30.6.08

DO DESPEITO


O sr. Pinto da Costa foi ilibado por um tribunal de instrução criminal num "caso" edificantemente conhecido por "da fruta". O Ministério Público da dra. Maria José Morgado quer recorrer. E porquê? No fundamental, porque a "equipa" da dra. Morgado acreditou num livro que até o PGR confessou que tinha "mandado ler". Quando isto começou, escrevi aqui que "usar o ressentimento e um desastre da vida pessoal como canais privilegiados de uma investigação, é, no mínimo, desagradável." Repito (e detesto a bola) : só num país pindérico como o nosso é que é possível constituir uma trama judicial em torno do despeito.

DO DESPEITO


O sr. Pinto da Costa foi ilibado por um tribunal de instrução criminal num "caso" edificantemente conhecido por "da fruta". O Ministério Público da dra. Maria José Morgado quer recorrer. E porquê? No fundamental, porque a "equipa" da dra. Morgado acreditou num livro que até o PGR confessou que tinha "mandado ler". Quando isto começou, escrevi aqui que "usar o ressentimento e um desastre da vida pessoal como canais privilegiados de uma investigação, é, no mínimo, desagradável." Repito (e detesto a bola) : só num país pindérico como o nosso é que é possível constituir uma trama judicial em torno do despeito.

A SÍNDROME DO DEDINHO APONTADO

Não me parece que Cavaco Silva tivesse comprometido a independência entre o Estado e a Igreja por, após uma audiência com o Papa Ratzinger, ter-se declarado católico praticante. Anteriores chefes da Igreja católica receberam presidentes da República portuguesa que sempre exibiram, com imensa alegria, a sua condição de socialistas, laicos e republicanos sendo certo que nem o país nem o Papa se mostraram incomodados com essa exibição, nem Portugal se tornou mais vaidoso e próspero por os saber agnósticos ou do Sporting. Não vale a pena estender o manto diáfano do jacobinismo ao laicismo do Estado e, muito menos, cobrir o presidente com as suas vetustas vestes inquisitoriais e moralistas, limitando-lhe o direito a proclamar o que sempre foi sem quaisquer outras intenções.

A SÍNDROME DO DEDINHO APONTADO

Não me parece que Cavaco Silva tivesse comprometido a independência entre o Estado e a Igreja por, após uma audiência com o Papa Ratzinger, ter-se declarado católico praticante. Anteriores chefes da Igreja católica receberam presidentes da República portuguesa que sempre exibiram, com imensa alegria, a sua condição de socialistas, laicos e republicanos sendo certo que nem o país nem o Papa se mostraram incomodados com essa exibição, nem Portugal se tornou mais vaidoso e próspero por os saber agnósticos ou do Sporting. Não vale a pena estender o manto diáfano do jacobinismo ao laicismo do Estado e, muito menos, cobrir o presidente com as suas vetustas vestes inquisitoriais e moralistas, limitando-lhe o direito a proclamar o que sempre foi sem quaisquer outras intenções.

GABRIELE D' ANNUNZIO



Por causa do sol, vítima da "inconveniência" humana, só chego à praia depois das seis da tarde para tomar banho até às oito. Às nove da noite de sábado, o dito sol ainda marcava a linha do horizonte envolta em neblina num areal finalmente deserto. Pierre Assouline dá notícia de uma edição bilingue (francês e italiano) de poesia de Gabriele d' Annunzio, Poemas de Amor e de Glória. D' Annunzio? «Héroïque mais aussi mégalomane, mondain, fanfaron, excentrique, scandaleux et nationaliste tenu pour pré-fasciste ; mais même ceux qui l’avaient réduit à son dandysme durent reconnaître qu’il était plus proche de Byron que de Wilde, bien qu’il se soit acharné à faire de sa vie une oeuvre d’art.» Foi isso que d' Annunzio prodigalizou: soube fazer da sua vida uma obra de arte. Certamente um belo livro para ler nesses breves instantes vistos a partir de um areal deserto e que precedem a noite e a solidão.

«Comme scorrea la calda sabbia lieve/ per entro il cavo della mano in ozio,/ il cor senti che il giorno era piu breve./ E un’ansia repentina il cor m’assalse/ per l’appressar dell’umido equinozio/ che offusca l’oro delle piagge salse./ Alla sabbia del Tempo urna la mano/ era, clessidra il cor mio palpitante,/ l’ombra crescente di ogni stelo vano/ quasi ombra d’ago in tacito quadrante».

(La Sabbia del Tempo)

GABRIELE D' ANNUNZIO



Por causa do sol, vítima da "inconveniência" humana, só chego à praia depois das seis da tarde para tomar banho até às oito. Às nove da noite de sábado, o dito sol ainda marcava a linha do horizonte envolta em neblina num areal finalmente deserto. Pierre Assouline dá notícia de uma edição bilingue (francês e italiano) de poesia de Gabriele d' Annunzio, Poemas de Amor e de Glória. D' Annunzio? «Héroïque mais aussi mégalomane, mondain, fanfaron, excentrique, scandaleux et nationaliste tenu pour pré-fasciste ; mais même ceux qui l’avaient réduit à son dandysme durent reconnaître qu’il était plus proche de Byron que de Wilde, bien qu’il se soit acharné à faire de sa vie une oeuvre d’art.» Foi isso que d' Annunzio prodigalizou: soube fazer da sua vida uma obra de arte. Certamente um belo livro para ler nesses breves instantes vistos a partir de um areal deserto e que precedem a noite e a solidão.

«Comme scorrea la calda sabbia lieve/ per entro il cavo della mano in ozio,/ il cor senti che il giorno era piu breve./ E un’ansia repentina il cor m’assalse/ per l’appressar dell’umido equinozio/ che offusca l’oro delle piagge salse./ Alla sabbia del Tempo urna la mano/ era, clessidra il cor mio palpitante,/ l’ombra crescente di ogni stelo vano/ quasi ombra d’ago in tacito quadrante».

(La Sabbia del Tempo)

29.6.08

SÓCRATES FOI-SE EMBORA SEM TER OUVIDO OS TIROS


Alguém disparou para cima de um pavilhão no Algarve onde Sócrates perorou meia hora antes para os seus camaradas do PS de Portimão. A jantarada continuou, imperturbável, sem dar pelos "impactos". Ao Tomás Vasques - cujo talento para ficcionista posso testemunhar através do seu "O General de todas as Estrelas foi-se Embora sem Ter Bebido um Trago de Havana Club", das Edições ASA - deu-lhe para a "teoria da conspiração" ou, para emprestar algum "realismo" à coisa, para o "terrorismo". Se alguém quisesse atacar o primeiro-ministro dificilmente se ia por a dar tiros para o telhado de um pavilhão meia hora depois da "vítima" ter saído. Há demasiado armamento espalhado pelas mãos erradas e que a "autoridade", que Sócrates representa, não consegue "recolher". Esta é a questão fundamental. O resto é com a investigação criminal e não com a ficção política.

SÓCRATES FOI-SE EMBORA SEM TER OUVIDO OS TIROS


Alguém disparou para cima de um pavilhão no Algarve onde Sócrates perorou meia hora antes para os seus camaradas do PS de Portimão. A jantarada continuou, imperturbável, sem dar pelos "impactos". Ao Tomás Vasques - cujo talento para ficcionista posso testemunhar através do seu "O General de todas as Estrelas foi-se Embora sem Ter Bebido um Trago de Havana Club", das Edições ASA - deu-lhe para a "teoria da conspiração" ou, para emprestar algum "realismo" à coisa, para o "terrorismo". Se alguém quisesse atacar o primeiro-ministro dificilmente se ia por a dar tiros para o telhado de um pavilhão meia hora depois da "vítima" ter saído. Há demasiado armamento espalhado pelas mãos erradas e que a "autoridade", que Sócrates representa, não consegue "recolher". Esta é a questão fundamental. O resto é com a investigação criminal e não com a ficção política.

DA DIGNIDADE

«Nelson Mandela tresanda a respeitabilidade e possui aqueles traços de fineza aristocrática, segurança e equilibrio que só os homens superiores conseguem preservar. »

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

DA DIGNIDADE

«Nelson Mandela tresanda a respeitabilidade e possui aqueles traços de fineza aristocrática, segurança e equilibrio que só os homens superiores conseguem preservar. »

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

OS NEOCON


Segundo o Público, «a organização da marcha [gay pride "à portuguesa" que costuma juntar umas centenas de "activistas" e de compagnons de route "correctos" em concorrência com os "arraiais populares"] não se fez sem alguma controvérsia. A adesão ao desfile do recente grupo Poliamor - que defende o direito a formas diversificadas de relacionamento, incluindo as não monogâmicas, desde que assentes no respeito e na sinceridade - não foi bem acolhida por todos, revelando algum conservadorismo de um movimento que combate a discriminação.» Quem diria. Esta maricagem associativa mistura pseudo-intelectuais "chiques" com o "Lumpen" dos subúrbios. Ao pretender institucionalizar, impor e "folclorizar" relações que não possuem a menor relevância social ou cósmica, como são as que ocorrem entre "samesexers" ou outras quaisquer, emerge apenas como uma ridícula caricatura. E é, afinal, um produto neocon. Con de parvos, naturalmente.

