No "facebook" de Rita Ferro encontro esta entrada: «Lembrava-me hoje a Isabel da existência de pessoas «sem retorno» e da friagem que nos causam. E o que são pessoas «sem retorno»? Confiramos: são as que nos entusiasmam, empolgam ou apaixonam de tal forma que nos mobilizam no sentido de desenvolver com elas um qualquer laço convivial. Ao fim de alguns esforços e investimento revelam-se uma decepção: não têm nada para dar em troca, ficam aquém das expectativas, deixam morrer todas as esperanças, transmitem-nos uma sensação de falência, e, pior, de ridículo - já te aconteceu ou é sempre culpa das expectativas?» Gilles Deleuze, no seu livrinho fundamental sobre Proust (Proust et les signes), escreve a dada altura que "a amizade não estabelece mais do que falsas comunicações, assentes em mal-entendidos, e só abre falsas janelas. É por isso que o amor, mais lúcido, renuncia por princípio a qualquer comunicação. As nossas únicas janelas, as nossas únicas portas são todas espirituais: só existe intersubjectividade artística. Apenas a arte nos dá aquilo que esperaríamos em vão de um amigo, aquilo que teríamos esperado em vão de um ser amado." O resto é o Proust propriamente dito e a friagem das pessoas sem retorno.
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