30.6.11

«SABER PERSISTIR»


«A actual fórmula governativa abre ao Governo uma perspectiva temporal alargada, que permite um trabalho responsável, sem atender a pressões eleitoralistas ou à agitação dos demagogos. Temos de evitar a política do chamado «stop and go», programar a médio prazo a acção governativa e acompanhar a política conjuntural de emergência de uma política de reformas ousada que lance as bases de um crescimento económico. (...) Só numa tal perspectiva têm sentido os sacrifícios pedidos à população - que aliás foram compreendidos e aceites, dado o bom senso inato do povo português - porque só assim criaremos as condições de um futuro melhor. (...) Há que fazer um grande esforço de explicação da política económica do Governo, das medidas tomadas e a tomar, por forma a ganhar a confiança de trabalhadores e empresários. Há a preocupação, por outro lado, de reduzir o tempo que medeia entre o anúncio das medidas e a sua efectivação. As obstruções do aparelho de Estado e a burocracia que, como se diz, «cria dificuldades para vender facilidades», têm de ser afastadas mediante um grande trabalho de moralização, dignificação e dinamização dos serviços públicos. (...) O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro.»
Mário Soares, Primeiro-Ministro, 15 de Maio de 1984 (in A Árvore e a Floresta, Perspectivas & Realidades, 1984)

«SABER PERSISTIR»


«A actual fórmula governativa abre ao Governo uma perspectiva temporal alargada, que permite um trabalho responsável, sem atender a pressões eleitoralistas ou à agitação dos demagogos. Temos de evitar a política do chamado «stop and go», programar a médio prazo a acção governativa e acompanhar a política conjuntural de emergência de uma política de reformas ousada que lance as bases de um crescimento económico. (...) Só numa tal perspectiva têm sentido os sacrifícios pedidos à população - que aliás foram compreendidos e aceites, dado o bom senso inato do povo português - porque só assim criaremos as condições de um futuro melhor. (...) Há que fazer um grande esforço de explicação da política económica do Governo, das medidas tomadas e a tomar, por forma a ganhar a confiança de trabalhadores e empresários. Há a preocupação, por outro lado, de reduzir o tempo que medeia entre o anúncio das medidas e a sua efectivação. As obstruções do aparelho de Estado e a burocracia que, como se diz, «cria dificuldades para vender facilidades», têm de ser afastadas mediante um grande trabalho de moralização, dignificação e dinamização dos serviços públicos. (...) O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro.»
Mário Soares, Primeiro-Ministro, 15 de Maio de 1984 (in A Árvore e a Floresta, Perspectivas & Realidades, 1984)

O SILÊNCIO DOS LIVROS


Nova vida para a Biblioteca Nacional. Que dela andava bem precisada.

O SILÊNCIO DOS LIVROS


Nova vida para a Biblioteca Nacional. Que dela andava bem precisada.

SEM MORTOS E FERIDOS

Somos, mais coisa menos coisa, 10.555.853.

SEM MORTOS E FERIDOS

Somos, mais coisa menos coisa, 10.555.853.

VOLTAR À GRANDE POLÍTICA


«É urgente quebrar o conformismo de chumbo que se instalou na UE, que se arrisca a transformar a crise da dívida numa devastadora crise da própria Europa e que, acentuando a deslegitimação das suas incompetentes lideranças, terá consequências e proporções difíceis de antecipar. E para quebrar este conformismo e os seus dogmas, só há um modo: é o de voltar à "grande" política, isto é, às ideias que podem mudar o actual estado de coisas. E que terão de ser tão ousadas como fundamentadas. Tal só será possível cortando com a ideologia sem ideias em que se tornou a "vulgata europeia", e elaborando uma nova agenda para a Europa. Uma agenda que exija que a Comissão Europeia deixar de se comportar como um dócil secretariado de um Conselho Europeu dominado pela Alemanha. Uma agenda que leve os líderes dos países europeus a falarem mais vezes e mais demoradamente entre si, e com as respectivas opiniões públicas, de modo a encontrarem e a formularem alternativas à ortodoxia dominante. Uma agenda capaz de federar os interesses e as ideias de diversos países, sem medo de confrontar a Alemanha ou de visar os seus pontos fracos. Uma agenda que avance com iniciativas credíveis e com propostas ambiciosas, e que abra os indispensáveis debates sobre as novas circunstâncias da globalização, os paradoxos do livre-cambismo, as opacidades da "financeirização" da economia ou o interminável (e contraproducente) alargamento da União. E é muito que se pode fazer, com iniciativas de variada ordem: política, económica, financeira, social, cultural. Uma delas, e das mais urgentes, deveria neste momento ser relativa ao valor do euro, cuja excessiva valorização nos últimos dez anos tem beneficiado sobretudo à Alemanha, e a dois ou três aliados, e prejudicado todos os demais países da Zona Euro. E esta valorização teve, é preciso sublinhá-lo, um papel decisivo na perda de competitividade de diversas economias europeias, e na eclosão da crise das dívidas soberanas. (Note-se, a propósito, que a Inglaterra desvalorizou a libra, durante a crise financeira dos últimos anos, em cerca de 20%, sem que a inflação tenha ultrapassado 1,6%...) Este é um dos caminhos por onde é possível e urgente avançar, se realmente quisermos que o euro fale outras línguas para lá do alemão. Outros, por exemplo, são a unificação da dívida (como Roosevelt fez em 1932), a emissão de "eurobonds" e a criação de um ministério das finanças europeu. A Europa precisa de uma nova agenda que só um franco e vigoroso o debate de ideias poderá viabilizar, criando condições para que se enfrente uma especulação que se faz cada vez mais à margem de todas as regras, e que está a tornar o mundo numa verdadeira selva.»
Manuel Maria Carrilho, DN

