"Não temos mais começos", Steiner dixit. Nem sempre, nem nunca. O Francisco (re)começou há um ano. E, como todos aqueles que não são meramente palha ou plasticina, começa todos os dias e todas as noites. Palpita-me que prefere as noites. Sorte a dele. Sorte a nossa.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
31.8.06
ORIGEM
"Não temos mais começos", Steiner dixit. Nem sempre, nem nunca. O Francisco (re)começou há um ano. E, como todos aqueles que não são meramente palha ou plasticina, começa todos os dias e todas as noites. Palpita-me que prefere as noites. Sorte a dele. Sorte a nossa.
BONZINHOS

Afinal, a missão portuguesa no Líbano é "humanitária", coisa que parece incomodar o José Pacheco Pereira que porventura acredita nas virtudes militares - as propriamente ditas - da lusa tropa. Todos, aliás, imaginamos os nossos bravos guerreiros a colocar o Hezbollah em sentido, v.g. tirando-lhes as armas, ou a ensinar o exército local a tomar conta do país. Mal por mal, mais vale seguirem o exemplo do senhor da foto. Bons, mas em bonzinhos.
BONZINHOS

Afinal, a missão portuguesa no Líbano é "humanitária", coisa que parece incomodar o José Pacheco Pereira que porventura acredita nas virtudes militares - as propriamente ditas - da lusa tropa. Todos, aliás, imaginamos os nossos bravos guerreiros a colocar o Hezbollah em sentido, v.g. tirando-lhes as armas, ou a ensinar o exército local a tomar conta do país. Mal por mal, mais vale seguirem o exemplo do senhor da foto. Bons, mas em bonzinhos.
A ETERNIDADE É INSUPORTÁVEL
"Si l'on avait proposé à l'homme de vivre éternellement, je l'aurais, quant à moi, refusé, car l'éternité est insupportable."
Naguib Mahfouz, 1911-2006, via Almocreve das Petas
A ETERNIDADE É INSUPORTÁVEL
"Si l'on avait proposé à l'homme de vivre éternellement, je l'aurais, quant à moi, refusé, car l'éternité est insupportable."
Naguib Mahfouz, 1911-2006, via Almocreve das Petas
A GRAVIDADE DO CASO
O sr. Madaíl, ao fim de alguns dias de oportuno casulo, voou a correr até Zurique para ser sumariamente vergastado pela FIFA. Cá fora declarou que as eminências da bola consideravam o mais recente folclore doméstico "um caso muito grave". Também concordo. E a gravidade do caso começa logo no referido sr. Madaíl, no sr. Major, no sr. Leal e noutras luminárias do futebol institucional que já têm o rabo calejado à conta dos anos que andam nisto. Podia aproveitar-se a ocasião, não apenas para remover as equipas portuguesas das competições internacionais por indecente e má figura, mas também para dar o pontapé definitivo nos rabos dormentes destas inutilidades todas.
A GRAVIDADE DO CASO
O sr. Madaíl, ao fim de alguns dias de oportuno casulo, voou a correr até Zurique para ser sumariamente vergastado pela FIFA. Cá fora declarou que as eminências da bola consideravam o mais recente folclore doméstico "um caso muito grave". Também concordo. E a gravidade do caso começa logo no referido sr. Madaíl, no sr. Major, no sr. Leal e noutras luminárias do futebol institucional que já têm o rabo calejado à conta dos anos que andam nisto. Podia aproveitar-se a ocasião, não apenas para remover as equipas portuguesas das competições internacionais por indecente e má figura, mas também para dar o pontapé definitivo nos rabos dormentes destas inutilidades todas.
O REGRESSO DA REALIDADE
Aqui há coisa de duas semanas, quando o dr. Silva Pereira - um clone quase perfeito do seu "mentor" - veio praticamente "anunciar" o fim da época de incêndios e fazer um "balanço" em "hectares" chamuscados, escreveu-se que ele "veio "deitar água" na fervura, sem nenhumas garantias de que, amanhã ou depois, a realidade lhe volte a entrar pela casa adentro." Como a realidade não toma assento no conselho de Ministros do qual o dr. Silva Pereira é quase sempre porta-voz, teima em incendiar mais hectares e em não dar por terminadas as famosas "ignições" do dr. Costa. Aparentemente a natureza não se deixa intimidar pela autoridade governativa. E, pelos vistos, os incendiários também não
O REGRESSO DA REALIDADE
Aqui há coisa de duas semanas, quando o dr. Silva Pereira - um clone quase perfeito do seu "mentor" - veio praticamente "anunciar" o fim da época de incêndios e fazer um "balanço" em "hectares" chamuscados, escreveu-se que ele "veio "deitar água" na fervura, sem nenhumas garantias de que, amanhã ou depois, a realidade lhe volte a entrar pela casa adentro." Como a realidade não toma assento no conselho de Ministros do qual o dr. Silva Pereira é quase sempre porta-voz, teima em incendiar mais hectares e em não dar por terminadas as famosas "ignições" do dr. Costa. Aparentemente a natureza não se deixa intimidar pela autoridade governativa. E, pelos vistos, os incendiários também não
ALEGRIA DE VIVER

À excepção do João Villalobos e do José Pacheco Pereira, não vi a brigada blogueira muito interessada na primeira entrevista do dr. Mário Soares depois das presidenciais. Dir-me-ão que Soares passou, que o tempo é doutra gente, que as gerações não-sei-quê e outras merdas do género. Descontando o enlevo com o governo - eventualmente "sol de pouca dura" - e as referências às leituras e à vida internacional (com que eu concordo), apreciei, nesta estiagem intelectual que atravessa a política portuguesa, rever o dr. Mário Soares de que eu gosto. Este:
"A felicidade só relativamente tem a ver com a política. Sinto-me feliz. Quando entrei na campanha sabia perfeitamente que corria o risco de perder. Perdi! Mas a vida continua, como a alegria de viver (...) [Foi] uma experiência com muitos aspectos positivos - que darão frutos no futuro - e, obviamente, altos e baixos. Tenho, como se sabe, uma vida rica: fui uma dezena de vezes preso, deportado, estive no exílio. Foram batalhas perdidas. Sou resistente, tenho uma couraça sólida. Não sou uma anémona impressionável por qualquer crítica que me façam ou por um simples desaire eleitoral.."
Welcome back, dr. Soares. No hard feelings.
ALEGRIA DE VIVER

À excepção do João Villalobos e do José Pacheco Pereira, não vi a brigada blogueira muito interessada na primeira entrevista do dr. Mário Soares depois das presidenciais. Dir-me-ão que Soares passou, que o tempo é doutra gente, que as gerações não-sei-quê e outras merdas do género. Descontando o enlevo com o governo - eventualmente "sol de pouca dura" - e as referências às leituras e à vida internacional (com que eu concordo), apreciei, nesta estiagem intelectual que atravessa a política portuguesa, rever o dr. Mário Soares de que eu gosto. Este:
"A felicidade só relativamente tem a ver com a política. Sinto-me feliz. Quando entrei na campanha sabia perfeitamente que corria o risco de perder. Perdi! Mas a vida continua, como a alegria de viver (...) [Foi] uma experiência com muitos aspectos positivos - que darão frutos no futuro - e, obviamente, altos e baixos. Tenho, como se sabe, uma vida rica: fui uma dezena de vezes preso, deportado, estive no exílio. Foram batalhas perdidas. Sou resistente, tenho uma couraça sólida. Não sou uma anémona impressionável por qualquer crítica que me façam ou por um simples desaire eleitoral.."
Welcome back, dr. Soares. No hard feelings.
PASTORÍCIA INTERNACIONAL

Com a gravidade própria do grande país que Portugal é, o poder anunciou ontem que vão 140 soldados pastar a vaca para o Líbano. A fragata, afinal, já não vai. Em Timor, entretanto, os GNR's patrulham as ruas em vão e a nossa gloriosa "herança" desfaz-se todos os dias mais um bocadinho nas mãos daqueles irresponsáveis trauliteiros. Como dizia uma amiga minha, em marreco é o melhor que se pode arranjar.
PASTORÍCIA INTERNACIONAL

Com a gravidade própria do grande país que Portugal é, o poder anunciou ontem que vão 140 soldados pastar a vaca para o Líbano. A fragata, afinal, já não vai. Em Timor, entretanto, os GNR's patrulham as ruas em vão e a nossa gloriosa "herança" desfaz-se todos os dias mais um bocadinho nas mãos daqueles irresponsáveis trauliteiros. Como dizia uma amiga minha, em marreco é o melhor que se pode arranjar.
30.8.06
LENDO OUTROS
Que é só um: "Erudição Desperdiçada" e "Lolitas".
"Ninguém me tira da cabeça que a nossa predilecção por mulheres pequenas revela uma tendência nacional para a pedofilia: as bonequinhas da mitologia local, baixinhas, maneirinhas, jeitosinhas, como as sardinhas, devem ter quatorze anos e gostar muito de calipos. Será que uma parte dos homens portugueses inveja aquele austríaco que prendeu uma menina no quarto para dela extrair satisfação sexual? Sonharão com uma cave repleta de gaiatas impúberes a quem possam dar umas nalgadas antes do jantar? A sobriedade com que a imprensa lusitana tratou este assunto pareceu-me comprometedora - se tiver paciência, hei-de voltar a ele."
Volte, Luís, a "macheza" lusa precisa ser "descascada".
"Ninguém me tira da cabeça que a nossa predilecção por mulheres pequenas revela uma tendência nacional para a pedofilia: as bonequinhas da mitologia local, baixinhas, maneirinhas, jeitosinhas, como as sardinhas, devem ter quatorze anos e gostar muito de calipos. Será que uma parte dos homens portugueses inveja aquele austríaco que prendeu uma menina no quarto para dela extrair satisfação sexual? Sonharão com uma cave repleta de gaiatas impúberes a quem possam dar umas nalgadas antes do jantar? A sobriedade com que a imprensa lusitana tratou este assunto pareceu-me comprometedora - se tiver paciência, hei-de voltar a ele."
Volte, Luís, a "macheza" lusa precisa ser "descascada".
LENDO OUTROS
Que é só um: "Erudição Desperdiçada" e "Lolitas".
"Ninguém me tira da cabeça que a nossa predilecção por mulheres pequenas revela uma tendência nacional para a pedofilia: as bonequinhas da mitologia local, baixinhas, maneirinhas, jeitosinhas, como as sardinhas, devem ter quatorze anos e gostar muito de calipos. Será que uma parte dos homens portugueses inveja aquele austríaco que prendeu uma menina no quarto para dela extrair satisfação sexual? Sonharão com uma cave repleta de gaiatas impúberes a quem possam dar umas nalgadas antes do jantar? A sobriedade com que a imprensa lusitana tratou este assunto pareceu-me comprometedora - se tiver paciência, hei-de voltar a ele."
Volte, Luís, a "macheza" lusa precisa ser "descascada".
"Ninguém me tira da cabeça que a nossa predilecção por mulheres pequenas revela uma tendência nacional para a pedofilia: as bonequinhas da mitologia local, baixinhas, maneirinhas, jeitosinhas, como as sardinhas, devem ter quatorze anos e gostar muito de calipos. Será que uma parte dos homens portugueses inveja aquele austríaco que prendeu uma menina no quarto para dela extrair satisfação sexual? Sonharão com uma cave repleta de gaiatas impúberes a quem possam dar umas nalgadas antes do jantar? A sobriedade com que a imprensa lusitana tratou este assunto pareceu-me comprometedora - se tiver paciência, hei-de voltar a ele."
Volte, Luís, a "macheza" lusa precisa ser "descascada".
PARA ALÉM DELA