OS NEOCON


Segundo o Público, «a organização da marcha [gay pride "à portuguesa" que costuma juntar umas centenas de "activistas" e de compagnons de route "correctos" em concorrência com os "arraiais populares"] não se fez sem alguma controvérsia. A adesão ao desfile do recente grupo Poliamor - que defende o direito a formas diversificadas de relacionamento, incluindo as não monogâmicas, desde que assentes no respeito e na sinceridade - não foi bem acolhida por todos, revelando algum conservadorismo de um movimento que combate a discriminação.» Quem diria. Esta maricagem associativa mistura pseudo-intelectuais "chiques" com o "Lumpen" dos subúrbios. Ao pretender institucionalizar, impor e "folclorizar" relações que não possuem a menor relevância social ou cósmica, como são as que ocorrem entre "samesexers" ou outras quaisquer, emerge apenas como uma ridícula caricatura. E é, afinal, um produto neocon. Con de parvos, naturalmente.

UMA HUMANIDADE CADA VEZ MAIS UNIDIMENSIONAL


«O desporto condiciona hoje em todo o planeta o imaginário dos povos, impondo-lhes um conjunto uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como diz um dos mais finos intérpretes deste fenómeno, Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: consumo desenfreado, fetichismo das marcas, pressão publicitária, culto dos ídolos, submissão aos média, sloganização da linguagem, histerização das multidões, fanatismo da performance. E aqui, nesta convergência, começa mesmo talvez uma nova era, em que o desporto se torna no catalizador de uma humanidade cada vez mais unidimensional – a do homo sportivus

UMA HUMANIDADE CADA VEZ MAIS UNIDIMENSIONAL


«O desporto condiciona hoje em todo o planeta o imaginário dos povos, impondo-lhes um conjunto uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como diz um dos mais finos intérpretes deste fenómeno, Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: consumo desenfreado, fetichismo das marcas, pressão publicitária, culto dos ídolos, submissão aos média, sloganização da linguagem, histerização das multidões, fanatismo da performance. E aqui, nesta convergência, começa mesmo talvez uma nova era, em que o desporto se torna no catalizador de uma humanidade cada vez mais unidimensional – a do homo sportivus

OS MENINOS DE OURO


A jornalista da Antena 1, Eduarda Maio, escreveu a "biografia autorizada" do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, intitulada Sócrates, o Menino de Ouro do PS (Esfera dos Livros). Quem consegue arrancar uma "biografia" a este homem sem qualidades de maior - ou seja, Sócrates é apenas mais um dirigente mediano na política do século XXI cheia de dirigentes medianos espalhados por todo o mundo -, merece, só por isso, aplauso. Se me der na telha - e se alguém me oferecer - lerei o livro com a maior atenção e darei aqui conta dele. Para já, apenas registo que a obra já propiciou um "momento centrão" a seguir com interesse. Apresentam a obra os drs. Vitorino, do PS, e Dias Loureiro, do PSD. Este último, para variar, não apareceu no congresso do partido nem foi visto ou ouvido a apoiar alguém. Politicamente é uma eminência cinzenta que Cavaco colocou no Conselho de Estado. De resto, é um puro homem de negócios. Amigo íntimo de Jorge Coelho - outro ex-membro do CE e outro grande homem de negócios -, Loureiro de certeza que não participa nesta "charla" por gostar de ler. Num momento de afirmação de uma liderança "nova" no seu partido, Dias Loureiro estaria a tomar por parvos aqueles que vissem nesta apresentação conjunta um gesto inocente. Como aqui tem sido repetido à exaustão, o regime tem manhas que a razão desconhece. Apresentar uma biografia de Sócrates não é um acto de cultura. É uma atitude política reveladora. De quê? De que o regime sobrevive fora do púlpito dos congressos e dos jantares com entusiasmos partidários ensaiados. À falta de uma elite digna desse nome, existem homenzinhos que, ao longo deste trinta e tal anos, foram tratando da vida dos partidos a que aderiram e, por essa via, tratando da vida deles. O que Vitorino e Loureiro celebram em conjunto (menos do que Sócrates, naturalmente, que a prazo deixará de contar) é essa cumplicidade "regimental" que os une. Muito depois de Sócrates ou Ferreira Leite desaparecerem de cena, eles continuarão por aí, com estes ou outros nomes. Porque são eles os verdadeiros meninos de ouro do regime. Ao pé deles, Sócrates é um mero menino de coro.

OS MENINOS DE OURO


A jornalista da Antena 1, Eduarda Maio, escreveu a "biografia autorizada" do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, intitulada Sócrates, o Menino de Ouro do PS (Esfera dos Livros). Quem consegue arrancar uma "biografia" a este homem sem qualidades de maior - ou seja, Sócrates é apenas mais um dirigente mediano na política do século XXI cheia de dirigentes medianos espalhados por todo o mundo -, merece, só por isso, aplauso. Se me der na telha - e se alguém me oferecer - lerei o livro com a maior atenção e darei aqui conta dele. Para já, apenas registo que a obra já propiciou um "momento centrão" a seguir com interesse. Apresentam a obra os drs. Vitorino, do PS, e Dias Loureiro, do PSD. Este último, para variar, não apareceu no congresso do partido nem foi visto ou ouvido a apoiar alguém. Politicamente é uma eminência cinzenta que Cavaco colocou no Conselho de Estado. De resto, é um puro homem de negócios. Amigo íntimo de Jorge Coelho - outro ex-membro do CE e outro grande homem de negócios -, Loureiro de certeza que não participa nesta "charla" por gostar de ler. Num momento de afirmação de uma liderança "nova" no seu partido, Dias Loureiro estaria a tomar por parvos aqueles que vissem nesta apresentação conjunta um gesto inocente. Como aqui tem sido repetido à exaustão, o regime tem manhas que a razão desconhece. Apresentar uma biografia de Sócrates não é um acto de cultura. É uma atitude política reveladora. De quê? De que o regime sobrevive fora do púlpito dos congressos e dos jantares com entusiasmos partidários ensaiados. À falta de uma elite digna desse nome, existem homenzinhos que, ao longo deste trinta e tal anos, foram tratando da vida dos partidos a que aderiram e, por essa via, tratando da vida deles. O que Vitorino e Loureiro celebram em conjunto (menos do que Sócrates, naturalmente, que a prazo deixará de contar) é essa cumplicidade "regimental" que os une. Muito depois de Sócrates ou Ferreira Leite desaparecerem de cena, eles continuarão por aí, com estes ou outros nomes. Porque são eles os verdadeiros meninos de ouro do regime. Ao pé deles, Sócrates é um mero menino de coro.

28.6.08

O MATA-MATA

Se bem me lembro, e certamente por mera coincidência, Vale e Azevedo só foi demandado pela PJ, à saida de um restaurante, quando já não era presidente do Benfica. Enquanto dirigiu o sublime clube desportivo - há quem lhe chame mesmo uma "nação" - Vale nunca foi incomodado. Scolari, que até há quinze dias atrás era um herói nacional, estava, afinal, a ser investigado por alegada prática de crime fiscal. Todavia, só agora foi divulgado. Em Portugal, o "mata-mata" já fazia escola antes do brasileiro malcriado aterrar na Portela. É para que veja.

O MATA-MATA

Se bem me lembro, e certamente por mera coincidência, Vale e Azevedo só foi demandado pela PJ, à saida de um restaurante, quando já não era presidente do Benfica. Enquanto dirigiu o sublime clube desportivo - há quem lhe chame mesmo uma "nação" - Vale nunca foi incomodado. Scolari, que até há quinze dias atrás era um herói nacional, estava, afinal, a ser investigado por alegada prática de crime fiscal. Todavia, só agora foi divulgado. Em Portugal, o "mata-mata" já fazia escola antes do brasileiro malcriado aterrar na Portela. É para que veja.

JESSYE NORMAN




Fora de horas - é uma da manhã - a RTP2 passa um documentário com a cantora Jessye Norman. A entrevista, em inglês e em alemão, é absolutamente notável. No vídeo, Norman canta o Liebestod de Tristan und Isolde, de Wagner, no Festival de Salzburgo de 1987, com a Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan.

JESSYE NORMAN




Fora de horas - é uma da manhã - a RTP2 passa um documentário com a cantora Jessye Norman. A entrevista, em inglês e em alemão, é absolutamente notável. No vídeo, Norman canta o Liebestod de Tristan und Isolde, de Wagner, no Festival de Salzburgo de 1987, com a Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan.

27.6.08

A AMAZONA


O ser na fotografia, que ainda recentemente viu renovada a sua comissão de serviço, produziu a seguinte pérola a propósito dos chamados "exames nacionais" do secundário, esses extraordinários testemunhos do nosso "progresso tecnológico": «Os alunos têm direito a ter sucesso.Talvez fosse útil excluir dos correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações distantes da média. O que louva o trabalho do professor é o sucesso dos alunos.» Jdanov não diria melhor. Por que é que as feministas não convidaram este homem para o seu congresso para ela lhes mostrar como se faz? Uso homem e ela indistintamente porque o ser lembra-me o poema do Cesariny:

«A MULHER, QUE É UM HOMEM, SOUBE SEMPRE GUARDAR AS DISTÂNCIAS E NUNCA PRETENDEU SUBSTITUIR-SE À VIDA SISTEMATIZANDO PUERILIDADES, COMO FILOSOFIA, AVIAÇÃO, CIÊNCIA, MÚSICA (SINFÓNICA), GUERRAS, ETC, ALGUNS PEDANTES QUE SE TOMAM POR LIBERTADORES DIZEM-NA "ESCRAVA DO HOMEM" E ELA RI ÀS ESCÂNCARAS, COM A SUA CONA, QUE É UM HOMEM. DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS, ANTES DA ROBOTSTÂNICA GREGA, OS ÚNICOS HOMENS-HOMENS QUE APARECERAM FORAM OS HOMENS-MEDICINA, OS HOMENS-XAMAS (HOMOSSEXUAIS ARQUIMULHERES). ESSES E AS AMAZONAS (SUPER-MULHERES-HOMENS). MAS UNS E OUTRAS ERAM DEMAIS. E DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS QUE PENÉLOPE ESPERA O REGRESSO DE ULISSES. MAS O REGRESSO DE ULISSES É O HOMEM QUE É UMA MULHER E A MULHER QUE É UMA MULHER QUE É UM HOMEM.»

