30.11.09

TENHAM PACIÊNCIA


Uma das coisas mais fascinantes de Istambul - Istambul, toda, é uma das cidades mais fascinantes do mundo - é a profusão de mesquitas. E onde há mesquitas, há chamamento para as orações. O cruzamento desses sons é outra das coisas fascinantes de Istambul. Isto serve para dizer que aprecio mesquitas. É um lugar de culto como outro qualquer e que me merece todo o respeito. O mesmo que me suscita o resultado de uma consulta popular, vulgo referendo. Os suiços decidiram-se pela suficiência dos minaretes construídos nas suas mesquitas. Não querem mais. Por consequência, levantou-se imediatamente o coro internacional dos padroeiros da correcção política para atacar a decisão suiça. O argumentário é conhecido.Todavia, se existe país que dispensa lições destes curandeiros é a Suiça. Esta gente, no fundo, só suporta a democracia de que se reclama dona quando a democracia "vota" a seu favor. Tenham paciência.

TENHAM PACIÊNCIA


Uma das coisas mais fascinantes de Istambul - Istambul, toda, é uma das cidades mais fascinantes do mundo - é a profusão de mesquitas. E onde há mesquitas, há chamamento para as orações. O cruzamento desses sons é outra das coisas fascinantes de Istambul. Isto serve para dizer que aprecio mesquitas. É um lugar de culto como outro qualquer e que me merece todo o respeito. O mesmo que me suscita o resultado de uma consulta popular, vulgo referendo. Os suiços decidiram-se pela suficiência dos minaretes construídos nas suas mesquitas. Não querem mais. Por consequência, levantou-se imediatamente o coro internacional dos padroeiros da correcção política para atacar a decisão suiça. O argumentário é conhecido.Todavia, se existe país que dispensa lições destes curandeiros é a Suiça. Esta gente, no fundo, só suporta a democracia de que se reclama dona quando a democracia "vota" a seu favor. Tenham paciência.

DAQUI ATÉ À ETERNIDADE

O prof. Freitas do Amaral ressuscitou ontem pela mão do marcelínico "diário da manhã". Não li evidentemente. Calculo que tivesse produzido mais um dos brilhantes diagnósticos acerca do estado a que isto chegou. Freitas safou-se a tempo de Sócrates alegadamente por causa das "cruzes". Era, para usar um termo de Woody Allen, um homem desfocado. Apesar disso, aparenta estar sempre pronto vai para mais de quarenta anos. O que nunca se sabe bem é para quê.

DAQUI ATÉ À ETERNIDADE

O prof. Freitas do Amaral ressuscitou ontem pela mão do marcelínico "diário da manhã". Não li evidentemente. Calculo que tivesse produzido mais um dos brilhantes diagnósticos acerca do estado a que isto chegou. Freitas safou-se a tempo de Sócrates alegadamente por causa das "cruzes". Era, para usar um termo de Woody Allen, um homem desfocado. Apesar disso, aparenta estar sempre pronto vai para mais de quarenta anos. O que nunca se sabe bem é para quê.

CRÓNICA DO TEMPO QUE PASSA OU COMO JÁ NÃO HÁ HERÓIS


«Ainda me recordo de alguns homens que se suicidaram por não poderem honrar uma dívida. Hoje, o mais normal é matarem os credores. E dizendo isto está tudo dito.»

Do Médio Oriente e Afins

CRÓNICA DO TEMPO QUE PASSA OU COMO JÁ NÃO HÁ HERÓIS


«Ainda me recordo de alguns homens que se suicidaram por não poderem honrar uma dívida. Hoje, o mais normal é matarem os credores. E dizendo isto está tudo dito.»

Do Médio Oriente e Afins

POR QUE É QUE ELES SÃO INCOMPORTÁVEIS

«Com o clima de corrupção generalizada existente, com os métodos usados na revisão dos preços, com os objectivos anunciados e com as prioridades conhecidas do Governo a serem a EDP, a PT a Mota-Engil, a Ongoing, Joaquim de Oliveira, a Martifer, a Sá Couto e quejandos, é fácil de ver para onde irão os milhares de milhões de euros de investimentos públicos previstos.(…) Ou seja, a grande prioridade de José Sócrates não são os postos de trabalho, mas a ajuda às empresas do regime e o controlo dos meios de comunicação, para que os portugueses não se apercebam disso.»

Henrique Neto, Jornal de Leiria via Blasfémias

POR QUE É QUE ELES SÃO INCOMPORTÁVEIS

«Com o clima de corrupção generalizada existente, com os métodos usados na revisão dos preços, com os objectivos anunciados e com as prioridades conhecidas do Governo a serem a EDP, a PT a Mota-Engil, a Ongoing, Joaquim de Oliveira, a Martifer, a Sá Couto e quejandos, é fácil de ver para onde irão os milhares de milhões de euros de investimentos públicos previstos.(…) Ou seja, a grande prioridade de José Sócrates não são os postos de trabalho, mas a ajuda às empresas do regime e o controlo dos meios de comunicação, para que os portugueses não se apercebam disso.»

Henrique Neto, Jornal de Leiria via Blasfémias

INCOMPORTÁVEIS


Quando acabar a cimeira ibero-americana, começa um fogo de artifício destinado a celebrar a aberração de Lisboa, mais conhecida por tratado de Lisboa. O dr. Costa, reputado comentador televisivo que acumula com a infausta presidência da CML, que tanto se queixou da falta de dinheiro que encontrou na câmara, colocou cartazes por toda a cidade a anunciar o evento, salvo erro para os lados da Expo. Entretanto, e lançadas a derradeiras canas, o país estará mais hipotecado do que estava quando se iniciou a "comemoração" pimba. Portugal está rapidamente a tornar-se infrequentável por causa destes parvenus. Sei bem que foram escolhidos democraticamente. Só prova que a a democracia comporta, como qualquer regime, efeitos perversos. Estas perversões ambulantes que nos governam - central e localmente - é que começam a ser incomportáveis.

INCOMPORTÁVEIS


Quando acabar a cimeira ibero-americana, começa um fogo de artifício destinado a celebrar a aberração de Lisboa, mais conhecida por tratado de Lisboa. O dr. Costa, reputado comentador televisivo que acumula com a infausta presidência da CML, que tanto se queixou da falta de dinheiro que encontrou na câmara, colocou cartazes por toda a cidade a anunciar o evento, salvo erro para os lados da Expo. Entretanto, e lançadas a derradeiras canas, o país estará mais hipotecado do que estava quando se iniciou a "comemoração" pimba. Portugal está rapidamente a tornar-se infrequentável por causa destes parvenus. Sei bem que foram escolhidos democraticamente. Só prova que a a democracia comporta, como qualquer regime, efeitos perversos. Estas perversões ambulantes que nos governam - central e localmente - é que começam a ser incomportáveis.

29.11.09

UMA LEITURA DE DOMINGO*

«Um mês bastou para se perceber o inevitável destino deste segundo governo “socialista”. Sócrates conseguiu irritar e hostilizar a oposição inteira durante quatro anos. A imagem de inflexibilidade e “determinação”, que ao princípio o serviu (de resto, por pouco tempo), acabou naturalmente por se transformar na imagem de suficiência e autoritarismo que hoje convida toda a gente a uma desforra exemplar. Ninguém acredita que o primeiro- ministro se transformou do dia para a noite no homem da conciliação, principalmente quando ele insistiu (e continua a insistir) que ganhou as legislativas de Setembro (que, de facto, perdeu) e ameaça cumprir o programa do PS como se estivesse em maioria absoluta. O carácter sobrevive à peripécia e o país vê nele o que ele até agora sempre quis que se visse – e que foi com firmeza rejeitado por milhões de portugueses. Pior ainda: Sócrates conseguiu juntar à animosidade política da esquerda e da direita, em princípio lógica e normal, uma execração pessoal sem precedentes. Por táctica ou vaidade, entrou numa guerra inútil e azeda com a televisão e a imprensa, que não lhe trouxe qualquer vantagem e o fez pagar pelo que devia e pelo que não devia. A obtusa (e frívola) tentativa de “gerir” a informação produziu exactamente o efeito contrário: o reino do boato, da “fuga” e da suspeita. Não admira que, com razão ou sem ela, o envolvessem em “escândalo” sobre “escândalo”: a licenciatura, o Freeport, a casa, a Face Oculta. Sócrates supõe que é vítima de uma ignóbil tentativa de “assassinato político”, mas não compreende que ele próprio a provocou. Governar pela propaganda e para a propaganda acaba, tarde ou cedo, mal. Em minoria, Sócrates não pode materialmente persistir na política que o levou ao desastre. Já recuou em matérias que há seis meses considerava intocáveis: na agricultura, na saúde, na avaliação dos professores. Fingiu que era por bom senso e vontade dele. Era por fraqueza. E, como não enganou a oposição, irá rapidamente passar da fuga à debandada ou à paralisia. Do Bloco ao CDS, o Parlamento não o estima, nem respeita e tem um objectivo principal: que ele saia de cena, mesmo a favor de outro PS. Verdade que discutir Armando Vara enquanto a bancarrota se aproxima raia a loucura. Só que no estado a que as coisas chegaram, nada se resolverá com Sócrates. A realidade é esta.»

