilusões.»

NÃO ALIMENTAR ILUSÕES


Os verdadeiros "casos", aqueles que moem a vida das pessoas, são, por exemplo, a suspensão da produção em fábricas do norte do país, as insolvências e as falências que aumentaram quase setenta por cento em 2008 ou a queda de quase doze por cento da produção industrial em Dezembro. Quanto a despedimentos, nem vale a pena insistir. Como afirmou hoje o Chefe de Estado, «homens e mulheres que sofrem em silêncio, ainda mal refeitos do choque que representa perderem um emprego ou o esboroar de um estilo de vida que se julgava conquistado. Estes são já identificados na Comunicação Social como os “novos pobres”. Hoje somos confrontados diariamente com dramas pessoais e familiares que dificilmente poderíamos imaginar. São dramas que as estatísticas nem sempre revelam, mas que nos vão alertando para a dimensão social que a actual crise económica e financeira tem vindo a assumir. As cartas que diariamente chegam à Presidência da República, os testemunhos que as organizações cívicas nos vão transmitindo ou os relatos da comunicação social, dão-nos uma outra expressão da realidade que os números nem sempre conseguem traduzir. A realidade dos “novos pobres”, cuja incidência é maior nos centros urbanos, já não se alimenta de ilusões.»

TEMOR REVERENCIAL?

1. Coligidas todas as inusitadas declarações televisivas da procuradora Cândida Almeida sobre o "processo Freeport", parece que existe uma espécie de temor reverencial perante a figura do primeiro-ministro. «Como no caso Casa Pia há pessoas de primeira e de segunda. Sobre o "Bibi" tudo se podia dizer sem medo de consequências, a começar por tratá-lo com essa alcunha depreciativa. No caso Freeport também há pessoas de primeira e de segunda. Sobre as de primeira nem pensar se pode, e falar muito menos. É toda uma chuva de precauções, cuidados, obséquios, declarações prévias, etc. Sobre, por exemplo, o senhor Charles, o tio e o sobrinho de José Sócrates, já tudo se pode dizer sem qualquer arrepio da língua. É assim que se fazem as coisas.»

2. «Não há transparência nos mecanismos administrativos, há uma partidarização do poder legislativo, de há muito que se assiste a uma tentativa brutal de controlo do poder judicial, a corrupção não é investigada a sério. Do lado da justiça, pactuar com mecanismos anacrónicos de funcionamento e não assumir a eficácia e a celeridade como paradigma já só contribui para a desgraça geral que é o estado actual da Nação.»

3. «Há uma suspeita sobre os "processos" e as "investigações em curso" sob "segredo de justiça" e que são publicados ou circulam entre agentes do poder. A República não pode estar na mão de traficantes de fotocópias ou de espiões vulgares. O novo sistema informático dos tribunais portugueses, o Citius, parece permitir a "consulta" dos processos por gente que lhes é estranha (o que acontece no actual, o Sitaf) – por um ‘administrador informático’; a partir daí, por um amigo, um director-geral, um empresário interessado ou um ministro curioso.»

TEMOR REVERENCIAL?

1. Coligidas todas as inusitadas declarações televisivas da procuradora Cândida Almeida sobre o "processo Freeport", parece que existe uma espécie de temor reverencial perante a figura do primeiro-ministro. «Como no caso Casa Pia há pessoas de primeira e de segunda. Sobre o "Bibi" tudo se podia dizer sem medo de consequências, a começar por tratá-lo com essa alcunha depreciativa. No caso Freeport também há pessoas de primeira e de segunda. Sobre as de primeira nem pensar se pode, e falar muito menos. É toda uma chuva de precauções, cuidados, obséquios, declarações prévias, etc. Sobre, por exemplo, o senhor Charles, o tio e o sobrinho de José Sócrates, já tudo se pode dizer sem qualquer arrepio da língua. É assim que se fazem as coisas.»

2. «Não há transparência nos mecanismos administrativos, há uma partidarização do poder legislativo, de há muito que se assiste a uma tentativa brutal de controlo do poder judicial, a corrupção não é investigada a sério. Do lado da justiça, pactuar com mecanismos anacrónicos de funcionamento e não assumir a eficácia e a celeridade como paradigma já só contribui para a desgraça geral que é o estado actual da Nação.»

3. «Há uma suspeita sobre os "processos" e as "investigações em curso" sob "segredo de justiça" e que são publicados ou circulam entre agentes do poder. A República não pode estar na mão de traficantes de fotocópias ou de espiões vulgares. O novo sistema informático dos tribunais portugueses, o Citius, parece permitir a "consulta" dos processos por gente que lhes é estranha (o que acontece no actual, o Sitaf) – por um ‘administrador informático’; a partir daí, por um amigo, um director-geral, um empresário interessado ou um ministro curioso.»

A TROCA


«Sócrates nasceu politicamente como líder nos estúdios de televisão onde debatia com Santana Lopes. Nunca daí saiu. Fala para jornalistas. Governa a contar com os jornalistas. Quando tudo lhe corre mal culpa os jornalistas. As suas declarações são as de alguém que está a meio dum programa televisivo e acha que lhe trocaram o alinhamento.»

