26.10.13

O engolir do sapo

Um dia destes dei por o governo - na pessoa do senhor primeiro-ministro que lhe terá "dado a escolher" duas ou três coisas -, ter proposto um antigo e breve membro do mesmo governo para vogal de um "banco de desenvolvimento" chamado SOFID. "Sem desfazer", como diz o povo, não alcancei o propósito. Nada, com o devido respeito, na biografia do escolhido o recomendava particularmente para tratar de matérias financeiras a não ser umas viagens à Àfrica "lusófona" a mando do então MNE de quem ele foi secretário de Estado. Afinal, lê-se no Expresso, a proposta nem sequer era para vogal do "banco" - era mesmo para presidente. E foi "chumbada" na comissão criada pelo mesmo governo para avaliar perfis para direcções de primeiro e segundo grau na administração pública directa e indirecta. Todavia, Almeida Leite aceita passar pelo vexame de a mesma comissão, para além de o ter vetado como presidente do SOFID, apenas o tolerar como vogal mas com "restrições". Ou seja, não pode "mexer" em determinadas actividades do banco porque, diz a comissão, não tem perfil. No Parlamento, esta semana, Passos Coelho referiu que não tinha amigos. Pelos vistos tem. Só mesmo uma grande amizade pode justificar o engolir do sapo.

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