31.10.05

"TRISTE"

Para ler no Abrupto:

É triste ver o desespero de causa que leva Mário Soares a levantar a questão da pensão de Cavaco. É a mais desapropriada das questões, em particular, vinda de Mário Soares que se pensava estar acima deste tipo de ataques rasteiros, que nele tem o precedente da campanha contra a situação conjugal de Sá Carneiro. É exactamente o mesmo tipo de tiros desesperados, alimentando a nossa inveja socializada de país pobre, que normalmente se voltam contra quem os dispara. O problema é que no caminho deixam lama por todo o lado, atingindo sempre mais quem mais próximo está dos defeitos típicos do nosso sistema político e do seu crónico desprestígio. E isso, queira-se ou não, seja injusto ou não, será sempre mais fácil de cair em cima de um político como Soares do que de um político como Cavaco.

"TRISTE"

Para ler no Abrupto:

É triste ver o desespero de causa que leva Mário Soares a levantar a questão da pensão de Cavaco. É a mais desapropriada das questões, em particular, vinda de Mário Soares que se pensava estar acima deste tipo de ataques rasteiros, que nele tem o precedente da campanha contra a situação conjugal de Sá Carneiro. É exactamente o mesmo tipo de tiros desesperados, alimentando a nossa inveja socializada de país pobre, que normalmente se voltam contra quem os dispara. O problema é que no caminho deixam lama por todo o lado, atingindo sempre mais quem mais próximo está dos defeitos típicos do nosso sistema político e do seu crónico desprestígio. E isso, queira-se ou não, seja injusto ou não, será sempre mais fácil de cair em cima de um político como Soares do que de um político como Cavaco.

SUPER-HERÓIS?

A RTP 1 passou ontem uma reportagem idiota sobre a "blogosfera presidencial". A menina que preparou o texto, andou pelos "blogues" ditos não oficiais de apoio aos candidatos e pelas "páginas" já "abertas" pelas candidaturas. O "super -Mário" e um "mega-Cavaco" - parece que é assim que se chama -, tiveram lugar de destaque, aparentemente por apelarem ao "imaginário" infantil dos espectadores e dos eventuais leitores. A menina da reportagem, se tivesse perdido algum tempo a investigar, veria que não é nesses "blogues" que se anda a discutir o que é preciso discutir nestas eleições: política. Os candidatos presidenciais não são "super-heróis" dos cromos que a imagem analfabeta da reportagem tentou passar cá para fora, menosprezando o debate que ocorre na blogosfera mais crescidinha. A rematar, avisou que as eleições presidenciais "passam" pelas ruas e pelos meios tradicionais de comunicação social e não pela "net". Lembrou-me uma frase de um humorista brasileiro que cito muitas vezes. Mais vale estar calado e passar por parvo, do que abrir a boca e acabar com as dúvidas.

Adenda: No mesmo sentido, o Elba Everywhere.

SUPER-HERÓIS?

A RTP 1 passou ontem uma reportagem idiota sobre a "blogosfera presidencial". A menina que preparou o texto, andou pelos "blogues" ditos não oficiais de apoio aos candidatos e pelas "páginas" já "abertas" pelas candidaturas. O "super -Mário" e um "mega-Cavaco" - parece que é assim que se chama -, tiveram lugar de destaque, aparentemente por apelarem ao "imaginário" infantil dos espectadores e dos eventuais leitores. A menina da reportagem, se tivesse perdido algum tempo a investigar, veria que não é nesses "blogues" que se anda a discutir o que é preciso discutir nestas eleições: política. Os candidatos presidenciais não são "super-heróis" dos cromos que a imagem analfabeta da reportagem tentou passar cá para fora, menosprezando o debate que ocorre na blogosfera mais crescidinha. A rematar, avisou que as eleições presidenciais "passam" pelas ruas e pelos meios tradicionais de comunicação social e não pela "net". Lembrou-me uma frase de um humorista brasileiro que cito muitas vezes. Mais vale estar calado e passar por parvo, do que abrir a boca e acabar com as dúvidas.

Adenda: No mesmo sentido, o Elba Everywhere.

A "FALTA DE MUNDO"...

... de José Sócrates, nas palavras sempre "serenas" de Ana Gomes, uma verdadeira "espanta-votos" de quem quer que seja, agora na "comissão de honra" de Mário Soares. Podemos dormir descansados, não é verdade?

A "FALTA DE MUNDO"...

... de José Sócrates, nas palavras sempre "serenas" de Ana Gomes, uma verdadeira "espanta-votos" de quem quer que seja, agora na "comissão de honra" de Mário Soares. Podemos dormir descansados, não é verdade?

A RAZÃO...

... de Belmiro de Azevedo:

"Cavaco vai ganhar e vai ser um excelente Presidente para trabalhar com um excelente primeiro-ministro."

Entrevista ao jornal Público/Rádio Renascença/2:

A RAZÃO...

... de Belmiro de Azevedo:

"Cavaco vai ganhar e vai ser um excelente Presidente para trabalhar com um excelente primeiro-ministro."

Entrevista ao jornal Público/Rádio Renascença/2:

O QUE É QUE MUDOU?

Via Minha Rica Casinha:

“o Portugalete apareceu-me [...] com huma cara de vilãozinho, encarquilhada, muy trefo, tudo penedos escabrozos e montes, sem nenhuma lhanesa, muyta silveiyra e a terra partida aos palmos com suas paredinhas, como quem diz. Isto he meu, não he teu, não me furtes as minhas uvas [...]

in "Fastigimia", de Thomé Pinheiro da Veiga

(in cristovao-de-moura)

O QUE É QUE MUDOU?

Via Minha Rica Casinha:

“o Portugalete apareceu-me [...] com huma cara de vilãozinho, encarquilhada, muy trefo, tudo penedos escabrozos e montes, sem nenhuma lhanesa, muyta silveiyra e a terra partida aos palmos com suas paredinhas, como quem diz. Isto he meu, não he teu, não me furtes as minhas uvas [...]

in "Fastigimia", de Thomé Pinheiro da Veiga

(in cristovao-de-moura)

A RAZÃO...

...à "direita". E uma maneira de ver a questão.

A RAZÃO...

...à "direita". E uma maneira de ver a questão.

30.10.05

OTELLO...

... De Giuseppe Verdi, para ver no Teatro Nacional de São Carlos, a partir de amanhã, 31 de Outubro, e dias 2, 4, 6 e 10 de Novembro. Libreto de Arrigo Boito, baseado na tragédia Othello, The Moor of Venice, de William Shakespeare. A direcção musical pertence a Antonio Pirolli, a encenação é de Nicolas Joel e a cenografia de Ezio Frigerio. Os cenários e figurinos são do "Théâtre du Capitole de Toulouse". Cantam, entre outros: Mario Malagnini, Otello; Dimitra Theodossiou, Desdemona; Carlo Guelfi, Jago; Carlos Guilherme, Cassio; Carlo Cigni, Ludovico. Toca a Orquestra Sinfónica Portuguesa com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos. Otello regressa ao São Carlos depois de, em 1989, Placido Domingo lhe ter dado voz, naquela que foi a única presença do tenor no nosso teatro lírico. É a primeira de um conjunto de óperas que Paolo Pinamonti escolheu para uma temporada que, se não existirem os habituais trambolhões por causa dos "dinheiros", se anuncia auspiciosa. Destaco Otello por, além disso, ser uma das minhas óperas preferidas. Como sugestão discográfica, considero imperdível a versão "ao vivo" - primeiramente ouvida, em "vinil", na casa do saudoso José Ribeiro da Fonte - captada no Teatro alla Scala de Milão, em 1976, dirigida por Carlos Kleiber, com Placido Domingo (a estreia no papel titular), Mirella Freni e Piero Cappuccilli, todos no auge das suas carreiras. Também recomendo as versões onde aparecem os tenores americanos Jon Vickers e James Mckracken, seguramente dois dos maiores "Otellos" do século passado. Ou ainda o Otello de Herbert von Karajan, com Mario del Monaco e Renata Tebaldi (existe uma outra gravação de Karajan, magnificamente dirigida e musicalmente fabulosa, com a Freni e com Vickers, porém "estragada" por um inexplicável Jago de Peter Glossop). Escrevo de cor. Coisas da idade.

OTELLO...

... De Giuseppe Verdi, para ver no Teatro Nacional de São Carlos, a partir de amanhã, 31 de Outubro, e dias 2, 4, 6 e 10 de Novembro. Libreto de Arrigo Boito, baseado na tragédia Othello, The Moor of Venice, de William Shakespeare. A direcção musical pertence a Antonio Pirolli, a encenação é de Nicolas Joel e a cenografia de Ezio Frigerio. Os cenários e figurinos são do "Théâtre du Capitole de Toulouse". Cantam, entre outros: Mario Malagnini, Otello; Dimitra Theodossiou, Desdemona; Carlo Guelfi, Jago; Carlos Guilherme, Cassio; Carlo Cigni, Ludovico. Toca a Orquestra Sinfónica Portuguesa com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos. Otello regressa ao São Carlos depois de, em 1989, Placido Domingo lhe ter dado voz, naquela que foi a única presença do tenor no nosso teatro lírico. É a primeira de um conjunto de óperas que Paolo Pinamonti escolheu para uma temporada que, se não existirem os habituais trambolhões por causa dos "dinheiros", se anuncia auspiciosa. Destaco Otello por, além disso, ser uma das minhas óperas preferidas. Como sugestão discográfica, considero imperdível a versão "ao vivo" - primeiramente ouvida, em "vinil", na casa do saudoso José Ribeiro da Fonte - captada no Teatro alla Scala de Milão, em 1976, dirigida por Carlos Kleiber, com Placido Domingo (a estreia no papel titular), Mirella Freni e Piero Cappuccilli, todos no auge das suas carreiras. Também recomendo as versões onde aparecem os tenores americanos Jon Vickers e James Mckracken, seguramente dois dos maiores "Otellos" do século passado. Ou ainda o Otello de Herbert von Karajan, com Mario del Monaco e Renata Tebaldi (existe uma outra gravação de Karajan, magnificamente dirigida e musicalmente fabulosa, com a Freni e com Vickers, porém "estragada" por um inexplicável Jago de Peter Glossop). Escrevo de cor. Coisas da idade.

MUDANÇA DA HORA

Para quem detesta o inverno, como eu, este post do Blogame Mucho, via Origem das Espécies, por causa da "mudança da hora":

"Pronto. Vai anoitecer mais cedo, outra vez. Já não basta vir aí o inverno, ainda temos de lhe adoptar a puta da hora. Aos tipos que gostam do inverno, e aos que acham bem que fique escuro mais cedo, havia a noite de lhes começar às onze da manhã. Todos os dias."