Helena Matos, Blasfémias

Adenda: Em defesa do "querido líder" faltava a fala do dr. Santos Silva - o ministro oficial da propaganda e da propaganda oficial - que praticamente fez uma nova declaração aos jornalistas insistindo na "campanha negra" e em outros chavões muito em voga no PREC. Está "ofendido" mas, como "não é investigador", não sabe quem são os autores da "campanha", embora opine que os ingleses não "carrearam nada de relevante" para a investigação. Sabe muito, o dr. Santos Silva.

A TROCA


«Sócrates nasceu politicamente como líder nos estúdios de televisão onde debatia com Santana Lopes. Nunca daí saiu. Fala para jornalistas. Governa a contar com os jornalistas. Quando tudo lhe corre mal culpa os jornalistas. As suas declarações são as de alguém que está a meio dum programa televisivo e acha que lhe trocaram o alinhamento.»

Helena Matos, Blasfémias

Adenda: Em defesa do "querido líder" faltava a fala do dr. Santos Silva - o ministro oficial da propaganda e da propaganda oficial - que praticamente fez uma nova declaração aos jornalistas insistindo na "campanha negra" e em outros chavões muito em voga no PREC. Está "ofendido" mas, como "não é investigador", não sabe quem são os autores da "campanha", embora opine que os ingleses não "carrearam nada de relevante" para a investigação. Sabe muito, o dr. Santos Silva.

TODOS BONS RAPAZES

O sr. Rendeiro, com a maior das latas, está "confiante" no futuro do BPP agora nas mãos "do Diogo". Foi com esta intimidade paternalista que Rendeiro tratou o novo presidente do banco. Promete.

TODOS BONS RAPAZES

O sr. Rendeiro, com a maior das latas, está "confiante" no futuro do BPP agora nas mãos "do Diogo". Foi com esta intimidade paternalista que Rendeiro tratou o novo presidente do banco. Promete.

"BASTA ANDAR NA RUA"


«Sempre que ouço a palavra "Freeport" desligo a televisão ou paro de ler. Não porque não ache importante saber se o primeiro-ministro se portou ou não como devia, mas porque desde o princípio me perdi no meio da embrulhada. Como aconteceu, presumo, a dois terços do país. Só que o alvoroço que por aí se levantou não é inócuo. As coisas passaram o limite do que pode ser esquecido e arrumado. Mesmo que se esclareça até ao último pormenor, o "caso Freeport" nunca deixará de pesar sobre Sócrates - com razão ou sem ela. O cidadão comum, que partilha com orgulho a minha indiferença e opacidade, vai fatalmente concluir que houve ali enredo. Tanto mais que a polícia inglesa - por definição acima da intriga indígena - se meteu no assunto e chegou ao excesso de investigar o próprio primeiro-ministro. Nenhuma explicação que Sócrates decida agora dar atenua ou anula a atmosfera pouco salubre que já se criou. Nem as declarações da Procuradoria-Geral da República lhe valem de muito. Basta andar na rua para se compreender que a opinião está feita. O problema neste momento é o da eficácia de Sócrates como primeiro-ministro. Uma eficácia que o fracasso do Governo, a crise económica, a fronda de Manuel Alegre e a proximidade de eleições substancialmente diminuíram e que o "caso Freeport" se arrisca a desfazer. Se o resto corresse bem, o "caso Freeport" não iria longe; como o resto corre cada vez pior, serve hoje e continuará a servir de símbolo e pretexto ao descontentamento geral. De certa maneira existe a conspiração de que Sócrates suspeita: a conspiração dos portugueses que o detestam e que descobriram de repente um motivo óbvio para correr com ele. No fundo, os méritos da questão não preocupam ninguém, desde que Sócrates desapareça. E ele começa, de facto, a desaparecer.»

Vasco Pulido Valente, Público

"BASTA ANDAR NA RUA"


«Sempre que ouço a palavra "Freeport" desligo a televisão ou paro de ler. Não porque não ache importante saber se o primeiro-ministro se portou ou não como devia, mas porque desde o princípio me perdi no meio da embrulhada. Como aconteceu, presumo, a dois terços do país. Só que o alvoroço que por aí se levantou não é inócuo. As coisas passaram o limite do que pode ser esquecido e arrumado. Mesmo que se esclareça até ao último pormenor, o "caso Freeport" nunca deixará de pesar sobre Sócrates - com razão ou sem ela. O cidadão comum, que partilha com orgulho a minha indiferença e opacidade, vai fatalmente concluir que houve ali enredo. Tanto mais que a polícia inglesa - por definição acima da intriga indígena - se meteu no assunto e chegou ao excesso de investigar o próprio primeiro-ministro. Nenhuma explicação que Sócrates decida agora dar atenua ou anula a atmosfera pouco salubre que já se criou. Nem as declarações da Procuradoria-Geral da República lhe valem de muito. Basta andar na rua para se compreender que a opinião está feita. O problema neste momento é o da eficácia de Sócrates como primeiro-ministro. Uma eficácia que o fracasso do Governo, a crise económica, a fronda de Manuel Alegre e a proximidade de eleições substancialmente diminuíram e que o "caso Freeport" se arrisca a desfazer. Se o resto corresse bem, o "caso Freeport" não iria longe; como o resto corre cada vez pior, serve hoje e continuará a servir de símbolo e pretexto ao descontentamento geral. De certa maneira existe a conspiração de que Sócrates suspeita: a conspiração dos portugueses que o detestam e que descobriram de repente um motivo óbvio para correr com ele. No fundo, os méritos da questão não preocupam ninguém, desde que Sócrates desapareça. E ele começa, de facto, a desaparecer.»

