31.3.07

O "SANTA MARIA", VERSÃO 2007



Obrigado, populares, já temos o CDS/PP connosco. Obrigado, populares.

O "SANTA MARIA", VERSÃO 2007



Obrigado, populares, já temos o CDS/PP connosco. Obrigado, populares.

"TU QUOQUE"?

Cavaco Silva tem uma lei para vetar em Belém - ele sabe perfeitamente qual é - mas a sua prioridade vai para uma "auditoria" ao Palácio por parte da EDP e do INETI para tornar a sua casa oficial "energeticamente eficiente" (palavra de honra). Tu quoque?

"TU QUOQUE"?

Cavaco Silva tem uma lei para vetar em Belém - ele sabe perfeitamente qual é - mas a sua prioridade vai para uma "auditoria" ao Palácio por parte da EDP e do INETI para tornar a sua casa oficial "energeticamente eficiente" (palavra de honra). Tu quoque?

GATO POR LEBRE

Caro Paulo, percebo perfeitamente onde é que V. quer chegar com essa do "café". Todavia, existe uma diferença abissal entre não saber quanto custa um café ou um bilhete de metro (Barroso) e votar em gato por lebre.

GATO POR LEBRE

Caro Paulo, percebo perfeitamente onde é que V. quer chegar com essa do "café". Todavia, existe uma diferença abissal entre não saber quanto custa um café ou um bilhete de metro (Barroso) e votar em gato por lebre.

O DESCALABRO ÉTICO

Os jornais dão conta dos gastos dos gabinetes ministeriais dos últimos três governos. Segundo um deles, pagámos quatrocentos e oitenta euros cada um para sustentar a chamada "gestão flexível", as secretárias, os adjuntos, os motoristas e toda essa corte que acompanha qualquer gabinete que se preze. Consta que o actual - o do domingueiro licenciado - é o que mais gasta. Também é natural. Para controlar um país inteiro é preciso comprar muita gente e ter muito dinheiro. Há dias, a propósito da simbólica "vitória" televisiva do Doutor Salazar falei de descalabro ético. Mais palavras para quê?

O DESCALABRO ÉTICO

Os jornais dão conta dos gastos dos gabinetes ministeriais dos últimos três governos. Segundo um deles, pagámos quatrocentos e oitenta euros cada um para sustentar a chamada "gestão flexível", as secretárias, os adjuntos, os motoristas e toda essa corte que acompanha qualquer gabinete que se preze. Consta que o actual - o do domingueiro licenciado - é o que mais gasta. Também é natural. Para controlar um país inteiro é preciso comprar muita gente e ter muito dinheiro. Há dias, a propósito da simbólica "vitória" televisiva do Doutor Salazar falei de descalabro ético. Mais palavras para quê?

MOMENTOS CHÁVEZ* À VISTA


Começou a ser publicada em Diário da República, no âmbito do maravilhoso PRACE, uma série de leis orgânicas de organismos públicos. Isso significa que abriu a época da caça aos lugares que, na maioria dos casos, exige prévia exibição do cartãozinho ou a palavrinha certa do camarada certo. Os camaradas incertos não servem. Aqueles que apreciam dedicar-se à contabilização da rapaziada, têm agora um momento de "ouro" ou "Chávez", conforme preferirem. Basta prestar atenção.

*Copyright Abrupto

MOMENTOS CHÁVEZ* À VISTA


Começou a ser publicada em Diário da República, no âmbito do maravilhoso PRACE, uma série de leis orgânicas de organismos públicos. Isso significa que abriu a época da caça aos lugares que, na maioria dos casos, exige prévia exibição do cartãozinho ou a palavrinha certa do camarada certo. Os camaradas incertos não servem. Aqueles que apreciam dedicar-se à contabilização da rapaziada, têm agora um momento de "ouro" ou "Chávez", conforme preferirem. Basta prestar atenção.

*Copyright Abrupto

REQUIEM


Venho do CCB onde assisti ao Requiem de Verdi, interpretado pelo coro do Teatro Nacional de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica Portuguesa. Bons solistas da "safra" Pinamonti que hoje termina. O ex-director artístico disponibilizou-se por carta- a meu ver mal, porque esta gente não merece consideração de maior - para assegurar a transição para o sr. Dammann e para os "boys and girls" que se seguem (porventura os mesmos ou idênticos o que vai dar ao mesmo). Naturalmente isso implicava novo contrato porque ninguém trabalha de borla. O prof. Carvalho chamou Pinamonti à Ajuda e, na presença de uma "testemunha idónea" porque ubíqua (vamos, em breve, com certeza ouvir falar dela), comunicou-lhe que não havia mais contratos. Mandou o serventuário embora já que, com este, o assunto tratar-se-á na devida altura. Com todos os seus defeitos e virtudes, Paolo Pinamonti não merecia esta "expulsão" digna do pior PC. É por isso que apreciei tanto uma ideia lida num jornal há uns tempos, justamente a propósito do "caso Pinamonti". Sair do PC é fácil. Tirar o PC de dentro dos que dele saem é que é impossível.

REQUIEM


Venho do CCB onde assisti ao Requiem de Verdi, interpretado pelo coro do Teatro Nacional de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica Portuguesa. Bons solistas da "safra" Pinamonti que hoje termina. O ex-director artístico disponibilizou-se por carta- a meu ver mal, porque esta gente não merece consideração de maior - para assegurar a transição para o sr. Dammann e para os "boys and girls" que se seguem (porventura os mesmos ou idênticos o que vai dar ao mesmo). Naturalmente isso implicava novo contrato porque ninguém trabalha de borla. O prof. Carvalho chamou Pinamonti à Ajuda e, na presença de uma "testemunha idónea" porque ubíqua (vamos, em breve, com certeza ouvir falar dela), comunicou-lhe que não havia mais contratos. Mandou o serventuário embora já que, com este, o assunto tratar-se-á na devida altura. Com todos os seus defeitos e virtudes, Paolo Pinamonti não merecia esta "expulsão" digna do pior PC. É por isso que apreciei tanto uma ideia lida num jornal há uns tempos, justamente a propósito do "caso Pinamonti". Sair do PC é fácil. Tirar o PC de dentro dos que dele saem é que é impossível.

30.3.07

A "INDEPENDENTE"

Uma das coisas curiosas a propósito do estabelecimento comercial denominado "Universidade Independente" é a idade dos alunos. Pelo menos daqueles que dão a cara nas televisões e pontapés nas portas. Tudo pessoas que podiam ser pais do average aluno universitário, adolescente e alheado da realidade. Deste género, nem rasto. Mariano Gago prepara-se para trancar o estabelecimento. Aliás, deve ser o único no mundo que, ao fim de uns míseros anos, destrói coisas sem importância como o registo da "vida académica" dos seus alunos. Que papéis pode aquele estabelecimento, afinal, certificar? Ao certo, que alunos e que professores são aqueles? Que "cursos" frequentaram? Tiraram um ou limitaram-se a levar um papel para casa a dizer que é "dr.", sim senhor? O papel vale alguma coisa ou foi "passado" pela empregada de limpeza ou escrito num salto nocturno furtivo através de uma janela? Incomoda-me pensar que podem andar por aí "doutores" arranjados assim. Talvez o "boca-a-boca" tivesse levado as tais pessoas "de idade" a procurar, no referido estabelecimento, uma "mais-valia" para os seus currículos. É normal e é humano. O que não é normal nem é humano, mas sim puro caso de polícia, é a venda de gato por lebre ou o gato virar lebre sem saber bem como. Nenhuma daquelas reitorais figuras que foram aparecendo nos últimos dias inspira a menor confiança nem sequer a um cego. Algumas delas já estão, como lhes compete, detidas. É por estas e por outras que, ao ouvir falar em "qualificação" pela boca de determinadas pessoas, me apetece puxar da pistola que não possuo.

A "INDEPENDENTE"

Uma das coisas curiosas a propósito do estabelecimento comercial denominado "Universidade Independente" é a idade dos alunos. Pelo menos daqueles que dão a cara nas televisões e pontapés nas portas. Tudo pessoas que podiam ser pais do average aluno universitário, adolescente e alheado da realidade. Deste género, nem rasto. Mariano Gago prepara-se para trancar o estabelecimento. Aliás, deve ser o único no mundo que, ao fim de uns míseros anos, destrói coisas sem importância como o registo da "vida académica" dos seus alunos. Que papéis pode aquele estabelecimento, afinal, certificar? Ao certo, que alunos e que professores são aqueles? Que "cursos" frequentaram? Tiraram um ou limitaram-se a levar um papel para casa a dizer que é "dr.", sim senhor? O papel vale alguma coisa ou foi "passado" pela empregada de limpeza ou escrito num salto nocturno furtivo através de uma janela? Incomoda-me pensar que podem andar por aí "doutores" arranjados assim. Talvez o "boca-a-boca" tivesse levado as tais pessoas "de idade" a procurar, no referido estabelecimento, uma "mais-valia" para os seus currículos. É normal e é humano. O que não é normal nem é humano, mas sim puro caso de polícia, é a venda de gato por lebre ou o gato virar lebre sem saber bem como. Nenhuma daquelas reitorais figuras que foram aparecendo nos últimos dias inspira a menor confiança nem sequer a um cego. Algumas delas já estão, como lhes compete, detidas. É por estas e por outras que, ao ouvir falar em "qualificação" pela boca de determinadas pessoas, me apetece puxar da pistola que não possuo.