MUDANÇA DA HORA

Para quem detesta o inverno, como eu, este post do Blogame Mucho, via Origem das Espécies, por causa da "mudança da hora":

"Pronto. Vai anoitecer mais cedo, outra vez. Já não basta vir aí o inverno, ainda temos de lhe adoptar a puta da hora. Aos tipos que gostam do inverno, e aos que acham bem que fique escuro mais cedo, havia a noite de lhes começar às onze da manhã. Todos os dias."

A "ARTILHARIA PESADA"

Esqueçam tudo o que até agora foi dito sobre a "união", a "concórdia" e os "afectos". O verdadeiro candidato Mário Soares está "todo", inteiro, naqueles breves segundos em que, fugindo à banalidade, vergastou Cavaco com a sua "reforma" de "político profissional". Basta ter olhado para as televisões, como previ, ou lido os jornais, para perceber "o que é que interessa". Os "manifestos" e as "declarações de candidatura" vão rapidamente esfumar-se por entre bravatas captadas pelas câmaras e pelos textos. Atrair Cavaco para a "peixeirada" - duvido do sucesso do exercício - é o que importa. É preciso recuar a Agosto para situarmos as coisas no seu devido sítio. No famoso "perídodo de reflexão", Soares deu logo conta ao que vinha. Evitar, a todo o custo, o "passeio pela Avenida", alegadamente preparado para e por Cavaco, é o verdadeiro "programa". Vai, por isso, valer tudo. Soares acha - sempre achou - que Cavaco não possui aquilo a que ele e os seus amigos apelidam de "cultura democrática". Não ter estado escondido da PIDE, nem que por breves instantes, atrás de uma moita, é uma falha curricular grave. Não "praticar" a política, nem tão-pouco "teorizar" sobre ela a partir de uma visão jacobina do mundo e dos outros, é outra. Finalmente ter tido de suportar, durante os dez anos de mandato, a esquálida figura que, na sua concepção sobranceira, emergiu do "nada", terá sido a última das provações. Como se tudo isto não bastasse, Cavaco "ainda" tem o desplante de se candidatar a Belém, e, imagine-se, a veleidade plausível de vencer. Soares, o "real" - e não o das sonolentas apresentações a que temos assistido -, está-se nas tintas para os "afectos" quando a sua sobrevivência está em causa. Fazer dele um "coitadinho", perdido na bruma das sondagens, é uma falácia perigosa. Como ele explicou na Visconde Valbom, numa tarde de domingo solarento de Inverno, a uma plateia de "jovens" que faziam parte do MASP I, em 1985, com Zenha era forçado a recorrer à "artilharia pesada". É essa que ele irá buscar à medida que as coisas forem "aquecendo". A da "reforma" é apenas um "cheirinho" do que aí vem.

A "ARTILHARIA PESADA"

Esqueçam tudo o que até agora foi dito sobre a "união", a "concórdia" e os "afectos". O verdadeiro candidato Mário Soares está "todo", inteiro, naqueles breves segundos em que, fugindo à banalidade, vergastou Cavaco com a sua "reforma" de "político profissional". Basta ter olhado para as televisões, como previ, ou lido os jornais, para perceber "o que é que interessa". Os "manifestos" e as "declarações de candidatura" vão rapidamente esfumar-se por entre bravatas captadas pelas câmaras e pelos textos. Atrair Cavaco para a "peixeirada" - duvido do sucesso do exercício - é o que importa. É preciso recuar a Agosto para situarmos as coisas no seu devido sítio. No famoso "perídodo de reflexão", Soares deu logo conta ao que vinha. Evitar, a todo o custo, o "passeio pela Avenida", alegadamente preparado para e por Cavaco, é o verdadeiro "programa". Vai, por isso, valer tudo. Soares acha - sempre achou - que Cavaco não possui aquilo a que ele e os seus amigos apelidam de "cultura democrática". Não ter estado escondido da PIDE, nem que por breves instantes, atrás de uma moita, é uma falha curricular grave. Não "praticar" a política, nem tão-pouco "teorizar" sobre ela a partir de uma visão jacobina do mundo e dos outros, é outra. Finalmente ter tido de suportar, durante os dez anos de mandato, a esquálida figura que, na sua concepção sobranceira, emergiu do "nada", terá sido a última das provações. Como se tudo isto não bastasse, Cavaco "ainda" tem o desplante de se candidatar a Belém, e, imagine-se, a veleidade plausível de vencer. Soares, o "real" - e não o das sonolentas apresentações a que temos assistido -, está-se nas tintas para os "afectos" quando a sua sobrevivência está em causa. Fazer dele um "coitadinho", perdido na bruma das sondagens, é uma falácia perigosa. Como ele explicou na Visconde Valbom, numa tarde de domingo solarento de Inverno, a uma plateia de "jovens" que faziam parte do MASP I, em 1985, com Zenha era forçado a recorrer à "artilharia pesada". É essa que ele irá buscar à medida que as coisas forem "aquecendo". A da "reforma" é apenas um "cheirinho" do que aí vem.

O DICHOTE POPULISTA

O dr. Louçã deve estar "roído" a esta hora, a pensar como é que isto não lhe ocorreu primeiro.

O DICHOTE POPULISTA

O dr. Louçã deve estar "roído" a esta hora, a pensar como é que isto não lhe ocorreu primeiro.

O MEMBRO

Esta "prosadora" é membro da "comissão de honra" do dr. Soares e "deu a cara" na televisão para dizer que gosta muito do Manuel Alegre. Podemos dormir descansados, não é dr. Soares?

O MEMBRO

Esta "prosadora" é membro da "comissão de honra" do dr. Soares e "deu a cara" na televisão para dizer que gosta muito do Manuel Alegre. Podemos dormir descansados, não é dr. Soares?

29.10.05

A RAZÃO...

... de um "blasfemo" liberal, seja lá o que isso for.

A RAZÃO...

... de um "blasfemo" liberal, seja lá o que isso for.

O GUERREIRO NO SEU LABIRINTO

Numa cerimónia íntima e para os íntimos, Mário Soares apresentou, no Porto, as suas "comissões". Vasco Vieira de Almeida, o mandatário nacional, que pode ter talento para tudo menos para falar, aborreceu. Sobrinho Simões, o mandatário distrital, gracejou. Terminou o evento com um meio improviso do candidato. Soares quer uma campanha "diferente" e andar suavemente pelo país a pregar a "mudança", nas "colectividades", nas "universidades" e onde mais o "convidarem", tudo sem comícios e com sobriedade. Quer uma campanha "descentralizada" e os seus a trabalharem por si, nas localidades. E não conseguiu explicar por que é que achou "necessário" candidatar-se de novo, apesar da retórica das "circunstâncias" a que recorreu para justificar um exercício artificial. Lançou, por fim, uma "pérola" irritada ao "não político profissional", no que constituiu o único momento excitante e significativo da cerimónia. As televisões encarregar-se-ão de o divulgar como a melhor "ideia" que ali brotou. Por outro lado, no "Expresso", Mário Mesquita - que é da "comissão política" de Soares e que, presumo, partilha o candidato com o secretário geral do PS -, afirmou que "Cavaco Silva potencia o pior de José Sócrates". Não vale a pena comentar. Ça va de soi.

O GUERREIRO NO SEU LABIRINTO

Numa cerimónia íntima e para os íntimos, Mário Soares apresentou, no Porto, as suas "comissões". Vasco Vieira de Almeida, o mandatário nacional, que pode ter talento para tudo menos para falar, aborreceu. Sobrinho Simões, o mandatário distrital, gracejou. Terminou o evento com um meio improviso do candidato. Soares quer uma campanha "diferente" e andar suavemente pelo país a pregar a "mudança", nas "colectividades", nas "universidades" e onde mais o "convidarem", tudo sem comícios e com sobriedade. Quer uma campanha "descentralizada" e os seus a trabalharem por si, nas localidades. E não conseguiu explicar por que é que achou "necessário" candidatar-se de novo, apesar da retórica das "circunstâncias" a que recorreu para justificar um exercício artificial. Lançou, por fim, uma "pérola" irritada ao "não político profissional", no que constituiu o único momento excitante e significativo da cerimónia. As televisões encarregar-se-ão de o divulgar como a melhor "ideia" que ali brotou. Por outro lado, no "Expresso", Mário Mesquita - que é da "comissão política" de Soares e que, presumo, partilha o candidato com o secretário geral do PS -, afirmou que "Cavaco Silva potencia o pior de José Sócrates". Não vale a pena comentar. Ça va de soi.

UM LIVRO

"Spinoza admonished us that it is necessary to love God without ever expecting Him to love us in return."

Harold Bloom, Where Shall Wisdom Be Found?, Riverhead Books, New York, 2005

UM LIVRO

"Spinoza admonished us that it is necessary to love God without ever expecting Him to love us in return."

Harold Bloom, Where Shall Wisdom Be Found?, Riverhead Books, New York, 2005

O VELHO "NOVO HOMEM PORTUGUÊS"

Depois de escutar com atenção a leitura do "manifesto" de Cavaco Silva - ao contrário do Paulo Gorjão, não tenho paciência para os ler -, percebi que aquilo ia levar muita pancada. Salvo meia dúzia de interessados que, por dever de ofício ou por malícia, os têm de consumir, ninguém que esteja de bem com a vida perde um segundo com manifestos eleitorais. Não é por aí que se perde ou ganha o que quer que seja. De Soares veio o trivial. De Cavaco, chegou aquilo a que Vasco Pulido Valente hoje chama (link indisponível) "um manifesto misterioso". A crítica mais imediata é de que se trata de "um programa de governo". Não é, embora pareça. Cavaco propôe um programa de ajuda pessoal e política ao governo, seja ele qual for. Para o efeito, viu-se na necessidade de falar praticamente de tudo. Foi a opção dele e de quem o aconselhou - não seria a minha -, o que deu ao "manifesto" um "tom" misto de redacção e de dicionário de lugares-comuns políticos, como sublinha Pulido Valente. Qualquer coisa de mais escorreito teria servido perfeitamente o propósito. No fundo, Cavaco quis voltar ao velho mito do "novo homem português", revisto, corrigido e aumentado para o século XXI. Não vale a pena. O "novo homem", o dos anos noventa, deu no que deu. Arrivista, irreformável, ambicioso, ignorante e melífluo, este "produto" da democracia está espalhado, como praga, um pouco por toda a parte, do Estado à "sociedade civil". Quando as coisas mudaram, passou-se, com a tranquilidade própria dos invertebrados, e depois de ter sumariamente liquidado o "pai", para o aconchego maternal do "socialismo" de Guterres o qual, quando deu por isso, já estava enterrado no célebre "pântano". Vieram Barroso e Santana Lopes e, aí, o nosso "novo homem" tornou a prosperar com o "tempo novo" daqueles dois. Sócrates renovou a "ambição" ao propôr, em vez de um "novo homem", um "homem novo" para uma legislatura. É mais do mesmo. Há coisas onde, por bom senso e pudor, não vale a pena tocar. Nem Sócrates nem Cavaco nos livram da sua essencial viscosidade. O velho "novo homem português" veio para ficar. Não muda e nem eles - muito menos eles - o conseguem mudar.