Vasco Pulido Valente, Público

FAIT DIVERS?

Ler, no Blasfémias, a oportuna "série" do Carlos A. Amorim intitulada "Poderes Ocultos". E este post do Vasco Lobo Xavier. Com o devido respeito, consideração e amizade que tenho pela dra. Cândida Almeida, é incompreensível que, na sua qualidade de responsável pela investigação portuguesa do processo Freeport, se desdobre em declarações públicas sobre o mesmo como se estivéssemos a falar de um fait divers. Não é um fait divers. E talvez o SFO britânico venha a explicar isso com mais clareza e discrição do que a PGR portuguesa que parece intervir nisto mais como "comentador" do que outra coisa qualquer. Respeito por prerrogativas institucionais, muito bem. Temor reverencial, nunca.

Adenda: Também foi anunciada a instauração de um inquérito a alegada fuga de informação no caso. Quando se entra por aí - pela periferia e pelos inquéritos sobre os inquéritos - é meio caminho andado para chegar a lado nenhum naquilo que interessa. Holzwege?

FAIT DIVERS?

Ler, no Blasfémias, a oportuna "série" do Carlos A. Amorim intitulada "Poderes Ocultos". E este post do Vasco Lobo Xavier. Com o devido respeito, consideração e amizade que tenho pela dra. Cândida Almeida, é incompreensível que, na sua qualidade de responsável pela investigação portuguesa do processo Freeport, se desdobre em declarações públicas sobre o mesmo como se estivéssemos a falar de um fait divers. Não é um fait divers. E talvez o SFO britânico venha a explicar isso com mais clareza e discrição do que a PGR portuguesa que parece intervir nisto mais como "comentador" do que outra coisa qualquer. Respeito por prerrogativas institucionais, muito bem. Temor reverencial, nunca.

Adenda: Também foi anunciada a instauração de um inquérito a alegada fuga de informação no caso. Quando se entra por aí - pela periferia e pelos inquéritos sobre os inquéritos - é meio caminho andado para chegar a lado nenhum naquilo que interessa. Holzwege?

29.1.09

A PALAVRA -2


Como, do alto da sua campa rasa, o antigo locatário de São Bento se deve estar a rir.

A PALAVRA -2


Como, do alto da sua campa rasa, o antigo locatário de São Bento se deve estar a rir.

O DITO CUJO


O DITO CUJO


A PALAVRA

Com os despedimentos e o desemprego a crescerem, o país está, afinal, e uma vez mais, suspenso da palavra. Até quando vamos continuar a acreditar nessa palavra?

A PALAVRA

Com os despedimentos e o desemprego a crescerem, o país está, afinal, e uma vez mais, suspenso da palavra. Até quando vamos continuar a acreditar nessa palavra?

DA MARCHA DO PROCESSO -2


Eu não disse?

DA MARCHA DO PROCESSO -2


Eu não disse?

A DISCUSSÃO

O congresso do PS previsto para o fim de Fevereiro, em vez de discutir a moção de Sócrates, talvez devesse discutir Sócrates.

A DISCUSSÃO

O congresso do PS previsto para o fim de Fevereiro, em vez de discutir a moção de Sócrates, talvez devesse discutir Sócrates.

DA MARCHA DO PROCESSO


Não se deve esperar nada de extraordinário do "comunicado" da PGR. Perante uma investigação em curso, a PGR só pode ser "branca" e "neutra". Aliás, o caminho já foi preparado pela procuradora responsável pelo DCIAP. Mesmo quando refere que podem existir suspeitas sobre pessoas que "nos representam" - e que isso implica maior celeridade no processo - Cândida Almeida deixou relativamente claro que dificilmente admitirá interferências externas, mesmo que correspondam a pedidos de um organismo como o SFO que não é exactamente um café onde se lêem jornais e revistas. Se o processo Freeport não "andou" em quatro anos, por que raio ia andar agora?

DA MARCHA DO PROCESSO


Não se deve esperar nada de extraordinário do "comunicado" da PGR. Perante uma investigação em curso, a PGR só pode ser "branca" e "neutra". Aliás, o caminho já foi preparado pela procuradora responsável pelo DCIAP. Mesmo quando refere que podem existir suspeitas sobre pessoas que "nos representam" - e que isso implica maior celeridade no processo - Cândida Almeida deixou relativamente claro que dificilmente admitirá interferências externas, mesmo que correspondam a pedidos de um organismo como o SFO que não é exactamente um café onde se lêem jornais e revistas. Se o processo Freeport não "andou" em quatro anos, por que raio ia andar agora?

28.1.09

FREITAS, A REVOLUÇÃO PERMANENTE


O Prof. Freitas do Amaral que escreveu o livrinho da foto - actualizado precisamente em 2002 por ocasião do governo de gestão de Guterres - não deve ser o mesmo que ontem falou na Sic-Notícias a propósito dos poderes legislativos dos governos de gestão. Não deve ser porque estive a relê-lo e recomendo-o até porque tem poucas páginas. O Freitas "televisivo" não seguiu o Freitas "académico". Terá sido mais uma das suas crónicas "evoluções"?