29.3.07

A LUA NA SARJETA


"Aquilo que os políticos entendem como jornalismo de referência não é aquele que se caracteriza pelo rigor das suas investigações. Mas sim o que fala dos assuntos do costume. Esta previsibilidade levou a chamada imprensa de referência, por exemplo, a ignorar aquilo que designa como delinquência. Na imprensa de referência só se assaltam bancos. Não se assaltam pessoas. Só morrem modelos por anorexia. Jamais se fala dos taxistas que levam facadas... E, claro, não se investiga o currículo de um líder mas enchem-se páginas com as guerras pela liderança de qualquer distrital partidária. Realmente é lastimável!", escreve a Helena Matos na derradeira página do Público. Lá dentro, Constança Cunha e Sá perpetra contra o Doutor Salazar, "recauchutado" numa espécie de "Belas e o Mestre" da RTP. E termina com a melancólica conclusão - a partir do meritório quarto lugar alcançado por D. Afonso Henriques, o labrego que instituiu o "sítio" - de um "estudo" recente: a maioria preferia ser espanhola. Realmente Salazar foi um dos últimos patriotas quando ainda valia a pena sê-lo. De resto, como nota a Matos - e o artigo da Constança em parte confirma -, os jornalistas "de referência" preocuparam-se todos mais com um morto do que com a sarjeta em que o dr. Santos Silva os meteu a todos indiscriminadamente. Pelos vistos, estão bem uns para os outros.

A LUA NA SARJETA


"Aquilo que os políticos entendem como jornalismo de referência não é aquele que se caracteriza pelo rigor das suas investigações. Mas sim o que fala dos assuntos do costume. Esta previsibilidade levou a chamada imprensa de referência, por exemplo, a ignorar aquilo que designa como delinquência. Na imprensa de referência só se assaltam bancos. Não se assaltam pessoas. Só morrem modelos por anorexia. Jamais se fala dos taxistas que levam facadas... E, claro, não se investiga o currículo de um líder mas enchem-se páginas com as guerras pela liderança de qualquer distrital partidária. Realmente é lastimável!", escreve a Helena Matos na derradeira página do Público. Lá dentro, Constança Cunha e Sá perpetra contra o Doutor Salazar, "recauchutado" numa espécie de "Belas e o Mestre" da RTP. E termina com a melancólica conclusão - a partir do meritório quarto lugar alcançado por D. Afonso Henriques, o labrego que instituiu o "sítio" - de um "estudo" recente: a maioria preferia ser espanhola. Realmente Salazar foi um dos últimos patriotas quando ainda valia a pena sê-lo. De resto, como nota a Matos - e o artigo da Constança em parte confirma -, os jornalistas "de referência" preocuparam-se todos mais com um morto do que com a sarjeta em que o dr. Santos Silva os meteu a todos indiscriminadamente. Pelos vistos, estão bem uns para os outros.

A QUESTÃO DELES

Será que a Fernanda e os seus "costistas" tardios pretendem criar uma estúpida "questão religiosa" em pleno século XXI?

A QUESTÃO DELES

Será que a Fernanda e os seus "costistas" tardios pretendem criar uma estúpida "questão religiosa" em pleno século XXI?

O TELEFONE E O PAÍS

"Devemos ensinar às criancinhas que Salazar foi mau ou que Cunhal tinha más ideias? Talvez. Mas seria preferível prepará-las para resistir à mentalidade da guerra civil, à mania para chamar "fascista" a quem pensa de uma maneira diferente, ou ao hábito de reivindicar em exclusivo a "democracia" e a "modernidade". Sessenta mil telefonemas a favor de um Salazar em confronto com Cunhal num concurso televisivo não chegam para fazer uma Frente Nacional. Mas há gente à esquerda que gostaria de transformar esses telefonemas numa Frente Nacional - porque precisa de um par à altura para criar o ambiente em que a sua própria intolerância possa parecer justificada. Por isso, meu caro leitor, se lhe aconteceu chegar ao fim deste texto a pensar que o autor quis "branquear" Salazar e portanto é um "fascista", faça isto: procure um espelho, ponha-se em frente, e o que vir no espelho, pode ter a certeza de que é um "fascista". Tente então resistir a esse "fascista". Não pergunte por quem os telefones tocam: é por si."

Rui Ramos, in Público de 28.3.07

O TELEFONE E O PAÍS

"Devemos ensinar às criancinhas que Salazar foi mau ou que Cunhal tinha más ideias? Talvez. Mas seria preferível prepará-las para resistir à mentalidade da guerra civil, à mania para chamar "fascista" a quem pensa de uma maneira diferente, ou ao hábito de reivindicar em exclusivo a "democracia" e a "modernidade". Sessenta mil telefonemas a favor de um Salazar em confronto com Cunhal num concurso televisivo não chegam para fazer uma Frente Nacional. Mas há gente à esquerda que gostaria de transformar esses telefonemas numa Frente Nacional - porque precisa de um par à altura para criar o ambiente em que a sua própria intolerância possa parecer justificada. Por isso, meu caro leitor, se lhe aconteceu chegar ao fim deste texto a pensar que o autor quis "branquear" Salazar e portanto é um "fascista", faça isto: procure um espelho, ponha-se em frente, e o que vir no espelho, pode ter a certeza de que é um "fascista". Tente então resistir a esse "fascista". Não pergunte por quem os telefones tocam: é por si."

Rui Ramos, in Público de 28.3.07

O RETRATO


Três amigos cuja sensibilidade e inteligência aprecio, o Eduardo, o Tomás e o Francisco, "dão-me ganas" de prestar atenção ao "Portugal, um retrato social", do António Barreto, na RTP, coisa que, por motivos profissionais, não acompanhei na primeira sessão. Todavia, o exemplo do Tomás, da mulher que contou que, há trinta anos, "foi transportada de carroça na altura do parto", que "estava a duas horas da assistência mais próxima" e que "a criança nasceu no caminho e morreu antes de chegar ao destino", parece "tirada" da trágica saga das maternidades do dr. Correia de Campos, em 2007. Amigos: não se precipitem nas conclusões "rousseaunianas". Ainda é cedo. O Francisco explica porquê.

O RETRATO


Três amigos cuja sensibilidade e inteligência aprecio, o Eduardo, o Tomás e o Francisco, "dão-me ganas" de prestar atenção ao "Portugal, um retrato social", do António Barreto, na RTP, coisa que, por motivos profissionais, não acompanhei na primeira sessão. Todavia, o exemplo do Tomás, da mulher que contou que, há trinta anos, "foi transportada de carroça na altura do parto", que "estava a duas horas da assistência mais próxima" e que "a criança nasceu no caminho e morreu antes de chegar ao destino", parece "tirada" da trágica saga das maternidades do dr. Correia de Campos, em 2007. Amigos: não se precipitem nas conclusões "rousseaunianas". Ainda é cedo. O Francisco explica porquê.

28.3.07

AO CAFÉ


A personagem mais famosa que "anda por aí" vai estar amanhã à noite no Café Nicola, pelas 21.30 horas, numa iniciativa do "Chris" e da Rádio Europa-Lisboa, na sessão final de um ciclo de conferências dedicado à cidade de Lisboa, dirigido por Pedro Quartin Graça. Sim, é verdade. Eu "gosto" do homem. Fraquezas de um "anarquista de direita*."

*Esta é para responder a um "anónimo" que perguntou lá para baixo se este blogue era de extrema-direita.

AO CAFÉ


A personagem mais famosa que "anda por aí" vai estar amanhã à noite no Café Nicola, pelas 21.30 horas, numa iniciativa do "Chris" e da Rádio Europa-Lisboa, na sessão final de um ciclo de conferências dedicado à cidade de Lisboa, dirigido por Pedro Quartin Graça. Sim, é verdade. Eu "gosto" do homem. Fraquezas de um "anarquista de direita*."

*Esta é para responder a um "anónimo" que perguntou lá para baixo se este blogue era de extrema-direita.

GOSTOS REBELDES


A sra. ministra da Cultura - que manifestou desinteresse num "museu do Estado Novo" (não deixa de ter alguma razão: se não consegue cuidar dos que tem, para quê meter-se em mais alhadas?) - largou, com os brilhantes resultados que se conhecem todos os dias, os teatros nacionais nas mãos desse grande ideólogo político-cultural que é o prof. Mário Vieira de Carvalho, o verdadeiro ministro. Contaram-me outro dia que o Director-Geral do Tesouro convocou a dupla Fragateiro- Castanheira - os da FNAT ressuscitada no Rossio - para uma reunião para se fazerem umas continhas à SA. O leitor Nuno Mendes - ou Nuno Gonçalves Moura - deixou um comentário neste post que, afinal, pode ajudar a "ler" a referida reunião. E ainda há amigos e amigas minhas "à espera de serem chamados" para serventuários do prof. Carvalho. Há gostos para tudo.

Adenda: Do Augusto M. Seabra, sobre o São Carlos e a dispensa de Paolo Pinamonti pelo prof. Carvalho, esta "Deriva": "entre a tutela e o director do teatro ocorreu agora uma divergência de entendimentos por aquela designada de “hermenêutica da pré-compreensão”, respeitante à anunciada instituição de um novo organismo artístico público que aglutinará o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, sendo todavia que os directores artísticos dessas instituições são designados directamente pela tutela e não pelo órgão dirigente da nova estrutura."