Vasco Pulido Valente, Público

*Esta é apenas uma. Porém, um blogger faz sempre as suas, aos domingos, e encima-as com "um livro". Escolheu, desta vez, a História de Portugal coordenada por Rui Ramos. Não para a ler. Mas para a pesar. É o que há de "massa crítica" espalhada por aí.

UMA LEITURA DE DOMINGO*

«Um mês bastou para se perceber o inevitável destino deste segundo governo “socialista”. Sócrates conseguiu irritar e hostilizar a oposição inteira durante quatro anos. A imagem de inflexibilidade e “determinação”, que ao princípio o serviu (de resto, por pouco tempo), acabou naturalmente por se transformar na imagem de suficiência e autoritarismo que hoje convida toda a gente a uma desforra exemplar. Ninguém acredita que o primeiro- ministro se transformou do dia para a noite no homem da conciliação, principalmente quando ele insistiu (e continua a insistir) que ganhou as legislativas de Setembro (que, de facto, perdeu) e ameaça cumprir o programa do PS como se estivesse em maioria absoluta. O carácter sobrevive à peripécia e o país vê nele o que ele até agora sempre quis que se visse – e que foi com firmeza rejeitado por milhões de portugueses. Pior ainda: Sócrates conseguiu juntar à animosidade política da esquerda e da direita, em princípio lógica e normal, uma execração pessoal sem precedentes. Por táctica ou vaidade, entrou numa guerra inútil e azeda com a televisão e a imprensa, que não lhe trouxe qualquer vantagem e o fez pagar pelo que devia e pelo que não devia. A obtusa (e frívola) tentativa de “gerir” a informação produziu exactamente o efeito contrário: o reino do boato, da “fuga” e da suspeita. Não admira que, com razão ou sem ela, o envolvessem em “escândalo” sobre “escândalo”: a licenciatura, o Freeport, a casa, a Face Oculta. Sócrates supõe que é vítima de uma ignóbil tentativa de “assassinato político”, mas não compreende que ele próprio a provocou. Governar pela propaganda e para a propaganda acaba, tarde ou cedo, mal. Em minoria, Sócrates não pode materialmente persistir na política que o levou ao desastre. Já recuou em matérias que há seis meses considerava intocáveis: na agricultura, na saúde, na avaliação dos professores. Fingiu que era por bom senso e vontade dele. Era por fraqueza. E, como não enganou a oposição, irá rapidamente passar da fuga à debandada ou à paralisia. Do Bloco ao CDS, o Parlamento não o estima, nem respeita e tem um objectivo principal: que ele saia de cena, mesmo a favor de outro PS. Verdade que discutir Armando Vara enquanto a bancarrota se aproxima raia a loucura. Só que no estado a que as coisas chegaram, nada se resolverá com Sócrates. A realidade é esta.»

Vasco Pulido Valente, Público

*Esta é apenas uma. Porém, um blogger faz sempre as suas, aos domingos, e encima-as com "um livro". Escolheu, desta vez, a História de Portugal coordenada por Rui Ramos. Não para a ler. Mas para a pesar. É o que há de "massa crítica" espalhada por aí.

BOM PROVEITO

Começa hoje a cimeira ibero-americana em Lisboa. Faltam os senhores Chávez, Morales e Castro. Nem por isso o mode tropical fica prejudicado. Por exemplo, o nosso PR reservou vinte e dois quartos de um hotel em Cascais como se Cascais fosse em Caracas e não a poucos minutos de Lisboa. Depois, há uma tenda "tecnológica" montada em frente da Torre de Belém que recorda naves espaciais e aliens. Esta cimeira regular é uma das maiores inutilidades políticas do mundo. Tinha, até Fidel sair, o "picante" da sua presença com fatos oferecidos pelo falecido Mitterrand. Depois Chávez passou a fazer de clown de luxo de serviço à cimeira e até Sócrates deixou a sua "marca" com o Magalhães. Este evento custa, naturalmente, muito dinheiro que não é coisa que abunde. E é um pretexto para Sócrates celebrar o maldito tratado de Lisboa com foguetório vário. O cosmopolitismo de um povo - o nosso, aliás, sempre alheio a estas manifestações possidónias - não se mede em eventos. Mede-se, por exemplo, e como ontem lembrou o António Barreto, pela literacia de uma nação. Guterres é uma das "estrelas". Não deve ser por acaso. Foi com ele que começou o afundanço precisamente muito disfarçado com eventos. A cimeira ibero-americana antecipa as tendas do circo de natal que costumam aparecer por esta altura. Bom proveito.

BOM PROVEITO

Começa hoje a cimeira ibero-americana em Lisboa. Faltam os senhores Chávez, Morales e Castro. Nem por isso o mode tropical fica prejudicado. Por exemplo, o nosso PR reservou vinte e dois quartos de um hotel em Cascais como se Cascais fosse em Caracas e não a poucos minutos de Lisboa. Depois, há uma tenda "tecnológica" montada em frente da Torre de Belém que recorda naves espaciais e aliens. Esta cimeira regular é uma das maiores inutilidades políticas do mundo. Tinha, até Fidel sair, o "picante" da sua presença com fatos oferecidos pelo falecido Mitterrand. Depois Chávez passou a fazer de clown de luxo de serviço à cimeira e até Sócrates deixou a sua "marca" com o Magalhães. Este evento custa, naturalmente, muito dinheiro que não é coisa que abunde. E é um pretexto para Sócrates celebrar o maldito tratado de Lisboa com foguetório vário. O cosmopolitismo de um povo - o nosso, aliás, sempre alheio a estas manifestações possidónias - não se mede em eventos. Mede-se, por exemplo, e como ontem lembrou o António Barreto, pela literacia de uma nação. Guterres é uma das "estrelas". Não deve ser por acaso. Foi com ele que começou o afundanço precisamente muito disfarçado com eventos. A cimeira ibero-americana antecipa as tendas do circo de natal que costumam aparecer por esta altura. Bom proveito.

NAS COSTAS DE UM FELINO

Faz de conta que o homem que pesca está sentado no dorso de um felino que desafia o mar. E que a segurança não lhe advém da cadeira mas sim da escarpa em forma de felino. É justamente o felino que existe em cada um de nós - naqueles que não fazem questão de exibir a sua extraordinária "pessoa humana" - que permite continuar. Ontem tomei banho naquele mesmo mar. E hoje estou um ano mais velho do que estava no instante em que mergulhava. A partir de determinada idade, os aniversários só podem ser celebrados nas costas de um felino.

NAS COSTAS DE UM FELINO

Faz de conta que o homem que pesca está sentado no dorso de um felino que desafia o mar. E que a segurança não lhe advém da cadeira mas sim da escarpa em forma de felino. É justamente o felino que existe em cada um de nós - naqueles que não fazem questão de exibir a sua extraordinária "pessoa humana" - que permite continuar. Ontem tomei banho naquele mesmo mar. E hoje estou um ano mais velho do que estava no instante em que mergulhava. A partir de determinada idade, os aniversários só podem ser celebrados nas costas de um felino.

28.11.09

UMA CLAQUE ESVOAÇANTE

Ainda tenho fresca a memória daquela tarde de encontro dos "claqueiros" de António Costa no Martinho da Arcada. A Fátima, aliás, pode confirmar o resoluto desfile de "intelectuais" ao qual presidia Vieira Nery. Pois apesar de tanta intelligentsia junta com lugar assegurado no Olimpo da eternidade - houve quem fotografasse compulsivamente esses sublimes encontros à laia de ersatz kitsch do passeio da fama de Hollywood - o dr. Costa, a eles, prefere isto. Depois o Rio é que é foleiro.

UMA CLAQUE ESVOAÇANTE

Ainda tenho fresca a memória daquela tarde de encontro dos "claqueiros" de António Costa no Martinho da Arcada. A Fátima, aliás, pode confirmar o resoluto desfile de "intelectuais" ao qual presidia Vieira Nery. Pois apesar de tanta intelligentsia junta com lugar assegurado no Olimpo da eternidade - houve quem fotografasse compulsivamente esses sublimes encontros à laia de ersatz kitsch do passeio da fama de Hollywood - o dr. Costa, a eles, prefere isto. Depois o Rio é que é foleiro.

DOS PEIXES

Desde o início que venho a dizer que Vara não é homem para se "sujar" por causa de uns míseros euros. Tudo, afinal, se resume a um cabaz de robalos e a um irrelevante equipamento desportivo. Todavia, e pelo sim, pelo não, ficou o "conselho" ao senhor conselheiro Monteiro para não divulgar "conversas privadas". Realmente, o que é que interessa uma conversa em torno de peixes? Vara recorda-me a Alice de Lewis Carroll. A coitadadinha julgava que toda a poesia é acerca de peixes.