FREITAS, A REVOLUÇÃO PERMANENTE


O Prof. Freitas do Amaral que escreveu o livrinho da foto - actualizado precisamente em 2002 por ocasião do governo de gestão de Guterres - não deve ser o mesmo que ontem falou na Sic-Notícias a propósito dos poderes legislativos dos governos de gestão. Não deve ser porque estive a relê-lo e recomendo-o até porque tem poucas páginas. O Freitas "televisivo" não seguiu o Freitas "académico". Terá sido mais uma das suas crónicas "evoluções"?

SOAP


A família de Sócrates não interessa nada. Ninguém tem culpa da família que lhe calhou. Por consequência, Sócrates não pode ser crucificado gratuitamente por causa de um tio "com uma doença neurológica" ou de um primo em "retiro espiritual". Certos títulos, por isso, não valem nada. Só servem para distrair a atenção do fundamental. Na circunstância, dele.

SOAP


A família de Sócrates não interessa nada. Ninguém tem culpa da família que lhe calhou. Por consequência, Sócrates não pode ser crucificado gratuitamente por causa de um tio "com uma doença neurológica" ou de um primo em "retiro espiritual". Certos títulos, por isso, não valem nada. Só servem para distrair a atenção do fundamental. Na circunstância, dele.

AMIGOS DE PENICHE

Depois de Lino, Silva Pereira e Luís Filipe Menezes, juntaram-se à "comissão de honra de defesa" do admirável Sócrates Freitas do Amaral, o prof. Vital e a especialista mundial em cabalas políticas, a dra. Ana Gomes. João Cravinho, também militante do PS, não se revê na "comissão" e o tradicional petit comité partidário de Sócrates tem guardado prudente silêncio. Freitas proferiu uma aula televisiva de direito administrativo e, como é costume, não disse nada de politicamente relevante que é só, e apenas, o que interessa. Todavia, é mesmo assim. Os amigos são para as ocasiões.

AMIGOS DE PENICHE

Depois de Lino, Silva Pereira e Luís Filipe Menezes, juntaram-se à "comissão de honra de defesa" do admirável Sócrates Freitas do Amaral, o prof. Vital e a especialista mundial em cabalas políticas, a dra. Ana Gomes. João Cravinho, também militante do PS, não se revê na "comissão" e o tradicional petit comité partidário de Sócrates tem guardado prudente silêncio. Freitas proferiu uma aula televisiva de direito administrativo e, como é costume, não disse nada de politicamente relevante que é só, e apenas, o que interessa. Todavia, é mesmo assim. Os amigos são para as ocasiões.

AS "SANTOLAS"

Descrição da "grande porca" ou a "grande porcaria" na versão do entrevistado. "Santolas" que vão andando até que alguém as esmague. Digo eu.

AS "SANTOLAS"

Descrição da "grande porca" ou a "grande porcaria" na versão do entrevistado. "Santolas" que vão andando até que alguém as esmague. Digo eu.

CONSTRUÇÕES FASHION



Afinal, estas belezas sempre tiveram na sua origem "projectos técnicos de arquitectura e de engenharia" elaborados por ele. Assim concluiu a "comissão de inquérito interna" nomeada pela Câmara da Guarda para "averiguar" se o então jovem engenheiro Sócrates teria «assinado numerosos projectos de arquitectura e engenharia relativos a edifícios na Guarda, ao longo da década de 1980, cuja autoria os donos das obras garantem não ser dele, uma situação desmentida pelo actual primeiro-ministro, que garantiu «a autoria e a responsabilidade de todos os projectos.» O senhor que falou pela "comissão" não se esqueceu de referir a veneranda figura do "senhor primeiro-ministro" cuja "imagem", pelos vistos, alguém (o próprio "projectista"?) pretendia denegrir. Outros tempos, sem Fashion Clinic.

CONSTRUÇÕES FASHION



Afinal, estas belezas sempre tiveram na sua origem "projectos técnicos de arquitectura e de engenharia" elaborados por ele. Assim concluiu a "comissão de inquérito interna" nomeada pela Câmara da Guarda para "averiguar" se o então jovem engenheiro Sócrates teria «assinado numerosos projectos de arquitectura e engenharia relativos a edifícios na Guarda, ao longo da década de 1980, cuja autoria os donos das obras garantem não ser dele, uma situação desmentida pelo actual primeiro-ministro, que garantiu «a autoria e a responsabilidade de todos os projectos.» O senhor que falou pela "comissão" não se esqueceu de referir a veneranda figura do "senhor primeiro-ministro" cuja "imagem", pelos vistos, alguém (o próprio "projectista"?) pretendia denegrir. Outros tempos, sem Fashion Clinic.

A DESVITALIZAÇÃO


«Continuamos hoje a enfrentar os mesmos problemas de há dez, quinze anos: deficiências gravíssimas de qualificação, múltiplas fragilidades no domínio da competitividade, desvitalização da nossa democracia, pobreza persistente e muitas desigualdades. Alguns destes problemas põem-se, é certo, numa escala e em contextos diferentes, mas não se alteraram quanto à sua natureza e causas mais profundas.»