O VELHO "NOVO HOMEM PORTUGUÊS"

Depois de escutar com atenção a leitura do "manifesto" de Cavaco Silva - ao contrário do Paulo Gorjão, não tenho paciência para os ler -, percebi que aquilo ia levar muita pancada. Salvo meia dúzia de interessados que, por dever de ofício ou por malícia, os têm de consumir, ninguém que esteja de bem com a vida perde um segundo com manifestos eleitorais. Não é por aí que se perde ou ganha o que quer que seja. De Soares veio o trivial. De Cavaco, chegou aquilo a que Vasco Pulido Valente hoje chama (link indisponível) "um manifesto misterioso". A crítica mais imediata é de que se trata de "um programa de governo". Não é, embora pareça. Cavaco propôe um programa de ajuda pessoal e política ao governo, seja ele qual for. Para o efeito, viu-se na necessidade de falar praticamente de tudo. Foi a opção dele e de quem o aconselhou - não seria a minha -, o que deu ao "manifesto" um "tom" misto de redacção e de dicionário de lugares-comuns políticos, como sublinha Pulido Valente. Qualquer coisa de mais escorreito teria servido perfeitamente o propósito. No fundo, Cavaco quis voltar ao velho mito do "novo homem português", revisto, corrigido e aumentado para o século XXI. Não vale a pena. O "novo homem", o dos anos noventa, deu no que deu. Arrivista, irreformável, ambicioso, ignorante e melífluo, este "produto" da democracia está espalhado, como praga, um pouco por toda a parte, do Estado à "sociedade civil". Quando as coisas mudaram, passou-se, com a tranquilidade própria dos invertebrados, e depois de ter sumariamente liquidado o "pai", para o aconchego maternal do "socialismo" de Guterres o qual, quando deu por isso, já estava enterrado no célebre "pântano". Vieram Barroso e Santana Lopes e, aí, o nosso "novo homem" tornou a prosperar com o "tempo novo" daqueles dois. Sócrates renovou a "ambição" ao propôr, em vez de um "novo homem", um "homem novo" para uma legislatura. É mais do mesmo. Há coisas onde, por bom senso e pudor, não vale a pena tocar. Nem Sócrates nem Cavaco nos livram da sua essencial viscosidade. O velho "novo homem português" veio para ficar. Não muda e nem eles - muito menos eles - o conseguem mudar.

SETECENTOS E UM

Santana Lopes esteve na SIC Notícias a "comentar" as eleições presidencias e, naturalmente, a comentar-se a si próprio. Continua ressabiado com o mundo e, em especial, com o dr. Sampaio. Desdenhou Cavaco Silva e, uma vez mais, "passou a mão" por Mário Soares. Não faltará ninguém nos setecentos nomes que fazem parte da "comissão de honra" da candidatura do ex-presidente?

SETECENTOS E UM

Santana Lopes esteve na SIC Notícias a "comentar" as eleições presidencias e, naturalmente, a comentar-se a si próprio. Continua ressabiado com o mundo e, em especial, com o dr. Sampaio. Desdenhou Cavaco Silva e, uma vez mais, "passou a mão" por Mário Soares. Não faltará ninguém nos setecentos nomes que fazem parte da "comissão de honra" da candidatura do ex-presidente?

REACÇÕES

A "novela" da interrupção voluntária da gravidez, agravada pela "esperteza saloia" com que o assunto foi tratado em diversas sedes, teve um final provisório com a decisão do Tribunal Constitucional. A partir de Setembro do próximo ano, a coisa regressa. Esteve bem o secretário-geral do PS, fiel à sua posição eleitoral e à sua palavra. Pôs um bom final às trapalhadas do seu grupo parlamentar, às do dr. Sampaio e às do dr. Jaime Gama. Pelo contrário, esteve péssimo o dr. Marques Mendes, a perorar, a despropósito, sobre a "competência" do governo, em vez de saudar o processo referendário anunciado. Péssimo e despropositado.

REACÇÕES

A "novela" da interrupção voluntária da gravidez, agravada pela "esperteza saloia" com que o assunto foi tratado em diversas sedes, teve um final provisório com a decisão do Tribunal Constitucional. A partir de Setembro do próximo ano, a coisa regressa. Esteve bem o secretário-geral do PS, fiel à sua posição eleitoral e à sua palavra. Pôs um bom final às trapalhadas do seu grupo parlamentar, às do dr. Sampaio e às do dr. Jaime Gama. Pelo contrário, esteve péssimo o dr. Marques Mendes, a perorar, a despropósito, sobre a "competência" do governo, em vez de saudar o processo referendário anunciado. Péssimo e despropositado.

28.10.05

BATER NO CEGUINHO

O facto de Cavaco ter anunciado que não tenciona ser presidente a partir da estratosfera, vai desencadear - já desencadeou - as mais divertidas reacções. Como perguntava o outro: e se o país gostar da ideia? Ou -pergunto eu -, e se o país gostar da ideia de ter um presidente que, finalmente, sabe do que é que está a falar?

BATER NO CEGUINHO

O facto de Cavaco ter anunciado que não tenciona ser presidente a partir da estratosfera, vai desencadear - já desencadeou - as mais divertidas reacções. Como perguntava o outro: e se o país gostar da ideia? Ou -pergunto eu -, e se o país gostar da ideia de ter um presidente que, finalmente, sabe do que é que está a falar?

A GRANDE ILUSÃO

Ontem, ao comentar o "barómetro" presidencial que colocava Cavaco distanciado dos mais próximos na "corrida" presidencial, Medeiros Ferreira (sempre e praticamente só ele, eu não tenho culpa...) disse que havia "qualquer coisa que não bate certo neste barómetro, porque a soma de todos os candidatos de esquerda pouco ultrapassa os 30 por cento". E acrescentou que não via "a esquerda, que saiu das últimas eleições legislativas com 60 por cento dos votos, agora reduzida a pouco mais de 30 por cento". Esta frase traduz a grande ilusão do "20 de Fevereiro". MF quer forçosamente somar o que não é somável. Já nessa altura, o hoje candidato Mário Soares recorreu ao mesmo argumentário. Nada existe de mais distinto na política portuguesa contemporânea do que o híbrido das "esquerdas". O que é que Louçã tem a ver com Jerónimo, e vice-versa, ou Sócrates, um "social-democrata", com aqueles dois? Que "agendas" têm estas almas em comum? Os "barómetros" e "sondagens" têm repetidamente demonstrado que a fluidez eleitoral amorteceu o tradicional confronto entre a "esquerda" e a "direita". As pessoas simplesmente votam para "correr" com alguém ou para escolher uma "válvula de segurança" independentemente da cor da blusa. Não é estranho que, em 30 anos de democracia, o PS só tivesse chegado à maioria absoluta com um neófito pouco dado ao jacobinismo político próprio da seita? Ou que Louçã, tão moralista e urbano, perdesse nas autárquicas depois de uma "subida" razoável nas legislativas? Ou que Jerónimo, o generoso estalinista de Pires Coxe, arrancasse uma votação muito equilibrada nas mesmas autárquicas? Cavaco parte para estas eleições com o voto - garantido ainda antes da procissão sair do adro - de muito bom povo de "esquerda", na acepção que lhe dá M. Ferreira. É tão simples quanto isso. Por outro lado - e já o escrevi várias vezes - não foi a "esquerda" que levou Sócrates à maioria absoluta, como MF bem sabe. Todas as "esquerdas" subiram a 20 de Fevereiro e nem todas se mantiveram - a começar pelo PS - nas autárquicas. Fazer o género de contabilidade que MF faz, não leva a lado nenhum, mas percebe-se por que é que é feita. Não tarda nada começam as "reuniões" e os "apelos" contra o perigo. No entanto, toda a gente já avançou tanto que qualquer recuo, nesta altura do campeonato, seria puro descrédito. Falta, à "esquerda" de M.Ferreira, um verdadeiro ungido. Parece que o seu não é totalmente o dela. A "mão esquerda de Deus" anda, de facto, um pouco adormecida.

A GRANDE ILUSÃO

Ontem, ao comentar o "barómetro" presidencial que colocava Cavaco distanciado dos mais próximos na "corrida" presidencial, Medeiros Ferreira (sempre e praticamente só ele, eu não tenho culpa...) disse que havia "qualquer coisa que não bate certo neste barómetro, porque a soma de todos os candidatos de esquerda pouco ultrapassa os 30 por cento". E acrescentou que não via "a esquerda, que saiu das últimas eleições legislativas com 60 por cento dos votos, agora reduzida a pouco mais de 30 por cento". Esta frase traduz a grande ilusão do "20 de Fevereiro". MF quer forçosamente somar o que não é somável. Já nessa altura, o hoje candidato Mário Soares recorreu ao mesmo argumentário. Nada existe de mais distinto na política portuguesa contemporânea do que o híbrido das "esquerdas". O que é que Louçã tem a ver com Jerónimo, e vice-versa, ou Sócrates, um "social-democrata", com aqueles dois? Que "agendas" têm estas almas em comum? Os "barómetros" e "sondagens" têm repetidamente demonstrado que a fluidez eleitoral amorteceu o tradicional confronto entre a "esquerda" e a "direita". As pessoas simplesmente votam para "correr" com alguém ou para escolher uma "válvula de segurança" independentemente da cor da blusa. Não é estranho que, em 30 anos de democracia, o PS só tivesse chegado à maioria absoluta com um neófito pouco dado ao jacobinismo político próprio da seita? Ou que Louçã, tão moralista e urbano, perdesse nas autárquicas depois de uma "subida" razoável nas legislativas? Ou que Jerónimo, o generoso estalinista de Pires Coxe, arrancasse uma votação muito equilibrada nas mesmas autárquicas? Cavaco parte para estas eleições com o voto - garantido ainda antes da procissão sair do adro - de muito bom povo de "esquerda", na acepção que lhe dá M. Ferreira. É tão simples quanto isso. Por outro lado - e já o escrevi várias vezes - não foi a "esquerda" que levou Sócrates à maioria absoluta, como MF bem sabe. Todas as "esquerdas" subiram a 20 de Fevereiro e nem todas se mantiveram - a começar pelo PS - nas autárquicas. Fazer o género de contabilidade que MF faz, não leva a lado nenhum, mas percebe-se por que é que é feita. Não tarda nada começam as "reuniões" e os "apelos" contra o perigo. No entanto, toda a gente já avançou tanto que qualquer recuo, nesta altura do campeonato, seria puro descrédito. Falta, à "esquerda" de M.Ferreira, um verdadeiro ungido. Parece que o seu não é totalmente o dela. A "mão esquerda de Deus" anda, de facto, um pouco adormecida.