VOLTAR À GRANDE POLÍTICA


«É urgente quebrar o conformismo de chumbo que se instalou na UE, que se arrisca a transformar a crise da dívida numa devastadora crise da própria Europa e que, acentuando a deslegitimação das suas incompetentes lideranças, terá consequências e proporções difíceis de antecipar. E para quebrar este conformismo e os seus dogmas, só há um modo: é o de voltar à "grande" política, isto é, às ideias que podem mudar o actual estado de coisas. E que terão de ser tão ousadas como fundamentadas. Tal só será possível cortando com a ideologia sem ideias em que se tornou a "vulgata europeia", e elaborando uma nova agenda para a Europa. Uma agenda que exija que a Comissão Europeia deixar de se comportar como um dócil secretariado de um Conselho Europeu dominado pela Alemanha. Uma agenda que leve os líderes dos países europeus a falarem mais vezes e mais demoradamente entre si, e com as respectivas opiniões públicas, de modo a encontrarem e a formularem alternativas à ortodoxia dominante. Uma agenda capaz de federar os interesses e as ideias de diversos países, sem medo de confrontar a Alemanha ou de visar os seus pontos fracos. Uma agenda que avance com iniciativas credíveis e com propostas ambiciosas, e que abra os indispensáveis debates sobre as novas circunstâncias da globalização, os paradoxos do livre-cambismo, as opacidades da "financeirização" da economia ou o interminável (e contraproducente) alargamento da União. E é muito que se pode fazer, com iniciativas de variada ordem: política, económica, financeira, social, cultural. Uma delas, e das mais urgentes, deveria neste momento ser relativa ao valor do euro, cuja excessiva valorização nos últimos dez anos tem beneficiado sobretudo à Alemanha, e a dois ou três aliados, e prejudicado todos os demais países da Zona Euro. E esta valorização teve, é preciso sublinhá-lo, um papel decisivo na perda de competitividade de diversas economias europeias, e na eclosão da crise das dívidas soberanas. (Note-se, a propósito, que a Inglaterra desvalorizou a libra, durante a crise financeira dos últimos anos, em cerca de 20%, sem que a inflação tenha ultrapassado 1,6%...) Este é um dos caminhos por onde é possível e urgente avançar, se realmente quisermos que o euro fale outras línguas para lá do alemão. Outros, por exemplo, são a unificação da dívida (como Roosevelt fez em 1932), a emissão de "eurobonds" e a criação de um ministério das finanças europeu. A Europa precisa de uma nova agenda que só um franco e vigoroso o debate de ideias poderá viabilizar, criando condições para que se enfrente uma especulação que se faz cada vez mais à margem de todas as regras, e que está a tornar o mundo numa verdadeira selva.»
Manuel Maria Carrilho, DN

29.6.11

À ESCOLA

O sr. dr. Carvalho da Silva referiu-se a Cavaco Silva como "o homem". Terá andado "à escola" com o Chefe de Estado?

À ESCOLA

O sr. dr. Carvalho da Silva referiu-se a Cavaco Silva como "o homem". Terá andado "à escola" com o Chefe de Estado?

FALAR DE COISAS VEROSÍMEIS


«Falamos de coisas verosímeis. Apenas do real. Há intervalos curtos de silêncio. Penso na sua poesia ultimamente tão lapidada, tão expurgada do que não é essencial. Gosto da intensidade com que faz existir o invisível.»

Lourdes Féria, With Bubbles

FALAR DE COISAS VEROSÍMEIS


«Falamos de coisas verosímeis. Apenas do real. Há intervalos curtos de silêncio. Penso na sua poesia ultimamente tão lapidada, tão expurgada do que não é essencial. Gosto da intensidade com que faz existir o invisível.»

Lourdes Féria, With Bubbles

MORRE JOVEM O QUE OS DEUSES AMAM


James Dean desapareceu violentamente ao volante de um automóvel. Tinha aquele ar vago e perdido de menino. Foi assim que a eternidade o recebeu. A série Morangos com Açúcar, da tvi, permitiu o rápido acesso de rapazes e raparigas anónimos, com dois palmos de cara e, alguns, de voz, ao estrelato doméstico e à efemeridade da fama. Em certo sentido eles e elas preencheram o chamado "imaginário" adolescente que sonha em ser assim. A estação de Queluz de Baixo acabou por produzir os James Deans possíveis, simultaneamente improváveis e trágicos. Angélico é o segundo da "tribo Morangos" a morrer jovem por causa do absurdo amor que os deuses devotam à juventude. Truman Capote perguntava - e eu pergunto tantas vezes - por que é que a vida tem de ser esta porcaria. Mas ela é mesmo esta porcaria.

MORRE JOVEM O QUE OS DEUSES AMAM


James Dean desapareceu violentamente ao volante de um automóvel. Tinha aquele ar vago e perdido de menino. Foi assim que a eternidade o recebeu. A série Morangos com Açúcar, da tvi, permitiu o rápido acesso de rapazes e raparigas anónimos, com dois palmos de cara e, alguns, de voz, ao estrelato doméstico e à efemeridade da fama. Em certo sentido eles e elas preencheram o chamado "imaginário" adolescente que sonha em ser assim. A estação de Queluz de Baixo acabou por produzir os James Deans possíveis, simultaneamente improváveis e trágicos. Angélico é o segundo da "tribo Morangos" a morrer jovem por causa do absurdo amor que os deuses devotam à juventude. Truman Capote perguntava - e eu pergunto tantas vezes - por que é que a vida tem de ser esta porcaria. Mas ela é mesmo esta porcaria.

28.6.11

DE BERCY A WASHINGTON


Depois de Strauss-Kahn, Christine Lagarde à frente do FMI. O Fundo continua em boas e competentes mãos.

DE BERCY A WASHINGTON


Depois de Strauss-Kahn, Christine Lagarde à frente do FMI. O Fundo continua em boas e competentes mãos.

MAIS AJUIZADO


MAIS AJUIZADO


27.6.11

NÃO HÁ "PRIMEIRAS MÃOS"


O prof. Marcelo definitivamente não é o porta-voz deste Governo.

NÃO HÁ "PRIMEIRAS MÃOS"


O prof. Marcelo definitivamente não é o porta-voz deste Governo.

MEDITAÇÕES


Do sr. Soros.

MEDITAÇÕES


Do sr. Soros.

QUE RESTE?

QUE RESTE?

26.6.11

TENTAR PERCEBER


As minhas cercanias vão ficar mais pobres. Vasco Pulido Valente muda da Quinta da Luz para a Avenida de Paris, a casa de infância restaurada. Estou a olhar para os livros dele, numa estante à minha frente, dos poucos que estão por ordem em função do autor. Devo-lhes sempre - e ao Vasco, quase diariamente, há mais de trinta anos - qualquer coisa.

TENTAR PERCEBER


As minhas cercanias vão ficar mais pobres. Vasco Pulido Valente muda da Quinta da Luz para a Avenida de Paris, a casa de infância restaurada. Estou a olhar para os livros dele, numa estante à minha frente, dos poucos que estão por ordem em função do autor. Devo-lhes sempre - e ao Vasco, quase diariamente, há mais de trinta anos - qualquer coisa.

E SAIU-LHE OUTRA

«José Pacheco Pereira classificou hoje Mikhail Gorbachov como "um caso muito interessante de um político que quis fazer uma coisa e saiu-lhe outra".» Pacheco, à sua medida, também é assim. Na política doméstica quis fazer uma coisa - como presidir a câmaras municipais - e saiu-lhe outra. Está na hora do quarto volume sobre Cunhal. Isso sai sempre bem.