Há pessoas que já devem estar a armazenar lenços de papel para limpar as mãos. Todavia, no novo filme de Brian de Palma, "A dália negra" (estreia cá em Outubro), baseado na obra homónima de James Ellroy, há mais vida para além da já quase inevitável Scarlett Johansson. Em loira e em mamas, não haja dúvida que é do melhor que há. Para quem gosta, naturalmente.
PARA ALÉM DELA

Há pessoas que já devem estar a armazenar lenços de papel para limpar as mãos. Todavia, no novo filme de Brian de Palma, "A dália negra" (estreia cá em Outubro), baseado na obra homónima de James Ellroy, há mais vida para além da já quase inevitável Scarlett Johansson. Em loira e em mamas, não haja dúvida que é do melhor que há. Para quem gosta, naturalmente.
O PROFISSIONAL

O "cluster eólico" - utilizo o termo do "plano tecnológico" - foi prejudicado no seu imparável caminho de sucesso porque a Iberdrola interpôs um recurso hierárquico da decisão da comissão que trata do assunto, a qual escolheu as propostas da GALP e da EDP. Apesar de andarem todos mais ou menos misturados- saem de um lado, entram no outro e, quando são ministros, nomeiam "gestores" que já foram ministros e vice-versa -, na Iberdrola ("ramo" português") manda o dr. Pina Moura. O dr. Pina Moura é, para além disso, deputado do PS e membro da linha "socrática" em vigor, apesar de, muito antes disso, ser o único membro da sua própria "linha". Como tal, o irrelevante dr. Manuel Pinho deve suscitar-lhe o maior dos ascos. E, nada melhor que a sua Iberdrola, para o exibir. Pina Moura é um profissional. Foi-o anos a fio no PC e na "linha dura", como não podia deixar de ser. Consta até que Cunhal acarinhava vagamente a ideia de ver Pina Moura a empunhar cada vez mais alto a "rubra bandeira". Naquele congresso extraordinário da Amadora, de 1986, em que Cunhal pediu aos comunistas para taparem a cara de Soares e votarem nele, lá se vê o camarada Moura de volta de uns papéis, na primeira fila, a votar de braço no ar. Logo de seguida, e enquanto o Muro de Berlim caía e não caía, uma rapaziada mais "aburguesada" foi-se aproximando do PS, à excepção da Zita Seabra que fez um "salto mortal" directo ao PSD. Uns foram saindo em grupelhos inócuos, outros saíram sozinhos e quase todos foram expulsos. O PS abocanhou a maioria. E Pina Moura, com o traquejo estalinista de anos feito, abocanhou, assim que pôde, o católico Guterres de cujo lado direito não abdicou até o ver em S. Bento. Conta-se que era o último a sair do Rato e o primeiro a aparecer no dia seguinte, quando não ficava por lá. Foi o tempo do velho profissional se transformar no "cardeal". Como era de prever, esteve nos governos do referido engenheiro. Acabou a acumular duas pastas - as Finanças e a Economia - até ao dia em que Guterres o "entalou" no Parlamento, jurando que não ia aumentar a gasolina. Ele e a sua amiga Manuela Arcanjo perceberam rapidamente que o barco estava prestes a afundar-se. Nem um, nem a outra estavam lá quando Guterres se descobriu no "pântano". Com os "conhecimentos" adquiridos nas pastas que ocupou, Pina Moura tratou, naturalmente, da vida dele. Depois de comunista, socialista e quase religioso - coisa que, na verdade, nunca deixou de ser -, o profissional apareceu como empresário. Criaturas como Mexia e outras do mesmo género que navegam nas empresas energéticas, são um produto da fina inteligência do delfim do dr. Cunhal. Pina Moura, às tantas, era o "bloco central" personificado para estas áreas interessantes de acompanhar à distância. Era e é. A via espanhola evidencia uma ambição desmesurada. Ao pé de Pina Moura, o dr. Pinho é um menino de coro que nem sequer sabe cantar. Devia aprender a não se meter com profissionais.
O PROFISSIONAL

O "cluster eólico" - utilizo o termo do "plano tecnológico" - foi prejudicado no seu imparável caminho de sucesso porque a Iberdrola interpôs um recurso hierárquico da decisão da comissão que trata do assunto, a qual escolheu as propostas da GALP e da EDP. Apesar de andarem todos mais ou menos misturados- saem de um lado, entram no outro e, quando são ministros, nomeiam "gestores" que já foram ministros e vice-versa -, na Iberdrola ("ramo" português") manda o dr. Pina Moura. O dr. Pina Moura é, para além disso, deputado do PS e membro da linha "socrática" em vigor, apesar de, muito antes disso, ser o único membro da sua própria "linha". Como tal, o irrelevante dr. Manuel Pinho deve suscitar-lhe o maior dos ascos. E, nada melhor que a sua Iberdrola, para o exibir. Pina Moura é um profissional. Foi-o anos a fio no PC e na "linha dura", como não podia deixar de ser. Consta até que Cunhal acarinhava vagamente a ideia de ver Pina Moura a empunhar cada vez mais alto a "rubra bandeira". Naquele congresso extraordinário da Amadora, de 1986, em que Cunhal pediu aos comunistas para taparem a cara de Soares e votarem nele, lá se vê o camarada Moura de volta de uns papéis, na primeira fila, a votar de braço no ar. Logo de seguida, e enquanto o Muro de Berlim caía e não caía, uma rapaziada mais "aburguesada" foi-se aproximando do PS, à excepção da Zita Seabra que fez um "salto mortal" directo ao PSD. Uns foram saindo em grupelhos inócuos, outros saíram sozinhos e quase todos foram expulsos. O PS abocanhou a maioria. E Pina Moura, com o traquejo estalinista de anos feito, abocanhou, assim que pôde, o católico Guterres de cujo lado direito não abdicou até o ver em S. Bento. Conta-se que era o último a sair do Rato e o primeiro a aparecer no dia seguinte, quando não ficava por lá. Foi o tempo do velho profissional se transformar no "cardeal". Como era de prever, esteve nos governos do referido engenheiro. Acabou a acumular duas pastas - as Finanças e a Economia - até ao dia em que Guterres o "entalou" no Parlamento, jurando que não ia aumentar a gasolina. Ele e a sua amiga Manuela Arcanjo perceberam rapidamente que o barco estava prestes a afundar-se. Nem um, nem a outra estavam lá quando Guterres se descobriu no "pântano". Com os "conhecimentos" adquiridos nas pastas que ocupou, Pina Moura tratou, naturalmente, da vida dele. Depois de comunista, socialista e quase religioso - coisa que, na verdade, nunca deixou de ser -, o profissional apareceu como empresário. Criaturas como Mexia e outras do mesmo género que navegam nas empresas energéticas, são um produto da fina inteligência do delfim do dr. Cunhal. Pina Moura, às tantas, era o "bloco central" personificado para estas áreas interessantes de acompanhar à distância. Era e é. A via espanhola evidencia uma ambição desmesurada. Ao pé de Pina Moura, o dr. Pinho é um menino de coro que nem sequer sabe cantar. Devia aprender a não se meter com profissionais.
UM MANDARIM INTELIGENTE

Tenho estima pessoal por Ricardo Pais que conheço há quase vinte anos. Ricardo é um criador talentoso e um indiscutível homem de teatro que fez coisas bem divertidas e sérias, desde a Gulbenkian, a Viseu, de Lisboa ao Porto, nos teatros nacionais, na Casa da Comédia ou no Frágil. É, como lhe compete, vaidoso. Tem um umbigo tão grande como o seu talento. Foi director do Teatro Nacional de São João no tempo de Carrilho. Na sua magra prestação como ministro, o sr. Sasportes removeu-o para a secretaria-geral do ministério da Cultura como "assessor". Roseta, numa das suas raras descidas à terra, repescou-o de novo para o São João. E ali tem permanecido - estoicamente, segundo ele - como director e director artístico. Numa entrevista surrealista que concedeu ontem ao Público (sem link), Pais afirma-se "mais duradouro do que os governos" e, também como lhe compete, "morde" nas mãozinhas que anteriormente (antes de Pires de Lima) lhe deram, bem ou mal, de comer. Tem razão. Como prémio pela "persistência" e pela gestão "equilibrada" dos seus silêncios e falas, vai ser o presidente do conselho de administração da entidade empresarial pública TNSJ. Esta fantástica "nova" entidade é, naturalmente, mais do mesmo, ou seja, paga a partir do orçamento de Estado, das receitas do Teatro e de algum mecenas. Lida a entrevista, parece que Ricardo Pais anda, há anos, a fazer um grande favor à pátria por existir. De Rui Rio, já que Pires de Lima foi metodicamente posta no bolso do casaco do encenador, Pais diz o politicamente correcto: mal. Provavelmente também queria o Rivoli e o mais que lhe caísse no colo. Há, em quase todos os "criadores" da democracia, um "lado" "Almada Negreiros dos pequeninos". O Estado e os responsáveis políticos são péssimos, mas é bom que eles existam e que paguem bovinamente as continhas e as subtilezas dos "criadores", garantindo ao regime um módico de "qualidade" de vida "cultural", obviamente avaliada pelos próprios. Ricardo Pais é, apesar de tudo, um mandarim inteligente. Não queira, no entanto, fazer dos outros parvos.
UM MANDARIM INTELIGENTE

