Um país que em Outubro pode usufruir deste tempo magnífico tem de "sofrer" com isso. Para o efeito podemos, pelos vistos diariamente, contar a com a palavra sempre "reconfortante" do senhor primeiro-ministro:«o primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que a proposta de Orçamento do Estado para 2014 não poderá ter outro objectivo senão levar mais longe a preocupação de reduzir o défice das contas públicas.» Esta obsessão com o "ir mais longe" em matéria austeritária tem-nos conduzido famosamente "muito longe". O PM perpetra uma espécie de rasura sobre o mea culpa do dr. Gaspar na sua carta de demissão (que ele sempre fingiu que nunca leu) e, justamente, quer ir "mais longe". Isto foi dito numa conferência ironicamente intitulada "sobreviver e crescer". O segundo governo do dr. Portas e do dr. Passos, por esta ordem, parece apostado precisamente no oposto. Não se vê como é que o país pode "sobreviver", quanto mais "crescer", com este torpe desígnio do "mais longe" que o primeiro disfarça com pantomimas e o segundo anuncia com orgulho. Talvez por causa desta extraordinária "dialéctica" que atravessa o executivo, desde Julho bicéfalo como Ortros, o OE 2014 será acompanhado de uma segunda alteração ao ainda em vigor (o défice?) conforme revela o quadro da foto enviado por um leitor desconhecido. Este "pensamento", o único, do "mais longe" está a levar-nos cada vez mais longe. Tão longe que, com um módico de sorte, ainda desaparecemos do mapa. Não se perdia nada.

2 comentários:
Este governo do Paulo Coelho e do Pedro Portas, ou vice-versa, verdadeiros Dupont e Dupond, não pára de aterrorizar o povo português. E com tanto susto não houve ainda quem lhes tivesse chegado a roupa ao pêlo!
O senhor Primeiro Ministro reconfortará hoje 20 portugueses, criteriosamente escolhidos para almofadarem o pensamento e a acção de quem - ainda não se percebeu bem - estuda com dúvida e realiza com fé (ou, mais provavelmente, estuda com fé e realiza com dúvida).
Em contraponto, destes 21, ficam os restantes milhões, com exclusão daqueles que frequentam a bancada de sócios.
Nem com fé se irá longe. Mas se alguém for, não será o país; mas isso também importa pouco porque na arca da salvação já têm lugar os homens bons da pátria que, de um arco mais do que governativo, saltaram ou saltarão para passar a Taprobana e dar continuidade à estirpe daqueles que, por terem sido ungidos como bons, não têm, não terão, nem merecem o escorbuto.
Sic transit.
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