17.5.08

A CULTURA DA IRRELEVÂNCIA



«Não é só na economia que estamos a andar par atrás, é na cabeça. A cultura da irrelevância está a crescer exponencialmente e todos já esperam que o mesmo aconteça nos próximos meses, em que mais uma vez o país vai parar porque há um Campeonato. Na última semana, que é igual às últimas semanas, aos últimos meses, aos últimos anos, todos os telejornais em directo foram interrompidos, eu diria mais, foram enchidos, com sucessivas e extensas declarações em directo, sobre as decisões do Conselho Disciplinar da Liga com sanções sobre clubes e dirigentes desportivos, pelo seleccionador nacional anunciando o "plantel", pelo novel director de futebol do Benfica anunciando-se e anunciando umas medidas para o seu clube. A isto acrescenta-se o número de vezes em que quer o "serviço público", quer as privadas dão jogos em horário nobre, atirando as notícias para algures, como se em particular o "serviço público" não tivesse aí obrigações. A RTP é a televisão que mais falta a essas mesmas obrigações, que justificam a superioridade moral do "público" e que, pelos vistos, só serve para receber os muitos milhões que os contribuintes pagam. Mas não é só as vezes em que directos do futebol são o telejornal, é que durante três, quatro dias não nos conseguimos ver livres daquilo. Até aparecer outro directo mais saboroso, temos que assistir a "noticiários" que repetem ad nauseam as mesmas imagens, as mesmas declarações, seguidas por milhões de palavras "escalpelizando" os "factos", em tudo o que é programa de actualidade pela noite fora. O circo está montado na nossa cabeça e nele fazemos o papel do urso amestrado ou dos macaquinhos. Nem sequer o do palhaço pobre. O mundo agressivo e brutal do futebol, com a sua pedagogia de grosseria e violência, ordinário e vulgar, movimentando poderosos interesses políticos, nacionais, autárquicos e regionais, servindo uma economia paralela, que para nosso mal ainda é a única que funciona em muitos sítios, imerso em corrupção, não aflige nem preocupa ninguém. A começar pelos nossos deputados, que dão a caução institucional da Assembleia da República a um dirigente desportivo acabado de sancionar por "corrupção tentada" e que saía de uma acareação num tribunal. Políticos e dirigentes desportivos ajudam-se mutuamente para impulsionar carreiras políticas populistas que o mundo do futebol protege e apoia, e parecem a única coisa que verdadeiramente mexe em Portugal, junto com os negócios da "alta". Ainda um punhado de inocentes pensava que isso era uma pecha do salazarismo, quando meia dúzia de palavras e imagens de cinco minutos, no fim dos telejornais, passavam por ser um excesso e onde um filme como O Leão da Estrela se limita a descarregar sobre o tampo de uma mesa aquilo que hoje obriga a operações paramilitares de contenção de turbas violentas. Não, não andamos para a frente, andamos para trás, para o país chamado Futebolândia, para a futebolização plena da nossa vida pública. Mas não é só o futebol, é tudo o resto. É o mundo das telenovelas, com o seu sangue, suor e lágrimas, transformado em "casos", o caso Maddie, uma coisa abstracta e virtual, sem corpo real, já sem a violência do crime, já transformado numa soap opera de plástico, o caso Esmeralda, uma competição absurda à volta de uma menina imaterial, tão abstracta e morta na virtualidade como a "pequena Maddie", onde todos os dias uma inovação aparecida depois do caso Casa Pia, os "pedopsiquiatras", divulga relatórios que deviam ser confidenciais em tempo real, para movimentar as celebridades que vão beijar o sargento e demonizar o pobre pai que só é "biológico", com a justiça a claudicar perante a pressão dos tablóides em que se transformou muito daquilo que conhecíamos como "comunicação social". E depois o estendal dos acidentes e doenças. Os acidentes são hoje a única coisa que mobiliza directores de informação, pressionados pelo controlo de custos, a atirar a correr para Freixo de Espada à Cinta o "carro de exteriores" à compita com outros "carros de exteriores", para mostrarem camião virado ou, melhor ainda, um autocarro, ou, se andarem depressa, um ferido a ser desencarcerado, ou um morto na berma. E então se houver crianças feridas ou mortas, melhor ainda para as audiências. Depois há um stock de "notícias" para os intervalos do futebol, as reportagens sobre doenças, de preferência raras, de preferência com "casos humanos" apensos, de preferência com imagens fortes como a de um buraco feito por uma broca na cabeça, tudo interessantes matérias para prender o olho dos ouvintes no meio do jantar. Médicos, assistentes sociais, pedopsiquiatras ou pedopsicólogos, ex-polícias da Judiciária, são profissões com garantia de sucesso televisivo, como também astróloga, hortelão urbano, bruxa e ervanário popular explicando como a sua erva é mais eficaz do que o pau de Cabinda. A cultura da irrelevância está impante como nunca, espectáculo e pathos brilham no sítio que anteriormente ainda era frequentado, de vez em quando, pela razão, pelo bom senso, pela virtude. Esta é, obviamente, a melhor comunicação social, a melhor televisão para os governos, e o actual cuida bem que não lhe falte dinheiro para as suas quinhentas horas de futebol. Compreende-se: a bola não pensa, é para ser chutada.»