GOSTOS REBELDES


A sra. ministra da Cultura - que manifestou desinteresse num "museu do Estado Novo" (não deixa de ter alguma razão: se não consegue cuidar dos que tem, para quê meter-se em mais alhadas?) - largou, com os brilhantes resultados que se conhecem todos os dias, os teatros nacionais nas mãos desse grande ideólogo político-cultural que é o prof. Mário Vieira de Carvalho, o verdadeiro ministro. Contaram-me outro dia que o Director-Geral do Tesouro convocou a dupla Fragateiro- Castanheira - os da FNAT ressuscitada no Rossio - para uma reunião para se fazerem umas continhas à SA. O leitor Nuno Mendes - ou Nuno Gonçalves Moura - deixou um comentário neste post que, afinal, pode ajudar a "ler" a referida reunião. E ainda há amigos e amigas minhas "à espera de serem chamados" para serventuários do prof. Carvalho. Há gostos para tudo.

Adenda: Do Augusto M. Seabra, sobre o São Carlos e a dispensa de Paolo Pinamonti pelo prof. Carvalho, esta "Deriva": "entre a tutela e o director do teatro ocorreu agora uma divergência de entendimentos por aquela designada de “hermenêutica da pré-compreensão”, respeitante à anunciada instituição de um novo organismo artístico público que aglutinará o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, sendo todavia que os directores artísticos dessas instituições são designados directamente pela tutela e não pelo órgão dirigente da nova estrutura."

O VOTO NÃO É A ARMA DO POVO


Logo a seguir ao "25 de Abril", o MFA fez circular uns cartazes com a máxima "o voto é a arma do povo", verdadeiramente esperançado que o "povo" não votasse. Ou, se votasse, votasse "à esquerda", leia-se PC, MDP e adjacências. O "povo", pelo contrário, começou logo em 75 a inclinar-se para o "centrão". Em resposta àquilo, os anarquistas instavam a que o "povo" não votasse para não ficar "desarmado". Começo, ao fim de tantos anos, a dar-lhes razão. Em 2001, votei Santana Lopes para a Câmara de Lisboa. Foi para o governo. Em 2002, votei no dr. Barroso para o governo. Foi para Bruxelas. Em 2005, votei na dra. Nogueira Pinto outra vez para a Câmara. Acabou de partir para parte incerta. Em 2006, não votei Cavaco para ter um Jorge Sampaio revisto, corrigido e aumentado. O único que permanece firme e hirto e, tal como o Doutor Salazar, "está e fica como se nunca fosse deixar de estar", é o mais famoso licenciado em engenharia civil do país. Péssima consolação. Decididamente o voto não é a arma do povo.

O VOTO NÃO É A ARMA DO POVO


Logo a seguir ao "25 de Abril", o MFA fez circular uns cartazes com a máxima "o voto é a arma do povo", verdadeiramente esperançado que o "povo" não votasse. Ou, se votasse, votasse "à esquerda", leia-se PC, MDP e adjacências. O "povo", pelo contrário, começou logo em 75 a inclinar-se para o "centrão". Em resposta àquilo, os anarquistas instavam a que o "povo" não votasse para não ficar "desarmado". Começo, ao fim de tantos anos, a dar-lhes razão. Em 2001, votei Santana Lopes para a Câmara de Lisboa. Foi para o governo. Em 2002, votei no dr. Barroso para o governo. Foi para Bruxelas. Em 2005, votei na dra. Nogueira Pinto outra vez para a Câmara. Acabou de partir para parte incerta. Em 2006, não votei Cavaco para ter um Jorge Sampaio revisto, corrigido e aumentado. O único que permanece firme e hirto e, tal como o Doutor Salazar, "está e fica como se nunca fosse deixar de estar", é o mais famoso licenciado em engenharia civil do país. Péssima consolação. Decididamente o voto não é a arma do povo.

27.3.07

TUDO O QUE ELE ESCREVEU E TUDO O QUE NÃO ESCREVI


Na epígrafe ao seu "diário", editado em dois volumes pela ASA, Eduardo Prado Coelho (a quem desejo daqui rápido restabelecimento) socorreu-se de uma frase de Ludwig Wittgenstein da qual saiu o título desses dois livros: "tudo o que não escrevi". Eduardo Pitta - que faz o favor de ser meu amigo e de me aturar - prepara a saída da sua "Intriga em Família", da Quasi, onde reúne textos seus publicados no Da Literatura entre 2005 e 2007. Também aqui houve o mesmo propósito, um dia. Chegaram a reunir-se os textos, esboçaram-se os capítulos, falou-se com a Constança Cunha e Sá. Esse projecto ficou, afinal, nisso: num projecto. Apenas mais um acto falhado. Adiante. O Eduardo não é facilmente enquadrável nas capelas em vigor e, justamente, tem pago o preço disso. O seu "Metal Fundente", também da Quasi, reúne uma série de ensaios/pequenas biografias literárias de poetas nacionais e estrangeiros e constitui uma preciosa raridade no género, sem flutuações desnecessárias ou pirosas afectações. O Eduardo escreve enxuto, como eu gosto. É quanto basta para tornar a sua "Intriga em Família" indispensável. Não é tudo o que ele escreveu, mas já é muita coisa.

TUDO O QUE ELE ESCREVEU E TUDO O QUE NÃO ESCREVI


Na epígrafe ao seu "diário", editado em dois volumes pela ASA, Eduardo Prado Coelho (a quem desejo daqui rápido restabelecimento) socorreu-se de uma frase de Ludwig Wittgenstein da qual saiu o título desses dois livros: "tudo o que não escrevi". Eduardo Pitta - que faz o favor de ser meu amigo e de me aturar - prepara a saída da sua "Intriga em Família", da Quasi, onde reúne textos seus publicados no Da Literatura entre 2005 e 2007. Também aqui houve o mesmo propósito, um dia. Chegaram a reunir-se os textos, esboçaram-se os capítulos, falou-se com a Constança Cunha e Sá. Esse projecto ficou, afinal, nisso: num projecto. Apenas mais um acto falhado. Adiante. O Eduardo não é facilmente enquadrável nas capelas em vigor e, justamente, tem pago o preço disso. O seu "Metal Fundente", também da Quasi, reúne uma série de ensaios/pequenas biografias literárias de poetas nacionais e estrangeiros e constitui uma preciosa raridade no género, sem flutuações desnecessárias ou pirosas afectações. O Eduardo escreve enxuto, como eu gosto. É quanto basta para tornar a sua "Intriga em Família" indispensável. Não é tudo o que ele escreveu, mas já é muita coisa.

A INEVITABILIDADE


Ainda nem há uma semana, o dr. Marques Mendes ia sendo declarado inimputável por ter proposto a redução de impostos. Em Bruxelas, o prof. Teixeira dos Santos admitiu essa redução lá mais para diante, quando o défice passar de excessivo a virtuoso. Calhará provavelmente em 2008-2009, mas isso é apenas um detalhe de calendário. Em suma, e embora todos lhe batam - nos media, nos blogues e, sobretudo, no seu próprio partido -, Marques Mendes limitou-se a antecipar uma inevitabilidade política.

A INEVITABILIDADE


Ainda nem há uma semana, o dr. Marques Mendes ia sendo declarado inimputável por ter proposto a redução de impostos. Em Bruxelas, o prof. Teixeira dos Santos admitiu essa redução lá mais para diante, quando o défice passar de excessivo a virtuoso. Calhará provavelmente em 2008-2009, mas isso é apenas um detalhe de calendário. Em suma, e embora todos lhe batam - nos media, nos blogues e, sobretudo, no seu próprio partido -, Marques Mendes limitou-se a antecipar uma inevitabilidade política.

TODOS OS HOMENS

Fernanda, prefiro partilhar o que nos une. Quando li o livro do Roth, escrevi: "Depois de uma vida cheia, o protagonista de Roth em Everyman, morre sozinho, sem dar por isso. Em Portugal, morremos todos os dias um bocadinho. Sozinhos. Sem darmos por isso e com alguns, os mais imbecis, contentinhos." Como V., felizmente, é uma descontente militante, ofereço-lhe este pedaço. E porque sei que não me respondeu a pensar num pôr-do-sol no Cairo visto a partir das Amoreiras ou no "jornalismo de sarjeta" do dr. Silva. Todavia neste último convinha-lhe pensar.
"Nothing could extinguish the vitality of that boy whose slender little torpedo of an unscathed body once rode the big Atlantic waves from a hundred yards out in the wild ocean all the way in to shore. Oh, the abandon of it, and the smell of the salt water and the scorching sun! Daylight, he thought, penetrating everywhere, day after summer day of that daylight blazing off a living sea, an optical treasure so vast and valuable that he could have been peering through the jeweler's loupe engraved with his father's initials at the perfect, priceless planet itself - at his home, the billion -, the trillion-, the quadrillion-carat planet Earth! He went under feeling far from felled, anything but doomed, eager yet again to be fulfilled, but nonetheless, he never woke up.(...) He was no more, freed from being, entering into nowhere without even knowing it."

