31.3.11

O "ARCO DA TELEVISÃO"

Como sugeri aqui, a expressão tão em voga de "arco da governação" tem a devida transposição no "arco da televisão". À míngua de António Costa, os "quadratura" convocaram o clone de Sócrates (curiosamente uma invenção política de Costa), Silva Pereira. Pacheco queria que Cavaco organizasse uma espécie de chá com torradas que evitasse eleições como se Sócrates não existisse. Ou seja, como se o PS aceitasse o chá deixando Sócrates apeado. É por isso que estas eleições (a decorrer num ambiente de farta ordinarice) se destinam exclusivamente a acabar com esta miserável complacência com Sócrates, removendo-o. E removendo esta flacidez intelectual e política do pseudo - "arco da governação/televisão". Mas isso fica para a segunda fase da legislatura. Como explicou Medeiros Ferreira no "turno" anterior à "quadratura" na sicn.

O "ARCO DA TELEVISÃO"

Como sugeri aqui, a expressão tão em voga de "arco da governação" tem a devida transposição no "arco da televisão". À míngua de António Costa, os "quadratura" convocaram o clone de Sócrates (curiosamente uma invenção política de Costa), Silva Pereira. Pacheco queria que Cavaco organizasse uma espécie de chá com torradas que evitasse eleições como se Sócrates não existisse. Ou seja, como se o PS aceitasse o chá deixando Sócrates apeado. É por isso que estas eleições (a decorrer num ambiente de farta ordinarice) se destinam exclusivamente a acabar com esta miserável complacência com Sócrates, removendo-o. E removendo esta flacidez intelectual e política do pseudo - "arco da governação/televisão". Mas isso fica para a segunda fase da legislatura. Como explicou Medeiros Ferreira no "turno" anterior à "quadratura" na sicn.

A "ESCOLA DE PENSAMENTO" DO GOVERNO DE GESTÃO

Que dificuldade estrutural em lidar com as qualificações. Como é que poderiam alguma vez pastorear as dos outros? A partir de agora, os senhores jornalistas que ainda são livres devem começar o dia a ler o Diário da República. Esta "escola de pensamento" vai certamente desenvolver-se muito nas próximas semanas.

A "ESCOLA DE PENSAMENTO" DO GOVERNO DE GESTÃO

Que dificuldade estrutural em lidar com as qualificações. Como é que poderiam alguma vez pastorear as dos outros? A partir de agora, os senhores jornalistas que ainda são livres devem começar o dia a ler o Diário da República. Esta "escola de pensamento" vai certamente desenvolver-se muito nas próximas semanas.

O PAÍS EM DIMINUTIVO E A COXINHA DO TIDE


O país, para além de outros anacronismos, possui uma constituição que obriga a que, entre a dissolução do parlamento e eleições, passem mais de dois meses. E que, durante esse período, seja governado por uma coisa em gestão - não se esqueçam de não a obrigar a uma auditoria - que já se declarou inimputável e desgraçadinha. Não há pachorra.

O PAÍS EM DIMINUTIVO E A COXINHA DO TIDE


O país, para além de outros anacronismos, possui uma constituição que obriga a que, entre a dissolução do parlamento e eleições, passem mais de dois meses. E que, durante esse período, seja governado por uma coisa em gestão - não se esqueçam de não a obrigar a uma auditoria - que já se declarou inimputável e desgraçadinha. Não há pachorra.

O FUTURO REDUZIDO


«O momento não é para contabilistas que reduzem o futuro à próxima eleição.» Precisamente porque o futuro não virá de "próxima eleição" cuDepois o PR terá de intervir e chamar os partidos (todos) à responsabilidade, leia-se, à formação de um governo muito parecido com o de Pinheiro de Azevedo em 1975, desprovido dos tiques da partidarice primitiva que nos conduziu a isto. Há homens "bons", disponíveis em todos os partidos (e fora deles), prontos para isso e que, uma vez resolvido o assunto, saem de cena com o mesmo empenho cívico e patriótico com que entraram. Agora vamos apenas para mais uma mezinha sem grande futuro. É isso que o Conselho de Estado (a que isto chegou) vai "aconselhar" a Cavaco.

O FUTURO REDUZIDO


«O momento não é para contabilistas que reduzem o futuro à próxima eleição.» Precisamente porque o futuro não virá de "próxima eleição" cuDepois o PR terá de intervir e chamar os partidos (todos) à responsabilidade, leia-se, à formação de um governo muito parecido com o de Pinheiro de Azevedo em 1975, desprovido dos tiques da partidarice primitiva que nos conduziu a isto. Há homens "bons", disponíveis em todos os partidos (e fora deles), prontos para isso e que, uma vez resolvido o assunto, saem de cena com o mesmo empenho cívico e patriótico com que entraram. Agora vamos apenas para mais uma mezinha sem grande futuro. É isso que o Conselho de Estado (a que isto chegou) vai "aconselhar" a Cavaco.

A MÁ FORMAÇÃO

Neste blogue, Alberto Martins, o ministro da

A MÁ EDUCAÇÃO

Mais um "retrato" do tiranete que ontem exibiu esse esplendor palonço (o único que tem) à porta da vetusta academia coimbrã que, apesar de tudo, merecia melhores visitantes.

A MÁ FORMAÇÃO

Neste blogue, Alberto Martins, o ministro da

A MÁ EDUCAÇÃO

Mais um "retrato" do tiranete que ontem exibiu esse esplendor palonço (o único que tem) à porta da vetusta academia coimbrã que, apesar de tudo, merecia melhores visitantes.

SENA, 1 E 2




SENA, 1 E 2




30.3.11

OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE

Ao fim do dia, no Pavilhão Chinês, o José Medeiros Ferreira perguntava-me quais seriam os melhores cronistas de jornais que ambos conhecemos (e/ou lemos). Coincidimos em três nomes: Fernando Piteira Santos, Victor Cunha Rego e Vasco Pulido Valente. O Medeiros acrescentou Nuno Brederode dos Santos. Conversas entre o Medeiros e alguém que (cito-o da dedicatória nos estudos em sua homenagem) o "acompanha com a sua liberdade e a sua crítica neste (seu) "Longo Curso" de vida". Pode crer.

Adenda: O Medeiros participa numa "maratona" de comentadores da tvi24 escolhidos por Júlio Magalhães. Que os escolheu e que agora deixa a direcção de informação. No 1º painel está Santana Lopes que, se lhe pedissem para comentar o boletim meteorológico (e ele comentava), conseguiria lá meter uma bucha contra Cavaco. Alguém que o livre rapidamente desta doentia cretinice. Ou nos livre dele como comentador monomaníaco.