A AMAZONA


O ser na fotografia, que ainda recentemente viu renovada a sua comissão de serviço, produziu a seguinte pérola a propósito dos chamados "exames nacionais" do secundário, esses extraordinários testemunhos do nosso "progresso tecnológico": «Os alunos têm direito a ter sucesso.Talvez fosse útil excluir dos correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações distantes da média. O que louva o trabalho do professor é o sucesso dos alunos.» Jdanov não diria melhor. Por que é que as feministas não convidaram este homem para o seu congresso para ela lhes mostrar como se faz? Uso homem e ela indistintamente porque o ser lembra-me o poema do Cesariny:

«A MULHER, QUE É UM HOMEM, SOUBE SEMPRE GUARDAR AS DISTÂNCIAS E NUNCA PRETENDEU SUBSTITUIR-SE À VIDA SISTEMATIZANDO PUERILIDADES, COMO FILOSOFIA, AVIAÇÃO, CIÊNCIA, MÚSICA (SINFÓNICA), GUERRAS, ETC, ALGUNS PEDANTES QUE SE TOMAM POR LIBERTADORES DIZEM-NA "ESCRAVA DO HOMEM" E ELA RI ÀS ESCÂNCARAS, COM A SUA CONA, QUE É UM HOMEM. DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS, ANTES DA ROBOTSTÂNICA GREGA, OS ÚNICOS HOMENS-HOMENS QUE APARECERAM FORAM OS HOMENS-MEDICINA, OS HOMENS-XAMAS (HOMOSSEXUAIS ARQUIMULHERES). ESSES E AS AMAZONAS (SUPER-MULHERES-HOMENS). MAS UNS E OUTRAS ERAM DEMAIS. E DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS QUE PENÉLOPE ESPERA O REGRESSO DE ULISSES. MAS O REGRESSO DE ULISSES É O HOMEM QUE É UMA MULHER E A MULHER QUE É UMA MULHER QUE É UM HOMEM.»

DO OUVIDO


Ouço Karajan a dirigir a Carmen. E ocorre-me que nunca gostei de jazz. É aquele género de música que serve apenas para inalar mas que não dá para engolir.

DO OUVIDO


Ouço Karajan a dirigir a Carmen. E ocorre-me que nunca gostei de jazz. É aquele género de música que serve apenas para inalar mas que não dá para engolir.

SÓ ELE


Sócrates não desautorizou aquele alto funcionário de Bruxelas que ocupa o cargo de ministro da agricultura. Não. Sócrates, ao anunciar que vai reunir-se com a CAP e "liderar" as negociações com o que resta da agricultura em Portugal, apenas está a "ajudar" o referido funcionário. Não é a primeira vez - nem será a última - que o primeiro-ministro "chama a si" os dossiês que alguns membros do governo embrulham ou agravam. Por exemplo, na cultura, com Pires de Lima, Sócrates fez a vez da ministra e "secou-lhe" o mandato com Berardo e a Casa da Música. De tal forma que o sucessor, o brilhante Pinto Ribeiro, ficou a gerir uma casa-fantasma onde não se passa nada. Com Mário Lino, e embora não dispense a sua presença, é a mesma coisa. Há sempre uma "adenda" de Sócrates às investidas contraditórias do ministro. Por isso, uma dia destes, reparei nas prestigiadas olheiras do pretty boy. E nas rugas. Sim, nas rugas. Sócrates finalmente atingiu aquele patamar que sugere "credibilidade": olheiras cavadas e rugas. Porque, cada vez mais, o governo é ele e ele é o governo. Só ele.

SÓ ELE


Sócrates não desautorizou aquele alto funcionário de Bruxelas que ocupa o cargo de ministro da agricultura. Não. Sócrates, ao anunciar que vai reunir-se com a CAP e "liderar" as negociações com o que resta da agricultura em Portugal, apenas está a "ajudar" o referido funcionário. Não é a primeira vez - nem será a última - que o primeiro-ministro "chama a si" os dossiês que alguns membros do governo embrulham ou agravam. Por exemplo, na cultura, com Pires de Lima, Sócrates fez a vez da ministra e "secou-lhe" o mandato com Berardo e a Casa da Música. De tal forma que o sucessor, o brilhante Pinto Ribeiro, ficou a gerir uma casa-fantasma onde não se passa nada. Com Mário Lino, e embora não dispense a sua presença, é a mesma coisa. Há sempre uma "adenda" de Sócrates às investidas contraditórias do ministro. Por isso, uma dia destes, reparei nas prestigiadas olheiras do pretty boy. E nas rugas. Sim, nas rugas. Sócrates finalmente atingiu aquele patamar que sugere "credibilidade": olheiras cavadas e rugas. Porque, cada vez mais, o governo é ele e ele é o governo. Só ele.

26.6.08

RANGEL


Paulo Rangel é o novo chefe do PSD na AR. Fora o dr. Feyo, do CDS, as restantes "lideranças parlamentares" são todas de fugir. Por exemplo, não se percebe por que é que o partido maioritário mantém Alberto Martins - pomposo, irrelevante e subserviente ao governo - em vez de optar por uma criatura mais "solta". Não sou adepto do nosso "sistema" dito semi-parlamentar porque, de uma maneira geral, os habitantes da "casa da democracia" não me merecem grande respeito nem me inspiram a menor confiança. Tal como o "sistema" está concebido, o deputado é, na realidade, um anónimo. Por mais afastado que esteja da "nação", como está, o deputado representa-a em abstracto e nunca o lugarejo por que foi eleito. Os "cabeças de lista" deslizam irresponsavelmente pelos distritos consoante os interesses da seita que lá os deposita quinze dias antes do voto. Não sei de onde brotou Rangel nem me interessa. Sei, todavia, que é adequado para o efeito. E isso é uma raridade que o PSD fez bem em não desperdiçar.

RANGEL


Paulo Rangel é o novo chefe do PSD na AR. Fora o dr. Feyo, do CDS, as restantes "lideranças parlamentares" são todas de fugir. Por exemplo, não se percebe por que é que o partido maioritário mantém Alberto Martins - pomposo, irrelevante e subserviente ao governo - em vez de optar por uma criatura mais "solta". Não sou adepto do nosso "sistema" dito semi-parlamentar porque, de uma maneira geral, os habitantes da "casa da democracia" não me merecem grande respeito nem me inspiram a menor confiança. Tal como o "sistema" está concebido, o deputado é, na realidade, um anónimo. Por mais afastado que esteja da "nação", como está, o deputado representa-a em abstracto e nunca o lugarejo por que foi eleito. Os "cabeças de lista" deslizam irresponsavelmente pelos distritos consoante os interesses da seita que lá os deposita quinze dias antes do voto. Não sei de onde brotou Rangel nem me interessa. Sei, todavia, que é adequado para o efeito. E isso é uma raridade que o PSD fez bem em não desperdiçar.

O BARRACÃO

Enquanto almoçava, via ao longe, na televisão do restaurante, as imagens de um barracão. O barracão estava atafulhado de papéis e de secretárias separadas por uns quantos biombos. As câmaras aproximaram-se dos biombos e podia ler-se "tribunal do trabalho", "ministério público", etc. Aí percebi que se tratava de um tribunal. Era em Portugal, na Feira, no ano da graça de 2008, em pleno "progresso" e em pleno "choque tecnológico" promovidos pela "esquerda moderna". O barracão fora pedido emprestado aos bombeiros porque o edifício original, com pouco mais de quinze anos, ameaçava ruir. Foi nos balneários dos bombeiros que, soube-se depois, juízes se esconderam para fugir às agressões das famílias de uns arguidos quaisquer. Não é virgem a situação de violência perpetrada em plena audiência. O que é menos comum, partindo do princípio que isto não é a Somália, é administrar a justiça num barracão. Todavia, se reflectirmos um pouco mais, talvez a imagem não seja, de todo, desproporcionada. A maturidade de uma democracia, como ensinam os "especialistas", mede-se pelo seu sistema de justiça. E o "sistema" reflecte o estado de um regime no fátuo da sua miséria. É, afinal, como estamos de democracia. Enfiados no barracão.