José Pacheco Pereira, in Público

DOIS IRREALISTAS


Há demasiado ressentimento nesta entrevista. Não se pode construir nada sobre o ressentimento. Há, sobretudo - e isso é o pior porque dá o "tom" da candidatura - um "tom" de vingança póstuma que costuma ser fatal. Em registos diferentes, Sócrates e ele estão muito próximos. São dois irrealistas.

UM ADEUS PORTUGUÊS


Nem tudo é mau com o acordo ortográfico destinado a "colonizar" a nossa língua. Por um lado, a deputação nacional mostrou, uma vez mais, a "fibra" de que é feita. Por outro, passa-se a ler mais em francês, espanhol, italiano e inglês. Não se perde grande coisa.

16.5.08

O ORNITORRINCO DOENTE


O folhetim em curso no PSD tem todos os ingredientes para acabar mal. Santana Lopes continua demasiado apaixonado por si próprio contra Ferreira Leite, contra o mundo, em geral, e contra Pacheco Pereira, em particular. Ferreira Leite, essa, nunca está apaixonada por coisa alguma, nem sequer pela sua própria candidatura que exibe pelo país com a melancolia da inevitabilidade. É, pois, Passos Coelho quem floresce por entre estes tristes jogos florais. Nem precisa, aliás, de se mexer muito apesar de já ir dizendo que prefere "não ter experiência governativa do que ter a má experiência governativa que o dr. Pedro Santana Lopes teve." Esta tirada dá, pelo menos, para mais uma semana de indignação do visado. Menezes já deu sinais mais do que suficientes do "sentido" que as suas tropas devem seguir. Passos Coelho, porém, tem um problema terrível para resolver se ganhar. Que fará com essa vitória de Pirro ameaçada, à partida, por uma cisão irremediável entre a "plebe" e a "aristocracia" e, dentro desta, pelas facadas com que vão decorar as costas uns dos outros? Não o invejo.

15.5.08

OUTRA RUÍNA

A convite do Pedro Correia, do Corta-Fitas, esta "reflexão" sobre o "estado do PSD". As "directas" de 31 de Maio não devem resolver nada de substancial. O PPD/PSD precisa "purgar" as duas "câmaras" que o têm vindo a minar. Se não for a bem, será a mal. No entanto, como na vida, às vezes há males que vêm por bem. Outra ruína.

DO PIOR

A economia. Outro assunto que não vem nas "fichas" preparadas para Sócrates. Sobretudo porque as "fichas" não são feitas lá fora. E porque a propaganda aprecia ignorar a realidade até ao limite. A economia, num lance, pode mudar tudo. Nunca há "fichas" preparadas para as coisas sérias. Quando se fizer o balanço da legislatura ver-se-á que o governo se limitou ao fogacho espectacular. Não temos a certeza que a mesma gente que, por junto, prometeu "novas oportunidades", cento e cinquenta mil empregos novos e índices de crescimento que a realidade teima em puxar para baixo possa "aguentar" as coisas. Mesmo descontando a apatia geral da pátria, não é possível retirar dos bolsos o que lá não está. Isto cria uma responsabilidade acrescida ao PSD que, manifestamente, não consta que navegue (ou venha a navegar a curto prazo) em condições de estar à altura dela. O mito socrático esfarelar-se-á à conta do ilusionismo dele e do "realismo" da vida, infinitamente mais rica, para melhor e para pior, do que a imaginação. Isto promete. Do pior.

