2.7.12

Da humanidade


 


À medida que o tempo passa (três anos), sinto mais falta do meu cão - daquele em concreto e não de qualquer outro-, razão pela qual talvez nunca o tenha substituído. E também constato que é mais fácil substituir pessoas do que cães uma vez que a "humanidade" do cão é mais densa que a "humanidade" dita humana. Isto escrito por um católico não parece bem mas Cristo nunca hesitou na espada quando a espada era mais precisa que a paz. Razão, pois, a Diógenes de Laércio na morte de Aristóteles: «Ó meus amigos, não há amigo.»

8 comentários:

Passaroco disse...

Só tenho gatos, gostava de um dia ainda ter um burro e um cão, se vier a resistir ao inevitável desaparecimento da minha Agustina e do meu Manchita, da Kali e da Glória, que são gatos humanos quase como cães, apenas um pouco mais indomáveis e domesticamente selvagens, independentes..
Como entendo, apesar de nunca ter tido cães.
No entanto, julgo que há sempre animais ( e tantos ) a necessitar de um dono responsável e dedicado ( a forma única de nos relaccionamos com eles ) e que sendo insubstituíveis, todos são únicos no seu carácter de nossos amigos e companheiros, cúmplices inseparáveis...
Muitas saudações, e os melhores votos desde junto do Mondego!...

cumprir-seportugal disse...

eu não me esqueço do dia da morte do seu bruno negro. pela simplicíssima razão de que havendo eu ochôa , dono de cadelo mirita , maria maronita , lhe haver dado comment a post seu João Gonçalves com as palavras de nietzsche :«sei o que é ser amado desde que tenho um cão.» pois foi da única vez que o joão sempre tão reservado nas emoções me enviou mail ou email a agradecer. que foi porque as palavras de nietzsche o tocaram.
«também eu amanhã morrerei, melhor Amiga, disto aqui. então nos abraçará o nada que é tudo, o Deus de Amor.» isto entre aspas é para minha mirita que conta 13 anos o que dá aproximadamente a minha idade de 67.

karocha disse...

JG

Arranje um cão , mesmo que abandonado!!!

jct disse...

“E também constato que é mais fácil substituir pessoas do que cães uma vez que a "humanidade" do cão é mais densa que a "humanidade" dita humana.”

Pois é
- o CÃO tem q ser ALIMENTADO, TRATADO ACARINHADO, COMPREENDIDO e, ele reconhecerá essa atitude até à morte, logo a "humanidade" do cão se tornar mais densaque a "humanidade" dita humana …
porque o ser humano por vezes é considerado AMIGO por interesse …
sendo q é em situações LIMITE e ADVERSAS q as pessoas, e os animais acabam sabendo, o q é um verdadeiro AMIGO

Para além do cão q tive na infância, da mesna raça “LABRADOR”, q espectacularmente se apercebia q eu já ñ via bem, desviando-me para o caminho correcto, já tratei de 2 CÃES abandonados e, um deles tinha sido atropelado. Depois de recuperados foram MARAVILHOSOS, os momentos vividos com esses animais pq nos sabem retribuir CARINHOSAMENTE e de forma espectacularmente inteligente …
Penso em voltar a ter um LABRADOR, mas como cão GUIA …
Dai eu voltar a dizer
… a AMIZADE é um tipo de sentimento q mesmo q termine, a marca jamais desaparece …
Depois
Só se desilude quem se ilude …

Vasco disse...

Eu não tenho dúvidas nenhumas: a história dos cães é a história da humanidade - sem cães nunca teria havido civilizações.

ana disse...

É complicado... mais existem cada vez mais animais abandonados em Portugal, se puder adopte um cão.
Obrigado.

Não consigo entender como se deixa na rua um "membro da família" que nos ama incondicionalmente...

Isabel de Deus disse...

Também eu me lembro de ter comentado a morte do seu amigo de quatro patas. É formidável a marca que os animais que amamos deixam em nós, quando temos a sensibilidade necessária ao reconhecimento do que eles, de facto SÃO. Julgo até que são mais do que conseguimos vislumbrar ou entender. Em criança, dizia à catequista que era impossível eles não terem alma. Continuo a pensar assim. Que graça teria acreditar num paraíso sem outros animais que não os seres humanos, logo os mais capazes de crueldade...
Tive, nos últimos vinte anos, duas gatas e uma cadelita, a última a morrer há cerca de um mês. Todas eram únicas, são, afinal, indivíduos...Contudo, eu que sempre pensei não voltar a ter animais para não voltar a sofrer por eles, senti que a tristeza profunda que se abatia sobre uma casa (a minha) tornada vazia como se ela própria tivesse morrido, no imobilismo dos objectos, no silêncio absoluto que se instalara, só poderia atenuar-se com um novo investimento afectivo.
E foi assim que comecei a procurar nos jardins, nos sites, na pet shop junto a minha casa, o novo gato (sou, essencialmente, uma cat person). Reconheci-o como se reconhece um enamoramento e brinca agora por toda a casa, onde nunca mais nada ficou parado. Não mata as saudades que tenho dos meus ausentes, humanos, felinos ou canídeos. Mas voltei a rir, a preocupar-me loucamente com o bem-estar da criaturinha de pouco mais de um quilo, que aquece, acompanha, reconhece, desafia, em suma, encanta. Talvez também o Dr. João Gonçalves também possa um dia, aliviar esse seu luto e, claro, já vimos que não são os humanos a curar seja quem for, quando o luto é fundo e prolongado.

v disse...

http://www.americanscientist.org/issues/id.15294,y.0,no.,content.true,page.1,css.print/issue.aspx