O BARRACÃO

Enquanto almoçava, via ao longe, na televisão do restaurante, as imagens de um barracão. O barracão estava atafulhado de papéis e de secretárias separadas por uns quantos biombos. As câmaras aproximaram-se dos biombos e podia ler-se "tribunal do trabalho", "ministério público", etc. Aí percebi que se tratava de um tribunal. Era em Portugal, na Feira, no ano da graça de 2008, em pleno "progresso" e em pleno "choque tecnológico" promovidos pela "esquerda moderna". O barracão fora pedido emprestado aos bombeiros porque o edifício original, com pouco mais de quinze anos, ameaçava ruir. Foi nos balneários dos bombeiros que, soube-se depois, juízes se esconderam para fugir às agressões das famílias de uns arguidos quaisquer. Não é virgem a situação de violência perpetrada em plena audiência. O que é menos comum, partindo do princípio que isto não é a Somália, é administrar a justiça num barracão. Todavia, se reflectirmos um pouco mais, talvez a imagem não seja, de todo, desproporcionada. A maturidade de uma democracia, como ensinam os "especialistas", mede-se pelo seu sistema de justiça. E o "sistema" reflecte o estado de um regime no fátuo da sua miséria. É, afinal, como estamos de democracia. Enfiados no barracão.

O RETRATO DE UMA SENHORA


Como se o tempo não tivesse passado, decorre em Lisboa um "congresso feminista". Promove-o uma organização apelidada de "união de mulheres alternativa e resposta". O cortejo de aderentes é notável e é ornamentado por alguns homens como Alexandre Quintanilha. Penso disto o mesmo que penso da ILGA ou de um grupo de forcados. Isto é, mal. Os méritos de um ser humano, e de um ser humano cidadão, em particular, não devem continuar a depender de uma classificação na base do sexo. Nenhuma mulher corre hoje o risco de chegar a uma qualquer universidade, por exemplo, e perguntarem-lhe se não estará equivocada. Um imbecil será sempre um imbecil independentemente de ser homem, mulher ou hermafrodita. O associativismo sexista, para além de elitista, destina-se supostamente a discutir e a impor "especialidades". Não imagino nenhuma mulher da Quinta do Cabrinha ou da Cova da Moura a ser "convidada" a apresentar uma comunicação ao congresso. As participantes - e os participantes - viveram sempre a "humilhação", nas suas cabecinhas pequeno-burguesas, como um fenómeno puramente intelectual. Nunca sujaram as mãos. Porque a história e as "situações" o não permitiam, as bandeiras fizeram o sentido do seu tempo. Agora não fazem sentido algum. "Academizar" o tema - é para isso que existem os "estudos de género" - vulgarizou-se. O lema da "delegada" francesa, arrancado à pré-história do feminismo, é o edificante "ni putes, ni submisses". Sem dúvida, o retrato de uma senhora.

O RETRATO DE UMA SENHORA


Como se o tempo não tivesse passado, decorre em Lisboa um "congresso feminista". Promove-o uma organização apelidada de "união de mulheres alternativa e resposta". O cortejo de aderentes é notável e é ornamentado por alguns homens como Alexandre Quintanilha. Penso disto o mesmo que penso da ILGA ou de um grupo de forcados. Isto é, mal. Os méritos de um ser humano, e de um ser humano cidadão, em particular, não devem continuar a depender de uma classificação na base do sexo. Nenhuma mulher corre hoje o risco de chegar a uma qualquer universidade, por exemplo, e perguntarem-lhe se não estará equivocada. Um imbecil será sempre um imbecil independentemente de ser homem, mulher ou hermafrodita. O associativismo sexista, para além de elitista, destina-se supostamente a discutir e a impor "especialidades". Não imagino nenhuma mulher da Quinta do Cabrinha ou da Cova da Moura a ser "convidada" a apresentar uma comunicação ao congresso. As participantes - e os participantes - viveram sempre a "humilhação", nas suas cabecinhas pequeno-burguesas, como um fenómeno puramente intelectual. Nunca sujaram as mãos. Porque a história e as "situações" o não permitiam, as bandeiras fizeram o sentido do seu tempo. Agora não fazem sentido algum. "Academizar" o tema - é para isso que existem os "estudos de género" - vulgarizou-se. O lema da "delegada" francesa, arrancado à pré-história do feminismo, é o edificante "ni putes, ni submisses". Sem dúvida, o retrato de uma senhora.

25.6.08

ENCENAÇÕES


Num artigo no Público, Luís Miguel Cintra - um misto de Amélia Rey Colaço com Robles Monteiro do regime - saiu em defesa do Gilberto Madaíl da Cinemateca Nacional, o nosso eterno Bénard contra a deputada do PS, Isabel Pires de Lima. O argumentário? O que, de certeza, não utilizou contra aquela no pouco tempo em que foi ministra. Bénard é um "gigante" que está director-geral há dezassete anos e Pires de Lima (e os portuenses, por extensão) não passa de uma pirosa que quer ver os "clássicos" exibidos no Porto. Cintra, cujo umbigo é demasiado para o país que o sustenta através do ministério da Cultura, amesquinha Pires de Lima para defender o enorme Bénard. A antiga ministra da Cultura foi aqui zurzida por muitos motivos, incluindo o que suscitou o artigo nervoso de Cintra: ter cedido à chantagem do milieu para manter Bénard como director-geral, para além de todos os limites legais impostos à correspondente comissão de serviço, tornando-o em mais um "indispensável" com "licença especial". Quem serve o milieu sem perceber que o ministério da Cultura "faz" (ou devia fazer) política e não proselitismo, mais tarde ou mais cedo morre às mãos do milieu. Pires de Lima vai pagar a factura durante muito tempo. Esta gente, quando morde, não larga. É bem feito.

ENCENAÇÕES


Num artigo no Público, Luís Miguel Cintra - um misto de Amélia Rey Colaço com Robles Monteiro do regime - saiu em defesa do Gilberto Madaíl da Cinemateca Nacional, o nosso eterno Bénard contra a deputada do PS, Isabel Pires de Lima. O argumentário? O que, de certeza, não utilizou contra aquela no pouco tempo em que foi ministra. Bénard é um "gigante" que está director-geral há dezassete anos e Pires de Lima (e os portuenses, por extensão) não passa de uma pirosa que quer ver os "clássicos" exibidos no Porto. Cintra, cujo umbigo é demasiado para o país que o sustenta através do ministério da Cultura, amesquinha Pires de Lima para defender o enorme Bénard. A antiga ministra da Cultura foi aqui zurzida por muitos motivos, incluindo o que suscitou o artigo nervoso de Cintra: ter cedido à chantagem do milieu para manter Bénard como director-geral, para além de todos os limites legais impostos à correspondente comissão de serviço, tornando-o em mais um "indispensável" com "licença especial". Quem serve o milieu sem perceber que o ministério da Cultura "faz" (ou devia fazer) política e não proselitismo, mais tarde ou mais cedo morre às mãos do milieu. Pires de Lima vai pagar a factura durante muito tempo. Esta gente, quando morde, não larga. É bem feito.

«O CAMINHO PARA O FECHO DE PORTAS»

«Perdemos todas as corridas. Perdemos a corrida para a Europa, a corrida para a industrialização, a corrida para a emergência de uma sociedade civil não artificial - porque a que por aí existe se vai parecendo cada vez mais com uma indecente barganha de dinheiros, favores e isenções - a corrida para a justiça, para saúde e para a educação. Ficou só o Bloco Central mais os futebóis, essa religião civil que vai lentamente tomando conta dos afectos, dos restos de lucidez e de bom-senso inerentes à espécie humana. Outros fogos surgiram, aqui e ali, como foguetório de entretenimento em momentos em que o comatoso recobrava o espírito. Coisas importantíssimas como os crucifixos nas escolas, as interrupções da gravidez, as drogas duras e moles, as regionalizações, as coincenerações e outras magnas tarefas do razonamento filosófico deixaram de lado coisas insignificantes como a reforma do Estado e da tributação, a reforma da educação, a formação do civismo e a discussão dos futuríveis. Estamos em coma há 10.000 dias. E aí se perfilam mais 10.000. É assim que estamos a calcetar, com paciência de coollie, o caminho para o fecho de portas.»

«O CAMINHO PARA O FECHO DE PORTAS»

«Perdemos todas as corridas. Perdemos a corrida para a Europa, a corrida para a industrialização, a corrida para a emergência de uma sociedade civil não artificial - porque a que por aí existe se vai parecendo cada vez mais com uma indecente barganha de dinheiros, favores e isenções - a corrida para a justiça, para saúde e para a educação. Ficou só o Bloco Central mais os futebóis, essa religião civil que vai lentamente tomando conta dos afectos, dos restos de lucidez e de bom-senso inerentes à espécie humana. Outros fogos surgiram, aqui e ali, como foguetório de entretenimento em momentos em que o comatoso recobrava o espírito. Coisas importantíssimas como os crucifixos nas escolas, as interrupções da gravidez, as drogas duras e moles, as regionalizações, as coincenerações e outras magnas tarefas do razonamento filosófico deixaram de lado coisas insignificantes como a reforma do Estado e da tributação, a reforma da educação, a formação do civismo e a discussão dos futuríveis. Estamos em coma há 10.000 dias. E aí se perfilam mais 10.000. É assim que estamos a calcetar, com paciência de coollie, o caminho para o fecho de portas.»

MISÉRIA E FARSA

O "choque tecnológico", afinal, é isto. Miséria. Entretanto, cantando e rindo, o governo lá vai "vender" o seu código laboral aos senhores da "concertação social", normalmente um pequeno grupo de idiotas úteis que fingem que são levados a sério por um governo que finge que os leva a sério. Farsa. Miséria e farsa. É o melhor retrato do regime.

