«Portas cobriu-se de ridículo na conferência de imprensa da sétima e oitava avaliações da troika - em que afirmou aos portugueses que não havia novo pacote de austeridade. Passos Coelho fez o mesmo na sessão na RTP. A apresentação do Orçamento do Estado deveria cobrir os dois de vergonha. Afinal ainda havia quem acreditasse que com Portas aos comandos das negociações com a troika os colonizadores iriam ser convenientemente enfrentados e que, juntos, Portas e António Pires de Lima seriam o rosto de um alegado "novo ciclo" que chegaria no fim do arco-íris. Se a palavra de Paulo Portas não vale um avo neste momento, o partido dos pensionistas faleceu. Pires de Lima é mais elegante que Álvaro Santos Pereira e Paulo Portas tem mais capacidades comunicativas que Vítor Gaspar. As diferenças esgotam-se aqui, no meio do lixo, da depressão e da caminhada para o abismo (...). Já se sabia que o "novo ciclo" era uma mentira porque havia um compromisso prévio de corte de 4 mil milhões de euros. Mas quem falou do novo ciclo não foram os funcionários públicos, foram os partidos do governo, dolosamente. Dizer, como Portas e Passos Coelho, que isto "não é um novo pacote de austeridade", é chamar imbecil a um povo inteiro.»
«Eu esperava que o orçamento correspondesse àquilo que tinham sido os diferentes sinais dados ao longo do ano, que segundo Vítor Gaspar seria de que iríamos entrar numa fase de crescimento. Todos os elementos faziam prever que o orçamento tinha posto de lado o caminho errado e que ia aproveitar os sinais de retoma que poderiam estar a surgir. No entanto, o orçamento põe tudo isto de lado, não considera nada disto. Neste momento percebo a frase de Passos Coelho em relação ao “choque de expectativas”. Pior do que um choque é que a visão que tenho do orçamento é a visão de um país a empobrecer de forma dramática. É realmente uma frustração.»
«Eu estava a ouvir o primeiro-ministro e não queria acreditar, porque o que o primeiro-ministro diz é: os cortes são duros, mas também não se podem queixar muito porque em 2012 já levaram cortes também muito duros. Eu não vou discutir sequer quais são os cortes mais duros, embora seja evidente que os cortes em 2014 apanham muito mais gente.»
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