29.10.13

No reino da "estupidez sistémica"

Cada um à sua maneira constituem dois magníficos "exemplos" das "reformas estruturais" do "novo ciclo". A dra. Cristas - com o notável sentido das prioridades que a tem caracterizado e que levou, nomeadamente, à chamada do eng. Moreira da Silva para tomar conta do ambiente no "novo ciclo" - decidiu, da forma mais "liberal" possível, fazer o Estado entrar pelas casas das pessoas adentro para assegurar que não possuem mais de dois cães e, no limite (não sei se inclui baratas, moscas e ratos), mais de quatro animais por fogo. Pessoalmente, não sei se prefiro ter ao lado alguém com três cães, um papagaio e uma iguana ou uma medonha "família numerosa", daquelas que mal pode aguentar os nove meses prevenidos pelo Criador para, quais coelhos, acrescentar ao mundo mais um "neckless monster" como diria uma célebre personagem de Tennessee Williams. Num país em que deixou de existir "contrato social" e em que o único desígnio do Executivo consiste em esbulhar o património de quem menos património tem, o Estado ainda acabará por querer controlar as vezes que, dentro de casa, as pessoas puxam o autoclismo. Nenhum poder socialista faria melhor do que este sovietismo "liberal" que ainda por cima convida ao pior que há em todo o ser humano: a delação, a queixinha, a inveja, o egoísmo. Por outro lado, o prof. Maduro, plenamente confirmado não como um mero erro de casting mas como um pesado embuste político, inventou uma "comissão" que irá trabalhar sem prazo para "reformar a RTP", outra extraordinária prioridade nacional sobre a qual não existe a mais remota ideia acerca do que se há-de fazer.  Até porque o acrisolado amor do senhor vice PM por uma tv dependente do poder político não deixa. Entretanto nas jornadas parlamentares da maioria - em que, quais "senhores Feliz e Contente", os deputados parabenizam os ministros, os ministros parabenizam os deputados e os ministros parabenizam-se uns aos outros - o país não entra na Sala do Senado do "novo ciclo". Um "ciclo" muito, muito, muito, muito abençoado em Julho pelo Doutor Cavaco de quem, por sinal, pouco se tem sabido desde a sua leve passagem pelo canal do Panamá. Finalmente temos o dr. Lima, num transporte místico, a falar em "milagre económico". Se calhar entrámos no reino paroquial da "estupidez sistémica", descrito por Bernard Stiegler, e não sabemos.


 


Adenda: Deseja uma "clarificação" sobre as "incertezas" que pairam sobre o seu orçamento? É fácil. O Senhor Presidente da República sabe como é que se faz embora tenha um estranho pavor em o fazer. Prefere dourar a pílula. Oxalá não se venha a arrepender.

21 comentários:

C Vidal disse...

Meu caro
L'obéissance est morte
ou
obeissancemorte.worpress.com

Faça o que lá se aconselha. Pratique. Eu tenho 2 gatos, mas vou ter mais. Sou muito prós gatos. E ainda não escrevi nada sobre isso. Mas eu mal sei escrever.

Jorge Diniz disse...

Não olvide que, no inicio do seu Mi(ni)stério, esta "adiantada mental" conseguiu economizar uns milhões (crendo nos disparates jornalísticos desse tempo) com a "brilhante" decisão de não ser obrigatório o uso de gravata oas funcionários do seu mistério.

Cão Danado disse...

Segundo o jornal Público esse limite fixa-se em dois cães e em quatro gatos, mas existem excepções, já que os detentores de raças nacionais puras registadas podem até dez animais nos prédios rústicos ou mistos.

Na senda desta Lei, proponho uma adenda: que os "cães danosos" na AR sejam limitados a 50. A vantagem é dupla: serão somente 50 a "morderem" e pouparão os contribuintes na "comida" desses "cães".

jota disse...

Será que não existe nada realmente sério para resolver neste poço sem fundo à vista?

João Vargas Moniz disse...

Tanta vedeta, tanto artista...
E é amanhã!

Isabel de Deus disse...

Absolutamente vergonhoso e norte-coreano! Não importa se o povo miserável se apinha em bairros/guetos. Não há limite para o número de desgraçados em cada pequeno e insalubre apartamento. Contudo, legisla-se sobre o número ideal da população felina ou canina, com vista (hipócritas!) ao seu bem-estar. Se eu quisaer abrigar uma gatinha grávida e criar-lhe os filhotes, se hipoteticamente, não arranjar donos para eles, isto faz de mim uma fora-da-lei?

joakkim disse...

Gostei de todos os comentários feitos ao "comentário-mor", excelente. E nada mais posso dizer/fazer do que abrir a boca de espanto horas a fio e pensar baixo e alto "mas que raio de país é este...que mal fizeram (mesmo!) os portugueses" para merecerem esta cambada de cretinos que nos desgovernam, superiormente comandados pelo senhor presidente da república portuguesa, o mor dos "mores"??!...

maria disse...

lei da bufaria e ajuste de contas. Vamos passar a depender da má fé de vizinhos. E que tal uma lei de limitação de mandatos desses suínos.

