Ignoro quem seja Renato Teixeira. Mas imagino que os caríssimos Carlos Vidal (menos, dado o comentário tipo "suv's civis vencerão» que lá deixou), Nuno Ramos de Almeida, Tiago Mota Saraiva ou Manuel Gusmão, entre outros, não estarão "solidários" com a sugestão do sr. Teixeira no sentido de o "povo em armas" fazer "justiça com as suas próprias mãos", num misto de western pimba com assalto kitsch ao Palácio de Inverno.
«Somos poucos mas vale a pena construir cidades e morrer de pé.» Ruy Cinatti joaogoncalv@gmail.com
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12.12.11
11.12.11
...

O meu editor, o Manuel S. Fonseca, o Pedro Norton e o outras pessoas de bom gosto vão abrir um blogue que se vai chamar Escrever é Triste. Mas mais triste do que escrever, é escrever para tristes. Força, e como diz Karl Kraus citado pelo Manuel, o diabo é um optimista se acredita que pode piorar as pessoas.
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5.9.11
O FORTE E A HARMÓNICA
Foi dado à estampa blogosférica um novo blogue, de seu nome Forte Apache. Coincide, no título, com o filme homónimo de John Ford. Na madrugada de sábado revi Era uma vez no Oeste, de Sergio Leone. Resume perfeitamente todos os westerns deste mundo e do outro (apenas Eastwood, com Imperdoável, voltou a resumir). Como tal, só posso desejar ao novo blogue que saiba tocar tão bem harmónica como Charles Bronson na película de Leone.
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28.7.11
O DIREITO À IMBECILIDADE
Há muito tempo - anos mesmo - que anunciei num post que este blogue praticava a aprovação, ou não, prévia dos comentários. E, para casos desesperados, tenho mesmo chegado a recomendar a abertura de blogues para se aliviarem em vez de virem lavar as vísceras para os blogues dos outros. De acordo com o Blogger, são apenas três (3) passos. Ou seja, nada mudou relativamente à "política" editorial do blogue onde o autor escreve o que lhe apetece, quando lhe apetece e como lhe apetece. Recentemente a patrulha anónima tem estado particularmente activa. Não faz mal. Como Karl Kraus, sei que existem imbecis superficiais e imbecis profundos. A patrulha pode, porém, ficar descansada. Não discrimino ninguém.
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18.7.11
16.7.11
NEM ESCRAVOS NEM MONOGÂMICOS

Belíssimo, o novo cabeçalho do blogue da Ana Cristina Leonardo. E a Ana, presumo, é da "escola" onde as palavras possuem "um" poder. «Somos histórias colectivas, livros colectivos. Não somos escravos nem monogâmicos nos nossos gostos ou experiências.» (Michael Ondaatje)
19.6.11
OS CANTOS, EM GERAL
"Maradona", por via da Ana Cristina Leonardo (a coisa também envolve a Carla Quevedo) transmite-me um "questionário" literato. Como é domingo, dia do Senhor, e a beatitude e o Guincho imperam, respondo.
1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
À semelhança de Cioran, acredito que um livro só fica "lido" depois de lido várias vezes. A partir de certa fase da vida, aliás, o que apetece mais é reler. É um cliché mas não há mais começos. O que há é complexos editoriais que precisam fazer pela vida e que colocam cá fora objectos parecidos com livros que têm na capa nomes que designam por "autores". Leio e releio poesia matéria acerca da qual quanto menos se disser, melhor.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Claro, até de pessoas que são "meus" autores. De um que não é, Saramago, A Jangada de Pedra.
3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
The Cantos, de Ezra Pound.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Amores no Campo, de Sarah Beirão.
5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
O Libertino passeia por Braga, a Idolátrica, o seu esplendor. De Luiz Pacheco.