27.10.05

VALE A PENA

Cavaco Silva vai levar muita "pancada" por causa deste "manifesto". "Neste país em diminutivo", ousar não ser nem um "presidente-banana", nem um "presidente-ornamento", e propôr-se, pelo contrário, ser um "agente de desenvolvimento" e um "presidente-cooperante", é praticamente incompreensível para a ortodoxia vigente, sempre atenta ao menor desvio ao jargão. É, no entanto, um combate que vale a pena.

VALE A PENA

Cavaco Silva vai levar muita "pancada" por causa deste "manifesto". "Neste país em diminutivo", ousar não ser nem um "presidente-banana", nem um "presidente-ornamento", e propôr-se, pelo contrário, ser um "agente de desenvolvimento" e um "presidente-cooperante", é praticamente incompreensível para a ortodoxia vigente, sempre atenta ao menor desvio ao jargão. É, no entanto, um combate que vale a pena.

UM MOMENTO

No dia da greve dos juízes, a sra. D. Fátima Felgueiras tomou posse. É uma mera coincidência, naturalmente. O sentimento e o respeito que a autarca nutre pela administração da justiça em Portugal é bem conhecido, aqui e no Brasil. Por isso, ela é apenas mais um "modelo" a seguir com atenção. Para já, tratou-se de um momento - mais um - de rara beleza na nossa vida democrática.

UM MOMENTO

No dia da greve dos juízes, a sra. D. Fátima Felgueiras tomou posse. É uma mera coincidência, naturalmente. O sentimento e o respeito que a autarca nutre pela administração da justiça em Portugal é bem conhecido, aqui e no Brasil. Por isso, ela é apenas mais um "modelo" a seguir com atenção. Para já, tratou-se de um momento - mais um - de rara beleza na nossa vida democrática.

MÍSIA E ARDANT

Mísia apresenta a sua mais recente produção discográfica - Drama Box - no palco da Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II. "Primero hay que saber sufrir, después amar, después partir y al fin andar sin pensamiento..." Lisboa, Paris ou Buenos Aires e autores como Vasco Graça Moura, Natália Correia ou Astor Piazolla. Esta noite, com a participação especial de Fanny Ardant que lerá o poema de Vasco Graça Moura Fogo Preso.

Quando se ateia em nós um fogo preso,
O corpo a corpo em que ele vai girando
Faz o meu corpo arder no teu aceso
E nos calcina e assim nos vai matando
Essa luz repentina até perder alento,
E então é quando
A sombra se ilumina,
E é tudo esquecimento, tão violento e brando.
Sacode a luz o nosso ser surpreso
E devastados nós vamos a seu mando,
Nessa prisão o mundo perde o peso
E em fogo preso à noite as chamas vão pairando
E vão-se libertando
Fogo e contentamento,
A revoar num bando
De beijos tão sem tento
Que não sabemos quando
São fogo, ou água, ou vento
A revoar num bando
De beijos tão sem tento,
Que perdem o comando
Do próprio esquecimento

MÍSIA E ARDANT

Mísia apresenta a sua mais recente produção discográfica - Drama Box - no palco da Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II. "Primero hay que saber sufrir, después amar, después partir y al fin andar sin pensamiento..." Lisboa, Paris ou Buenos Aires e autores como Vasco Graça Moura, Natália Correia ou Astor Piazolla. Esta noite, com a participação especial de Fanny Ardant que lerá o poema de Vasco Graça Moura Fogo Preso.

Quando se ateia em nós um fogo preso,
O corpo a corpo em que ele vai girando
Faz o meu corpo arder no teu aceso
E nos calcina e assim nos vai matando
Essa luz repentina até perder alento,
E então é quando
A sombra se ilumina,
E é tudo esquecimento, tão violento e brando.
Sacode a luz o nosso ser surpreso
E devastados nós vamos a seu mando,
Nessa prisão o mundo perde o peso
E em fogo preso à noite as chamas vão pairando
E vão-se libertando
Fogo e contentamento,
A revoar num bando
De beijos tão sem tento
Que não sabemos quando
São fogo, ou água, ou vento
A revoar num bando
De beijos tão sem tento,
Que perdem o comando
Do próprio esquecimento

LER

Francisco José Viegas, no Jornal de Notícias: "O Sebastianismo". A dramatização, a invocação permanente da ameaça do fascismo, a má-fé contra Cavaco e a sua demonização, as acusações de "saudosistas de Salazar", são argumentos de sociedade recreativa e não merecem ser usados por alguém com a sua biografia [de Mário Soares].

LER

Francisco José Viegas, no Jornal de Notícias: "O Sebastianismo". A dramatização, a invocação permanente da ameaça do fascismo, a má-fé contra Cavaco e a sua demonização, as acusações de "saudosistas de Salazar", são argumentos de sociedade recreativa e não merecem ser usados por alguém com a sua biografia [de Mário Soares].

A "BOUTADE"...

... bem escrita, com a ironia habitual do Almocreve ("Já tomou o seu Cavaco hoje!?"), e que também pode ser lida noutro sentido, no da "brigada anti-cavaquista". Eu que o diga.

A "BOUTADE"...

... bem escrita, com a ironia habitual do Almocreve ("Já tomou o seu Cavaco hoje!?"), e que também pode ser lida noutro sentido, no da "brigada anti-cavaquista". Eu que o diga.

A PERGUNTA

... do dia.

A PERGUNTA

... do dia.

PORQUE NÃO?

O Rui Costa Pinto - que também faz parte da qualificada "brigada anti-cavaquista" - acha que os portugueses não desejam verdadeiramente ver Cavaco em Belém. Até porque devem estar lembrados, diz ele, da "pesada herança" dos dez anos de "cavaquismo", o suficiente para qualquer forma de vida inteligente fugir dele. Na opinião de Costa Pinto, Sócrates, o governo e o "assalto ao aparelho do Estado" são os maiores responsáveis por esta eventual ignomínia insinuada nas sondagens. A solução passa por Sócrates assumir "uma governação credível", única hipótese de "eleição de um candidato à esquerda". Com o devido respeito, Costa Pinto não tem razão nenhuma. Começo pelo fim. Quem for eleito PR, desta vez não o será por estar mais torto para a "esquerda" ou mais torcido para a "direita". E muito menos por se reclamar de "esquerda" ou de "direita". O eleitorado sabe perfeitamente de onde todos procedem e avalia quem é que, neste momento, tem melhores condições para protagonizar, com credibilidade e autoridade, a chefia do Estado. Acabaram definitivamente os "fantasmas", mas o "vale tudo" vai andar por aí. Por outro lado, Costa Pinto também não tem razão ao ligar a eleição presidencial ao desempenho do governo. Apesar de tudo, Mário Soares "vale" mais - ou "valerá" menos - do que a simplificadora ligação umbilical ao PS e ao governo. Os resultados que alcançar, serão dele, em exclusivo, e uma sua eventual derrota não prejudica, um milímetro sequer, o eng.º Sócrates. Julgo, aliás, que grande parte daqueles que estão predispostos a votar em Cavaco Silva, acha razoavelmente "credível" o "estilo" do primeiro-ministro e aceita, no essencial, o que está a ser feito em sectores como a Educação, a Justiça ou a Defesa. Finalmente, os "dez anos de cavaquismo" foram julgados em eleições adequadas, em 1995. Mesmo assim, uns meses depois, Cavaco "conseguiu", num escrutínio previamente condenado ao fracasso, 46% contra Sampaio e, como disse M. Soares na altura, com mais algum tempo "ainda ganhava". De facto, eu compreendo as dúvidas de Costa Pinto e de outros respeitáveis membros da "brigada". É que lhes é cada vez mais penoso responder, com um módico de lucidez e de respeito pela "realidade", a esta pergunta trivial: por que é que Cavaco Silva não pode ser eleito livremente Presidente da República? Só porque não?

PORQUE NÃO?

O Rui Costa Pinto - que também faz parte da qualificada "brigada anti-cavaquista" - acha que os portugueses não desejam verdadeiramente ver Cavaco em Belém. Até porque devem estar lembrados, diz ele, da "pesada herança" dos dez anos de "cavaquismo", o suficiente para qualquer forma de vida inteligente fugir dele. Na opinião de Costa Pinto, Sócrates, o governo e o "assalto ao aparelho do Estado" são os maiores responsáveis por esta eventual ignomínia insinuada nas sondagens. A solução passa por Sócrates assumir "uma governação credível", única hipótese de "eleição de um candidato à esquerda". Com o devido respeito, Costa Pinto não tem razão nenhuma. Começo pelo fim. Quem for eleito PR, desta vez não o será por estar mais torto para a "esquerda" ou mais torcido para a "direita". E muito menos por se reclamar de "esquerda" ou de "direita". O eleitorado sabe perfeitamente de onde todos procedem e avalia quem é que, neste momento, tem melhores condições para protagonizar, com credibilidade e autoridade, a chefia do Estado. Acabaram definitivamente os "fantasmas", mas o "vale tudo" vai andar por aí. Por outro lado, Costa Pinto também não tem razão ao ligar a eleição presidencial ao desempenho do governo. Apesar de tudo, Mário Soares "vale" mais - ou "valerá" menos - do que a simplificadora ligação umbilical ao PS e ao governo. Os resultados que alcançar, serão dele, em exclusivo, e uma sua eventual derrota não prejudica, um milímetro sequer, o eng.º Sócrates. Julgo, aliás, que grande parte daqueles que estão predispostos a votar em Cavaco Silva, acha razoavelmente "credível" o "estilo" do primeiro-ministro e aceita, no essencial, o que está a ser feito em sectores como a Educação, a Justiça ou a Defesa. Finalmente, os "dez anos de cavaquismo" foram julgados em eleições adequadas, em 1995. Mesmo assim, uns meses depois, Cavaco "conseguiu", num escrutínio previamente condenado ao fracasso, 46% contra Sampaio e, como disse M. Soares na altura, com mais algum tempo "ainda ganhava". De facto, eu compreendo as dúvidas de Costa Pinto e de outros respeitáveis membros da "brigada". É que lhes é cada vez mais penoso responder, com um módico de lucidez e de respeito pela "realidade", a esta pergunta trivial: por que é que Cavaco Silva não pode ser eleito livremente Presidente da República? Só porque não?

