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22.1.12

UMA GRANDE BIOGRAFIA


Lida com o vagar e o gozo que merece, a biografia de Pacheco, do João Pedro George, é um grande livro. Para além de Pacheco, é o "meio literário português" da época (escusam de procurar porque esse "meio" morreu há muito de morte natural dele e dos que o constituíram) que corre pelas linhas do autor e do biografado, todas doseadas como deve ser. Assim, de repente, só "apanhei" uma imprecisão e é política. Na página 422 é feita menção ao Governo do dr. Balsemão e ao "seu" ministro da Cultura, Coimbra Martins. Coimbra Martins só chegou a ministro da Cultura em 1983, depois das eleições de Abril do mesmo ano, no Governo do chamado Bloco Central dirigido por Mário Soares. O ministro da Cultura de Balsemão era Francisco Lucas Pires. Dito isto, o João Pedro George está de parabéns. E puta que os pariu!

19.1.12

9.1.12

OPOSIÇÃO À TAPEÇARIA

Na livraria do Instituto Franco-Português adquiri, juntamente com o Dictionnaire Malraux, um livrinho de menos de 70 páginas com uma conversa entre Michel Foucault e Claude Bonnefoy. Foucault fala da sua escrita como qualquer coisa oposta à tapeçaria. Parece que adivinhava no que se viria a transformar a "literatura", os meios académicos, as relações em geral. Uns quatro anos antes desta conversa, por carta, o nosso Jorge de Sena escrevia ao também nosso Vergílio Ferreira; «E eu não me zango, meu caro, já me convenci de que [a] humanidade é irremediavelmente vil, com algumas horas bonitas de vez em quando, e não podemos exigir-lhe mais do que pode dar. A minha concepção dessa humanidade é mais ou menos esta: amemos quem aceitou partilhar a nossa solidão; usemos dos corpos que valha a pena aproveitar, sem os comprometermos com o nosso «espírito»; façamos aquilo que sentimos não poder deixar de fazer; e é tudo.» Qualquer coisa, em suma, oposta à tapeçaria.


30.12.11

16.12.11

UM SOARES MENOS FIXE


Visto por José António Barreiros. E que até se esquece do dedicado sobrinho.

15.12.11

COISAS BOAS


Para os "malrauxianos" como eu, este dicionário. «Il s’agit d’un homme dont l’existence fut gouvernée par l’art et l’action, et qui n’a cessé de revêtir des masques, de ruminer sa méditation ininterrompue et de mélanger habilement la fiction au réel pour en faire sa propre tambouille métaphysique.»

7.12.11

A NÓDOA NO MELHOR PANO


Vasco Graça Moura sobre o Dicionário de Camões, ali anunciado à direita. «Para quem gosta de Camões, esta edição é uma festa. Mas no melhor pano cai nódoa. Numa entrevista recente, Aguiar e Silva deplorou amargamente que a editora tivesse resolvido aplicar a ignomínia do Acordo Ortográfico a esta edição, por razões comerciais de venda no mercado brasileiro. Os Fados encarregaram-se de vingar a língua portuguesa: há casos em que as monstruosidades ortográficas alternam com as formas normais (p. ex., a p. 6, "receção" e "recepção" a duas linhas de distância, havendo "recepção" também a p. 847, "facto", a p. 602, "concepção" a p. 754, embora "conceção" desfigure o título do belo artigo de Martim de Albuquerque sobre a concepção do poder político em Luís de Camões. Mas Némesis é implacável: o verbete do brasileiro Gilberto Mendonça Teles tem o título, a encabeçar a série de páginas 754-770, de "Recepção de Camões na literatura brasileira": afinal, no Brasil, o lexema "recepção" escreve-se com p. Só as luminárias... "compatas" que andam por aí à solta, desenfreadas na senda dos crimes contra a língua, é que não tiveram a "perceção" disso! Deste modo, a almejada uniformização com vista ao mercado de além Atlântico só vai servir para nos cobrir de ridículo naquelas paragens... Nem Camões, nem Aguiar e Silva, nem os seus colaboradores mereciam uma coisa dessas»

6.12.11

A CIFRA DAS NOVIDADES LIXO


«O número de novos títulos publicados cada ano é uma barbaridade. Não sei exactamente o que se passa em termos de negócio. Mas a febre crónica que vive o sector, a cifra das novidades lixo continua a ser insensata para não dizer escandalosa. Será que aquela tralha se vende?»

