1.9.12

A deturpação de um livro

Num país que geralmente não aprecia polémicas por causa do "respeitinho" - uma doença infantil que ataca indiferentemente as esquerdas e as direitas e que surge associada a défices sinápticos irremediáveis -, a relativa à História de Portugal coordenada por Rui Ramos, suscitada por uma absurdidade em letra de forma prodigalizada por uma pessoa que escreve quinzenalmente no jornal Público, evidencia perfeitamente que a estafada "reforma das mentalidades" tão cara, por exemplo, aos "seareiros" ou a quatro quintos do pessoal deste regime, nunca passou de uma bravata retórica sem grandes consequências. A coisa teve desenvolvimentos e Rui Ramos não pôde deixar sem resposta a atoarda loffica. Algures esta semana, o quinzenal "historiador" replicou mas não tive pachorra para ler aquilo ou o antecedente. Todavia, e indo ao socorro da História propriamente dita (cuja entrada nos textos de Loff não tem lugar), Maria Filomena Mónica, espero, colocou um belo ponto final na coisa no Público de hoje. «Basta ver o que diz sobre as liberdades fundamentais na I República e a mistura que faz entre Salazarismo, Fascismo italiano e Nazismo alemão para se constatar o que vai naquela cabeça. Se fosse apenas estúpido, não estaria a escrever este artigo. A coisa é pior. Loff é um fanático que só concebe duas espécies de filiação ideológica: o comunismo e o fascismo. Uma vez que Rui Ramos não é comunista, aquele deduz ser ele "um empenhado relativizador da leitura histórica da ditadura salazarista." Relativizador? Mas que diabo quer isto significar? Rui Ramos teria ainda cometido o pecado de "desmontar a natureza ditatorial do Estado Novo", uma frase com um sentido inverso ao que ele imagina possuir. (...) Não se trata de uma polémica entre historiadores, um de esquerda e outro de direita, mas da deturpação de um livro.»

8 comentários:

Vortex disse...

todos os socialismos são fascistas, vivem do agit-prop e da opressãO-REPRESSÃO

Anónimo disse...

http://ruadopatrocinio.wordpress.com/2012/09/01/combate-de-historiadores-a-portuguesa/

Respeitinho disse...

Respeitinho, Dr. João Gonçalves. Respeitinho. (O Sr. Dr. apanhou o sentido das minhas observações)

Carlos Vidal disse...

É estúpido ir-se atrás de uma tia estúpida, com uma bibliografia feita de biografias e fait-divers. "Desmontar" também quer dizer "desconstruir", "desmanchar", "apagar", "rasurar", o que dá, por exemplo, Rui Ramos pretendeu apagar a natureza ditatorial do Estado Novo.
Quem não percebe isto é por má fé, e assim até Relvas pode ser considerado um bom profissional, uma espécie de "petroleo" do governo (que não vai chegar ao fim do ano).
Vou estar cá para me rir.

LMR disse...

Em resumo: não lê mas toma posição, vocifera e invoca a MFM (!!) em defesa de um amigalhaço. Ana bonito este blogue, sim senhor.

Carlos Vidal disse...

É que uma tia estúpida e desacreditada à medula não sabe que desmontar quer dizer também, repito, abater, desarticular, logo, tornar a coisa opaca. É lamentável que o J. Gonçalves dê espaço à tia mais bafiente (uma queque com um defeito de fala, por falar à queque acéfala) da cidade, que em tempos julgou de si outra coisa: ouvi dizer que se julgava a maior amante da cidade. Por isso, somos o esgoto da Europa, com tanta mulher para amar e fornicar, logo nos anos 60 estar a olhar para aquele betice. Que, além disso, é sociólogoa sem textos de sociologia no seu currículo. Uma tia não precisa disso, é evidente. E RRamos é o queque da "história". Não, não é uma Zita Seabra, é pior, é um queque esforçado por Salazar. Não vai longe.

João Gonçalves disse...

Caros Carlos Vidal e LMR: nesta, como noutras matérias, há dois contextos, o contexto da justificação e o contexto da descoberta. No primeiro é vulgar recorrer a autores com os quais sentimos afinidades. É o meu caso com Ramos "todo" ou com a Mónica não autobiográfica. O Loff aparece-me no segundo contexto, o da descoberta. Péssima, por sinal. Daí o conteúdo dos meus posts justificado por ambos os contextos. O facto de não ter lido o Loff em papel à segunda e terceira vezes, não significa que não o tenha feito através dos links. Mesmo que superficialmente,aliás, para respeitar a insustentável leveza do "pensamento" loffico.

Carlos Vidal disse...

Dou-lhe um exemplo de que o homem é mesmo incompetente, e metodologicamente impraticável: na primeira página que escreve sobre Salazar há uma referência ao termo Estado Novo também usado no Brasil, diz ele. E abre aí uma nota de rodapé. Vá ver: essa nota não toca no Brasil, mas junta alguns títulos sobre o Estado Novo em Portugal. Eu não deixaria passar tamanha patetica numa tese por mim orientada. e isso é logo no começo dos textos sobre o salazarismo. Bem analisado, o RRRamos todo daria uma pequena catástrofe. Mas não tenho tempo. (Ou talvez...., noutro lugar.... suporte papel....) Ideias são ideias, trabalho é trabalho, método é método.