24.7.12

Um limbo


 


Quando entrei na universidade, a Católica, depois de meia dúzia de exames escritos sobre história, filosofia e português se bem me lembro, as faculdades públicas recuperavam lentamente do desvario do PREC. Em Direito, por exemplo, os exames orais chegavam a realizar-se num sofá onde, ao mesmo tempo, se sentavam três ou quatro alunos que iam sendo interrogados à vez. A Católica acolheu, por isso e por outras coisas, muitos dos professores estupidamente expulsos da cátedra, ou mal aproveitados, por causa da política et al, o que me deu o privilégio - a mim e a centenas de pessoas - de ter aulas com Vasco Pulido Valente, Jorge Miranda, António Luciano Pacheco de Sousa Franco, Mário Júlio de Almeida Costa, Jorge Borges de Macedo, João de Matos Antunes Varela, Francisco Lucas Pires, Carlos Mota Pinto, Pedro Soares Martinez, Maria da Glória Garcia, a nova reitora da UCP, Manuel Cavaleiro Ferreira, Mário Bigotte Chorão, António Castanheira Neves, Maria dos Prazeres Beleza, etc., etc. Mais. Muitos dos nomes que citei não apenas garantiam as chamadas aulas teóricas como davam as aulas práticas. Para além das "públicas" e do estado delas, praticamente só havia a Católica e, depois, a Livre que rapidamente se dividiu em facções. Com o tempo e os costumes, abriram-se vários estabelecimentos de "ensino superior" e a própria Católica começou a oferecer extravagâncias que nada tinham a ver com a sua matriz original. Entretanto, para os vários "departamentos" desses novos estabelecimentos foram sendo convidados nomes (mais do que "professores" propriamente ditos) que "emprestavam" os referidos nomes (a notoridedade ou "reputação", como há dias notei aqui, adquire-se nas novas mesas de café que são as tribunas partidárias ou televisivas) aos departamentos. Nalguns casos os nomes coincidiram com uma carreira académica normal, feita de acordo com os concursos públicos exigidos para o efeito, noutros não. Não será este último caso o dos directores de uma das faculdades de uma universidade ultimamente muito em voga que decidiram colocar "os cargos à disposição". Todavia não deixa de ser curioso que tenham escolhido este momento para o fazer. Até agora, e dentro da dita universidade, o que é que afinal dirigiam? Um limbo?

2 comentários:

Respeitinho disse...

Respeitinho, Dr. João Gonçalves. Respeitinho. Não se meta nesse assunto que é sórdido.

observador disse...

há dias expliquei-lhe a situação, essa faculdade incluída, em moldes que não foram do seu agrado, e tudo bem.

Mas pondo a questão em termos muito simples, a malta confunde ensino com o que vê nas escolas(?) dos Morangos com Açúcar com a realidade.
Com esta confusão tudo é possível.

Por exemplo, é uma ladainha mui comum, dizer "os alunos chegam como muitas deficiências, não sabem escrever Português, etc"

Dado que não vejo nenhuma hecatombe de chumbos nas Faculdades, das duas uma:
- ou os alunos recuperam que é uma alegria;
- ou, os prof's entram numa de facilitismo, limbatico.
- ou as coisas não são assim, mas fica bem dizer isso..- (situação PC>)

Outro limbo, é a média de entrada em Medicina, com falta de Médicos ....