Tenho estima pessoal por Ricardo Pais que conheço há quase vinte anos. Ricardo é um criador talentoso e um indiscutível homem de teatro que fez coisas bem divertidas e sérias, desde a Gulbenkian, a Viseu, de Lisboa ao Porto, nos teatros nacionais, na Casa da Comédia ou no Frágil. É, como lhe compete, vaidoso. Tem um umbigo tão grande como o seu talento. Foi director do Teatro Nacional de São João no tempo de Carrilho. Na sua magra prestação como ministro, o sr. Sasportes removeu-o para a secretaria-geral do ministério da Cultura como "assessor". Roseta, numa das suas raras descidas à terra, repescou-o de novo para o São João. E ali tem permanecido - estoicamente, segundo ele - como director e director artístico. Numa entrevista surrealista que concedeu ontem ao Público (sem link), Pais afirma-se "mais duradouro do que os governos" e, também como lhe compete, "morde" nas mãozinhas que anteriormente (antes de Pires de Lima) lhe deram, bem ou mal, de comer. Tem razão. Como prémio pela "persistência" e pela gestão "equilibrada" dos seus silêncios e falas, vai ser o presidente do conselho de administração da entidade empresarial pública TNSJ. Esta fantástica "nova" entidade é, naturalmente, mais do mesmo, ou seja, paga a partir do orçamento de Estado, das receitas do Teatro e de algum mecenas. Lida a entrevista, parece que Ricardo Pais anda, há anos, a fazer um grande favor à pátria por existir. De Rui Rio, já que Pires de Lima foi metodicamente posta no bolso do casaco do encenador, Pais diz o politicamente correcto: mal. Provavelmente também queria o Rivoli e o mais que lhe caísse no colo. Há, em quase todos os "criadores" da democracia, um "lado" "Almada Negreiros dos pequeninos". O Estado e os responsáveis políticos são péssimos, mas é bom que eles existam e que paguem bovinamente as continhas e as subtilezas dos "criadores", garantindo ao regime um módico de "qualidade" de vida "cultural", obviamente avaliada pelos próprios. Ricardo Pais é, apesar de tudo, um mandarim inteligente. Não queira, no entanto, fazer dos outros parvos.
29.8.06
FORNICAÇÕES

Há horas felizes. Quem tropeçar na prosa mais recente de Gonçalo M. Tavares ("Água, Cão, Cavalo, Cabeça" (Caminho, 2006), na página10 depara-se com esta "pérola":
"Dois soldados, em vez de enterrarem os cadáveres dos seus amigos mortos em batalha, escaparam às ordens, e num pequeno bar, ainda com o uniforme manchado, mandam vir uma mulher – uma prostituta – e os dois sobem com ela para um quarto e fornicam-na. Um colando-lhe o pénis na boca e o outro fornicando-a por trás como fazem os cães às cadelas e os homens às mulheres ou a outros homens."
Nacos como este evidenciam duas ou três coisas muito simples sobre alguns rebentos "literários" em voga. Desde logo, a maior parte deles não tem "mundo". Só quem não tem "mundo" é que escreve "fornicar" - caramba, a literatura não é santa nem se guia pelos Evangelhos - ou "colando-lhe o pénis na boca". Nenhum escritor, nem ninguém que se preze, jamais "colou" um pénis a uma boca ou vice-versa. Só a palavra "pénis" afasta prudentemente qualquer "boca" do que quer que seja, já que lembra uma consulta de planeamento familiar em Chelas. Por outro lado, Gonçalo desconhece que, entre os animais, particularmente entre os cães, o sexo dos bichos conta pouco para a actividade mencionada. Da mesma forma que entre pessoas não existem "posições" exclusivas para, como ele pudicamente escreve, "fornicar". O tempo em que o Príncipe Fabrizio Salina produzia filhos sem nunca ter visto o umbigo à mulher, acabou há muito. Experimente Gonçalo M. Tavares, por exemplo, ler a biografia de Mary Wesley e vai ver como aprende muita coisa. Para já, só lhe peço para não nos fornicar mais o juízo com prosa deste gabarito.
FORNICAÇÕES