TODOS OS HOMENS

Fernanda, prefiro partilhar o que nos une. Quando li o livro do Roth, escrevi: "Depois de uma vida cheia, o protagonista de Roth em Everyman, morre sozinho, sem dar por isso. Em Portugal, morremos todos os dias um bocadinho. Sozinhos. Sem darmos por isso e com alguns, os mais imbecis, contentinhos." Como V., felizmente, é uma descontente militante, ofereço-lhe este pedaço. E porque sei que não me respondeu a pensar num pôr-do-sol no Cairo visto a partir das Amoreiras ou no "jornalismo de sarjeta" do dr. Silva. Todavia neste último convinha-lhe pensar.
"Nothing could extinguish the vitality of that boy whose slender little torpedo of an unscathed body once rode the big Atlantic waves from a hundred yards out in the wild ocean all the way in to shore. Oh, the abandon of it, and the smell of the salt water and the scorching sun! Daylight, he thought, penetrating everywhere, day after summer day of that daylight blazing off a living sea, an optical treasure so vast and valuable that he could have been peering through the jeweler's loupe engraved with his father's initials at the perfect, priceless planet itself - at his home, the billion -, the trillion-, the quadrillion-carat planet Earth! He went under feeling far from felled, anything but doomed, eager yet again to be fulfilled, but nonetheless, he never woke up.(...) He was no more, freed from being, entering into nowhere without even knowing it."

A OTA E OS SEUS ALPINISTAS

Prontos, Eduardo. Está justificada a Ota, não é verdade?

A OTA E OS SEUS ALPINISTAS

Prontos, Eduardo. Está justificada a Ota, não é verdade?

O GRANDE ESCULTOR

Estes, ao menos, aprenderam alguma coisa com o decurso do tempo, esse grande escultor.

O GRANDE ESCULTOR

Estes, ao menos, aprenderam alguma coisa com o decurso do tempo, esse grande escultor.

A SÉRIO

A Fernanda afirma não conhecer ninguém que tivesse "votado" em Salazar no concurso da RTP. Mentira. Conhece-me a mim. De resto, ela e dois jornais diários que costumo ler - o Público e o Diário de Notícias - dedicam-se hoje a exorcizar a pirrónica e caricatural "vitória" do antigo presidente do conselho. Fora Eduardo Lourenço - que, ao viver lá fora, enxerga melhor - todas as aves canoras que se pronunciaram vão sensivelmente no mesmo sentido rasurante da história. É claro que o resultado do concurso não vale nada a não ser a título simbólico. Por isso, vir com sondagens das respeitáveis empresas do costume, é malhar em ferro frio. Afonso Henriques, Vasco da Gama, Camões ou Pessoa são tão consensuais como um bitoque num restaurante. Já os "mortos-vivos" mais recentes não são, e não são precisamente por culpa da rasura militante que lhes foi imposta pela ditadura da correcção política dos últimos anos. Tivesse a democracia "absorvido" a história contemporânea portuguesa sem os "traumas" evidenciados, por exemplo, no texto da Fernanda, e outro galo cantaria. Já agora, Fernanda, por que é que não se preocupa antes com os seus colegas "amigos" do ministro Santos Silva que o inspiraram a separar o "jornalismo de sarjeta" do seu privativo "quadro de honra" do jornalismo nacional? É que sério, ao menos, o Salazar era. A sério.

A SÉRIO

A Fernanda afirma não conhecer ninguém que tivesse "votado" em Salazar no concurso da RTP. Mentira. Conhece-me a mim. De resto, ela e dois jornais diários que costumo ler - o Público e o Diário de Notícias - dedicam-se hoje a exorcizar a pirrónica e caricatural "vitória" do antigo presidente do conselho. Fora Eduardo Lourenço - que, ao viver lá fora, enxerga melhor - todas as aves canoras que se pronunciaram vão sensivelmente no mesmo sentido rasurante da história. É claro que o resultado do concurso não vale nada a não ser a título simbólico. Por isso, vir com sondagens das respeitáveis empresas do costume, é malhar em ferro frio. Afonso Henriques, Vasco da Gama, Camões ou Pessoa são tão consensuais como um bitoque num restaurante. Já os "mortos-vivos" mais recentes não são, e não são precisamente por culpa da rasura militante que lhes foi imposta pela ditadura da correcção política dos últimos anos. Tivesse a democracia "absorvido" a história contemporânea portuguesa sem os "traumas" evidenciados, por exemplo, no texto da Fernanda, e outro galo cantaria. Já agora, Fernanda, por que é que não se preocupa antes com os seus colegas "amigos" do ministro Santos Silva que o inspiraram a separar o "jornalismo de sarjeta" do seu privativo "quadro de honra" do jornalismo nacional? É que sério, ao menos, o Salazar era. A sério.

LER OS OUTROS

"A direita está órfã das suas principais referências democráticas, por este ou por aquele motivo. Instintivamente, volta-se para trás à procura de um ponto de apoio."

José Medeiros Ferreira, in Diário de Notícias

LER OS OUTROS

"A direita está órfã das suas principais referências democráticas, por este ou por aquele motivo. Instintivamente, volta-se para trás à procura de um ponto de apoio."

José Medeiros Ferreira, in Diário de Notícias

GARZÓN SUPERSTAR


Passou por cá, a convite do dr. Jaime Gama, o campeão mundial da luta contra a corrupção e contra as ditaduras, o juiz Baltazar Garzón. Garzón é aquela criatura que decidiu dar caça, a partir da gloriosa Espanha dos Filipes e de Franco, a tudo o que no mundo inteiro perturbou o normal curso da história, mais conhecido por "progresso". Internamente, Garzón, desde o dia em que Felipe Gonzalez não o colocou como ministro da Justiça, destacou-se a abater e a tentar abater os políticos "corruptos" uma vez que ele, o imaculado, não teve o acesso que pretendia a essa boda infame e permanente que é a "política". Fica-se sempre com a ideia de que não há mais nenhum juiz em Espanha, já que Garzón "vai a todas", desde a corrupção a Pinochet, passando pelos terroristas. Por tudo isto, o magistrado espanhol é seguramente tido como a Irmã Lúcia das magistraturas mundiais ou o Ronaldo da investigação criminal. Veio cá fazer o que ele gosta de fazer: dar espectáculo. Meio regime acorreu ao Parlamento e, por um dia, sossegaram-se as consciências no que toca ao combate à corrupção. Hoje, como se nada se tivesse passado, a corrupção continua naturalmente a fazer o seu costumeiro caminho. O "combate" também. Quanto mais se fala nele e mais capas de jornais se lhe dedicarem, menos efeitos ele produz. Mas isso não interessa nada. Garzón fez o seu número. E nós fingimos que acreditamos. Nele e nos seus epígonos nacionais. Aliás, alguém se importou que um famoso arguido, acusado, "perseguido" etc., etc. tivesse, em directo e na tv pública, jurado que não ia a julgamento e que jamais seria condenado? Podiam ter passado esse video ao sr. Garzón. Só para ele perceber o tipo de gente a quem veio dar explicações.

GARZÓN SUPERSTAR


Passou por cá, a convite do dr. Jaime Gama, o campeão mundial da luta contra a corrupção e contra as ditaduras, o juiz Baltazar Garzón. Garzón é aquela criatura que decidiu dar caça, a partir da gloriosa Espanha dos Filipes e de Franco, a tudo o que no mundo inteiro perturbou o normal curso da história, mais conhecido por "progresso". Internamente, Garzón, desde o dia em que Felipe Gonzalez não o colocou como ministro da Justiça, destacou-se a abater e a tentar abater os políticos "corruptos" uma vez que ele, o imaculado, não teve o acesso que pretendia a essa boda infame e permanente que é a "política". Fica-se sempre com a ideia de que não há mais nenhum juiz em Espanha, já que Garzón "vai a todas", desde a corrupção a Pinochet, passando pelos terroristas. Por tudo isto, o magistrado espanhol é seguramente tido como a Irmã Lúcia das magistraturas mundiais ou o Ronaldo da investigação criminal. Veio cá fazer o que ele gosta de fazer: dar espectáculo. Meio regime acorreu ao Parlamento e, por um dia, sossegaram-se as consciências no que toca ao combate à corrupção. Hoje, como se nada se tivesse passado, a corrupção continua naturalmente a fazer o seu costumeiro caminho. O "combate" também. Quanto mais se fala nele e mais capas de jornais se lhe dedicarem, menos efeitos ele produz. Mas isso não interessa nada. Garzón fez o seu número. E nós fingimos que acreditamos. Nele e nos seus epígonos nacionais. Aliás, alguém se importou que um famoso arguido, acusado, "perseguido" etc., etc. tivesse, em directo e na tv pública, jurado que não ia a julgamento e que jamais seria condenado? Podiam ter passado esse video ao sr. Garzón. Só para ele perceber o tipo de gente a quem veio dar explicações.

26.3.07

A PRESIDÊNCIA


Portugal vai preparar um novo tratado europeu, lê-se por aí e ninguém se ri. Depois do episódio abortivo que distraiu o país durante umas boas semanas, de pseudo-debates sobre a Ota e das desventuras da direita suicidária (Paulo Portas ter-se-á apercebido de que, cada vez que se falava na "crueldade" de D. João II para com os "seus", defensor e defendido se confundiam em directo?) a"presidência europeia" calha que nem ginjas. E então com a desculpa de uma nova "agenda Lisboa 2007", a propaganda já esfrega as mãozinhas de contente. Ao menos que o país páre para pensar, se é que é possível que pense. Dou apenas um exemplo. Quando o ministro da tutela "sugere" que se deve perseguir o "jornalismo de sarjeta" - uma nebulosa que implica uma selecção e uma actividade censória - gostava de ver homens de barba rija como a jornalista Leonor Pinhão indignarem-se tanto com isto como se indignam com coisas menores. É que, ao contrário do "outro", o dr. Santos Silva está vivo e bem vivo. Será que se recomenda?