E SAIU-LHE OUTRA

«José Pacheco Pereira classificou hoje Mikhail Gorbachov como "um caso muito interessante de um político que quis fazer uma coisa e saiu-lhe outra".» Pacheco, à sua medida, também é assim. Na política doméstica quis fazer uma coisa - como presidir a câmaras municipais - e saiu-lhe outra. Está na hora do quarto volume sobre Cunhal. Isso sai sempre bem.

25.6.11

NÃO SEI SE SE LEMBRA


«O que me parece mais relevante é que nós tivemos até agora gente que não fazia contas e parece-me que estamos a falar de pessoas [Vítor Gaspar] que sabem fazer contas. Não sei se se lembra de uma feijoada na ponte? A feijoada é um belo símbolo do que se vivia na altura. A malta toda porreira a comer uma feijoada e a beber vinho...»

Medina Carreira, iLink

NÃO SEI SE SE LEMBRA


«O que me parece mais relevante é que nós tivemos até agora gente que não fazia contas e parece-me que estamos a falar de pessoas [Vítor Gaspar] que sabem fazer contas. Não sei se se lembra de uma feijoada na ponte? A feijoada é um belo símbolo do que se vivia na altura. A malta toda porreira a comer uma feijoada e a beber vinho...»

Medina Carreira, iLink

TRABALHAI E PERSEVERAI


Tantos disparates que se dizem e escrevem sobre a Maçonaria.

TRABALHAI E PERSEVERAI


Tantos disparates que se dizem e escrevem sobre a Maçonaria.

24.6.11

FALK


«Columbo has a genuine mistiness about him. It seems to hang in the air.»

FALK


«Columbo has a genuine mistiness about him. It seems to hang in the air.»

SEMPRE POR BOM CAMINHO E SEGUE

SEMPRE POR BOM CAMINHO E SEGUE

INCOMPETÊNCIAS


A um preço de capa superior a quarenta euros, é indesculpável que a mais recente edição da poesia completa de Eugénio de Andrade "troque" o título de um dos seus primeiros livros, Os Amantes sem Dinheiro, por "Os Amantes do Dinheiro", designação várias vezes referida ao longo do volume, por sinal bonito. Não há ninguém na editora Modo de Ler para rever os textos? E rever, aqui, é mesmo rever substantivamente o que implica conhecimentos básicos acerca daquilo que se está a rever? Uma pena mas tem de ir para o lixo.

INCOMPETÊNCIAS


A um preço de capa superior a quarenta euros, é indesculpável que a mais recente edição da poesia completa de Eugénio de Andrade "troque" o título de um dos seus primeiros livros, Os Amantes sem Dinheiro, por "Os Amantes do Dinheiro", designação várias vezes referida ao longo do volume, por sinal bonito. Não há ninguém na editora Modo de Ler para rever os textos? E rever, aqui, é mesmo rever substantivamente o que implica conhecimentos básicos acerca daquilo que se está a rever? Uma pena mas tem de ir para o lixo.

A POSSIBILIDADE DE UM "LEMA"

«O facto de este governo não ter dinheiro para fazer obras dá-lhe a possibilidade de fazer obra.»

Luís Campos e Cunha, Público

A POSSIBILIDADE DE UM "LEMA"

«O facto de este governo não ter dinheiro para fazer obras dá-lhe a possibilidade de fazer obra.»

Luís Campos e Cunha, Público

«LIBERDADES NA BERLINDA»*

«Na Madeira, Alberto João Jardim proibiu os dirigentes do PSD-M de escreverem artigos de opinião no Diário de Notícias local, jornal privado que o chefe do governo regional vê como principal força da oposição. Todos os dirigentes, à excepção de um, obedeceram. Jardim visa beneficiar o diário que o governo regional financia com dinheiros públicos e alimentar a ideia de que o Diário de Notícias só representa os sectores não-governamentais da opinião.
Em Lisboa, o presidente da República anuiu com um processo sugerido pelo procurador-geral contra o director da Sábado por uma frase que exprime uma opinião — dura para com Cavaco Silva, mas uma opinião. Tendo o presidente feito um primeiro mandato irrepreensível no domínio da defesa da liberdade de expressão e opinião, é infeliz esta anuência ao processo sugerido por Pinto Monteiro. Este caso motivou alguns genuínos defensores das liberdades, mas também gente de “esquerda” que só as defende quando concorda com os textos alvos dos ataques. São já tantos os casos em que esta “esquerda” se limita a defender a sua própria opinião que temos de ver no conjunto um padrão extremamente enviesado das liberdades. Correcto será defender, em primeiro lugar, os direitos de quem exprime opiniões para nós detestáveis ou factos para nós desagradáveis. Esta “esquerda” que nos saiu na rifa silenciou, por exemplo, o processo da ERC contra Sinel de Cordes, autor de humor negro na SICR. Só se indigna, o que é fácil, com o processo retrógrado de familiares do director da PIDE Silva Pais aos dramaturgos da peça A Filha Rebelde, processo que, aliás, parte de particulares e não de quem ocupa cargos públicos. É muito feio silenciar alguns casos de ataques às liberdades e fazer parangonas de outros. Esta esquerda ou não é verdadeira ou defende, como os governos de Sócrates, mais liberdades para si do que para os outros.»

*Eduardo Cintra Torres, Público

«LIBERDADES NA BERLINDA»*

«Na Madeira, Alberto João Jardim proibiu os dirigentes do PSD-M de escreverem artigos de opinião no Diário de Notícias local, jornal privado que o chefe do governo regional vê como principal força da oposição. Todos os dirigentes, à excepção de um, obedeceram. Jardim visa beneficiar o diário que o governo regional financia com dinheiros públicos e alimentar a ideia de que o Diário de Notícias só representa os sectores não-governamentais da opinião.
Em Lisboa, o presidente da República anuiu com um processo sugerido pelo procurador-geral contra o director da Sábado por uma frase que exprime uma opinião — dura para com Cavaco Silva, mas uma opinião. Tendo o presidente feito um primeiro mandato irrepreensível no domínio da defesa da liberdade de expressão e opinião, é infeliz esta anuência ao processo sugerido por Pinto Monteiro. Este caso motivou alguns genuínos defensores das liberdades, mas também gente de “esquerda” que só as defende quando concorda com os textos alvos dos ataques. São já tantos os casos em que esta “esquerda” se limita a defender a sua própria opinião que temos de ver no conjunto um padrão extremamente enviesado das liberdades. Correcto será defender, em primeiro lugar, os direitos de quem exprime opiniões para nós detestáveis ou factos para nós desagradáveis. Esta “esquerda” que nos saiu na rifa silenciou, por exemplo, o processo da ERC contra Sinel de Cordes, autor de humor negro na SICR. Só se indigna, o que é fácil, com o processo retrógrado de familiares do director da PIDE Silva Pais aos dramaturgos da peça A Filha Rebelde, processo que, aliás, parte de particulares e não de quem ocupa cargos públicos. É muito feio silenciar alguns casos de ataques às liberdades e fazer parangonas de outros. Esta esquerda ou não é verdadeira ou defende, como os governos de Sócrates, mais liberdades para si do que para os outros.»