14.5.08

MISÉRIAS

Esta "polémica" em torno das barracas da feira do livro - sim, porventura até é melhor que não abra face à lenta decadência - ainda obriga a alterar a toponímia do Parque Eduardo VII para Parque Lenine. O grupo LeYa comporta-se como o novo "regime único" no mundo editorial português e o dr. Costa, da CML, aproveita para poupar o que não tem, sonegando um subsídio qualquer. Misérias.

A LEI NÃO GERAL NEM ABSTRACTA

O governo dele aprova uma lei anti-tabágica fundamentalista que incomoda até os não fumadores. Ele, no entanto, desconhece o "âmbito" de aplicação da dita lei. Em suma, ignora que não se pode fumar em locais fechados tão óbvios como uma cabine de avião. Ele, aliás, "costumava" fumar em "viagens anteriores" que realizou com os mesmos ou com outros protagonistas. Desculpa-se e promete que, depois disto, vai deixar de fumar. Esqueceram-se manifestamente de lhe preparar esta "ficha".

PORTUGAL, UMA COLÓNIA ANGOLANA

É extraordinário observar a "reacção" do ainda porta-voz do PSD para as "questões internacionais" sobre Angola. E é ainda mais extraordinário reparar nas "dificuldades" do governo e do PS em defender Mário Soares contra os papagaios da cleptocracia de Eduardo dos Santos. Soares não é exactamente santo, mas nunca, enquanto presidente, manifestou qualquer tipo de temor reverencial por aquela ditadura "democrática". O pragmatismo cortesão e interesseiro que rege as bizarras relações com Angola é uma "história" para sempre mal contada. Martins da Cruz foi um medíocre ministro dos negócios estrangeiros que saiu pela porta traseira do governo de Barroso. Tem-se, porém, em grande conta, como é típico nestas criaturas embotadas. A varrer depois da pseudo-arrumação de 31 de Maio.

A GLÓRIA DA SEMANA

13.5.08

A CHANCELER, O SARGENTÃO E O FUMADOR CLANDESTINO

Nem o sargentão venezuelano nos livra do 15º aumento dos combustíveis este ano. Depois de ter andado seis meses aos beijinhos com a chanceler Merkl, espera-se que, ao menos, Sócrates tenha a coragem pública de defender a honra da parceira em Caracas. É o mínimo que se lhe pode exigir já que não levou o dr. Nunes, da ASAE, no avião para partilhar com ele a dissimulação.

«MUDANÇA»


A Constança Cunha e Sá, no programa Cartas na Mesa, da TVI, entrevistou D. Jorge Ortiga, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e Bispo de Braga. Tratou-se de uma entrevista bem preparada em que D. Jorge procurou não ser politicamente incorrecto, isto é, onde deu a entender que a Igreja está aberta à "mudança" sem prejuízo da "doutrina". D. Jorge deseja uma laicidade que aceite as diferenças - "inclusiva" - e que rejeita, como lhe compete, o puro laicismo. Pura ilusão. À laicidade puxa-lhe, sempre que pode, o pé para o jacobinismo. A história, a remota e a presente, não evidencia outra coisa. Falar em "mudança", neste mundo sem Cristo, é ajudar à festa. Ratzinger não se cansa de repetir duas coisas. A primeira, que a Igreja não faz proselitismo. A segunda, que deve estar preparada para "viver" em minoria. É a esta "mudança" que a Igreja portuguesa deve atender. Não há outra.

ESTAR POR TUDO


O bom do eng. Sócrates vai à Venezuela com uma vetusta comitiva de empresários, mais o dr. Pinho e o eng. Lino. Só falta o dr. Mário Soares. Recorde-se que foi ele quem "abriu" as portas ao negócio do regime de Chávez com a GALP e tem sido ele, nos seus artigos e "charlas" pedagógicos, quem mais tem feito, por cá, pela "imagem" do grande democrata venezuelano. O tal que, pouco tempo após as recomendações de Soares, se referia à sua derrota em referendo nacional como uma "vitória de merda" dos outros. Sócrates olha para a Venezuela como uma oportunidade de negócio e Chávez olha para nós com aquela comiseração balofa de quem vive de escoar petróleo um pouco por todo o lado. Sócrates, mal ou bem, vem do ocidente e da Europa dos "direitos humanos", ex-colonizadora da América latina que, nas suas contradições e com a sua expansão, produziu criaturas como o presidente venezuelano. Negociar com ressabiados para quem a humanidade e a singularidade de cada homem contam pouco, a bem do pragmatismo universal em vigor, não diminui seguramente o sargentão. Chávez, achará Sócrates, vale bem uns barris de petróleo. Estamos por tudo.