Rui alves disse...

Realmente cada dia que passa só aparecem preciosidades destas...

Será que essa "senhora-espírito-iluminado" não tem assuntos mais preocupantes e pertinentes com que se entreter...?! Infelizmente já nada me surpreende neste país...

Artur Pinto disse...

Não tenho nada contra ser regulamentado o numero de animais que as pessoas podem ter em casa. É certo que é uma invasão da nossa privacidade, mas convenhamos que existem situações que não deveriam ser permitidas. Dito isto, é também verdade, que a lei é mais uma que privilegia o espírito português da inveja e da intriga o que para mim é condenável ... Algumas pessoas, nomeadamente das associações de ajuda aos animais já vieram dizer que, a lei não presta pois não faz qualquer referencia às áreas ou condições da habitação... Convenhamos que um apartamento de 50m2 não é o mesmo de um de 130m2 , se calhar ter 2 cães num apartamento de 50m2 já é demasiado . E uma pequena vivenda com 10m2 de quintal também não me parece que seja adequado ter lá 10 cães a viver...

Anónimo disse...

o sALAZAR NÃO FEZ TANTO

Anónimo disse...

Apoiadissímo

Teodoro Petiz disse...

Depois da esplendorosa medida da gravata agora a medida do cão e do gato! Gostaria só de lembrar que enquanto isto, há idosos a ficar em casa sozinhos em más condições porque os filhos não tem dinheiro para os colocar em locais onde possam tratar deles, o número de crianças que chegam à escola com fome aumentou drasticamente, o numero de bebés abandonados nas maternidades e hospitais aumentou, o numero de pessoas que não tem cuidados médicos adequados mais que triplicou, e no fim disto tudo vem falar de cães e gatos??????

José Oliveira disse...

Deixe-me traduzir "milagre económico" desempenhado pelas empresas (as que não vivem à sombra do Estado): é o milagre de ir resistindo à falência da economia, promovida por tão miserável governo.

António Almeida disse...

100%, mas a lei já foi aprovada? É que se não foi, podem ser apresentadas alterações.
Se não se gostar do resultado, podem ser criadas petições.

xpert disse...

100% de acordo!!!

manuela disse...

Preocupa-se com o numero de animais, e o abandono e os maus tratos ? não têm importância ? Poupe-nos srª Ministra faça antes leis para os proteger a sério e não promova mais abandonos.

Artur Pinto disse...

Acho que a lei ainda não foi aprovada... E sinceramente espero que o parlamento desempenha a sua função de discussão e melhoria da proposta apresentada... Talvez seja esperar demais e provavelmente no final ainda será algo pior e com menos nexo. Acho no entanto que alguma pessoas tem razão quando dizem que, dadas as condições do pais e a situação que vivemos, esta não me parece uma prioridade... Talvez fosse melhor perder tempo com outras questões, até mesmo da mesma area, como por exemplo animais abandonados e porque não é feito alguma coisa para responsabilizar de forma cabal quem abandona animais!

Eu Mesma disse...

E não esquecer que esta senhora também foi responsável pela lei do arrendamento que não acautelou muitas situações sociais complicadas, nomedamente com pessoas idosas, entre outras.

Artur Pinto disse...

Afinal está esclarecido que ainda nem sequer é uma proposta de Lei... Portanto nem existe nada para discutir. A Ministra veio esclarecer que este é um assunto que ainda está em estudo, desde os ultimos 7 anos, e que não é uma prioridade para ela.
Primeiro, acho muito bem que não seja uma prioridade. Acho que temos todos mais que fazer do que estar a regular em quantos cães ou gatos cada cidadão tem direito a ter a viver em sua casa!
Segundo, acho que foi mais uma daquelas tentativas de apalpar o terreno e ver a reacção. Como foi lançada a noticia e a reacção foi muito alergica, é melhor meter na gaveta e não mexer mais... Acho bem! De outra forma isto teria passado a lei sem duvida. Nem que mais não fosse para se dizer que fizeram mais alguma coisa.
Terceiro, não sendo para mim esta uma questão de nenhuma importancia, gostava de entender como um assunto destes está em estudo à 7 anos!?? Ou não é importante, e então deixem estar isso e não queiram regular tudo e mais alguma coisa da vida das pessoas, ou então tem alguma importancia e 7 anos é uma eternidade para ser feito alguma coisa em relaçao a isso...

Artur Pinto disse...

Concordo. Isso sim é que deveria estar devidamente regulado. E que animais abandonados fossem protegidos e imputadas responsabilidades a quem os abandonou. Isso sinceramente parece-me assunto mais pertinente e de mais importancia.