A PRESIDÊNCIA


Portugal vai preparar um novo tratado europeu, lê-se por aí e ninguém se ri. Depois do episódio abortivo que distraiu o país durante umas boas semanas, de pseudo-debates sobre a Ota e das desventuras da direita suicidária (Paulo Portas ter-se-á apercebido de que, cada vez que se falava na "crueldade" de D. João II para com os "seus", defensor e defendido se confundiam em directo?) a"presidência europeia" calha que nem ginjas. E então com a desculpa de uma nova "agenda Lisboa 2007", a propaganda já esfrega as mãozinhas de contente. Ao menos que o país páre para pensar, se é que é possível que pense. Dou apenas um exemplo. Quando o ministro da tutela "sugere" que se deve perseguir o "jornalismo de sarjeta" - uma nebulosa que implica uma selecção e uma actividade censória - gostava de ver homens de barba rija como a jornalista Leonor Pinhão indignarem-se tanto com isto como se indignam com coisas menores. É que, ao contrário do "outro", o dr. Santos Silva está vivo e bem vivo. Será que se recomenda?

VALEU A PENA

Um comentador do post anterior acusa-me de contradição. Se Salazar é o que nós somos, como posso eu "defendê-lo"? No programa da D. Elisa, já no fim, quando ninguém estava a ver, disseram-se duas ou três coisas relevantes. Em primeiro lugar, tratou-se de um concurso, de um entretenimento, e não de uma revisão da história. Em segundo lugar, os 41% do Doutor Salazar, num universo de 200 mil votantes, é uma pequena mas significativa manifestação de desagrado pelo "estado da arte" democrática. Por fim - digo-o eu - Salazar foi, perante o descalabro ético deste regime, um grande visionário quando nos classificou como ingovernáveis. Não era ele anti-moderno, anti-cosmopolita e profundamente "da terra"? Em que é que nós somos diferentes desta concepção? O salazarismo limitou-se a dar sequência à saga do "Portugal dos pequeninos" que continuamos a ser às mãos do pobre ilusionista Sócrates. Salazar, o homem, esse permanece exemplar na probidade e no sentido - dele, naturalmente - do serviço público. Só para assistir ao incómodo da meia dúzia de luminárias do regime por causa do resultado de um concurso - como se eles fossem os donos das consciências dos outros graças à sua suposta "superioridade" democrática ou intelectual - já valeu a pena.

VALEU A PENA

Um comentador do post anterior acusa-me de contradição. Se Salazar é o que nós somos, como posso eu "defendê-lo"? No programa da D. Elisa, já no fim, quando ninguém estava a ver, disseram-se duas ou três coisas relevantes. Em primeiro lugar, tratou-se de um concurso, de um entretenimento, e não de uma revisão da história. Em segundo lugar, os 41% do Doutor Salazar, num universo de 200 mil votantes, é uma pequena mas significativa manifestação de desagrado pelo "estado da arte" democrática. Por fim - digo-o eu - Salazar foi, perante o descalabro ético deste regime, um grande visionário quando nos classificou como ingovernáveis. Não era ele anti-moderno, anti-cosmopolita e profundamente "da terra"? Em que é que nós somos diferentes desta concepção? O salazarismo limitou-se a dar sequência à saga do "Portugal dos pequeninos" que continuamos a ser às mãos do pobre ilusionista Sócrates. Salazar, o homem, esse permanece exemplar na probidade e no sentido - dele, naturalmente - do serviço público. Só para assistir ao incómodo da meia dúzia de luminárias do regime por causa do resultado de um concurso - como se eles fossem os donos das consciências dos outros graças à sua suposta "superioridade" democrática ou intelectual - já valeu a pena.

25.3.07

O QUE NÓS SOMOS


Marcelo deu uma valente "sova" em Paulo Portas. Em síntese, explicou que, com os mesmos de 2002/2005, a "direita" não vai a lado nenhum em 2009. Não iria na mesma. Um dos problemas mal resolvidos da direita é julgar-se "herdeira" de uma "tradição" não-salazarista que nunca chegou a existir. Marcello, o outro, existiu pouco e o pouco que existiu pode resumir-se a um título sádico: os infortúnios da virtude. Os seus epígonos nunca passaram de satisfatórios académicos e de políticos infelizes. A direita é "centrona" porque tem medo do fantasma do Doutor Salazar. O único serviço público que a RTP pode prestar ao país com o concurso da D. Elisa, "Os Grandes Portugueses", é anunciar a "vitória" do homem que moldou o país que somos. Ele apareceu depois da ditadura da República - contra ela - ficou à frente da sua durante quase meio século, gerou toda a oposição ao Estado Novo, desde o PC até à oposição "burguesa" - a do exílio e a das prisões - e fermentou as Forças Armadas que o derrubaram depois de morto. Salazar não é um português maior do que qualquer outro. Foi-o, de facto, nos primeiros anos. Agora é apenas o que nós somos.

O QUE NÓS SOMOS


Marcelo deu uma valente "sova" em Paulo Portas. Em síntese, explicou que, com os mesmos de 2002/2005, a "direita" não vai a lado nenhum em 2009. Não iria na mesma. Um dos problemas mal resolvidos da direita é julgar-se "herdeira" de uma "tradição" não-salazarista que nunca chegou a existir. Marcello, o outro, existiu pouco e o pouco que existiu pode resumir-se a um título sádico: os infortúnios da virtude. Os seus epígonos nunca passaram de satisfatórios académicos e de políticos infelizes. A direita é "centrona" porque tem medo do fantasma do Doutor Salazar. O único serviço público que a RTP pode prestar ao país com o concurso da D. Elisa, "Os Grandes Portugueses", é anunciar a "vitória" do homem que moldou o país que somos. Ele apareceu depois da ditadura da República - contra ela - ficou à frente da sua durante quase meio século, gerou toda a oposição ao Estado Novo, desde o PC até à oposição "burguesa" - a do exílio e a das prisões - e fermentou as Forças Armadas que o derrubaram depois de morto. Salazar não é um português maior do que qualquer outro. Foi-o, de facto, nos primeiros anos. Agora é apenas o que nós somos.

GRANDES COMEÇOS

"Sou cego, mas não sou surdo. E porque a minha desgraça não é completa, ontem fui obrigado a ouvir, durante quase seis horas, um auto-intitulado historiador cuja descrição do que os Atenienses gostam de chamar "as Guerras Persas" era um disparate de tal ordem que, se fosse menos velho e tivesse mais privilégios, ter-me-ia levantado do lugar, no Odeon, e escandalizado Atenas inteira com a resposta que lhe daria."

Gore Vidal, Criação

GRANDES COMEÇOS

"Sou cego, mas não sou surdo. E porque a minha desgraça não é completa, ontem fui obrigado a ouvir, durante quase seis horas, um auto-intitulado historiador cuja descrição do que os Atenienses gostam de chamar "as Guerras Persas" era um disparate de tal ordem que, se fosse menos velho e tivesse mais privilégios, ter-me-ia levantado do lugar, no Odeon, e escandalizado Atenas inteira com a resposta que lhe daria."

Gore Vidal, Criação

EUROPA - 2

Oh José Medeiros Ferreira, não me diga que só agora reparou nisso, depois de tantas presenças no programa da "sotora" Campos Ferreira. A suprema ironia do dia - Europa, remember? - é o Doutor Salazar "derrotar", na "sua" eterna RTP, a SIC-Notícias "democrática" que, sensivelmente à mesma hora da "final" da D. Elisa, entrevista Mário Soares.

EUROPA - 2

Oh José Medeiros Ferreira, não me diga que só agora reparou nisso, depois de tantas presenças no programa da "sotora" Campos Ferreira. A suprema ironia do dia - Europa, remember? - é o Doutor Salazar "derrotar", na "sua" eterna RTP, a SIC-Notícias "democrática" que, sensivelmente à mesma hora da "final" da D. Elisa, entrevista Mário Soares.