Manuel Maria Carrilho, Contingências

A DESVITALIZAÇÃO


«Continuamos hoje a enfrentar os mesmos problemas de há dez, quinze anos: deficiências gravíssimas de qualificação, múltiplas fragilidades no domínio da competitividade, desvitalização da nossa democracia, pobreza persistente e muitas desigualdades. Alguns destes problemas põem-se, é certo, numa escala e em contextos diferentes, mas não se alteraram quanto à sua natureza e causas mais profundas.»

Manuel Maria Carrilho, Contingências

27.1.09

TENTAR PERCEBER


No "dossiê flamingo" importa perceber politicamente determinados processos de decisão. É isso que a opinião que se publica deve fazer (ajudar a perceber) para a opinião pública tirar daí as devidas ilações. O que for de polícia, será, naturalmente, de polícia e não cumpre aqui comentar. Como disse outro dia, os estados de alma dos intervenientes - e as "dores" dos seus amiguinhos - são irrelevantes. Pedro Almeida Vieira - mais um blogue que faz o TPC - tem vindo a ajudar-nos (aos que querem perceber) a perceber. Imprescindível, pois, este post com uma análise comparativa sobre os EIA ("estudos de impacte ambiental") "chumbados" e posteriormente aprovados por Sócrates no tempo em que foi ministro do Ambiente e onde se evidencia que o Freeport teve (mesmo) um tratamento de especial celeridade. Para que não restem dúvidas.

TENTAR PERCEBER


No "dossiê flamingo" importa perceber politicamente determinados processos de decisão. É isso que a opinião que se publica deve fazer (ajudar a perceber) para a opinião pública tirar daí as devidas ilações. O que for de polícia, será, naturalmente, de polícia e não cumpre aqui comentar. Como disse outro dia, os estados de alma dos intervenientes - e as "dores" dos seus amiguinhos - são irrelevantes. Pedro Almeida Vieira - mais um blogue que faz o TPC - tem vindo a ajudar-nos (aos que querem perceber) a perceber. Imprescindível, pois, este post com uma análise comparativa sobre os EIA ("estudos de impacte ambiental") "chumbados" e posteriormente aprovados por Sócrates no tempo em que foi ministro do Ambiente e onde se evidencia que o Freeport teve (mesmo) um tratamento de especial celeridade. Para que não restem dúvidas.

A DÉBORA E O RELATÓRIO


Na sua derradeira aparição pública, no CCB, o chefe do governo - ao lado de Maria de Lurdes Rodrigues que remeteu para o passado: "foi um gosto trabalhar consigo" - elogiou um relatório qualquer sobre a educação (ensino básico). Até falou numa tal "Débora" que o animou na apresentação. Ora, e uma vez mais, a blogosfera fez o TPC. No 31 da Armada, Carlos Nunes Lopes dedicou uma série de posts ao magnífico "relatório da OCDE" que alegadamente "premeia" Portugal e a sua política de educação (leia-se, a daqueles dois admiráveis governantes) bem como a "coragem" das criaturas. «Sucede que nem o relatório é da OCDE, como diz Sócrates e a sua caixa de ressonância (RTP), nem todos os peritos me parecem "independentes" e a base bibliográfica do "alegado estudo da OCDE" resume-se a um conjunto de publicações do próprio Ministério.» Ele explica porquê: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A DÉBORA E O RELATÓRIO


Na sua derradeira aparição pública, no CCB, o chefe do governo - ao lado de Maria de Lurdes Rodrigues que remeteu para o passado: "foi um gosto trabalhar consigo" - elogiou um relatório qualquer sobre a educação (ensino básico). Até falou numa tal "Débora" que o animou na apresentação. Ora, e uma vez mais, a blogosfera fez o TPC. No 31 da Armada, Carlos Nunes Lopes dedicou uma série de posts ao magnífico "relatório da OCDE" que alegadamente "premeia" Portugal e a sua política de educação (leia-se, a daqueles dois admiráveis governantes) bem como a "coragem" das criaturas. «Sucede que nem o relatório é da OCDE, como diz Sócrates e a sua caixa de ressonância (RTP), nem todos os peritos me parecem "independentes" e a base bibliográfica do "alegado estudo da OCDE" resume-se a um conjunto de publicações do próprio Ministério.» Ele explica porquê: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A DEFESA

Em defesa do admirável Sócrates, já apareceram Mário Lino e Pedro Silva Pereira que, ao contrário do que lhe é habitual, perdeu a tramontana. E, ça va de soi, Luís Filipe Menezes. Qual será o ministro que se segue? Lurdes Rodrigues, a ministra de quem ele ontem disse que "foi um gosto trabalhar consigo"? Pinto Ribeiro, que teria assim uma oportunidade para mostrar que existe? Pinho à porta da Qimonda? Ana Jorge, numa urgência hospitalar cheia de macas? Para além do mundo continuar perigoso, o ar está pesado apesar da brisa do estuário do Tejo.