MISÉRIA E FARSA

O "choque tecnológico", afinal, é isto. Miséria. Entretanto, cantando e rindo, o governo lá vai "vender" o seu código laboral aos senhores da "concertação social", normalmente um pequeno grupo de idiotas úteis que fingem que são levados a sério por um governo que finge que os leva a sério. Farsa. Miséria e farsa. É o melhor retrato do regime.

A CULPA É DELE?


A SIC entrevistou "em directo" o dr. Vale e Azevedo, consultor financeiro em Londres, com a mesma tranquilidade com que passa telenovelas da Globo ou o dr. Balsemão a jogar golfe. Também "passou" os senhores ministro da Justiça e procurador-geral da República a falar de intendência por cá. Quem não soubesse de quem se tratava, podia julgar que Vale e Azevedo era o PGR, ou o próprio ministro da Justiça, e que os outros dois se limitavam a prodigalizar opiniões como meros "comentadores". O dr. Vale, como lhe compete e informou, não tenciona pagar nenhum bilhete de regresso nem abdicar dos carros, casas e iates que tem, em bom, há mais de vinte anos. O "directo" do dr. Vale e Azevedo valeu seguramente por cinquenta colóquios e cem perorações inúteis sobre a justiça portuguesa porque a revelou. Não se viu nos seus olhos nem ressumou da sua boca qualquer sinal de impotência. Pelo contrário, os dois responsáveis pela justiça em Portugal - um político e o outro pela investigação - é que pareciam dois incrédulos amadores postos em sentido pela luxuosa "vítima". A culpa é dele?

A CULPA É DELE?


A SIC entrevistou "em directo" o dr. Vale e Azevedo, consultor financeiro em Londres, com a mesma tranquilidade com que passa telenovelas da Globo ou o dr. Balsemão a jogar golfe. Também "passou" os senhores ministro da Justiça e procurador-geral da República a falar de intendência por cá. Quem não soubesse de quem se tratava, podia julgar que Vale e Azevedo era o PGR, ou o próprio ministro da Justiça, e que os outros dois se limitavam a prodigalizar opiniões como meros "comentadores". O dr. Vale, como lhe compete e informou, não tenciona pagar nenhum bilhete de regresso nem abdicar dos carros, casas e iates que tem, em bom, há mais de vinte anos. O "directo" do dr. Vale e Azevedo valeu seguramente por cinquenta colóquios e cem perorações inúteis sobre a justiça portuguesa porque a revelou. Não se viu nos seus olhos nem ressumou da sua boca qualquer sinal de impotência. Pelo contrário, os dois responsáveis pela justiça em Portugal - um político e o outro pela investigação - é que pareciam dois incrédulos amadores postos em sentido pela luxuosa "vítima". A culpa é dele?

24.6.08

CÃO COMO NÓS?


Nunca percebi as contas da vida de um cão. Sei que o meu tem onze medidos pelos da nossa vida. Está inequivocamente velho. Como é pesado, coxeia embora arrebite e corra à vista de "colega" que lhe interesse. Custa-lhe subir as escadas e deita-se com facilidade na rua a descansar. Sei que vou morrer. E não apenas sei isso como sei que tudo e todos à minha volta também vão. Talvez por isso aprecie filosofia, essa silenciosa companheira que, ao mesmo tempo que incomoda a estupidez (Nietzsche), nos "prepara" (nunca "prepara") para nos vermos livres dos estúpidos para sempre. O cão, aparentemente, está dispensado a estas evidências. Ocorrem-me palavras de Fernanda Botelho. «Tudo à minha volta assume um cariz gerôntico. Estou a viver como uma espécie em vias de rápida extinção (...) Que torturada morte é esta ainda estúpida vida?»

CÃO COMO NÓS?


Nunca percebi as contas da vida de um cão. Sei que o meu tem onze medidos pelos da nossa vida. Está inequivocamente velho. Como é pesado, coxeia embora arrebite e corra à vista de "colega" que lhe interesse. Custa-lhe subir as escadas e deita-se com facilidade na rua a descansar. Sei que vou morrer. E não apenas sei isso como sei que tudo e todos à minha volta também vão. Talvez por isso aprecie filosofia, essa silenciosa companheira que, ao mesmo tempo que incomoda a estupidez (Nietzsche), nos "prepara" (nunca "prepara") para nos vermos livres dos estúpidos para sempre. O cão, aparentemente, está dispensado a estas evidências. Ocorrem-me palavras de Fernanda Botelho. «Tudo à minha volta assume um cariz gerôntico. Estou a viver como uma espécie em vias de rápida extinção (...) Que torturada morte é esta ainda estúpida vida?»

SARMENTO PERONISTA

O TGV é um colossal embuste. Mesmo a Espanha já anunciou que não há linha até Badajoz. Dito isto, e porque a obsessão com o vitesse não é uma tolice exclusiva de Sócrates e Lino, não vejo - até pelo princípio da não consignação orçamental e por causa da gestão dos fundos comunitários - como é que se substituem linhas e comboios pela caridadezinha "social" recomendada pelo regressado Morais Sarmento. Este "peronismo" básico é um mau começo para as hostes de Ferreira Leite. E a senhora não tem manifestamente vocação para Eva Perón.

SARMENTO PERONISTA

O TGV é um colossal embuste. Mesmo a Espanha já anunciou que não há linha até Badajoz. Dito isto, e porque a obsessão com o vitesse não é uma tolice exclusiva de Sócrates e Lino, não vejo - até pelo princípio da não consignação orçamental e por causa da gestão dos fundos comunitários - como é que se substituem linhas e comboios pela caridadezinha "social" recomendada pelo regressado Morais Sarmento. Este "peronismo" básico é um mau começo para as hostes de Ferreira Leite. E a senhora não tem manifestamente vocação para Eva Perón.

DIZER ALGUMA COISA

«Alguns escritores escrevem directamente e dizem: Escrevo cinco páginas por dia, o que parece aberrante. Não escrevem, apenas redigem um texto qualquer. Eu escrevo uma frase. Simplesmente, reviro-a vinte vezes para conseguir dizer alguma coisa.» (Michel Mitrani, Conversas com Albert Cossery, Antígona) Cossery vai ao osso da questão. Perde-se demasiado tempo a ler "um texto qualquer" que se toma por um "grande livro" ou por um "ensaio indispensável". Apesar de tantos palavrosos espojados nos escaparates, nos jornais, nas revistas, nas televisões e nas universidades, é cada vez mais difícil, entre nós, encontrar quem, verdadeiramente, consiga "dizer alguma coisa" .

DIZER ALGUMA COISA

«Alguns escritores escrevem directamente e dizem: Escrevo cinco páginas por dia, o que parece aberrante. Não escrevem, apenas redigem um texto qualquer. Eu escrevo uma frase. Simplesmente, reviro-a vinte vezes para conseguir dizer alguma coisa.» (Michel Mitrani, Conversas com Albert Cossery, Antígona) Cossery vai ao osso da questão. Perde-se demasiado tempo a ler "um texto qualquer" que se toma por um "grande livro" ou por um "ensaio indispensável". Apesar de tantos palavrosos espojados nos escaparates, nos jornais, nas revistas, nas televisões e nas universidades, é cada vez mais difícil, entre nós, encontrar quem, verdadeiramente, consiga "dizer alguma coisa" .

ALBERT COSSERY (1913-2008)


Em apenas cinco anos, este blogue já conta com demasiados obituários. Isto quer dizer que, à semelhança dos que desaparecem, também nós, para usar uma expressão de Gore Vidal, nos encaminhamos graciosamente para a porta chamada "saída". Como as coisas andam, a ideia acaba por não ser completamente má. Albert Cossery, nascido no Egipto, "enfiou-se" em Paris há sessenta anos onde morreu, no domingo, com noventa e cinco. Literariamente era um nómada embora o homem se deslocasse por entre pouco mais do que uma rua durante todos estes anos. Não vivia para a vida videirinha e revelava o seu desprezo por isso na lentidão do ofício traduzida em "apenas" oito livros publicados. Como bom escritor, era um imenso observador das pessoas e dos seus acasos, no essencial, infelizes. «Lui qui fut l’ami de Henry Miller et de Lawrence Durrell, de Camus et de Queneau, de Jean Genet et d’Alberto Giacometti, on le voyait tous les jours s’attabler et se fixer pour de longues heures tel une momie élégante au Bonaparte, aux Deux-Magots, au Flore, sur l’autre rive du boulevard chez Lipp ou dans des cafés moins connus de la place, observant en seigneur nonchalant la course folle des gens, écoutant leurs conversations, médisant avec talent et causticité sur la faune alentour, cinglant mais non sans tendresse, et répondant par des sourires, des clins d’yeux et de longs silences, une opération d’un cancer de la gorge ne permettant pas à ses sons d’être audibles.» Citado aqui por Pierre Assouline, Cossery disse que escrevia para que quem o lesse não fosse trabalhar no dia seguinte. Em sua homenagem, eu que "sonhei" ser tão livre como ele e que acabei prisioneiro da insensibilidade, sentei-me no café a contemplar o vazio, meu e alheio, e a pensar neste homem que nunca desejou «ter um belo carro ou qualquer outra coisa» a não ser ter sido apenas ele mesmo.