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
A Condessa de Ségur, a Blyton, pouco Verne, algum Tintin e o Adolfo Simões Müller.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Direito Internacional Privado, Ferrer Correia. Porque fui obrigado.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Não existem mais porque o seu autor, Joaquim Manuel Magalhães, os suprimiu. Ainda assim, dele e em vigor, Os Dois Crepúsculos. De Jorge de Sena, O Reino da Estupidez I. De Eugénio de Andrade, Prosa. De Richard Rorty, Contingência, Ironia e Solidariedade. De Peter Sloterdijk, O Estranhamento do Mundo. De Céline, À l'agité du bocal. De Proust, A Recherche. De Jean Genet, Pompes Funébres. De Adolfo Casais Monteiro, A Poesia de Fernando Pessoa. De Jonathan Littell, As Benevolentes. De Tolstoi, Anna Karenina. De Flaubert, Madame Bovary. De Stendhal, Le Rouge et Le Noir. De Eça, A Correspondência de Fradique Mendes. De Gore Vidal, United States. De T.S. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas. De Vergílio Ferreira, Conta-Corrente. De Vitorino Magalhães Godinho, A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa. De Vasco Pulido Valente, O Poder e o Povo. De António José Saraiva, Ser ou não ser Arte. Et tal.
9. Que livro estás a ler neste momento?
Dois. De Richard Rorty, Consequências do Pragmatismo. De Maurice Blanchot, La Raison de Sade.
10. Indica dez amigos para responderem a isto.
Carlos Vidal, José Mendonça da Cruz, António Nogueira Leite, Almocreve, Medeiros Ferreira, Helena Matos, Do Médio Oriente e Afins, Luís Paixão Martins, Pedro Magalhães, Fernando Martins.
1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
À semelhança de Cioran, acredito que um livro só fica "lido" depois de lido várias vezes. A partir de certa fase da vida, aliás, o que apetece mais é reler. É um cliché mas não há mais começos. O que há é complexos editoriais que precisam fazer pela vida e que colocam cá fora objectos parecidos com livros que têm na capa nomes que designam por "autores". Leio e releio poesia matéria acerca da qual quanto menos se disser, melhor.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Claro, até de pessoas que são "meus" autores. De um que não é, Saramago, A Jangada de Pedra.
3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
The Cantos, de Ezra Pound.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Amores no Campo, de Sarah Beirão.
5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
O Libertino passeia por Braga, a Idolátrica, o seu esplendor. De Luiz Pacheco.
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
A Condessa de Ségur, a Blyton, pouco Verne, algum Tintin e o Adolfo Simões Müller.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Direito Internacional Privado, Ferrer Correia. Porque fui obrigado.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Não existem mais porque o seu autor, Joaquim Manuel Magalhães, os suprimiu. Ainda assim, dele e em vigor, Os Dois Crepúsculos. De Jorge de Sena, O Reino da Estupidez I. De Eugénio de Andrade, Prosa. De Richard Rorty, Contingência, Ironia e Solidariedade. De Peter Sloterdijk, O Estranhamento do Mundo. De Céline, À l'agité du bocal. De Proust, A Recherche. De Jean Genet, Pompes Funébres. De Adolfo Casais Monteiro, A Poesia de Fernando Pessoa. De Jonathan Littell, As Benevolentes. De Tolstoi, Anna Karenina. De Flaubert, Madame Bovary. De Stendhal, Le Rouge et Le Noir. De Eça, A Correspondência de Fradique Mendes. De Gore Vidal, United States. De T.S. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas. De Vergílio Ferreira, Conta-Corrente. De Vitorino Magalhães Godinho, A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa. De Vasco Pulido Valente, O Poder e o Povo. De António José Saraiva, Ser ou não ser Arte. Et tal.
9. Que livro estás a ler neste momento?
Dois. De Richard Rorty, Consequências do Pragmatismo. De Maurice Blanchot, La Raison de Sade.
10. Indica dez amigos para responderem a isto.
Carlos Vidal, José Mendonça da Cruz, António Nogueira Leite, Almocreve, Medeiros Ferreira, Helena Matos, Do Médio Oriente e Afins, Luís Paixão Martins, Pedro Magalhães, Fernando Martins.
14.6.11
AGRADECIMENTOS COM CONTA, PESO E MEDIDA
«A gente sabe que (...)/ já nada pode durar/ muito.»