Há horas felizes. Quem tropeçar na prosa mais recente de Gonçalo M. Tavares ("Água, Cão, Cavalo, Cabeça" (Caminho, 2006), na página10 depara-se com esta "pérola":
"Dois soldados, em vez de enterrarem os cadáveres dos seus amigos mortos em batalha, escaparam às ordens, e num pequeno bar, ainda com o uniforme manchado, mandam vir uma mulher – uma prostituta – e os dois sobem com ela para um quarto e fornicam-na. Um colando-lhe o pénis na boca e o outro fornicando-a por trás como fazem os cães às cadelas e os homens às mulheres ou a outros homens."
Nacos como este evidenciam duas ou três coisas muito simples sobre alguns rebentos "literários" em voga. Desde logo, a maior parte deles não tem "mundo". Só quem não tem "mundo" é que escreve "fornicar" - caramba, a literatura não é santa nem se guia pelos Evangelhos - ou "colando-lhe o pénis na boca". Nenhum escritor, nem ninguém que se preze, jamais "colou" um pénis a uma boca ou vice-versa. Só a palavra "pénis" afasta prudentemente qualquer "boca" do que quer que seja, já que lembra uma consulta de planeamento familiar em Chelas. Por outro lado, Gonçalo desconhece que, entre os animais, particularmente entre os cães, o sexo dos bichos conta pouco para a actividade mencionada. Da mesma forma que entre pessoas não existem "posições" exclusivas para, como ele pudicamente escreve, "fornicar". O tempo em que o Príncipe Fabrizio Salina produzia filhos sem nunca ter visto o umbigo à mulher, acabou há muito. Experimente Gonçalo M. Tavares, por exemplo, ler a biografia de Mary Wesley e vai ver como aprende muita coisa. Para já, só lhe peço para não nos fornicar mais o juízo com prosa deste gabarito.
POBREZA FRANCISCANA
Deus sabe - e alguns amigos também - como sou indiferente ao objecto "automóvel". Tenho o mesmo pequeno carro há dez anos - se quisesse, graças ao mencionado Deus, podia ter um melhor - todavia para o uso que tem, para já, basta. Não invoco o nome de Deus em vão. Acontece que, ao regressar a casa a bordo do meu Fiat velhinho, parado num semáforo, reparo que ao meu lado está um veículo igual ao da foto (marca BMW 525 d) conduzido pelo franciscano socialista Vitor Melícias. Devia ir tão fresquinho que até trajava a habitual camisolinha de gola alta que é a sua griffe. O regime trata bem os seus melhores serventuários. Melícias, provavelmente, ainda preside às Misericórdias e a outras coisas mais que lhe devem dar "o direito" a transportar-se de forma nada franciscana. Não imagino que o veículo seja fruto da renúncia à mundanidade ou ao voto de pobreza dos discípulos do Santo de Assis. Vitor Melícias nunca me impressionou a não ser negativamente. Se ainda restasse um pingo de decoro às instituições, Melícias jamais deveria entrar em Belém enquanto Cavaco lá estivesse. Não me esqueço de uma célebre entrevista em que o confessor de Guterres - sempre este homem fatal pelo meio - afirmou a alegria que sentiu e a vontade que lhe deu de vir para a rua tocar uma pandeireta quando, em 1995, Cavaco saiu pelo seu próprio pé. Por isso, pobreza franciscana, só mesmo na cabeça dos idiotas úteis que o sorridente Melícias consegue convencer.POBREZA FRANCISCANA
Deus sabe - e alguns amigos também - como sou indiferente ao objecto "automóvel". Tenho o mesmo pequeno carro há dez anos - se quisesse, graças ao mencionado Deus, podia ter um melhor - todavia para o uso que tem, para já, basta. Não invoco o nome de Deus em vão. Acontece que, ao regressar a casa a bordo do meu Fiat velhinho, parado num semáforo, reparo que ao meu lado está um veículo igual ao da foto (marca BMW 525 d) conduzido pelo franciscano socialista Vitor Melícias. Devia ir tão fresquinho que até trajava a habitual camisolinha de gola alta que é a sua griffe. O regime trata bem os seus melhores serventuários. Melícias, provavelmente, ainda preside às Misericórdias e a outras coisas mais que lhe devem dar "o direito" a transportar-se de forma nada franciscana. Não imagino que o veículo seja fruto da renúncia à mundanidade ou ao voto de pobreza dos discípulos do Santo de Assis. Vitor Melícias nunca me impressionou a não ser negativamente. Se ainda restasse um pingo de decoro às instituições, Melícias jamais deveria entrar em Belém enquanto Cavaco lá estivesse. Não me esqueço de uma célebre entrevista em que o confessor de Guterres - sempre este homem fatal pelo meio - afirmou a alegria que sentiu e a vontade que lhe deu de vir para a rua tocar uma pandeireta quando, em 1995, Cavaco saiu pelo seu próprio pé. Por isso, pobreza franciscana, só mesmo na cabeça dos idiotas úteis que o sorridente Melícias consegue convencer.INDEPENDÊNCIAS
Este post do Paulo Gorjão chama, e bem, a atenção para uma mitomania da política nacional, os "independentes". Como qualquer distraído sabe, o verdadeiro independente acaba trucidado na primeira esquina da sua breve história, liquidado com um tiro no pé ou com uma facada nas costas. Para sobreviver, o "independente" tem que se "clonizar" dependente e, de preferência, ser o mais leal dos dependentes. Vem à baila, no post, o nome do ilustre presidente do Tribunal de Contas, o honorável Guilherme Oliveira Martins. Parece que tem uma nova lei orgânica para o seu Tribunal que muito o satisfaz. E, coisa extraordinária, anda, nesta fase da sua vida "independente", a descobrir coisas que nunca tinha dado por elas quando, anos a fio, esteve do "outro lado do espelho". É que se existe alguém cuja presença no regime é praticamente eterna, é Guilherme Oliveira Martins. Esteve no PPD, esteve na ASDI que "sangrou" o PPD de Sá Carneiro - e cujo principal resultado foi, juntamente com a UEDS do dr. Vitorino (sim , esse mesmo), ter conseguido diminuir a votação no PS por causa de uma risível aliança inventada por Guterres (já nessa altura, 1980, Guterres era um homem fatal) chamada FRS -, esteve com Soares em Belém, esteve como ministro de Guterres em várias pastas, desde Adjunto, Educação e, finalmente Finanças, foi deputado do PS, tentou ser ministro de Sócrates (quem não se lembra dele, ao lado do líder, à janela do Rato a acenar às poucas massas que foram lá festejar a maioria absoluta?) e acabou, agora, como presidente do Tribunal de Contas por indicação do referido Sócrates. Se isto é ser "independente", eu sou o macaco Adriano reciclado.
INDEPENDÊNCIAS
Este post do Paulo Gorjão chama, e bem, a atenção para uma mitomania da política nacional, os "independentes". Como qualquer distraído sabe, o verdadeiro independente acaba trucidado na primeira esquina da sua breve história, liquidado com um tiro no pé ou com uma facada nas costas. Para sobreviver, o "independente" tem que se "clonizar" dependente e, de preferência, ser o mais leal dos dependentes. Vem à baila, no post, o nome do ilustre presidente do Tribunal de Contas, o honorável Guilherme Oliveira Martins. Parece que tem uma nova lei orgânica para o seu Tribunal que muito o satisfaz. E, coisa extraordinária, anda, nesta fase da sua vida "independente", a descobrir coisas que nunca tinha dado por elas quando, anos a fio, esteve do "outro lado do espelho". É que se existe alguém cuja presença no regime é praticamente eterna, é Guilherme Oliveira Martins. Esteve no PPD, esteve na ASDI que "sangrou" o PPD de Sá Carneiro - e cujo principal resultado foi, juntamente com a UEDS do dr. Vitorino (sim , esse mesmo), ter conseguido diminuir a votação no PS por causa de uma risível aliança inventada por Guterres (já nessa altura, 1980, Guterres era um homem fatal) chamada FRS -, esteve com Soares em Belém, esteve como ministro de Guterres em várias pastas, desde Adjunto, Educação e, finalmente Finanças, foi deputado do PS, tentou ser ministro de Sócrates (quem não se lembra dele, ao lado do líder, à janela do Rato a acenar às poucas massas que foram lá festejar a maioria absoluta?) e acabou, agora, como presidente do Tribunal de Contas por indicação do referido Sócrates. Se isto é ser "independente", eu sou o macaco Adriano reciclado.
BOA VIAGEM
O que um homem tem de fazer para não se maçar. Cavaco Silva acha "absolutamente natural" que se enviem tropas portuguesas para o Líbano ou, mesmo, só um barquinho simbólico. Segundo o Presidente, "Portugal não pode deixar de ser sensível ao apelo do secretário-geral das Nações Unidas dirigido à União Europeia", já que "tem sido solidário em muitas situações de crise, como prova a presença das Forças Armadas em vários teatros de operações". Em suma, rematou, "tudo tem corrido de acordo com aquilo que cumpre fazer". Modestamente parece-me que, neste caso, o que "cumpre fazer" é não fazer nada e deixar a tropa quieta. O "ser solidário" passa por outras coisas e não necessariamente por mimetismos extravagantes. Ou então levava-se a coisa a sério - como se fosse possível - e falava-se em "contingente" e em material mais pesado (que não existe ou não tem condições). Pelos vistos, Cavaco prepara-se para estrear o passaporte que o dr. Costa lhe deu com uma viagem ao Líbano, às nossas gloriosas tropas "solidárias" (com o quê?) "no terreno", quando e se a famosa UNIFIL se constituir. Tudo está bem assim e não podia ser de outra maneira, sibilava o cínico Salazar que conhecia bem a choldrice nacional. Façam, pois, todos boa viagem.BOA VIAGEM
O que um homem tem de fazer para não se maçar. Cavaco Silva acha "absolutamente natural" que se enviem tropas portuguesas para o Líbano ou, mesmo, só um barquinho simbólico. Segundo o Presidente, "Portugal não pode deixar de ser sensível ao apelo do secretário-geral das Nações Unidas dirigido à União Europeia", já que "tem sido solidário em muitas situações de crise, como prova a presença das Forças Armadas em vários teatros de operações". Em suma, rematou, "tudo tem corrido de acordo com aquilo que cumpre fazer". Modestamente parece-me que, neste caso, o que "cumpre fazer" é não fazer nada e deixar a tropa quieta. O "ser solidário" passa por outras coisas e não necessariamente por mimetismos extravagantes. Ou então levava-se a coisa a sério - como se fosse possível - e falava-se em "contingente" e em material mais pesado (que não existe ou não tem condições). Pelos vistos, Cavaco prepara-se para estrear o passaporte que o dr. Costa lhe deu com uma viagem ao Líbano, às nossas gloriosas tropas "solidárias" (com o quê?) "no terreno", quando e se a famosa UNIFIL se constituir. Tudo está bem assim e não podia ser de outra maneira, sibilava o cínico Salazar que conhecia bem a choldrice nacional. Façam, pois, todos boa viagem.28.8.06
FRAGILIZAÇÃO

Desde que Vasco Pulido Valente escreveu há dias acerca da sua geração - com o pretexto dos sessenta anos de Bill Clinton - e "ousou" designar o regime de Salazar e de Caetano como não exactamente "fascista", emergiu um pequeno debate em torno da ideia geracional. Vitor Dias, o "intelectual de serviço" do PC, para além de Ruben de Carvalho, mais virado para as "artes", zurziu em Pulido Valente por causa da toponímia utilizada. Vista com uma distância de vinte, vinte e cinco anos - o número, em idade, que me separa dela -, à geração de sessenta calhou-lhe pastorear a nação após o 25 de Abril. Com a excepção de Cunhal e de Mário Soares, foram eles que mandaram entre 76 e 95, em "postos" tão diversos como ministros (v.g., Medeiros Ferreira, António Barreto), primeiros-ministros (Sá Carneiro e Cavaco tinham pouco mais de quarenta anos quando ascenderam ao cargo), constitucionalistas (Jorge Miranda ou Vital Moreira) ou directores de jornais (Mário Mesquita, no DN, ou, na fundação do Público, Vicente Jorge Silva). Até VPV "mandou", como secretário de Estado da Cultura e Adjunto de Sá Carneiro. Balsemão, como de costume, conta pouco, mas também apareceu e Freitas do Amaral, um "late bloomer", conseguiu fazer "a ponte" - toda torcida - entre os "de sessenta" e os que se lhe seguiram, de Barroso a Sócrates. A "geração" também produziu livros, filmes, actores e actrizes emblemáticos (Maria Cabral, por exemplo), polémicas, professores, ensaístas, poetas, "outsiders" (Joaquim Manuel Magalhães) e mais umas quantas coisas que servem para contrapôr à mediocridade vigente a densidade graciosa e vagamente desalinhada dessa gente toda. Se houve - ou ainda existem - elites na sociedade portuguesa, muito devem àqueles que agora oscilam pelos sessenta e alguns anos de idade. Aquilo que foram e são os trinta e (já quase) três anos deste regime, é-lhes inteiramente assacado, com a exclusão do dr. Soares, do dr. Cunhal e dessas extravagâncias pueris chamadas Guterres, Barroso, Portas ou Santana Lopes. Eanes, o prolongamento democrático do MFA, é atípico e explicável pela necessidade de pôr a tropa em sentido. Jorge Sampaio, a coroa de glória do famoso muro da cidade universitária, acabou por presidir a dez anos literalmente perdidos. O engraçado da "história" é que, havendo pelo meio da geração tantos "talentos", foi o seu "Zelig - Sampaio" - o rosto das "abstracções sem rosto", como chama Eduardo Pitta aos que se destacaram "na definição de comportamentos de natureza anti-disciplinar" (Rui Bebiano) -, quem conseguiu ir mais longe politicamente, mesmo que isso tivesse servido para quase nada. Depois veio o dilúvio onde eu mergulhei. Nos anos oitenta, na minha adolescência, Eduardo Prado Coelho escreveu que a sociedade - a lisboeta, inevitavelmente - se tinha "fragilizado" por referência a esse cadinho dos novos costumes que foi o Frágil de Manuel Reis, inaugurado em 1982. O "Metro e Meio" cedeu perante o Bairro Alto. E, de cedência em cedência, chegámos ao ponto em que estamos. A minha geração está agora no poder, desde 2002, e, pelas piores razões - Margarida Rebelo Pinto, Inês Pedrosa, Mexia, Rodrigues dos Santos e "tutti quanti" -, instalada na "cultura" e no "bezerro de ouro", nome que o Victor Cunha Rego dava ao dinheiro. Já nem o Frágil se aproveita. Só posso lamentar.
FRAGILIZAÇÃO