ALBERT COSSERY (1913-2008)


Em apenas cinco anos, este blogue já conta com demasiados obituários. Isto quer dizer que, à semelhança dos que desaparecem, também nós, para usar uma expressão de Gore Vidal, nos encaminhamos graciosamente para a porta chamada "saída". Como as coisas andam, a ideia acaba por não ser completamente má. Albert Cossery, nascido no Egipto, "enfiou-se" em Paris há sessenta anos onde morreu, no domingo, com noventa e cinco. Literariamente era um nómada embora o homem se deslocasse por entre pouco mais do que uma rua durante todos estes anos. Não vivia para a vida videirinha e revelava o seu desprezo por isso na lentidão do ofício traduzida em "apenas" oito livros publicados. Como bom escritor, era um imenso observador das pessoas e dos seus acasos, no essencial, infelizes. «Lui qui fut l’ami de Henry Miller et de Lawrence Durrell, de Camus et de Queneau, de Jean Genet et d’Alberto Giacometti, on le voyait tous les jours s’attabler et se fixer pour de longues heures tel une momie élégante au Bonaparte, aux Deux-Magots, au Flore, sur l’autre rive du boulevard chez Lipp ou dans des cafés moins connus de la place, observant en seigneur nonchalant la course folle des gens, écoutant leurs conversations, médisant avec talent et causticité sur la faune alentour, cinglant mais non sans tendresse, et répondant par des sourires, des clins d’yeux et de longs silences, une opération d’un cancer de la gorge ne permettant pas à ses sons d’être audibles.» Citado aqui por Pierre Assouline, Cossery disse que escrevia para que quem o lesse não fosse trabalhar no dia seguinte. Em sua homenagem, eu que "sonhei" ser tão livre como ele e que acabei prisioneiro da insensibilidade, sentei-me no café a contemplar o vazio, meu e alheio, e a pensar neste homem que nunca desejou «ter um belo carro ou qualquer outra coisa» a não ser ter sido apenas ele mesmo.

23.6.08

UM SÍMBOLO


Vale e Azevedo, segundo a imprensa, vive luxuosamente em Londres. Desloca-se num Bentley com motorista e habita uma "mansão" de quinze milhões de euros. Vale e Azevedo é um acto falhado da justiça portuguesa. Foi exibido como praticamente o único troféu de jeito da caça à corrupção naquilo que passa por ser a "alta esfera" dos negócios e da fashion people entre nós. Pedro Caldeira, o corretor que foi apanhado nos EUA, ao pé deste é um menino de coro cujos "conhecimentos" lhe foram, também, da maior utilidade. Vale e Azevedo é, assim, apresentado como um herói e não como um vilão. Nas suas mediáticas idas a tribunal era saudado como um redentor dos esfomeados sócios do clube que dirigiu e não como um trafulha. Estas reportagens do seu "exílio" dourado não servem para outra coisa senão para suscitar no leitor - que "pega no batente" às seis da manhã, que não tem tempo para lavar os dentes, que dissolve uma bica e um queque num quiosque imundo da Amadora e que ofereceu um "kit" do Benfica ao filho mais novo - a banal inveja. Vale e Azevedo é aquilo que muito bom português apreciaria ser. A razão do seu "sucesso" é directamente proporcional à miséria instintual do país. No meio de tantos espertos, ele é o espertalhão que os outros espertos não conseguem ser. E isso deslumbra e enraivece, enraivece e deslumbra. "Ele é dos nossos", pensará o tal leitor entre dois arrotos. A diferença é que é Vale quem continua, como fazia nos debates da bola na televisão, a recomendar aos admiradores e à justiça que bebam um copo de água e que respirem fundo. Vale e Azevedo é, na verdade, um símbolo. Representa a derrota da justiça e o triunfo de um certo arrivismo chique que a democracia fez prosperar. Uma, aliás, não vai sem o outro. Ninguém tem por que se queixar.

UM SÍMBOLO


Vale e Azevedo, segundo a imprensa, vive luxuosamente em Londres. Desloca-se num Bentley com motorista e habita uma "mansão" de quinze milhões de euros. Vale e Azevedo é um acto falhado da justiça portuguesa. Foi exibido como praticamente o único troféu de jeito da caça à corrupção naquilo que passa por ser a "alta esfera" dos negócios e da fashion people entre nós. Pedro Caldeira, o corretor que foi apanhado nos EUA, ao pé deste é um menino de coro cujos "conhecimentos" lhe foram, também, da maior utilidade. Vale e Azevedo é, assim, apresentado como um herói e não como um vilão. Nas suas mediáticas idas a tribunal era saudado como um redentor dos esfomeados sócios do clube que dirigiu e não como um trafulha. Estas reportagens do seu "exílio" dourado não servem para outra coisa senão para suscitar no leitor - que "pega no batente" às seis da manhã, que não tem tempo para lavar os dentes, que dissolve uma bica e um queque num quiosque imundo da Amadora e que ofereceu um "kit" do Benfica ao filho mais novo - a banal inveja. Vale e Azevedo é aquilo que muito bom português apreciaria ser. A razão do seu "sucesso" é directamente proporcional à miséria instintual do país. No meio de tantos espertos, ele é o espertalhão que os outros espertos não conseguem ser. E isso deslumbra e enraivece, enraivece e deslumbra. "Ele é dos nossos", pensará o tal leitor entre dois arrotos. A diferença é que é Vale quem continua, como fazia nos debates da bola na televisão, a recomendar aos admiradores e à justiça que bebam um copo de água e que respirem fundo. Vale e Azevedo é, na verdade, um símbolo. Representa a derrota da justiça e o triunfo de um certo arrivismo chique que a democracia fez prosperar. Uma, aliás, não vai sem o outro. Ninguém tem por que se queixar.

22.6.08

É FÁCIL DIZER BEM MAL



O António Valdemar, no suplemento "cultural" do Expresso, escreve sobre o livro da foto. Vergílio Ferreira era uma verdadeira "língua de prata" ainda por cima talentosa e ferozmente independente. Deu-me muito gozo, em pleno curso de direito, ler os dois primeiros e fresquinhos Conta-Corrente, emprestados pela minha saudosa professora de inglês do liceu. Nessa altura, algumas das "personagens" visadas ainda me eram estranhas. Este Diário Inédito (Bertrand Editora) data de quase quarenta anos antes da saída da Conta-Corrente. A "catilinária" do Valdemar, contra o que ela pretende, é um convite subreptício a ir já comprar o livro. Por duas razões. Valdemar acha que V. Ferreira, ao dar conta do "ambiente" cultural e literário que contribuiu para a sua formação, entre 44 e 49, também devia ter derramado sobre a "angústia" anti-fascista e anti-salazarista que perpassava - ou que deveria obrigatoriamente perpassar - pelos "intelectuais" da época. «Graves omissões» ou passagens de «gato sobre brasas», eis como Valdemar qualifica tamanha desvergonha, digamos assim, não traduzida em letra de forma pelo autor de Aparição. O perfeito intelectual anti-fascista, segundo Valdemar, tinha forçosamente de escrever, por exemplo, sobre a «constituição e expansão do MUD» ou a maravilhosa «candidatura de Norton de Matos». Ou seja, este Diário Inédito poupa-nos, pelos vistos, aos lugares-comuns que conhecemos - e que V. Ferreira conhecia porque nunca foi suspeito de "colaboracionismo" - acerca da vulgata neo-realista inspirada pelo fim da guerra em tantos intelectuais "orgânicos" que andaram anos a fio a prometer-nos o "futuro" e o "progresso". Depois, e ainda segundo o crítico, Ferreira comete o sacrilégio de «investir» contra Régio e de «arrasar» Torga, dois monumentos à chatice literária nacional. Quem define Torga como «mixórdia de pederneira, bruteza e casebres da Beira ou Trás-os-Montes» faz mais pela história da literatura portuguesa que dezenas de babugens "correctas" que constam dos manuais tradicionais. O António, desde que promoveu a transladação do "mestre" Aquilino para o Panteão Nacional, tomou as dores de uma "escola de pensamento" dedicada a revolver as ossadas de alguns ex-campeões nacionais em maçada literária e em anti-fascismo "orgânico". Alterna, nesta meritória tarefa, com o dr. Soares quando este não está virado para os seus novos amigos latino-americanos. Por isso, e só por isso, devolvo-lhe a bola preta que destinou ao livro de Vergílio Ferreira. No hard feelings.

