12.7.12

Duas recomendações e um facto


 


Um livro que é uma conferência, uma conferência que fez os bonzos rosnar de "indignação". Regras para o Parque Humano, de Peter Sloterdijk (Angelus Novus). Duas recomendações tiradas de lá em tempos de circo doméstico superficial que é único que os frouxos, lamentavelmente secundados por meia dúzia de formas de vida inteligente, conseguem perpetrar. «O humanista devia cortar com o hábito da própria bestialidade potencial e distanciar-se da escalada desumanizadora da vociferante matilha do espectáculo.» Para os falsamente distraídos, em democracia as coisas da política são escrutinadas politicamente e em liberdade absoluta de consciência e de expressão. As coisas que não são da política, como, por exemplo, a difamação (crime previsto e punido nos termos da legislação penal), tratam-se noutro lado. E isto não é uma recomendação. É um facto.

3 comentários:

Carlos Vidal disse...

Post errado e ilegível. Fala-se em difamação, deve estar a acusar-se não sei quem. Portanto, post errado e cifrado. Aquele a quem a coisa se dirige deve saber identificá-la (o PSD faz mal, todo o bloco central faz muito mal, lá militar ou simpatizar apenas não é coisa recomendável). Depois, há aqui algo que me incomoda. Chamar bonzo a Habermas (que não é meu filósofo de cabeceira, longe disso) parece-me ... pouco decente. Quanto à conferência de Sloterdijk (que li há muito na Siruela, logo que saiu), é um ataque fortíssimo, na senda de Heidegger, ao humanismo. E não é isso que o post dá a entender. E depois aquela do bonzo... Habermas, bonzo... E a da difamação é para quem? (Bom, pouco interessa.)

João Gonçalves disse...

Tem razão, Carlos, mas apenas quanto ao Habermas que, aliás, está excepcionado no primeiro post sobre o livro (está no arquivo de que tanta gente gosta). Quanto ao resto, é mesmo o resto que é tudo. Abraço.

Carlos Vidal disse...

Certo, começo a compreender o post, mas estávamos a ir por duas vias diferentes: o meu caro está a distinguir política de difamação (sem que eu saiba se se refere a algo em concreto, mas, como eu disse, não será isso que me interessa por agora); eu estava a tentar discutir o livrinho do Sloterdijk que sublinha precisamente o fracasso do humanismo em "cortar com o hábito da própria bestialidade potencial e distanciar-se da escalada desumanizadora da vociferante matilha do espectáculo". O livro visa o fracasso do humanismo no que o autor chama de "amansar da espécie". E vai por caminhos perigosos (daí o seu interesse e a oposição de Habermas), como as novas hipóteses "antropotécnicas", coisa não desenvolvida em profundidade numa pequena conferência. Mesmo quando se suspeita que há ali algo de "estranho" não podemos não ficar interessados ("fascinados" não, dado que a fascinação não deve fazer parte de uma reacção perante um enunciado filosófico, embora a matéria de que trata possa ser "fascinante") não podemos não ficar interessados perante os enunciados do Sloterdijk. Abraço, cv