Adenda (do dia seguinte) : O "modelo" escolhido por Magalhães para se despedir não podia ter sido mais desastroso independentemente da qualidade de alguns participantes. Só a presença final (e fatal) desse sublime papagaio socrático que é Peres Metello era o bastante para estragar tudo. Imagino que nem o mais irrelevante a

OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE

Ao fim do dia, no Pavilhão Chinês, o José Medeiros Ferreira perguntava-me quais seriam os melhores cronistas de jornais que ambos conhecemos (e/ou lemos). Coincidimos em três nomes: Fernando Piteira Santos, Victor Cunha Rego e Vasco Pulido Valente. O Medeiros acrescentou Nuno Brederode dos Santos. Conversas entre o Medeiros e alguém que (cito-o da dedicatória nos estudos em sua homenagem) o "acompanha com a sua liberdade e a sua crítica neste (seu) "Longo Curso" de vida". Pode crer.

Adenda: O Medeiros participa numa "maratona" de comentadores da tvi24 escolhidos por Júlio Magalhães. Que os escolheu e que agora deixa a direcção de informação. No 1º painel está Santana Lopes que, se lhe pedissem para comentar o boletim meteorológico (e ele comentava), conseguiria lá meter uma bucha contra Cavaco. Alguém que o livre rapidamente desta doentia cretinice. Ou nos livre dele como comentador monomaníaco.

Adenda (do dia seguinte) : O "modelo" escolhido por Magalhães para se despedir não podia ter sido mais desastroso independentemente da qualidade de alguns participantes. Só a presença final (e fatal) desse sublime papagaio socrático que é Peres Metello era o bastante para estragar tudo. Imagino que nem o mais irrelevante a

A VERGONHA (INTER)NACIONAL

A VERGONHA (INTER)NACIONAL

DEUS NÃO DORME

Sócrates e os seus "medinas" que se preparem para o papel de mordomos e deixem-se estar calados. Assim como assim, foram eles que abriram as portas ao tão execrado (por eles e por puro oportunismo político) Fundo ao qual, convém lembrar, pertencemos. E são os responsáveis por isto por mais que os lacaios se espremam. Deus não dorme.

DEUS NÃO DORME

Sócrates e os seus "medinas" que se preparem para o papel de mordomos e deixem-se estar calados. Assim como assim, foram eles que abriram as portas ao tão execrado (por eles e por puro oportunismo político) Fundo ao qual, convém lembrar, pertencemos. E são os responsáveis por isto por mais que os lacaios se espremam. Deus não dorme.

VOCÊ NA TV DA CRISE


As televisões - sobretudo as ditas "noticiosas" - decidiram brindar os espectadores com verdadeiras torrentes de comentadores. Ainda as cadeiras não esfriaram e já lá estão sentados os comentadores que se seguem e assim sucessivamente. Se há bola (e há bola todos os dias), "intervalam" com os da bola para de imediato entrar nova dose. Com a "crise", a avalanche comentadeira adensou-se. Esta frivolização da opinião que se publica e que fala, ainda nem sequer começaram oficialmente as hostilidades eleitorais, é má. Má para quem a pratica e péssima para quem vê e ouve. Daqui a uns dias, ninguém os pode ver e ouvir. Se repararmos com atenção, os escolhidos são invariavelmente daquilo a que agora deram em apelidar de "arco da governação", mesmo com poucas excepções provenientes da "zona libertada" desse "arco" (no caso do PS, Carrilho e Medeiros Ferreira; do PSD, Morais Sarmento). O PC, salvo através de Octávio Teixeira com muitas intermitências, é notoriamente excluído em prol de uma qualquer luminária menor e fashion do Bloco. O CDS aparece de quando em quando pela voz do "independente" Bagão Félix (Lobo Xavier já faz parte do registo "língua de pau" por diversos motivos e apesar das suas qualidades). E o PS socrático está quase sempre bem representado quer pelo edil Costa, quer por Assis, quer por umas criaturinhas deputadas do sexo feminino e por alguns adversários partidários que acabam a "jogar" o jogo socrático, por acção e por omissão. Para recorrer ao termo do filósofo Gil, estão todos devidamente "inscritos" num jargão nada adversariante e irritantemente regimental. O referido "arco da governação" é, assim, o "arco da televisão" e vice-versa. Por exemplo, a tvi24 promove hoje um "debate" estilo Fatinha Campos Ferreira com "painéis" onde entram todos os seus comentadores oficiais e oficiosos. Parece que toda a gente aspira a imitar a estafada "quadratura do círculo" quando forem grandes. É ruído a mais, e que me desculpem os participantes que são meus amigos e que prezo. Para usar uma expressão do livro da foto (a que recorrerei muitas vezes nos próximos tempos), eles sentem-se bem «com o mundo vulgar do compromisso humano» e apreciam atirar-se «para a corrente das coisas». Bom proveito.

VOCÊ NA TV DA CRISE


As televisões - sobretudo as ditas "noticiosas" - decidiram brindar os espectadores com verdadeiras torrentes de comentadores. Ainda as cadeiras não esfriaram e já lá estão sentados os comentadores que se seguem e assim sucessivamente. Se há bola (e há bola todos os dias), "intervalam" com os da bola para de imediato entrar nova dose. Com a "crise", a avalanche comentadeira adensou-se. Esta frivolização da opinião que se publica e que fala, ainda nem sequer começaram oficialmente as hostilidades eleitorais, é má. Má para quem a pratica e péssima para quem vê e ouve. Daqui a uns dias, ninguém os pode ver e ouvir. Se repararmos com atenção, os escolhidos são invariavelmente daquilo a que agora deram em apelidar de "arco da governação", mesmo com poucas excepções provenientes da "zona libertada" desse "arco" (no caso do PS, Carrilho e Medeiros Ferreira; do PSD, Morais Sarmento). O PC, salvo através de Octávio Teixeira com muitas intermitências, é notoriamente excluído em prol de uma qualquer luminária menor e fashion do Bloco. O CDS aparece de quando em quando pela voz do "independente" Bagão Félix (Lobo Xavier já faz parte do registo "língua de pau" por diversos motivos e apesar das suas qualidades). E o PS socrático está quase sempre bem representado quer pelo edil Costa, quer por Assis, quer por umas criaturinhas deputadas do sexo feminino e por alguns adversários partidários que acabam a "jogar" o jogo socrático, por acção e por omissão. Para recorrer ao termo do filósofo Gil, estão todos devidamente "inscritos" num jargão nada adversariante e irritantemente regimental. O referido "arco da governação" é, assim, o "arco da televisão" e vice-versa. Por exemplo, a tvi24 promove hoje um "debate" estilo Fatinha Campos Ferreira com "painéis" onde entram todos os seus comentadores oficiais e oficiosos. Parece que toda a gente aspira a imitar a estafada "quadratura do círculo" quando forem grandes. É ruído a mais, e que me desculpem os participantes que são meus amigos e que prezo. Para usar uma expressão do livro da foto (a que recorrerei muitas vezes nos próximos tempos), eles sentem-se bem «com o mundo vulgar do compromisso humano» e apreciam atirar-se «para a corrente das coisas». Bom proveito.

