
Quem assitiu às primeiras imagens do "périplo" do senhor vice PM com a senhora ministra das Finanças junto dos prestamistas externos, não deve ter deixado de reparar em dois ou três pormenores interessantes. Com Barroso, Portas e o seu anfitrião sentaram-se primeiro do que Maria Luís no gabinete do primeiro. Já eles trocavam sorridentes impressões quando alguém de lá indicou o lugar à ministra. Depois, cá fora, só Portas falou. Maria Luís estava a seu lado, naturalmente, mas apareceu uns segundos após o vice ter começado a falar com os jornalistas no registo íntimo do "vocês". Talvez isto se perceba. No dia em que a ministra tomava posse, Portas recusava-a demitindo-se por carta. O bluff acabou quando o dr. Passos lhe entregou a coordenação geral política do Executivo. Fê-lo para fora e para dentro. Para fora, através da "coordenação" das relações com a troika o que o obriga - o país, mais do que o dr. Passos, confrontá-lo-á diariamente com isso - a que se comporte como um supra Gaspar. Está obrigado a "cumprir" o que foi dizendo, escrevendo e exigindo até Gaspar se afastar: reajustar o programa de "ajustamento", "requalificar" métodos e metas e, eventualmente, renegociar o fundo da questão, dívida e alcance do défice. Simultaneamente, e como também "coordena" a economia, deve compatibilizar politicamente a "parte externa" com o crescimento e a diminuição do desemprego em casa. Já não chega aparecer em meia dúzia de feiras internacionais ao lado de chouriços de porco preto ou de sapatos. Para juntar este complexo "in & out", Portas precisa ter mão na chamada "coordenação política" doméstica. Cela va de soi. Decerto porá um termo aos absurdos briefings do dr. Lomba e do prof. Maduro e tratará de garantir que ambos não se afastem muito do "desenvolvimento regional" que consta dos respectivos títulos governamentais. Aposto que não aceita menos do que Marques Guedes para o efeito e não se fala mais nisso. Tudo visto e ponderado, o que o senhor vice PM nos quis transmitir de Bruxelas - e amanhã ou depois de Washington - é que, como tanta gente, também ele já não tem mais começos. Agora não pode falhar.
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