A DEFESA

Em defesa do admirável Sócrates, já apareceram Mário Lino e Pedro Silva Pereira que, ao contrário do que lhe é habitual, perdeu a tramontana. E, ça va de soi, Luís Filipe Menezes. Qual será o ministro que se segue? Lurdes Rodrigues, a ministra de quem ele ontem disse que "foi um gosto trabalhar consigo"? Pinto Ribeiro, que teria assim uma oportunidade para mostrar que existe? Pinho à porta da Qimonda? Ana Jorge, numa urgência hospitalar cheia de macas? Para além do mundo continuar perigoso, o ar está pesado apesar da brisa do estuário do Tejo.

O "CHEFE"


«Num país como Portugal, uma investigação independente ao Primeiro-Ministro é impossível.»

João Miranda, Blasfémias

O "CHEFE"


«Num país como Portugal, uma investigação independente ao Primeiro-Ministro é impossível.»

João Miranda, Blasfémias

26.1.09

HOUSE E OS DA CASA


Nos jornais, vinha anunciado Passos Coelho. Todavia, Mário Crespo - para a sua "entrevista" onde espera vir a ter um milhão de espectadores (só se forem cegos, surdos e mudos) - chamou Pedro Silva Pereira, o mais perfeitinho dos clones de José Sócrates. Ou Silva Pereira "chamou-se" à entrevista, pouco importa e vai dar no mesmo. Vi-o, de passagem, a falar em "ofícios" e de "ambiente". Ainda bem que há House na Fox.

HOUSE E OS DA CASA


Nos jornais, vinha anunciado Passos Coelho. Todavia, Mário Crespo - para a sua "entrevista" onde espera vir a ter um milhão de espectadores (só se forem cegos, surdos e mudos) - chamou Pedro Silva Pereira, o mais perfeitinho dos clones de José Sócrates. Ou Silva Pereira "chamou-se" à entrevista, pouco importa e vai dar no mesmo. Vi-o, de passagem, a falar em "ofícios" e de "ambiente". Ainda bem que há House na Fox.

O DOSSIÊ FLAMINGO


Sobre Rui Gonçalves - ex-ajudante do então ministro do ambiente de Guterres, e as relações entre ambos (e não só), já que tem sido a única criatura a "recordar-se" de qualquer coisinha sobre o processo de licenciamento do trambolho e a ZPE -, este post de Pedro Almeida Vieira. E sobre o papel da investigação jornalística, este.

O DOSSIÊ FLAMINGO


Sobre Rui Gonçalves - ex-ajudante do então ministro do ambiente de Guterres, e as relações entre ambos (e não só), já que tem sido a única criatura a "recordar-se" de qualquer coisinha sobre o processo de licenciamento do trambolho e a ZPE -, este post de Pedro Almeida Vieira. E sobre o papel da investigação jornalística, este.

UMA LÁSTIMA

Quando é que o Da Literatura muda de nome para Da Propaganda? O Eduardo perde mais tempo com o "seu" líder do que com os livros. Uma lástima.

UMA LÁSTIMA

Quando é que o Da Literatura muda de nome para Da Propaganda? O Eduardo perde mais tempo com o "seu" líder do que com os livros. Uma lástima.

"TODO O ESCRUTÍNIO E MAIS ALGUM"


Ontem apareceu o "sr. Charles". Parecia aquele boneco de Herman José, a "Maximiana", com um cachecol garrido pela cabeça e muito eficiente em linguagem gestual. Se foi ou não convincente, ver-se-á nos próximos dias. Falta aparecer o "sócio", o "sr. Pedro", aparentemente mais interessante do que o "sr. Charles". Quanto ao essencial, o João Pedro Henriques, no Diário de Notícias, resume o fundamental que persiste, apesar de não resistir a "passar a mão" pelo admirável líder ("o PS continua próximo da maioria absoluta" (...) "enquanto ninguém na oposição se afirmar como uma alternativa forte ao primeiro-ministro (...) José Sócrates sobreviverá a todas as suspeitas", salvo se "as suspeitas se transformem numa forte certeza de culpa."):«José Sócrates não tem como não reconhecer uma evidência: uma decisão daquelas [sobre o empreendimento do Freeport a dias de eleições] no tempo em que foi tomada não pode deixar de ser considerada suspeita. Merece todo o escrutínio e mais algum, só pelo facto de ter acontecido. Judicial - mas também político. Sobre este facto o primeiro-ministro ainda não disse nada.»

Adenda: Ler o artigo do António Ribeiro Ferreira no Correio da Manhã.

"TODO O ESCRUTÍNIO E MAIS ALGUM"


Ontem apareceu o "sr. Charles". Parecia aquele boneco de Herman José, a "Maximiana", com um cachecol garrido pela cabeça e muito eficiente em linguagem gestual. Se foi ou não convincente, ver-se-á nos próximos dias. Falta aparecer o "sócio", o "sr. Pedro", aparentemente mais interessante do que o "sr. Charles". Quanto ao essencial, o João Pedro Henriques, no Diário de Notícias, resume o fundamental que persiste, apesar de não resistir a "passar a mão" pelo admirável líder ("o PS continua próximo da maioria absoluta" (...) "enquanto ninguém na oposição se afirmar como uma alternativa forte ao primeiro-ministro (...) José Sócrates sobreviverá a todas as suspeitas", salvo se "as suspeitas se transformem numa forte certeza de culpa."):«José Sócrates não tem como não reconhecer uma evidência: uma decisão daquelas [sobre o empreendimento do Freeport a dias de eleições] no tempo em que foi tomada não pode deixar de ser considerada suspeita. Merece todo o escrutínio e mais algum, só pelo facto de ter acontecido. Judicial - mas também político. Sobre este facto o primeiro-ministro ainda não disse nada.»