EUROPA


Para comemorar os cinquenta anos do Tratado de Roma, encontram-se em Berlim todos os basbaques que dirigem presentemente a Europa. Os "pais" da ideia devem dar voltas nos respectivos túmulos quando se vêem representados por tanta nulidade política e humana. Já são vinte e sete e, se a loucura turca o permitir, qualquer dia só param na Rússia. Com aquele ar atrevido de miúdo a meio caminho entre a Cova da Piedade e Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia desfez-se em entrevistas e "ideias" para garantir o seu lugarzinho na "história". Ultimamente "agarrou-se" ao ambiente como se não estivéssemos todos mortos a prazo, apesar das milionárias conferèncias do sr. Gore. Por cá, não houve luminária esclarecida ou analfabeta que não "botasse" discurso ou prosa sobre a Europa. Do "rapto" mitológico até ao governo sem rosto de Bruxelas, o regime esteve e há-de estar bem representado durante o dia nos jornais e nas televisões. Por isso me apetece escrever sobre Francisco Lucas Pires. Lucas Pires foi meu professor e, atrevo-me a dizer, alguém com quem sempre mantive uma enorme cumplicidade intelectual. Conheci-o aos dezoito anos e despedi-me dele, sem o saber, horas antes da sua estúpida morte em 1998. Foi nele em quem votei nas primeiras eleições para o Parlamento Europeu, em 1987, no mesmo dia em que Cavaco Silva arrebatava a primeira maioria absoluta. Nessa altura Pires já tinha sido presidente do CDS - o Paulo Portas, nos corredores da Católica, em 83, exibia com orgulho o seu "liberalismo" através de um auto-colante com o rosto de FLP colocado na lapela- e era, com sucesso, o nosso bem preparado deputado europeu que trouxe a Lisboa os seus amigos do PPE para essa campanha. FLP era um homem de pensamento e, enquanto tal, produziu provavelmente a única mais-valia que o CDS teve nesse campo - o saudoso "grupo de Ofir" - a que também pertenceu o José Adelino Maltez. No PREC, forneceu ao partido uma teorização sobre a constituição ideal ("Uma Constituição para Portugal"), escreveu artigos para uma das melhores revistas de pensamento político da época, a "Democracia e Liberdade", e dava aulas com uma lucidez adivinhativa e tímida própria dos melhores. Nunca foi um político de acção ou de intriga e, como tal, não escapou à tortura das novas e das velhas nomenclaturas do regime e do seu próprio partido. Gostava mais dos homens do que apreciava as suas "arrumações" partidárias concretas e isso foi-lhe fatal. Foi finalmente deputado europeu pelo PSD e alvo do escarninho público de muitos alarves que transformaram o CDS em PP e o PP num circo, bem como de muitos inquisidores de pacotilha cheios de esqueletos no armário. Até Portas arrebatou um orgasmo televisivo contra ele num daqueles seus frenéticos momentos de falso moralismo político. Ontem, ao limpar uma estante de papéis e de jornais inúteis (de vez em quando há que deitar fora partes definitivamente mortas da nossa vida), apeteceu-me reler o livrinho de Lucas Pires na colecção "O que é", neste caso, a "Europa", com um prefácio de Eduardo Lourenço (Difusão Cultural). E ocorreu-me a falta que homens como ele fazem à nossa medíocre vida pública, tão poluída por tantos arrivistas e ignorantes esquecíveis. FLP tratou de "pensar a Europa" num momento em que, cá dentro, toda a gente se preparava para se servir dela. Homens como ele não têm "herdeiros". A gente que se bamboleia entre cá e lá em nome da burocracia de Bruxelas, não lhe alcança sequer os calcanhares. Francisco Lucas Pires chegou cedo demais e partiu cedo demais. Nunca o chegámos a merecer.

EUROPA


Para comemorar os cinquenta anos do Tratado de Roma, encontram-se em Berlim todos os basbaques que dirigem presentemente a Europa. Os "pais" da ideia devem dar voltas nos respectivos túmulos quando se vêem representados por tanta nulidade política e humana. Já são vinte e sete e, se a loucura turca o permitir, qualquer dia só param na Rússia. Com aquele ar atrevido de miúdo a meio caminho entre a Cova da Piedade e Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia desfez-se em entrevistas e "ideias" para garantir o seu lugarzinho na "história". Ultimamente "agarrou-se" ao ambiente como se não estivéssemos todos mortos a prazo, apesar das milionárias conferèncias do sr. Gore. Por cá, não houve luminária esclarecida ou analfabeta que não "botasse" discurso ou prosa sobre a Europa. Do "rapto" mitológico até ao governo sem rosto de Bruxelas, o regime esteve e há-de estar bem representado durante o dia nos jornais e nas televisões. Por isso me apetece escrever sobre Francisco Lucas Pires. Lucas Pires foi meu professor e, atrevo-me a dizer, alguém com quem sempre mantive uma enorme cumplicidade intelectual. Conheci-o aos dezoito anos e despedi-me dele, sem o saber, horas antes da sua estúpida morte em 1998. Foi nele em quem votei nas primeiras eleições para o Parlamento Europeu, em 1987, no mesmo dia em que Cavaco Silva arrebatava a primeira maioria absoluta. Nessa altura Pires já tinha sido presidente do CDS - o Paulo Portas, nos corredores da Católica, em 83, exibia com orgulho o seu "liberalismo" através de um auto-colante com o rosto de FLP colocado na lapela- e era, com sucesso, o nosso bem preparado deputado europeu que trouxe a Lisboa os seus amigos do PPE para essa campanha. FLP era um homem de pensamento e, enquanto tal, produziu provavelmente a única mais-valia que o CDS teve nesse campo - o saudoso "grupo de Ofir" - a que também pertenceu o José Adelino Maltez. No PREC, forneceu ao partido uma teorização sobre a constituição ideal ("Uma Constituição para Portugal"), escreveu artigos para uma das melhores revistas de pensamento político da época, a "Democracia e Liberdade", e dava aulas com uma lucidez adivinhativa e tímida própria dos melhores. Nunca foi um político de acção ou de intriga e, como tal, não escapou à tortura das novas e das velhas nomenclaturas do regime e do seu próprio partido. Gostava mais dos homens do que apreciava as suas "arrumações" partidárias concretas e isso foi-lhe fatal. Foi finalmente deputado europeu pelo PSD e alvo do escarninho público de muitos alarves que transformaram o CDS em PP e o PP num circo, bem como de muitos inquisidores de pacotilha cheios de esqueletos no armário. Até Portas arrebatou um orgasmo televisivo contra ele num daqueles seus frenéticos momentos de falso moralismo político. Ontem, ao limpar uma estante de papéis e de jornais inúteis (de vez em quando há que deitar fora partes definitivamente mortas da nossa vida), apeteceu-me reler o livrinho de Lucas Pires na colecção "O que é", neste caso, a "Europa", com um prefácio de Eduardo Lourenço (Difusão Cultural). E ocorreu-me a falta que homens como ele fazem à nossa medíocre vida pública, tão poluída por tantos arrivistas e ignorantes esquecíveis. FLP tratou de "pensar a Europa" num momento em que, cá dentro, toda a gente se preparava para se servir dela. Homens como ele não têm "herdeiros". A gente que se bamboleia entre cá e lá em nome da burocracia de Bruxelas, não lhe alcança sequer os calcanhares. Francisco Lucas Pires chegou cedo demais e partiu cedo demais. Nunca o chegámos a merecer.

24.3.07

TONY


Tony Carreira é aparentemente um ícone nacional. Teve direito a "grande entrevista" da D. Judite de Sousa, a "reportagem especial" na SIC e talvez a qualquer coisa na TVI da PRISA. A RTP comemora os seus cinquenta anos como se tivesse quinhentos e, entretanto, não aprendeu nem esqueceu nada. Salazar não ganhará o programa da D. Elisa porque não precisa. Nunca chegou a sair de nenhuma das televisões, mesmo das outras duas que não criou.

TONY


Tony Carreira é aparentemente um ícone nacional. Teve direito a "grande entrevista" da D. Judite de Sousa, a "reportagem especial" na SIC e talvez a qualquer coisa na TVI da PRISA. A RTP comemora os seus cinquenta anos como se tivesse quinhentos e, entretanto, não aprendeu nem esqueceu nada. Salazar não ganhará o programa da D. Elisa porque não precisa. Nunca chegou a sair de nenhuma das televisões, mesmo das outras duas que não criou.

UMA SUGESTÃO

Em vez de se demitir do CDS/PP, por que é que Maria José Nogueira Pinto não se candidata a seu presidente? Sozinha, tem mais biografia que os outros dois juntos.

UMA SUGESTÃO

Em vez de se demitir do CDS/PP, por que é que Maria José Nogueira Pinto não se candidata a seu presidente? Sozinha, tem mais biografia que os outros dois juntos.

PROXENETISMO DEMOCRÁTICO

Os jornais divulgam hoje - como divulgaram no passado um relatório idêntico proveniente da Inspecção-Geral de Finanças - uma auditoria do Tribunal de Contas a vencimentos e remunerações acessórias dos titulares do órgão de gestão das Empresas Municipais (2003-2004). A conclusão é a do costume. Os seus administradores/autarcas ganham, em geral, mais do que os titulares máximos de órgãos de soberania. Em Mafra, por exemplo, encontraram-se salários superiores a oito mil euros. Isto é tudo muito bonito e a opinião pública agradece a publicidade. Todavia conviria saber se foram, vão ou alguma vez serão tiradas as devidas ilações deste proxenetismo democrático, por interposto poder local, essa pérola do Portugal "de Abril".

PROXENETISMO DEMOCRÁTICO

Os jornais divulgam hoje - como divulgaram no passado um relatório idêntico proveniente da Inspecção-Geral de Finanças - uma auditoria do Tribunal de Contas a vencimentos e remunerações acessórias dos titulares do órgão de gestão das Empresas Municipais (2003-2004). A conclusão é a do costume. Os seus administradores/autarcas ganham, em geral, mais do que os titulares máximos de órgãos de soberania. Em Mafra, por exemplo, encontraram-se salários superiores a oito mil euros. Isto é tudo muito bonito e a opinião pública agradece a publicidade. Todavia conviria saber se foram, vão ou alguma vez serão tiradas as devidas ilações deste proxenetismo democrático, por interposto poder local, essa pérola do Portugal "de Abril".

A ALMA ADULTA DO DR. JÚDICE

"Portas foi traído por aquilo que faz dele um notável jornalista, mas um sofrível político: o excesso, a arrogância, o gosto da boutade e do calembour, a auto-suficiência, a alma adolescente", escreveu ontem no Público o dr. José Miguel Júdice. Já agora, dr. Júdice, se o licenciado em engenharia civil mais famoso do país o convidar um dia para o seu governo, será que o senhor declina em nome da sua "alma adulta"?