Desde que Vasco Pulido Valente escreveu há dias acerca da sua geração - com o pretexto dos sessenta anos de Bill Clinton - e "ousou" designar o regime de Salazar e de Caetano como não exactamente "fascista", emergiu um pequeno debate em torno da ideia geracional. Vitor Dias, o "intelectual de serviço" do PC, para além de Ruben de Carvalho, mais virado para as "artes", zurziu em Pulido Valente por causa da toponímia utilizada. Vista com uma distância de vinte, vinte e cinco anos - o número, em idade, que me separa dela -, à geração de sessenta calhou-lhe pastorear a nação após o 25 de Abril. Com a excepção de Cunhal e de Mário Soares, foram eles que mandaram entre 76 e 95, em "postos" tão diversos como ministros (v.g., Medeiros Ferreira, António Barreto), primeiros-ministros (Sá Carneiro e Cavaco tinham pouco mais de quarenta anos quando ascenderam ao cargo), constitucionalistas (Jorge Miranda ou Vital Moreira) ou directores de jornais (Mário Mesquita, no DN, ou, na fundação do Público, Vicente Jorge Silva). Até VPV "mandou", como secretário de Estado da Cultura e Adjunto de Sá Carneiro. Balsemão, como de costume, conta pouco, mas também apareceu e Freitas do Amaral, um "late bloomer", conseguiu fazer "a ponte" - toda torcida - entre os "de sessenta" e os que se lhe seguiram, de Barroso a Sócrates. A "geração" também produziu livros, filmes, actores e actrizes emblemáticos (Maria Cabral, por exemplo), polémicas, professores, ensaístas, poetas, "outsiders" (Joaquim Manuel Magalhães) e mais umas quantas coisas que servem para contrapôr à mediocridade vigente a densidade graciosa e vagamente desalinhada dessa gente toda. Se houve - ou ainda existem - elites na sociedade portuguesa, muito devem àqueles que agora oscilam pelos sessenta e alguns anos de idade. Aquilo que foram e são os trinta e (já quase) três anos deste regime, é-lhes inteiramente assacado, com a exclusão do dr. Soares, do dr. Cunhal e dessas extravagâncias pueris chamadas Guterres, Barroso, Portas ou Santana Lopes. Eanes, o prolongamento democrático do MFA, é atípico e explicável pela necessidade de pôr a tropa em sentido. Jorge Sampaio, a coroa de glória do famoso muro da cidade universitária, acabou por presidir a dez anos literalmente perdidos. O engraçado da "história" é que, havendo pelo meio da geração tantos "talentos", foi o seu "Zelig - Sampaio" - o rosto das "abstracções sem rosto", como chama Eduardo Pitta aos que se destacaram "na definição de comportamentos de natureza anti-disciplinar" (Rui Bebiano) -, quem conseguiu ir mais longe politicamente, mesmo que isso tivesse servido para quase nada. Depois veio o dilúvio onde eu mergulhei. Nos anos oitenta, na minha adolescência, Eduardo Prado Coelho escreveu que a sociedade - a lisboeta, inevitavelmente - se tinha "fragilizado" por referência a esse cadinho dos novos costumes que foi o Frágil de Manuel Reis, inaugurado em 1982. O "Metro e Meio" cedeu perante o Bairro Alto. E, de cedência em cedência, chegámos ao ponto em que estamos. A minha geração está agora no poder, desde 2002, e, pelas piores razões - Margarida Rebelo Pinto, Inês Pedrosa, Mexia, Rodrigues dos Santos e "tutti quanti" -, instalada na "cultura" e no "bezerro de ouro", nome que o Victor Cunha Rego dava ao dinheiro. Já nem o Frágil se aproveita. Só posso lamentar.
A VIA MADEIRENSE
"Como diria Eduardo Cintra Torres, «as informações de que disponho -- dispomos -- indicam que o gabinete do ministro da Administração Interna deu instruções directas ao governador civil de Viana do Castelo para se abrir uma excepção e para não se cumprir a lei no caso do comício da Nova Democracia».No pasa nada". Nem é suposto que se passe nada, Paulo Gorjão. O ministro estava na Madeira a dar lições de democracia ao dr. Jardim, num ajuntamento do PS - na Madeira o PS não faz propriamente comícios -, aproveitando para lhe atirar com as "contas" à cara, bem como com as "reformas" que estão a ser perpetradas na República. Temos que ir mais vezes à Madeira para "percebermos" este governo. Obrigadinho, dr. Costa.
A VIA MADEIRENSE
"Como diria Eduardo Cintra Torres, «as informações de que disponho -- dispomos -- indicam que o gabinete do ministro da Administração Interna deu instruções directas ao governador civil de Viana do Castelo para se abrir uma excepção e para não se cumprir a lei no caso do comício da Nova Democracia».No pasa nada". Nem é suposto que se passe nada, Paulo Gorjão. O ministro estava na Madeira a dar lições de democracia ao dr. Jardim, num ajuntamento do PS - na Madeira o PS não faz propriamente comícios -, aproveitando para lhe atirar com as "contas" à cara, bem como com as "reformas" que estão a ser perpetradas na República. Temos que ir mais vezes à Madeira para "percebermos" este governo. Obrigadinho, dr. Costa.
FAZER CONTAS
Segundo o "Correio da Manhã", as missões militares portuguesas lá fora custam cerca de 88 milhões de euros. A partir deste "dado", o PR e o primeiro-ministro já podem fazer as contas para o Líbano. Como duas pessoas pessoas sérias, com a mesma informação, só podem entender-se e chegar a uma mesma conclusão, podemos ficar descansados.
FAZER CONTAS
Segundo o "Correio da Manhã", as missões militares portuguesas lá fora custam cerca de 88 milhões de euros. A partir deste "dado", o PR e o primeiro-ministro já podem fazer as contas para o Líbano. Como duas pessoas pessoas sérias, com a mesma informação, só podem entender-se e chegar a uma mesma conclusão, podemos ficar descansados.
27.8.06
SÉGOLÉNE DRAGO MONTEIRO

Grande perfil de Mme. Ségólene pelo João Villalobos. Saberá ela onde fica Vila Praia de Âncora? Na dúvida, sou "mais" Sarkozy.
SÉGOLÉNE DRAGO MONTEIRO

Grande perfil de Mme. Ségólene pelo João Villalobos. Saberá ela onde fica Vila Praia de Âncora? Na dúvida, sou "mais" Sarkozy.
FRACTURAS

O prof. Marcelo, no assunto "Cintra Torres" versus RTP, defendeu a "honra da casa". Outra coisa não seria de esperar de um seu avençado. Já quanto às telenovelas da TVI e da SIC, respectivamente Morangos com Açúcar e Floribella (sim, pelos vistos é um "tema"), Marcelo apelidou a primeira de "fracturante", dirigida a "crianças adolescentes" e da SIC é um "conto de fadas" (Teresa Guilherme dixit), "transversal" em matéria de público-alvo. Da Floribella, pouco posso dizer, como já referi. Os Morangos - que já vão na quarta ou quinta "série" - não me parece que sejam exactamente "fracturantes". A emergência de uma lésbica "surfista" numa das séries, rapidamente despachada com outra para águas mais quentinhas, casais divorciados ou "amantizados" com filhos "problemáticos", a droga, o sexo, com ou sem preservativo, ou uma "troca de identidade sexual" por causa do "amor", não constituem uma "fractura" em 2006. No princípio dos anos oitenta, já Dustin Hoffman, num filme notável intitulado Tootsie, encarnava o papel de um homem apaixonado que, para chegar à amada, fez-se passar por dama. E, mais recentemente, Robin Williams também se "transformou" numa fantástica Mrs. Doubtfire, "perceptora" dos seus próprios filhos, por causa do referido amor, aqui paternal. Em Morangos com Açúcar é ao contrário: há uma menina apaixonada por um menino que se veste de menino por causa de qualquer peripécia da história, tendo a menina/menino beijado o menino que ficou constrangido em matéria de identidade sexual porque estava a sentir "qualquer coisa" pelo menino/menina. Está-se mesmo a ver como acaba. Já que nenhum dos actores tem o mínimo de densidade, digamos, "psicológica", a coisa de "fracturante" tem muito pouco. Talvez fizesse bem a Marcelo ver algo mais hard nesta matéria, porventura na própria TVI, onde, noutra telenovela, um "escort" que se paga caro, faz "serventia de cama" a ambos os membros de um casal. Par delicatesse, é o que se pode arranjar.
FRACTURAS

O prof. Marcelo, no assunto "Cintra Torres" versus RTP, defendeu a "honra da casa". Outra coisa não seria de esperar de um seu avençado. Já quanto às telenovelas da TVI e da SIC, respectivamente Morangos com Açúcar e Floribella (sim, pelos vistos é um "tema"), Marcelo apelidou a primeira de "fracturante", dirigida a "crianças adolescentes" e da SIC é um "conto de fadas" (Teresa Guilherme dixit), "transversal" em matéria de público-alvo. Da Floribella, pouco posso dizer, como já referi. Os Morangos - que já vão na quarta ou quinta "série" - não me parece que sejam exactamente "fracturantes". A emergência de uma lésbica "surfista" numa das séries, rapidamente despachada com outra para águas mais quentinhas, casais divorciados ou "amantizados" com filhos "problemáticos", a droga, o sexo, com ou sem preservativo, ou uma "troca de identidade sexual" por causa do "amor", não constituem uma "fractura" em 2006. No princípio dos anos oitenta, já Dustin Hoffman, num filme notável intitulado Tootsie, encarnava o papel de um homem apaixonado que, para chegar à amada, fez-se passar por dama. E, mais recentemente, Robin Williams também se "transformou" numa fantástica Mrs. Doubtfire, "perceptora" dos seus próprios filhos, por causa do referido amor, aqui paternal. Em Morangos com Açúcar é ao contrário: há uma menina apaixonada por um menino que se veste de menino por causa de qualquer peripécia da história, tendo a menina/menino beijado o menino que ficou constrangido em matéria de identidade sexual porque estava a sentir "qualquer coisa" pelo menino/menina. Está-se mesmo a ver como acaba. Já que nenhum dos actores tem o mínimo de densidade, digamos, "psicológica", a coisa de "fracturante" tem muito pouco. Talvez fizesse bem a Marcelo ver algo mais hard nesta matéria, porventura na própria TVI, onde, noutra telenovela, um "escort" que se paga caro, faz "serventia de cama" a ambos os membros de um casal. Par delicatesse, é o que se pode arranjar.
FONTES - 2
No fim da crónica de hoje, no Público, Eduardo Cintra Torres - o "David" que desafiou o "Golias" RTP - escreve que recebeu um "amável" telefonema do chefe de gabinete do primeiro-ministro que lhe referiu que estas fontes eram "totalmente falsas". Lido de outra forma, chega-se a três conclusões. A primeira, é que houve fontes. A segunda, é que o chefe de gabinete as conhece. E a terceira, é que elas são mentirosas. Cintra Torres, nesta versão, terá elaborado sobre uma ficção. Sucede que tudo o que deu origem ao artigo da semana passada, aconteceu. Ou melhor, na RTP praticamente não aconteceu. Por conseguinte, com fontes ou sem elas, o problema subsiste. E, tanto quanto se sabe, o sr. Luís Marinho também.
FONTES - 2
No fim da crónica de hoje, no Público, Eduardo Cintra Torres - o "David" que desafiou o "Golias" RTP - escreve que recebeu um "amável" telefonema do chefe de gabinete do primeiro-ministro que lhe referiu que estas fontes eram "totalmente falsas". Lido de outra forma, chega-se a três conclusões. A primeira, é que houve fontes. A segunda, é que o chefe de gabinete as conhece. E a terceira, é que elas são mentirosas. Cintra Torres, nesta versão, terá elaborado sobre uma ficção. Sucede que tudo o que deu origem ao artigo da semana passada, aconteceu. Ou melhor, na RTP praticamente não aconteceu. Por conseguinte, com fontes ou sem elas, o problema subsiste. E, tanto quanto se sabe, o sr. Luís Marinho também.
REVISÃO DA MATÉRIA

