Vozes ligadas aos partidos da maioria, como Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix ou Marques Mendes - este ainda mais insuspeito porque "frequenta" a maioria e o Governo -, criticaram asperamente não apenas a substância mas também a forma escolhidas pelo Governo para tratar a alegada convergência de pensões e a chamada "requalificação" dos trabalhadores públicos. Marques Mendes, aliás, colocou uma questão politicamente relevante. Por menos do que isto, o Governo, pela voz do próprio primeiro-ministro, "explicou-se" ao país e não deixou a coisa por um comunicado e por umas frases soltas proferidas por um secretário de Estado. Ou pelas manchetes dos jornais e das televisões que, evidentemente, "explicam" tudo como entendem. Nalguns casos até prestam um serviço público de esclarecimento que quem de direito não consegue, ou não quer, prestar. Aparentemente o Governo ainda não se deu conta do "alarme" social que isto pode provocar quando, por exemplo, se perceber que os "cortes" (no jargão em vigor, "medidas" equivalem a "cortes" e os "cortes" são as "medidias"), quando nascem, não são para todos (M. Mendes recordou a subvenções "políticas"). Sempre disse que o OE de 2014, de que estas "medidas" fazem parte, é o documento político mais importante que o Governo jamais deu ou dará à luz. Todavia, dá a impressão que trabalha afincadamente para que seja o último.
4 comentários:
Hoje, segundo a televisão, estavam 200 pessoas a comemorar o 1º aniversário da manifestação do meio milhão que quase ia derrubando o Governo. Uma senhora muito espantada dizia "deve ter faltado publicidade".
Estava errada, o que faltou foi pessoas com vontade de irem, seja lá porque motivo for.
E note que os três telejornais da noite abriram todos com A Notícia do ordenado do CR7.
Ainda que de uma maneira enviesada isto é um comentário ao seu post .
«É normal que o líder do CDS, parceiro de coligação, venha discordar publicamente de medidas anunciadas pelo primeiro-ministro dois dias antes, como foi o caso da chamada TSU dos pensionistas?
O Dr. Paulo Portas entendeu que aquele era o limite do CDS, que não o podia passar. Marcou a sua posição, tentou salvaguardar aquilo que achava o limite.
Entende porque foi traçado aí o limite? Porque a medida recai sobre os pensionistas?
Recai sobre os pensionistas quando há ainda muito para cortar.
Onde?
Falta fazer uma reforma do Estado a sério, que ainda não foi feita. É preciso que haja coragem do parlamento para iniciarmos uma reforma do Estado a sério, que inclua a redução do número de deputados, que reduza o número de câmaras, que reduza a máquina do Estado. Isto, hoje em dia, pesa a Portugal e pesa-nos a todos nós, que o sustentamos. A máquina do Estado, neste momento, é insustentável, o número de funcionários públicos é insustentável. Se temos de cortar no número de funcionários públicos, na despesa do Estado, porque não nós, políticos, darmos esse sinal de que é preciso reduzir? Uma boa redução seria começarmos pelo número de deputados na Assembleia da República. Mesmo o número de câmaras municipais. Hoje vejo a Associação Nacional de Municípios muito indignada com a Lei das Finanças Locais. Gostava de os ter visto indignados quando as câmaras começaram a desbaratar dinheiro criando empresas públicas, empregando tudo e mais alguma coisa, fazendo contratos que delapidaram completamente dinheiros públicos e trouxeram também o país a esta situação.»
Miguel Pires da Silva, Presidente da JP
Fonte: http://www.ionline.pt/artigos/portugal/crianca-nao-cresce-num-ambiente-saudavel-dois-pais-ou-duas-maes
A Reforma do Estado não se fez. Os cortes e os despedimentos, entretanto, avançam.
Ainda me recordo dos tempos em que o Doutor Portas defendia uma idade de aposentação de 62 anos para as mulheres.
A memória é curta. Não foi Manuela Ferreira Leite que quis suspender a democracia por 6 meses? Pois tem agora no governo um perfeito executante da sua sugestão. Como lhe toca a ela na questão da reforma já se sente lesada e por isso critica tão veementemente.
MFL falou em 6 meses. A dupla Paulo Coelho e Pedro Portas já ultrapassaram os 2 anos... Quanto ao corte das reformas, só tenho uma certeza: também chegará a sua vez, caro C. Silva.
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