João Miguel Fernandes Jorge
João Miguel Fernandes Jorge
Ao Medeiros Ferreira, ao Fernando Martins, ao André Azevedo Neves, ao Samuel de Paiva Pires, ao Nuno Gouveia, ao Luís Novaes Tito, ao Tiago Moreira Ramalho, à Joana Carvalho Dias , ao Afonso Azevedo Neves, ao Fernando Moreira de Sá, ao Joaquim e ao Francisco José Viegas. Como vêem, é praticamente um registo de verdadeira "convergência nacional" sem consensos apalermados. Como escreve o Medeiros, «ser injusto faz parte do seu talento. Mas pronto. Confio que o Portugal dos Pequeninos, que agora faz 8 anos, redobre de espírito cáustico nestes novos tempos do poder.» Ou o Fernando Martins. «Frontal, corajoso, muito bem escrito e geralmente bem pensado, é às vezes obtuso. É bastas vezes reaccionário e salazarista (coisas diferentes para os mais distraídos), qualidades que eu muito aprecio quando servidas com conta, peso e medida.» Revejo-me muito neste "auto retrato" do Vasco Pulido Valente escrito por irónica ocasião dos seus cinquenta anos. Ele que também não me perdoe a citação como eu não perdoo nada. «Dantes andava-se e esquecia-se. Agora, a vida pára. Repete-se. Um mês é igual ao anterior e ao próximo e ao seguinte. Não acontece nenhuma coisa diferente, só acontecem coisas indiferentes. Por qualquer razão obscura, não se consegue descobrir o sítio onde as coisas acontecem; e elas já não acontecem onde aconteciam.(...) Eu penetrei na impropriamente chamada meia idade desta maneira: ou seja, aflito. O céu caiu-me em cima sem aviso. Nestas crises, segundo o costume, as pessoas agarram-se: à família, ao trabalho, às ambições. Reparei que os meus amigos se agarravam. Um a um, consoante a sua natureza, transformaram-se em secretários de Estado, políticos respeitáveis, académicos triunfantes, altos funcionários ou pais extremosos. Vários preferiram a virtude, ideológica ou sexual. Com meritórias excepções, quase todos se encaminharam.»
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Portugal dos Pequeninos
12.6.11
A CHUSMA NA SALA

Não posso deixar de fazer um agradecimento particular aos "corporativos" que não abdicam da sua missão patrulheira. Não esqueço que até incluiu, a dada altura, um telefonema do "Abrantes" da época para o meu local de trabalho e para um número fixo que nem eu sabia de cor. Eles sabem quem sou e por onde ando porque nunca senti necessidade de me esconder no anonimato fácil e cobarde que fez e faz "escola" neste domínio. Até por isso deviam saber que não estou à espera de coisa alguma (o cargo que exerço, escolhido por motivos profissionais e por quem de direito, satisfaz-me e enquanto satisfizer quem me escolheu estamos bem assim: está no Diário da República, é público por definição). Em compensação, nós não sabemos quem eles são é quais as "encarnações" que tomaram, tomam e hão-de tomar. Apenas o poetastro Pitta, num acesso vagamente místico, assegura ter estado com "Abrantes" em algum lado. E eles pagam de volta garantindo-lhe a divulgação intermitente das suas brandoenses "análises políticas" que são a versão popularucha dos delíquios literario-gastronómicos passados invariavelmente em grandes alturas. Mas os "corporativos" (os ainda em funções e os por vir da mesma ou de outras bandas) resumem-se bem no artigo semanal de Eduardo Cintra Torres* no Público aquando da descrição de um momento da noite eleitoral dos "corporativos", i.e., da "a chusma na sala". «No final do discurso, entregam-lhe [a Sócrates] um papel e ele afirma: “parece que há jornalistas que me querem fazer umas perguntas”. A estranha formulação da frase sugere que não deveria haver perguntas; que os jornalistas não devem colocar perguntas; que isso de lhe colocarem perguntas é tão invulgar que ele até duvida (“parece que...”). E assim foi. Dos seis jornalistas com autorização para o questionar, quatro são vaiados