Há para aí dois dias, o dr. Correia de Campos inspirou-me uma prosa. Sobre ela, Sofia Loureiro dos Santos escreveu o seguinte: "o "monstro" criado pelo "irresponsável" Arnault foi responsável apenas pela mais espectacular melhoria dos padrões de saúde em Portugal, até hoje, e por um dos melhores sistemas nacionais de saúde que existem. Para "monstro", não está nada mal!" Pela tarde adiante, estive a trocar "sms's" com um amigo meu cuja mãe foi forçada a recorrer ao serviço de urgências do Santa Maria, em Lisboa. A senhora entrou no hospital antes do meio-dia e saiu há minutos (escrevo às 20 horas de domingo, dia 27 de Agosto). Ou seja, permaneceu oito horas no hospital. Pelo meio, foi preciso recorrer a um "especialista". Informaram-na que o dito se encontrava no 6º piso, que fosse até lá e que "tocasse à campaínha". Tocou. Em vão. O referido especialista estava no piso de cima. Esperou por ele duas horas. E, isto - imagine a Sofia - acontece num dos "melhores sistemas nacionais de saúde que existem". O dr. Correia de Campos deve urgentemente fazer "a revisão da matéria" antes que a "matéria" se encarregue de o "rever" a ele.
REVISÃO DA MATÉRIA

Há para aí dois dias, o dr. Correia de Campos inspirou-me uma prosa. Sobre ela, Sofia Loureiro dos Santos escreveu o seguinte: "o "monstro" criado pelo "irresponsável" Arnault foi responsável apenas pela mais espectacular melhoria dos padrões de saúde em Portugal, até hoje, e por um dos melhores sistemas nacionais de saúde que existem. Para "monstro", não está nada mal!" Pela tarde adiante, estive a trocar "sms's" com um amigo meu cuja mãe foi forçada a recorrer ao serviço de urgências do Santa Maria, em Lisboa. A senhora entrou no hospital antes do meio-dia e saiu há minutos (escrevo às 20 horas de domingo, dia 27 de Agosto). Ou seja, permaneceu oito horas no hospital. Pelo meio, foi preciso recorrer a um "especialista". Informaram-na que o dito se encontrava no 6º piso, que fosse até lá e que "tocasse à campaínha". Tocou. Em vão. O referido especialista estava no piso de cima. Esperou por ele duas horas. E, isto - imagine a Sofia - acontece num dos "melhores sistemas nacionais de saúde que existem". O dr. Correia de Campos deve urgentemente fazer "a revisão da matéria" antes que a "matéria" se encarregue de o "rever" a ele.
UM AUTO DO GIL VICENTE
Há males que vêm por bem. Se não fosse a maneira circense como começou a "liga" e as outras divisões todas juntas, jamais teríamos tido a sublime ocasião de conhecer o senhor da foto. Trata-se do "senhor presidente" do Gil Vicente, o clube que alberga um tal Mateus que deu fogo à peça. Houve tempos em que o final de Agosto era marcado pelos toiros de morte em Barrancos. As televisões não saíam de lá à espera que a lei não fosse cumprida, que a GNR assobiasse para o ar e que os autóctones arrotassem a couratos e a cerveja para cima das câmaras. Resolvido o problema a favor da "tradição", restam estas pequenas touradas com estes pequenos bandarilheiros. Ao menos este tem graça, apesar de, à semelhança de todos os outros, se levar a sério.UM AUTO DO GIL VICENTE
Há males que vêm por bem. Se não fosse a maneira circense como começou a "liga" e as outras divisões todas juntas, jamais teríamos tido a sublime ocasião de conhecer o senhor da foto. Trata-se do "senhor presidente" do Gil Vicente, o clube que alberga um tal Mateus que deu fogo à peça. Houve tempos em que o final de Agosto era marcado pelos toiros de morte em Barrancos. As televisões não saíam de lá à espera que a lei não fosse cumprida, que a GNR assobiasse para o ar e que os autóctones arrotassem a couratos e a cerveja para cima das câmaras. Resolvido o problema a favor da "tradição", restam estas pequenas touradas com estes pequenos bandarilheiros. Ao menos este tem graça, apesar de, à semelhança de todos os outros, se levar a sério.O DESERTO REVISITADO

Amanhã, o Presidente da República, já devidamente liberto da colheita de figos, promove um momento grave em Belém. Reúnem-se ele, o primeiro-ministro e o chefe militar das tropas para decidirem da presença lusa na UNIFIL. Como se sabe, a coisa balança entre uma (uma...) fragata, uma companhia "motorizada" e, inevitavelmente, o nada. Aparecerão os habituais discursos da "necessidade da presença portuguesa", da "participação nos compromissos da União Europeia" e, se for caso disso, a própria batalha de Alcácer Quibir. De repente, as luminárias especializadas descobriram que a nossa "vocação", afinal, não é o centro da Europa, mas o Magreb e o Médio Oriente. Timor fica por conta de Nossa Senhora de Fátima e da dra. Ana Gomes. Há dias, o dr. Severiano Teixeira, cheio daquilo que ele tem de melhor, prosápia, indicava quatro "pressupostos" para o envio de portugueses para o Líbano. Ninguém, imagino, reteve nenhum. Cavaco devia colocar um ponto final nestas fantasias. Não é por estarmos aqui ou ali - ou a fingir, como em Timor - que passamos da cepa torta ou adquirimos "importância". No Líbano, como em geral em todo o Médio Oriente, a coisa é mesmo a sério. Ninguém vai lá estar em nome de qualquer solidariedade atípica e, muito menos, por consideração pelo sr. Annan. O "maria-vai-com-as-outras" meramente simbólico que se anuncia, custa dinheiro e, no contexto, não vale um tostão. Na hora da verdade, quem é que se vai lembrar da pátria que já foi de um rei que se perdeu - e nos perdeu - no deserto?
O DESERTO REVISITADO

