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20.7.12

Da vida enquanto catástrofe


 


Um dia destes, um leitor chamou-me a atenção para o aniversário, hoje, da mulher de Céline, Lucette Destouches. Completa cem anos e ainda vive em Meudon. «Bien sûr je devrais être mort depuis longtemps, depuis 14. J'ai triché avec la mort. Lucette toute mignonne est venue me chercher. Je l'ai compris la première fois qu'elle est montée me voir rue Lepic. Lucette est venue pour m'emmener, cela c'est sûr, je l'ai vu tout de suite». Na dedicatória na Voyage, disse: «A Lucette, déjà si secrète au seuil de la vie.» Numa entrevista afirmou que Céline, no trabalho como na vida, via tudo como uma catástrofe. Nenhum dos dois se enganou.

4.11.11

REGRESSAR AO DR. DESTOUCHES


«Le monde ne dure que par l'ivresse généreuse de la santé, une des forces magnifiques de la jeunesse, qui compte aussi l'ingratitude et l'insolence. L'heure trop triste vient toujours oú le Bonheur, cette confiance absurde et superbe dans la vie, fait place à la vérité dans le coeur humain.»

1924

REGRESSAR AO DR. DESTOUCHES


«Le monde ne dure que par l'ivresse généreuse de la santé, une des forces magnifiques de la jeunesse, qui compte aussi l'ingratitude et l'insolence. L'heure trop triste vient toujours oú le Bonheur, cette confiance absurde et superbe dans la vie, fait place à la vérité dans le coeur humain.»

1924

27.5.11

EM TEMPOS DE CALIBAN



Céline, nascido a 27.5.1894, em entrevista. Persistentemente contemporâneo que é coisa distinta de moderno.

EM TEMPOS DE CALIBAN



Céline, nascido a 27.5.1894, em entrevista. Persistentemente contemporâneo que é coisa distinta de moderno.

6.4.11

«A PRIMAVERA SOU EU»


Os meus simpáticos leitores estão de tal maneira viciados na porcaria pública (na"demolatrina") que - registo a coisa com mágoa - são incapazes de apreciar este post que não mereceu um comentário. Pelo contrário, basta atentar no chorrilho de comentários neste outro post, por exemplo, para perceber por que é que as viagens da Páscoa estão praticamente esgotadas e por que é que a gasolina A alternativa é conduzir a "conversa" invariavelmente para "Sócrates", "Passos Coelho", "Cavaco", "banqueiros" que até esta semana (e contra Ferreira Leite em 2009) davam o cu e oito tostões para financiar as megalomanias de Sócrates sem aspas, "auditorias" que não servem para nada, "Bagão Félix" (o sem aspas não consta que se ou a ténia "Almeida Santos" e a sub-ténia "Carlos César", etc., etc., como se o mundo fosse este aborrecido e repetitivo linguare privativo do regime. Não é. Felizmente há mais coisas por aí. O segredo está em seguir a recomendação de Céline (vai aparecer muito aqui por causa do cinquentenário). «A primavera sou eu.»

«A PRIMAVERA SOU EU»


Os meus simpáticos leitores estão de tal maneira viciados na porcaria pública (na"demolatrina") que - registo a coisa com mágoa - são incapazes de apreciar este post que não mereceu um comentário. Pelo contrário, basta atentar no chorrilho de comentários neste outro post, por exemplo, para perceber por que é que as viagens da Páscoa estão praticamente esgotadas e por que é que a gasolina A alternativa é conduzir a "conversa" invariavelmente para "Sócrates", "Passos Coelho", "Cavaco", "banqueiros" que até esta semana (e contra Ferreira Leite em 2009) davam o cu e oito tostões para financiar as megalomanias de Sócrates sem aspas, "auditorias" que não servem para nada, "Bagão Félix" (o sem aspas não consta que se ou a ténia "Almeida Santos" e a sub-ténia "Carlos César", etc., etc., como se o mundo fosse este aborrecido e repetitivo linguare privativo do regime. Não é. Felizmente há mais coisas por aí. O segredo está em seguir a recomendação de Céline (vai aparecer muito aqui por causa do cinquentenário). «A primavera sou eu.»