A CHAGA


Notável artigo de Vasco Graça Moura que nem sequer é dos "meus" preferidos. Na íntegra, com a devida vénia.

«Ninguém se lembra de ter visto, nos últimos anos, algumas figuras gradas de extracção socialista a chamarem a atenção do Governo de José Sócrates para as barbaridades que estavam a arrastar Portugal para o abismo e para a irresponsabilidade da governação. Deviam tê-lo feito pelo menos dia sim, dia não, mas não o fizeram. O país ia-se arruinando, os portugueses iam resvalando para o beco sem saída em que se encontram hoje, o Governo ia garantindo exactamente o contrário daquilo que se estava a passar e dando provas de uma incompetência e de uma desfaçatez absolutamente clamorosas, mas esses vultos tão veneráveis abstinham-se de fazer a crónica dessa morte anunciada, não se mostravam grandemente impressionados com ela e sobretudo não sentiam o imperativo patriótico de porem cá para fora, preto no branco, numa guinada veemente e irrespondível, o que bem lhes podia ter ido na alma e pelos vistos não ia assim tanto. Devo dizer que não fiquei nada impressionado com os apelos recentes e vibrantes de algumas dessas egrégias personagens, em favor da manutenção do statu quo ante em nome do mesmo interesse nacional que as terá remetido ao mutismo mais prudente sempre que a governação socialista dava mais um passo em frente para estatelar Portugal. Sou levado a concluir que foram sensíveis, não ao descalabro a que a governação socialista acabou por conduzir o país, mas ao desmoronamento do PS enquanto partido de governo. Não lhes faz impressão nenhuma que Portugal esteja na merda por causa dos socialistas. O que os impressiona deveras é que o PS se arrisque a ficar na merda por causa de tudo o que fez. E então, então sim, apressam-se a invocar alvoroçadamente o interesse nacional, secundados por todo o bicho careta lá do clube que se sinta vocacionado para dar o dito por não dito e o mal feito por não feito e também, está claro, para fazer sistematicamente dos outros parvos. Tal apelo surge todavia no ensejo menos adequado. Hoje, só faz sentido invocar o interesse nacional para esperar que o PS seja varrido impiedosamente de qualquer lugar de preponderância política e que a ignomínia da governação socialista fique bem à vista para a conveniente edificação das almas. Os responsáveis por tudo isto e os seus porta-vozes já se começaram a esfalfar, a acusar desvairadamente os outros de terem criado um impasse irremediável para Portugal, a passar uma sórdida esponja de silêncio e manipulação sobre o que foi a actuação dos Governos socialistas desde 1996 e, em especial, desde 2005, a fazer esquecer que é ao PS e ao seu Governo que se devem coisas tão sugestivamente picantes como a crise, o aumento delirante dos impostos, o aperto asfixiante do cinto, a subida incomportável do custo de vida, o desemprego sem esperança, o fim da dignidade nacional. Nessas virtuosas indignações da hipocrisia socialista, já se vê quanta gente do PS anda já por aí a desmultiplicar-se, na rádio, em blogues, um pouco por toda a parte e até aqui nos comentários aos artigos, a jogar na inversão e na distorção de todos os factos e de todos os princípios. Alguns ingénuos talvez deixem mesmo de se perguntar mas afinal que canalha é essa que se diz socialista, para sustentar o insustentável e defender o indefensável. Já toda a gente percebeu que o país só sai desta se tiver uma verdadeira "ditadura da maioria", expressão que, como é sabido, causava calafrios democráticos ao dr. Soares. Amanhã, se nessa maioria entrasse o macabro PS que ele ajudou a fundar, tal conceito ficaria, apesar de tudo, esquecido entre as brumas da memória. E se, como é de esperar e de desejar, o PS for reduzido a cisco em eleições, não nos admiremos por assistirmos em breve à recuperação grandiloquente do chavão. Já se percebeu que a Europa o que quer é que Portugal não faça mais ondas e volte a ser o bom aluno que os próceres socialistas escarneciam tão displicentemente. Deve recordar-se ao dr. Sampaio que, no estado de porcaria pantanosa a que isto chegou e que ele não denunciou a tempo, hélas!, afinal não há muito mais vida para além do orçamento. E mesmo a pouca que houver se vai pagar muito caro. Eu, cá por mim, com a queda desta gente execrável, só posso exclamar: - Aleluia!»

A CHAGA


Notável artigo de Vasco Graça Moura que nem sequer é dos "meus" preferidos. Na íntegra, com a devida vénia.

