
Estive a ler com atenção esta entrevista do Nuno Santos. Quando foi alvo de um "inquérito" interno, escrevi que o considerava «um profissional a quem quero, aqui, protestar livremente a minha consideração e estima pessoais. Não se atira impunemente a honra de quem quer que seja aos cães com processos sumários ou tentativas de linchamentos públicos.» Nessa altura não podia sequer imaginar que o Nuno iria ser, depois de ter estado suspenso, despedido. E que, em consequência disso, teria de procurar trabalho fora de portas e mudar por completo a sua vida pessoal e profissional. Acompanhei isto tudo desgraçadamente por perto. Incomoda-me um país e, volto ao termo de propósito, uma democracia dita liberal em que, involuntariamente, as pessoas têm de sair em razão da prepotência caprichista de outras pessoas. Se me envolvi mais neste "caso", aceitando ser testemunha no processo judicial que o Nuno moveu contra o seu despedimento, é porque não aceito a derrota da verdade e do direito às mãos desse caprichismo ainda por cima mal amanhado. Mesmo sabendo que outras pessoas que estimo estão do lado oposto. Todavia, a minha liberdade de acção, nesta matéria, não é menor do que a que sempre achei que devia ser assegurada a quem tem de tomar decisões políticas. E que, para o bem e para o mal, deve prevalecer. A entrevista termina com uma pergunta: «Esta entrevista é publicada no dia 13, o dia para o qual está marcada a primeira audiência preliminar. Acredita ainda num acordo?», ao que o Nuno Santos responde:«Isso depende de algum espírito de abertura das partes. Eu tenho espírito de abertura, sobretudo em nome dos superiores interesses da RTP e da paz na empresa, mas não cederei no essencial.» É um bom começo para uma conversa, no sentido pragmatista do termo, que quanto mais depressa terminar para todos, melhor.
1 comentário:
Desculpe-me, fui ler a longa entrevista que mais parece um livro daquele que vai ser mais um Novo Escritor.
Não podia ser mais explicita no que se refere à luta entre todos nos lugares cimeiros da teta pública.
Outra coisa curiosa é a nitidez das respostas excepto à principal "quem autorizou a visualização dos brutos ".
Aqui começa-se a gaguejar.
A designação não podia ser mais clara.
Como diz o outro " até tu Brutus".
Melhores cumprimentos.
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