12.5.08

CAVACO E A JUVENTUDE


O Doutor Cavaco Silva convidou trinta "jovens" para Belém. O objectivo consistia em discutir a "juventude e a política". Foram os do costume, em mais "novo". Dos partidos, das "associações", do "conselho nacional de juventude". Muito patrioticamente parece que os jovens não gostam da política. Segundo o famoso estudo da Católica, apresentado pelo Pedro Magalhães, sessenta e cinco por cento dos interrogados "interessam-se pouco" pela política. Pelo contrário, Cavaco "interessa-se" por que eles se "interessem" uma vez que, como lhes explicou, «contactou com milhares de jovens, enquanto Primeiro-Ministro, Presidente da República e como professor universitário», considerando «o interesse da juventude nos assuntos políticos e cívicos de "muita relevância" para o futuro do país.» Cavaco não é homem para ter dito isto e rir-se de seguida. Devia. Com os exemplos que temos, alguns dos quais ele ajudou a florescer - veja-se a presente trapalhada no PSD ou o magnífico Durão Barroso - e outros - a ficção "socrática"- a manter, é difícil sugerir à juventude que atribua um módico de "relevância" à coisa pública. E, muito menos, através do bando que o foi ouvir, presumivelmente cheio dos vícios do regime. Eles que leiam filosofia que aprendem mais.

A MINHA "AGENDA"


Um leitor acusa-me de ser inconsistente, parvo e de "ter uma agenda" nesta coisa do PSD. Presumo que é por eu não acompanhar a aventura da dra. Leite. Para seu esclarecimento, "acompanhei" a dra. Ferreira Leite quando foi presidente da distrital de Lisboa num remoto lugar na assembleia metropolitana (AML, acho que era assim que se chamava). Fui a uma única reunião - quando Marcelo saiu - e jurei para nunca mais. Nunca achei particular "brilho" político à dra. Leite, embora lhe reconheça qualidades que me agradam no mando. A chefia do grupo parlamentar e as hesitações fatais nas vésperas da eleição directa que escolheu Menezes chegaram para perceber que as qualidades não superam as falhas. Politicamente, Manuela Ferreira Leite nem sequer chega a ser um mito. De resto, não tenho agenda para isto porque deixei de ser militante em 2004. Como escrevi, só regressaria através do PSD-Madeira. Se isto for uma agenda...

11.5.08

OBVIAMENTE

«Votou Santana Lopes em 2005?», perguntou o Jornal de Notícias a Manuela Ferreira Leite. A senhora, carregada de subtileza e tacto políticos, respondeu assim: "obviamente que não lhe respondo." Não é o "não lhe respondo" que me incomoda. É o "obviamente". Ferreira Leite, a cada dia que passa, torna-se uma óbvia má candidata ao que quer que seja. E o país já está cheio de estátuas.

CONTRA OS PROCESSADORES DE DADOS


Vitorino Magalhães Godinho concedeu uma entrevista ao Expresso. Lamento ler nela - em papel porque não tenho acesso à totalidade, na net - não tanto as palavras do historiador mas a "leitura" das palavras de Magalhães Godinho conforme foi feita pelos entrevistadores. Godinho está à beira dos noventa com a mesma lucidez dos trinta ou dos quarenta. É discutível como toda a gente que pensa deve ser. Pena que os mais novos não possam - ou não queiram - usufruir do seu ensino, traduzido, felizmente, em livros de entre os quais se reeditou "A expansão quatrocentista portuguesa" (Dom Quixote). A nossa pobre "classe política", se lesse um livrinho seu intitulado " A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa" (Arcádia), não seria certamente tão despropositada e vazia. Ninguém, aliás, devia ser "admitido" na política sem saber história. «Não estamos numa sociedade de pensamento, mas apenas de acumulação de dados», disse Godinho ao Expresso. É nisto que estamos, pastoreados por meros processadores de dados. Nada mais.

