
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura vai homenagear o arquitecto Nuno Teotónio Pereira por, entre outros aspectos, «a estatura ética e criativa de Nuno Teotónio Pereira representa[rem] uma lição de humanidade para todos nós e uma luz oportuníssima para pensar o lugar e o modo da arquitectura reinscrever-se no presente e no futuro.» Como se lê na notícia do Público, «a acta do júri do Prémio Árvore da Vida recorda ainda “uma história curiosa, que atesta bem como a arte e a dimensão moral do percurso de Nuno Teotónio Pereira se conjugam para constituir uma fecunda árvore da vida”: foi enquanto estava preso por razões políticas (o arquitecto esteve detido três vezes, entre 1967 e 1974), na prisão de Caxias, que Teotónio Pereira desenhou o sacrário da Igreja do Coração de Jesus», no quadro de uma relação com o catolicismo, através do MRAR, «do qual Teotónio Pereira foi o primeiro presidente e do qual faziam parte, entre outros, artistas como José Escada, Jorge Vieira, Cargaleiro, Madalena Cabral ou Eduardo Nery, e arquitectos como Nuno Portas, Luís Cunha, Diogo Lino Pimentel ou Formosinho Sanches. O MRAR, que se definia como “uma comunidade católica de artistas, com o fim genérico de promover, em todos os domínios da arte religiosa, o encontro de uma verdadeira criação artística com as exigências do espírito cristão”, dinamizou uma série de projectos na arquitectura, pintura e escultura, que procuravam também traduzir uma nova linguagem religiosa e uma nova conceptualização formal do espaço litúrgico. Nesta área, a obra maior de Teotónio Pereira é a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa.» Já tinha chamado aqui a atenção, via José Paulo Fafe, para a situação da saúde de Teotónio Pereira e para a sua precária condição económica. Depois do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, com este belo gesto simbólico, espera-se um mais decisivo da Secretaria de Estado da Cultura. Quando se pensa nos dinheiros e pendões que se atribuem a uma data de gente que, há anos, recebem prebendas do que foi o Ministério da Cultura e é hoje a SEC – basta ir ao Diário da República e recorrentemente lá vêm as listas dos beneficiários, alguns deles sem necessidade nenhuma porque juntam às duas e três fontes de receita – talvez conviesse atentar nisto. Algumas, cada vez menos, pessoas são elas mesmas parte de um património especial que vai desaparecendo, o da memória. Este homem parece-me ser o caso.
2 comentários:
Apenas uma correcção-é que não existe Secretaria de Estado da Cultura!
Um grande bem haja ao P. Tolentino Mendonça por mais uma sábia decisão.
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