
Uma noite destas, quase a tremelicar, um amigo veio falar-me da "coerência" da deputada Isabel Moreira. No sábado chegou-me outro sinal. O Expresso, na sua coluna dos ídolos e não ídolos da semana, colocava a dita deputada no primeiro lugar dos "altos". Alguma "coerência" decerto haveria entre o transporte do meu amigo e a nota do hebdomadário. Fui ver. Percebi então que Isabel Moreira, num primeiro momento, fez uma intervenção parlamentar contra o primeiro-ministro inteiramente concordante, a contrario, com as louvaminhices "modernaças" com que bajulava Sócrates. Coerente, portanto. Depois, Moreira absteve-se num voto de pesar do Parlamento pela morte de José Hermano Saraiva. Aí a pungente "coerência" foi ainda maior. Basta consultar o livrinho da foto para a entender. Saraiva e o pai de Isabel Moreira foram contemporâneos numa coisa chamada Instituto Superior de Estudos Utramarinos onde Adriano era director antes de ter sido sucessivamente subsecretário de Estado da Administração Ultramarina e ministro do Ultramar. Vitorino Magalhães Godinho que, diferentemente dos dois, foi um oposicionista ao regime do Estado Novo, dava aulas no Instituto e acabou demitido por delito de opinião. Em tribunal, Godinho protestou a sua defesa e, numa das alegações, em dezoito alíneas, procurou responder a esta pergunta singular, por si mesmo formulada, e que Saraiva define como um «vigoroso retrato da acção de Adriano Moreira como professor e como director do Instituto»: «como é que um professor universitário pode desprestigiar a sua função, a escola de que faz parte e desprestigiar-se a si próprio?» (vide páginas 26 a 28). Saraiva acabaria por sair do Instituto pelo seu próprio pé e nas circunstâncias que aponta no livrinho, após o regresso do ex-ministro, a quem o então governador-geral de Angola (general Venâncio Deslandes), também por ele removido, devolveu um louvor por não lhe reconhecer "nível moral para louvar ninguém". Tudo visto e ponderado, Saraiva nunca desmentiu «a admiração que sempre tive pela envergadura deste meu inimigo.» E prossegue. «Escrevo "inimigo" não no sentido puramente poético da «Cara inimiga minha, em cuja mão», do famoso soneto de Camões, mas na acepção profana e plebeia de pessoa que me hostilizava, difama, persegue, desacredita e com a qual a violência de confrontos não desejados provocou um inevitável corte de relações, que parece ter sido para toda a vida.» Foi. Isabel Moreira, na sua comovente "coerência", confirmou-a.
7 comentários:
José Hermano Saraiva e Adriano Moreira toda a gente sabe quem foram e que percusos tiveram na política e fora dela.
Ora eu só sei que Isabel Moreira é filha de.
Como não a conheço talvez o senhor me possa ajudar pois gostava muito de saber como é que se pode chegar a deputado.
Tenho o 5º ano liceal, impostos em dia e sei línguas.
Chegará?
Através deste texto e de outros intertextos acabo de entender muita coisa! Durante anos, admirei Afriano Moreira, mas não encontro explicação para o seu último livro! Certa vez, numa gala do Campo Pequeno, estava lá o Professor Adriano Moreira e o Senhor Engenheiro Soisa Veloso. Como admirava os dois e o Professor Afriano Moreira tinha sido Professor do meu Pai no ISCSP (mas é interessante, porque o meu Pai sempre que eu puxava pelo assunto, nunca demonstrou grande admiração e eu considerava estranho...:), na Escola Colonial, fui ter com os dois. Só lhe digo: a reacção do Senhor Engenheiro Sousa Veloso foi comovente, de Um Senhor, de Uma Alma Pura, já a do Professor Adriano Moreira desiludiu-me. Mas admiro Isabel Moreira por uma circunstância: por ter assumido, publicamente, sofrer de fobia social, o que não é para todos, ainda para mais para quem sofre dessa patologia psicológica, e por não permitir que a mesma lhe incapacite a vida, e por ter publicado um livro sobre o tema!
Já o filho de Freitas do Amaral (persona que, para mim, a par de Basílio Horta, tb se revelou tb sui generis na coerência...:), afinal, publicou um livro tb muito sui generis sobre o Verão Quente de 75- e faço uma pergunta similar à do Fado Alexandrino- como é que tanta gente com poder, que tem todos os filhos sempre muito bem colocados, mal acabam uma licenciatura (muitos nem a têm...:) tem a lata de implicar com Miguel Relvas? É que a matriz é a mesma ou até pior pois não assumida! Se se fizesse um estudo estatístico a sério sobre todos os sobrenomes que se repetem em vários segmentos dos media, em grandes empresas, nas universidades, o que se poderia concluir?
Querem exempla? Há tantos em tantas áreas: Maestro Vitorino de Almeida: Inês de Medeiros; Professor Adriano Moreira: Isabel Moreira; Carlos Alberto Moniz: ambas as Filhas lançadas na ficção e na canção; Carlos Mendes: Filho e ex-mulher na tv...Alguns terão talento, mas tantos? E nas grandes empresas? Ui!