2.4.11

O PRESIDENTE E OS FANTASMAS


Dever, deve. Mas o Presidente da República decerto não ignora que o FMI também integra o dito Fundo Europeu de Estabilização Financeira. E que muitas das "medidas" já em vigor, da saga "PEC", são "medidas FMI". A farsa do "entra o FMI ou não entra" vai marcar a campanha. Cavaco devia resguardar-se (e os seus apoiantes resgardá-lo) para a segunda fase da próxima legislatura, uma fase que começará quando acabar a que tem início a 5 de Junho. A palavra a Medeiros Ferreira. "As sondagens apontam para resultados tépidos, sem grande diferença entre os dois maiores concorrentes, o que não deve facilitar a formação de um governo à altura das circunstâncias (...) Coloca-se a questão da própria governabilidade do País nesta crise, a maior ocorrida no regime democrático, como bem acentuou o PR. Prevejo uma futura legislatura dividida em duas fases governamentais: a primeira, ainda de lógica partidária, com o partido mais votado a formar o Executivo; a segunda, de cariz mais nacional, com apelos à convergência de todos para tirar Portugal da aflição em que se encontra." «Vão navios cheios de fantasmas», Senhor Presidente. Deixe-os ir.

O PRESIDENTE E OS FANTASMAS


Dever, deve. Mas o Presidente da República decerto não ignora que o FMI também integra o dito Fundo Europeu de Estabilização Financeira. E que muitas das "medidas" já em vigor, da saga "PEC", são "medidas FMI". A farsa do "entra o FMI ou não entra" vai marcar a campanha. Cavaco devia resguardar-se (e os seus apoiantes resgardá-lo) para a segunda fase da próxima legislatura, uma fase que começará quando acabar a que tem início a 5 de Junho. A palavra a Medeiros Ferreira. "As sondagens apontam para resultados tépidos, sem grande diferença entre os dois maiores concorrentes, o que não deve facilitar a formação de um governo à altura das circunstâncias (...) Coloca-se a questão da própria governabilidade do País nesta crise, a maior ocorrida no regime democrático, como bem acentuou o PR. Prevejo uma futura legislatura dividida em duas fases governamentais: a primeira, ainda de lógica partidária, com o partido mais votado a formar o Executivo; a segunda, de cariz mais nacional, com apelos à convergência de todos para tirar Portugal da aflição em que se encontra." «Vão navios cheios de fantasmas», Senhor Presidente. Deixe-os ir.

22.1.11

OS FANTASMAS


Lá como cá, a cultura está na mão de pusilânimes. E de meia dúzia de tipos que não conseguem libertar-se de fantasmas.

OS FANTASMAS


Lá como cá, a cultura está na mão de pusilânimes. E de meia dúzia de tipos que não conseguem libertar-se de fantasmas.

21.11.10

OUVIDO NA RÁDIO


Ontem, na rádio, passava um programa com Maria José Mauperrin como entrevistada. Ela e Aníbal Cabrita geriram, há anos, o Café Concerto na antena1. O Café Concerto costumava convidar alguém durante a semana e, no último programa, esse alguém respondia aos ouvintes, pareceu-me. Pude recordar, ao vivo e a cigarros (ainda se era livre de fumar), Cardoso Pires e Vergílio Ferreira. E Maria José contou uma história. Um outro convidado, Jorge Listopad, numa altura em que vivia nos arredores de Paris, um dia precisou com urgência de um médico para as suas duas filhas pequeninas. Disseram-lhe que havia ali perto um a cuja porta Listopad bateu. Ouviu um arrastar de passos e um homem abriu-lhe a porta. Listopad perguntou-lhe se era médico. O interlocutor confirmou. Listopad descreveu sumariamente o estado crítico das meninas e pediu ao médico que o acompanhasse para as ver. O médico recusou com sólido argumento irrespondível - não podia deixar o cão sozinho em casa. Era o dr. Louis-Ferdinand Destouches. Mais conhecido por Céline.

Adenda: Não sei se o Pedro Rolo Duarte e o João Gobern, que seguiam no alinhamento com o seu Hotel Babilónia, ouviram isto. Se não ouviram, deviam ter ouvido para aprender como é que se faz. Imagino que ainda haja por aí um ou dois vivos que valham a pena sem se cair na tentação enfadonha da mesmice autocomplacente. (E, sim, já sei que já estive com muito prazer no Hotel Babilónia).