POPULISMOS


Na luta pela liderança do PSD, há dois termos recorrentes: Sá Carneiro e "populismo". Todos se reclamam da "herança" de Sá Carneiro e da necessidade de "restaurar" a sua "tradição". E alguns socorrem-se do seu nome contra o "populismo". Acontece que, aos olhos de muito do "baronato" que hoje apoia Ferreira Leite, Sá Carneiro, entre 74 e 80 - altura em que a vitória da AD o tornou "respeitável" - era um "populista". E perigoso. Ferreira Leite pode sempre perguntar a Vasco Graça Moura, a Barbosa de Melo ou a Rui Machete, por exemplo, o que é que pensavam, na altura, de Sá Carneiro. Mais. Ferreira Leite, falando aos "jovens" da "jota", advertiu-os de que os "a ideia de que se tem um canudo estilo engenheiro Sócrates, que dá para tudo, já não serve." Se a candidata acha que as habilitações académicas do primeiro-ministro e respectiva verosimilhança são coisas para serem escrutinadas politicamente (e são), discuta-as a sério. A referência a "um canudo estilo engenheiro Sócrates" é puro "populismo", como um seu qualquer apoiante "anti-populista" lhe pode facilmente explicar.

O "FUTEBOLÊS"

Alguns comentários ao post anterior pressupõem, erradamente, que eu possuo uma "posição" futebolística. Porventura por viver em Lisboa. Não possuo. Detesto - reparem no verbo - futebol. Não pela coisa em si, mas pelo que dela fizeram. Jogos de bola todos os dias, a qualquer pretexto, vindos de qualquer parte do mundo, cansa. Não tarda e teremos de gramar jogos de bairro entre garotada porque os outros se esgotaram. Para além disso, o "futebolês", tratado de igual para igual com golpes de estado ou eleições nos nossos media, é mais uma manifestação da nossa irremediável iliteracia, do nosso congénito primitivismo. Lá fora também é assim? É. E pior. Todavia, "lá fora" (penso sobretudo na Europa nossa "companheira") há muita coisa que funciona e, até, ressuma geralmente a democracia. Aqui não. Até prova em contrário, toda a gente é inocente enquanto não houver uma decisão terminal, ou seja, da qual já não é mais possível recorrer. Tudo o resto, esta discussão imbecil que distrai o país de si mesmo (o país, na sua alegre inconsciência, e Sócrates, na sua sisuda consciência, agradecem) apenas entretém como um carrocel mágico. Nem sequer faltam as alimárias. De carne e osso.

10.5.08

O MUNDO TROPICAL DA BOLA


Elucidativa do "estado" do respectivo "mundo" é a circunstância de o presidente da liga de futebol, o sr. Hermínio Loureiro, ter sido "aconselhado" a não sair de casa. Por maioria de razão, presume-se que o presidente da comissão disciplinar da dita liga já esteja fora do país. Por que será que, sempre que se entra no insondável "mundo da bola" - que se confunde com o regime, oscilando entre milhões e miséria, e onde não existe um respeitável político ou comentador que o não frequente - fica-se com uma sensação centro-africana ou latino-americana? Por que será?

9.5.08

FIGURAS "CHAVE NA MÃO"



Se bem entendi, a "chave" da cidade de Lisboa só foi entregue, recentemente, a três portugueses, a saber, Carlos Lopes, Saramago e Durão Barroso. Lopes é um bom homem que não merecia tão tristes companhias. Já Sócrates e Barroso, "companheiros" ou "camaradas", merecem-se um ao outro. E Costa, como não tem, por enquanto, mais nada para dar, vai fazendo esta pobre figura camarária. Foi para isto que caíram Carmona e Marques Mendes?

MANUELA, A VERDADEIRA

Manuela Moura Guedes volta logo ao Jornal Nacional da TVI. Livre, espera-se, como sempre.

Adenda: Escusam de perder tempo a enviar "comentários" - anónimos ou assinados - a insultar a jornalista a exemplo, aliás, da mediocridade e da insignificância a que alude Pulido Valente na crónica do Público. Não passa um.

A FALA DE UM MILITANTE DE BASE

Vale a pena ler esta inteligente entrevista de um "militante de base" que apoia Ferreira Leite. Ao lê-la, percebe-se por que é que a candidata se "exprime" politicamente através de "militantes de base" como este e não tanto por ela mesma. Ela é mais "contas" e o substantivo abstracto "credibilidade" do que qualquer outra coisa. Não sei se chega para os outros "militantes de base".

PEDRO, O OUTRO, NA NET


Pedro Santana Lopes na net: sítio da candidatura e blogue do candidato. Sugestão: "abra" o blogue a textos de terceiros.