*Eduardo Cintra Torres, Público

23.6.11

A QUEDA NO QUOTIDIANO

É uma expressão de Heidegger que talvez possa ser útil à banca. E a nós.

A QUEDA NO QUOTIDIANO

É uma expressão de Heidegger que talvez possa ser útil à banca. E a nós.

22.6.11

SINAIS NOVOS E SINAIS VELHOS


Assunção Esteves, Assunção Cristas, até Maria de Belém, Vítor Gaspar, o fim dos governos civis, etc., etc. são sinais de ar novo em tempos sombrios. Em menos de quinze dias foi possível introduzir alguma "normalidade" na vida pública e a ela precisa de gestos simbólicos para sobreviver. O desmoronamento da falácia política instituída em torno do dr. Louçã e de mais dois ou três fiéis é outro sinal. É lamentável, todavia, que pessoas inteligentes persistam em coisas deste jaez que, repito, equivalem ao argumento do segundo ano da escolaridade obrigatória de que "os políticos são todos iguais versão são todos situacionistas" que denotam um péssimo sinal de puro revanchismo intelectual e de uma vaidade íntima tão incomensurável quanto solipsista. Uma derradeira nota pessoal. Guilherme Silva foi o mais votado dos vice-presidentes da AR. Os seus pares, de todas as bancadas, homenagearam da melhor maneira um homem honrado e competente por vezes cretinamente "estigmatizado" por ser natural da Madeira. O parlamento, em suma, represtigiou-se simbolicamente. Bom sinal.

SINAIS NOVOS E SINAIS VELHOS


Assunção Esteves, Assunção Cristas, até Maria de Belém, Vítor Gaspar, o fim dos governos civis, etc., etc. são sinais de ar novo em tempos sombrios. Em menos de quinze dias foi possível introduzir alguma "normalidade" na vida pública e a ela precisa de gestos simbólicos para sobreviver. O desmoronamento da falácia política instituída em torno do dr. Louçã e de mais dois ou três fiéis é outro sinal. É lamentável, todavia, que pessoas inteligentes persistam em coisas deste jaez que, repito, equivalem ao argumento do segundo ano da escolaridade obrigatória de que "os políticos são todos iguais versão são todos situacionistas" que denotam um péssimo sinal de puro revanchismo intelectual e de uma vaidade íntima tão incomensurável quanto solipsista. Uma derradeira nota pessoal. Guilherme Silva foi o mais votado dos vice-presidentes da AR. Os seus pares, de todas as bancadas, homenagearam da melhor maneira um homem honrado e competente por vezes cretinamente "estigmatizado" por ser natural da Madeira. O parlamento, em suma, represtigiou-se simbolicamente. Bom sinal.

21.6.11

"MAIS UM DIA DE NOITE"


Pacheco, Luiz, às 19.30 na sala 3 do São Jorge. «E houve suicídios, amores desatinados, gente perdida para sempre, muitos e muitos poemas, livrinhos de estreia. Tudo e um tanto desorganizado e traquinas. E gargalhado, inócuo; haveria ali, no ambiente, uma poesia comunicante, o Herberto que me perdoe roubar-lhe o ápodo. E seria o que nos atraía, então.»

"MAIS UM DIA DE NOITE"


Pacheco, Luiz, às 19.30 na sala 3 do São Jorge. «E houve suicídios, amores desatinados, gente perdida para sempre, muitos e muitos poemas, livrinhos de estreia. Tudo e um tanto desorganizado e traquinas. E gargalhado, inócuo; haveria ali, no ambiente, uma poesia comunicante, o Herberto que me perdoe roubar-lhe o ápodo. E seria o que nos atraía, então.»

O TEMPO SEGUINTE


A partir de hoje entra em funções um governo da não esquerda com a responsabilidade de viabilizar o país e de honrar e executar compromissos externos ajustados. Não é uma tarefa fácil e, por isso mesmo, será simultaneamente um desafio e uma obrigação moral muito antes de ser política. Ninguém começa a trabalhar numa empresa destas com espírito de carpideira. O que havia a dizer ao governo cessante foi dito no dia 5 de Junho. Antes disso, e sob as mais diversas formas, muitos cidadãos, conhecidos e anónimos, denunciaram o caminho errado sem quaisquer propósitos "iluministas". Como sempre aqui afirmei, é fundamental restaurar um certo sentido de "normalidade" democrática e tentar diminuir o excesso de autoritarismo endémico da sociedade portuguesa. Também nisto a não esquerda deve ser, tanto quanto possível, exemplar sem ser paternalista, demagógica ou "fracturante" de outra maneira. Terá tanto mais sucesso quanto maiores forem a independência crítica e a clara densidade a colocar nas decisões. Sigamos, então, em frente.

O TEMPO SEGUINTE


A partir de hoje entra em funções um governo da não esquerda com a responsabilidade de viabilizar o país e de honrar e executar compromissos externos ajustados. Não é uma tarefa fácil e, por isso mesmo, será simultaneamente um desafio e uma obrigação moral muito antes de ser política. Ninguém começa a trabalhar numa empresa destas com espírito de carpideira. O que havia a dizer ao governo cessante foi dito no dia 5 de Junho. Antes disso, e sob as mais diversas formas, muitos cidadãos, conhecidos e anónimos, denunciaram o caminho errado sem quaisquer propósitos "iluministas". Como sempre aqui afirmei, é fundamental restaurar um certo sentido de "normalidade" democrática e tentar diminuir o excesso de autoritarismo endémico da sociedade portuguesa. Também nisto a não esquerda deve ser, tanto quanto possível, exemplar sem ser paternalista, demagógica ou "fracturante" de outra maneira. Terá tanto mais sucesso quanto maiores forem a independência crítica e a clara densidade a colocar nas decisões. Sigamos, então, em frente.

20.6.11

O CADÁVER EM FÉRIAS


O único comentário que farei acerca da cultura no governo é o seguinte. Desde Julho de 2000, salvo em pequenas intermitências, o ministério da cultura não passou de uma mistificação pomposa. Os sucessivos titulares ficam para a história da Ajuda como os mais exímios exterminadores políticos do ministério. O novo governo não acabou com nada que não estivesse previamente morto.

