3.10.13

A insustentável leveza


 


O Presidente da República decidiu falar na Suécia sobre a paróquia. Desde a "crise Portas" que o papel do PR na vida política nacional mudou. E mudou para pior. Porque ao comprometer-se directamente com o chamado "novo ciclo", na prática, com o segundo Governo Passos Coelho, Cavaco reduziu voluntariamente a sua liberdade de acção política. Por isso disse o que disse lá fora. Qualquer membro do actual Governo não diria melhor: a dívida, afinal, é sustentável (não era no discurso de Ano Novo), a recessão acabou (então já não há "espiral recessiva" fruto de uma austeridade mal calculada?), as eleições autárquicas não merecem um átomo de atenção "nacional" e, de uma forma geral, com o OE de 2014 o "rumo" manter-se-á e o céu pode esperar. Para alem disso, o Presidente entende que vale a pena persistir em bater claras em castelo, isto é, em defender "compromissos" e "consensos" inverosímeis quando a democracia é, pela natureza dela, adversarial e conflitual. Sei que é o "país de programa" que faz Cavaco falar como fala, longe do homem que rompeu o "sistema" em 1985. Todavia, o país precisa de um PR que não viva permanentemente assombrado pela "crise" e pelos governos circunstanciais: ontem Sócrates pela negativa, hoje Passos em registo jubilatório. O que o país não precisa é de um PR dominado pela insustentável leveza com que, a partir de certo ponto, decidiu conceber o seu segundo mandato. Que parece ter terminado no dia da tomada de posse.

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