A ALMA ADULTA DO DR. JÚDICE

"Portas foi traído por aquilo que faz dele um notável jornalista, mas um sofrível político: o excesso, a arrogância, o gosto da boutade e do calembour, a auto-suficiência, a alma adolescente", escreveu ontem no Público o dr. José Miguel Júdice. Já agora, dr. Júdice, se o licenciado em engenharia civil mais famoso do país o convidar um dia para o seu governo, será que o senhor declina em nome da sua "alma adulta"?

23.3.07

O CREPÚSCULO


Robert Dessaix, de novo, desta vez em entrevista a Alexandra Lucas Coelho, no Público: "em breve estaremos mortos, e não queremos morrer a pensar que tivemos uma vida vazia, uma vida em que não nos lembramos do que fizemos ontem porque foi o mesmo que fizemos na semana anterior."

O CREPÚSCULO


Robert Dessaix, de novo, desta vez em entrevista a Alexandra Lucas Coelho, no Público: "em breve estaremos mortos, e não queremos morrer a pensar que tivemos uma vida vazia, uma vida em que não nos lembramos do que fizemos ontem porque foi o mesmo que fizemos na semana anterior."

O SUPRA-PORTAS - 4

A prosa de ontem da Constança Cunha e Sá já era uma aproximação (Público, sem link). A de Vasco Pulido Valente, de hoje, é mais directa. Sem "desfazer" em ambos - e dando de barato que o Paulo Portas faz hipoteticamente falta à direita e que a amizade é uma coisa muito bonita - não se pode afirmar que ele tenha começado da melhor forma a sua reprise. A menos que volte como entertainer, coisa que ajuda a escrever artigos, a "directos" nas televisões e a derramar nos blogues, mas que não resolve um problema do país. Acontece que nenhum de nós os três, por exemplo, aspira a liderar ou a federar o que quer que seja. Já Portas aspira e suspira por isso. Está-lhe na massa. Julgo que deve considerar o CDS-PP pequenino para tamanha ambição. Ora, neste caso, Portas devia domar a sua matilha privativa e não atiçá-la contra os outros. Porventura deveria até anulá-la. Talvez Portas não seja o pior da coisa. O pior mesmo são os mesmos de Portas. Resta-lhe provar que é melhor do que eles, que sobrevive bem sem eles e, sobretudo, que não é o que eles são. E este resto é, para já, o tudo de Portas.

O SUPRA-PORTAS - 4

A prosa de ontem da Constança Cunha e Sá já era uma aproximação (Público, sem link). A de Vasco Pulido Valente, de hoje, é mais directa. Sem "desfazer" em ambos - e dando de barato que o Paulo Portas faz hipoteticamente falta à direita e que a amizade é uma coisa muito bonita - não se pode afirmar que ele tenha começado da melhor forma a sua reprise. A menos que volte como entertainer, coisa que ajuda a escrever artigos, a "directos" nas televisões e a derramar nos blogues, mas que não resolve um problema do país. Acontece que nenhum de nós os três, por exemplo, aspira a liderar ou a federar o que quer que seja. Já Portas aspira e suspira por isso. Está-lhe na massa. Julgo que deve considerar o CDS-PP pequenino para tamanha ambição. Ora, neste caso, Portas devia domar a sua matilha privativa e não atiçá-la contra os outros. Porventura deveria até anulá-la. Talvez Portas não seja o pior da coisa. O pior mesmo são os mesmos de Portas. Resta-lhe provar que é melhor do que eles, que sobrevive bem sem eles e, sobretudo, que não é o que eles são. E este resto é, para já, o tudo de Portas.

"O SÔ ZÉ..."

... pelo João Távora, que sempre é um senhor. Por extenso.

"O SÔ ZÉ..."

... pelo João Távora, que sempre é um senhor. Por extenso.

DAS VACAS

O dr. Jorge Sampaio presidiu a dez anos literalmente perdidos. O dr. Jorge Sampaio "entrou" no tempo das vacas gordas e saiu com as vacas traumatizadas e esfomeadas. O dr. Jorge Sampaio passou dez anos a falar para o ar. Não contente com esta exibição de pura frivolidade política, o dr. Sampaio, desde que Cavaco lhe sucedeu, não pára. E, pior, não se cala. Acabou de "descobrir" que o desemprego "já não é negligenciável". Certamente que a vaidade solipsista de Sócrates não concede sequer um segundo de atenção a este valente camarada. Se em dez anos ninguém lhe deu, por que raio lhe iriam dar agora?

DAS VACAS

O dr. Jorge Sampaio presidiu a dez anos literalmente perdidos. O dr. Jorge Sampaio "entrou" no tempo das vacas gordas e saiu com as vacas traumatizadas e esfomeadas. O dr. Jorge Sampaio passou dez anos a falar para o ar. Não contente com esta exibição de pura frivolidade política, o dr. Sampaio, desde que Cavaco lhe sucedeu, não pára. E, pior, não se cala. Acabou de "descobrir" que o desemprego "já não é negligenciável". Certamente que a vaidade solipsista de Sócrates não concede sequer um segundo de atenção a este valente camarada. Se em dez anos ninguém lhe deu, por que raio lhe iriam dar agora?

22.3.07

O ESTADO DO DIREITO

A minha reflexão sobre o "caso Esmeralda Porto" não se alterou. Dito isto, acho no mínimo estranho que, andando a mãe adoptiva "a monte" por se recusar a entregar a criança, a mesma leve a dita a uma sessão de avaliação psicológica, entre e saia da sessão em condições de ser fotografada e que ninguém tenha mexido uma palha para cumprir uma decisão judicial, independentemente do juízo que se faça dessa decisão. Mesmo quando age mal, o famoso "Estado de direito", o tal que nos ensinaram a respeitar na universidade, era suposto existir. Onde é que ele pára?

O ESTADO DO DIREITO

A minha reflexão sobre o "caso Esmeralda Porto" não se alterou. Dito isto, acho no mínimo estranho que, andando a mãe adoptiva "a monte" por se recusar a entregar a criança, a mesma leve a dita a uma sessão de avaliação psicológica, entre e saia da sessão em condições de ser fotografada e que ninguém tenha mexido uma palha para cumprir uma decisão judicial, independentemente do juízo que se faça dessa decisão. Mesmo quando age mal, o famoso "Estado de direito", o tal que nos ensinaram a respeitar na universidade, era suposto existir. Onde é que ele pára?

LER OS OUTROS

"Em qualquer democracia, a contradição entre a biografia oficial do Primeiro-Ministro e os factos, é matéria noticiosa. Ora, se tudo estivesse bem, essa biografia não teria sido mudada há poucos dias, exactamente quando a controvérsia ameaçava passar dos blogues para os jornais (...) Esta não é matéria "de oposição" a não ser que existisse qualquer implicação criminal. Aí sim percebia-se que um partido suscitasse a questão. Fora disso, é uma matéria de opinião pública, que apenas implica uma sanção dessa mesma opinião, tanto mais livre quanto resultar da independência de todos, da comunicação social em particular. Convinha ser muito prudente em proclamações morais que normalmente acabam por cair em cima de quem as faz."

José Pacheco Pereira, in Abrupto

Adenda (minha): Silêncio sepulcral sobre o assunto nas televisões. A oficiosa e as outras.

LER OS OUTROS

"Em qualquer democracia, a contradição entre a biografia oficial do Primeiro-Ministro e os factos, é matéria noticiosa. Ora, se tudo estivesse bem, essa biografia não teria sido mudada há poucos dias, exactamente quando a controvérsia ameaçava passar dos blogues para os jornais (...) Esta não é matéria "de oposição" a não ser que existisse qualquer implicação criminal. Aí sim percebia-se que um partido suscitasse a questão. Fora disso, é uma matéria de opinião pública, que apenas implica uma sanção dessa mesma opinião, tanto mais livre quanto resultar da independência de todos, da comunicação social em particular. Convinha ser muito prudente em proclamações morais que normalmente acabam por cair em cima de quem as faz."

José Pacheco Pereira, in Abrupto

Adenda (minha): Silêncio sepulcral sobre o assunto nas televisões. A oficiosa e as outras.

UM NOME INTERESSANTE

Existe, nestas quatro páginas, um nome interessante. Vem na folha três, no canto inferior esquerdo. Sobre o engº António Morais, apenas três observações. Em 2001, foi proposto a quem de direito a instauração de um processo disciplinar ao então director do "gabinete de estudos e planeamento e instalações" do ministério da Administração Interna por ter autorizado a realização de obras públicas que não se provou destinarem-se ao "serviço de estrangeiros e fronteiras", como o então director do "gepi" sustentava. Esse inquérito foi uma sequela de um outro sobre a "fundação para a prevenção e segurança", uma ideia política do então secretário de Estado Armando Vara e que lhe valeu a demissão a instâncias de Jorge Sampaio. O processo disciplinar não foi aceite e o inquérito foi arquivado. Em 2002, depois de uma auditoria ao dito "gepi", o ministro Figueiredo Lopes demitiu esse director. Em 2005, o actual governo "recuperou" o ex-director do "gepi" e colocou-o a dirigir o "instituto de gestão financeira e patrimonial da justiça" até que um incidente com uma cidadã brasileira, contratada para aquele "instituto", precipitou a queda do então presidente do "instituto". Esse ex-director e ex-presidente de dois organismos públicos é justamente o engº António Morais que, informam-me aquelas páginas, dirige ou dirigiu a "faculdade de engenharia civil" de um estabelecimento comercial chamado Universidade Independente. Fiquei esclarecido. Ele, o engº Morais, é que parece que não.