O "PATHOS" DO PASSADO

"De repente pensei que a Joana Amaral Dias pode estar para a candidatura de Mário Soares, como este esteve, como mandatário da juventude, para a candidatura de Norton de Matos." Será que Medeiros Ferreira, numa notável antecipação estratégica, já antevê uma candidatura presidencial de J. Amaral Dias, digamos, para 2050? E Norton de Matos, essa veneranda figura, como "estava" e como ficou em meados do século passado? O general Norton de Matos apresentou-se oficialmente às eleições para a Presidência da República, em Julho de 1948, após algumas hesitações, já que a sua candidatura demorou a criar consenso. António Sérgio apostava no general Costa Ferreira, que tinha sido ministro da Instrução de Setembro a Dezembro de 1929, e outros preferiam Mário de Azevedo Gomes, um dos patriarcas da oposição ao salazarismo e membro do directório Democrato Social. Manuel Serras e a antiga estrutura do Partido Republicano Português eram da opinião que a Oposição não devia apresentar um candidato às eleições. A campanha eleitoral começou a 3 de Janeiro de 1949, e as eleições realizaram-se em 13 de Fevereiro, tendo o general Carmona sido reeleito e Norton de Matos desistido no dia anterior.


Adenda: No final da inauguração da sede de campanha do dr. Soares, a mandatária Amaral Dias, num arrebatamento feito de nostalgia "anti-fascista" e de "bloquismo" primitivo, avisou que "daqui partimos da resistência para a luta". Em que mundo e em que tempo viverá a ilustre mandatária?

O "PATHOS" DO PASSADO

"De repente pensei que a Joana Amaral Dias pode estar para a candidatura de Mário Soares, como este esteve, como mandatário da juventude, para a candidatura de Norton de Matos." Será que Medeiros Ferreira, numa notável antecipação estratégica, já antevê uma candidatura presidencial de J. Amaral Dias, digamos, para 2050? E Norton de Matos, essa veneranda figura, como "estava" e como ficou em meados do século passado? O general Norton de Matos apresentou-se oficialmente às eleições para a Presidência da República, em Julho de 1948, após algumas hesitações, já que a sua candidatura demorou a criar consenso. António Sérgio apostava no general Costa Ferreira, que tinha sido ministro da Instrução de Setembro a Dezembro de 1929, e outros preferiam Mário de Azevedo Gomes, um dos patriarcas da oposição ao salazarismo e membro do directório Democrato Social. Manuel Serras e a antiga estrutura do Partido Republicano Português eram da opinião que a Oposição não devia apresentar um candidato às eleições. A campanha eleitoral começou a 3 de Janeiro de 1949, e as eleições realizaram-se em 13 de Fevereiro, tendo o general Carmona sido reeleito e Norton de Matos desistido no dia anterior.


Adenda: No final da inauguração da sede de campanha do dr. Soares, a mandatária Amaral Dias, num arrebatamento feito de nostalgia "anti-fascista" e de "bloquismo" primitivo, avisou que "daqui partimos da resistência para a luta". Em que mundo e em que tempo viverá a ilustre mandatária?

CAVACO REVISITADO

O Kapa "recuperou" a entrevista realizada por Vasco Pulido Valente a Cavaco Silva, em Setembro de 1991, nas vésperas da segunda maioria absoluta, para a revista Kapa. Entre outras coisas, lá vem o que, pelos vistos, o agora candidato continua a pensar sobre os famigerados "poderes presidenciais" e que tanto preocupa os "guardiões do templo". Para reler, na íntegra.

K: Não o incomoda a condescendência da burguesia portuguesa consigo?
Sei o que a burguesia portuguesa pensa de mim. Não venho da «cultura de cocktail», como toda a gente sabe. Depois da Figueira da Foz, percebi que tinha entrado, de uma forma inesperada e radical, num novo universo e que, se não me adaptasse depressa e não surpreendesse, era crucificado.

K: Gosta da burguesia portuguesa?
Respeito as diferenças; respeito o direito à diferença.

K: Gosta ou não gosta?
Depende das pessoas. De algumas gosto.

K: E os ares de superioridade dos «intelectuais>,? Não o afectam?
Alguns julgam-se uma vanguarda esclarecida. O pior, para eles, é que se enganaram.

K: Em quê?
Fizeram, por exemplo, previsões catastróficas sobre o que ia suceder ao País e a mim, pessoalmente.

K: E as insinuações sobre a sua cultura?
Sou especialista de determinados assuntos, não sou de outros: e não pretendo fingir que sou aquilo que não sou.

K: E não se irrita?
Não. Acho algumas dessas pessoas bastante azedas e um bocado frustradas. Mas não me irrito. Continuo a minha vida com toda a normalidade.

K:Onde está a Direita e onde está a Esquerda em Portugal?
Foram desaparecendo... foram desaparecendo. Hoje é difícil identificar claramente uma Esquerda e uma Direita em Portugal. As transformações do mundo arrasaram as barreiras ideológicas. E em Portugal, desculpe que lhe diga, também contribuí um pouco para isso. O eleitorado tornou-se fluido e move-se com uma facilidade inconcebível há meia dúzia de anos. Quem imaginava que milhares de eleitores comunistas pudessem vir a votar em mim, ao mesmo tempo que milhares de eleitores do CDS?

Sempre que o Presidente da República, seja ele quem for, membro do partido do poder ou chefe do partido da oposição, interferir nas competências do governo cria inevitavelmente instabilidade no País. O Presidente deve ficar confinado às suas funções. Cabe ao governo conduzir a política geral do País. O Presidente não dispõe dos instrumentos necessários para o fazer e, se o fizer, fá-Io-à por força pela negativa...

CAVACO REVISITADO

O Kapa "recuperou" a entrevista realizada por Vasco Pulido Valente a Cavaco Silva, em Setembro de 1991, nas vésperas da segunda maioria absoluta, para a revista Kapa. Entre outras coisas, lá vem o que, pelos vistos, o agora candidato continua a pensar sobre os famigerados "poderes presidenciais" e que tanto preocupa os "guardiões do templo". Para reler, na íntegra.

K: Não o incomoda a condescendência da burguesia portuguesa consigo?
Sei o que a burguesia portuguesa pensa de mim. Não venho da «cultura de cocktail», como toda a gente sabe. Depois da Figueira da Foz, percebi que tinha entrado, de uma forma inesperada e radical, num novo universo e que, se não me adaptasse depressa e não surpreendesse, era crucificado.

K: Gosta da burguesia portuguesa?
Respeito as diferenças; respeito o direito à diferença.

K: Gosta ou não gosta?
Depende das pessoas. De algumas gosto.

K: E os ares de superioridade dos «intelectuais>,? Não o afectam?
Alguns julgam-se uma vanguarda esclarecida. O pior, para eles, é que se enganaram.

K: Em quê?
Fizeram, por exemplo, previsões catastróficas sobre o que ia suceder ao País e a mim, pessoalmente.

K: E as insinuações sobre a sua cultura?
Sou especialista de determinados assuntos, não sou de outros: e não pretendo fingir que sou aquilo que não sou.

K: E não se irrita?
Não. Acho algumas dessas pessoas bastante azedas e um bocado frustradas. Mas não me irrito. Continuo a minha vida com toda a normalidade.

K:Onde está a Direita e onde está a Esquerda em Portugal?
Foram desaparecendo... foram desaparecendo. Hoje é difícil identificar claramente uma Esquerda e uma Direita em Portugal. As transformações do mundo arrasaram as barreiras ideológicas. E em Portugal, desculpe que lhe diga, também contribuí um pouco para isso. O eleitorado tornou-se fluido e move-se com uma facilidade inconcebível há meia dúzia de anos. Quem imaginava que milhares de eleitores comunistas pudessem vir a votar em mim, ao mesmo tempo que milhares de eleitores do CDS?

Sempre que o Presidente da República, seja ele quem for, membro do partido do poder ou chefe do partido da oposição, interferir nas competências do governo cria inevitavelmente instabilidade no País. O Presidente deve ficar confinado às suas funções. Cabe ao governo conduzir a política geral do País. O Presidente não dispõe dos instrumentos necessários para o fazer e, se o fizer, fá-Io-à por força pela negativa...

26.10.05

OS TORTUOSOS CAMINHOS...

... de defesa de uma candidatura onde se pressente o verso de Pessoa/Campos, o da "distância subitamente impossível de percorrer".

OS TORTUOSOS CAMINHOS...

... de defesa de uma candidatura onde se pressente o verso de Pessoa/Campos, o da "distância subitamente impossível de percorrer".

GOSTOS

Gostei de ver o Francisco nesta lista. Já agora, e se me é permitida uma sugestão, também gostaria de ver, por exemplo, António Barreto e Vasco Pulido Valente na comissão política da candidatura presidencial de Aníbal Cavaco Silva.

GOSTOS

Gostei de ver o Francisco nesta lista. Já agora, e se me é permitida uma sugestão, também gostaria de ver, por exemplo, António Barreto e Vasco Pulido Valente na comissão política da candidatura presidencial de Aníbal Cavaco Silva.

"O QUADRADO"

Os "infantis" que "jogam" aqui, têm muito que aprender com estes (bons) "seniores". É só ir comparando, espera-se.

"O QUADRADO"

Os "infantis" que "jogam" aqui, têm muito que aprender com estes (bons) "seniores". É só ir comparando, espera-se.

É...

... mesmo cínico!

É...

... mesmo cínico!

"OS PORTUGUESES CONHECEM-NO"

Para ler no Elba Everywhere, de Bruno Pais. Sim, Portugal "conhece-o". E respeita o que conhece. Contudo, não chega para justificar esta aventura desmesurada contra mais um "inimigo" de estimação. Os mais novos - ou não sabem, ou não se lembram -, mas alguns dos seus apoiantes de hoje - que o queriam ver derrotado a favor de Zenha, em 1986 - certamente recordam o texto da sua intervenção no último tempo de antena dessa longínqua 1ª volta, em Janeiro de 86. Salvo erro, o título era mesmo esse - "Os portugueses conhecem-me" - e foi o mais bonito de tantos que essa inesquecível campanha nos proporcionou. Tenho-o guardado, algures, em casa, e não era má ideia que alguns papagaios e outros cristãos-novos deste MASP 3 o fossem ler. O "meu" Soares está ali, inteiro, a milhas desta algaraviada medíocre que agora o rodeia. Quanto mais longe Soares se puser disto, melhor para ele e para a (boa) memória que, os portugueses que o conhecem, dele têm.