O CANDIDATO ESCORREITO

Passos Coelho, o "jovem" que julga que o "futuro é agora", recebeu o apoio do sr. Ruas, eterno presidente da Câmara de Viseu e chefe da banda autárquica nacional. Ruas justificou-se com o "passado escorreito" do "jovem" Passos Coelho, provavelmente recordado dos anos de pastorícia da JSD e da intermitente vice-presidência com Marques Mendes. Tudo somado, foi de pequenino que Passos Coelho aprendeu a intrigar como compete a um "jovem" com esta ambição. "Escorreito" era um termo muito caro a Menezes. Usou-o em Belém, quando se despediu de Cavaco, e antes, contra Sócrates, falara numa "democracia escorreita", fosse lá isso o que fosse. O sr. Ruas descobriu agora em Passos Coelho o candidato "escorreito", isto é, o candidato "menezista". Este rapaz vai longe.

IRISH COFFEE

Durão Barroso, tipicamente, já anda a "advertir" o povo irlandês quanto às consequências de o referendo ao tratado de Lisboa não ter o desfecho desejado e inicialmente "previsto". Afinal, as favas podem não estar todas contadas. É bem feito.

NÃO SE PODE TER TUDO


Cavaco Silva pratica hoje o acto mais lamentável do seu mandato ao promulgar a lei da AR que aprova o tratado de Lisboa. Não se pode ter tudo.

8.5.08

MANUELA NO DIVÃ

Filipe Nunes Vicente, no seu blogue, tem feito mais pela candidatura da dra. Ferreira Leite do que todas as notabilidades juntas que a sustentam alguma vez farão. "Feito", quer dizer: mostrar aos (e)leitores por que é que ela pode ser uma boa candidata a chefe de governo e simultaneamente uma péssima candidata para consumo interno.

«MAL VISTO»

Este magistrado, por acaso, é casado com uma conhecida minha. Não é tagarela e, talvez por isso, é mais "verdadeiro". Ao dizer o que diz, resume, com candura, o que os outros pensam mas disfarçam sob o manto diáfano da retórica corporativa: "se eu ficasse, seria mal visto pelos meus colegas do Ministério Público.» Não lhes ocorre que, sendo o MP titular da acção penal, talvez seja mais adequado que a investigação decorra sob a supervisão da PGR e não com a PGR, através do director-geral ou dos directores-adjuntos da PJ, metidos nela. Os mais recentes exemplos de "envolvimento" directo do magistrado director-geral da PJ em investigações em curso foram suficientemente desastrosos para que se lhes recomende, finalmente, alguma discrição.

7.5.08

FINALMENTE...

Uma boa notícia.

UM PROGRAMA

Para a dra. Ferreira Leite, as questões são "complexas". Isto é, de facto, todo um programa.

O POLÍCIA


Os senhores magistrados não gostam de polícias. Precisam deles, mas não gostam. A escolha de um profissional da investigação criminal para chefiar a PJ é, em conformidade com esta "doutrina", uma "ofensa". O polícia é licenciado em direito, logo presume-se que sabe quem é que é responsável pela acção penal e que, por aí, não virá mal ao mundo. A PJ teve, nos últimos anos, apenas directores oriundos das duas magistraturas. Se tivesse corrido bem, ainda hoje lá estaria um. Os sindicatos dos senhores magistrados deviam meditar nesta evidência antes de atirarem as pedras da sua habitual sobranceria para cima do polícia. Deixem o homem trabalhar.

PERSONAGEM DE FICÇÃO

Ana Jorge - uma ministra da saúde com ar de quem saiu de um romance de Alphonse Daudet - foi a uma comissão parlamentar verberar o protocolo estabelecido entre a ADSE e o Hospital da Luz. Segundo a senhora, o investimento que esse protocolo representa devia ter sido "canalizado" para o serviço público de saúde e, por isso, "lamenta-o". A dra. Jorge recorda aqueles velhos militantes da velhíssima esquerda socialista que possuem uma visão meramente retórica da realidade que supõem poder mudar a partir do Estado. Imagina um SNS simultaneamente "abrilista", auto-suficiente e eficiente em condições de concorrer, confiadamente, com outros. É, de facto, uma personagem de ficção.