E, ainda no âmbito do "Portugal dos Pequeninos", assisti, como muitas outras pessoas (os oradores, alguns estupefactos) e demais audiência a uma vereadora da cultura assumir que tinha o posto porque era amiga do filho do Presidente da Câmara- mas como é que alguém tem esta lata? E, por falar em tráfico de influências, tantas no poder local- sei de uma filha de um amigo do então Presidente da Câmara também com um cargo elevadíssimo que disso se gabava alto e bom som, para além de outras situações escabrosas tb verificadas in loco! Isto não é uma matriz sociocultural? Claro que é! E gente que se indigna publicamente com a situação de Miguel Relvas, beneficia de cargos bem elevados às custa de sobrenomes, de amizades reticulares, assim como de outros esquemas imorais! E o que dizer dos concursos externos de câmaras, que mais não são do que um embiuste perante todos os que pensam lá ficar e perdem semanas a estudar e um dia a fazer um teste, quando, de facto, estão perante concursos internos, feitos à medida de alguém, como num alfaiate? Isto é Ético? É que não só o não é pela circunstância em si, como pelo facto de se ludibriarem expectativas legítimas de milhares de pessoas, para além de se desperdiçarem horas de produtividade de tanta gente e até recursos, incluindo o papel! Certo dia, apresentei um projecto a uma Câmara, inspirado num objecto que me tinham oferecido vindo de outras paragens; ora o regulamento dizia que todos os autores seriam contactados se o projecto fosse posto em prática. Qual é o meu espanto ao ver que o projecto tinha sido aplicado, nesse Verão, nas praias e não recebera algo que fosse da Câmara em questão, num total desrespeito para com o regulamento e mais: todos tínhamos de enviar um desenho do projecto e nas actas todos os outros lá estavam, menos o que apresentei, apenas lá consta a sinopse! E quando reclamei, a resposta foi que o mesmo, por coincidência, estava a ser desenvolvido internamente na Câmara. Por coincidência, tb, usaram o título de um trabalho académico registado que fiz sobre o concelho entregue a uma alta responsável como slogan de um evento (nem me dei ao trabalho de reclamar- para quê? Se o outro m.o. foi tão óbvio!) E mais exempla tenho! Enfim, deveriam é ter todos vergonha na cara e comprarem um espelho, nomeadamente, uma Directora de uma Escola Privada que criou uma actividade extra-curricular- a de teatro- e uma disciplina- a de Filosofia para Crianças- para lá colocar o filho que, então, nem habilitações tinha para leccionar (para o teatro tinha jeito, tinha, mas há actores com um cv bem extenso no desemprego e o imberbe lá estava) ! E tantos professores de Filosofia no desemprego e com a profissionalização feita! E o mais interessante- é que a Escola tem a política de contratar, tendencialmente, ex-alunos! Mas o que é isto senão um sistema entrópico e endogâmico corporativista?
Pois a mesma Escola, depois de uma guerrilha emocional e até de ofensas ignóbeis, num total desrespeito pela Vida de uma Criança, só me deu acesso ao processo de matrícula da minha Filha no dia 20 de Junho de 2010 (2 dias antes do final das matrículas, pois queriam pressionar-me a colocar a minha Filha ou num Colégio particular ou numa escola sita num ranking muito abaixo mesmo à frente da Escola Particular, a que muitos chamavam a sua extensão....), quando todos os outros encarregados de educação o receberam no dia 9 de Junho de 2010! Fiz uma queixa no Ministério da Educação e sabe em que se baseou a inspecção? O inspector limitou-se a telefonar à Directora da Escola e ela negou o facto, quando o próprio inspector tinha um email comporovativo da irregularidade! Enfim, isto é, no mínimo risível, se não fosse trágico, pois no meio destes jogos estão Vidas desprezadas e vilmente ofendidas e humilhadas!
Ok! temos aqui um momento de crónica social histórica, de que a História também é feita, para além inevitável luta de classes.
Mas se uma pessoa é Professora de Direito Constitucional é bom que aja de modo a ser respeitada pelos alunos, visto que eles, num teste ou exame, não poderão recorrer para o Tribunal Constitucional para ser reposta a justeza duma resposta mal classificada.
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Fado Alexandrino, se o 5ºano do liceu foi feito antes de 1974, isso dá-lhe estofo para ser presidente da república, 1º ministro e secretário geral da ONU. Quem tenha feito a 4ª classe até à referida data, possui mais conhecimentos do que a maioria dos doutores que vê na tv.
Cara Isabel Metello
sobre esse livro do Domingos Amaral leia, com gozo e proveito, o que vem abundantemente escrito no Malomil... é digno de ser publicitado (o escrito, não o livro)
http://malomil.blogspot.pt/
BOA!!!! É isso mesmo!
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