Adenda: Ler o artigo do António Ribeiro Ferreira no Correio da Manhã.

BATEM FORTE, FORTEMENTE

Espero que no dia em que o país esteja inundado de sol de norte a sul, as televisões dediquem a esse "fenómeno" o mesmo tempo que dispensam à neve e à chuva. Ambas deprimem qualquer mortal. Não precisamos que ainda nos deprimam mais com conversas de chacha e "directos" sobre o óbvio.

BATEM FORTE, FORTEMENTE

Espero que no dia em que o país esteja inundado de sol de norte a sul, as televisões dediquem a esse "fenómeno" o mesmo tempo que dispensam à neve e à chuva. Ambas deprimem qualquer mortal. Não precisamos que ainda nos deprimam mais com conversas de chacha e "directos" sobre o óbvio.

25.1.09

DA CABALA AO COITADINHO

Sócrates não arranjou melhor figura para o vir defender em público do que o fantástico Mário Lino, o ministro do betão-propaganda. Lino sugeriu, sem o afirmar expressamente, a velha teoria da cabala política em ano de eleições. E falou de Sócrates como um indiano de casta média falaria de uma vaca sagrada. Parece que é proibido escrutinar quem manda - e em razão de actos praticados por causa desse mando - seja como membro de um governo, seja como chefe de um governo. Alguém, no seu perfeito juízo, acha Sócrates um coitadinho perseguido por tenebrosos interessesu? Por amor de Deus.

DA CABALA AO COITADINHO

Sócrates não arranjou melhor figura para o vir defender em público do que o fantástico Mário Lino, o ministro do betão-propaganda. Lino sugeriu, sem o afirmar expressamente, a velha teoria da cabala política em ano de eleições. E falou de Sócrates como um indiano de casta média falaria de uma vaca sagrada. Parece que é proibido escrutinar quem manda - e em razão de actos praticados por causa desse mando - seja como membro de um governo, seja como chefe de um governo. Alguém, no seu perfeito juízo, acha Sócrates um coitadinho perseguido por tenebrosos interessesu? Por amor de Deus.

PARABÉNS, MEU GENERAL


Nunca é demais lembrar e homenagear o Presidente Ramalho Eanes que comemora hoje, dia 25, setenta e quatro anos. Sobretudo nestes dias cinzentos, preenchidos com gente cinzenta, ora de plástico, ora de plasticina, por sinal os piores. E em tempos de incerteza rapace, de insegurança e de enorme fragilidade ética. Repito, pois, o que escrevi noutra ocasião. Conheci o Presidente Eanes em 1980 e posso considerá-lo um amigo da mesma maneira que a História, um dia, o recordará como um dos grandes amigos do país e um herói da democracia, nas palavras de Jorge Miranda. Eanes gostou sempre mais desta terra do que ela, alguma vez, gostou dele. Este Portugal de pequeninos oportunistas e de parvenus não merece homens de carácter como Ramalho Eanes. Atípico - não jacobino nem "educado" na oposição "intelectual" pequeno-burguesa e da classe média alta ao "Estado Novo", como Cunhal ou Soares, ou "liberal", como Sá Carneiro -, "formado" para a democracia no "terreno" duro de África onde aprendeu a ser um patriota sem se tornar reaccionário, refractário aos ditames e aos jargões do regime que ajudou a construir depois do "25 de Novembro", discreto, solitário e irrepreensível em matérias de interesse público, o Presidente Eanes é um exemplo que deve ser constantemente celebrado. Parabéns.

PARABÉNS, MEU GENERAL


Nunca é demais lembrar e homenagear o Presidente Ramalho Eanes que comemora hoje, dia 25, setenta e quatro anos. Sobretudo nestes dias cinzentos, preenchidos com gente cinzenta, ora de plástico, ora de plasticina, por sinal os piores. E em tempos de incerteza rapace, de insegurança e de enorme fragilidade ética. Repito, pois, o que escrevi noutra ocasião. Conheci o Presidente Eanes em 1980 e posso considerá-lo um amigo da mesma maneira que a História, um dia, o recordará como um dos grandes amigos do país e um herói da democracia, nas palavras de Jorge Miranda. Eanes gostou sempre mais desta terra do que ela, alguma vez, gostou dele. Este Portugal de pequeninos oportunistas e de parvenus não merece homens de carácter como Ramalho Eanes. Atípico - não jacobino nem "educado" na oposição "intelectual" pequeno-burguesa e da classe média alta ao "Estado Novo", como Cunhal ou Soares, ou "liberal", como Sá Carneiro -, "formado" para a democracia no "terreno" duro de África onde aprendeu a ser um patriota sem se tornar reaccionário, refractário aos ditames e aos jargões do regime que ajudou a construir depois do "25 de Novembro", discreto, solitário e irrepreensível em matérias de interesse público, o Presidente Eanes é um exemplo que deve ser constantemente celebrado. Parabéns.