"OS PORTUGUESES CONHECEM-NO"

Para ler no Elba Everywhere, de Bruno Pais. Sim, Portugal "conhece-o". E respeita o que conhece. Contudo, não chega para justificar esta aventura desmesurada contra mais um "inimigo" de estimação. Os mais novos - ou não sabem, ou não se lembram -, mas alguns dos seus apoiantes de hoje - que o queriam ver derrotado a favor de Zenha, em 1986 - certamente recordam o texto da sua intervenção no último tempo de antena dessa longínqua 1ª volta, em Janeiro de 86. Salvo erro, o título era mesmo esse - "Os portugueses conhecem-me" - e foi o mais bonito de tantos que essa inesquecível campanha nos proporcionou. Tenho-o guardado, algures, em casa, e não era má ideia que alguns papagaios e outros cristãos-novos deste MASP 3 o fossem ler. O "meu" Soares está ali, inteiro, a milhas desta algaraviada medíocre que agora o rodeia. Quanto mais longe Soares se puser disto, melhor para ele e para a (boa) memória que, os portugueses que o conhecem, dele têm.

PATÉTICO

De facto. E a "luta" continua. Boa resposta do primeiro-ministro ao patético incompreensível e a uma incompreensível noção de "independência".

PATÉTICO

De facto. E a "luta" continua. Boa resposta do primeiro-ministro ao patético incompreensível e a uma incompreensível noção de "independência".

25.10.05

NO FIO DA NAVALHA

... de Medina Carreira, para ler na Grande Loja.

NO FIO DA NAVALHA

... de Medina Carreira, para ler na Grande Loja.

LER...

LER...

A RAZÃO...

... de um "blasfemo":
Razões para votar Cavaco
O fim do unanimismo à volta da figura do Presidente da República.

A RAZÃO...

... de um "blasfemo":
Razões para votar Cavaco
O fim do unanimismo à volta da figura do Presidente da República.

O "MANIFESTO"

Ninguém - aliás, muito legitimamente - liga a "manifestos". Nem ao do dr. Soares nem aos que se lhe seguirão. O que interessa é a "deixa", o "ambiente" e a frivolidade narrada nos "directos". Nada mais. Estas, aliás, serão umas eleições inteiramente decididas nas televisões e nos jornais. Se o candidato ultrapassar o limiar da trivialidade e do lugar-comum, corre o risco de ser delicadamente insultado pelo consenso "mole" do "regime", sublimemente representado pelos "comentadores" e pelos "guardiões da legalidade". Por isso Soares quer apenas que durmamos "descansados", em "concórdia nacional", porém em alerta contra aquilo que chamou o "messianismo revanchista", o termo mais brando que arranjou para "saudar" Cavaco Silva. De resto, garantiu-nos a famosa "magistratura de influência" - sem esclarecer qual o "modelo" que preferia, se o do seu primeiro mandato, se o do segundo ou se o do torpor "sampaísta" - e a falácia do "moderador e árbitro" que, com tanto sucesso, arremessou contra Cavaco nos anos 90. Não houve novidades neste "manifesto". Foi um ersatz do discurso de Agosto, sem rasgos particulares. Onde Soares esteve bem, como era esperável, foi nas respostas aos jornalistas, uma vez liberto do jargão escrito. É "à solta" - e não espartilhado pela mesquinhez retórica - que Soares é sempre maior do que ele próprio. De qualquer maneira, sente-se que, desta vez, Soares não arrebata. E aquela gente que teima em aparecer à sua volta, muito menos. Soares não consegue explicar por que é que a sua candidatura é "necessária", nem tão-pouco qual a "mais-valia" que dela se pode retirar. O embaraço com que os dirigentes nacionais andam pelo país "socialista" a catequizar os militantes, é a prova disso mesmo. Há 20 anos nada disso era preciso. A coisa "andava" por si. Era, digamos, "natural". Agora não é.

O "MANIFESTO"

Ninguém - aliás, muito legitimamente - liga a "manifestos". Nem ao do dr. Soares nem aos que se lhe seguirão. O que interessa é a "deixa", o "ambiente" e a frivolidade narrada nos "directos". Nada mais. Estas, aliás, serão umas eleições inteiramente decididas nas televisões e nos jornais. Se o candidato ultrapassar o limiar da trivialidade e do lugar-comum, corre o risco de ser delicadamente insultado pelo consenso "mole" do "regime", sublimemente representado pelos "comentadores" e pelos "guardiões da legalidade". Por isso Soares quer apenas que durmamos "descansados", em "concórdia nacional", porém em alerta contra aquilo que chamou o "messianismo revanchista", o termo mais brando que arranjou para "saudar" Cavaco Silva. De resto, garantiu-nos a famosa "magistratura de influência" - sem esclarecer qual o "modelo" que preferia, se o do seu primeiro mandato, se o do segundo ou se o do torpor "sampaísta" - e a falácia do "moderador e árbitro" que, com tanto sucesso, arremessou contra Cavaco nos anos 90. Não houve novidades neste "manifesto". Foi um ersatz do discurso de Agosto, sem rasgos particulares. Onde Soares esteve bem, como era esperável, foi nas respostas aos jornalistas, uma vez liberto do jargão escrito. É "à solta" - e não espartilhado pela mesquinhez retórica - que Soares é sempre maior do que ele próprio. De qualquer maneira, sente-se que, desta vez, Soares não arrebata. E aquela gente que teima em aparecer à sua volta, muito menos. Soares não consegue explicar por que é que a sua candidatura é "necessária", nem tão-pouco qual a "mais-valia" que dela se pode retirar. O embaraço com que os dirigentes nacionais andam pelo país "socialista" a catequizar os militantes, é a prova disso mesmo. Há 20 anos nada disso era preciso. A coisa "andava" por si. Era, digamos, "natural". Agora não é.

O "AMADOR" E O "PROFISSIONAL"

Eu também começo por uma "declaração de interesses". É conhecido - pelo menos de quem lê este blogue - o meu apoio à candidatura de Cavaco Silva. Cavaco avançou sob o lema da não resignação. Medeiros Ferreira "pega" nesta ideia e procura contrariá-la através daquilo a que chama uma "longa resignação". Este artigo insere-se no plano geral do núcleo "intelectual" da candidatura de Mário Soares, destinado a subalternizar e a menorizar o "trajecto" de Cavaco Silva perante o "gigantismo" da biografia política de M. Soares. Aliás, a síndrome do passado, designadamente a "anti-fascista", será amiúde arremessada a torto e a direito. Duvido, no entanto, da sua utilidade para o que importa ao eleitorado de 2005/2006. Este "tom" de superioridade moral e política sobre qualquer outra candidatura - e não apenas a de Cavaco Silva - é, a meu ver, o ponto mais desagradável nas "vistas" de alguns dos apoiantes mais qualificados de M. Soares. O que os conduz a exercícios menos probos, por exemplo, quando se levantam questões que nunca se colocaram, como a de Cavaco poder ter sido candidato presidencial em 1991 e 2001. E se Cavaco é catalogado, com soberba e desdém por M. Ferreira, como um "político amador" (Cavaco disse que não era um "político profissional", mas está longe de ser um "amador" ou um ingénuo), por que diabo "perde" ele tempo num artigo de jornal com esse "amador" em vez de defender, como lhe compete, o seu "profissional"?


Adenda (das onze da noite): O dr. Medeiros Ferreira encara a recandidatura do dr. Soares como um brinquedo novo há muito prometido. Cada gesto, mesmo que previsível, é "novo". Por isso, gostou de ver os mandatários, o dr. Vieira de Almeida, e a colega de blogue, Joana Amaral Dias, "serenos nas suas convicções". O primeiro estava tão sereno que nunca chegou a abrir a boca, nem para as televisões. A segunda, ouvi-a murmurar umas vacuidades sobre um dr. Soares que, ao contrário de MF, ela acabou de conhecer. "Convicções"? Mas diz mais MF. "Ainda não será desta que o regime democrático ficará à mercê dos indiferentes e dos seus inimigos", afiança. Mas, meu caro amigo, com tantos candidatos presidenciais -só o PS tem dois - e ainda com a eventual emergência de um "Pintasilgo de direita", "encavalitado" no seu estimulante candidato, acha mesmo que existe "indiferença"?

O "AMADOR" E O "PROFISSIONAL"

Eu também começo por uma "declaração de interesses". É conhecido - pelo menos de quem lê este blogue - o meu apoio à candidatura de Cavaco Silva. Cavaco avançou sob o lema da não resignação. Medeiros Ferreira "pega" nesta ideia e procura contrariá-la através daquilo a que chama uma "longa resignação". Este artigo insere-se no plano geral do núcleo "intelectual" da candidatura de Mário Soares, destinado a subalternizar e a menorizar o "trajecto" de Cavaco Silva perante o "gigantismo" da biografia política de M. Soares. Aliás, a síndrome do passado, designadamente a "anti-fascista", será amiúde arremessada a torto e a direito. Duvido, no entanto, da sua utilidade para o que importa ao eleitorado de 2005/2006. Este "tom" de superioridade moral e política sobre qualquer outra candidatura - e não apenas a de Cavaco Silva - é, a meu ver, o ponto mais desagradável nas "vistas" de alguns dos apoiantes mais qualificados de M. Soares. O que os conduz a exercícios menos probos, por exemplo, quando se levantam questões que nunca se colocaram, como a de Cavaco poder ter sido candidato presidencial em 1991 e 2001. E se Cavaco é catalogado, com soberba e desdém por M. Ferreira, como um "político amador" (Cavaco disse que não era um "político profissional", mas está longe de ser um "amador" ou um ingénuo), por que diabo "perde" ele tempo num artigo de jornal com esse "amador" em vez de defender, como lhe compete, o seu "profissional"?


Adenda (das onze da noite): O dr. Medeiros Ferreira encara a recandidatura do dr. Soares como um brinquedo novo há muito prometido. Cada gesto, mesmo que previsível, é "novo". Por isso, gostou de ver os mandatários, o dr. Vieira de Almeida, e a colega de blogue, Joana Amaral Dias, "serenos nas suas convicções". O primeiro estava tão sereno que nunca chegou a abrir a boca, nem para as televisões. A segunda, ouvi-a murmurar umas vacuidades sobre um dr. Soares que, ao contrário de MF, ela acabou de conhecer. "Convicções"? Mas diz mais MF. "Ainda não será desta que o regime democrático ficará à mercê dos indiferentes e dos seus inimigos", afiança. Mas, meu caro amigo, com tantos candidatos presidenciais -só o PS tem dois - e ainda com a eventual emergência de um "Pintasilgo de direita", "encavalitado" no seu estimulante candidato, acha mesmo que existe "indiferença"?

QUEM MANDA -2

Os agricultores "betinhos" também vêm ao assalto das ruas de Lisboa, aparentemente para pedir a "cabeça" do ministro Jaime Silva. Não percebem que o seu "mundo" - harmonioso, florido e marialva - desapareceu há muito por força das circunstâncias e de Bruxelas. A seca, uma realidade, não é tudo. O "mal" vem de trás e o Portugal que vagueia nas cabeças dos "agricultores" está bem morto e enterrado. Não vale a pena exbir cadáveres adiados pelas ruas.