«Ninguém se lembra de ter visto, nos últimos anos, algumas figuras gradas de extracção socialista a chamarem a atenção do Governo de José Sócrates para as barbaridades que estavam a arrastar Portugal para o abismo e para a irresponsabilidade da governação. Deviam tê-lo feito pelo menos dia sim, dia não, mas não o fizeram. O país ia-se arruinando, os portugueses iam resvalando para o beco sem saída em que se encontram hoje, o Governo ia garantindo exactamente o contrário daquilo que se estava a passar e dando provas de uma incompetência e de uma desfaçatez absolutamente clamorosas, mas esses vultos tão veneráveis abstinham-se de fazer a crónica dessa morte anunciada, não se mostravam grandemente impressionados com ela e sobretudo não sentiam o imperativo patriótico de porem cá para fora, preto no branco, numa guinada veemente e irrespondível, o que bem lhes podia ter ido na alma e pelos vistos não ia assim tanto. Devo dizer que não fiquei nada impressionado com os apelos recentes e vibrantes de algumas dessas egrégias personagens, em favor da manutenção do statu quo ante em nome do mesmo interesse nacional que as terá remetido ao mutismo mais prudente sempre que a governação socialista dava mais um passo em frente para estatelar Portugal. Sou levado a concluir que foram sensíveis, não ao descalabro a que a governação socialista acabou por conduzir o país, mas ao desmoronamento do PS enquanto partido de governo. Não lhes faz impressão nenhuma que Portugal esteja na merda por causa dos socialistas. O que os impressiona deveras é que o PS se arrisque a ficar na merda por causa de tudo o que fez. E então, então sim, apressam-se a invocar alvoroçadamente o interesse nacional, secundados por todo o bicho careta lá do clube que se sinta vocacionado para dar o dito por não dito e o mal feito por não feito e também, está claro, para fazer sistematicamente dos outros parvos. Tal apelo surge todavia no ensejo menos adequado. Hoje, só faz sentido invocar o interesse nacional para esperar que o PS seja varrido impiedosamente de qualquer lugar de preponderância política e que a ignomínia da governação socialista fique bem à vista para a conveniente edificação das almas. Os responsáveis por tudo isto e os seus porta-vozes já se começaram a esfalfar, a acusar desvairadamente os outros de terem criado um impasse irremediável para Portugal, a passar uma sórdida esponja de silêncio e manipulação sobre o que foi a actuação dos Governos socialistas desde 1996 e, em especial, desde 2005, a fazer esquecer que é ao PS e ao seu Governo que se devem coisas tão sugestivamente picantes como a crise, o aumento delirante dos impostos, o aperto asfixiante do cinto, a subida incomportável do custo de vida, o desemprego sem esperança, o fim da dignidade nacional. Nessas virtuosas indignações da hipocrisia socialista, já se vê quanta gente do PS anda já por aí a desmultiplicar-se, na rádio, em blogues, um pouco por toda a parte e até aqui nos comentários aos artigos, a jogar na inversão e na distorção de todos os factos e de todos os princípios. Alguns ingénuos talvez deixem mesmo de se perguntar mas afinal que canalha é essa que se diz socialista, para sustentar o insustentável e defender o indefensável. Já toda a gente percebeu que o país só sai desta se tiver uma verdadeira "ditadura da maioria", expressão que, como é sabido, causava calafrios democráticos ao dr. Soares. Amanhã, se nessa maioria entrasse o macabro PS que ele ajudou a fundar, tal conceito ficaria, apesar de tudo, esquecido entre as brumas da memória. E se, como é de esperar e de desejar, o PS for reduzido a cisco em eleições, não nos admiremos por assistirmos em breve à recuperação grandiloquente do chavão. Já se percebeu que a Europa o que quer é que Portugal não faça mais ondas e volte a ser o bom aluno que os próceres socialistas escarneciam tão displicentemente. Deve recordar-se ao dr. Sampaio que, no estado de porcaria pantanosa a que isto chegou e que ele não denunciou a tempo, hélas!, afinal não há muito mais vida para além do orçamento. E mesmo a pouca que houver se vai pagar muito caro. Eu, cá por mim, com a queda desta gente execrável, só posso exclamar: - Aleluia!»

29.3.11

DIAS


A pretexto do futuro acto eleitoral, o parlamento poupa-nos, finalmente, à patética cerimónia comemorativa do "25 de Abril". O exemplo devia frutificar e estender-se a outras datas tais como o "5 de Outubro". Ambas celebram revoluções mas a história do país regista muitas outras revoluções que, porventura, mereciam igualmente ser lembradas. Fique o "10 de Junho" como dia de Portugal é já chega para uma raça que, há muito, deixou de a ter.

DIAS


A pretexto do futuro acto eleitoral, o parlamento poupa-nos, finalmente, à patética cerimónia comemorativa do "25 de Abril". O exemplo devia frutificar e estender-se a outras datas tais como o "5 de Outubro". Ambas celebram revoluções mas a história do país regista muitas outras revoluções que, porventura, mereciam igualmente ser lembradas. Fique o "10 de Junho" como dia de Portugal é já chega para uma raça que, há muito, deixou de a ter.

RATING ZERO

Quem aterrasse em Portugal e ouvisse Sócrates, poderia pensar que ele também tinha acabado de aterrar. Acontece que a conta-corrente em curso há seis anos (e não há seis dias) é dele e não adianta tentar enganar os papalvos (que os há, desde os propriamente ditos aos voluntários e funcionais) sugerindo a "culpa" de outros. O debate político vai entrar na vulgaridade e na lama. E a campanha (já a correr) será abjecta. Com um rating de zero, Sócrates fará os possíveis por aproximar o do país do seu. Para já, está a ser bem sucedido. É só darem-lhe corda.

Adenda: Lamentavelmente, Santana Lopes, com a sua obsessão doentia contra Cavaco, aproxima-se do seu próprio grau zero, mortinho por fazer companhia a Sócrates na matéria. Dá ideia que não superou o trauma de ter sido "escolhido" 1º ministro sem ir a sufrágio popular e que não o aprecia. Fazer de conta que não sabe que todos os partidos defenderam eleições perante o PR é, no mínimo, má-fé.

RATING ZERO

Quem aterrasse em Portugal e ouvisse Sócrates, poderia pensar que ele também tinha acabado de aterrar. Acontece que a conta-corrente em curso há seis anos (e não há seis dias) é dele e não adianta tentar enganar os papalvos (que os há, desde os propriamente ditos aos voluntários e funcionais) sugerindo a "culpa" de outros. O debate político vai entrar na vulgaridade e na lama. E a campanha (já a correr) será abjecta. Com um rating de zero, Sócrates fará os possíveis por aproximar o do país do seu. Para já, está a ser bem sucedido. É só darem-lhe corda.

Adenda: Lamentavelmente, Santana Lopes, com a sua obsessão doentia contra Cavaco, aproxima-se do seu próprio grau zero, mortinho por fazer companhia a Sócrates na matéria. Dá ideia que não superou o trauma de ter sido "escolhido" 1º ministro sem ir a sufrágio popular e que não o aprecia. Fazer de conta que não sabe que todos os partidos defenderam eleições perante o PR é, no mínimo, má-fé.

DA VERDADE ENQUANTO INADEQUAÇÃO NA POLÍTICA


DA VERDADE ENQUANTO INADEQUAÇÃO NA POLÍTICA


É O QUE HÁ

«Enfim, são os partidos que temos.» Finalmente o dr. Soares disse uma coisa de

É O QUE HÁ

«Enfim, são os partidos que temos.» Finalmente o dr. Soares disse uma coisa de

«PROVA ORAL»



«PROVA ORAL»



A LULIZAÇÃO DA ACADEMIA


Para a Academia ser respeitada, deve começar por se dar ao respeito. A de Coimbra, fundada pelo Dinis do pinhal, vetusta e veneranda, produziu gente respeitável. Alguma dela pastoreou conspicuamente a pátria. Professores de Coimbra foram meus em Lisboa. De cor e com o risco de esquecer alguém, Antunes Varela, Almeida Costa, Mota Pinto, Ferrer Correia e, anos volvidos, Vital Moreira in loco. Também um professor amigo e saudoso, Lucas Pires. Coimbra deu, das letras, Eduardo Lourenço, Aguiar e Silva ou Pinto de Castro. Amanhã, esta Academia habilita o sr. Lula da Silva com um doutoramento honoris causa. A D. Dilma, a "presidenta", assiste. Presumo que metade da nação institucional portuguesa também. Talvez, como famosamente sugeriu o lente de finanças oriundo de Santa Comba Dão, esteja tudo bem assim e não possa ser de outra forma. É sinal que estão bem uns para os outros. As minhas homenagens em dois versos de Jorge de Sena. «De pífias pívias pintelháceos pintos/gramaticou medieva a língua brasileira.» Saravá!