NÃO DEIXAR DE PENSAR


Antes que daqui a uns dias, na RTP, por exemplo, Judite de Sousa e Alberto Carvalho procedam à entrevista "final" e "esclarecedora" (foi assim com as habilitações académicas que, como lembrou Alberto João Jardim anteontem à noite, teriam dado lugar à substituição do "número um" pelo "número dois" numa qualquer democracia adulta), subscrevo isto:

«Os mecanismos comunicacionais vivem da "novidade". A lógica do seu desenvolvimento depende de haver novas informações todos os dias. Se não for assim, o caso Freeport (como qualquer outro) conhecerá um pico e depois cairá progressivamente no esquecimento, até ao dia em que as mesmas informações já esquecidas aparecerão como nova "novidade", ou quando haja mesmo "novidades". Este mecanismo pouco tem a ver com a substância da questão, quando esta existe fora da sua mediatização, como é o caso Freeport. O seu relançamente não se deveu a qualquer fuga processual para os jornais (como sugeriu falsamente o Primeiro-ministro), mas sim a um dia de buscas da PJ e às informações relevantes (declarações de familiares de José Sócrates) que se lhe seguiram. Agora, manter ou não a questão na agenda dos media, cada vez mais depende da orientação editorial desses mesmos media. O situacionismo ou a independência vão ser mais nítidos agora do que nos dias de brasa destes fins de semana, em que era impossível ocultar que havia um "caso" em curso (e mesmo assim a RTP nalguns noticiários e o Jornal de Notícias procederam assim). O que se sabe, informações, contradições, declarações, são de uma gravidade que não pode ser ignorada nem esquecida. No passado, em relação a muitos outros casos de menor importância, a comunicação social manteve-os como "escândalos", dando-lhe sequência investigativa e persistência editorial, fazendo exigências de clarificação e não deixando que haja esquecimento. Este caso, talvez o que mais gravemente afecta o centro do poder (o único precedente idêntico foi o "caso Emáudio" e houve aí uma deliberada desvalorização para não atingir Mário Soares), não pode ser escondido debaixo de um tapete. Já se sabem coisas a mais para perceber que ele não cabe debaixo de um tapete. Digo isto porque sou seu adversário político ou o acho mau governante? Não. Digo isto porque desde a história do diploma e dos projectos das casas, não acredito na sua palavra. E já o escrevi antes, não precisei do caso Freeport. Significa isto que o acho culpado, sem apelo, pelo julgamento insidioso das suspeitas? Também não. Digo-o apenas porque, como afirmou um jornalista do Expresso, Filipe Santos Costa, na SICN, não deixo de pensar

NÃO DEIXAR DE PENSAR


Antes que daqui a uns dias, na RTP, por exemplo, Judite de Sousa e Alberto Carvalho procedam à entrevista "final" e "esclarecedora" (foi assim com as habilitações académicas que, como lembrou Alberto João Jardim anteontem à noite, teriam dado lugar à substituição do "número um" pelo "número dois" numa qualquer democracia adulta), subscrevo isto:

«Os mecanismos comunicacionais vivem da "novidade". A lógica do seu desenvolvimento depende de haver novas informações todos os dias. Se não for assim, o caso Freeport (como qualquer outro) conhecerá um pico e depois cairá progressivamente no esquecimento, até ao dia em que as mesmas informações já esquecidas aparecerão como nova "novidade", ou quando haja mesmo "novidades". Este mecanismo pouco tem a ver com a substância da questão, quando esta existe fora da sua mediatização, como é o caso Freeport. O seu relançamente não se deveu a qualquer fuga processual para os jornais (como sugeriu falsamente o Primeiro-ministro), mas sim a um dia de buscas da PJ e às informações relevantes (declarações de familiares de José Sócrates) que se lhe seguiram. Agora, manter ou não a questão na agenda dos media, cada vez mais depende da orientação editorial desses mesmos media. O situacionismo ou a independência vão ser mais nítidos agora do que nos dias de brasa destes fins de semana, em que era impossível ocultar que havia um "caso" em curso (e mesmo assim a RTP nalguns noticiários e o Jornal de Notícias procederam assim). O que se sabe, informações, contradições, declarações, são de uma gravidade que não pode ser ignorada nem esquecida. No passado, em relação a muitos outros casos de menor importância, a comunicação social manteve-os como "escândalos", dando-lhe sequência investigativa e persistência editorial, fazendo exigências de clarificação e não deixando que haja esquecimento. Este caso, talvez o que mais gravemente afecta o centro do poder (o único precedente idêntico foi o "caso Emáudio" e houve aí uma deliberada desvalorização para não atingir Mário Soares), não pode ser escondido debaixo de um tapete. Já se sabem coisas a mais para perceber que ele não cabe debaixo de um tapete. Digo isto porque sou seu adversário político ou o acho mau governante? Não. Digo isto porque desde a história do diploma e dos projectos das casas, não acredito na sua palavra. E já o escrevi antes, não precisei do caso Freeport. Significa isto que o acho culpado, sem apelo, pelo julgamento insidioso das suspeitas? Também não. Digo-o apenas porque, como afirmou um jornalista do Expresso, Filipe Santos Costa, na SICN, não deixo de pensar