O CADÁVER EM FÉRIAS


O único comentário que farei acerca da cultura no governo é o seguinte. Desde Julho de 2000, salvo em pequenas intermitências, o ministério da cultura não passou de uma mistificação pomposa. Os sucessivos titulares ficam para a história da Ajuda como os mais exímios exterminadores políticos do ministério. O novo governo não acabou com nada que não estivesse previamente morto.

19.6.11

UM BOM REGRESSO

O do deputado António Filipe, do PC, à vice presidência do parlamento.

UM BOM REGRESSO

O do deputado António Filipe, do PC, à vice presidência do parlamento.

OS CANTOS, EM GERAL

"Maradona", por via da Ana Cristina Leonardo (a coisa também envolve a Carla Quevedo) transmite-me um "questionário" literato. Como é domingo, dia do Senhor, e a beatitude e o Guincho imperam, respondo.

1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

À semelhança de Cioran, acredito que um livro só fica "lido" depois de lido várias vezes. A partir de certa fase da vida, aliás, o que apetece mais é reler. É um cliché mas não há mais começos. O que há é complexos editoriais que precisam fazer pela vida e que colocam cá fora objectos parecidos com livros que têm na capa nomes que designam por "autores". Leio e releio poesia matéria acerca da qual quanto menos se disser, melhor.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Claro, até de pessoas que são "meus" autores. De um que não é, Saramago, A Jangada de Pedra.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

The Cantos, de Ezra Pound.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Amores no Campo, de Sarah Beirão.

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?

O Libertino passeia por Braga, a Idolátrica, o seu esplendor. De Luiz Pacheco.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

A Condessa de Ségur, a Blyton, pouco Verne, algum Tintin e o Adolfo Simões Müller.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Direito Internacional Privado, Ferrer Correia. Porque fui obrigado.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.


Não existem mais porque o seu autor, Joaquim Manuel Magalhães, os suprimiu. Ainda assim, dele e em vigor, Os Dois Crepúsculos. De Jorge de Sena, O Reino da Estupidez I. De Eugénio de Andrade, Prosa. De Richard Rorty, Contingência, Ironia e Solidariedade. De Peter Sloterdijk, O Estranhamento do Mundo. De Céline, À l'agité du bocal. De Proust, A Recherche. De Jean Genet, Pompes Funébres. De Adolfo Casais Monteiro, A Poesia de Fernando Pessoa. De Jonathan Littell, As Benevolentes. De Tolstoi, Anna Karenina. De Flaubert, Madame Bovary. De Stendhal, Le Rouge et Le Noir. De Eça, A Correspondência de Fradique Mendes. De Gore Vidal, United States. De T.S. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas. De Vergílio Ferreira, Conta-Corrente. De Vitorino Magalhães Godinho, A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa. De Vasco Pulido Valente, O Poder e o Povo. De António José Saraiva, Ser ou não ser Arte. Et tal.

9. Que livro estás a ler neste momento?

Dois. De Richard Rorty, Consequências do Pragmatismo. De Maurice Blanchot, La Raison de Sade.

10. Indica dez amigos para responderem a isto.

Carlos Vidal, José Mendonça da Cruz, António Nogueira Leite, Almocreve, Medeiros Ferreira, Helena Matos, Do Médio Oriente e Afins, Luís Paixão Martins, Pedro Magalhães, Fernando Martins.

OS CANTOS, EM GERAL

"Maradona", por via da Ana Cristina Leonardo (a coisa também envolve a Carla Quevedo) transmite-me um "questionário" literato. Como é domingo, dia do Senhor, e a beatitude e o Guincho imperam, respondo.

1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

À semelhança de Cioran, acredito que um livro só fica "lido" depois de lido várias vezes. A partir de certa fase da vida, aliás, o que apetece mais é reler. É um cliché mas não há mais começos. O que há é complexos editoriais que precisam fazer pela vida e que colocam cá fora objectos parecidos com livros que têm na capa nomes que designam por "autores". Leio e releio poesia matéria acerca da qual quanto menos se disser, melhor.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Claro, até de pessoas que são "meus" autores. De um que não é, Saramago, A Jangada de Pedra.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

The Cantos, de Ezra Pound.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Amores no Campo, de Sarah Beirão.

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?

O Libertino passeia por Braga, a Idolátrica, o seu esplendor. De Luiz Pacheco.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

A Condessa de Ségur, a Blyton, pouco Verne, algum Tintin e o Adolfo Simões Müller.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Direito Internacional Privado, Ferrer Correia. Porque fui obrigado.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.


Não existem mais porque o seu autor, Joaquim Manuel Magalhães, os suprimiu. Ainda assim, dele e em vigor, Os Dois Crepúsculos. De Jorge de Sena, O Reino da Estupidez I. De Eugénio de Andrade, Prosa. De Richard Rorty, Contingência, Ironia e Solidariedade. De Peter Sloterdijk, O Estranhamento do Mundo. De Céline, À l'agité du bocal. De Proust, A Recherche. De Jean Genet, Pompes Funébres. De Adolfo Casais Monteiro, A Poesia de Fernando Pessoa. De Jonathan Littell, As Benevolentes. De Tolstoi, Anna Karenina. De Flaubert, Madame Bovary. De Stendhal, Le Rouge et Le Noir. De Eça, A Correspondência de Fradique Mendes. De Gore Vidal, United States. De T.S. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas. De Vergílio Ferreira, Conta-Corrente. De Vitorino Magalhães Godinho, A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa. De Vasco Pulido Valente, O Poder e o Povo. De António José Saraiva, Ser ou não ser Arte. Et tal.

9. Que livro estás a ler neste momento?

Dois. De Richard Rorty, Consequências do Pragmatismo. De Maurice Blanchot, La Raison de Sade.

10. Indica dez amigos para responderem a isto.

Carlos Vidal, José Mendonça da Cruz, António Nogueira Leite, Almocreve, Medeiros Ferreira, Helena Matos, Do Médio Oriente e Afins, Luís Paixão Martins, Pedro Magalhães, Fernando Martins.