A LULIZAÇÃO DA ACADEMIA


Para a Academia ser respeitada, deve começar por se dar ao respeito. A de Coimbra, fundada pelo Dinis do pinhal, vetusta e veneranda, produziu gente respeitável. Alguma dela pastoreou conspicuamente a pátria. Professores de Coimbra foram meus em Lisboa. De cor e com o risco de esquecer alguém, Antunes Varela, Almeida Costa, Mota Pinto, Ferrer Correia e, anos volvidos, Vital Moreira in loco. Também um professor amigo e saudoso, Lucas Pires. Coimbra deu, das letras, Eduardo Lourenço, Aguiar e Silva ou Pinto de Castro. Amanhã, esta Academia habilita o sr. Lula da Silva com um doutoramento honoris causa. A D. Dilma, a "presidenta", assiste. Presumo que metade da nação institucional portuguesa também. Talvez, como famosamente sugeriu o lente de finanças oriundo de Santa Comba Dão, esteja tudo bem assim e não possa ser de outra forma. É sinal que estão bem uns para os outros. As minhas homenagens em dois versos de Jorge de Sena. «De pífias pívias pintelháceos pintos/gramaticou medieva a língua brasileira.» Saravá!

ISTO


É uma conversa que me interessa.

ISTO


É uma conversa que me interessa.

28.3.11

"EVERYBODY LIES"


Depois de House e de Donas de Casa Desesperadas, a D. Fátima emerge em todo o seu esplendor no ecrã (diz:"tatã, tatã..." que, no seu jargão, quer dizer porventura "etc", "etc"). E, na D. Fátima, surge-me o Padre Tolentino de Mendonça, também tido por poeta, ou Lídia Jorge, igualmente tida por escritora. E Eduardo Paz Ferreira, um dos grandes advogados fiscalistas do "meio" e do regime. E João Salgueiro, grande figura deste e do outro regime. E o filósofo da "inscrição", o Gil, José (nunca confundir com Fernando Gil). E professores universitários que ficam sempre bem em momentos de interrogação sobre a "identidade nacional", mesmo quando sujeitos à habitual clarividência da D. Fátima (diz ela: "a D. Merkel joga dos dois lados...", que "somos desenrascados" como se dissesse "apetece-me estrelar um ovo"). A D. Fátima quer saber como é que se pode "mobilizar a nação" na 2ª parte da coisa. "E agora?", Fatinha? Agora, só com um Lexotan.

"EVERYBODY LIES"


Depois de House e de Donas de Casa Desesperadas, a D. Fátima emerge em todo o seu esplendor no ecrã (diz:"tatã, tatã..." que, no seu jargão, quer dizer porventura "etc", "etc"). E, na D. Fátima, surge-me o Padre Tolentino de Mendonça, também tido por poeta, ou Lídia Jorge, igualmente tida por escritora. E Eduardo Paz Ferreira, um dos grandes advogados fiscalistas do "meio" e do regime. E João Salgueiro, grande figura deste e do outro regime. E o filósofo da "inscrição", o Gil, José (nunca confundir com Fernando Gil). E professores universitários que ficam sempre bem em momentos de interrogação sobre a "identidade nacional", mesmo quando sujeitos à habitual clarividência da D. Fátima (diz ela: "a D. Merkel joga dos dois lados...", que "somos desenrascados" como se dissesse "apetece-me estrelar um ovo"). A D. Fátima quer saber como é que se pode "mobilizar a nação" na 2ª parte da coisa. "E agora?", Fatinha? Agora, só com um Lexotan.

NÃO HÁ MENINOS DE OIRO

Para ser "invulgar" tem de evitar recorrer à vulgaridade do anúncio da medida avulsa, dos jogos florais com os adversários, da cedência simpática, da contemporização com os inimigos que são os que normalmente estão próximos ou pertencem a "ninhadas" que se acham com pedigree. Até mesmo resistir à publicação de um livro como este depois deste.

NÃO HÁ MENINOS DE OIRO

Para ser "invulgar" tem de evitar recorrer à vulgaridade do anúncio da medida avulsa, dos jogos florais com os adversários, da cedência simpática, da contemporização com os inimigos que são os que normalmente estão próximos ou pertencem a "ninhadas" que se acham com pedigree. Até mesmo resistir à publicação de um livro como este depois deste.

SEGUIR O SEU CAMINHO


«Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon. Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.» Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada a fim de o precipitarem dali abaixo. Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu caminho.» (Lucas 4,24-3).

(via O Inimputável)

SEGUIR O SEU CAMINHO


«Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon. Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.» Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada a fim de o precipitarem dali abaixo. Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu caminho.» (Lucas 4,24-3).

(via O Inimputável)

O ETERNO "AGORA"


Logo à noite, há mais um "programa especial" da D. Fátima (Prós&Prós) dedicado ao interessantíssimo tema "E agora, Portugal?". Deve ser para aí o centésimo programa com esta epígrafe. É apresentado como destinando-se a "reflectir sobre a situação do país, a partir dos contributos de intelectuais, cientistas e universitários. Nesse sentido, não haverá a habitual divisão em duas mesas, mas um painel único de dez personalidades, maioritariamente professores e cientistas." É de esperar o pior. Passa-se no âmbito do Centenário da Universidade de Lisboa e a "comunidade académica" é convidada a fazer figura de corpo presente e a encher a sala (Aula Magna). Só teria graça se a referida "comunidade", em vez da pastosa conivência com o poder representado pela empertigada Fátima, dissesse algo de diferente, em alto e bom som, em vez de ir para lá bater palminhas tolas e escutar as eminências regimentais. Mas isso equivale a pensar outra sociedade, outras elites e outra coisa distinta da reverência instintual e do temor reverencial que sempre acompanham estas manifestações simbólicas de mando de que a D. Fátima é um dos expoentes comunicacionais privilegiados. E é por isso que o "agora" da pergunta é meramente retórico. "Agora" agarrem-se ao corrimão.