DOS PEIXES

Desde o início que venho a dizer que Vara não é homem para se "sujar" por causa de uns míseros euros. Tudo, afinal, se resume a um cabaz de robalos e a um irrelevante equipamento desportivo. Todavia, e pelo sim, pelo não, ficou o "conselho" ao senhor conselheiro Monteiro para não divulgar "conversas privadas". Realmente, o que é que interessa uma conversa em torno de peixes? Vara recorda-me a Alice de Lewis Carroll. A coitadadinha julgava que toda a poesia é acerca de peixes.

COMENTADORES DO BACALHAU

Como diz Eduardo Cintra Torres no post anterior, «há programas de comentadores generalistas, sobre economia, política, desporto, sobre tudo e nada, comentadores de notícias, de notícias sobre notícias, de decisões judiciais, de notícias sobre decisões judiciais, comentadores de comentadores.» De tal forma que estamos sempre à espera que um deles peça mais uns minutos para nos prover, por exemplo, com uma nova receita de bacalhau.

COMENTADORES DO BACALHAU

Como diz Eduardo Cintra Torres no post anterior, «há programas de comentadores generalistas, sobre economia, política, desporto, sobre tudo e nada, comentadores de notícias, de notícias sobre notícias, de decisões judiciais, de notícias sobre decisões judiciais, comentadores de comentadores.» De tal forma que estamos sempre à espera que um deles peça mais uns minutos para nos prover, por exemplo, com uma nova receita de bacalhau.

UM PORTUGAL DE PEQUENINOS

«Os deputados são eleitos pelo povo e, em boa teoria, só o povo os pode punir e de uma única maneira - não votando neles na eleição seguinte. A liberdade é essencial ao cumprimento do seu mandato e à dignidade da sua posição soberana. Sucede que nunca ninguém respeitou os deputados portugueses. Suponho que em parte pela sua origem. Escolhidos pelo chefe ou pelo "aparelho" não devem nada, ou quase nada, a si próprios. Podem, por isso, ser tratados sem cerimónia como pessoal menor. Por outras palavras, com arrogância e com desprezo. (...) No tempo em que os frequentei, estes "pais da Pátria" tinham um grande interesse: explorar até ao fim os pequenos privilégios, que o Parlamento lhes dava: viagens (com, ou sem, o chamado "desdobramento"), faltas justificadas por uma alegação inverificável e ambígua, duplo emprego e misérias do género. Havia faltas, claro - como já não havia, por exemplo, na universidade. Mas só formalmente. Com a consumada desvergonha indígena, bastava assinar um livro, guardado por uma secretária ou um contínuo, para estabelecer a presença, em princípio obrigatória, a qualquer sessão. A seguir, cada um ia à sua vida ou, se ficava em S. Bento, ficava a fazer horas pelas bancadas, lendo ou conversando. Tudo aquilo funcionava como funcionaria uma escola secundária indisciplinada e barata. (...) Votar como lhe mandam não ofende a deputação do país. Prescindir da hipocrisia, da trapalhada e da borla não admite. A história é triste. É Portugal por uma pena.»

Vasco Pulido Valente, Público


«A quantidade de opinião no cabo não tem paralelo com qualquer período anterior da TV ou da imprensa. Há programas de comentadores generalistas, sobre economia, política, desporto, sobre tudo e nada, comentadores de notícias, de notícias sobre notícias, de decisões judiciais, de notícias sobre decisões judiciais, comentadores de comentadores, uf! As talking heads transbordaram para os generalistas: os directores da SIC, por exemplo, já comentam nos seus próprios noticiários, juntando-se aos comentadores históricos e aos recorrentes. Haver tanta opinião é excelente, se for plural, mas o excesso poderá cansar os espectadores. Noto, também, que alguns programas com jornalistas tendem, infelizmente, ou a seguir a "onda" de opinião vigente ou a voz da central de S. Bento. Tentando fugir à opinião óbvia, Mário Crespo reúne agora semanalmente três especialistas, três vozes desafinadas com o "sistema" dos bem-comportados: Medina Carreira, João Duque e Nuno Crato (Plano Inclinado, SICN, 2ª). O "sistema" no poder logo disse mal do programa: muito repetitivo - como se diversos outros programas não fossem repetições de repetições de repetições das opiniões próprias, dos colegas, camaradas, patrões, banqueiros e do poder. A repetição é inevitável a quem se expõe com regularidade no espaço público. Mas as repetições de quem está fora do sistema da "opinião habitual" não são piores do que as outras, pelo contrário, são mais raras e mais originais. O Plano Inclinado tem essa originalidade. Nesta altura, há no cabo programas de debate que ajudam a compreender melhor a realidade nacional e internacional, como Quadratura do Círculo, Plano Inclinado, Sociedade das Nações, na SICN, e, na TVI24, A Torto e a Direito e Roda Livre. Neste, Vasco Pulido Valente foi infelizmente substituído por um comentador, Pedro Adão Silva, completamente preso a posições partidárias. (...)

«Desde que o PS voltou a ficar em primeiro nas legislativas, o director de Informação da RTP, José Alberto Carvalho, anda mais atrevidote. Participou inopinadamente num Prós e Contras destinado a tramar o director do Expresso e o então director do PÚBLICO. Deu entrevistas falando com um autoritarismo antes escondido, semelhante ao do Governo. Numa conferência pública, co-organizada pela RTP, desceu ao mais baixo nível do insulto e de negação do debate na esfera pública democrática, chamando ao autor de uma crítica "doente" mental. Na semana passada, Carvalho inventou umas regras para os jornalistas da RTP1 seguirem em actividades da sua esfera privada, em blogues e em redes sociais, como o FaceBook ou o Twitter. As "recomendações" de Carvalho ofendem os mais básicos princípios da liberdade de expressão e das liberdades individuais em geral. Diz que os jornalistas da RTP "nunca" devem escrever on-line o que não pudessem dizer numa notícia. Quer dizer, fora das horas de serviço e em actividades individuais não poderiam opinar sobre o mundo, a vida, as pessoas. Diz também que os jornalistas devem escorraçar amigos no Facebook se isso desequilibrar o que ele, Carvalho, julga ser a "imparcialidade" nas relações humanas: um jornalista da RTP não poderia, por exemplo, apresentar no Facebook "demasiados" amigos do BE, do CDS ou doutra organização das "áreas" que Carvalho condena. As nove metediças "recomendações", divulgadas no 24 Horas (26.11), parecem-me um festival de controleirismo militante à la ex-directora regional de Educação do Norte, bem típico da era socretista. Seriam apenas ridículas se não constituíssem um enxovalho, mais um, para os jornalistas da RTP, com as sugestões de autocensura e de vigilância politicamente - socretistamente - correcta.Os jornalistas da RTP1 ouvidos pelo 24 Horas tentaram esquivar-se, ou disseram o óbvio - que o comportamento das pessoas em rede deve reger-se pelo bom senso, o que tornaria as "recomendações" inúteis -, ou concordaram, revelando tristemente já funcionarem dentro do esquema que o actual Governo sempre desejou: que se portem bem. Se não, levam. Perdem regalias ou o emprego.»

Eduardo Cintra Torres, idem

UM PORTUGAL DE PEQUENINOS

«Os deputados são eleitos pelo povo e, em boa teoria, só o povo os pode punir e de uma única maneira - não votando neles na eleição seguinte. A liberdade é essencial ao cumprimento do seu mandato e à dignidade da sua posição soberana. Sucede que nunca ninguém respeitou os deputados portugueses. Suponho que em parte pela sua origem. Escolhidos pelo chefe ou pelo "aparelho" não devem nada, ou quase nada, a si próprios. Podem, por isso, ser tratados sem cerimónia como pessoal menor. Por outras palavras, com arrogância e com desprezo. (...) No tempo em que os frequentei, estes "pais da Pátria" tinham um grande interesse: explorar até ao fim os pequenos privilégios, que o Parlamento lhes dava: viagens (com, ou sem, o chamado "desdobramento"), faltas justificadas por uma alegação inverificável e ambígua, duplo emprego e misérias do género. Havia faltas, claro - como já não havia, por exemplo, na universidade. Mas só formalmente. Com a consumada desvergonha indígena, bastava assinar um livro, guardado por uma secretária ou um contínuo, para estabelecer a presença, em princípio obrigatória, a qualquer sessão. A seguir, cada um ia à sua vida ou, se ficava em S. Bento, ficava a fazer horas pelas bancadas, lendo ou conversando. Tudo aquilo funcionava como funcionaria uma escola secundária indisciplinada e barata. (...) Votar como lhe mandam não ofende a deputação do país. Prescindir da hipocrisia, da trapalhada e da borla não admite. A história é triste. É Portugal por uma pena.»

