26.7.12

O fardo

O Estado vendeu um dos grandes monumentos ao desvario das últimas duas décadas, o pavilhão Atlântico. De facto, 1998, ali para os lados do oriente lisboeta, foi o ano de todas as festas e festanças - os galhofeiros que acreditam piamente que o dinheiro aparece sempre chamam-lhes "eventos" -, desde a expo propriamente dita até à inesquecível abertura da ponte Vasco da Gama, com o regime todo (do Presidente à oposição) a atravessá-la em autocarros tão abertos como os sorrisos inconsequentes. A este espectáculo deprimente e oficioso seguiu-se um enorme picnicão em cima da dita ponte para o "povo" provar um módico da "modernidade" guterrista e, depois, lavar a loiça com Fairy. Há mais tralha para vender e nada disso tem a ver com colocar em causa funções essenciais do Estado ou a sua soberania na ordem interna. O problema esteve sempre em "carregar" para o Estado, logo para os contribuintes, coisas (materiais ou imateriais, imóveis ou contratos) que apenas a ideologia, a idiotice e o negocismo puro justificam que tivessem sido carregadas. Libertar os cidadãos deste fardo custa politicamente. Mas custará muito mais mantê-lo.

6 comentários:

fado alexandrino disse...

Assunção Cristas deu um belo bailarico ao locutor de serviço na TVI que ia todo empertigado e apostado em entalá-la.

edgar disse...

Até concordaria se fosse verdade e o governo vendesse o que é "tralha", mas o que normalmente acontece é precisamente o contrário.
Aliás, a ministra esclareceu que o pavilhão era rentável mas o governo tinha decidido vendê-lo.
Engraçado o argumento de chamar "ideologia" à construção do equipamento e não à opção de venda.

Aladdin Sane disse...

Só de pensar nos 3 milhões/mês que nos custa o arrendamento do Campus da Justiça do Parque das Nações...

É bom que se vão vendendo estes... "anacronismos", pois com eles vão-se encargos com gente que por ali se "instalou".

fado alexandrino disse...

o que eu me rio, hoje o Expresso conseguiu ouvir o que a minustra não disse e coloca uma notícia que é uma risota.

LM disse...

Aníbal Cavaco Silva, Cardoso e Cunha, Joaquim Ferreira do Amaral... Dizem-lhe alguma coisa? Se bem me lembro \"o fardo\" começou um pouco antes de 1998. A sua memória selectiva comove-me!

eirinhas disse...

Perfeitamente de acordo JG.Falando,agora,metaforicamente,como alguns dizem que fala o 1º Ministro,sugeria,porque não alugar ou vender o Campo das Cebolas ou o Poente da Praça do Império?