
No metro vinha um dos "ajudantes" da troika. Contemplava a fauna com o ar que quem repete para si mesmo: "é isto?" Estas avaliações, a oitava e a nona, serão muito difíceis. Até um cego já viu. Nada ajuda. A coisa já tinha começado com a sétima como famosamente o dr. Gaspar fez questão de salientar na sua carta de demissão, o tal documento que toda a gente finge que nunca existiu. Quase simultaneamente, o dr. Portas abriu a "crise de Julho" e, com a mesma cara de pau, foi apresentar-se aos credores, cerca de um mês depois, como o novo Lidador da pátria. Imagino que devem ter adorado conhecê-lo e ao seu misterioso programa de "reforma do Estado". Uma vez chegados aqui, os credores depararam-se com uma campanha eleitoral absurda em que os principais dirigentes partidários discutem, de uma terra para a outra, as décimas do défice e a intrínseca "hipocrisia" dos referidos credores. Pelo meio, alguém lhes há-de dizer que a principal interlocutora está a ser alvo de uma campanha mediática destinada a enfraquecê-la politicamente por causa da sua "vida anterior" enquanto trabalhadora investida em funções públicas. Em suma, os homens vieram meter-se num buraco do qual necessariamente vão retirar as piores ilações. E é entretanto neste buraco infecto que se "oferece" vistos de residência e, até, a nossa gloriosa nacionalidade a terceiros que queiram investir nele pelo menos 500 mil euros. Por natureza, um buraco é o mais fundo dos fundos. É onde estamos e não merecemos melhor.
1 comentário:
O jovem da troika que viaja de metro - não lhe emprestam um carrito para mostrar poupança e vida austera, decerto - podia por um dia dispensar as folhas excel e olhar vagamente pela imprensa real e virtual e constatar: que Menezes promete inglês para o 1º ciclo, que Carlos Abreu Amorim quer o metro até Gaia e que um estimável candidato autarca sintrense (creio) elege o emprego como a grande prioridade, para além de outros que dão prioridade às canalizações que vêm de fora para dentro, e de outros ainda.
Acredito que ao fim de dois dias a acompanhar "isto", pelas centenas de municípios e milhares de freguesias, aqui e ali com momentos abrilhantados pelas vedetas nacionais, o jovem da troika perceberia melhor o terreno que pisa e muito naturalmente o programa de assistência seria outro, e com outros resultados.
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