É FÁCIL DIZER BEM MAL



O António Valdemar, no suplemento "cultural" do Expresso, escreve sobre o livro da foto. Vergílio Ferreira era uma verdadeira "língua de prata" ainda por cima talentosa e ferozmente independente. Deu-me muito gozo, em pleno curso de direito, ler os dois primeiros e fresquinhos Conta-Corrente, emprestados pela minha saudosa professora de inglês do liceu. Nessa altura, algumas das "personagens" visadas ainda me eram estranhas. Este Diário Inédito (Bertrand Editora) data de quase quarenta anos antes da saída da Conta-Corrente. A "catilinária" do Valdemar, contra o que ela pretende, é um convite subreptício a ir já comprar o livro. Por duas razões. Valdemar acha que V. Ferreira, ao dar conta do "ambiente" cultural e literário que contribuiu para a sua formação, entre 44 e 49, também devia ter derramado sobre a "angústia" anti-fascista e anti-salazarista que perpassava - ou que deveria obrigatoriamente perpassar - pelos "intelectuais" da época. «Graves omissões» ou passagens de «gato sobre brasas», eis como Valdemar qualifica tamanha desvergonha, digamos assim, não traduzida em letra de forma pelo autor de Aparição. O perfeito intelectual anti-fascista, segundo Valdemar, tinha forçosamente de escrever, por exemplo, sobre a «constituição e expansão do MUD» ou a maravilhosa «candidatura de Norton de Matos». Ou seja, este Diário Inédito poupa-nos, pelos vistos, aos lugares-comuns que conhecemos - e que V. Ferreira conhecia porque nunca foi suspeito de "colaboracionismo" - acerca da vulgata neo-realista inspirada pelo fim da guerra em tantos intelectuais "orgânicos" que andaram anos a fio a prometer-nos o "futuro" e o "progresso". Depois, e ainda segundo o crítico, Ferreira comete o sacrilégio de «investir» contra Régio e de «arrasar» Torga, dois monumentos à chatice literária nacional. Quem define Torga como «mixórdia de pederneira, bruteza e casebres da Beira ou Trás-os-Montes» faz mais pela história da literatura portuguesa que dezenas de babugens "correctas" que constam dos manuais tradicionais. O António, desde que promoveu a transladação do "mestre" Aquilino para o Panteão Nacional, tomou as dores de uma "escola de pensamento" dedicada a revolver as ossadas de alguns ex-campeões nacionais em maçada literária e em anti-fascismo "orgânico". Alterna, nesta meritória tarefa, com o dr. Soares quando este não está virado para os seus novos amigos latino-americanos. Por isso, e só por isso, devolvo-lhe a bola preta que destinou ao livro de Vergílio Ferreira. No hard feelings.

O REGIME CONTINUA


A blogosfera está agora bem representada na direcção do PSD. Lá se sentam Sofia Galvão e Paulo Marcelo. Quanto ao "conquistar a confiança do país" avançado pela dra. Manuela no seu discurso final de Guimarães, menos "cortante" que o primeiro, dá perfeitamente para uma de duas coisas. Liderar meritoriamente a oposição ou, a bem da nação, ser vice-primeiro-ministro de Sócrates. O regime continua.

Adenda: Ler este post do Pedro Correia que sintetiza bem a coisa. Não esquecer, do jazigo de família e para além de Machete, o "nº 1" do conselho nacional em nome da líder, António Capucho, uma "herança" do "bloco central" político de 83/85 que, no congresso da Figueira da Foz, hesitou até ao fim entre João Salgueiro (pelo "bloco") e Cavaco (contra o "bloco"). Esta gente tem um medo de ser de direita que até mete dó. Não é por acaso que sobrevivem e são "respeitáveis". Numa fundação, numa câmara, num governo, não interessa. Sobrevivem.

O REGIME CONTINUA


A blogosfera está agora bem representada na direcção do PSD. Lá se sentam Sofia Galvão e Paulo Marcelo. Quanto ao "conquistar a confiança do país" avançado pela dra. Manuela no seu discurso final de Guimarães, menos "cortante" que o primeiro, dá perfeitamente para uma de duas coisas. Liderar meritoriamente a oposição ou, a bem da nação, ser vice-primeiro-ministro de Sócrates. O regime continua.

Adenda: Ler este post do Pedro Correia que sintetiza bem a coisa. Não esquecer, do jazigo de família e para além de Machete, o "nº 1" do conselho nacional em nome da líder, António Capucho, uma "herança" do "bloco central" político de 83/85 que, no congresso da Figueira da Foz, hesitou até ao fim entre João Salgueiro (pelo "bloco") e Cavaco (contra o "bloco"). Esta gente tem um medo de ser de direita que até mete dó. Não é por acaso que sobrevivem e são "respeitáveis". Numa fundação, numa câmara, num governo, não interessa. Sobrevivem.

MALEDICÊNCIA


Sócrates fala em maledicência a propósito de oposição. Na voz deste insigne dirigente do absolutismo democrático em vigor, deixar as SCUT para depois das eleições, é maledicência. Não ter dinheiro para a intendência das universidades e para a investigação científica, é maledicência. Não ter mais postos de trabalho (eram 150 mil...) mas mais desemprego, é maledicência. Não ter economia, mas fantasia e especulação, é maledicência. Não exercer a autoridade do Estado oportunamente mas apenas por oportunismo, é maledicência. Em suma, Sócrates redescobriu no registo dengoso de Guterres, o bonzinho, a justificação para tudo o que o espera daqui para diante. Numa coisa tem razão. A melhor oposição é a realidade, algo a que ele é indemne porque só está atento à semântica. E isto sou só eu a falar. Como irreprimível maledicente.

MALEDICÊNCIA


Sócrates fala em maledicência a propósito de oposição. Na voz deste insigne dirigente do absolutismo democrático em vigor, deixar as SCUT para depois das eleições, é maledicência. Não ter dinheiro para a intendência das universidades e para a investigação científica, é maledicência. Não ter mais postos de trabalho (eram 150 mil...) mas mais desemprego, é maledicência. Não ter economia, mas fantasia e especulação, é maledicência. Não exercer a autoridade do Estado oportunamente mas apenas por oportunismo, é maledicência. Em suma, Sócrates redescobriu no registo dengoso de Guterres, o bonzinho, a justificação para tudo o que o espera daqui para diante. Numa coisa tem razão. A melhor oposição é a realidade, algo a que ele é indemne porque só está atento à semântica. E isto sou só eu a falar. Como irreprimível maledicente.

21.6.08

MANUELA E OS SEUS


No congresso do PSD - que nem aos militantes presentes em Guimarães interessa - falou o "jovem" Passos Coelho. Imediatamente se sinalizou o "sucessor" de Ferreira Leite. Julgo que se enganam. O verdadeiro sucessor de Ferreira Leite é Rui Rio. É a segunda vez que aceita ser vice-presidente do partido. A primeira, foi com Santana Lopes, o cadáver em férias deste congresso. Rio, livre do Porto, é inevitável, mais tarde ou mais cedo, à frente da coisa. Quanto às escolhas da dra. Manuela, trata-se do jazigo de família retocado pela velha "novidade" Borges e por um talentoso Paulo Mota Pinto. Paulo Rangel depende do voto do grupo parlamentar e não propriamente da vontade da líder ou do congresso. É o melhor que saiu dali.

MANUELA E OS SEUS


No congresso do PSD - que nem aos militantes presentes em Guimarães interessa - falou o "jovem" Passos Coelho. Imediatamente se sinalizou o "sucessor" de Ferreira Leite. Julgo que se enganam. O verdadeiro sucessor de Ferreira Leite é Rui Rio. É a segunda vez que aceita ser vice-presidente do partido. A primeira, foi com Santana Lopes, o cadáver em férias deste congresso. Rio, livre do Porto, é inevitável, mais tarde ou mais cedo, à frente da coisa. Quanto às escolhas da dra. Manuela, trata-se do jazigo de família retocado pela velha "novidade" Borges e por um talentoso Paulo Mota Pinto. Paulo Rangel depende do voto do grupo parlamentar e não propriamente da vontade da líder ou do congresso. É o melhor que saiu dali.

OS FILHOS DE MARIA DE LURDES RODRIGUES


Há dias disse aqui que Maria de Lurdes Rodrigues andava desaparecida em combate. Afinal, a ministra da Educação estava enredada nos "exames nacionais" e de "aferição" do ensino secundário. Pelo que se viu esta semana, mais valia ter estado quieta e calada. A escola democrática não prepara ninguém para o difícil, para a complexidade ou para a vida. A escola permite que milhares de imbecis analfabetos acedam ao ensino superior onde dificilmente conseguem escrever frases com nexo, quanto mais entender uma. A escola priva os meninos e as meninas à "dor do pensamento" enquanto o "plano tecnológico" atribui computadores e telemóveis em substituição dos neurónios. A escola facilita porque, ao facilitar, alegra as estatísticas que são a obsessão "moderna" de qualquer "política" optimista. Os "exames" que Lurdes Rodrigues veio defender em nome de umas estatísticas intelectualmente desonestas são uma vergonha. A escola esconde um embuste em nome da ânsia matemática em "apresentar serviço". A regressão na exigência corresponde à venda de gato por lebre. O governo, afinal, não pretende "qualificar" ninguém. Quer apenas sossego, acefalia, felicidade e uns belos números para apresentar em powerpoint. Como escreve a Maria Filomena Mónica em Os filhos de Rousseau, este «introduziu a ideia de que a criança era um botão de rosa» que «competiria» ao professor «estrumar». O ministério da Educação segue, como forma de propaganda, esta edificante "doutrina" que anula qualquer pretensão do "saber". Transforma alegremente os "botões de rosa" de Rousseau - que são o radioso "futuro" da pátria - em verdadeiras estrumeiras intelectuais.