Adenda: Este post clarificador de Eduardo Pitta. «Os beneficiários da ADSE, para beneficiar dela, pagam. Enquanto a generalidade dos trabalhadores desconta para ter acesso ao Serviço Nacional de Saúde, os funcionários públicos fazem esse desconto e ainda outro para a ADSE. Os aposentados até descontam 14 vezes por ano, uma vez que (no seu caso) o desconto incide igualmente nos subsídios de férias e de Natal. Num país com 700 mil funcionários públicos, acaso passou pela cabeça da ministra o que seria toda essa gente a entupir os hospitais públicos? No dia em que a ADSE deixar de ter acordos com unidades privadas, terão de cessar os respectivos descontos.»

VIM, VI MAS AINDA NÃO VENCI - 3

"Câmara dos Lordes dot com"

NÃO TEM RAZÃO?


Cá está ele. De novo. Em poucos dias, percebeu perfeitamente que isto só valia a pena se falasse menos de si e mais para o país. Também percebeu que a falta de legitimidade eleitoral e o tradicional oportunismo da "câmara de lordes" do partido lhe foram fatais. Está como sempre esteve no seu melhor: sozinho. Há para aí uns dez anos, mais ou menos, encontrei-o assim, à porta do comando da PSP da Figueira de Foz onde começava a "mostrar-se" à cidade. Marcelo "empurrou-o" para lá e ele desenvencilhou-se perfeitamente, por conta própria e longe do "aparelho". Em Lisboa, derrotou a presunção de João Soares que achou que existir e ter tido um bom desempenho camarário, chegava. Errou, porém, quando aceitou o presente envenenado de Barroso, Sampaio e da "câmara dos lordes" do partido, por esta ordem. Não foi poupado. Nem sequer neste blogue. Agora quer - tem esse direito - recuperar o tempo perdido. Fez a melhor apresentação de candidatura das três que contam. Se não perder o pé e tempo com o que (e com quem) não interessa, talvez surpreenda. Até a si próprio. «A verdade é que os portugueses vivem pior do que em 2005 Não tem razão?

6.5.08

«PARA QUE SERVE O PSD?»*

«A questão é muito simples. Neste momento, para que serve o PSD? É um Partido que tem de ganhar as eleições nacionais de 2009, para mudar Portugal e o Sistema político? Ou apenas se deve remeter à sua normal institucionalização como Partido, para servir o Sistema, e para deixar tudo mais ou menos como está, incluso Sócrates e uma certa subserviência a Bruxelas? Mas, para além de estas questões terem que ser decididas de uma vez por todas, antecedem-nas outras. Quem tem de resolver a questão? As Bases do Partido e os seus Dirigentes patriotas, os que militam com os olhos postos no Povo e no futuro do Estado? Ou apenas os barões e os baronetes que se apropriaram do Partido e que, nos respectivos narcisismos, estão indiferentes ao futuro dos Portugueses e do Estado, apenas querem dirimir os seus ajustes de contas pessoais e sustentar um Sistema que os faz gente, mesmo que deixando o poder aos socialistas? E quem tem de pensar tudo isto, bem fundo, e decidir? As Bases e os Dirigentes patriotas, no seu íntimo e na sua força do voto secreto? Ou as Bases e os Dirigentes patriotas se deixarem arregimentar pelos grupos e grupelhos dos barões e baronetes? As Bases e os Dirigente patriotas se deixarem orientar por uma comunicação social de “esquerda”, como já sucede há muito tempo, e por “comentadores” afectos ao Sistema e neste pagos, sendo assim o Partido Social Democrata orientado e condicionado de fora para dentro? Quem, errados, vem seguindo o “politicamente correcto” que definha o País, estagna o Sistema e anula a força que o Partido Social Democrata pode ter? Ou não será tempo de, sem medos e pudores, voltar aos caminhos de vitória e de dinâmica nacional, combatendo e denunciando as ideias-feitas que os agentes do Sistema instalado, há tanto tempo sistematicamente nos enfiam? Tudo isto que, agora, decorre no Partido Social Democrata, é o cúmulo! É uma fragmentação balcanizada, em que os barões e baronetes tudo fazem para impedir a unidade do Partido, um Partido forte, a uma só voz. É o derrotismo de não ter por objectivo ganhar as eleições de 2009, avançando candidatos que se sabe nenhum deles ter condições, presentes ou de passado, para vencer Sócrates e os socialistas. É a negação da própria Ideologia do Partido, na colagem deste ao Sistema político caduco e na obstaculização de todos quantos pretendam alterar, DE FUNDO, a situação em que Portugal está mergulhado. É a falta de Sentido de Estado. Afinal, foi para isto que se fez o Partido Social Democrata? Foi para isto que tanto Militante anónimo lutou, teve esperança, encheu o peito com fervor patriótico e, na sua opção de Serviço ao País, tantas vezes muito arriscou, sofreu, batalhou? Basta!Isto não pode continuar assim!Mas também não estejam à espera de D. Sebastião ou de D. Quixote. Porque, hoje, ninguém vai levianamente para batalhas, ou faz do “cavaleiro da triste figura” que olha para trás, vê gente a abanar a cabeça que sim, mas que não se mexe e se deixa embalar, tipo paixão futebolística, pelas diversas equipas dos barões e dos baronetes que só lutam para não descer de divisão. O Partido Social Democrata tem um Património de Valores e um potencial de Vontades que pode mudar Portugal. Mas, para mudar Portugal, obviamente que tem de derrotar Sócrates e os socialistas, em 2009. E, antes, já em Outubro deste ano, tem o azar, num clima destes, das dificílimas eleições regionais nos Açores, obstáculo complicadíssimo. Para derrotar Sócrates, é necessário um líder que ganhe o apoio da maioria dos Portugueses com sede de Esperança, e não quem apenas se satisfaça em ganhar o Partido, sabendo-se que não ganha as eleições nacionais. Para derrotar Sócrates, é necessário refundar a Aliança Democrática, mobilizando e unindo todos os Portugueses que não são militantes socialistas, nem comunistas. As Bases e os Dirigentes patriotas do PSD, agora, no actual momento, recorrendo à discrição do voto individual e secreto que não dá satisfações a quem quer que seja, é que têm de decidir, desde já, se querem uma autêntica Revolução no Partido. Se querem deixar de ser manipulados pelos instalados no Sistema. Quer dentro, quer de fora do Partido Social Democrata. A se manter este quadro negativo, é legítimo perguntar: para que serve o PSD?!…Para sustentar este Sistema?… A culpa é de… QUEM?!…»


