
O primeiro-ministro, por causa da saída de cena do dr. Gaspar e da "ameaça" do espectro governativo, o actual vice, remodelou o Governo em Julho com a aquiescência do Presidente da República. Saíram pessoas que sempre lhe foram leais - Relvas tinha sido removido em Abril - para entrarem (e ficarem, algumas "subindo") pessoas cujo papel nessa matéria (a da lealdade) ainda está por apurar. Apesar do resultado das autárquicas, Passos não tem qualquer margem para remodelar agora o que quer que seja. Aliás, o PR, depois de exercer o seu direito de voto, reiterou a sua opção de Julho, isto é, que o futuro do Governo não depende do resultado de ontem. Todavia, e sendo esta proposição presidencial formalmente correcta, decerto a longa experiência de Cavaco ter-lhe-á sussurrado duas coisas que o deixaram assustado. A primeira, é que não vai ser fácil ao Executivo do "novo ciclo" engolir até ao fim a cicuta que ele próprio fabricou. A "ruralização" do PSD e a profunda derrota nos grandes centros urbanos praticamente anularam o sucesso de Junho de 2011, deixando Passos mais isolado do que ele já estava no partido. Que "decresceu" aos olhos da nação quando o objectivo fundamental de qualquer aspirante a pastor da pátria é o de crescer do partido para fora. Como se isso não bastasse, das três coligações que Portas estabeleceu com o PSD, esta é a que ele mais execra. Agarrou-se como gato a bofe a cinco pequeninas câmaras, passou levemente pelos "sucessos" minguados das coligações autárquicas e fez questão de se colocar às cavalitas de Rui Moreira contra o mau exemplo de "contas" representado por Menezes. Ora isto conduz ao segundo aspecto a cair, mais tarde ou mais cedo, na agenda presidencial. Esta sopa turva de lentilhas não deixará de "impressionar" os credores que, por coincidência, andam por aí a somar e a subtrair. Ou os impagáveis "mercados". Ou, mesmo, esse decisivo documento político chamado OE 2014. Passos, afinal, não preparou nenhum ponto de partida com as infelicidades de Julho ao contrário do que insinuam, sempre que podem, os principais "ministros da propaganda", o prof. Maduro e o dr. Lima, embalados por dois ou três "degraus" da "escada" do crescimento que faz a permanente felicidade filológica do dr. Portas. E, indirectamente, do Doutor Cavaco. Ontem, lamentavelmente, o primeiro-ministro não deu sinais de ter entendido a realidade de que procurou em vão falar nas aparições da campanha. Vai pagar caro o lapso.
1 comentário:
A coligação é comandada pelo chefe dos anões. A branca-de-neve meteu-se num 'cul-de-sac'.
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