12.10.13

"Protectorado", como ele diz

O "Jornal de Angola" - independentemente de quaisquer conteúdos uma vez que que a liberdade de expressão e informação constitui um dado indisputável - é já um dos poucos jornais do mundo onde se escreve correctamente o português. E onde as palavras escritas querem dizem exactamente o que querem dizem, sem sofismas "humpty-dumptystas". Por isso, não deve constituir surpresa que, em editorial, o "Jornal de Angola" tire conclusões do uso reiterado do termo "protectorado" por parte, designadamente, do senhor vice PM português e líder de um dos partidos da coligação governamental. Como se, por causa de um programa de apoio externo, Portugal tivesse "ajustado" a sua soberania para agradar a terceiros. E não se diga que se trata de uma mera questão de semântica, ou de mera ironia, ao alcance de observadores e comentadores mas nunca de representantes de um poder executivo demoraticamente escolhido. "Protectorado" tem um significado preciso no direito internacional público. E é, no fundo, o que aquele editorial traz à colação, prestando um amável "esclarecimento" ao antigo MNE do dr. Passos Coelho e seu putativo "número dois" no governo desde Julho último. 


 


«Portugal, segundo o senhor vice-primeiro-ministro do Governo Português, é um protectorado. Lamentamos profundamente esta situação, mas pouco podemos fazer (...). Mas se está reduzido a um protectorado, como afirma o senhor vice-primeiro-ministro Paulo Portas e muitos outros políticos portugueses, não tem capacidade para assumir as suas responsabilidades na comunidade dos países que falam a Língua Portuguesa. Está pior do que a Guiné-Bissau, apesar de tudo um Estado soberano. E corre o risco de ter um estatuto político muito próximo da “aspirante” Guiné Equatorial. Fazemos esta constatação, com mágoa. Mas a vida continua e a CPLP não pode ficar à espera de um Portugal que até os seus mais altos dirigentes políticos aceitam seja um protectorado.»


 

4 comentários:

fado alexandrino disse...

Anteontem dividíamos o Mundo com a Espanha.
Ontem tínhamos as províncias ultramarinas onde levamos a civilização.
Hoje, estamos reduzidos a isto.
Muito obrigado a todos os que contribuiram.

SC disse...

N'O Jornal de Angola escreve-se um óptimo português e as palavras parecem conservar o valor.

É interessante verificar a dualidade de critérios: do Brasil, não há desconsideração ou insulto a Portugal que não desculpemos ou até louvemos.

Coisas de irmandades veneráveis.

Pedro disse...

Excelente editorial do Jornal de Angola: só diz verdades, bem à medida da mediocridade do nosso regime.
E já agora, era seguramente ao nosso governo, oposição, justiça e comunicação social que o incompreendido Diamantino Miranda se referia há dias...

PSC disse...

Falta-me a coragem para comentar o post porque me caem as lágrimas pela cara abaixo ao verificar ao que chegamos depois de 900 anos de tanta luta e sacrifício por este Portugal que já foi e que outros, agora, se atrevem a comparar à Guiné! Não consigo dizer mais nada! Desculpem.