14.10.13

A culpa é dela?


 


Por cá, o Doutor Cavaco insiste nos seus "compromissos" e "consensos" aos quais ameaçou voltar - depois dos gloriosos sucessos de meados de Julho - após as autárquicas. Em França, por exemplo, chamam a isso (sobretudo quando os partidos do regime, a UMP e o PS, estão à rasca) "frente republicana". Este fim de semana, numa eleição cantonal, a "frente republicana", com um representante da UMP à cabeça de um conglomerado que juntava tudo menos a Frente Nacional, foi a votos justamente contra o partido de Marine Le Pen, e perdeu. Mais. As sondagens insinuam mansamente que a senhora pode ganhar as europeias de Maio ao PS e à UMP, ou seja, à "frente republicana" o que constituiria, para os usos situacionistas europeus, um escândalo. Mas em vez de os vários regimes europeus aprenderem com estas pequenas "lições" populares, persistem na estupidez de uma conversa que, para além de já ter caído em desuso, não resolve um milímetro dos problemas criados pela hipertrofia neoliberal e financista comum a direitas e a esquerdas. Marine Le Pen, bem mais ajuizada que o pai, perfila-se como um dos rostos europeus da resposta "popular" à crise das democracias liberais, a dos "compromissos" e das "desilusões do progresso" que Raymond Aron analisou no passado. A culpa é dela?

3 comentários:

Carlos Vargas disse...

Os partidos que fizeram a democracia europeia precisam de uma refundação total. Se não o fizerem, outros tomarão o seu lugar.

maria disse...

De modo nenhum. A culpa é dos falsos esquerdóides que nos vêm governando (mal) há décadas. Têm-se abotoado e garantido à sombra da democracia (deles).

fado alexandrino disse...

Não. A culpa é de nós nos conseguirmos ter uma "Le Pen".