*artigo de Alberto João Jardim publicado no Jornal da Madeira

CARAS

A dra. Ferreira Leite recebeu ontem, "emocionada", o apoio de Barbosa de Melo, um respeitável ancião que foi presidente da AR e que o país, muito justamente, ignora. Vai também "jantar" com o dr. Balsemão, o "número um", que costuma ornamentar qualquer mesa de qualquer presidente ou putativo presidente do partido. E diz a dra. Leite que a coisa não é um problema de "caras". Depois de uma entrevista sem qualquer interesse dada ao Expresso, da parte desta candidata só lhe conhecemos as "caras". As do costume.

A PRÓXIMA VÍTIMA


O dr. Alípio, da PJ, vai-se embora. Tratava por "tu" o dr. Costa, ministro da justiça que, mais uma vez, cometeu um erro de casting. Não lhe serviu para nada. Não percebeu que, em certos cargos, a discrição é fundamental. Quando a violam, é bom que saibam medir o que dizem. Alípio, pelo contrário, foi avulso e vulgar. A corporação - outra com um sindicato poderosíssimo - não esteve com ele. E a gestão do insuportável caso "Maddie" foi-lhe fatal. Santos Cabral, uma escolha de Santana Lopes, nunca devia ter saído. Chega, em breve, a próxima vítima.

5.5.08

PARA VARIAR

As televisões mostraram o chefe do governo metido num fato laboratorial azul que só deixava ver os olhinhos. Ele e o dr. Pinho foram anunciar mais um investimento que, se bem percebi, tem a ver com a energia solar. Perto desse investimento anunciado - vamos ver quantas mais vezes ele vai ser "anunciado" - estão fábricas desertificadas ou a caminho disso. Também consta que vem aí fome em sentido próprio, uma coisa que a banda larga, por mais que se esprema, não resolve. As "circunstâncias ocorrentes", termo caro ao Doutor Salazar, não prometem nada de bom. Toda esta parafernália de investimentos anunciados e reanunciados podem, pura e simplesmente, dar em nada. E pode perfeitamente dar-se o caso de uma coisa tão trivial como colocar uma cesta de pão na mesa vir a revelar-se um pesadelo. Os candidatos do PSD também deviam pensar nisto. Para variar.