Amanhã, o Presidente da República, já devidamente liberto da colheita de figos, promove um momento grave em Belém. Reúnem-se ele, o primeiro-ministro e o chefe militar das tropas para decidirem da presença lusa na UNIFIL. Como se sabe, a coisa balança entre uma (uma...) fragata, uma companhia "motorizada" e, inevitavelmente, o nada. Aparecerão os habituais discursos da "necessidade da presença portuguesa", da "participação nos compromissos da União Europeia" e, se for caso disso, a própria batalha de Alcácer Quibir. De repente, as luminárias especializadas descobriram que a nossa "vocação", afinal, não é o centro da Europa, mas o Magreb e o Médio Oriente. Timor fica por conta de Nossa Senhora de Fátima e da dra. Ana Gomes. Há dias, o dr. Severiano Teixeira, cheio daquilo que ele tem de melhor, prosápia, indicava quatro "pressupostos" para o envio de portugueses para o Líbano. Ninguém, imagino, reteve nenhum. Cavaco devia colocar um ponto final nestas fantasias. Não é por estarmos aqui ou ali - ou a fingir, como em Timor - que passamos da cepa torta ou adquirimos "importância". No Líbano, como em geral em todo o Médio Oriente, a coisa é mesmo a sério. Ninguém vai lá estar em nome de qualquer solidariedade atípica e, muito menos, por consideração pelo sr. Annan. O "maria-vai-com-as-outras" meramente simbólico que se anuncia, custa dinheiro e, no contexto, não vale um tostão. Na hora da verdade, quem é que se vai lembrar da pátria que já foi de um rei que se perdeu - e nos perdeu - no deserto?
26.8.06
OS DONOS DA BOLA
Com o psicodrama da bola em plena roda-livre, é extraordinário que ainda ninguém se tivesse lembrado dessa grande figura do regime - imagino que amplamente consensual - que é o senhor Gilberto Madaíl. Quanto ao sr. Major, já fez - disse ele - o que lhe mandaram. O deputado Hermínio, que lhe vai ocupar o lugar e cuja posse está suspensa por outro psicodrama, safou-se de boa. Há, como na política, rostos para o futebol português. Desde os "senhores presidentes" - são todos, aliás, "senhores presidentes" - aos institucionais, com o sr. Madaíl à cabeça, não falta gente a quem se pode pedir responsabilidades. Todavia, como a promiscuidade, nesta matéria, é transversal - até magistrados ornamentam direcções futebolísticas -, a "culpa" segue dentro de momentos. E os quatro balneários do sr. Vieira terão de esperar por melhores dias. O bom mesmo era a FIFA varrer os clubes portugueses das competições internacionais para ver se aprendiam alguma coisa.
OS DONOS DA BOLA
Com o psicodrama da bola em plena roda-livre, é extraordinário que ainda ninguém se tivesse lembrado dessa grande figura do regime - imagino que amplamente consensual - que é o senhor Gilberto Madaíl. Quanto ao sr. Major, já fez - disse ele - o que lhe mandaram. O deputado Hermínio, que lhe vai ocupar o lugar e cuja posse está suspensa por outro psicodrama, safou-se de boa. Há, como na política, rostos para o futebol português. Desde os "senhores presidentes" - são todos, aliás, "senhores presidentes" - aos institucionais, com o sr. Madaíl à cabeça, não falta gente a quem se pode pedir responsabilidades. Todavia, como a promiscuidade, nesta matéria, é transversal - até magistrados ornamentam direcções futebolísticas -, a "culpa" segue dentro de momentos. E os quatro balneários do sr. Vieira terão de esperar por melhores dias. O bom mesmo era a FIFA varrer os clubes portugueses das competições internacionais para ver se aprendiam alguma coisa.
A ESCOLHA -2
Não sou jornalista, mas tenho, feliz ou infelizmente, uma "memória de elefante". No seu inevitável declínio, o Expresso, pela mão de Ângela Silva, que supunha melhor informada, escreve que a escolha de Souto Moura, em 2ooo, quando era ministro da Justiça o dr. António Costa, passou pela "negociação" com o líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa. Ângela, que é da "política", devia saber que o líder do PSD, nessa altura, e desde Maio de 1999, era o dr. Barroso. Mas adiante. O dr. Costa, sabe Deus com que esforço, tem mais umas semanas para "engolir" a sua escolha de então. Desta vez, e depois do tenebroso episódio que lhe custou um líder, o PS vai querer gerir o assunto PGR com muito cuidado. Só espero que os diversos intervenientes nesta nova escolha não sejam tão timoratos ao ponto de repetirem a asneira. Deve fugir-se dos homens "consensuais" como o Diabo da cruz. É por isso que eu defendo a subordinação do Ministério Público ao ministro da Justiça. Sempre as coisas ficam, à partida, mais transparentes.
A ESCOLHA -2
Não sou jornalista, mas tenho, feliz ou infelizmente, uma "memória de elefante". No seu inevitável declínio, o Expresso, pela mão de Ângela Silva, que supunha melhor informada, escreve que a escolha de Souto Moura, em 2ooo, quando era ministro da Justiça o dr. António Costa, passou pela "negociação" com o líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa. Ângela, que é da "política", devia saber que o líder do PSD, nessa altura, e desde Maio de 1999, era o dr. Barroso. Mas adiante. O dr. Costa, sabe Deus com que esforço, tem mais umas semanas para "engolir" a sua escolha de então. Desta vez, e depois do tenebroso episódio que lhe custou um líder, o PS vai querer gerir o assunto PGR com muito cuidado. Só espero que os diversos intervenientes nesta nova escolha não sejam tão timoratos ao ponto de repetirem a asneira. Deve fugir-se dos homens "consensuais" como o Diabo da cruz. É por isso que eu defendo a subordinação do Ministério Público ao ministro da Justiça. Sempre as coisas ficam, à partida, mais transparentes.
A FORÇA - 2
O semanário oficial do regime, até ao nascer do "Sol" - sim, porque depois das peripécias desta semana, o Diário de República deixou de apresentar fidedignamente o que se passa no Estado -, informa que, em matéria de tropas portuguesas lá fora, troca-se a Bósnia pelo Líbano. O dinheiro não abunda e, como tal, uma simples fragata ou uma rapaziada "mecanizada" lavam, no Médio Oriente, a face europeia do país. Não lavam coisa nenhuma. Tornam apenas mais ridícula a nossa insignificância. Estas "missões" servem muito justamente para os participantes ganharem mais uns trocos, razão pela qual dentro das forças de segurança - PSP e GNR - e das forças armadas muitos se colocam em bicos dos pés para serem "voluntários". O resto é retórica em torno de uma "importância" internacional e de uma "presença" que manifestamente não temos.
A FORÇA - 2
O semanário oficial do regime, até ao nascer do "Sol" - sim, porque depois das peripécias desta semana, o Diário de República deixou de apresentar fidedignamente o que se passa no Estado -, informa que, em matéria de tropas portuguesas lá fora, troca-se a Bósnia pelo Líbano. O dinheiro não abunda e, como tal, uma simples fragata ou uma rapaziada "mecanizada" lavam, no Médio Oriente, a face europeia do país. Não lavam coisa nenhuma. Tornam apenas mais ridícula a nossa insignificância. Estas "missões" servem muito justamente para os participantes ganharem mais uns trocos, razão pela qual dentro das forças de segurança - PSP e GNR - e das forças armadas muitos se colocam em bicos dos pés para serem "voluntários". O resto é retórica em torno de uma "importância" internacional e de uma "presença" que manifestamente não temos.
25.8.06
VIVER HABITUALMENTE

O país entra de fim-de-semana com um psicodrama às costas. Quando cheguei a casa, tentei perceber o que ia por cá e pelo mundo através da SIC Notícias. O "jornal das 7" deu-me, em vez disso, 5o minutos bem contados de bola. Não faltou praticamente ninguém. O sr. Major em directo, o sr. Dias Ferreira em directo para "comentar", uns senhores que eu não conheço mas que "presidem" ao "Leixões", ao "Gil Vicente" - aparentemente o autor do psicodrama - e ao "Belenenses" - que tem uma excelente piscina - e, para terminar em beleza e igualmente em directo, o sr. Vieira, do "Benfica", que já ontem tinha merecido minutos infinitos em todas as televisões. Os telejornais seguintes - SIC e TVI - abriram inevitavelmente com o mesmo psicodrama. E o "serviço público", que já estava a transmitir um jogo qualquer lá fora, começou com a mesma conversa. De tudo o que se disse, retive que o estádio do "Benfica" tem quatro balneários e que - explicou o sr. Vieira - os jogadores "entram todos pelo mesmo túnel". Embruteci instantaneamente: não sei como é que cheguei até à data sem saber uma coisa destas. Do psicodrama, entretanto, resultou que dois ou três jogos da "liga" e do "bwin" (parece que é esta a nova designação da "2ª divisão") ficam suspensos, o que retira o "brilho" previsto para o início da época da futebolada. Uma coisa é certa. São todos bons rapazes e os melhores aliados do governo. A bola é uma espécie de anestesia colectiva, administrada em doses suaves, por tudo e por nada. Em linguagem "salazarenta", a única que, pelos vistos, conhecemos, chama-se a isto viver habitualmente.
Adenda: ... e este homem gosta de futebol e já devia saber da "história" dos quatro balneários.
Adenda 2: São 22:30. Na SIC Notícias já perora, sobre o psicodrama, o bastonário da Ordem dos Advogados. Se o professor Cavaco não andasse aos figos, ainda era capaz de aparecer.
Adenda 3: Cerca das 23 h. Depois da bola, a RTP transmite uma tourada. Um mundo perfeito. E, desta vez, a cores.
Adenda: ... e este homem gosta de futebol e já devia saber da "história" dos quatro balneários.
Adenda 2: São 22:30. Na SIC Notícias já perora, sobre o psicodrama, o bastonário da Ordem dos Advogados. Se o professor Cavaco não andasse aos figos, ainda era capaz de aparecer.
Adenda 3: Cerca das 23 h. Depois da bola, a RTP transmite uma tourada. Um mundo perfeito. E, desta vez, a cores.
VIVER HABITUALMENTE

O país entra de fim-de-semana com um psicodrama às costas. Quando cheguei a casa, tentei perceber o que ia por cá e pelo mundo através da SIC Notícias. O "jornal das 7" deu-me, em vez disso, 5o minutos bem contados de bola. Não faltou praticamente ninguém. O sr. Major em directo, o sr. Dias Ferreira em directo para "comentar", uns senhores que eu não conheço mas que "presidem" ao "Leixões", ao "Gil Vicente" - aparentemente o autor do psicodrama - e ao "Belenenses" - que tem uma excelente piscina - e, para terminar em beleza e igualmente em directo, o sr. Vieira, do "Benfica", que já ontem tinha merecido minutos infinitos em todas as televisões. Os telejornais seguintes - SIC e TVI - abriram inevitavelmente com o mesmo psicodrama. E o "serviço público", que já estava a transmitir um jogo qualquer lá fora, começou com a mesma conversa. De tudo o que se disse, retive que o estádio do "Benfica" tem quatro balneários e que - explicou o sr. Vieira - os jogadores "entram todos pelo mesmo túnel". Embruteci instantaneamente: não sei como é que cheguei até à data sem saber uma coisa destas. Do psicodrama, entretanto, resultou que dois ou três jogos da "liga" e do "bwin" (parece que é esta a nova designação da "2ª divisão") ficam suspensos, o que retira o "brilho" previsto para o início da época da futebolada. Uma coisa é certa. São todos bons rapazes e os melhores aliados do governo. A bola é uma espécie de anestesia colectiva, administrada em doses suaves, por tudo e por nada. Em linguagem "salazarenta", a única que, pelos vistos, conhecemos, chama-se a isto viver habitualmente.
Adenda: ... e este homem gosta de futebol e já devia saber da "história" dos quatro balneários.
Adenda 2: São 22:30. Na SIC Notícias já perora, sobre o psicodrama, o bastonário da Ordem dos Advogados. Se o professor Cavaco não andasse aos figos, ainda era capaz de aparecer.
Adenda 3: Cerca das 23 h. Depois da bola, a RTP transmite uma tourada. Um mundo perfeito. E, desta vez, a cores.
Adenda: ... e este homem gosta de futebol e já devia saber da "história" dos quatro balneários.
Adenda 2: São 22:30. Na SIC Notícias já perora, sobre o psicodrama, o bastonário da Ordem dos Advogados. Se o professor Cavaco não andasse aos figos, ainda era capaz de aparecer.
Adenda 3: Cerca das 23 h. Depois da bola, a RTP transmite uma tourada. Um mundo perfeito. E, desta vez, a cores.
A TRANSPARÊNCIA OPACA
A ADSE, o subsistema de saúde da função pública, sofreu um aumento em algumas das suas tabelas, designadamente em matéria de meios complementares de diagnóstico. O aumento aconteceu pela calada do verão e entrou em vigor no passado dia 1. Questionado o ministério das Finanças sobre o acto, o mesmo "esclareceu" que o aumento já tinha sido anunciado... no "plano de actividades" da ADSE. Daqui para diante, para além do Diário de República - que, entre outras coisas, omite os vencimentos dos gestores dos institutos públicos, das empresas de capitais públicos e do Banco de Portugal, uma vez que são fixados por obscuros despachos simples do ministro das Finanças - o cidadão deve dedicar-se à leitura dos "planos de actividade" das direcções-gerais para saber o que lhe vai acontecer. É uma nova forma de transparência "pró-activa". Quer dizer, opaca.
A TRANSPARÊNCIA OPACA
A ADSE, o subsistema de saúde da função pública, sofreu um aumento em algumas das suas tabelas, designadamente em matéria de meios complementares de diagnóstico. O aumento aconteceu pela calada do verão e entrou em vigor no passado dia 1. Questionado o ministério das Finanças sobre o acto, o mesmo "esclareceu" que o aumento já tinha sido anunciado... no "plano de actividades" da ADSE. Daqui para diante, para além do Diário de República - que, entre outras coisas, omite os vencimentos dos gestores dos institutos públicos, das empresas de capitais públicos e do Banco de Portugal, uma vez que são fixados por obscuros despachos simples do ministro das Finanças - o cidadão deve dedicar-se à leitura dos "planos de actividade" das direcções-gerais para saber o que lhe vai acontecer. É uma nova forma de transparência "pró-activa". Quer dizer, opaca.
O MONSTRO