O ETERNO "AGORA"


Logo à noite, há mais um "programa especial" da D. Fátima (Prós&Prós) dedicado ao interessantíssimo tema "E agora, Portugal?". Deve ser para aí o centésimo programa com esta epígrafe. É apresentado como destinando-se a "reflectir sobre a situação do país, a partir dos contributos de intelectuais, cientistas e universitários. Nesse sentido, não haverá a habitual divisão em duas mesas, mas um painel único de dez personalidades, maioritariamente professores e cientistas." É de esperar o pior. Passa-se no âmbito do Centenário da Universidade de Lisboa e a "comunidade académica" é convidada a fazer figura de corpo presente e a encher a sala (Aula Magna). Só teria graça se a referida "comunidade", em vez da pastosa conivência com o poder representado pela empertigada Fátima, dissesse algo de diferente, em alto e bom som, em vez de ir para lá bater palminhas tolas e escutar as eminências regimentais. Mas isso equivale a pensar outra sociedade, outras elites e outra coisa distinta da reverência instintual e do temor reverencial que sempre acompanham estas manifestações simbólicas de mando de que a D. Fátima é um dos expoentes comunicacionais privilegiados. E é por isso que o "agora" da pergunta é meramente retórico. "Agora" agarrem-se ao corrimão.

27.3.11

SÓ FALTAVAM ESTES

SÓ FALTAVAM ESTES

DE UM TÚMULO PARA OUTRO OU AS CONVERSAS DE CONTABILISTAS


Como disse Carrilho na tvi, o "debate" político em Portugal está reduzido a conversas de contabilistas. Mesmo no pior descalabro, toda gente tem a sua "medidinha" do dia ou a sua contra-"medidinha" do dia. Macro ou micro, não interessa. Até o governo da "estabilidade" e da "responsabilidade" aprovou (e o PR promulgou) uma "actualização" dos limites das despesas autorizadas por ajuste directo (com o governo em gestão, vai ser um "vê-se-te-avias") na véspera do chumbo do PEC. Por estas e por outras, o próximo governo dito de "salvação nacional", em vez de ser designado pelo voto da bovinidade doméstica, devia vir imposto pelo FMI e vigiado dia e noite pelo FMI (e, porventura, pela polícia). Passada a efervescência sportinguista (Sócrates não aprecia concorrência comunicacional), o Chefe 93,3% regressou à labuta da propaganda, com os prebostes camarários da seita maligna a fazer de figurantes do dia. É Rodrigo da Fonseca permanentemente a falar-nos da tumba, até nas sondagens. Nascer entre brutos, viver entre brutos, morrer entre brutos é triste.

DE UM TÚMULO PARA OUTRO OU AS CONVERSAS DE CONTABILISTAS


Como disse Carrilho na tvi, o "debate" político em Portugal está reduzido a conversas de contabilistas. Mesmo no pior descalabro, toda gente tem a sua "medidinha" do dia ou a sua contra-"medidinha" do dia. Macro ou micro, não interessa. Até o governo da "estabilidade" e da "responsabilidade" aprovou (e o PR promulgou) uma "actualização" dos limites das despesas autorizadas por ajuste directo (com o governo em gestão, vai ser um "vê-se-te-avias") na véspera do chumbo do PEC. Por estas e por outras, o próximo governo dito de "salvação nacional", em vez de ser designado pelo voto da bovinidade doméstica, devia vir imposto pelo FMI e vigiado dia e noite pelo FMI (e, porventura, pela polícia). Passada a efervescência sportinguista (Sócrates não aprecia concorrência comunicacional), o Chefe 93,3% regressou à labuta da propaganda, com os prebostes camarários da seita maligna a fazer de figurantes do dia. É Rodrigo da Fonseca permanentemente a falar-nos da tumba, até nas sondagens. Nascer entre brutos, viver entre brutos, morrer entre brutos é triste.

A DECADÊNCIA DA EUROPA DO TRATADO DE LISBOA


Sarkozy perde. A sra. Merkel perde. O Zapatero perde. O Berlusconi, é o que se vê. Barroso assemelha-se a um escrivão da puridade. A baronesa inexiste e o sr. Rompuy é um anónimo e pacato cidadão belga. Sócrates, entre nós, resume-os a todos. Não admira que, em França, no dia em que a "esquerda" progride nas regionais, Marine Le Pen esteja presente em todos os cenários de 2ª volta das presidenciais de 2012, deixando Sarkozy para trás. Strauss-Kahn (a quem iremos dar mais atenção muito em breve) é o melhor socialista para o Eliseu. Mas poder votar - e exprimir que se tenciona fazê-lo - em Le Pen, é um sinal.

A DECADÊNCIA DA EUROPA DO TRATADO DE LISBOA


Sarkozy perde. A sra. Merkel perde. O Zapatero perde. O Berlusconi, é o que se vê. Barroso assemelha-se a um escrivão da puridade. A baronesa inexiste e o sr. Rompuy é um anónimo e pacato cidadão belga. Sócrates, entre nós, resume-os a todos. Não admira que, em França, no dia em que a "esquerda" progride nas regionais, Marine Le Pen esteja presente em todos os cenários de 2ª volta das presidenciais de 2012, deixando Sarkozy para trás. Strauss-Kahn (a quem iremos dar mais atenção muito em breve) é o melhor socialista para o Eliseu. Mas poder votar - e exprimir que se tenciona fazê-lo - em Le Pen, é um sinal.

DEIXEM O PAÍS EM PAZ


Sócrates voltou à liça "confortado" pelos 93,3% conferidos pelas suas ovelhinhas amestradas. O seu discurso político, embotado e ameaçador, dá o "tom" para os tempos eleitorais que aí vêm. Nada mais tem a oferecer ao país a não ser o seu triste passado recente e o seu horrível passivo. Cada vez mais falará para si próprio, para as "edites " e para os "lellos" da agremiação. O PS que se sentir confortável com isto, condena-se à menoridade cívica e política. Os que forem complacentes com isto, também. Deixem o país em paz.

DEIXEM O PAÍS EM PAZ


Sócrates voltou à liça "confortado" pelos 93,3% conferidos pelas suas ovelhinhas amestradas. O seu discurso político, embotado e ameaçador, dá o "tom" para os tempos eleitorais que aí vêm. Nada mais tem a oferecer ao país a não ser o seu triste passado recente e o seu horrível passivo. Cada vez mais falará para si próprio, para as "edites " e para os "lellos" da agremiação. O PS que se sentir confortável com isto, condena-se à menoridade cívica e política. Os que forem complacentes com isto, também. Deixem o país em paz.