Lourdes Féria, With Bubbles

3.12.11

CELA VA DE SOI



«Ando estupefacto a ler a biografia de Luiz Pacheco que João Pedro George (JPG) escreveu, aptamente chamada Puta que os Pariu!, publicada pelas Edições tinta-da-china, que mantêm, com cada livro que fazem, o entusiasmo com que viram nascer o primeiro. Ainda não acabei de lê-lo - estou a doseá-lo, por saber que vai acabar -, mas já tenho necessidade de o agradecer. Não é só pelo prazer que me está a dar, embora só isso bastasse. E basta. Mas é também pela prova que faz, de ser afinal possível - em Portugal, pela mão de portugueses -, com muito trabalho, distância e imaginação empáticas e inteligentes, escrever biografias literárias de escritores dos nossos tempos, que morreram durante as nossas vidas. A biografia de Luiz Pacheco que JPG não só escreveu como compilou e comprovou alcança o interesse e o rigor das boas biografias britânicas e americanas. Desmente, num só livro, o lugar-comum (quase sempre verdadeiro) que nós, os europeus ditos continentais pelos ingleses, não somos capazes de escrever biografias bem documentadas, que não sejam uma mera acumulação de impressões. Conheci mal Luiz Pacheco. Mas, pelo que conheci, reconheço-o no retrato, mais fundamentado e compreendido do que numa pintura ou numa fotografia. É bem amado. O livro é grande, como era o sujeito. Mas não é nem um elogio nem uma desmistificação. JPG pesquisou e encontrou um escritor e uma pessoa fascinantemente boa e má, às vezes ao mesmo tempo. Parabéns.»

Miguel Esteves Cardoso

28.11.11

COISAS BOAS



NOTA: em português acordográfico segundo alguns leitores.

20.11.11

UM CHEFE DE ESTADO MODERNO

Tinha apenas vinte e quatro anos quando morreu. A sabedoria nem sempre chega na última idade como defendia Gide.

18.11.11

OUTRO TEMPO, OUTRA GENTE


Tenho andado a ler este livro. António Barreto chegou à Suiça em 1963, com 20 anos. Não havia "zonas de conforto". Nem no Portugal de chumbo de Salazar, nem no país de exílio. Barreto fez de tudo um pouco. Até estudar apesar da "falta de tempo". Foi «vendedor de móveis no Grand Passage, mudanças de casas e de escritórios, carregador nos correios ou nos caminhos de ferro, modelo para pintores, distribuição de jornais, criado de café e restaurante, porteiro de hotel, recepcionista de noite, ajudante de tipógrafo e impressor de offset...» Outro tempo. Outra gente.

14.11.11

UM LIVRO E UMA GERAÇÃO

Mais tarde, alguma desta gente, como Salazar previu, estava no poder. Uns mais iludidos do que outros. Barreto e Medeiros "iniciaram-se" logo em 1975. A seguir integraram o 1º governo de Mário Soares. Barreto provoca o primeiro corte epistemológico-político do novo regime com a chamada "lei Barreto". É derrotado pela ideologia. Saem ele e Medeiros, então MNE, depois deste ter solicitado formalmente a adesão à Europa. Em 1979 estão de novo juntos no Manifesto Reformador. Querem maior flexibilidade do regime e da economia. Reclamam a liderança institucional do Presidente da República. Medeiros compromete-se com Eanes. Barreto afasta-se. O PS de Guterres volta a uni-los ainda que brevemente. A recusa do "socratismo" também, Benavente incluída. O resto da história - e dos outros - é mais ou menos conhecida. Não fizeram "história" partidária porque os partidos foram capturados por outras coisas onde não havia lugar para "pátrias utópicas" ou biografias. Mas é seguramente da história de uma geração diferente que este livro fala. E de amigos meus.

10.11.11

LER E OUVIR OS OUTROS

Gratificante a inteligência, a acutilância, a liberdade de espírito e a coragem cívica reveladas por Viriato Soromenho-Marques na apresentação deste livro. Cada vez mais precisamos de gente desta, preocupada genuinamente em reflectir sobre a coisa pública e não em servir-se dela para falar de si ou tratar da vidinha - a mesquinhice intelectual é uma contradição nos termos.

8.11.11

LER OS OUTROS

Sempre estimulante. Mesmo quando não se concorda com tudo.

5.11.11

HANDKE

Uma boa forma de começar a semana.

4.11.11

AQUI É QUE SE ESTAVA BEM


«Uma pessoa está sempre a mudar e nunca chega a parte nenhuma. Mas chegar a algum lado também não é necessário.» (Paul Bowles)