Esta semana. com o país a meia-haste nas praias e a tirar macacos do nariz, o dr. Correia de Campos encarregou-se de falar depois do conselho de ministros. Teriam sido aprovadas as famigeradas "salas de chuto" - uma coisa que manifestamente estava a fazer muita falta - e Campos aproveitou para dar alguns recados aos "hospitais-empresa", ameaçando a respectiva gestão de despromoção do hospital conforme os "indicadores". É capaz de ter falado de outros assuntos, mas confesso que não lhe prestei atenção. Correia de Campos é um homem que toda a vida sonhou ser ministro da Saúde. Quando Guterres já se afundava alarvemente e, com ele, o país, lembrou-se de o ir buscar para ministro. Campos não teve muito tempo para se mostrar. Nem estava à vontade. Agora não. Ancorado na maioria de Sócrates, Correia de Campos quer deixar uma obra. Sem querer ou poder desmantelar o indesmantelável "serviço nacional de saúde" criado pelo irresponsável Arnaut nos anos setenta, imagina transformá-lo numa coisa mais credível e mais barata. Antes dele, respeitáveis senhores e senhoras imaginaram o mesmo. Quando ele regressou, a trapalhada estava apenas mais consolidada, depois do "empreendedorismo" do dr. Pereira, o "gestor" escolhido por Barroso e Santana Lopes. Ainda há dias foram divulgados os milhões que o SNS custa diariamente aos cofres públicos. Campos, na sua insustentável leveza, bem nítida no ar contentinho com que deu a conferência de imprensa, ainda não entendeu que, quando partir, tudo estará vagamente na mesma, com hospitais e centros de saúde tranquilamente infrequentáveis como estavam há dez ou quinze anos e a indústria do medicamento florescente. Fazer apenas contas não chega. Zurzir nos profissionais de saúde, a torto e a direito, à conta da "autoridade", também não. As coisas são o que são. Correia de Campos passa, como passaram todos os outros. O "monstro", como lhe compete, fica.
O MONSTRO

Esta semana. com o país a meia-haste nas praias e a tirar macacos do nariz, o dr. Correia de Campos encarregou-se de falar depois do conselho de ministros. Teriam sido aprovadas as famigeradas "salas de chuto" - uma coisa que manifestamente estava a fazer muita falta - e Campos aproveitou para dar alguns recados aos "hospitais-empresa", ameaçando a respectiva gestão de despromoção do hospital conforme os "indicadores". É capaz de ter falado de outros assuntos, mas confesso que não lhe prestei atenção. Correia de Campos é um homem que toda a vida sonhou ser ministro da Saúde. Quando Guterres já se afundava alarvemente e, com ele, o país, lembrou-se de o ir buscar para ministro. Campos não teve muito tempo para se mostrar. Nem estava à vontade. Agora não. Ancorado na maioria de Sócrates, Correia de Campos quer deixar uma obra. Sem querer ou poder desmantelar o indesmantelável "serviço nacional de saúde" criado pelo irresponsável Arnaut nos anos setenta, imagina transformá-lo numa coisa mais credível e mais barata. Antes dele, respeitáveis senhores e senhoras imaginaram o mesmo. Quando ele regressou, a trapalhada estava apenas mais consolidada, depois do "empreendedorismo" do dr. Pereira, o "gestor" escolhido por Barroso e Santana Lopes. Ainda há dias foram divulgados os milhões que o SNS custa diariamente aos cofres públicos. Campos, na sua insustentável leveza, bem nítida no ar contentinho com que deu a conferência de imprensa, ainda não entendeu que, quando partir, tudo estará vagamente na mesma, com hospitais e centros de saúde tranquilamente infrequentáveis como estavam há dez ou quinze anos e a indústria do medicamento florescente. Fazer apenas contas não chega. Zurzir nos profissionais de saúde, a torto e a direito, à conta da "autoridade", também não. As coisas são o que são. Correia de Campos passa, como passaram todos os outros. O "monstro", como lhe compete, fica.
A FORÇA
Consta que Portugal vai "oferecer" à UE, para o Líbano, à volta de cento e tal soldados. É uma forma, de facto, e à nossa dimensão, de afirmar a presença lusa em "teatros" complicados. A França, que quer comandar a "força", contará com dois mil. E o sr. Annan "desce" à Europa e ao Médio Oriente para derramar as habituais inocuidades. No meio disto, sobressai a sobriedade do actual MNE, Luís Amado. Ao contrário de outros seus companheiros, ainda não o apanhei a dizer asneiras. É sensato e parece-me que tem a noção do que valemos. Daí a simbólica centena e tal de tropas portugueses. Para atrapalhar, já basta o "terreno".
A FORÇA
Consta que Portugal vai "oferecer" à UE, para o Líbano, à volta de cento e tal soldados. É uma forma, de facto, e à nossa dimensão, de afirmar a presença lusa em "teatros" complicados. A França, que quer comandar a "força", contará com dois mil. E o sr. Annan "desce" à Europa e ao Médio Oriente para derramar as habituais inocuidades. No meio disto, sobressai a sobriedade do actual MNE, Luís Amado. Ao contrário de outros seus companheiros, ainda não o apanhei a dizer asneiras. É sensato e parece-me que tem a noção do que valemos. Daí a simbólica centena e tal de tropas portugueses. Para atrapalhar, já basta o "terreno".
24.8.06
O PLANETA ANÃO

O ano passado, por esta altura e a instâncias de uma amiga que foi "muito bem servida", deu-me para consultar um "bruxo" rendido à "numerologia" e ao computador. Traçou-me a "carta astrológica" e, no fundamental, prometeu-me infelicidade para os próximos três anos (um já passou). Tal prognóstico, explicou-me ele, devia-se à irritante presença de Plutão numa "casa" qualquer. E - continuou -carregar com o "peso" do dito Plutão naquela específica "casa" - da qual ele só tenciona sair daqui a dois anos - tem aquela miserável consequência. Agora, a autoridade científica competente, retirou Plutão do sistema solar e reduziu-o à categoria de "planeta anão". Bem feito. Estou esperançado que, com esta desconsideração, Plutão saia da tal "casa" e me deixe, finalmente, em paz.
O PLANETA ANÃO

O ano passado, por esta altura e a instâncias de uma amiga que foi "muito bem servida", deu-me para consultar um "bruxo" rendido à "numerologia" e ao computador. Traçou-me a "carta astrológica" e, no fundamental, prometeu-me infelicidade para os próximos três anos (um já passou). Tal prognóstico, explicou-me ele, devia-se à irritante presença de Plutão numa "casa" qualquer. E - continuou -carregar com o "peso" do dito Plutão naquela específica "casa" - da qual ele só tenciona sair daqui a dois anos - tem aquela miserável consequência. Agora, a autoridade científica competente, retirou Plutão do sistema solar e reduziu-o à categoria de "planeta anão". Bem feito. Estou esperançado que, com esta desconsideração, Plutão saia da tal "casa" e me deixe, finalmente, em paz.
FOGO QUE ARDE SEM SE VER

No regresso a casa, ouço que cerca de trezentos pastores do Parque Natural Peneda-Gerês estão "de tanga" e preocupados com o que hão-de dar de comer aos animais. Isto acontece porque, no já célebre dia 12 de Agosto - dia em que a RTP, ao fim de trinta e tal minutos de "notícias", se lembrou de um incêndio em Arcos de Valdevez e dedicou uns vagos dois minutos ao assunto - ardeu uma área substancial do referido Parque que o "serviço público de televisão" quase que "apagou" para, supôe-se, não tentar os pirómanos e poupar os espectadores à sevícia. Sucede que a realidade tem infinitamente mais força que o infeliz sr. Luís Marinho. E começa lentamente a emergir. Tal como a televisão que dirige, enquanto director de informação, "apagou" este incêndio, talvez esteja na hora de "apagar" o sr. Marinho da RTP.
FOGO QUE ARDE SEM SE VER

No regresso a casa, ouço que cerca de trezentos pastores do Parque Natural Peneda-Gerês estão "de tanga" e preocupados com o que hão-de dar de comer aos animais. Isto acontece porque, no já célebre dia 12 de Agosto - dia em que a RTP, ao fim de trinta e tal minutos de "notícias", se lembrou de um incêndio em Arcos de Valdevez e dedicou uns vagos dois minutos ao assunto - ardeu uma área substancial do referido Parque que o "serviço público de televisão" quase que "apagou" para, supôe-se, não tentar os pirómanos e poupar os espectadores à sevícia. Sucede que a realidade tem infinitamente mais força que o infeliz sr. Luís Marinho. E começa lentamente a emergir. Tal como a televisão que dirige, enquanto director de informação, "apagou" este incêndio, talvez esteja na hora de "apagar" o sr. Marinho da RTP.
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