Vasco Pulido Valente, Público


«A quantidade de opinião no cabo não tem paralelo com qualquer período anterior da TV ou da imprensa. Há programas de comentadores generalistas, sobre economia, política, desporto, sobre tudo e nada, comentadores de notícias, de notícias sobre notícias, de decisões judiciais, de notícias sobre decisões judiciais, comentadores de comentadores, uf! As talking heads transbordaram para os generalistas: os directores da SIC, por exemplo, já comentam nos seus próprios noticiários, juntando-se aos comentadores históricos e aos recorrentes. Haver tanta opinião é excelente, se for plural, mas o excesso poderá cansar os espectadores. Noto, também, que alguns programas com jornalistas tendem, infelizmente, ou a seguir a "onda" de opinião vigente ou a voz da central de S. Bento. Tentando fugir à opinião óbvia, Mário Crespo reúne agora semanalmente três especialistas, três vozes desafinadas com o "sistema" dos bem-comportados: Medina Carreira, João Duque e Nuno Crato (Plano Inclinado, SICN, 2ª). O "sistema" no poder logo disse mal do programa: muito repetitivo - como se diversos outros programas não fossem repetições de repetições de repetições das opiniões próprias, dos colegas, camaradas, patrões, banqueiros e do poder. A repetição é inevitável a quem se expõe com regularidade no espaço público. Mas as repetições de quem está fora do sistema da "opinião habitual" não são piores do que as outras, pelo contrário, são mais raras e mais originais. O Plano Inclinado tem essa originalidade. Nesta altura, há no cabo programas de debate que ajudam a compreender melhor a realidade nacional e internacional, como Quadratura do Círculo, Plano Inclinado, Sociedade das Nações, na SICN, e, na TVI24, A Torto e a Direito e Roda Livre. Neste, Vasco Pulido Valente foi infelizmente substituído por um comentador, Pedro Adão Silva, completamente preso a posições partidárias. (...)

«Desde que o PS voltou a ficar em primeiro nas legislativas, o director de Informação da RTP, José Alberto Carvalho, anda mais atrevidote. Participou inopinadamente num Prós e Contras destinado a tramar o director do Expresso e o então director do PÚBLICO. Deu entrevistas falando com um autoritarismo antes escondido, semelhante ao do Governo. Numa conferência pública, co-organizada pela RTP, desceu ao mais baixo nível do insulto e de negação do debate na esfera pública democrática, chamando ao autor de uma crítica "doente" mental. Na semana passada, Carvalho inventou umas regras para os jornalistas da RTP1 seguirem em actividades da sua esfera privada, em blogues e em redes sociais, como o FaceBook ou o Twitter. As "recomendações" de Carvalho ofendem os mais básicos princípios da liberdade de expressão e das liberdades individuais em geral. Diz que os jornalistas da RTP "nunca" devem escrever on-line o que não pudessem dizer numa notícia. Quer dizer, fora das horas de serviço e em actividades individuais não poderiam opinar sobre o mundo, a vida, as pessoas. Diz também que os jornalistas devem escorraçar amigos no Facebook se isso desequilibrar o que ele, Carvalho, julga ser a "imparcialidade" nas relações humanas: um jornalista da RTP não poderia, por exemplo, apresentar no Facebook "demasiados" amigos do BE, do CDS ou doutra organização das "áreas" que Carvalho condena. As nove metediças "recomendações", divulgadas no 24 Horas (26.11), parecem-me um festival de controleirismo militante à la ex-directora regional de Educação do Norte, bem típico da era socretista. Seriam apenas ridículas se não constituíssem um enxovalho, mais um, para os jornalistas da RTP, com as sugestões de autocensura e de vigilância politicamente - socretistamente - correcta.Os jornalistas da RTP1 ouvidos pelo 24 Horas tentaram esquivar-se, ou disseram o óbvio - que o comportamento das pessoas em rede deve reger-se pelo bom senso, o que tornaria as "recomendações" inúteis -, ou concordaram, revelando tristemente já funcionarem dentro do esquema que o actual Governo sempre desejou: que se portem bem. Se não, levam. Perdem regalias ou o emprego.»

Eduardo Cintra Torres, idem

É ASSIM QUE QUEREMOS VIVER?

«Com este Estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura. Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora sobre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e formos bem comportados. É assim que queremos viver, quietinhos e bem comportados?»

É ASSIM QUE QUEREMOS VIVER?

«Com este Estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura. Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora sobre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e formos bem comportados. É assim que queremos viver, quietinhos e bem comportados?»

27.11.09

MELO ANTUNES

Decorreu - ou está a decorrer - um «colóquio» acerca daquele que ficou conhecido como o ideólogo do MFA, Melo Antunes. O MFA era o «movimento das forças armadas», aquela coisa enfeitada a cravos que, no dia 25 de Abril de 1974, "derrubou o fascismo". Reza a história que começou a ser preparado em 1973 mais como uma revolta corporativa do que como movimento especificamente político. Mesmo assim, a Melo Antunes sempre foram imputadas duas ou três menções "ideológicas" no meio do deserto intelectual dos "generosos" capitães. De facto, Melo Antunes distinguiu-se dos outros por isso. Só que ninguém se deu ao trabalho de "esmiuçar" aquelas menções porque Antunes fazia a "ponte" com a esquerda e o regime sempre se sentiu bem em ser referenciado como de "esquerda". Até Sócrates, que não é ideologicamente coisa alguma, é da "esquerda moderna". Melo Antunes nunca se deu bem com o "desvio" social-democrata que se seguiu ao PREC. Era fundamentalmente um marxista "iluminista" que, no jargão da época, queria dizer "terceiro-mundista" e que hoje se poderia traduzir por multiculturalista. O seu apoio político a extravagâncias como Lurdes Pintasilgo - ou a ambiguidades como Jorge Sampaio - provam-no. Dos três ex-PR's, só este último verdadeiramente seria "melo-antunista" já que não é verosímil que possa existir algo chamado "sampaísmo". A presença do velho coronel "ideólogo" no conselho de Estado de Sampaio, a instâncias deste, sossegava-o. Soares e Eanes estarão mais gratos circunstancialmente ao militar político do que outra coisa qualquer. Dito isto, Cavaco dificilmente encaixa neste friso jubilatório. Melo Antunes jamais poderia conceber um Chefe de Estado oriundo da "direita" e, muito menos, que o primeiro fosse justamente Cavaco. Não faria, pois, qualquer sentido ir agora hipocritamente homenageá-lo.

MELO ANTUNES

Decorreu - ou está a decorrer - um «colóquio» acerca daquele que ficou conhecido como o ideólogo do MFA, Melo Antunes. O MFA era o «movimento das forças armadas», aquela coisa enfeitada a cravos que, no dia 25 de Abril de 1974, "derrubou o fascismo". Reza a história que começou a ser preparado em 1973 mais como uma revolta corporativa do que como movimento especificamente político. Mesmo assim, a Melo Antunes sempre foram imputadas duas ou três menções "ideológicas" no meio do deserto intelectual dos "generosos" capitães. De facto, Melo Antunes distinguiu-se dos outros por isso. Só que ninguém se deu ao trabalho de "esmiuçar" aquelas menções porque Antunes fazia a "ponte" com a esquerda e o regime sempre se sentiu bem em ser referenciado como de "esquerda". Até Sócrates, que não é ideologicamente coisa alguma, é da "esquerda moderna". Melo Antunes nunca se deu bem com o "desvio" social-democrata que se seguiu ao PREC. Era fundamentalmente um marxista "iluminista" que, no jargão da época, queria dizer "terceiro-mundista" e que hoje se poderia traduzir por multiculturalista. O seu apoio político a extravagâncias como Lurdes Pintasilgo - ou a ambiguidades como Jorge Sampaio - provam-no. Dos três ex-PR's, só este último verdadeiramente seria "melo-antunista" já que não é verosímil que possa existir algo chamado "sampaísmo". A presença do velho coronel "ideólogo" no conselho de Estado de Sampaio, a instâncias deste, sossegava-o. Soares e Eanes estarão mais gratos circunstancialmente ao militar político do que outra coisa qualquer. Dito isto, Cavaco dificilmente encaixa neste friso jubilatório. Melo Antunes jamais poderia conceber um Chefe de Estado oriundo da "direita" e, muito menos, que o primeiro fosse justamente Cavaco. Não faria, pois, qualquer sentido ir agora hipocritamente homenageá-lo.

A CÂMARA

O post anterior não corresponde a nenhuma epifania parlamentarista minha. De todo. Continuo a pensar o que sempre pensei do nosso parlamento e dos nossos deputados. Apenas me congratulei por estarem a trabalhar. Como Jaime Gama, também julgo que aquilo não é nenhuma câmara de lordes.

A CÂMARA

O post anterior não corresponde a nenhuma epifania parlamentarista minha. De todo. Continuo a pensar o que sempre pensei do nosso parlamento e dos nossos deputados. Apenas me congratulei por estarem a trabalhar. Como Jaime Gama, também julgo que aquilo não é nenhuma câmara de lordes.

HUMPTY CORPORATIVO DUMPTY

O Filipe analisa a «teoria Humpty Dumpty" aplicada à blogosfera. E bem porque, para alguns "heróis", os «nomes nos blogues são apenas nomes nos blogues, não vale a pena assinar nada, nada significa nada.»

HUMPTY CORPORATIVO DUMPTY

O Filipe analisa a «teoria Humpty Dumpty" aplicada à blogosfera. E bem porque, para alguns "heróis", os «nomes nos blogues são apenas nomes nos blogues, não vale a pena assinar nada, nada significa nada.»