OUVIDO NA RÁDIO


Ontem, na rádio, passava um programa com Maria José Mauperrin como entrevistada. Ela e Aníbal Cabrita geriram, há anos, o Café Concerto na antena1. O Café Concerto costumava convidar alguém durante a semana e, no último programa, esse alguém respondia aos ouvintes, pareceu-me. Pude recordar, ao vivo e a cigarros (ainda se era livre de fumar), Cardoso Pires e Vergílio Ferreira. E Maria José contou uma história. Um outro convidado, Jorge Listopad, numa altura em que vivia nos arredores de Paris, um dia precisou com urgência de um médico para as suas duas filhas pequeninas. Disseram-lhe que havia ali perto um a cuja porta Listopad bateu. Ouviu um arrastar de passos e um homem abriu-lhe a porta. Listopad perguntou-lhe se era médico. O interlocutor confirmou. Listopad descreveu sumariamente o estado crítico das meninas e pediu ao médico que o acompanhasse para as ver. O médico recusou com sólido argumento irrespondível - não podia deixar o cão sozinho em casa. Era o dr. Louis-Ferdinand Destouches. Mais conhecido por Céline.

Adenda: Não sei se o Pedro Rolo Duarte e o João Gobern, que seguiam no alinhamento com o seu Hotel Babilónia, ouviram isto. Se não ouviram, deviam ter ouvido para aprender como é que se faz. Imagino que ainda haja por aí um ou dois vivos que valham a pena sem se cair na tentação enfadonha da mesmice autocomplacente. (E, sim, já sei que já estive com muito prazer no Hotel Babilónia).

6.8.10

«DESCONFIO DE FANTASMAS»


A estupidez - estou a ser brando: melhor, a bronquice típica dos serventuários alguns de papel passado de "intelectuais" ténias ou de ténias "intelectuais" - revelada nas citações deste post persiste em "sinalizar" os tempos domésticos. Enquanto houver desta repelência por aí, não se pode limpar armas. Porque só de os ver, ler ou ouvir apetece puxar de uma ou duas não vá a a primeira falhar. «Vão navios cheios de fantasmas... Desconfio de fantasmas.... andam por todo o lado... Já não posso viajar... é perigoso de mais... Quero ficar aqui para ver... ver tudo... Quero passar a fantasma aqui, no meu buraco... na minha toca... E fazer a todos!... Hu! Ru!... Que até vão morrer de medo... No tempo em que fui vivo, o que eles me chatearam... Mas há-de chegar a minha vez...»

«DESCONFIO DE FANTASMAS»


A estupidez - estou a ser brando: melhor, a bronquice típica dos serventuários alguns de papel passado de "intelectuais" ténias ou de ténias "intelectuais" - revelada nas citações deste post persiste em "sinalizar" os tempos domésticos. Enquanto houver desta repelência por aí, não se pode limpar armas. Porque só de os ver, ler ou ouvir apetece puxar de uma ou duas não vá a a primeira falhar. «Vão navios cheios de fantasmas... Desconfio de fantasmas.... andam por todo o lado... Já não posso viajar... é perigoso de mais... Quero ficar aqui para ver... ver tudo... Quero passar a fantasma aqui, no meu buraco... na minha toca... E fazer a todos!... Hu! Ru!... Que até vão morrer de medo... No tempo em que fui vivo, o que eles me chatearam... Mas há-de chegar a minha vez...»

29.7.10

GRANDES ENTREVISTAS






Agora que está na moda apresentar "grandes entrevistas" diárias com a pequenina gente caseira - e quase sempre a mesma gente basbaque, por sinal - atente-se na sagacidade irónica deste extraordinário escritor. Para quem confunde escritores com palermas que se imaginam escritores, a altíssima exigência intelectual de Céline não serve. É, tipicamente, outra coisa.

GRANDES ENTREVISTAS






Agora que está na moda apresentar "grandes entrevistas" diárias com a pequenina gente caseira - e quase sempre a mesma gente basbaque, por sinal - atente-se na sagacidade irónica deste extraordinário escritor. Para quem confunde escritores com palermas que se imaginam escritores, a altíssima exigência intelectual de Céline não serve. É, tipicamente, outra coisa.

16.10.09

PANFLETOS

Um leitor "insurge-se" contra a eventual associação de Céline e do panfleto da imagem a uma personalidade pública nacional. Vê-se mesmo que não me conhece. Jamais cometeria tamanha injustiça a Céline. E é mesmo isso. Vão navios cheios de fantasmas. É do panfleto. É a realidade.