OS FILHOS DE MARIA DE LURDES RODRIGUES


Há dias disse aqui que Maria de Lurdes Rodrigues andava desaparecida em combate. Afinal, a ministra da Educação estava enredada nos "exames nacionais" e de "aferição" do ensino secundário. Pelo que se viu esta semana, mais valia ter estado quieta e calada. A escola democrática não prepara ninguém para o difícil, para a complexidade ou para a vida. A escola permite que milhares de imbecis analfabetos acedam ao ensino superior onde dificilmente conseguem escrever frases com nexo, quanto mais entender uma. A escola priva os meninos e as meninas à "dor do pensamento" enquanto o "plano tecnológico" atribui computadores e telemóveis em substituição dos neurónios. A escola facilita porque, ao facilitar, alegra as estatísticas que são a obsessão "moderna" de qualquer "política" optimista. Os "exames" que Lurdes Rodrigues veio defender em nome de umas estatísticas intelectualmente desonestas são uma vergonha. A escola esconde um embuste em nome da ânsia matemática em "apresentar serviço". A regressão na exigência corresponde à venda de gato por lebre. O governo, afinal, não pretende "qualificar" ninguém. Quer apenas sossego, acefalia, felicidade e uns belos números para apresentar em powerpoint. Como escreve a Maria Filomena Mónica em Os filhos de Rousseau, este «introduziu a ideia de que a criança era um botão de rosa» que «competiria» ao professor «estrumar». O ministério da Educação segue, como forma de propaganda, esta edificante "doutrina" que anula qualquer pretensão do "saber". Transforma alegremente os "botões de rosa" de Rousseau - que são o radioso "futuro" da pátria - em verdadeiras estrumeiras intelectuais.

O TRIO ODEMIRA

O ex-pai da pátria e reputado democrata Mário Soares é adepto do referendo "musculado" ao tratado de Lisboa, isto é, que se obrigue a Irlanda a repetir o referendo até que dê "sim", não lhe ocorrendo que teria sido preferível fazê-lo em todos os "27" por forma a evitar "o impasse elitista". Sócrates, por seu lado, está convencido que é um "político europeu habituado a dificuldades" e quer, a partir do tratado, "refazer" a sua pobre biografia. Finalmente, Barroso, com ar de marechal do "exército popular", advertiu contra os perigos dos "slogans populistas" contra Bruxelas. É uma espécie de "trio odemira" do regime para dar vida a um calhamaço que até o bolachudo primeiro-ministro irlandês confessou nunca ter lido na vida.

O TRIO ODEMIRA

O ex-pai da pátria e reputado democrata Mário Soares é adepto do referendo "musculado" ao tratado de Lisboa, isto é, que se obrigue a Irlanda a repetir o referendo até que dê "sim", não lhe ocorrendo que teria sido preferível fazê-lo em todos os "27" por forma a evitar "o impasse elitista". Sócrates, por seu lado, está convencido que é um "político europeu habituado a dificuldades" e quer, a partir do tratado, "refazer" a sua pobre biografia. Finalmente, Barroso, com ar de marechal do "exército popular", advertiu contra os perigos dos "slogans populistas" contra Bruxelas. É uma espécie de "trio odemira" do regime para dar vida a um calhamaço que até o bolachudo primeiro-ministro irlandês confessou nunca ter lido na vida.

A MESSE

O congresso do PSD, visto pela televisão, é uma sala vazia sempre à espera que termine uma refeição ou que comece a próxima.

A MESSE

O congresso do PSD, visto pela televisão, é uma sala vazia sempre à espera que termine uma refeição ou que comece a próxima.

A PRIMEIRA COISA BOA

O horrível Júdice, amuado com António Costa, deixou o negócio da "frente ribeirinha" de Lisboa no meio de rasgados elogios a Sócrates e ao governo. Nunca se sabe, pensará ele, o que é que o futuro lhe reserva. É, no entanto, a primeira coisa boa que acontece no irrelevante mandato do presidente da CML.

A PRIMEIRA COISA BOA

O horrível Júdice, amuado com António Costa, deixou o negócio da "frente ribeirinha" de Lisboa no meio de rasgados elogios a Sócrates e ao governo. Nunca se sabe, pensará ele, o que é que o futuro lhe reserva. É, no entanto, a primeira coisa boa que acontece no irrelevante mandato do presidente da CML.

20.6.08

SEM CONVERSAS MARICAS


Salvo um ou outro recurso ao inevitável "calão" partidário, Manuela Ferreira Leite estreou-se no congresso de Guimarães com um discurso como já não se ouvia desde 1985. Isto é, sem conversas maricas.

SEM CONVERSAS MARICAS


Salvo um ou outro recurso ao inevitável "calão" partidário, Manuela Ferreira Leite estreou-se no congresso de Guimarães com um discurso como já não se ouvia desde 1985. Isto é, sem conversas maricas.

SUMÁRIO DA PATRANHA

«O Tratado de Lisboa é uma versão da Constituição Europeia, que não ousa dizer o seu nome. Foi feito disfarçadamente para parecer tão complicado que não lembra o original. Está cheio de truques e de subterfúgios. No ano passado só houve um fio condutor na preparação do novo tratado, e esse fio condutor foi usar todos os artifícios inclusive o dolo, a pressão, a chantagem, para evitar que o Tratado fosse a votos em qualquer sítio na Europa. Sobrava a arcaica Irlanda que ainda tinha a obrigação referendária na sua Constituição. Mas não devia haver problema, como se atreveria esse povo de beatos, freiras, proto-nazis, bêbados, brigões, e comedores de batata, a por em causa o projecto iluminista do nosso tempo, a Europa? Se tivessem lido Joyce, Yeats ou J. M. Synge saberiam que eles não são de fiar.Agora querem-nos expulsar da Europa, querem tornar um fardo para o governo irlandês o voto democrático dos seus concidadãos e dizem-lhe com arrogância: consertem lá o brinquedo senão vamos brincar para outro lado. Em Portugal também isto foi dito, sem sequer o temor de perceber que esta violência verbal ressabiada ter sido apenas dirigida a um pequeno país e nunca ter sido usada para, por exemplo, a França que votou um sonoro “não” à refulgente Constituição. Quando do “não” na Holanda e na França ninguém disse aos dois países para não empecilharem a Europa e saírem pela porta da rua da União.»

SUMÁRIO DA PATRANHA

«O Tratado de Lisboa é uma versão da Constituição Europeia, que não ousa dizer o seu nome. Foi feito disfarçadamente para parecer tão complicado que não lembra o original. Está cheio de truques e de subterfúgios. No ano passado só houve um fio condutor na preparação do novo tratado, e esse fio condutor foi usar todos os artifícios inclusive o dolo, a pressão, a chantagem, para evitar que o Tratado fosse a votos em qualquer sítio na Europa. Sobrava a arcaica Irlanda que ainda tinha a obrigação referendária na sua Constituição. Mas não devia haver problema, como se atreveria esse povo de beatos, freiras, proto-nazis, bêbados, brigões, e comedores de batata, a por em causa o projecto iluminista do nosso tempo, a Europa? Se tivessem lido Joyce, Yeats ou J. M. Synge saberiam que eles não são de fiar.Agora querem-nos expulsar da Europa, querem tornar um fardo para o governo irlandês o voto democrático dos seus concidadãos e dizem-lhe com arrogância: consertem lá o brinquedo senão vamos brincar para outro lado. Em Portugal também isto foi dito, sem sequer o temor de perceber que esta violência verbal ressabiada ter sido apenas dirigida a um pequeno país e nunca ter sido usada para, por exemplo, a França que votou um sonoro “não” à refulgente Constituição. Quando do “não” na Holanda e na França ninguém disse aos dois países para não empecilharem a Europa e saírem pela porta da rua da União.»

DA INFLUÊNCIA


A propósito de Victor Wengorovious, Medeiros Ferreira escreve: «Nunca o vi dissimular, induzir em erro, colocar os fins ao serviço dos meios, intrigar entre pessoas. O porquê dessa renúncia a cargos, ou a manter-se um «influente» na sociedade portuguesa continua a ser um mistério.» Com o devido respeito pela memória de um e pela amizade pelo outro, não existe nenhum "mistério". Como é que alguém, "sem dissimular, induzir em erro, colocar os fins ao serviço dos meios, intrigar entre pessoas", podia aspirar sequer a "manter-se um «influente» na sociedade portuguesa?"

DA INFLUÊNCIA


A propósito de Victor Wengorovious, Medeiros Ferreira escreve: «Nunca o vi dissimular, induzir em erro, colocar os fins ao serviço dos meios, intrigar entre pessoas. O porquê dessa renúncia a cargos, ou a manter-se um «influente» na sociedade portuguesa continua a ser um mistério.» Com o devido respeito pela memória de um e pela amizade pelo outro, não existe nenhum "mistério". Como é que alguém, "sem dissimular, induzir em erro, colocar os fins ao serviço dos meios, intrigar entre pessoas", podia aspirar sequer a "manter-se um «influente» na sociedade portuguesa?"

19.6.08

A "DOUTRINA"


Pacheco Pereira "não conta" mudar a sua condição de militante de base. Aceita-se com dificuldade mas percebe-se. A dra. Manuela pode sair de Guimarães com uma trupe embaraçante. E Pacheco não é propriamente dado a embaraços. A "doutrina" não segue o circuito fastidioso da carne assada ou dos "consensos alargados". Estes é que a devem seguir.

A "DOUTRINA"


Pacheco Pereira "não conta" mudar a sua condição de militante de base. Aceita-se com dificuldade mas percebe-se. A dra. Manuela pode sair de Guimarães com uma trupe embaraçante. E Pacheco não é propriamente dado a embaraços. A "doutrina" não segue o circuito fastidioso da carne assada ou dos "consensos alargados". Estes é que a devem seguir.