POUCO APROVEITADO



Esqueçam a capa, esqueçam as primeiras 49 páginas e passem logo para a 50 da Pública deste domingo. Medeiros Ferreira, meu querido Amigo de há décadas, e prefaciador do meu primeiro livro, "ser errático" como se define (e eu gosto), e sim, definitivamente alguém que Portugal aproveitou pouco, é ali entrevistado. Se hoje, leitores, sois europeus de papel passado pela União (porque, no fundo, sois os mesmos burgessos, sempre prontos a deixar crescer a unha do dedo mindinho dentro da cabeça e a eleger os chefes dos vossos partidos em manada), à intervenção de Medeiros o deveis. Por isso, quando vejo gente a babar-se para cima do "génio" do Amado - actual MNE com ar de Sandokan do Fogueteiro - não posso deixar de recordar os versos do Régio. Há, nos olhos meus, ironias e cansaços. E no Medeiros também.

Adenda: Há uns cromos - se calhar sempre o mesmo idiota shallow - que, volta não volta, vêm aqui deixar um comentário pseudo-erudito sobre o meu alegado "ressabiamento". Com uma insistência típica de "ressabiados". Não vale a pena, porém, porque gente estreita e ainda por cima anónimos não "passam". Vão directamente para o "trash".

POUCO APROVEITADO



Esqueçam a capa, esqueçam as primeiras 49 páginas e passem logo para a 50 da Pública deste domingo. Medeiros Ferreira, meu querido Amigo de há décadas, e prefaciador do meu primeiro livro, "ser errático" como se define (e eu gosto), e sim, definitivamente alguém que Portugal aproveitou pouco, é ali entrevistado. Se hoje, leitores, sois europeus de papel passado pela União (porque, no fundo, sois os mesmos burgessos, sempre prontos a deixar crescer a unha do dedo mindinho dentro da cabeça e a eleger os chefes dos vossos partidos em manada), à intervenção de Medeiros o deveis. Por isso, quando vejo gente a babar-se para cima do "génio" do Amado - actual MNE com ar de Sandokan do Fogueteiro - não posso deixar de recordar os versos do Régio. Há, nos olhos meus, ironias e cansaços. E no Medeiros também.

Adenda: Há uns cromos - se calhar sempre o mesmo idiota shallow - que, volta não volta, vêm aqui deixar um comentário pseudo-erudito sobre o meu alegado "ressabiamento". Com uma insistência típica de "ressabiados". Não vale a pena, porém, porque gente estreita e ainda por cima anónimos não "passam". Vão directamente para o "trash".

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA POESIA PORTUGUESA DE UM PARA O OUTRO SÉCULO AO SOM DE CHOPIN TOCADO POR MARIA JOÃO PIRES



Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ‘stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa


Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz, talvez.
Canta, e roussa. E a sua voz, cheia
De alegre e anónima liquidez

É branca como um grito de ave
Num ferro de Alcácer-Kibir,
E há résteas de luz e de adarve
No som que ela faz a se vir.

Ouvi-la, alegra e aborrece.
na sua voz há recidiva.
E roussa como se tivesse
Mais fodas a dar do que a vida.

Ah! Poder ser tu sendo eu!
Ter a tua alegre limalha
E todo o ouro dela! Ó céu
Ó campo, ó canção,

O homem pesa tanto e a matriz é tão leve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Meu ânus o vosso almocreve!
Depois, levando-me, passai.

Mário Cesariny


Elas passam, magras estudantes,
julgando-se felizes talvez,
passam e passam, as pernas e os dentes
mostram saúde e altivez.

Os jeans ao atravessarem a nave
maior do centro comercial
estreitam a cintura suave
numa falsa aparência virginal.

Vê-las alegra e entristece,
o seu corpo é uma matéria mais pura,
e cada uma, como se soubesse,
mostra-se obstinada e segura.

Passam e passam, são toda uma tarde,
sentinela que em mim sente
esta palha seca que arde,
que às vezes engana, mas não mente.

Poder tê-las sem qualquer dano
e à sua alegre inconsciência,
misturando nos dedos a pele, o pano,
os ossos, a transparência.

A tarde fez-se a hora do regresso,
o coração sussurra e quase cai
aos pés das raparigas a quem peço
‘de novo, levando-me, passai’

Pedro Mexia

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA POESIA PORTUGUESA DE UM PARA O OUTRO SÉCULO AO SOM DE CHOPIN TOCADO POR MARIA JOÃO PIRES



Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ‘stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa


Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz, talvez.
Canta, e roussa. E a sua voz, cheia
De alegre e anónima liquidez

É branca como um grito de ave
Num ferro de Alcácer-Kibir,
E há résteas de luz e de adarve
No som que ela faz a se vir.

Ouvi-la, alegra e aborrece.
na sua voz há recidiva.
E roussa como se tivesse
Mais fodas a dar do que a vida.

Ah! Poder ser tu sendo eu!
Ter a tua alegre limalha
E todo o ouro dela! Ó céu
Ó campo, ó canção,

O homem pesa tanto e a matriz é tão leve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Meu ânus o vosso almocreve!
Depois, levando-me, passai.

Mário Cesariny


Elas passam, magras estudantes,
julgando-se felizes talvez,
passam e passam, as pernas e os dentes
mostram saúde e altivez.

Os jeans ao atravessarem a nave
maior do centro comercial
estreitam a cintura suave
numa falsa aparência virginal.

Vê-las alegra e entristece,
o seu corpo é uma matéria mais pura,
e cada uma, como se soubesse,
mostra-se obstinada e segura.

Passam e passam, são toda uma tarde,
sentinela que em mim sente
esta palha seca que arde,
que às vezes engana, mas não mente.

Poder tê-las sem qualquer dano
e à sua alegre inconsciência,
misturando nos dedos a pele, o pano,
os ossos, a transparência.

A tarde fez-se a hora do regresso,
o coração sussurra e quase cai
aos pés das raparigas a quem peço
‘de novo, levando-me, passai’

Pedro Mexia

MAIS GÉNIO DESSAY

MAIS GÉNIO DESSAY

«HÁ PETRÓLEO NO LARGO DO RATO?»


Não tenho culpa de ele ter quase sempre razão. Aqui e aqui.

«HÁ PETRÓLEO NO LARGO DO RATO?»


Não tenho culpa de ele ter quase sempre razão. Aqui e aqui.