QUEM MANDA -2

Os agricultores "betinhos" também vêm ao assalto das ruas de Lisboa, aparentemente para pedir a "cabeça" do ministro Jaime Silva. Não percebem que o seu "mundo" - harmonioso, florido e marialva - desapareceu há muito por força das circunstâncias e de Bruxelas. A seca, uma realidade, não é tudo. O "mal" vem de trás e o Portugal que vagueia nas cabeças dos "agricultores" está bem morto e enterrado. Não vale a pena exbir cadáveres adiados pelas ruas.

QUEM MANDA

A "justiça", de quem Fátima Felgueiras escarneceu e fugiu, a "justiça" que investiga grandes contribuintes que a desafiam publicamente pela sua "incompetência", a "justiça" que se atrasa na definição da situação jurídica dos remediados, a "justiça" que persegue o trivial, enfim, este vasto mundo a que, tantas vezes por equívoco toponímico chamamos "justiça", entra em greve. Começa pelo Ministério Público, abrange os funcionários judiciais, a PJ, "técnicos" e chega aos verdadeiros administradores da dita, os juízes. Têm direito? Não tenho a certeza. São supostos servir a comunidade, uns como órgãos de soberania e seus auxiliares, outros por defenderem os desvalidos, como manda o seu estatuto, outros ainda porque perseguem para debelar o crime? Não tenho dúvida. O governo é, a partir de hoje, desafiado no cerne da sua autoridade por grupos sócio-profissionais que servem justamente para a garantir. O que a estes falta em legitimidade democrática, sobra ao poder político em autoridade democrática, sufragada devidamente em eleições. Vacilar, neste momento, seria fatal para o governo. Há alturas na vida pública, sobretudo na democrática, em que a opinião pública gosta de saber quem efectivamente manda. Esta é uma delas.


Adenda: Complementar com este post do Jorge Ferreira.

QUEM MANDA

A "justiça", de quem Fátima Felgueiras escarneceu e fugiu, a "justiça" que investiga grandes contribuintes que a desafiam publicamente pela sua "incompetência", a "justiça" que se atrasa na definição da situação jurídica dos remediados, a "justiça" que persegue o trivial, enfim, este vasto mundo a que, tantas vezes por equívoco toponímico chamamos "justiça", entra em greve. Começa pelo Ministério Público, abrange os funcionários judiciais, a PJ, "técnicos" e chega aos verdadeiros administradores da dita, os juízes. Têm direito? Não tenho a certeza. São supostos servir a comunidade, uns como órgãos de soberania e seus auxiliares, outros por defenderem os desvalidos, como manda o seu estatuto, outros ainda porque perseguem para debelar o crime? Não tenho dúvida. O governo é, a partir de hoje, desafiado no cerne da sua autoridade por grupos sócio-profissionais que servem justamente para a garantir. O que a estes falta em legitimidade democrática, sobra ao poder político em autoridade democrática, sufragada devidamente em eleições. Vacilar, neste momento, seria fatal para o governo. Há alturas na vida pública, sobretudo na democrática, em que a opinião pública gosta de saber quem efectivamente manda. Esta é uma delas.


Adenda: Complementar com este post do Jorge Ferreira.

24.10.05

DIZER "NÃO"

"Só ganha a confiança dos homens quem lhes disser "não". Cavaco disse "não" no Congresso da Figueira, ao garantir que apoiava Freitas do Amaral para a Presidência da República. Cavaco ganhou porque estava preparado para perder." José Miguel Júdice, em Lisboa, na apresentação do livro de Adelino Cunha, A Ascensão ao Poder de Cavaco Silva 1979-1985, da editora Edeline.

DIZER "NÃO"

"Só ganha a confiança dos homens quem lhes disser "não". Cavaco disse "não" no Congresso da Figueira, ao garantir que apoiava Freitas do Amaral para a Presidência da República. Cavaco ganhou porque estava preparado para perder." José Miguel Júdice, em Lisboa, na apresentação do livro de Adelino Cunha, A Ascensão ao Poder de Cavaco Silva 1979-1985, da editora Edeline.

LER...

... estas "Tentações" bem "rebatidas" por Vital Moreira.

LER...

... estas "Tentações" bem "rebatidas" por Vital Moreira.

PODEM, SFF...?

PODEM, SFF...?

LER OS OUTROS

Os últimos posts do "Desesperada Esperança", no "Linha do Horizonte", "Candidatos Presidenciais?" e "O Grau Zero da Argumentação" (vários) no Bloguítica. A propósito do "Expresso" "cavaquista", este post da Grande Loja. Não estimo particularmente o "Expresso", mas sei que certamente os próximos números darão "capa" a outros candidatos presidenciais, que Cavaco descerá nos "altos&baixos", outros subirão e por aí fora. Contudo, o jornal limitou-se a relatar uma evidência: o anúncio formal da candidatura de Cavaco Silva é o verdadeiro acto fundador da eleição de 2006. Não era disso que todos os outros estavam à espera?

LER OS OUTROS

Os últimos posts do "Desesperada Esperança", no "Linha do Horizonte", "Candidatos Presidenciais?" e "O Grau Zero da Argumentação" (vários) no Bloguítica. A propósito do "Expresso" "cavaquista", este post da Grande Loja. Não estimo particularmente o "Expresso", mas sei que certamente os próximos números darão "capa" a outros candidatos presidenciais, que Cavaco descerá nos "altos&baixos", outros subirão e por aí fora. Contudo, o jornal limitou-se a relatar uma evidência: o anúncio formal da candidatura de Cavaco Silva é o verdadeiro acto fundador da eleição de 2006. Não era disso que todos os outros estavam à espera?

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Luís Grave Rodrigues, do Random Precision, "desafia-me" a responder à "parte" da crítica política que faz a Cavaco Silva, num post onde a mistura com referências desagradáveis. Não possuo nenhum mandato para falar "em nome" do candidato que apoio, mas julgo que é importante que se faça um debate sério em torno das presidenciais e não chicana gratuita. Aliás, dois artigos do Público de domingo - de António Barreto e de Mário Mesquita - constituem bons contributos para esse debate. No seu texto, LGR coloca várias perguntas que, como ele bem sabe, só a leitura do "manifesto eleitoral" de Cavaco Silva poderá responder e outras, ainda, que só o decurso da campanha esclarecerá. Porém, há assuntos que LGR levanta e cuja "resposta" já julga adivinhar por causa das convicções pessoais e religiosas de CS. Pode ser que, nalguns casos, tenha alguma surpresa e noutros, naturalmente, obtenha confirmação. Uma pessoa credível não costuma ceder no essencial e é bom que assim seja senão éramos todos "iguais". No entanto, parece-me inequívoco - e só por má-fé compulsiva ou por ignorância desculpável é que se pode defender o contrário - que CS tem obviamente perfil "para representar Portugal nas mais altas instâncias internacionais". Já o fez, no âmbito da direcção da política externa que pertence ao governo, quando exerceu o cargo de 1º ministro e acho que ninguém se queixou. Pergunte ao socialista Felipe Gonzalez, por exemplo, o que é que ele opinava sobre CS quando ambos eram os chefes de governo da Península Ibérica. Achará porventura LGR que CS não está à altura da representação externa do Estado Português - que é uma das funções do PR - apenas porque não encara o cargo como um híbrido monárquico-jacobino destinado a exibir universalmente lugares-comuns ou vaidades pessoais? Ou, pior, porque aí o argumento seria puramente reaccionário, por pensar que CS não é suficientemente "civilizado" para o efeito?
2. Quanto à minha posição, simultaneamente de suporte a CS e de crítica à recandidatura de M. Soares, a quem, por duas vezes, apoiei, reproduzo parte de um post escrito em Setembro que sumariza, por agora, o essencial. O "regime", se não se regenerar, afunda-se, mais tarde ou mais cedo, nas suas trapalhadas e na sua venalidade. Restaurar, com sensatez, a sua autoridade, sem pôr em causa a "natureza das coisas", é a tarefa mais nobre do próximo PR. Não é preciso ser "presidencialista" para achar que não é com magistraturas "monárquico-republicanas", requentadas com discursatas redondas e vazias, que "isto" lá vai. Cavaco não virá para a "desforra", como se insinua maliciosamente, e o país sabe-o. Sócrates tem um mandato claro que o obriga a ser mais clarividente do que tem sido. Ninguém mais do que Cavaco Silva aprecia a "estabilidade" para que se possa fazer alguma coisa. Mário Soares apenas quer a "estabilidade" - a dele - para não mudar nada e para embaraçar Sócrates quando este não respeitar o "cânone". Cavaco deverá transmitir solitariamente aos portugueses quais as razões políticas que o fazem ser, agora e de longe, o concidadão que, na chefia do Estado, melhores condições possui para prestigiar a democracia e honrar, com decência e um módico de equilíbrio, as instituições. Para isso não precisa de uma "corte". Basta-lhe estar só, com Portugal.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Luís Grave Rodrigues, do Random Precision, "desafia-me" a responder à "parte" da crítica política que faz a Cavaco Silva, num post onde a mistura com referências desagradáveis. Não possuo nenhum mandato para falar "em nome" do candidato que apoio, mas julgo que é importante que se faça um debate sério em torno das presidenciais e não chicana gratuita. Aliás, dois artigos do Público de domingo - de António Barreto e de Mário Mesquita - constituem bons contributos para esse debate. No seu texto, LGR coloca várias perguntas que, como ele bem sabe, só a leitura do "manifesto eleitoral" de Cavaco Silva poderá responder e outras, ainda, que só o decurso da campanha esclarecerá. Porém, há assuntos que LGR levanta e cuja "resposta" já julga adivinhar por causa das convicções pessoais e religiosas de CS. Pode ser que, nalguns casos, tenha alguma surpresa e noutros, naturalmente, obtenha confirmação. Uma pessoa credível não costuma ceder no essencial e é bom que assim seja senão éramos todos "iguais". No entanto, parece-me inequívoco - e só por má-fé compulsiva ou por ignorância desculpável é que se pode defender o contrário - que CS tem obviamente perfil "para representar Portugal nas mais altas instâncias internacionais". Já o fez, no âmbito da direcção da política externa que pertence ao governo, quando exerceu o cargo de 1º ministro e acho que ninguém se queixou. Pergunte ao socialista Felipe Gonzalez, por exemplo, o que é que ele opinava sobre CS quando ambos eram os chefes de governo da Península Ibérica. Achará porventura LGR que CS não está à altura da representação externa do Estado Português - que é uma das funções do PR - apenas porque não encara o cargo como um híbrido monárquico-jacobino destinado a exibir universalmente lugares-comuns ou vaidades pessoais? Ou, pior, porque aí o argumento seria puramente reaccionário, por pensar que CS não é suficientemente "civilizado" para o efeito?
2. Quanto à minha posição, simultaneamente de suporte a CS e de crítica à recandidatura de M. Soares, a quem, por duas vezes, apoiei, reproduzo parte de um post escrito em Setembro que sumariza, por agora, o essencial. O "regime", se não se regenerar, afunda-se, mais tarde ou mais cedo, nas suas trapalhadas e na sua venalidade. Restaurar, com sensatez, a sua autoridade, sem pôr em causa a "natureza das coisas", é a tarefa mais nobre do próximo PR. Não é preciso ser "presidencialista" para achar que não é com magistraturas "monárquico-republicanas", requentadas com discursatas redondas e vazias, que "isto" lá vai. Cavaco não virá para a "desforra", como se insinua maliciosamente, e o país sabe-o. Sócrates tem um mandato claro que o obriga a ser mais clarividente do que tem sido. Ninguém mais do que Cavaco Silva aprecia a "estabilidade" para que se possa fazer alguma coisa. Mário Soares apenas quer a "estabilidade" - a dele - para não mudar nada e para embaraçar Sócrates quando este não respeitar o "cânone". Cavaco deverá transmitir solitariamente aos portugueses quais as razões políticas que o fazem ser, agora e de longe, o concidadão que, na chefia do Estado, melhores condições possui para prestigiar a democracia e honrar, com decência e um módico de equilíbrio, as instituições. Para isso não precisa de uma "corte". Basta-lhe estar só, com Portugal.

