14.9.13

Quem é que precisa de uma "requalificação"?






«O ministro Poiares Maduro, no estilo bastante arrogante com que faz declarações, diz que quer "uma nova cultura política para Portugal", coisa que ele sabe o que é, escolheu no lote de "culturas políticas", e que nos acena como "melhor". Repare-se que ele não se fica por pedir uma outra política, ou outras práticas políticas, quer nem mais nem menos do que uma "nova cultura política", ou seja, que pensemos de forma diferente (...). Sei muito bem qual é o contributo que o ministro Poiares Maduro pode dar para essa "nova cultura política": demitir-se de imediato e denunciar o discurso, a prática, a linguagem do actual poder, a mais velha e perniciosa cultura política que existe em Portugal, uma mistura de muita ignorância, apego ao poder, desprezo pelos portugueses, partidocracia e dolo. Em que casa é que ele pensa que está? (...) Ele não podia deixar de saber ao que vinha e para que vinha. E sabia-o tão bem que de imediato se colocou na função de repetidor da propaganda governamental naquilo em que ela é mais dolosa, função que tem desempenhado até ao dia de hoje, como circulador de falsos argumentos e de afirmações manipulatórias. O intelecto e a arrogância ajudam, a subserviência acrítica de muita comunicação social faz o resto (...) Na mesma semana em que nos exortou a uma "nova cultura política", em que "as ideias sejam discutidas em vez de ser substituídas por slogans", ele assinou um comunicado do Conselho de Ministros. Nesse comunicado diz-se, quanto ao "processo de requalificação" (que ele já tinha jurado na entrevista à TVI não ter como objectivo despedir ninguém), que os primeiros doze meses se destinam "a reforçar as capacidades profissionais do trabalhador", e que, por isso mesmo, dão logo origem a uma brutal diminuição de salário, seguida de um ersatz do despedimento, apenas porque o Tribunal Constitucional não permitiu a fórmula anterior. Quer dizer "reforçam-se as capacidades profissionais do trabalhador", gastando dinheiro e recursos, e depois deita-se fora. É isto que é uma comunicação "menos baseada na táctica política e mais nas opções políticas de fundo, e fornecer às pessoas o máximo de informação viável"? Um intelectual que aceita chamar "requalificação" àquilo que o Governo pretende há muito fazer, despedir funcionários públicos, não merece qualquer respeito, nem que tenha mil doutoramentos.»


 


José Pacheco Pereira, Público


 


 


«No cérebro do sr. Seguro, não existe o vestígio de uma ideia. E o PS não achou conveniente fabricar um programa, um horrífico trabalho que guarda para o Verão de 2014. Por isso, quando vai animar a festa (mais conhecida, no vocabulário da seita, por "campanha"), está reduzido a duas soluções: ou se indigna com a miséria da austeridade, ou promete desfazer tudo o que o Governo fez, coisa em que ninguém acredita e que, de resto, é patentemente absurda. A dívida continua com ou sem Passos Coelho e os credores não amolecem ao ver a carinha de Seguro, mesmo que ele ponha, como devia, um bibe. Seja como for, os sofrimentos de agora ninguém os "paga", sobretudo com promessas de um regresso mítico à prosperidade e ao dinheiro fácil do Portugal que morreu em 1910. Passos Coelho também fica em perigo cada vez que abre a boca. Anunciar cortes, despedimentos e o aumento do horário de trabalho para o funcionalismo público não é, como se calculará, a melhor maneira de convencer o eleitorado a votar na gente que lhe trouxe tantas benesses. Pior ainda, o crânio do primeiro-ministro anda, coitado, tão vazio como o de Seguro. Perdido na crise, é constantemente empurrado de um lado para o outro, nega e afirma, não manda de facto no Governo e trata com um inexplicável zelo as querelas do partido e da coligação. Nestas patéticas circunstâncias, o silêncio era a melhor política. Mas não para Passos, constantemente obrigado a falar. E ele fala, coitado, com o amadorismo e a irresponsabilidade a que se habituou na JSD. As vociferações contra Seguro acabam por ser o melhor refúgio, tanto mais porque Seguro amavelmente retribui. Este par é que precisava com urgência de "requalificação".»


 


Vasco Pulido Valente, idem

4 comentários:

portas e lima disse...

Entretanto os juros voltaram a ultrapassar a fasquia do senhor professor teixeira...
O eterno retorno?
A quem devemos agradecer ?

oscar maximo disse...

Ao passar o ordenado a metade o rendimento do trabalhador do Estado passa para o dobro. Então aumentar o rendimento do trabalho não é aumentar as capacidades profissionais do trabalhador? Barato e instantâneo, não se pode querer mais.

Anónimo disse...

Curiosamente quando VEXA estava a comer do pote nunca vi os posts que agora tem a ?coragem? de inserir no seu blog.

Também VEXA é 1 paradigmático exemplo da miséria de país que somos. Quando tinha as lentilhas no prato comia calado e agora berra porque ficou sem prato.......

João Gonçalves disse...

Não costumo responder a cobardes. Mas era bom que especificasse o pote, as lentilhas e os ganhos, pelos vistos substanciais, que me trouxeram outras funções para além das públicas que desempenho há 25 anos. E nunca me viu aqui a lamber os pratos de quem quer que fosse independentemente das funções em causa.