
Aos jornais, preferi neste domingo de Páscoa a troca de argumentos entre dois homens inteligentes ao longo de várias décadas. Refiro-me a Óscar Lopes e a António José Saraiva e à "correspondência" reunida no livro da foto por Leonor Curado Neves. Correspondência deste jaez é praticamente impossível de encontrar hoje em dia. Quer porque o "mundo" editorial português mudou radicalmente, e para pior (e muitas das cartas tratam dele, sobretudo por causa das sucessivas reedições da História da Literatura Portuguesa de ambos), quer porque o "mundo" dito literário português de agora não se confunde com o que eles frequentaram enquanto estudiosos, quer ainda porque a densidade das prosas respectivas não "toca" os espíritos shallow nem o mandarinato medíocre que rege o "meio". Estes homens nunca precisaram de lambuzar ninguém para se afirmar. As cartas contam a história de uma amizade intelectual que sobrelevou sempre a "razão" de cada um. Numa delas, aliás, Lopes diz a Saraiva que prefere a amizade deste a ter propriamente razão. «Franqueza é amizade e confiança.» Incompreensível, não é? Mas, como escreve Lopes na mesma missiva de 1969, "é tão fácil ser E. L." Ainda hoje é.
Adenda: Sobre Óscar Lopes, este "depoimento" de José Pacheco Pereira