UM NOME INTERESSANTE

Existe, nestas quatro páginas, um nome interessante. Vem na folha três, no canto inferior esquerdo. Sobre o engº António Morais, apenas três observações. Em 2001, foi proposto a quem de direito a instauração de um processo disciplinar ao então director do "gabinete de estudos e planeamento e instalações" do ministério da Administração Interna por ter autorizado a realização de obras públicas que não se provou destinarem-se ao "serviço de estrangeiros e fronteiras", como o então director do "gepi" sustentava. Esse inquérito foi uma sequela de um outro sobre a "fundação para a prevenção e segurança", uma ideia política do então secretário de Estado Armando Vara e que lhe valeu a demissão a instâncias de Jorge Sampaio. O processo disciplinar não foi aceite e o inquérito foi arquivado. Em 2002, depois de uma auditoria ao dito "gepi", o ministro Figueiredo Lopes demitiu esse director. Em 2005, o actual governo "recuperou" o ex-director do "gepi" e colocou-o a dirigir o "instituto de gestão financeira e patrimonial da justiça" até que um incidente com uma cidadã brasileira, contratada para aquele "instituto", precipitou a queda do então presidente do "instituto". Esse ex-director e ex-presidente de dois organismos públicos é justamente o engº António Morais que, informam-me aquelas páginas, dirige ou dirigiu a "faculdade de engenharia civil" de um estabelecimento comercial chamado Universidade Independente. Fiquei esclarecido. Ele, o engº Morais, é que parece que não.

NOTÍCIAS DE ÓPERA


1. Vale a pena adquirir, às sextas-feiras, os "cd's" com óperas completas que acompanham a edição do Diário de Notícias. Uma excelente selecção.
2. Ainda a despedida de Paolo Pinamonti. Devo ser o único membro da direcção do São Carlos que saiu pelo seu próprio pé, demitindo-se - e não exactamente satisfeito por ter tido de voltar ao "jazigo de família" e não para qualquer sinecura - que tenciona estar presente no evento que a seguir se anuncia.

"Os signatários, exercendo ou tendo exercido a actividade de críticos musicais, seguiram com particular atenção ao longo de seis anos a programação do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção de Paolo Pinamonti. Como críticos, têm os signatários opiniões diferenciadas sobre as propostas artísticas dessa direcção e suas realizações. Mas nunca os signatários se haviam reunido como o fizeram para prestar o seu reconhecimento a Paolo Pinamonti, no momento em que vêem interrompida a continuidade de uma direcção que, face a repetidos constrangimentos orçamentais, tinha manifestado um esforço e uma imaginação continuadas em tentar responder às missões de um teatro nacional de ópera e aos níveis artísticos desejáveis. Mais entendem os signatários não só não serem compreensíveis os termos expeditos com que a tutela dispensou quem tanto tinha prestigiado o São Carlos, como observam com preocupação que um exercício de arbitrariedade política possa interromper a continuidade de trabalhos artísticos, para mais constatando que os responsáveis do Ministério da Cultura procederam ao contrário do disposto no programa do governo, no sentido da existência de "direcções artísticas menos dependentes da lógica de nomeação governamental". Nestas circunstâncias gravosas, entendem os signatários que é devida uma pública homenagem a Paolo Pinamonti, pelo que convidam todos os que se queiram associar para um jantar que terá lugar na próxima segunda-feira, dia 26, no Hotel Vila Galé Ópera (Travessa do Conde da Ponte, junto ao edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa), pelas 20h30. As inscrições e confirmações poderão ser feitas através do mail: bravopinamonti@gmail.com , ou por sms para 969534172 até ao próximo sábado, às 20h00. O pagamento, no valor de 26,5 euros, será efectuado à entrada.

Alexandre Delgado
Ana Rocha
Augusto M. Seabra
Bernardo Mariano
Cristina Fernandes
Henrique Silveira
João Paes
Jorge Calado
Maria Augusta Gonçalves
Rui Vieira Nery
Teresa Cascudo
Vanda de Sá"

NOTÍCIAS DE ÓPERA


1. Vale a pena adquirir, às sextas-feiras, os "cd's" com óperas completas que acompanham a edição do Diário de Notícias. Uma excelente selecção.
2. Ainda a despedida de Paolo Pinamonti. Devo ser o único membro da direcção do São Carlos que saiu pelo seu próprio pé, demitindo-se - e não exactamente satisfeito por ter tido de voltar ao "jazigo de família" e não para qualquer sinecura - que tenciona estar presente no evento que a seguir se anuncia.

"Os signatários, exercendo ou tendo exercido a actividade de críticos musicais, seguiram com particular atenção ao longo de seis anos a programação do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção de Paolo Pinamonti. Como críticos, têm os signatários opiniões diferenciadas sobre as propostas artísticas dessa direcção e suas realizações. Mas nunca os signatários se haviam reunido como o fizeram para prestar o seu reconhecimento a Paolo Pinamonti, no momento em que vêem interrompida a continuidade de uma direcção que, face a repetidos constrangimentos orçamentais, tinha manifestado um esforço e uma imaginação continuadas em tentar responder às missões de um teatro nacional de ópera e aos níveis artísticos desejáveis. Mais entendem os signatários não só não serem compreensíveis os termos expeditos com que a tutela dispensou quem tanto tinha prestigiado o São Carlos, como observam com preocupação que um exercício de arbitrariedade política possa interromper a continuidade de trabalhos artísticos, para mais constatando que os responsáveis do Ministério da Cultura procederam ao contrário do disposto no programa do governo, no sentido da existência de "direcções artísticas menos dependentes da lógica de nomeação governamental". Nestas circunstâncias gravosas, entendem os signatários que é devida uma pública homenagem a Paolo Pinamonti, pelo que convidam todos os que se queiram associar para um jantar que terá lugar na próxima segunda-feira, dia 26, no Hotel Vila Galé Ópera (Travessa do Conde da Ponte, junto ao edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa), pelas 20h30. As inscrições e confirmações poderão ser feitas através do mail: bravopinamonti@gmail.com , ou por sms para 969534172 até ao próximo sábado, às 20h00. O pagamento, no valor de 26,5 euros, será efectuado à entrada.

Alexandre Delgado
Ana Rocha
Augusto M. Seabra
Bernardo Mariano
Cristina Fernandes
Henrique Silveira
João Paes
Jorge Calado
Maria Augusta Gonçalves
Rui Vieira Nery
Teresa Cascudo
Vanda de Sá"

PRIMAVERA AUTÓNOMA DA OTA - 2

Mário Lino, o paladino da OTA, começou a recuar. Como? Atirou para a oposição a "culpa" por Bruxelas poder vir a torcer o nariz a tão sublime projecto. Falou em "lesão" dos interesses nacionais - como se ele encarnasse tamanha desígnio - uma vez que, parte dos fundos para a obsessão, vêm da UE. Não percebo como é que uma pessoa inteligente como o Eduardo Pitta acompanha (não é possível outra conclusão) a preclara figura do ministro da Obras Públicas nesta choruda, inútil, mal explicada e mal situada aventura. Eu sei que não é bem este, é mais o senhor engenheiro. Caramba, Eduardo, mas o senhor engenheiro defende-se tão bem.

PRIMAVERA AUTÓNOMA DA OTA - 2

Mário Lino, o paladino da OTA, começou a recuar. Como? Atirou para a oposição a "culpa" por Bruxelas poder vir a torcer o nariz a tão sublime projecto. Falou em "lesão" dos interesses nacionais - como se ele encarnasse tamanha desígnio - uma vez que, parte dos fundos para a obsessão, vêm da UE. Não percebo como é que uma pessoa inteligente como o Eduardo Pitta acompanha (não é possível outra conclusão) a preclara figura do ministro da Obras Públicas nesta choruda, inútil, mal explicada e mal situada aventura. Eu sei que não é bem este, é mais o senhor engenheiro. Caramba, Eduardo, mas o senhor engenheiro defende-se tão bem.

ANÍBAL E OS ELEFANTES - 2

Aníbal e os seus elefantes arrasaram o velho leão. O venerando ancião, ex-rei da selva, já se contenta com a companhia de mamíferos de raças inferiores. Quando é que voltará a rugir ou ainda não percebeu como a corte amestrada de Aníbal o calou?

ANÍBAL E OS ELEFANTES - 2

Aníbal e os seus elefantes arrasaram o velho leão. O venerando ancião, ex-rei da selva, já se contenta com a companhia de mamíferos de raças inferiores. Quando é que voltará a rugir ou ainda não percebeu como a corte amestrada de Aníbal o calou?

ANÍBAL E OS ELEFANTES

Pedro Santana Lopes - esse mesmo, o tal destrambelhado de quem eu gosto - ergueu-se ontem por uns instantes da sua nervosa letargia política para dar uma ajudinha ao senhor engenheiro. Confesso que não consegui perceber o que lhe saiu da boca para fora. Tinha estudos, mandou fazer estudos e mais não sei quê, mas, se fosse ele, não era a OTA nem não sei onde, e por aí fora. Enfim, para quem andava "mortinho" para enfrentar o primeiro-ministro com a sua oratória, Lopes, em segundos, foi apenas patético. A "direita" precisa urgentemente de uma "lavagem ao cérebro", pelo menos dos que o têm. Sócrates está praticamente sozinho em cena, qual Aníbal e os seus elefantes. No meio da bicharada, também estão alguns bichos que, à força de andarem perdidos, seguem a manada sem dar por isso. Nunca é demais lembrar Séneca que escrevia para animais de duas patas. Não há bom vento para quem não conhece o seu porto.