1.10.13

Ribau ou o "discurso do Marido da Galinha"


 


De acordo com o Correio da Manhã, o PSD - ou algum PSD - prepara-se para encetar mais um original procedimento de "caça às bruxas" interno. Porquê? Se atentarmos ao mais logo depoimento recolhido pelos jornalistas, o do sr. Ribau Esteves, por causa de Menezes. E, de caminho, com facilidade se pode chegar a outros eventuais "traidores" como Capucho ou Marco Almeida. O sr. Ribau, aliás, afirma mesmo que as hostes nortenhas estão muito "preocupadas" (um eufemismo para outra coisa) e que, por consequência, sangue deverá ser adequadamente vertido. A própria direcção não é poupada e esta gente espera "explicações" de Passos, de Moreira da Silva e de Marco António embora o "núcleo central" do ódio seja Rui Rio. O sr. Ribau, convém recordar, foi secretário geral do partido na esquecível presidência de Menezes. Vinha de vez em quando de Ílhavo a Lisboa ornamentar uns programas de televisão. Dizia umas coisas não inteiramente parvas e, por aqueles mistérios e artes típicos do PSD, "apareceu" secretário geral. Quando Menezes melancolicamente (tudo em Menezes é um misto de personagens túrgidas de Sara Beirão e de Júlio Dinis) se demitiu para fazer o que mais aprecia - gastar dinheiro para além do dinheiro que devia gastar como grande "visionário" que imagina que é -, Ribau regressou às amenidades da província. No domingo ganhou Aveiro naquele processo de transumância chico-esperta que também embalou Menezes de Gaia para o Porto com o sucesso que se viu. Como teve mais sorte do que o seu antigo presidente de partido, tomou-lhe as dores. Se eu pertencesse à troika, adoraria conhecer esta fauna. Porque me permitiria avaliar, para lá das contas, o tipo de "elites" que adorna esta peculiar periferia. O que Ribau e os "preocupados" querem não é inédito. Por causa de Mário Soares, em 1986, duas ou três pessoas foram expulsas do PSD do Doutor Cavaco e outras tantas admoestadas. Uns voltaram, outros não. Na altura era militante e passei incólume apesar de pertencer à "comissão da juventude" do MASP. A via norte-coreana e, no caso do PSD, uma estúpida e persistente autofagia, são sempre uma irresistível tentação. Montado no seu circunstancial "triunfo" em Aveiro, o sr. Ribau (e, porventura; mais meia dúzia de Ribaus) quer vir a Lisboa produzir o seu "discurso do Marido da Galinha", uma coisa que tornou Almeida Garrett mais famoso do que as desventuras da inocente Joaninha do Vale de Santarém. Que lhe faça bom proveito.

6 comentários:

Isabel de Deus disse...

Nos seus (dele) tempos áureos, eu chamava-lhe o Berimbau.É ideal para programas do género Contra- Informação.

Alblopes disse...

Diga-me com sinceridade:acha mesmo que o pacheco pereira, o capucho e outros que tais,merecem mesmo pertencer ao Partido que tudo lhes deu?(Nota:escrevi o nome destes traidores em minúsculas,porque eles são mesmo uns minhocas!)

João Gonçalves disse...

Publico o seu comentário porque ele em parte explica por que é que a inquisição em Portugal só acabou, formalmente, no século XIX.

Alblopes disse...

Não se trata,a meu ver de inquisição. Trata-se,isso sim,da diferença entre HOMENS e vermes!

Isabel de Deus disse...

Claro que os Berimbaus têm uma craveira intelectual e moral visivelmente superior às de Pacheco ou Capucho. Continuando a alegoria animalesca, talvez tenham a elevação dos galináceos.

Equipa SAPO disse...

Boa noite,

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Atenciosamente,

Catarina Osório
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