LES TRICOTEUSES


«Há ainda essa máquina desconjuntada e caótica, que se chama por um hábito inexplicável "administração pública portuguesa": um labirinto cheio de alçapões, que se aplica fundamentalmente a conservar a sua inércia e o seu sossego. A capacidade para mover esse monstro em direcções que não lhe agradem ou não lhe convenham é muito rara e não se adquire sem alguma (dolorosa) experiência. Esperemos que os ministros que o PSD e o CDS foram buscar à sua tranquilidade intelectual não se deixem devorar pela criatura. Para bem deles, com certeza, e para nosso bem.»
Vasco Pulido Valente, Público

LES TRICOTEUSES


«Há ainda essa máquina desconjuntada e caótica, que se chama por um hábito inexplicável "administração pública portuguesa": um labirinto cheio de alçapões, que se aplica fundamentalmente a conservar a sua inércia e o seu sossego. A capacidade para mover esse monstro em direcções que não lhe agradem ou não lhe convenham é muito rara e não se adquire sem alguma (dolorosa) experiência. Esperemos que os ministros que o PSD e o CDS foram buscar à sua tranquilidade intelectual não se deixem devorar pela criatura. Para bem deles, com certeza, e para nosso bem.»
Vasco Pulido Valente, Público

ARREPIAR CAMINHO


«O que se passou no domínio dos cuidados de saúde é um bom exemplo dessa quase obsessão de tudo sujeitar à tutela e à administração directa do Estado. As consequências desses excessos são hoje sobejamente conhecidas. Perdemos muitos anos a recriar o que já estava criado, a recuperar experiência e competências que já existiam, a esbanjar recursos que poderiam ser canalizados para domínios mais carenciados e de maior urgência social. Felizmente, tomou-se consciência dos erros e, lenta mas pragmaticamente, foi-se arrepiando caminho. A recente celebração de um protocolo entre as autoridades de saúde e um considerável número de misericórdias portuguesas, visando a contratualização de serviço público por parte destas, é um passo que me apraz assinalar. Esse passo pode representar uma valorização significativa do sistema nacional de saúde, tornando-o mais eficaz, com maior qualidade de serviço e maior satisfação dos utentes. Temos de reinventar o conceito de serviço público, nomeadamente na diversidade das áreas sociais. Um novo conceito que atenda mais à necessidade de dar uma resposta rápida e adequada aos crescentes problemas sociais da população portuguesa, do que ao respeito de uma visão ideológica que os tempos tornaram obsoleta.
Cavaco Silva

ARREPIAR CAMINHO


«O que se passou no domínio dos cuidados de saúde é um bom exemplo dessa quase obsessão de tudo sujeitar à tutela e à administração directa do Estado. As consequências desses excessos são hoje sobejamente conhecidas. Perdemos muitos anos a recriar o que já estava criado, a recuperar experiência e competências que já existiam, a esbanjar recursos que poderiam ser canalizados para domínios mais carenciados e de maior urgência social. Felizmente, tomou-se consciência dos erros e, lenta mas pragmaticamente, foi-se arrepiando caminho. A recente celebração de um protocolo entre as autoridades de saúde e um considerável número de misericórdias portuguesas, visando a contratualização de serviço público por parte destas, é um passo que me apraz assinalar. Esse passo pode representar uma valorização significativa do sistema nacional de saúde, tornando-o mais eficaz, com maior qualidade de serviço e maior satisfação dos utentes. Temos de reinventar o conceito de serviço público, nomeadamente na diversidade das áreas sociais. Um novo conceito que atenda mais à necessidade de dar uma resposta rápida e adequada aos crescentes problemas sociais da população portuguesa, do que ao respeito de uma visão ideológica que os tempos tornaram obsoleta.
Cavaco Silva

18.6.11

A VIDA DAS PESSOAS

O meu amigo António José Seguro afirmou que o PS tem uma "imensa sensibilidade social". Pois, António, não lhe serviu de nada. Tanta tagarelice de campanha, e não só, sobre o "estado social" e eis que ele chegou ao que chegou. Para além disso, ninguém, muito menos o PS dos últimos anos, possui o monopólio da sensibilidade social. Esta não se reduz a uma convenção para agitar no combate partidário tipo "a minha é maior do que a tua". É, secamente, a vida das pessoas.

A VIDA DAS PESSOAS

O meu amigo António José Seguro afirmou que o PS tem uma "imensa sensibilidade social". Pois, António, não lhe serviu de nada. Tanta tagarelice de campanha, e não só, sobre o "estado social" e eis que ele chegou ao que chegou. Para além disso, ninguém, muito menos o PS dos últimos anos, possui o monopólio da sensibilidade social. Esta não se reduz a uma convenção para agitar no combate partidário tipo "a minha é maior do que a tua". É, secamente, a vida das pessoas.

FRUGALIDADE

«Os eleitores votaram na escolha de um novo elenco governativo e não na continuidade das habituais caras.» É isso e as alegadas "razões" de alegados "convidados" que recusaram. Os tempos são, de facto, frugais. O serviço público também.

FRUGALIDADE

«Os eleitores votaram na escolha de um novo elenco governativo e não na continuidade das habituais caras.» É isso e as alegadas "razões" de alegados "convidados" que recusaram. Os tempos são, de facto, frugais. O serviço público também.

O MIRONE SEMPRE A PAU


«A Pilar controla tudo, de manhã à noite. O homem não pode ter aventuras nem com homens nem com mulheres. Nada. Está ali com o mirone sempre a pau. O que é que há-de fazer? Faz boletins do gabinete do senhor escritor José Saramago. Tanto dá que tenha sido escrito por ele, pela mulher-a-dias, pela Pilar, pela Desidéria. Ele no fim assina e pronto. Vai aqui, vai ali, recebe prémio, não recebe prémio. Ele é um computador. Mesmo que tivesse vivido ao longo destes anos uma aventura qualquer não pode escrevê-la. Está impedido.»

Luiz Pacheco, O Crocodilo que Voa (entrevistas)

O MIRONE SEMPRE A PAU


«A Pilar controla tudo, de manhã à noite. O homem não pode ter aventuras nem com homens nem com mulheres. Nada. Está ali com o mirone sempre a pau. O que é que há-de fazer? Faz boletins do gabinete do senhor escritor José Saramago. Tanto dá que tenha sido escrito por ele, pela mulher-a-dias, pela Pilar, pela Desidéria. Ele no fim assina e pronto. Vai aqui, vai ali, recebe prémio, não recebe prémio. Ele é um computador. Mesmo que tivesse vivido ao longo destes anos uma aventura qualquer não pode escrevê-la. Está impedido.»

Luiz Pacheco, O Crocodilo que Voa (entrevistas)

É ISTO


Pedro Santana Lopes, em artigo no Público, resume perfeitamente o que há a dizer sobre o governo Passos Coelho. Em primeiro lugar, «quem fez galerias com fotografias de prováveis ministros foi desmentido em larga escala». Em segundo lugar, «é um Governo inovador na orgânica» e «Passos Coelho foi firme na redução do número de ministros e incluiu vários independentes»: «é, de facto, o Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas, onde, também ao contrário do que se disse e escreveu, se nota muito pouco a influência do Palácio de Belém». Finalmente, «esta equipa marca uma ruptura, não de geração, mas na habituação a nomes demasiadamente óbvios e, muitas vezes, repetidos. Passos Coelho e, com ele, Paulo Portas fizeram questão de assumir e de exercer o poder. Fizeram bem.»