A DIFERENÇA

Afinal, a "valorização do papel do parlamento" e o "diálogo" e mais não sei quê acabou logo com a primeira votação desfavorável ao PS e ao governo. Ambos acenaram com o fantasma tremendista do «assim não podemos fazer nada». Não podem? Podem e devem. O que não é suposto é governarem, como na legislatura anterior, em roda livre. É só essa a diferença.

A DIFERENÇA

Afinal, a "valorização do papel do parlamento" e o "diálogo" e mais não sei quê acabou logo com a primeira votação desfavorável ao PS e ao governo. Ambos acenaram com o fantasma tremendista do «assim não podemos fazer nada». Não podem? Podem e devem. O que não é suposto é governarem, como na legislatura anterior, em roda livre. É só essa a diferença.

NOTÍCIAS DO DUBAI

Chama-se Dubai e, a avaliar pela foto, substitui com facilidade caixotes de Prozac. Todavia, como a vida é injusta, muitos Prozacs aparentemente virão a ser consumidos à sua custa. O globo ainda está no rescaldo da crise epicentrada em Nova Iorque e já aquele paraíso nos promete outra. Aqui, para a periferia da Europa, era o pior que lhe podia acontecer depois do PS, de Fátima Campos Ferreira ou de Passos Coelho. Como estamos endividados para lá do pescoço e como a nossa credibilidade externa é o que se vê, o dinheiro está-nos cada vez mais caro. Ora mais um sobressalto financeiro ero o que menos nos estava agora a fazer falta. Resta-nos contemplar com nostalgia palonça a pirosa instalação hoteleira da foto e esperar, metaforicamente, que ela não caia.

NOTÍCIAS DO DUBAI

Chama-se Dubai e, a avaliar pela foto, substitui com facilidade caixotes de Prozac. Todavia, como a vida é injusta, muitos Prozacs aparentemente virão a ser consumidos à sua custa. O globo ainda está no rescaldo da crise epicentrada em Nova Iorque e já aquele paraíso nos promete outra. Aqui, para a periferia da Europa, era o pior que lhe podia acontecer depois do PS, de Fátima Campos Ferreira ou de Passos Coelho. Como estamos endividados para lá do pescoço e como a nossa credibilidade externa é o que se vê, o dinheiro está-nos cada vez mais caro. Ora mais um sobressalto financeiro ero o que menos nos estava agora a fazer falta. Resta-nos contemplar com nostalgia palonça a pirosa instalação hoteleira da foto e esperar, metaforicamente, que ela não caia.

COSTA, DR.JEKYLL AND MR. HYDE

COSTA, DR.JEKYLL AND MR. HYDE

26.11.09

CATORZE VEZES DOZE

Parece que jornais e televisões se dedicaram a comemorar um mês de governo. Sucede que, com pouco mais de dois anos e meio de intervalo, são catorze anos disto. Catorze vezes doze meses.

CATORZE VEZES DOZE

Parece que jornais e televisões se dedicaram a comemorar um mês de governo. Sucede que, com pouco mais de dois anos e meio de intervalo, são catorze anos disto. Catorze vezes doze meses.

UMA HOMENAGEM

Conheci - porque amavelmente vieram ter comigo numa altura em que são cada vez mais os que fogem de vir ter comigo - dois dos autores do blogue Suction with Valchek, o Eduardo Nogueira Pinto e o Duarte Schmidt Lino. O Pedro Lomba - o outro autor - já era meu conhecido. Aliás, acerca da polémica que o envolveu por causa de ter deixado abruptamente de escrever no Diário Económico, o que tipicamente não percebo é o que é que ele estava lá a fazer. Ainda não tinha dado pela "natureza" da coisa? Adiante. Este post é deliberadamente para homenagear o blogue deles os três. Do que leio (e cada vez leio menos jornais), é a minha melhor surpresa do ano.

UMA HOMENAGEM

Conheci - porque amavelmente vieram ter comigo numa altura em que são cada vez mais os que fogem de vir ter comigo - dois dos autores do blogue Suction with Valchek, o Eduardo Nogueira Pinto e o Duarte Schmidt Lino. O Pedro Lomba - o outro autor - já era meu conhecido. Aliás, acerca da polémica que o envolveu por causa de ter deixado abruptamente de escrever no Diário Económico, o que tipicamente não percebo é o que é que ele estava lá a fazer. Ainda não tinha dado pela "natureza" da coisa? Adiante. Este post é deliberadamente para homenagear o blogue deles os três. Do que leio (e cada vez leio menos jornais), é a minha melhor surpresa do ano.

ALGUÉM QUE LHE EXPLIQUE

O PS foi buscar ao seu pior rebotalho o senhor Ricardo Rodrigues, dos Açores, que tem aparecido nos últimos dias, com ar pimpão, a "comentar". Ontem "comentou" o Chefe de Estado - há pouco, no metro, lá estava ele com direito a retrato e a umas quantas linhas - e no parlamento "comentou" os comentários de outros acerca de ministros "comentadores". Rodrigues sobrou da anterior direcção parlamentar de Alberto Martins. Sucede que aquilo (ele) é mau. Muito mau mesmo. Alguém que lhe explique.

ALGUÉM QUE LHE EXPLIQUE

O PS foi buscar ao seu pior rebotalho o senhor Ricardo Rodrigues, dos Açores, que tem aparecido nos últimos dias, com ar pimpão, a "comentar". Ontem "comentou" o Chefe de Estado - há pouco, no metro, lá estava ele com direito a retrato e a umas quantas linhas - e no parlamento "comentou" os comentários de outros acerca de ministros "comentadores". Rodrigues sobrou da anterior direcção parlamentar de Alberto Martins. Sucede que aquilo (ele) é mau. Muito mau mesmo. Alguém que lhe explique.

PORTUGAL, UMA BIOGRAFIA POLÍTICA - 2

Talvez seja exagerado - porque ainda não o li todo - mas o livro ali à direita deve ser o melhor objecto da literatura portuguesa editado este ano. Meço bem as palavras. Um bom livro de história é sempre um excelente momento literário, independentemente da forma da narrativa. Rui Ramos, o coordenador daquela obra, já a tinha homenageado (à literatura portuguesa) com a sua biografia de D. Carlos. Nunca tomem por literatura coisas a que normalmente apelidam de literatura. É uma perigosa falácia. O derradeiro capítulo da História de Portugal leva o título de «Uma democracia europeia (desde 1976)". António Barreto - que a apresentou - preferiria outro título. Eu também. Talvez preferisse a perífrase "Portugal, a simulação democrática na periferia da Europa". Mas isso são contas de outro rosário. O essencial - como sublinhou Ramos - é que este livro tenta perceber "isto" tudo: Portugal, a periferia e as simulações ao longo de uma já longa história. Ora ninguém pode pastorear ou ambicionar pastorear o país se não o perceber. Esta "história" destaca-se porque nos "conta" essa história tão privada quanto pública que é a nossa. Sem "portugalidades" histéricas ou complexos ideológicos redutores. Não percam.

PORTUGAL, UMA BIOGRAFIA POLÍTICA - 2

Talvez seja exagerado - porque ainda não o li todo - mas o livro ali à direita deve ser o melhor objecto da literatura portuguesa editado este ano. Meço bem as palavras. Um bom livro de história é sempre um excelente momento literário, independentemente da forma da narrativa. Rui Ramos, o coordenador daquela obra, já a tinha homenageado (à literatura portuguesa) com a sua biografia de D. Carlos. Nunca tomem por literatura coisas a que normalmente apelidam de literatura. É uma perigosa falácia. O derradeiro capítulo da História de Portugal leva o título de «Uma democracia europeia (desde 1976)". António Barreto - que a apresentou - preferiria outro título. Eu também. Talvez preferisse a perífrase "Portugal, a simulação democrática na periferia da Europa". Mas isso são contas de outro rosário. O essencial - como sublinhou Ramos - é que este livro tenta perceber "isto" tudo: Portugal, a periferia e as simulações ao longo de uma já longa história. Ora ninguém pode pastorear ou ambicionar pastorear o país se não o perceber. Esta "história" destaca-se porque nos "conta" essa história tão privada quanto pública que é a nossa. Sem "portugalidades" histéricas ou complexos ideológicos redutores. Não percam.

COISA DIMINUÍDA




O Vítor - um leitor amigo aqui, no Brasil ou nos frios nórdicos da Europa - enviou-me as fotos que ilustram o post. Vão, naturalmente, aparecer muitas vezes. Diz ele que denotam, uma, «picaretas falantes, uma cavalgadura que deita água pela boca, aqui não turva para que pareça profunda.... e a outra, que quase ilustra o "portugal de sucesso", um carreteiro que espera atravessar a rua, rodeado de anúncios educativos, fashion, etc., afogado em propaganda mas a ter que puxar a carroça de tudo pela estrada do nada, como diria o Pessoa.» Isto leva-me às primeiras páginas do livro que a Carla me recomendou, O Filósofo e o Lobo (Mark Rowlands, Lua de Papel, 2009). O que me aconteceu este ano, sobretudo depois da morte do meu cão - doze anos de irmão/cão -, foi simplesmente tornar-me numa coisa diminuída. Só agora percebo que, afinal, a linguagem em que eu e o cão nos entendíamos me ajudava a entender (ou a fazer por entender) outras linguagens designadamente de pessoas. Sem ele e sem essa nossa linguagem privativa, ficou-me mais díficil do que já costumadamente era lidar com pessoas por estar mais desperto para a coisa não-cão em que elas, afinal, consistem. É aí que reside a minha diminuição a que nem o mais empedernido cristianismo consegue prover. Rowlands tinha um lobo doméstico e com Brenin - era o nome do animal - aprendeu que "não havia lugar para ele (Brenin) na sociedade civilizada". «A verdade é que ele não era nem de perto nem de longe, suficientemente perigoso e nem suficientemente desagradável. A civilização, penso, só é possível para animais verdadeiramente desagradáveis. Só um primata consegue ser verdadeiramente desagradável.» Sem o lobo/cão, sou apenas uma coisa diminuída.

