
No momento em que escrevo, no café, o PM está a discursar em Castelo de Vide. Em directo, apenas o ouço porque o lcd está sobre a mesa em que me sento e não me apetece mudar só para ver o dr. Passos. Deduzo, pela conversa e pelo tom da conversa, que está a improvisar. Não consegue sair da "numerologia" com a qual enfrenta quase em exclusivo a realidade que é por natureza sempre adversa. E, como é recordado na última página do Público por T. S. Eliot, trata-se de uma coisa que a raça humana não pode suportar em doses cavalares. Mas o PM inisiste em falar na "reforma do Estado" como se esta fosse uma realidade e não uma falácia (um termo que ele já usou duas vezes) escondida em termos como "requalificação", "rescisões", "despedimentos" ou "mobilidade". Pessoas, portanto, nunca organizações, o seu funcionamento, o seu controlo interno, a sua eficiência e eficácia. O ominoso princípio da confiança, tutelado pela Constituição, não "entra" na realidade do PM que julga que a "sociedade civil" é um oásis no meio de um conjunto de labregos, geralmente velhos que devem empobrecer até à sepultura, que se impõe "eliminar". O dr. Passos que "elimine" o Estado e deixe a luminosa "sociedade civil" entregue a si mesma e, de novo, a realidade entrar-lhe-á da pior forma na sua cabeça famosamente "liberal". Ora enquanto o dr. Passos revê improvisadamente a realidade para os jovens do PSD, a realidade encarregar-se-á de o rever primeiro.
1 comentário:
Não creio que o Dr. Passos seja um exemplo de saber, cultura e inteligência. Julgo-o fraquinho em tudo.
Mas um coisa ele sabe bem: não lhe interessa a reforma do Estado, não só porque não sabe o que é, como também porque nem o sabe distinguir do Governo.
Por isso, para esta luminária, reformar o Estado é liquidar pessoas, como para mim ir à caça seria dar tiros: pouco importa o que se mata, desde que se mate ou, pelo menos, que se faça Pum Pum.
Mas meter uma "arma" na mão de irrevogáveis fedelhos foi um crime que o país e este povo expiará com própria vida.
Triste!
Enviar um comentário