Adenda (de Pedro Santana Lopes que subscrevo na íntegra): «De tudo o que diz o idiota anónimo ["E será que a expressão «esta equipa marca uma ruptura, não de geração, mas na habituação a nomes demasiadamente óbvios e, muitas vezes, repetidos» se aplicará, com as devidas adaptações, ao próprio Santana Trapalhadas Lopes, enquanto vereador ausente da CML, permanente paineleiro televisivo, putativo fundador de um movimento porque se sente mal no PSD, suposto candidato a Belém?"], só vale a pena responder ao « Vereador ausente da CML». É absolutamente falso. Está em todas as reuniões. Em setenta reuniões, faltas duas e justificadas. Idiotas anónimos»

Nota: É revelador de um persistente espírito piranha, algures entre o mesquinho e o bronco, que praticamente ninguém tivesse comentado o post (e o que PSL escreveu) e que tivesse prevalecido o ad hominem mais primário, sempre ao lado. Que tristeza de gente.

Final (PSL): «Com jeito, os idiotas mostram logo de onde vêm... Pergunta um comentário o que disse a Vereação sobre o Mega- Piquenique, até porque «a bancada social - democrata da Ass. Municipal terá tomado posição!!!... Atitudes pequeninas que só li agora. Mas está enganado o idiota anónimo que está atento a esses comunicados... Basta ver o meu blogue,na sexta - feira passada, o site da Vereação - Lisboa com Sentido, - e as notícias sobre o comunicado da Vereação( entre várias:http://www.ionline.pt/conteudo/130897-vereadores-psd-criticam-corte-transito-na-avenida-da-liberdade).E agora chega de pequeninos. Obrigado, João Gonçalves. Um abraço grande. PSL

Idiotas anónimos e ignorantes.

É ISTO


Pedro Santana Lopes, em artigo no Público, resume perfeitamente o que há a dizer sobre o governo Passos Coelho. Em primeiro lugar, «quem fez galerias com fotografias de prováveis ministros foi desmentido em larga escala». Em segundo lugar, «é um Governo inovador na orgânica» e «Passos Coelho foi firme na redução do número de ministros e incluiu vários independentes»: «é, de facto, o Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas, onde, também ao contrário do que se disse e escreveu, se nota muito pouco a influência do Palácio de Belém». Finalmente, «esta equipa marca uma ruptura, não de geração, mas na habituação a nomes demasiadamente óbvios e, muitas vezes, repetidos. Passos Coelho e, com ele, Paulo Portas fizeram questão de assumir e de exercer o poder. Fizeram bem.»

Adenda (de Pedro Santana Lopes que subscrevo na íntegra): «De tudo o que diz o idiota anónimo ["E será que a expressão «esta equipa marca uma ruptura, não de geração, mas na habituação a nomes demasiadamente óbvios e, muitas vezes, repetidos» se aplicará, com as devidas adaptações, ao próprio Santana Trapalhadas Lopes, enquanto vereador ausente da CML, permanente paineleiro televisivo, putativo fundador de um movimento porque se sente mal no PSD, suposto candidato a Belém?"], só vale a pena responder ao « Vereador ausente da CML». É absolutamente falso. Está em todas as reuniões. Em setenta reuniões, faltas duas e justificadas. Idiotas anónimos»

Nota: É revelador de um persistente espírito piranha, algures entre o mesquinho e o bronco, que praticamente ninguém tivesse comentado o post (e o que PSL escreveu) e que tivesse prevalecido o ad hominem mais primário, sempre ao lado. Que tristeza de gente.

Final (PSL): «Com jeito, os idiotas mostram logo de onde vêm... Pergunta um comentário o que disse a Vereação sobre o Mega- Piquenique, até porque «a bancada social - democrata da Ass. Municipal terá tomado posição!!!... Atitudes pequeninas que só li agora. Mas está enganado o idiota anónimo que está atento a esses comunicados... Basta ver o meu blogue,na sexta - feira passada, o site da Vereação - Lisboa com Sentido, - e as notícias sobre o comunicado da Vereação( entre várias:http://www.ionline.pt/conteudo/130897-vereadores-psd-criticam-corte-transito-na-avenida-da-liberdade).E agora chega de pequeninos. Obrigado, João Gonçalves. Um abraço grande. PSL

Idiotas anónimos e ignorantes.

NESTA HORA

Nesta hora limpa da verdade é preciso dizer a verdade toda
Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca o povo

Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade

Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida

O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe

A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados

Não basta gritar povo é preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar

Como quem parte do sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão

Para construir o canto do terrestre
- Sob o ausente olhar silente de atenção –

Para construir a festa do terrestre
Na nudez de alegria que nos veste

Sophia de Mello Breyner Andresen

NESTA HORA

Nesta hora limpa da verdade é preciso dizer a verdade toda
Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca o povo

Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade

Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida

O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe

A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados

Não basta gritar povo é preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar

Como quem parte do sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão

Para construir o canto do terrestre
- Sob o ausente olhar silente de atenção –

Para construir a festa do terrestre
Na nudez de alegria que nos veste

Sophia de Mello Breyner Andresen

UM INTELECTUAL ORGÂNICO

Pacheco Pereira é inequivocamente um espírito livre. E erudito, seja lá o que isso for. Ora até por aí, esta pequena prosa assenta-lhe mal. A menos que pretenda assumir uma espécie de não lugar de um novo tipo de "intelectual orgânico": aquele cujo qualificativo "orgânico" diz respeito ao próprio corpo, a si próprio, de ser único entre os seres únicos. Se não se cuida acaba a tropeçar nele de tanto dele ter pela frente, por trás e pelos lados. Pacheco rodeado de Pacheco como uma ilha por água deve ser coisa horrível de se contemplar. Não entre tão depressa nessa noite escura.

Adenda: Apenas três observações a um anónimo que afirma que eu não tenho "categoria" para falar de Pacheco. A primeira, e óbvia, não possuo uma "biografia" comparável e sempre considerei estimulante o seu pensamento mesmo quando não estou com ele. A segunda, que decorre da primeira, foi Pacheco quem apresentou o meu primeiro livro como única escolha. A terceira é que a junção da primeira com a segunda evidencia dois homens livres, livres sobretudo na crítica a começar pela mútua. Percebo que num país de lambedores profissionais isto custe a entrar. Paciência.