COISA DIMINUÍDA




O Vítor - um leitor amigo aqui, no Brasil ou nos frios nórdicos da Europa - enviou-me as fotos que ilustram o post. Vão, naturalmente, aparecer muitas vezes. Diz ele que denotam, uma, «picaretas falantes, uma cavalgadura que deita água pela boca, aqui não turva para que pareça profunda.... e a outra, que quase ilustra o "portugal de sucesso", um carreteiro que espera atravessar a rua, rodeado de anúncios educativos, fashion, etc., afogado em propaganda mas a ter que puxar a carroça de tudo pela estrada do nada, como diria o Pessoa.» Isto leva-me às primeiras páginas do livro que a Carla me recomendou, O Filósofo e o Lobo (Mark Rowlands, Lua de Papel, 2009). O que me aconteceu este ano, sobretudo depois da morte do meu cão - doze anos de irmão/cão -, foi simplesmente tornar-me numa coisa diminuída. Só agora percebo que, afinal, a linguagem em que eu e o cão nos entendíamos me ajudava a entender (ou a fazer por entender) outras linguagens designadamente de pessoas. Sem ele e sem essa nossa linguagem privativa, ficou-me mais díficil do que já costumadamente era lidar com pessoas por estar mais desperto para a coisa não-cão em que elas, afinal, consistem. É aí que reside a minha diminuição a que nem o mais empedernido cristianismo consegue prover. Rowlands tinha um lobo doméstico e com Brenin - era o nome do animal - aprendeu que "não havia lugar para ele (Brenin) na sociedade civilizada". «A verdade é que ele não era nem de perto nem de longe, suficientemente perigoso e nem suficientemente desagradável. A civilização, penso, só é possível para animais verdadeiramente desagradáveis. Só um primata consegue ser verdadeiramente desagradável.» Sem o lobo/cão, sou apenas uma coisa diminuída.

25.11.09

TIPICAMENTE


É ficção, "a novel" em inglês. Mas não é preciso seguir Oscar Wilde para supor que vida pode imitar aquilo. «She wanted only to be free of him and to satisfy the common enough human wish to move on and try something else.» Ele não pode nem é suposto perceber isto que é , aliás, da vida. E gritou-lhe: «You cannot nullify everything.» Pode. Pode-se. Tipicamente.

TIPICAMENTE


É ficção, "a novel" em inglês. Mas não é preciso seguir Oscar Wilde para supor que vida pode imitar aquilo. «She wanted only to be free of him and to satisfy the common enough human wish to move on and try something else.» Ele não pode nem é suposto perceber isto que é , aliás, da vida. E gritou-lhe: «You cannot nullify everything.» Pode. Pode-se. Tipicamente.

O INFINDÁVEL BAÚ

Como Cavaco recuperou "popularidade" nos famosos "estudos de opinião" e a sucata incomoda, o "diário da manhã" - e dois ou três patetas - foi ao infindável baú das velhacarias para, através de Fernando Lima, o atacar. Tomara a esta gente ter um átomo da dignidade pessoal e profissional do Fernando Lima.

O INFINDÁVEL BAÚ

Como Cavaco recuperou "popularidade" nos famosos "estudos de opinião" e a sucata incomoda, o "diário da manhã" - e dois ou três patetas - foi ao infindável baú das velhacarias para, através de Fernando Lima, o atacar. Tomara a esta gente ter um átomo da dignidade pessoal e profissional do Fernando Lima.

25 DE NOVEMBRO

Três homens - e não ratos - independentemente do que se possa pensar de cada um deles.

25 DE NOVEMBRO

Três homens - e não ratos - independentemente do que se possa pensar de cada um deles.

APRENDAM


Lembram-se? Tinham sido os espanhóis - e este senhor em especial - que mandaram afastar Moura Guedes da tvi. Mas isso foi antes das eleições, etc., etc., e era preciso exercer com perícia a informação e a contra-informação. Hoje isto passou despercebido por entre a chuva. É assim que se fazem as coisas. Aprendam.

APRENDAM


Lembram-se? Tinham sido os espanhóis - e este senhor em especial - que mandaram afastar Moura Guedes da tvi. Mas isso foi antes das eleições, etc., etc., e era preciso exercer com perícia a informação e a contra-informação. Hoje isto passou despercebido por entre a chuva. É assim que se fazem as coisas. Aprendam.

BEM FEITO

O senhor Penedos, presidente da REN, foi suspenso de funções por decisão judicial. Até trânsitos em julgado - e , na justiça portuguesa, o trânsito em julgado é parecido com o trânsito automóvel - o senhor Penedos é inocente. Sucede que o senhor Penedos não é politicamente inocente. Apesar de ser engenheiro de profissão, não foi por isso que chegou à presidência da REN ou a secretário de estado da defesa no tempo do bonzinho Guterres. Chegou lá porque é do PS. Já Oliveira Costa, ex-presidente do BPN, chegou onde chegou por ser do PSD e por ter sido secretário de estado dos assuntos fiscais. Ou seja, terem sido ambos serventuários do regime é a condição necessária e comum para terem sido colocados ou alcandorados onde e no que foram. Não basta a esta gente "servir" a política. Têm de servir-se dela. Estes tiveram menos sorte do que muitos, embora Oliveira Costa tenha ainda menos do que Penedos até mais ver. No fundo, serviram-se da bovinidade colectiva. Bem feito.

BEM FEITO

O senhor Penedos, presidente da REN, foi suspenso de funções por decisão judicial. Até trânsitos em julgado - e , na justiça portuguesa, o trânsito em julgado é parecido com o trânsito automóvel - o senhor Penedos é inocente. Sucede que o senhor Penedos não é politicamente inocente. Apesar de ser engenheiro de profissão, não foi por isso que chegou à presidência da REN ou a secretário de estado da defesa no tempo do bonzinho Guterres. Chegou lá porque é do PS. Já Oliveira Costa, ex-presidente do BPN, chegou onde chegou por ser do PSD e por ter sido secretário de estado dos assuntos fiscais. Ou seja, terem sido ambos serventuários do regime é a condição necessária e comum para terem sido colocados ou alcandorados onde e no que foram. Não basta a esta gente "servir" a política. Têm de servir-se dela. Estes tiveram menos sorte do que muitos, embora Oliveira Costa tenha ainda menos do que Penedos até mais ver. No fundo, serviram-se da bovinidade colectiva. Bem feito.

PERCEBEM?

Há sete anos começava o processo "casa pia". O mundo ia mudar, o regime ia cair, várias figuras "gradas" seriam "apanhadas", outras tantas iriam atirar-se das pontes disponíveis, os "meninos" seriam vingados e deixariam de ser molestados até à eternidade. Repare-se que nunca houve "meninas". Passou o tempo e, depois de várias crucificações públicas, começou o julgamento. Os documentos reunidos cabem em várias jaulas para elefantes de diversos jardins zoológicos. Todavia, a única coisa que mudou neste sete anos foi o processo penal. Percebem?

PERCEBEM?

Há sete anos começava o processo "casa pia". O mundo ia mudar, o regime ia cair, várias figuras "gradas" seriam "apanhadas", outras tantas iriam atirar-se das pontes disponíveis, os "meninos" seriam vingados e deixariam de ser molestados até à eternidade. Repare-se que nunca houve "meninas". Passou o tempo e, depois de várias crucificações públicas, começou o julgamento. Os documentos reunidos cabem em várias jaulas para elefantes de diversos jardins zoológicos. Todavia, a única coisa que mudou neste sete anos foi o processo penal. Percebem?

25 DE NOVEMBRO


Este deve ser dos poucos blogues que comemora - há tantos anos quantos os da existência dele - o "25 de Novembro". E não o faço apenas por causa do General Ramalho Eanes de quem sou amigo e que me honra com a sua amizade há muitos anos. Faço-o em homenagem à nossa história. Sem aquele punhado de homens corajosos e despojados, grande parte dos papagaios que por aí andam a pastorear a pátria (no primeiro, segundo, terceiro e quarto poderes) nem sequer tinha existido. O hoje coronel Sousa e Castro foi um deles. O seu testemunho - e Deus sabe como eu gostava que o General Eanes fizesse o seu - é, por isso, importante. Num tempo político ready made, a memória vale o que vale mas vale muito sobretudo para as gerações mais jovens que nasceram "nisto". Honra e glória, pois, aos homens de Novembro.