23.10.05

"BLASÉ"

Ainda não consegui ler - deficiência minha, seguramente - um único post escrito pela mandatária "BE" do dr. M. Soares para a juventude, a socióloga Joana Amaral Dias, em que ela fizesse o favor de nos dizer por que é que apoia Soares e por que é o devemos preferir a qualquer outro. Vejo-a, sim, ao contrário dos colegas de blogue Medeiros Ferreira e Bettencourt Resendes, a escrevinhar ou a copiar baboseiras e graçolas tipicamente "bloquistas" contra Cavaco Silva. É de esperar que assistamos nas próximas semanas ao destilar do tradicional ódio de classe a Cavaco, misturado com a sobranceria "intelectual" típica dos urbano-depressivos e de algumas luminárias plumitivas. Tudo servirá ao vómito - a família, as origens, os apoiantes - e pouca coisa honrará a política. À dra. Joana, por seu lado, ficaria melhor tratar da sua própria intendência e evitar que a candidatura que apoia seja mais "negativa" do que já é. Tem idade e juízo suficientes para isso.

Adenda: Outro exemplo do aqui digo, vem do blogue de Luís Grave Rodrigues, o Random Precision, que eu costumo seguir com alguma atenção. Depois de uma (legítima) crítica "política" ao candidato Cavaco Silva, o autor termina o post com esta desnecessária "pérola" alarve, referindo-se àquele nestes termos: "manequim de Boliqueime, babado de bolo-rei pelos cantos da boca...". Tudo indica que os "índices" de civilidade da blogosfera, mesmo da que, em princípio, se poderia considerar intelectualmente séria, irão descer abruptamente nos próximos tempos, raiando mesmo a sarjeta. E o pior ainda está para vir.

"BLASÉ"

Ainda não consegui ler - deficiência minha, seguramente - um único post escrito pela mandatária "BE" do dr. M. Soares para a juventude, a socióloga Joana Amaral Dias, em que ela fizesse o favor de nos dizer por que é que apoia Soares e por que é o devemos preferir a qualquer outro. Vejo-a, sim, ao contrário dos colegas de blogue Medeiros Ferreira e Bettencourt Resendes, a escrevinhar ou a copiar baboseiras e graçolas tipicamente "bloquistas" contra Cavaco Silva. É de esperar que assistamos nas próximas semanas ao destilar do tradicional ódio de classe a Cavaco, misturado com a sobranceria "intelectual" típica dos urbano-depressivos e de algumas luminárias plumitivas. Tudo servirá ao vómito - a família, as origens, os apoiantes - e pouca coisa honrará a política. À dra. Joana, por seu lado, ficaria melhor tratar da sua própria intendência e evitar que a candidatura que apoia seja mais "negativa" do que já é. Tem idade e juízo suficientes para isso.

Adenda: Outro exemplo do aqui digo, vem do blogue de Luís Grave Rodrigues, o Random Precision, que eu costumo seguir com alguma atenção. Depois de uma (legítima) crítica "política" ao candidato Cavaco Silva, o autor termina o post com esta desnecessária "pérola" alarve, referindo-se àquele nestes termos: "manequim de Boliqueime, babado de bolo-rei pelos cantos da boca...". Tudo indica que os "índices" de civilidade da blogosfera, mesmo da que, em princípio, se poderia considerar intelectualmente séria, irão descer abruptamente nos próximos tempos, raiando mesmo a sarjeta. E o pior ainda está para vir.

FERNANDA BOTELHO

No Da Literatura, João Paulo Sousa lembra Fernanda Botelho, "vista" num documentário televisivo. Trata-se de uma escritora - deveria dizer escritor? - cuja discrição não nos deve fazer esquecer a sua obra, parece que por aí reeditada com umas "capas" de gosto duvidoso. Durante anos, Fernanda Botelho morou perto de mim e retenho a imagem dessa mulher elegante, passeando com um pequeno cesto de vime no braço, que usava para as compras, e cuja "obra não é extensa, mas intensa, livre na forma e nos temas".

FERNANDA BOTELHO

No Da Literatura, João Paulo Sousa lembra Fernanda Botelho, "vista" num documentário televisivo. Trata-se de uma escritora - deveria dizer escritor? - cuja discrição não nos deve fazer esquecer a sua obra, parece que por aí reeditada com umas "capas" de gosto duvidoso. Durante anos, Fernanda Botelho morou perto de mim e retenho a imagem dessa mulher elegante, passeando com um pequeno cesto de vime no braço, que usava para as compras, e cuja "obra não é extensa, mas intensa, livre na forma e nos temas".

A CULPA NÃO É DELE

O secretário geral do PS, exactamente nesta qualidade, vai andar - já andou - pelas secções e pelas federações do partido "a vender" o dr. Mário Soares às bases, na perspectiva de amortecer previsíveis defecções para Manuel Alegre. Tem, e porque já o repetiu, um argumentário curto e curioso. Soares já foi presidente, "em bom", Soares é "útil para o país" e Soares tem "prestígio internacional" pelo que, supôe-se, "vende-nos" melhor lá fora do que os seus putativos concorrentes. Medeiros Ferreira, que partilha o candidato com Sócrates, já pensa de outra maneira. Se atentarmos ao que escreveu sobre o apoio de Ramalho Eanes a Cavaco Silva, temos de concluir que Soares "devia manter-se neutral, porque a República precisa de reservas sérias", arriscando-se "a ficar subalternizado por subalternos". Voltando à visão "soarista" do primeiro-ministro, apenas uns vagos comentários. Soares foi, de facto, presidente, mas com dois mandatos politicamente distintos, como, aliás, os de Eanes. Se lhe "saísse" o Soares do segundo mandato, será que Sócrates continuava a achá-lo "útil" para o país? Quanto ao "prestígio internacional", Soares já tinha algum antes de ser presidente e, por exemplo, Sampaio não tinha nenhum antes de lá chegar. Por esta ordem de ideias, só ex-presidentes poderiam suceder a presidentes, o que nos esgotaria, rapidamente e por exaustão, as tais "reservas sérias" a que alude M. Ferreira, provavelmente já a pensar nos setenta e tal anos de Sampaio e nos oitenta e tal de Eanes. Sócrates tem, de facto, um problema. Desconhece o "efeito" Alegre e, mais preocupante do que esse, conhece o não-efeito Soares. Sócrates pressente - e bem - que o partido não está excitado com Soares e que, desta vez, não vale a pena "teatralizar" excessivamente a coisa. Estes "elogios" ao candidato - perfeitinhos, triviais e muito enxutos - são a consequência deste pathos e um gesto de inteligência política do primeiro-ministro. Sócrates cede a "logística" mas quer deixar tudo nas mãos de Soares. Para o efeito, recorda-lhe todos os dias o "prestígio" que ele tem. Se falhar, a culpa não é dele.

A CULPA NÃO É DELE

O secretário geral do PS, exactamente nesta qualidade, vai andar - já andou - pelas secções e pelas federações do partido "a vender" o dr. Mário Soares às bases, na perspectiva de amortecer previsíveis defecções para Manuel Alegre. Tem, e porque já o repetiu, um argumentário curto e curioso. Soares já foi presidente, "em bom", Soares é "útil para o país" e Soares tem "prestígio internacional" pelo que, supôe-se, "vende-nos" melhor lá fora do que os seus putativos concorrentes. Medeiros Ferreira, que partilha o candidato com Sócrates, já pensa de outra maneira. Se atentarmos ao que escreveu sobre o apoio de Ramalho Eanes a Cavaco Silva, temos de concluir que Soares "devia manter-se neutral, porque a República precisa de reservas sérias", arriscando-se "a ficar subalternizado por subalternos". Voltando à visão "soarista" do primeiro-ministro, apenas uns vagos comentários. Soares foi, de facto, presidente, mas com dois mandatos politicamente distintos, como, aliás, os de Eanes. Se lhe "saísse" o Soares do segundo mandato, será que Sócrates continuava a achá-lo "útil" para o país? Quanto ao "prestígio internacional", Soares já tinha algum antes de ser presidente e, por exemplo, Sampaio não tinha nenhum antes de lá chegar. Por esta ordem de ideias, só ex-presidentes poderiam suceder a presidentes, o que nos esgotaria, rapidamente e por exaustão, as tais "reservas sérias" a que alude M. Ferreira, provavelmente já a pensar nos setenta e tal anos de Sampaio e nos oitenta e tal de Eanes. Sócrates tem, de facto, um problema. Desconhece o "efeito" Alegre e, mais preocupante do que esse, conhece o não-efeito Soares. Sócrates pressente - e bem - que o partido não está excitado com Soares e que, desta vez, não vale a pena "teatralizar" excessivamente a coisa. Estes "elogios" ao candidato - perfeitinhos, triviais e muito enxutos - são a consequência deste pathos e um gesto de inteligência política do primeiro-ministro. Sócrates cede a "logística" mas quer deixar tudo nas mãos de Soares. Para o efeito, recorda-lhe todos os dias o "prestígio" que ele tem. Se falhar, a culpa não é dele.