Leio no Expresso um "manifesto" contra a privatização da RTP e em defesa do serviço público de televisão. Uso, aliás, os termos do dito "manifesto". Os subscritores são, evidentemente, pessoas respeitáveis, uma ou outra, até, minha amiga. Antes de prosseguir, faço uma declaração de interesses: trabalho presentemente com o ministro que tem a tutela chamada técnica sobre a comunicação social pública, a saber, RTP e Lusa onde o Estado é accionista maioritário. Todavia, repito, o que escrevo aqui é escrito a título pessoal e não reflecte, em circunstância alguma, aquela colaboração. Dito isto, o argumentário daquelas respeitáveis criaturas constitui uma falácia e não é inocente a escolha do veículo para o tornar público. Não li em nenhum momento do "manifesto" a menor preocupação com os custos operacionais e financeiros da RTP. A coisa fica-se por, e passo a citar, uma "dimensão financeira dispicienda" na linha da famosa "doutrina Mário Soares", apontada em 2005 na Casa da Música, do Porto, por ocasião da sua terceira candidatura presidencial: "o dinheiro aparece sempre". Sucede que não aparece. Aos subscritores não incomoda que, em 2011, como consta de relatórios públicos da empresa, os custos de grelha tenham sido sido praticamente equivalentes (para menos) aos custos de pessoal. Como o orçamento da RTP está evidenciado no Orçamento de Estado para 2012, deixo de cor duas ou três notas. No ano corrente, 2012, a RTP recebe a título de subvenção estatal 90 milhões de euros, sem IVA, mantém o valor da chamada cobrança para o audiovisual (2,25 € per capita/mês) e o Estado já liquidou no primeiro trimestre a dívida de médio e longo prazo da empresa (344,5 milhões de euros). Quando o Governo quer reduzir os custos operacionais e financeiros da RTP para cerca de 150 a 180 milhões de euros a partir de 2013, quer com isso dizer que aqueles valores são um "problema" no contexto geral de um país assistido internacionalmente embora isso não interesse nada à "ideologia" do "manifesto". Só assim a RTP se poderá manter e não em permanente estado de elefantíase autofágica e endogâmica onde não se pode mudar nada, e em que tudo deve ficar na mesma, independentemente dos governos que veriam passar os comboios. Os subscritores parecem ser adeptos desta "teoria" pois decerto não ignoram que em nenhum momento se pretende colocar em causa o serviço público de televisão, seja através de um canal generalista da RTP, seja pela concessão de conteúdos de serviço público a operadores privados. Conhecem porventura os crédulos subscritores a estrutura da RTP, as suas direcções, os seus centros regionais, a sua rádio ou o seu parque automóvel? Ou acham que tudo se reduz a accionar o comando remoto da televisão, sentadinhos no sofá, e que o que "compromete o futuro da empresa" é pensar em como resolver (e resolver efectivamente e não retoricamente) aqueles nós cegos para garantir um serviço público de televisão para um cidadão ou para dez milhões deles, e não para o mandarinato habitual do regime?
7 comentários:
Está na hora de fechar esse sorvedouro de dinheiro público!
Serviço publico? Onde? Desde quando? Não passa duma televisãozeca, em nada melhor que os outros operadores privados.
Como se diz por estes lados, quem não tem dinheiro, não tem vícios!
o uso do vocábulo respeitável não tem nada a ver com 'chafaricas'?
tal como o jerónimo do pc gostam de «meter a foice em seara alheia». dava-lhes uma martelada nos ......
Irmão
dia 15 vou de férias para uma zona de 'silêncio' no Alto Douro (casa emprestada).
deixo os 'enlatados' agendados para os vários dias.
na 6ªf 20 terá 'the song of the Nibelungs'
Não consigo ler tanta coisa caralho
Vindo do espesso, não se pode esperar outra coisa. O tio Balsemão não gosta nada de concorrência (publicidade, claro) e como o império já não é o que era, tem tantos buracos como os campos de golf, nada melhor do que relembrar aquele velho adágio: «Quem Desdenha quer Comprar»... barato, muito baratinho! ;)
Não li em nenhum momento do "manifesto" a menor preocupação com os custos operacionais e financeiros da RTP.
Pois não, nem podia ler.
Acontece que alguns (muitos) dos ilustres subscritores mamam exactamente naquela teta.
Quem é que deita fora o prato onde come a sopa que lhe dão?
De qualque modo mantenho a minha, nem este Governo nem nenhum conseguirão abater aquele mastondonte branco.
Caro JG a taxa de audiovisual não é per capita , mas sim por cada contador da EDP, o que significa que o valor ainda é superior ao que pensamos.
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