25 DE NOVEMBRO


Este deve ser dos poucos blogues que comemora - há tantos anos quantos os da existência dele - o "25 de Novembro". E não o faço apenas por causa do General Ramalho Eanes de quem sou amigo e que me honra com a sua amizade há muitos anos. Faço-o em homenagem à nossa história. Sem aquele punhado de homens corajosos e despojados, grande parte dos papagaios que por aí andam a pastorear a pátria (no primeiro, segundo, terceiro e quarto poderes) nem sequer tinha existido. O hoje coronel Sousa e Castro foi um deles. O seu testemunho - e Deus sabe como eu gostava que o General Eanes fizesse o seu - é, por isso, importante. Num tempo político ready made, a memória vale o que vale mas vale muito sobretudo para as gerações mais jovens que nasceram "nisto". Honra e glória, pois, aos homens de Novembro.

24.11.09

O CURSO INCESSANTE DO PIOR

Aquele senhor juiz conselheiro que é porta-voz do conselho superior da magistratura - e que ficou conhecido por, no dia da reeleição do colega Noronha, ter sido apanhado por uma câmara de tv a ler uma cópia da carta de pedido de suspensão de um reputado administrador bancário e ter negado que o estava a fazer com idêntica tranquilidade - não se incomoda nada com a circunstância de um dos advogados dos autos que debateram na reunião do conselho fazer parte do mesmo. A frase é longa. Como o curso incessante do pior.

O CURSO INCESSANTE DO PIOR

Aquele senhor juiz conselheiro que é porta-voz do conselho superior da magistratura - e que ficou conhecido por, no dia da reeleição do colega Noronha, ter sido apanhado por uma câmara de tv a ler uma cópia da carta de pedido de suspensão de um reputado administrador bancário e ter negado que o estava a fazer com idêntica tranquilidade - não se incomoda nada com a circunstância de um dos advogados dos autos que debateram na reunião do conselho fazer parte do mesmo. A frase é longa. Como o curso incessante do pior.

SE HÁ QUEM DIGA ISTO MELHOR DO QUE EU

«Nunca ouvi tanta ignorância arrogante como a expressa na SIC N por Bettencourt Resendes. Soarismo e cretinismo em estado puro.» (Nogueira Leite no Twitter)

SE HÁ QUEM DIGA ISTO MELHOR DO QUE EU

«Nunca ouvi tanta ignorância arrogante como a expressa na SIC N por Bettencourt Resendes. Soarismo e cretinismo em estado puro.» (Nogueira Leite no Twitter)

OPOSIÇÃO DE LUPANAR


O que "mata" o PSD não é a dra. Manuela. É o negocismo político mais primitivo que lhe está no sangue. Bastou o PS ficar minoritário e retoma-se, como prioridade nacional, o "cadeirismo". Toma lá um lugar para ti e dá-me cá um lugar a mim. O filósofo moral de serviço ao partido, o dr. Pacheco Pereira (o discurso de Vale de Lobos já foi metido na gaveta?), não tem nada a dizer? Vão longe com esta oposição de lupanar.

OPOSIÇÃO DE LUPANAR


O que "mata" o PSD não é a dra. Manuela. É o negocismo político mais primitivo que lhe está no sangue. Bastou o PS ficar minoritário e retoma-se, como prioridade nacional, o "cadeirismo". Toma lá um lugar para ti e dá-me cá um lugar a mim. O filósofo moral de serviço ao partido, o dr. Pacheco Pereira (o discurso de Vale de Lobos já foi metido na gaveta?), não tem nada a dizer? Vão longe com esta oposição de lupanar.

A DIREITA NÃO É O CRUZAMENTO DE UM ELEFANTE COM UM CAVALO*

O PSD definha? Talvez. Sucede que o PSD é fisiologicamente assim. O "herói" Sá Carneiro distinguiu-se - até "assentar" com a AD e a sua maioria absoluta em 2 de Dezembro de 1979 -pelas suas frenéticas entradas e saídas do partido e não foi por aí que o PSD se prejudicou. Depois dele, o partido só conheceu um "chefe", o prof. Cavaco. Teve ainda um presidente, o prof. Marcelo, que foi o melhor dirigente do partido na oposição e daí em diante foi um corropio de oportunismo fátuo e de erros de casting, ora numa curta intermitência no poder, ora no deserto em que se encontra desde que o PS de Guterres e de Sócrates se apoderou do regime. Só Cavaco - sempre ele - furou o cerco em 2006. Não sendo já militante do PSD, não tenho quaisquer ilusões de que é a partir dele que a direita pode aspirar, de novo, ao poder. Não sei é quando nem com quem. Agora uma coisa sei. Não é seguramente a partir de feiras de chouriços e de cavalos que a direita se safa apesar do "génio" estipulado ao dr. Portas e dos fretes que os seus amigos nos media lhe fazem.
* A "ideia" é do escritor Vladimir Nabokov.

A DIREITA NÃO É O CRUZAMENTO DE UM ELEFANTE COM UM CAVALO*

O PSD definha? Talvez. Sucede que o PSD é fisiologicamente assim. O "herói" Sá Carneiro distinguiu-se - até "assentar" com a AD e a sua maioria absoluta em 2 de Dezembro de 1979 -pelas suas frenéticas entradas e saídas do partido e não foi por aí que o PSD se prejudicou. Depois dele, o partido só conheceu um "chefe", o prof. Cavaco. Teve ainda um presidente, o prof. Marcelo, que foi o melhor dirigente do partido na oposição e daí em diante foi um corropio de oportunismo fátuo e de erros de casting, ora numa curta intermitência no poder, ora no deserto em que se encontra desde que o PS de Guterres e de Sócrates se apoderou do regime. Só Cavaco - sempre ele - furou o cerco em 2006. Não sendo já militante do PSD, não tenho quaisquer ilusões de que é a partir dele que a direita pode aspirar, de novo, ao poder. Não sei é quando nem com quem. Agora uma coisa sei. Não é seguramente a partir de feiras de chouriços e de cavalos que a direita se safa apesar do "génio" estipulado ao dr. Portas e dos fretes que os seus amigos nos media lhe fazem.
* A "ideia" é do escritor Vladimir Nabokov.

SE HÁ QUEM DIGA ISTO MELHOR DO QUE EU*

«PS e PSD chegaram a acordo para a nomeação de nova juíza do Tribunal Constitucional, Catarina Castro : é aluna de doutoramento, filha do deputado socialista presidente da Comissão parlamentar de assuntos constitucionais, faz parte do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos (eleita pela A.R.), ex-membro da comissão Nacional de Protecção de Dados (indicada pelo governo), ex-membro, pelo PS, da assembleia municipal da Marinha Grande, ex-jurista do gabinete do presidente do Tribunal Constitucional, ex-adjunta do Gabinete da Secretaria de Estado da Modernização Administração, docente de direito público e administrativo na Universidade de Coimbra.»
*Na verdade, o título do post é que resume a coisa: «seria melhor um pouco mais de exigência.» Como se o critério (que me perdoe o autor a interferência) fosse a "exigência". Repare-se que, levado às derradeiras consequências, é com este "critério" que se passa de "jota" a adjunto ou a deputado, de deputado a secretário de Estado, de secretário de Estado a ministro e de ministro a, por exemplo, banqueiro ou empreiteiro. Também já existe em género "chefe de governo". O caminho na floresta, por onde permeiam todos estes passos, fica por conhecer.

SE HÁ QUEM DIGA ISTO MELHOR DO QUE EU*

«PS e PSD chegaram a acordo para a nomeação de nova juíza do Tribunal Constitucional, Catarina Castro : é aluna de doutoramento, filha do deputado socialista presidente da Comissão parlamentar de assuntos constitucionais, faz parte do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos (eleita pela A.R.), ex-membro da comissão Nacional de Protecção de Dados (indicada pelo governo), ex-membro, pelo PS, da assembleia municipal da Marinha Grande, ex-jurista do gabinete do presidente do Tribunal Constitucional, ex-adjunta do Gabinete da Secretaria de Estado da Modernização Administração, docente de direito público e administrativo na Universidade de Coimbra.»
*Na verdade, o título do post é que resume a coisa: «seria melhor um pouco mais de exigência.» Como se o critério (que me perdoe o autor a interferência) fosse a "exigência". Repare-se que, levado às derradeiras consequências, é com este "critério" que se passa de "jota" a adjunto ou a deputado, de deputado a secretário de Estado, de secretário de Estado a ministro e de ministro a, por exemplo, banqueiro ou empreiteiro. Também já existe em género "chefe de governo". O caminho na floresta, por onde permeiam todos estes passos, fica por conhecer.

UMA ESSÊNCIA

A justiça portuguesa - ou o que passa por isso entre nós - está cada vez mais parecida com uma demi-mondaine dos romances franceses do século XIX. Onde devia haver discrição, há exibição. Onde devia haver ponderação, há atrapalhação. Onde devia haver regularidade, há acaso. Onde devia haver certeza, há insegurança. Onde devia haver confiança, há sobranceria. Isto nada tem a ver com pessoas concretas ou processos concretos. Não é uma ocorrência. É uma essência.

