Fora a estafada demagogia das "gerações mais bem preparadas de toda a história nacional" - como se as precedentes fossem. em geral, um bando de cavalgaduras inúteis que importa que desapareça o mais rapidamente possível- , o "conselho" do Paulo Rangel para se acabar com essa outra ainda mais estúpida da preservação das "gerações futuras" - como se representassem uma espécie ecológica em vias de extinção -, não deixa de ter interesse. A fonte é o Público de hoje. «O problema que se põe hoje, em especial na sociedade portuguesa, é um outro, bem diverso, e anda associado ao risco de "instrumentalização" do discurso da "protecção das gerações futuras". Na verdade, e aproveitando a apologia da juventude - que quase parece uma "ideologia" ou é mesmo uma "mitologia" no sentido de Roland Barthes -, têm-se lançado as bases de uma "luta de classes" geracional. A retórica das "gerações futuras" parece muitas vezes arrancar da assunção de que as gerações mais velhas estão a explorar as gerações mais novas. E de que as gerações mais novas são um novel "proletariado", explorado e expropriado pelas gerações mais velhas, presumivelmente detentoras do capital. A ideologia da defesa das "gerações futuras", neste preciso contexto e com este uso intencional, procura aproveitar e tirar partido de uma pretensa clivagem geracional, de um fosso entre gerações. De um lado, estariam os mais velhos, grandes beneficiários de um Estado social claudicante e do endividamento desmesurado, e, do outro lado, os seus filhos e netos, vítimas da falência e da bancarrota, espoliados para o resto da vida. Esta narrativa - para voltar a um conceito precisado de "valorização" -, pese embora possa estar indiciada em alguns traços da sociedade portuguesa, não tem adesão à realidade. Em primeiro lugar, porque o discurso das "gerações futuras" é feito não em nome destas, mas em nome do "futuro" de gerações presentes. E, em segundo lugar, porque essas jovens gerações presentes, que são as gerações mais bem preparadas de toda a história nacional, foram largamente beneficiárias das escolhas políticas das gerações mais velhas. É mesmo aí - e esta é já uma terceira consideração - que falha e soçobra o argumento das "gerações futuras": grande parte das condições que engendraram as gerações mais velhas foi largamente destinada a educar e dar melhor vida às gerações mais novas. Com efeito, merece a pena perguntar, mesmo que só para testar ideias feitas: se as gerações mais novas compararem a sua juventude e a sua formação com a juventude e a formação dos seus pais e avós, quem teve uma vida mais fácil e mais orientada para sucesso e realização no futuro? Ou, dito de outra maneira, também manipulada, mas ilustrativa: com quem gastaram as gerações mais velhas o dinheiro entretanto sumido? (...) A solidariedade intergeracional não funciona nem pode funcionar num só sentido, o sentido dos mais velhos para os mais novos. Diz-se que o facilitismo das gerações mais velhas do país põe em causa a vida e o bem-estar das gerações futuras (quer dizer-se, das gerações mais novas). Mas esquece-se que a solidariedade intergeracional também pode implicar algum sacrifício das gerações do futuro em prol do bem-estar e de um mínimo de dignidade das gerações presentes. Em conclusão, e com uma dose de simplismo, prefiro ter uma vida um pouco menos confortável e saber que isso contribuiu para que as gerações que me precederam tivessem um final de vida digno.»
7 comentários:
Acho esse artigo panfletário. Sem números (sempre falíveis!) ou factos concretos, remete-se às "impressões", "opiniões" e "desejos". Sem disputar o (ab)uso que, na linguagem de pau da política, se faz do tema que ele aborda, a verdade é que o que PR escreveu também não adere à realidade. Entre outros pontos, como compaginar o que ele diz com a queda da natalidade, por exemplo? E ainda que dizer da forma como certas profissões protegem quem as exerce, dificultando a entrada de recém-formados? E não, não são apenas os advogados que fazem isso. Porém, é a história de "um final de vida digno" que mais baralha, porque carece de qualificação. Se ao nível das pensões de sobrevivência, mais e melhor se pode fazer, ao nível das grandes pensões então, meus amigos, esse é um dos vectores da insustentabilidade das despesas públicas. Não só pelos valores mas pela injustiça que muitas delas representam. E com esta chego ao ponto onde quero: a temática das gerações é apenas um dos vários pontos onde o estado, falido, tem que rever a sua posição, que é como quem diz, gastar menos. No entanto, por razões elementares de justiça, fazendo isso a um que seja, desde desempregados a credores bancários, tem que o fazer com todos. Dito de outra maneira, se corta na duração ou valor do subsídio de desemprego (já feito), tem que cortar na dívida (não feito!). Se corta nas pensões (em curso), tem que cortar nas "rendas" (em curso). E assim sucessivamente. A questão, a grande questão, é saber como equilibrar tudo isso, com justiça e bom senso. Já se sabe que todos os idiotas desta terra vão achar que se pode cortar nos do vizinho mas nos seus interesses não. O artigo do PR, causídico de renome, faz jus à sua profissão mas não me interessa nada!
Esta conversa é, para além de perigosa, demasiado complexa para ser escrita, deve ser desencantada, mas o caro J. Gonçalves ali vai molhar a colher e mexer um bocadinho mais que a trampa ainda não ganhou a consistência suficiente! Simplesmente chafurdice!!
Boa tarde,
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Atenciosamente,
Catarina Osório
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Não é a realidade. As gerações mais velhas receberam reformas calculadas com os 5 melhores anos dos últimos 10. Vieram para casa reformados aos 50 anos. Nós nem sabemos se vamos ter reforma aos 70 anos!
nã0 percebo muito bem de que tem medo a presente geração. quando comecei a trabalhar (1950) não era a refoma a minha preocupação. não acredito que a presente geração seja castrada ao ponto de não acreditar no desenvolvimento do país , como o fizeram - nem sempre bem - as gerações passadas, ou estamos condenados a ser pobres para sempre?
Sinceramente, face a isto http://comunidade.xl.pt/JNegocios/blogs/massamonetaria/archive/2013/08/08/psg-e-em-pens-245-es-l-237-quidas-maiores-que-sal-225-rios-l-237-quidos-sim-ainda-233-verdade.aspx , não vejo onde está a demagogia em querer equilibrar o sistema. Os velhos de agora por acaso serão mais dignos que os velhos do futuro? Então porque é que estes recebem 113% do salário líquido depois de reformados e os do futuro, descontando mais, vão receber metade desse valor?
Aliás, não permitir que as gerações atuais de reformados roubem os mais jovens é a melhor homenagem que lhes podemos prestar e a melhor forma de dignificar aqueles que tanto trabalharam e lutaram por este país! Deixá-los roubar só porque são “velhinhos coitadinhos” é a coisa mais desdignificante que se lhes pode fazer! Sim à valorização dos mais velhos! Não à extorsão instituída!
Eu acho que o João Gonçalves já descia da torre de marfim onde gosta de se colocar e respondia concretamente às observações (pasme-se, concretas!) que lhe foram aqui deixadas. Eu já sigo o seu blog há imenso tempo e tenho-lhe a dizer que não sei porque é que o mantém, mas gosto de pensar que é para partilhar connosco (que o lemos) o seu entendimento das coisas. No caso em questão, eu gostava de compreender como é que a sua posição se conjuga, por exemplo, com o primeiro comentário. Mas se calhar, como diria o outro, "o burro sou eu". Ou melhor, "se não sabem porque é que perguntam?" (dos tempos da faculdade)
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