«Perante o estado de avanço do Acordo Ortográfico, não reconhece que combatê-lo hoje em dia é uma luta quixotesca?
Eu acho que quixotesco é pretender aplicá-lo, porque envolve uma dose de irrealismo, fantasia e inviabilidade, só comparáveis com os do fidalgo da Mancha.
Porém, já está a ser aplicado por editoras e órgãos de comunicação, sem grandes dramas...
Está por uns e não está por outros. Os dramas são os dos professores, dos responsáveis pela educação, dos próprios alunos. E vão agravar-se.
Sendo obrigatória a aplicação do Acordo Ortográfico nos serviços do Estado desde Janeiro último, classifica a sua recusa em aplicá-lo no CCB como uma desobediência perante o Estado? Que reacções recebeu do governo a esse respeito?
O que é impossível não pode ser obrigatório. Era e é o caso. Não se tratou de desobediência, mas de inviabilidade verificada no caso concreto.
Voltando atrás: tem sido viável a diversos níveis. Porquê inviável?
Não, o que está a ser aplicado não é o acordo. É um vocabulário que não corresponde às exigências do próprio acordo e não foi elaborado de acordo com ele.»
Adenda: No livrinho que estou a ler - Temperamentos Filosóficos, de Peter Sloterdijk, do Grupo Almedina, antigas Edições 70, esta frase: «Na sua clássica formação escolar, a doutrina de Platão queria transmitir na teoria as instruções para a vida feliz; era, na verdadeira aceção do termo, uma religião do pensamento que se julgava capaz de unir investigação e edificação sob um só teto.» Se fossem mamar na teta da vaca!
3 comentários:
Cabe perguntar por que motivo comprou um livro mal escrito. Se cedermos, eles ganham.
Cada vez admiro mais este Grande Senhor da cultura e da política. A imposição da aberração ortográfica aos professores e alunos é, para quem ama a sua língua e a sua pátria, uma violência extrema. Tive há pouco de apreciar manuais escolares para o 12ºano e é indescritível o vómito que senti ao ler poesia camoniana e pessoana mutiladas pela corja de imbecis que cozinhou "isto". Com é possível que nos forcem a parecer ignorantes e a tornar(ainda) mais ignorantes os nossos jovens? É também por isto que vou descrendo de vir a ter um país que valha a pena. Se calhar, temos o que merecemos...
A monstruosidade cultural e política do acordês.
Até quando esta féerie staliniana-maçónica para gloríola dos brasis
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