UMA ESSÊNCIA

A justiça portuguesa - ou o que passa por isso entre nós - está cada vez mais parecida com uma demi-mondaine dos romances franceses do século XIX. Onde devia haver discrição, há exibição. Onde devia haver ponderação, há atrapalhação. Onde devia haver regularidade, há acaso. Onde devia haver certeza, há insegurança. Onde devia haver confiança, há sobranceria. Isto nada tem a ver com pessoas concretas ou processos concretos. Não é uma ocorrência. É uma essência.

23.11.09

O SINAL

Está a decorrer uma conversa surrealista entre Mário Crespo e um jurista que é simultaneamente advogado e professor de direito penal (acho). Parece que a D. Fátima também vai tratar da "justiça". Nunca a justiça foi tão debatida e nunca foi tão mal administrada. Confia-se mais facilmente numa urgência hospitalar do SNS do que na justiça portuguesa. Aliás, os seus "operadores", à força de tanta emergência nos media, acabam por deitar por terra qualquer pingo de credulidade que restasse. Vivemos num Estado de direito meramente retórico. Tanta conversa sobre ele - o direito - é sinal de que ele falta.

O SINAL

Está a decorrer uma conversa surrealista entre Mário Crespo e um jurista que é simultaneamente advogado e professor de direito penal (acho). Parece que a D. Fátima também vai tratar da "justiça". Nunca a justiça foi tão debatida e nunca foi tão mal administrada. Confia-se mais facilmente numa urgência hospitalar do SNS do que na justiça portuguesa. Aliás, os seus "operadores", à força de tanta emergência nos media, acabam por deitar por terra qualquer pingo de credulidade que restasse. Vivemos num Estado de direito meramente retórico. Tanta conversa sobre ele - o direito - é sinal de que ele falta.

PRONTO, PRONTO


Não quero que vos falte nada. E até é bom que se saiba onde é que V. Exas. gostariam de depositar os V. adversários. Somos todos doidos, ressabiados, maus patriotas, coisas desprezíveis, coisas não recicláveis, alienados, possessos, oligofrénicos potenciais, amantes das trevas, etc. etc. Temos, porém, vantagens básicas que, para V. Exas, são defeitos. Nomes e caras, caras e nomes. E - suprema ignomínia- não é que os nomes coincidem com as caras e as caras com os nomes?

PRONTO, PRONTO


Não quero que vos falte nada. E até é bom que se saiba onde é que V. Exas. gostariam de depositar os V. adversários. Somos todos doidos, ressabiados, maus patriotas, coisas desprezíveis, coisas não recicláveis, alienados, possessos, oligofrénicos potenciais, amantes das trevas, etc. etc. Temos, porém, vantagens básicas que, para V. Exas, são defeitos. Nomes e caras, caras e nomes. E - suprema ignomínia- não é que os nomes coincidem com as caras e as caras com os nomes?

FRANGOS DEPENADOS

Tantos bloggers e "comentadores" que têm «a estatura moral de um frango depenado.» Alguns até têm nome e o nome dá com a coisa que é, tipicamente, um frango depenado.

FRANGOS DEPENADOS

Tantos bloggers e "comentadores" que têm «a estatura moral de um frango depenado.» Alguns até têm nome e o nome dá com a coisa que é, tipicamente, um frango depenado.

SE HÁ QUEM DIGA ISTO MELHOR DO QUE EU*


«Um défice descontrolado e um endividamento público tresloucado. É a crise? Seja. Já sabíamos? Pois já e há muito tempo. MFL é que não tinha visão? Desse tipo não tinha de certeza. O que eu quero é que os portugueses que votaram no PS lhe peçam agora o TGV e uma mão cheia de auto-estradas paralelas.»

Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado

*Um "ciclo" inspirado numa famosa ideia de Richard Rorty num livro que fez este ano trinta anos, Philosophy and the Mirror of Nature e na minha preguiça epistemológica em acompanhar "isto"

SE HÁ QUEM DIGA ISTO MELHOR DO QUE EU*


«Um défice descontrolado e um endividamento público tresloucado. É a crise? Seja. Já sabíamos? Pois já e há muito tempo. MFL é que não tinha visão? Desse tipo não tinha de certeza. O que eu quero é que os portugueses que votaram no PS lhe peçam agora o TGV e uma mão cheia de auto-estradas paralelas.»

Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado

*Um "ciclo" inspirado numa famosa ideia de Richard Rorty num livro que fez este ano trinta anos, Philosophy and the Mirror of Nature e na minha preguiça epistemológica em acompanhar "isto"

22.11.09

EMBUSTE


Vi, há bocado, numa livraria um objecto intitulado "Bíblia para todos". É, simultaneamente, um belo objecto e um embuste. Os Evangelhos não são susceptíveis de ser "contados" como histórias da Condessa de Ségur.

EMBUSTE


Vi, há bocado, numa livraria um objecto intitulado "Bíblia para todos". É, simultaneamente, um belo objecto e um embuste. Os Evangelhos não são susceptíveis de ser "contados" como histórias da Condessa de Ségur.

RASURA

O Jorge Ferreira foi vice-presidente do CDS e liderou a sua bancada parlamentar. Dedicou a maior parte da sua vida pública ao CDS/PP. Isto passou-se apenas há doze anos. Pois se bem reparei, só dei pela presença do deputado Nuno Magalhães no seu funeral. O CDS/PP é um partido que não respeita a sua história. Ou, melhor, Portas não tem a menor consideração pela história do partido de que é presidente. Como se a coisa tivesse nascido com ele e com os seus imberbes cristãos-novos. Lucas Pires, Freitas do Amaral, Adriano Moreira, Manuel Monteiro ou Jorge Ferreira não cabem no ego de Portas. O episódio do retrato de Freitas - ou outras edificantes atitudes (ou a falta delas) por parte de Portas - define um carácter. Ou a falta dele. É uma espécie que colhe votos e que tem adeptos. Muitos. Como me dizia um amigo citando alguém conhecido, há pessoas que quando lhes cospem na cara aproveitam para fazer a barba.

RASURA

O Jorge Ferreira foi vice-presidente do CDS e liderou a sua bancada parlamentar. Dedicou a maior parte da sua vida pública ao CDS/PP. Isto passou-se apenas há doze anos. Pois se bem reparei, só dei pela presença do deputado Nuno Magalhães no seu funeral. O CDS/PP é um partido que não respeita a sua história. Ou, melhor, Portas não tem a menor consideração pela história do partido de que é presidente. Como se a coisa tivesse nascido com ele e com os seus imberbes cristãos-novos. Lucas Pires, Freitas do Amaral, Adriano Moreira, Manuel Monteiro ou Jorge Ferreira não cabem no ego de Portas. O episódio do retrato de Freitas - ou outras edificantes atitudes (ou a falta delas) por parte de Portas - define um carácter. Ou a falta dele. É uma espécie que colhe votos e que tem adeptos. Muitos. Como me dizia um amigo citando alguém conhecido, há pessoas que quando lhes cospem na cara aproveitam para fazer a barba.

ASSIS, UM PROCURADOR ESPECIAL DA REPÚBLICA

Chego a casa depois de um dia triste de despedida de um amigo e vejo o dr. Assis, líder parlamentar da seita menos minoritária, praticamente a defender a perseguição dos magistrados de Aveiro (juiz e procuradores) afectos ao processo "face oculta". O dr. Assis, que aqui defendi aquando do ataque canalha de que foi alvo em Felgueiras, não aprendeu nada entretanto e continua o mesmo histérico líder parlamentar de Guterres. Não acabaram bem.

ASSIS, UM PROCURADOR ESPECIAL DA REPÚBLICA

Chego a casa depois de um dia triste de despedida de um amigo e vejo o dr. Assis, líder parlamentar da seita menos minoritária, praticamente a defender a perseguição dos magistrados de Aveiro (juiz e procuradores) afectos ao processo "face oculta". O dr. Assis, que aqui defendi aquando do ataque canalha de que foi alvo em Felgueiras, não aprendeu nada entretanto e continua o mesmo histérico líder parlamentar de Guterres. Não acabaram bem.

21.11.09

BEM HAJAM


BEM HAJAM


PEQUENA CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA - JORGE FERREIRA


Morreu o Jorge Ferreira. Era uma morte anunciada mas que a coragem, o amor à vida, a resistência à doença (sempre estúpida) porventura suavizaram. Morrer, neste caso, não é apenas deixar de ser visto. É a perda de um colega fraterno, em certo sentido, de um amigo. Conheci o Jorge quando entrámos para a Católica em 1978. Gostava da política como poucos. Fazia parte de um grupo ambicioso do bar da Católica de onde se destacavam o Luís Bigotte Chorão, o Manuel Monteiro e o Paulo Portas. Juntaram-se e separaram-se. Esteve no CDS onde chegou a líder parlamentar. Fundou o Partido da Nova Democracia. Escrevia muito na Juventude Centrista. Tenho para aí muitos dos seus opúsculos com dedicatórias sempre amáveis e amigas. Estivemos juntos no referendo contra a regionalização. Descanse em paz.