2.9.13

Do "elevado interesse público"

 




Durante cerca de dois anos, os últimos, acreditei absurdamente que poderia ajudar algumas pessoas "com influência" na política. E. dentro desta, no poder circunstancial dessas pessoas para "fazer" alguma coisa. Noutra escala, convidei (ou sugeri que convidassem) duas ou três pessoas para outras coisas. Salvo uma, elas lá estão todas contentes a fazer essas coisas. E eu regressei para, por um lado empobrecer sob vários "pontos de vista" e, por outro, para fazer coisas relativamente às quais não tenho a mais remota recordação. Há pior. Há quem tenha andado ao mesmo e quando tudo precipitadamente acabou foi forçado a ir a correr ao centro de emprego para a competente inscrição no "fundo". Ou nem isso. Mais do que a Constituição não lhes ter servido para nada, como ontem avisadamente lembrou o senhor PM, o serviço político de "elevado interesse público" (na circunstância directa ou indirectamente ao serviço dele), ainda lhes serviu para menos. Estou a falar de gente com diferenças substanciais de idade e de, como agora se diz, "competências" e biografias. Por isso, amigo leitor, se alguma vez o convidarem para se imolar no altar da pátria, pense três vezes se não tiver "amigos" e a isto juntar um estilo pimpão ou um insuportável mau feitio que não vai com o respeitinho. Pense pelo seu passado, presente e futuro e, sobretudo, pela sua saúde. No futuro menos, todavia, porque como notava com propriedade John Maynard Keynes, aí estaremos todos infamemente mortos.

5 comentários:

Simon disse...

Desculpe (se esta verdade ofende) que lhe diga, mas o senhor foi mais que ingénuo, foi parvo. Este blog esteve insuportável uns tempos, e tive de o abandonar. Parece que voltei em boa hora.

Jorge Diniz disse...

Eu também fui parvo,... muito, aliás!

Será (obviamente, a parvoíce) o preço que se paga por acreditar em valores, e (sobretudo) em regras de conduta (Direito)?

Anónimo disse...

A imposição e o ensino do respeitinho começam bem cedo, nas Universidades onde se formam as «elites», com a praxe académica.

Isabel de Deus disse...

Venho notando, nos seus posts, uma crescente mágoa. Recordo como ajudou, a mim e a muita gente, a tornar suportável a sobrevivência durante o insuportável consulado socrático. E como seguramente considerou poder ser útil numa imprescindível reconstrução nacional. É terrível a decepção que progressivamente se foi instalando em quantos acreditaram neste novo poder, mas para quem de boa fé se dispôs a com ele colaborar, deve raiar o intolerável. Demasiada mediocridade, demasiada hipocrisia, demasiada mesmice...Lamento. Por si, por mim, por todos os cidadãos decentes, a constatação de que "isto" nao tem conserto, pelo menos no que mais importa e que, para citá-lo, vai muito para além da mercearia.

Sérgio de Almeida Correia disse...

Desculpe-me dizê-lo, mas a V. Ex.ª está a pagar pela insolência com que há dois anos olhou para todos os outros que não fossem os da actual camarilha . Isso seria aceitável num palerma, não numa pessoa com a sua inteligência, formação e interesses.

Não tem que se queixar de nada atento o contributo que deu para trazer esta manada até ao pasto.

Estou certo que melhores dias virão e que, se estiver pelos ajustes, a lucidez e distanciamento de análise regressarão aos poucos aos seus posts ".