Adenda2: No artigo do Público de sábado, um dos "alvos" de Pacheco - porque o pano de fundo é sempre o mesmo, sejam quais forem os protagonistas, i.e., aquele famoso abraço dado a António Costa no Chiado aquando das autárquicas de 2009 deve ter tido um obscuro poder taumatúrgico - é António José Seguro, cito, uma «inexistência». Pacheco não nos trata por "tu" como António Barreto. É mais o "vocês, súcias". Ainda acaba a dizer, como a minha padeira, que "os políticos são todos iguais".

UM INTELECTUAL ORGÂNICO

Pacheco Pereira é inequivocamente um espírito livre. E erudito, seja lá o que isso for. Ora até por aí, esta pequena prosa assenta-lhe mal. A menos que pretenda assumir uma espécie de não lugar de um novo tipo de "intelectual orgânico": aquele cujo qualificativo "orgânico" diz respeito ao próprio corpo, a si próprio, de ser único entre os seres únicos. Se não se cuida acaba a tropeçar nele de tanto dele ter pela frente, por trás e pelos lados. Pacheco rodeado de Pacheco como uma ilha por água deve ser coisa horrível de se contemplar. Não entre tão depressa nessa noite escura.

Adenda: Apenas três observações a um anónimo que afirma que eu não tenho "categoria" para falar de Pacheco. A primeira, e óbvia, não possuo uma "biografia" comparável e sempre considerei estimulante o seu pensamento mesmo quando não estou com ele. A segunda, que decorre da primeira, foi Pacheco quem apresentou o meu primeiro livro como única escolha. A terceira é que a junção da primeira com a segunda evidencia dois homens livres, livres sobretudo na crítica a começar pela mútua. Percebo que num país de lambedores profissionais isto custe a entrar. Paciência.

Adenda2: No artigo do Público de sábado, um dos "alvos" de Pacheco - porque o pano de fundo é sempre o mesmo, sejam quais forem os protagonistas, i.e., aquele famoso abraço dado a António Costa no Chiado aquando das autárquicas de 2009 deve ter tido um obscuro poder taumatúrgico - é António José Seguro, cito, uma «inexistência». Pacheco não nos trata por "tu" como António Barreto. É mais o "vocês, súcias". Ainda acaba a dizer, como a minha padeira, que "os políticos são todos iguais".

17.6.11

SEGUIR EM FRENTE

Há menos de duas semanas louvei-me em Vitorino Nemésio para falar do resultado das eleições. Hoje digo o mesmo. O governo de Passos Coelho é coisa equilibrada, algo amplamente diverso de mediática, por muito que isso custe a algum barulho trivial. Não esquecer nunca ao que nos conduziu a esdrúxula e famosa "experiência" socrática. Todas as pastas são, evidentemente, políticas. E o combate será duro. Sigamos, pois, em frente. Sem fantasmas ou medos.

SEGUIR EM FRENTE

Há menos de duas semanas louvei-me em Vitorino Nemésio para falar do resultado das eleições. Hoje digo o mesmo. O governo de Passos Coelho é coisa equilibrada, algo amplamente diverso de mediática, por muito que isso custe a algum barulho trivial. Não esquecer nunca ao que nos conduziu a esdrúxula e famosa "experiência" socrática. Todas as pastas são, evidentemente, políticas. E o combate será duro. Sigamos, pois, em frente. Sem fantasmas ou medos.

O PICNICÃO DE COSTA


«Foi nisto que nos tornámos? Com grandes cortes de trânsito em dias de trabalho?
Como é que era? O "Zé faz falta"?

O PICNICÃO DE COSTA


«Foi nisto que nos tornámos? Com grandes cortes de trânsito em dias de trabalho?
Como é que era? O "Zé faz falta"?

A MESA OU A RAZÃO DE PASSOS COELHO


«A mesa de telejornal que a RTP1 andou a passear por Portugal Continental antes das eleições custou, segundo informação que recolhi, 10.000 euros. Tal preciosidade não poderia andar em bolandas, pelo que o transporte da mobília pelo país ficou por 30.000 euros e o passeio do Telejornal terá custado por grosso aos contribuintes uns 200.000 euros. Esta mesa é, pois, uma jóia da Coroa. Deveria passar ao património nacional e expor-se num lugar condigno onde todos a pudéssemos admirar, talvez sobre o tapete defronte do trono no Palácio da Ajuda. Durante semanas, o Telejornal andou pelo país a fazer de lá o que poderia ter feito sem despesa a partir das instalações da RTP em Lisboa ou no Porto. Houve directos diários que pouco ou nada acrescentaram, pois raramente um directo acrescenta uma boa reportagem. Mas é assim a “televisão em movimento”: movimenta-se. Com o preço a que estão o gasóleo e as mesas de telejornal, esta movimentação foi um luxo a que os privados não poderiam recorrer. Graças aos recursos públicos, o operador de serviço público pode sempre concorrer com os privados. Havendo já uma rádio de fados no éter e na Internet, de nome Rádio Amália, não é que a RDP teve agora a ideia genial de fazer uma rádio de fados na Internet? Começou esta semana.»

Eduardo Cintra Torres, Público

A MESA OU A RAZÃO DE PASSOS COELHO


«A mesa de telejornal que a RTP1 andou a passear por Portugal Continental antes das eleições custou, segundo informação que recolhi, 10.000 euros. Tal preciosidade não poderia andar em bolandas, pelo que o transporte da mobília pelo país ficou por 30.000 euros e o passeio do Telejornal terá custado por grosso aos contribuintes uns 200.000 euros. Esta mesa é, pois, uma jóia da Coroa. Deveria passar ao património nacional e expor-se num lugar condigno onde todos a pudéssemos admirar, talvez sobre o tapete defronte do trono no Palácio da Ajuda. Durante semanas, o Telejornal andou pelo país a fazer de lá o que poderia ter feito sem despesa a partir das instalações da RTP em Lisboa ou no Porto. Houve directos diários que pouco ou nada acrescentaram, pois raramente um directo acrescenta uma boa reportagem. Mas é assim a “televisão em movimento”: movimenta-se. Com o preço a que estão o gasóleo e as mesas de telejornal, esta movimentação foi um luxo a que os privados não poderiam recorrer. Graças aos recursos públicos, o operador de serviço público pode sempre concorrer com os privados. Havendo já uma rádio de fados no éter e na Internet, de nome Rádio Amália, não é que a RDP teve agora a ideia genial de fazer uma rádio de fados na Internet? Começou esta semana.»

Eduardo Cintra Torres, Público