ou assobiados pela chusma na sala (RTP, SIC, Antena 1, Renascença). Só Carla Moita, TVI, e Bárbara Baldaia, TSF, escapam ao charivari. Sócrates deixa os furiosos dirigentes e militantes vaiarem os jornalistas, mas para si mesmo pede que o deixem falar. A pergunta mais vaiada, de Susana Martins, da Renascença, petrifica-o: “Receia que esta derrota eleitoral abra caminho a novos processos judiciais ou que acelere processos judiciais em curso?” Ele diz que “compreende” a vaia e pede à jornalista que repita a pergunta inesperada. A resposta não estava no teleponto nem memorizada. Respondeu no género Disneylândia — em Portugal “a justiça nada tem a ver com a política” — e passa à frente: “É melhor passarmos a outra pergunta”. A jornalista da RDP diz então “Vamos ver se eu não recebo uma vaia também”, mas o núcleo duro do PS não a poupa à gritaria. Só uma hora passou desde as previsões das 20h00, e já o último discurso de Sócrates traz a zizânia de volta ao país.» O papel de quaisquer "corporativos" é só este, garantir a zizânia. A chusma na sala não desapareceu nem desaparecerá.
*Eduardo Cintra Torres foi dos poucos jornalistas e comentadores (na circunstância daquilo que passa nas televisões) que soube sempre estar à altura da sua profissão, sem temores reverenciais, bajulações infantis e cálculos patetas durante o "socratismo". Aparece aqui com frequência porque lhe admiro a coragem, a persistência e o rigor. E eu sou despudoradamente selectivo.
*Eduardo Cintra Torres foi dos poucos jornalistas e comentadores (na circunstância daquilo que passa nas televisões) que soube sempre estar à altura da sua profissão, sem temores reverenciais, bajulações infantis e cálculos patetas durante o "socratismo". Aparece aqui com frequência porque lhe admiro a coragem, a persistência e o rigor. E eu sou despudoradamente selectivo.
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7.6.11
UMA TERNURA

Nos "amigos de Peniche", para além do ainda Chefe (deles) - na versão lacrimosa com o famoso teleponto bem à vista -, os bloggers friendly deram lugar aos trendy. Uma ternura. Ou, como diria Sócrates, «adoro-vos.»
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2.6.11
«SEM A ESTUPIDEZ DOS PENEDOS, QUE SERIA DO NOSSO ESPÍRITO?»

O Carlos Azevedo levanta aqui uma questão interessante, a saber, se se pode levar a sério Eduardo Pitta quando ele dislata coisas como aquelas para as quais remete e que, por pura higiene mental e respeito pelos leitores, não reproduzo. Eugénio de Andrade conta, a propósito de Teixeira de Pascoaes, que um dia o visitou, "magnífico e luminoso", já perto do fim, com o Marão pela frente. Perante uma velha edição de Só, Andrade perguntou a Pascoaes: «Gosta muito de António Nobre, Pascoaes?». Este respondeu: «Claro que gosto! «É a nossa maior poetisa!». Parafraseando o autor de Senhora da Noite, também eu poderia dizer de Pitta: «Claro que gosto! É o nosso pior analista político! «Sem a estupidez dos penedos, que seria do nosso espírito?»
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13.5.11
DESLIGANÇO
O sistema "blogger", por sua livre iniciativa, decidiu parar isto e varrer o derradeiro post. Também não interessava nada como, provavelmente, nenhum interessa. Desde o "apagão" até ao momento em que escrevo nada de extraordinário parece ter-se passado. No ecrã estão Passos e Portas que deviam estar juntos, há muito, em lista única (como sempre defendi) alargada a outras entidades. O resultado de não estarem tem sido evidenciado nas sondagens. Seja o que for que aparecer no "5 de Junho" será sempre, no mínimo, um sarilho. E será, então, tempo de vindimas para jornalistas e comentadores que puxam, sem vergonha alguma e às claras, aliás, pelo dito sarilho. Talvez o "blogger" tenha razão como na tropa o material sempre tinha. Mais vale estar "desligado".