26.3.11

NOVENTA POR CENTO

NOVENTA POR CENTO

O TRIUNFO DA "GATA BORRALHEIRA"



Joyce DiDonato, La Cenerentola (Rossini), Barcelona, 2008

O TRIUNFO DA "GATA BORRALHEIRA"



Joyce DiDonato, La Cenerentola (Rossini), Barcelona, 2008

A HORA DAS ARMAS

Há políticos no activo (e no passivo), das esquerdas e das direitas que, perante os dias que se avizinham (de pura e dura guerrilha partidária, pilotada pelo kamikase Sócrates, onde qualquer "promessa" será inevitavelmente falsa), teimam em fazer "tese". Nos jornais e nas televisões, debitam as suas "teses" como se estivessem em conferências de mestrados e de doutoramentos universitários. Querem ter sempre "razão" quando o tempo é de descaso e de imprevisibilidade. Adoram "demonstrar", exibindo fotocópias reais ou mentais, que tiveram "razão" antes do tempo. Quem se apresentar por aí a tresandar a "programas" e a "teses" não será ouvido. Quem quiser "empadões" consensuais antes do voto, coma-os em casa e não se sente publicamente à mesa com o adversário. Quem não for combatente ou ignorar deliberadamente a que lugar pertence, ao menos esteja calado. Como nas guerras, chegou a hora de as armas falarem.

A HORA DAS ARMAS

Há políticos no activo (e no passivo), das esquerdas e das direitas que, perante os dias que se avizinham (de pura e dura guerrilha partidária, pilotada pelo kamikase Sócrates, onde qualquer "promessa" será inevitavelmente falsa), teimam em fazer "tese". Nos jornais e nas televisões, debitam as suas "teses" como se estivessem em conferências de mestrados e de doutoramentos universitários. Querem ter sempre "razão" quando o tempo é de descaso e de imprevisibilidade. Adoram "demonstrar", exibindo fotocópias reais ou mentais, que tiveram "razão" antes do tempo. Quem se apresentar por aí a tresandar a "programas" e a "teses" não será ouvido. Quem quiser "empadões" consensuais antes do voto, coma-os em casa e não se sente publicamente à mesa com o adversário. Quem não for combatente ou ignorar deliberadamente a que lugar pertence, ao menos esteja calado. Como nas guerras, chegou a hora de as armas falarem.

O PS ESTÁ A ESCOLHER O SEU SECRETÁRIO-GERAL EM AMBIENTE DA MAIS PURA ALEGRIA



A seguir é o país.

O PS ESTÁ A ESCOLHER O SEU SECRETÁRIO-GERAL EM AMBIENTE DA MAIS PURA ALEGRIA



A seguir é o país.

O "FERRÃO VENENOSO"



Contra a Literatice e Afins na "estante" de João Céu e Silva.

Adenda (do leitor Carlos Dias Nunes): «Já li o seu livro, dr. João Gonçalves. Gostei especialmente da parte que se refere a um padre alegadamente poeta, de seu nome Tolentino - ou será Tolo-sem-tino? Em tempos dei-me ao cuidado, precisamente na FNAC do Chiado, de ler umas coisas do dito. Cheguei então à conclusão de que o inteligente do padre descobrira a pólvora "poética": mete num saco uns papelinhos com certas palavras que depois vai retirando e juntando no que julga serem versos e, assim, parindo "poemas! Claro que nem ele sabe o que aquilo quer dizer - e muito menos o hão-de saber os leitores. Mas isso que importa? A indigente esquerda literata e a foleirice editorial convencionaram que o reverendo é mesmo poeta - e daí as sucessivas edições e reedições, tudo com destino certo à trituradora de papel, que oportunamente veio substituir a fogueira dos chaços. Até há pouco tempo (e não sei se ainda, porque deixei de ouvir quanto me cheire a socretinismo...), a catolicíssima Rádio Renascença, num programa dominical dedicado a actualidades religiosas, incluía uma rubrica a cargo do presbítero em causa, intitulada "Sugestão cultural". Aí o Tolo-sem-tino propagandeava os livros, exposições, etc., do comadrio esquerdista da praxe, obviamente sem qualquer relação com o espírito do programa. Se a coisa já acabou, parece-me urgente que seja retomada... Concluindo: isto é assim e não há nada a fazer.»

Adenda 2: Por falar em Tolentino, esta entrevista de onde retirei a seguinte epifania - «
eu gosto muito de olhar para os caracóis. Se tivesse que escolher um ser vivo na natureza para falar de mim, era o caracol. Por causa de uma frase que está associada: "Tudo o que tenho, trago comigo". Tolentino: faça como a Patricia Highsmith que também adorava caracóis. Sempre que viajava, metia uns quantos entre os seios, no soutien. Era uma forma de os trazer sempre consigo.

O "FERRÃO VENENOSO"



Contra a Literatice e Afins na "estante" de João Céu e Silva.

Adenda (do leitor Carlos Dias Nunes): «Já li o seu livro, dr. João Gonçalves. Gostei especialmente da parte que se refere a um padre alegadamente poeta, de seu nome Tolentino - ou será Tolo-sem-tino? Em tempos dei-me ao cuidado, precisamente na FNAC do Chiado, de ler umas coisas do dito. Cheguei então à conclusão de que o inteligente do padre descobrira a pólvora "poética": mete num saco uns papelinhos com certas palavras que depois vai retirando e juntando no que julga serem versos e, assim, parindo "poemas! Claro que nem ele sabe o que aquilo quer dizer - e muito menos o hão-de saber os leitores. Mas isso que importa? A indigente esquerda literata e a foleirice editorial convencionaram que o reverendo é mesmo poeta - e daí as sucessivas edições e reedições, tudo com destino certo à trituradora de papel, que oportunamente veio substituir a fogueira dos chaços. Até há pouco tempo (e não sei se ainda, porque deixei de ouvir quanto me cheire a socretinismo...), a catolicíssima Rádio Renascença, num programa dominical dedicado a actualidades religiosas, incluía uma rubrica a cargo do presbítero em causa, intitulada "Sugestão cultural". Aí o Tolo-sem-tino propagandeava os livros, exposições, etc., do comadrio esquerdista da praxe, obviamente sem qualquer relação com o espírito do programa. Se a coisa já acabou, parece-me urgente que seja retomada... Concluindo: isto é assim e não há nada a fazer.»

Adenda 2: Por falar em Tolentino, esta entrevista de onde retirei a seguinte epifania - «
eu gosto muito de olhar para os caracóis. Se tivesse que escolher um ser vivo na natureza para falar de mim, era o caracol. Por causa de uma frase que está associada: "Tudo o que tenho, trago comigo". Tolentino: faça como a Patricia Highsmith que também adorava caracóis. Sempre que viajava, metia uns quantos entre os seios, no soutien. Era uma forma de os trazer sempre consigo.