24.10.13

Lavagem de mãos


 


A trágica pilhéria da nossa vida pública nestes tempos fortemente outonais traduz-se na séria possibilidade de cada dia poder ser sempre pior que o anterior. No debate parlamentar de ontem, com uma parte dedicada ao Conselho Europeu a que não se ligou nada (como se os problemas da paróquia pudessem alguma vez ser ultrapassados sem ser em "ambiente" europeu), o 1º ministro aparecia rodeado de académicos salvo o dr. Marques Guedes que é um simples jurista como eu. De nada, porém, lhe servem. Veja-se o caso do improvável prof. Maduro. Depois da prestação do presidente do conselho de administração da RTP - que o desautorizou numa comissão parlamentar -, o ministro adjunto refugiou-se num comunicado patético a desmenti-lo. Maduro, porventura inspirado nas amenidades do "Norte" que tanto transporte "romântico" tem provocado a bem da chamada literatura portuguesa, tinha decidido chutar para lá a RTP Internacional em virtude, e  passo a citar, do "tecido empresarial vibrante" que alegadamente por ali pasta. Sucede que o dr. da Ponte pretende reservar a RTP sediada no Porto para a 2. E não tem "espaço" para mais nada, ou seja, para exibir as glórias do "tecido empresarial vibrante" que, através do canal internacional, nos retiraria da nossa tristíssima irrelevância (ainda hoje o New York Times alude à recuperação da zona euro, na ordem dos 0,4% em Espanha, por exemplo, sem uma palavra para o Portugal dos visionários drs. Portas, Lima e Passos Coelho). Mais. O dr. da Ponte afirmou que havia colocado nas mãos delicadas do prof. Maduro uma "lista de redução de efectivos" (nominal?) para ele decidir o que fazer com ela: aparentemente a administração quer lavar daí as suas. Maduro também. Estão bem uns para os outros.


 


Foto: Globalimagens

1 comentário:

João Vargas Moniz disse...

E no meio disto tudo, mas mesmo tudo, Portas, o revogável dos mais pobres, o ex- pensionista e ex-lavrador passa entre os pingos da chuva - é obra! - e não dá o guião à luz.
Mais 7 dias, mais de 6 000 000 de segundos.
Como resistiremos?