Adenda: Afinal, recuperou-se o post, o imediatamente antes deste.
Adenda: Afinal, recuperou-se o post, o imediatamente antes deste.
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28.4.11
UMA CONVERSA

Com a Carla Quevedo, a Ana Cristina Leonardo, mas seguramente também com Sena e Magalhães Godinho, as eleições, os candidatos, os jornalistas, o dr. Pacheco, a troika, a Europa, a ruína, etc., etc., hoje, dia 28, pelas 19, na Almedina do Atrium Saldanha. A Carla pediu uma apresentação e lembrei-me - foi o Medeiros quem primeiro a evocou - da Marquise de Mertreuil, do Laclos: je suis mon ouvrage. É qualquer coisa como isto, na terceira pessoa. «Pessoalmente, nada do que possa dizer sobre si mesmo tem a menor relevância cósmica pelo que segue o lema do escritor e ensaísta norte-americano Gore Vidal: “I am not my own subject”. Publicamente, afirma-se próximo de um vago anarquismo de direita (uma coisa que não existe), considera o Papa a figura mundial mais interessante e estimulante dos nossos tempos, não descortina grandeza nas elites portuguesas contemporâneas, desconfia do chamado meio cultural português que considera uma falácia, admira dois ou três autores de língua portuguesa, a maior parte deles mortos, é ferozmente contra o acordo ortográfico, despreza comentadores que transformam pessoas e casos insignificantes em acontecimentos nacionais a começar por eles, odeia futebol e demais derivados pelo que deve ser dos poucos portugueses que nunca leu um jornal desportivo – nem mesmo A Bola que, dizem, era um modelo de jornalismo escrito quando era viva -, não tem o menor temor reverencial pelo jornalismo pátrio, sempre pronto a vender-se a quem pagar melhor, desconfia do humano que é quem mais coloca em causa a dignidade humana, em suma, e para citar o já referido Jorge de Sena – de quem acaba de publicar-se as chamadas “intervenções políticas” e afins entre 1959 e 1978, ano da sua morte precoce -, mantém o desejo secreto de permanentemente «exprimir o que entende ser a dignidade humana – uma fidelidade integral à responsabilidade de estarmos no mundo», uma «fidelidade à desconfiança e ao doloroso desprendimento com que tudo deve ser considerado.» Apareçam.
10.3.11
UM CONSELHO
«Apelando à sublevação popular no discurso de tomada de posse, o Presidente da República pôs ontem termo ao regular funcionamento das instituições?» Um conselho, Eduardo. Fique definitivamente pela poesia, pelos contos e pelo romance. Deixe essas figuras tristes para as figuras menores do regime socrático, para os soldados-rasos e para os capachos acéfalos do chefe, alguns seus "amigos" de circunstância (e eu sei do que falo quando falo de amigos de circunstância). Fica-lhe mal querer ser mais papista que o papa César ou que o papa Assis. É que eles, afinal, acabam sempre por dispensar os ornamentos intelectuais quando debandam. Vai ver.
29.1.11
1.1.11
O CREPÚSCULO DOS LOUVAMINHEIROS

E eu a pensar que pelo menos uma destas duas criaturas (a que cita) apreciava ser "bem fodida" pelo Sócrates. Por isso, queixa-se de quê ou de quem? Parabéns à prima.
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28.12.10
26.11.10
CONTENTISMO PROFISSIONAL
Em que mundo vive esta alma penada da "esquerda moderna", sempre parolamente atenta à «expressão de superioridade satisfeita de que tem os paraísos por sua conta» (J. de Sena)?
25.11.10
REALISMO IRONISTA

Até o Medeiros Ferreira já trocou o "país de eventos" pelo "país de telenovelas" em que isto tudo se tornou. O que só abona o seu realismo ironista, algo que nos faz tanta falta como o dinheiro, um De Gaulle ou um Mitterrand. Isto trinta e cinco anos depois do 25 de Novembro.
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